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A obrigatoriedade do diploma – ou, por que a liberdade assusta tanto?

O STF revogou a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, uma excrescência imposta pela ditadura em 1969 com o intuito de controlar com mais rigor a divulgação de informações.  Esse decreto de 69, não obstante tenha sido criado pelos militares para proteger seus próprios interesses, acabou agradando aos comunistas — que assim finalmente conseguiram proibir a livre expressão de ideias — e aos corporativistas da classe jornalística — que agora podiam repousar sobre seus diplomas sem preocupação alguma com a concorrência ou com o fornecimento de serviços de qualidade.

Não se trata aqui de elogiar a recente ação estatal.  Afinal, o estado simplesmente retirou um empecilho — ou regulamentação, se preferir — que sequer deveria estar ali.  É como se o Congresso votasse uma lei aprovando a regulamentação de blogs, dizendo que só pode criar um blog um indivíduo com curso superior em determinada área.  Derrubar tal idiotice seria apenas um ato de correção.

Porém, como era de se esperar, a guilda foi às ruas protestar em defesa de sua reserva de mercado.  Sob a atual legislação brasileira, qualquer diploma é justamente isso: a garantia de uma reserva de mercado.  Falaremos sobre isso mais adiante.

Estudantes, professores e graduados em jornalismo ameaçaram protestar queimando seus diplomas, pois “estavam se sentindo desprestigiados pelo governo”.  Mas os reais motivos do esperneio são dois: 1) a perda da reserva de mercado e o concomitante aumento da concorrência; e 2) a sensação de terem sido enganados pelo governo.

A primeira razão, embora moralmente condenável, é compreensível.  Afinal, as pessoas simplesmente não gostam de concorrência.  Se você é o dono da única padaria do seu bairro, você ficaria muito preocupado se algum concorrente abrisse outra padaria perto da sua.  Caso fosse possível, você faria de tudo para impedir que esse concorrente se estabelecesse ali, roubando sua clientela.  Em um livre mercado, você tem duas armas com as quais lutar contra seu rival: ou você diminui seus preços ou você melhora seus serviços.  No extremo, você pode escolher uma combinação dos dois.  O que é garantido é que nesse cenário quem se beneficiaria seria o consumidor — o verdadeiro patrão em um livre mercado.  Qualquer empreendedor que queira ter sucesso no livre mercado sabe perfeitamente bem que isso só será possível caso ele trate seu patrão, o consumidor, com bastante consideração.  Aliás, essa é a beleza do livre mercado.  Não importa se o sujeito é o empregado de uma empresa ou se ele é o dono dela: no final, ambos têm o mesmo patrão, o consumidor; e a ele devem gratidão e trabalho duro, como qualquer empregado deve a seu patrão.

Porém, em um mercado regulamentado, sempre existe a opção mais fácil: correr para o governo e utilizá-lo como meio de coerção para impedir a concorrência.  A obrigatoriedade do diploma — para qualquer profissão — faz justamente isso.  Após 4, 5 ou 6 anos de faculdade, você imagina que, uma vez obtido o canudo, o futuro será brilhante.  Nada de se preocupar com a concorrência dos “lá de baixo”, aquela casta ignorante e inferior que se pretende alguma sapiência.  De agora em diante, você é um ser diferenciado.  Aquele canudo vai-lhe abrir todas as portas e garantir-lhe bons proventos.  Quem não passou pelo mesmo processo que você simplesmente deve ser proibido da ousadia de querer ofertar o mesmo serviço que o seu. 

Desnecessário dizer que a livre concorrência não apenas é algo eficaz e saudável, como também é, do ponto de vista moral, um arranjo intrinsecamente superior a qualquer outro.  E isso é assim desde tempos imemoriais — basta ler o episódio bíblico de Marta e Maria (ou mesmo o de Esaú e Jacó).  Portanto, por se tratar de um processo antigo e extremamente natural, qualquer tentativa de coibi-lo não tem como resultar em um arranjo mais salutar para todos.  Sempre alguns poucos privilegiados irão ganhar em detrimento dos vários outros desafortunados.  É assim que se criam “as desigualdades sociais”, se for para usar um termo mais populista e bem na moda.

Já o segundo motivo do esperneio — o fato de essas pessoas terem se sentido enganadas pelo governo — é mais complexo.  De certa forma, elas estão corretas.  O governo, ao decretar que você é obrigado a ter um diploma para trabalhar em determinadas áreas, está de fato obrigando-lhe a cursar mecanicamente alguma faculdade.  As pessoas hoje não buscam um curso superior porque estão atrás de cultura (o que, aliás, dificilmente encontrarão em uma universidade); elas buscam o ensino superior justamente porque o estado decretou que elas só poderão trabalhar em troca de um bom salário se tiverem obtido algum diploma em uma área qualquer.

