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Como mostra este fenômeno, a solução para a mobilidade urbana está na descentralização

Nota do editor

O artigo abaixo foi originalmente publicado em maio de 2018. À época, o fenômeno das patinetes ainda não havia chegado ao Brasil. Hoje, já é um grande sucesso em São Paulo. Porém, como tudo o que funciona bem e agrada aos consumidores, a inovação está sob ataque dos burocratas da prefeitura. 

Após confiscar 557 patinetes, o próprio prefeito, Bruno Covas (PSDB), veio a público e inacreditavelmente disse que “Governar é como cuidar do filho adolescente. Temos
que fazer o que é bom para ele, não o que ele pede. Ele vai reclamar, mas um
dia vai entender e reconhecer”.

Por uma questão de decência, vamos nos eximir de comentar.

Confira no artigo abaixo como as previsões feitas à época se concretizaram.

__________________________________________

Diga-me se isso já aconteceu com você. Você está em
seu carro em uma grande cidade, locomovendo-se a uma velocidade de cágado
devido ao congestionamento. E então você vê um pedestre passando por você. O
trânsito flui um pouco e você ultrapassa esse pedestre. Logo em seguida, o
trânsito volta a parar e esse mesmo pedestre ultrapassa você. E assim vai.
Passados uns 15 minutos, esse pedestre já está uma quadra à sua frente.

E aí você pensa: creio que estaria em melhor
situação se estivesse a pé. Além de mais rápido e de não ter chateação para
estacionar, não estaria gastando combustível.

Mas tem de haver uma alternativa melhor.

Os aplicativos de transporte — como Uber, Cabify,
Lyft etc. — têm se mostrado uma sólida alternativa a dirigir o próprio carro.
Eles acabaram com o monopólio dos táxis (protegido e impingido pelo
estado
) e isso foi maravilhoso. Eles se transformaram em uma indispensável
fonte de renda para pessoas que até então estavam desempregadas ou que
necessitavam de uma segunda renda
, além de terem sido a salvação para
várias pessoas que descobriram que ganhar dinheiro utilizando o próprio carro
para rodar pela cidade é melhor do que ficar preso a uma mesa em um escritório.

No entanto, as grandes metrópoles estão agora
lidando com a realidade de que esta solução ainda é imperfeita. Os aplicativos de transporte ainda utilizam carros.
Ainda necessitam de ruas. No que tange à mobilidade urbana,
há quem alegue que os aplicativos de carona podem piorar tudo.

Patinetes elétricos

Eis algo realmente incrível. Neste exato momento, nas
ruas do centro de Atlanta, há várias patinetes elétricas estacionadas (ver foto
acima), à espera do próximo cliente. Eu tenho um aplicativo em meu smartphone
que me mostra exatamente onde elas estão. Posso sair do meu escritório e ir
direto a uma delas. Ato contínuo, escaneio o QR code da patinete com meu
smartphone. Ela destrava.
Subo nela, pressiono a alavanca e vou-me embora, a 25 km/h.

Locomovo-me rapidamente pelas ruas (e calçadas),
deixando todo tráfego para trás. Chego a um restaurante (ou a qualquer outro
estabelecimento) e estaciono a patinete elétrica onde quiser, e a deixo ali. O
próximo cliente vem, monta nela e faz o mesmo. E assim vai, durante todo o dia,
e até mesmo toda a noite, ao redor de toda a cidade.

Essas maravilhosas patinetes elétricas custam US$ 1
por viagem, mais US$ 0,15 por milha (o equivalente a US$ 0,09 ou R$ 0,33 por
quilômetro). Você também pode se inscrever para se tornar um carregador
(fornecer energia elétrica para recarregar a bateria) e ganhar entre US$ 5 e
US$ 20 por hora apenas para ligar a patinete a uma tomada.

E como elas não são roubadas? Simples. Se você
montar em uma patinete e tentar se locomover sem ter sido autorizado pelo
aplicativo, ela se trava automaticamente. Elas não vão para lugar nenhum sem
que a empresa proprietária dela possa acompanhar.

Pessoalmente, considero todo esse arranjo
sensacional. A empresa criadora da ideia, a Bird,
já tomou várias cidades de surpresa, despejando centenas de patinetes elétricas
ao redor delas. E já há outras duas empresas concorrentes (Spin e Lime) fazendo o mesmo. Elas
operam em San Francisco, Nashville, Austin, Atlanta, Santa Monica, Silver
Spring, Washington, D.C., St. Louis, Charlotte e outras. Essas três empresas
estão concorrendo entre si para auferir aquilo que a literatura chama de “vantagem do pioneiro
(o primeiro a entrar em um mercado aufere as maiores taxas de lucro). Faz todo
o sentido para elas simplesmente saírem espalhando suas patinetes pela cidade
antes de implorarem a permissão das autoridades municipais.

E, é claro, assim como ocorreu com a Uber, já está
havendo oposição. Pessoas estão reclamando que as patinetes estão andando
rapidamente pelas calçadas, sendo que elas deveriam usas as ciclovias (quando
estas existem). A própria novidade da coisa, bem como a emoção de se locomover
em uma patinete elétrica, está fazendo com que alguns usuários sejam
ostentadores em suas exibições de técnicas de condução, o que está irritando
algumas pessoas. Mas, acima de tudo, os burocratas das administrações
municipais estão muito zangados porque nenhum empreendedor veio rastejando até
eles implorar por permissão para operar.

E, dado que nada afeta mais um burocrata do que ser
ignorado (eles exigem ser vistos como soberanos que a tudo controlam), o
contra-ataque já começou. A câmara municipal de Nashville, por exemplo, já
emitiu uma ordem
de cessação e desistência
para a empresa Bird. “Nossos funcionários do
Governo Metropolitano já observaram que as patinetes elétricas da Bird estão
obstruindo as calçadas públicas”, escreveu a procuradora da prefeitura em uma
carta para o diretor de relações da Bird. Mas que terrível! Patinetes
estacionadas nas calçadas!

Neste vídeo, um veículo de esquerda (que
supostamente deveria ser a favor do empreendimento, pois é “ambientalmente
correto”) ataca as empresas que fornecem as patinetes, pois elas “operam sem
pedir permissão para o governo”.

Assim como os aplicativos de transporte em geral, é
de se admirar a maneira como essas empresas estão agindo: elas estão perfeitamente
cientes de que têm muito mais a perder ao não agirem (ou seja, ao não
empreenderem) do que ao lidarem com vereadores vingativos e suas coortes
burocráticas.

A Uber foi a pioneira em incomodar prefeituras com a
tática de “fazer agora e lidar com a burocracia e com as permissões depois”. O
então CEO da Uber Travis
Kalanick
não apenas corajosamente forçou a entrada da empresa em vários
mercados fechados e protegidos pelo estado — ao simplesmente sair operando sem
pedir permissão para burocratas –, como também teve a coragem (e o
sangue-frio) de gastar milhões de dólares com os trâmites judiciais necessários
para legalizar a Uber em vários outros países. Várias outras empresas perceberam
essa estratégia e fizeram o mesmo (muitas simplesmente pegando carona no
sucesso da Uber, que foi quem desbravou tudo).

Apesar de todos os ataques coordenados e de todo o
frenesi da mídia, a tática funcionou. Governos e seus burocratas sempre são
muito mais lentos que empreendedores agindo no livre mercado. Se você quer ser
um empreendedor de sucesso, você tem de agir com coragem e inovar a uma grande
velocidade. Em alguns casos, isso significa abalar cartéis e oligopólios já
entrincheirados e protegidos pelo estado.