Faça o leitor uma pesquisa informal: observe as pessoas bem sucedidas à sua volta.  As chances de elas estarem trabalhando em uma área diferente daquela em que elas se formaram são enormes.  É raro encontrar uma pessoa bem sucedida — isso é, que goste daquilo que faz e que viva bem em decorrência disso — que trabalhe justamente naquilo em que se formou.

Ou seja: o estado impôs a perda de tempo e dinheiro em detrimento do aprendizado verdadeiro.  E o pior: mal acostumou toda a atual geração, que se acostumou a exigir “direitos”.

Funciona assim: o estado determina que você tem de ter um diploma caso queira seguir uma determinada carreira.  Você, então, passa a ser obrigado a perseguir um curso superior.  Inevitavelmente serão entre 4 e 6 anos de bons momentos, festas, muita farra e muitos pileques.  O seu objetivo é apenas ser aprovado nas matérias (em sua maioria, inúteis) e pôr as mãos no sonhado diploma.  A esperança é que, dali pra frente, o futuro será promissor, uma vez que sua reserva de mercado estará garantida.  E então o futuro chega e, surpresa!, a coisa não é nada auspiciosa.  Todas as regulamentações e tributações governamentais criaram um mercado de trabalho rígido.  Você, no máximo, encontra um emprego que paga um pouco melhor que um estágio, porém que exige muito mais; e, na maioria das vezes, você descobre que não é bem aquilo que queria.  Você se sente enganado.  Começa então a gritar por “direitos”.  Começa a achar que, só porque cursou faculdade e tem um diploma, tem “direito” a emprego e salário bons.  Porém, assim como você, há vários outros na mesma situação.  E o mercado de trabalho é regulado demais para conseguir absorver toda essa mão-de-obra.  Solução: você tenta encontrar maneiras de restringir o acesso da concorrência não diplomada.  A maioria desiste e vai tentar concurso público — afinal, o indivíduo reage a incentivos; e os incentivos salariais do setor público são tentadores demais para ser rejeitados.

No caso dos estudantes de jornalismo, a decepção é maior.  Além de um mercado com poucas vagas, eles perderam a reserva de mercado que o estado havia lhes prometido — que, em última instância, foi o que os levou a investir tempo e dinheiro nesse curso.  Aqueles que estudaram em faculdade particular, então, foram ainda mais prejudicados.  Além dos dois contratempos acima, também tiveram de custear seus estudos. 

O que praticamente ninguém — independente do curso que faz — ainda entendeu é que, a partir do momento em que um bem (educação superior) é decretado obrigatório pelo estado, tem-se o cenário perfeito para a formação de cartéis.  E o que temos no Brasil é isso: um cartel universitário mantido pelo estado.  O serviço de educação superior — ao contrário de um restaurante, por exemplo — tornou-se algo obrigatório.  Você só se torna alguém se tiver perdido no mínimo quatro anos de sua vida sendo estupidificado por aqueles estabelecimentos chancelados pelo estado.  As universidades não precisam se esforçar para conseguir atrair alunos.  Elas sabem que, de um jeito ou de outro, eles terão de procurá-las.  Agora então com a expansão do ProUni a situação ficou ainda melhor para elas.  O lucro é garantido, mesmo que os serviços prestados estejam em queda livre.  Não há a disciplina imposta pelo livre mercado — aquela disciplina que garante a qualidade da comida dos restaurantes.

É por isso que está errada a discussão que alguns pretensos liberais gostam de travar sobre a privatização de universidades públicas.  A discussão não deve ser sobre universidade pública versus universidade privada.  Não.  Os reais defensores da liberdade devem defender o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício de todas as profissões.  Fazendo isso, a imensa maioria dos cursos universitários perderá seu sentido.  Ninguém vai perder tempo e dinheiro sendo doutrinado e estupidificado em cursos de ciências humanas, por exemplo.  O diploma será apenas um acessório adicional, que pode ou não fazer a diferença.  Hoje, com a quase universalização da internet, qualquer um está preparado para estudar por conta própria, desde que esteja munido do impulso genuíno para tal. 