Tudo
isso é apenas parte da solução

É claro que patinetes elétricas, por si sós, não
resolverão a complicada questão da mobilidade urbana. No entanto, tão logo você
vivencia esse arranjo, torna-se incrivelmente óbvio que ele pode ser uma empolgante
parte da solução para esse problema, o qual, há décadas, atormenta quem vive
nas cidades grandes.

Permitir que pessoas se locomovam a distâncias
relativamente grandes de forma barata e eficiente, e sem causar
congestionamentos, sempre foi o objetivo de toda e qualquer política de
mobilidade urbana. Uma solução já começa a surgir. Se os mais jovens se
apegarem a ele (não imagino ver idosos utilizado o aparelho), uma parte
substantiva da demanda pelo transporte público poderá ser reduzida.

Assim, o que é realmente fascinante é o método pelo
qual a solução está sendo encontrada. Inúmeras tentativas já foram feitas em
todas as cidades para tentar planejar a mobilidade urbana, sempre se utilizando
uma abordagem “de cima para baixo”: faixas exclusivas para ônibus e táxi,
rodízio, pedágios, expansão do metrô, quantidade mínima de pessoas por carro,
obrigatoriedade de se compartilhar o mesmo carro entre colegas de trabalho,
mais ônibus etc. E o problema sempre persistiu.

E então veio a internet. E depois vieram os
aplicativos. E então veio a possibilidade de utilizá-los para conseguir
transporte por meio de novas empresas que ofereciam novas soluções. Depois
vieram os próprios aplicativos de carona. E depois vieram os aplicativos de
aluguel temporário de imóveis (como o AirBnB). E, agora, essas incríveis
patinetes elétricas estão surgindo por todos os cantos das grandes cidades
(graças ao comércio internacional; a empresa chinesa Ninebot é uma grande
fornecedora do aparelho). E, como é típico do setor privado, as soluções são
economicamente eficientes, pró-consumidor, eficazes e também divertidas.

Com efeito, mais uma vez estamos vivenciando aquela
dicotomia semântica: ao passo que o setor privado oferece mais uma genuína
solução pública, a típica solução do “setor público” sempre se resume apenas a
alimentar os interesses eleitorais de indivíduos privados. Enquanto o mercado e
a livre concorrência beneficiam o público, as soluções de governo beneficiam
apenas os entes privados nelas envolvidos (políticos, burocratas e empresas
licitadas).

Como Mises sempre explicou, as raízes das soluções
de mercado estão na propriedade privada, e essa propriedade, em última
instância, beneficia o público.

Conclusão

A ascensão das patinetes elétricas urbanas —
permitida pelos aplicativos — é um fantástico exemplo de como o mercado gera
soluções para problemas sempre tidos como incuráveis. Quanto mais as pessoas se
adaptarem a essas fantásticas máquinas, mais leve será o tráfego, mais limpa
será a cidade, e mais felizes (e mais saudáveis) serão as pessoas.

Observe que nenhum planejador central jamais teve
essa ideia. Ela surgiu de empreendedores atuando no livre mercado em busca do
lucro. Mais especificamente, essa ideia surgiu através de discretas formas de inovação
(patinetes elétricas) que utilizam o melhor da tecnologia moderna (os
aplicativos) e que foram combinadas para solucionar uma demanda específica (locomoção
rápida e barata) para um problema específico (dificuldade de locomoção).

Agora, em minha patinete elétrica, deixo para trás não
só o cara que está caminhando apressado, como também, e incrivelmente, até
mesmo os motoristas que se rastejam em nossas congestionadas ruas.

Seja paciente. O mercado irá encontrar uma solução para
os nossos problemas.

 

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84 comentários em “Como mostra este fenômeno, a solução para a mobilidade urbana está na descentralização”

  1. Aqui no Brasil:

    1- As pessoas roubariam o patinete

    2-As ruas são estreitas e mal feitas e não tem espaço pra andar de patinete

    3- Vão querer criar legislação pra regular o patinete, pq vai ter caso de gente sendo atropelada por patinete(risos, não duvide do Brasil amigo).

    Mas eu particularmente achei a ideia sensacional, já comecei a imaginar aqui a cidade infestada de patinetes pra lá e pra cá.

    Isso vai fazer a passagem de onibus ficar mais barata, menos carro, a gasolina vai baixar tbm.

  2. Em cidades médias, com menos de 300 mil habitantes, essa solução é ideal. As distâncias não são grandes o bastante para exigir a compra de um carro e nem pequenas o bastante para se fazer tudo a pé. Normalmente só tem táxi e ônibus, e os engarrafamentos já são pesados dependendo do horário.

    Mas o melhor de tudo é q se trata de um empreendimento de capital inicial extremamente baixo. Qualquer um pode entrar nesse ramo. Você só precisa de patinetes e um QR Code.

  3. Visitem Foda-seoestado.com

    Impressionante como só um pouco de liberdade faz um bem danado ao ser humano!

    Aqui no Bananil o Estado é um câncer que lentamente paralisa e mata toda e qualquer criatividade e iniciativa…

  4. Cristiane de Lira Silva

    Mas é preciso pensar como resolver o problemão dos engarrafamentos em horário de pico. Pelo menos no Recife é um horror. Nessas horas tudo te abandona: taxi, Uber (fica caríssimo, nem vale a pena), ônibus,carro pessoal e até motocicleta (que também não anda muito). Tem que se acalmar e esperar muito pra chegar em qualquer destino. O patinete também seria uma ótima opção pra quem odeia dirigir.

  5. Gustavo Arthuzo

    Empecilhos que seriam encontrados no Brasil:

    Furto/roubo: apesar de ser difícil de roubar e de poder ter rastreamento com gps, os nóias não ligariam; iriam tentar trocar patinetes por pedras de crack;

    Acidentes: seja uma pessoa atropelada na calçada ou o próprio usuário atropelado por um carro, nosso Estadão interventor seria acionado, processos de indenização por danos morais e materiais contra as fabricantes irresponsáveis (possibilidade do DETRAN exigir carteira de motorista tipo Z – patinetes motorizados);

    Burocracia: tudo começaria no âmbito municipal; vereadores e prefeitos iriam DEFENDER a população contra os REBELDES que andariam de patinetes pelas ruas e calçadas, criando leis visando a proibição ou regulamentação de como deveriam ser usados os patinetes. Isso com certeza se estenderia para âmbito do estados e da federação.

    Burocracia2: alguma(s) grande(s) empresa(s), adepta do rent-seeking, tendo em vista que os municípios tentam proibir o uso do patinete, lutará no poder legislativo para que seja feita uma justa regulamentação do produto, visando o bem estar da população, que poderá usar seguramente o equipamento; será definido que os patinetes devem obedecer uma série de requisitos na fabricação e no uso (o que impedirá que pequenas empresas entrem na concorrência e ofereçam produtos nocivos ao povo).

    Além disso, as empresas de equipamentos de segurança, preocupadas com o risco físico dos usuários, exigirão regulamentações para que sejam utilizados equipamentos obrigatórios, como capacete, joelheira, cotoveleira, armadura, etc.

    Enfim, é brincadeira (ou não), mas nós sabemos, tudo que é novo ou moderno no Brasil sofre muito com a burocracia estatal, provavelmente não seria diferente com isso.

  6. Apenas uma breve observação.

    Muitas pessoas nos comentários falaram que o Brasil não possui infraestrutura para serem usados os patinetes. Mas por que então bicicletas (que são maiores) foram aprovadas para serem usadas pelas prefeituras de grandes cidades?

    É óbvio que a infraestrutura da maioria das cidades brasileiras são porcas e isso é inteiramente culpa do Estado (afinal nem concessão de ruas com movimento existe), mas achar que por isso não pode haver esse tipo de serviço no Brasil é bobagem, pois bicicletas são ainda maiores e foram permitidas (e encorajadas) pelas prefeituras.

    Essa discussão inevitavelmente mostra a ineficiência do Estado em serviços monopolistas que muitos não-estatistas também acham que precisam estar “indiscutivelmente” nas mãos do Estado.

  7. Praxeologia de Mises refutada, logo todo sua teoria(que se baseia a priori) vai por água abaixo:

    libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2014/06/21/contra-a-praxeologia-a-favor-da-ciencia/

    Como esse site adora censurar argumentos BONS, provavelmente esse não será aceito.

  8. Para os que acham que a idéia não pode ser implementada no Brasil vale ressaltar que nós, como consumidores, não precisamos nos preocupar com isso.

    Esses problemas não são nossos mas dos empreendedores que irão implantar o sistema. São eles que irão se desdobrar para tentar fazer com que o sistema funcione bem e por um preço aceitável. Caso contrário, quebrarão.

  9. Bruno Feliciano

    Trânsito só existe por causa do estado, ruas e estradas estatais não são administradas de forma racional pois necessariamente é impossível, somente uma administração que vise o lucro e tema o prejuízo pode administrar algo racionalmente, isto é, via sistema de preços

    Quando se oferece um recurso importante de ”graça”, necessariamente haverá uma corrida pra se utilizar o máximo desse recurso, por isso há escassez no socialismo.

    Em estradas e ruas privadas, nos horários de pico os preços seriam mais altos e nos horários fora de pico os preços seriam mais baixos, isso equilibraria e forçaria as pessoas a sair nos horários fora de pico. Os preços naturalmente via incentivos de mercado e relação direta de oferta e demanda, equilibraria a relação e extinguiria a ”escassez de espaço”, mais espaço nas ruas e estradas se traduz em menores preços, menos espaço nas ruas e estradas se traduz em maiores preços.

    Por isso no mercado ha abundância e não escassez, porque quando um serviço se torna caro devido a escassez do recurso oferecido, há um incentivo para gerar ofertas nesse setor, uma vez que os preços estão altos e logo gerar oferta é altamente lucrativo, assim criando soluções e inovações que reduzem preços e facilitam nossa vida.

    Se o petróleo sobe, ha um incentivo pra varias empresas de venderem petróleo. O recurso esta escasso e por isso mais caro, ao mesmo tempo esta altamente lucrativo gerar oferta nesse setor, o que cria uma corrida por gerar oferta nesse setor, aumentando a competitividade e criando soluções para tornar esse recurso abundante, caso contrário a falência será inevitável no longo prazo.

    O mercado é um processo de equilíbrio lindo, até arrisco a dizer que é perfeito. Quando o estado intervém, ele distorce todos esses indicativos e causa desiquilíbrio no setor.

    Abraços

  10. Richard Gladstone de Jouvenel

    “Ainda será preciso muita pesquisa pra entender esse vira-latismo brasileiro.”

    A Vanessa tem toda razão e estou com ela nessa. E estou com os colegas que disseram que fazer o troço funcionar é trabalho pra quem tiver a ideia. A nós como consumidores só nos resta aproveitar quando a coisa se tornar viável.

    Vamos estabelecer: nós (não vou cair na pilha de fazer de conta que não sou brasileiro), somos um povo empreendedor e criativo, basta que o Estado não se intrometa.

    Trabalho com gestão de projetos, então viajo muito o Patropi. Conheço essa terra de perto, e não do sossego do meu quarto, com a mamãe me trazendo sanduba e suquinho enquanto fico vomitando razão escondido atrás de uma tela. E o que vejo por aí são incríveis iniciativas vicejando a margem do Estado, e dando nó na burocracia quando ela toma ciência da coisa. Alguns exemplos dessas tentativas beiram o risível

    É extremamente comum acontecer aqui o caso do patinete elétrico: o empreendimento vem antes da legalização, porque o Estado em muita situações simplesmente não tem a menor ideia de como enquadrar o troço. O chato é que ele também é extremamente criativo nas exigências, principalmente em nível municipal.

    Eu sempre digo: soltem as amarras da burocracia, e vejam as ideias brotando.

  11. Capitalismo, descentralização da mobilidade e a realidade

    Muitos neoliberais têm comemorado esta nova onda da descentralização da mobilidade urbana que está ocorrendo nos Estados Unidos. Isso me chama a atenção porque o principal agente de mudança não é o governo, mas empreendedores. Infelizmente, quando o tema se torna público, é preciso que os adultos (socialistas) tomem a palavra e possam iluminar o debate com a realidade antes que toda essa gritaria festiva possa iludir mais pessoas. Lamento ser o estraga prazeres, mas se a descentralização do transporte for capitalista então não vale a pena descentralizar. Que fiquemos estagnados. No artigo de hoje vamos entender o porquê.

    Quando começou a aparecer aplicativos como Uber, Capify, etc., eu realmente fiquei feliz porque acabou servindo como um complemento do transporte público que eu já utilizava e eu poderia abandonar meu carro definitivamente. Depois veio o sistema de bicicletas compartilhadas (bike sharing) e tornou ainda mais legal a nossa relação com a mobilidade urbana; quem mora perto da região do butantã sabe que o pessoal cool, do tipo viadão, adora andar nessas bikes e isso praticamente transformava a cidade em um lindo comercial da Apple. E agora, provavelmente, deve aparecer patinetes elétricos para que o povo hipster de São Paulo possa realmente sentir que está no Vale do Silício. Afinal. Mas, voltando ao assunto, você percebeu onde apareceu essas inovações tecnológicas? Sim, em lugares onde já há gente rica e entediada.

    Os pobres não têm acesso ao que há de melhor

    A verdade é que toda essa maravilha tecnológica não será acessível aos mais pobres e humildes. Eu estou falando de gente que não tem nem o que comer, que dirá um smartphone com acesso a internet. Jeffrey Tucker deve viver em um mundo no qual todo mundo anda de terno, paga de intelectual, e pode sair por aí brincando de patinete elétrico pois obviamente irá ganhar dinheiro escrevendo algum artigo sobre. O mundo real infelizmente é um pouco mais triste e desigual; vivemos em um mundo no qual haverá gente para literalmente desmontar o patinete em mil pedaços e depois revender por crack; um mundo no qual haverá neguinho alugando bicicleta para roubar iphone de playboy trouxa (tinha que roubar mesmo) no Rio de janeiro; um mundo no qual os próprios motoristas de Uber formam uma verdadeira milícia contra possíveis concorrentes (Entre eles concorrentes menos poluentes como Ecobikes e Patinetes). Sim, Jeffrey Tucker deveria ter nascido no Rio de janeiro para aprender como realmente funciona o mundo.



    Garota miserável tentar roubar uma bike sharing

    O problema da mobilidade urbana sendo resolvida pela iniciativa privada esconde o fato que a natureza do capitalismo está na desigualdade de oportunidades que o próprio ofertante e consumidor criam; em outras palavras, haverá gente linda com pele hidratada brincando de Patinete elétrico pela cidade enquanto outros estão literalmente congelando nas calçadas das grandes metrópoles. É justamente por isso que existe o governo: o governo é o bem-comum que se preocupa tanto com o rico quanto com o pobre; o governo é o PODER que regula a psicopatia do livre mercado. Isso porque eu nem falei sobre os incômodos sociais e ambientais que todo esse lixo espalhado pela cidade poderia trazer. Agora você entende o porquê de somente o estado poder fazer a descentralização correta do transporte? Empreendedor não se preocupe com gente, somente funcionários públicos se preocupam com pessoas de carne e osso.

    Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.

  12. Prefeitura de São Paulo (uma quadrilha de incompetentes inúteis) recolheu (roubou) ontem 557 patinetes das empresas privadas, deixando o usuário a pé e sem opção. Chegaram a tirar o patinete até de quem estava utilizando (e pagou por isso)

  13. Excelente artigo. E uma visão alegre e refrescante do problema. Sim, os burocratas, mais uma vez, estão atônitos, pois foram treinados apenas para dedicar suas carreiras a resolverem problemas do passado.

    E a questão é que, o Uber já provou, vamos viver uma divertida e variada revolução, no mundo da mobilidade de pessoas e cargas, nos próximos anos.

    Gostei. Que venham outros…

  14. Li o “A Ética da Liberdade” do Rothbard e estou lendo o “A escola Austríaca” do Huerta de Soto. Estou me aprofundando na escola austríaca e preciso de indicações de livros para entender melhor a economia, alguem me sugere algo? Pensei em ler o Ação Humana mas ouvi dizer que é uma leitura muito pesada para começar.

  15. o brasileiro sendo brasileiro… primeiro vc não é meu pai, gloria a deus, meu pai é muito mais competênte. Segundo governar é responsabilizar cada cidadão pelos seu atos e ações , não privar a todos pelos erros de alguns.. cria vergonha na cara e vá estudar liberalismo.

  16. Ao se centralizar o comércio e abandonar as periferias ao tráfico, ocorre o fenomeno de concentração de emprego no centro e falta desse nas periferias, resultando no fenomeno de excesso de usuarios do transporte publico , e com politica de vias preferenciais para os carros, ocorre todo dia um trafico insuportável, periferia centro para trabalhar, e centro periferia pra voltar pra casa.

    Nao tem vias que cheguem a um transito desse. Inviavel tomar os imoveis e alargar vias,com uns querem. Um onibus ocupa menos espaço que quarenta carros. Mas paga mais imposto wue todos esses somados. Porisso transporte público tao caros que um custozinho a mais , chega a srr vantajoso o carro .

    Pelo serviço de tirar carros das ruas, os onibus deveriam ter menos imposto e custo, pra criar vantagem no preço do transporte público.

  17. Como o pensamento liberal/libertário/anarquista se posiciona em relação à invasão das calçadas pelos patinetes?

    Na minha cidade, não tem patinetes, mas são as bicicletas que invadem as calçadas. Aparentemente inofensivas a 25 kh/h, geralmente são toleradas pelas pessoas e pelas autoridades, mas uma delas pode ferir gravemente crianças pequenas ou idosos.

    Desde pequenas as crianças são condicionadas a terem cuidado com as ruas, e agora também o serão com as calçadas (“-Nenê, veja se não vem patinete ao virar a esquina”).

    Um “patinetista” ou ciclista pedalando na calçada deve ser punido na Justiça apenas quando provocar um acidente ou deve ser multado, antes de provocar um acidente, ao assumir o risco de trafegar na calçada?

    Eu tenho um viés de estado mínimo, quase anarquista, e odeio regulação, mas esse tipo de coisa confunde meus pensamentos.

  18. Dissidente Brasileiro

    Após confiscar 557 patinetes, o próprio prefeito, Bruno Covas (PSDB), veio a público e inacreditavelmente disse que “Governar é como cuidar do filho adolescente. Temos que fazer o que é bom para ele, não o que ele pede. Ele vai reclamar, mas um dia vai entender e reconhecer”.

    Esse cretino disse isso? Sério? Porquê como uma boa olavete ele não vai cuidar do canalzinho dele no YouTube e para de encher o saco das pessoas? Vai bajular o Olavo de Carvalho seu otário, afinal de contas é isso que você faz de melhor…

  19. E mais uma vez o Mises errou :

    noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/02/22/o-que-explica-a-incrivel-ascensao-e-o-vertiginoso-declinio-dos-patinetes-no-brasil.htm?fbclid=IwAR3bLe5Lhgy-Bgbs_aOjv28x1IsFRUhGRS3tpWwuyRD6eKFIn3kzKVzelfU

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