Cursos que exigem aulas práticas, como engenharia, medicina, odontologia, agronomia e veterinária continuariam sendo ofertados privadamente por universidades.  A concorrência entre elas garantiria preços baixos e alta qualidade de ensino.  Nada impediria também que profissionais experientes e já treinados pelo real mercado oferecessem cursos particulares em determinadas matérias de determinadas áreas.  Por exemplo, se um indivíduo está estudando autonomamente engenharia e estivesse com dificuldades em análise estrutural, ele poderia procurar especialistas no assunto para sanar suas dúvidas, sendo que esses especialistas — justamente por estarem em busca do lucro — teriam de ter instalações adequadas para ministrarem suas aulas.  Esse arranjo seria perfeitamente organizado pelo mercado, da mesma forma que pessoas que querem aprender mandarim procuram centros especializados no ensino do idioma.

“Ah, mas esse cenário seria uma catástrofe! Na ausência da obrigatoriedade do ensino superior, teríamos cirurgiões operando pessoas sem diploma, engenheiros construindo pontes e edifícios sem nenhum preparo e dentistas manuseando perigosamente seus boticões!  Imagina o perigo!”

Em primeiro lugar, é bom deixar claro que pessoas diplomadas também cometem erros crassos, principalmente em medicina e engenharia.  Em segundo, as pessoas que querem seguir essas áreas podem sim obter um diploma e utilizá-lo como diferencial no mercado.  Mas nada impediria que os não diplomados também tentassem mostrar sua competência.  A chave de tudo, mais uma vez, chama-se concorrência.  É isso que determinaria a qualidade dos serviços.  Ademais, as próprias entidades de classe poderiam — no interesse da defesa de sua própria imagem — criar registros com os nomes das pessoas de fato capacitadas para determinados serviços.  Seria do interesse dela fazer com que os profissionais da sua área fossem os melhores.  Afinal, um profissional ruim mancharia toda a reputação da classe.  Essa solução privada já existe hoje em várias áreas — a Microsoft solta certificados de qualificação de programação que o mercado exige; a SAP também.  Da mesma forma, o CREA e seus concorrentes provavelmente teriam de instituir certificações para engenheiros, arquitetos, etc.  Na área médica, hospitais e empresas de seguro saúde também seriam forçadas pelo mercado a instituir suas certificações próprias.

Sim, hoje existem os conselhos federais.  Porém, estas são também entidades coercivas, pois utilizam o estado para impedir justamente os não diplomados de exercerem sua profissão.

Já aqueles cursos “puramente teóricos”, como filosofia, direito, economia, psicologia, ciências sociais, matemática, estatística, história, geografia, física, fonoaudiologia e até mesmo ciência da computação, dificilmente seriam ofertados em grande escala como são hoje, pois não é necessário ter um exército de professores cuja única função é escrever no quadro e indicar livros-texto.  Não haveria demanda para um serviço tão básico.  Os interessados poderiam perfeitamente se virar para conseguir a educação necessária, seja através de cursos particulares, seja através do autodidatismo.  De novo: com a expansão da internet, o indivíduo não tem desculpa para não ser capaz de montar sua própria bibliografia. 

Há também o fato de que a maioria das pessoas hoje freqüenta universidades sem ter a mínima noção do que querem.  Estão lá ou porque são obrigados ou porque a educação é “gratuita”, no caso das universidades públicas.  Dinheiro público e recursos escassos estão sendo desperdiçados em pessoas que estão lá apenas para matar o tempo e farrear — tudo por causa de uma estúpida imposição estatal.  E mesmo para as que se formam, fica a pergunta: formaram-se em quê?  Muito provavelmente ganharam um diploma para nada, pois dificilmente a universidade fornece o treino necessário exigido pelo mercado.  O indivíduo fica lá por anos e sai sem saber fazer absolutamente nada de prático.  Seria muito mais negócio se essas pessoas abandonassem a universidade e fossem trabalhar direto na área de que gostam.  O aprendizado seria muito melhor, mais rápido e mais proveitoso.  No caso específico do jornalismo, não é raro ouvirmos relatos de um foca que aprendeu mais em três meses de redação do que nos quatro anos do curso.

Finalmente, outro empecilho que deve ser abolido é a proibição do homeschooling (o ensino em casa).  É do ambiente familiar que nasce o genuíno impulso para a educação; se os pais não conseguem estimular seus filhos para tal, não serão os burocratas do Ministério da Educação (que, em última instância, são quem determinam os currículos) que o farão.  Educação é uma conquista pessoal e ninguém se educa por mera obrigação, contra a própria vontade e sob pressão externa.  Com o homeschooling, as escolas, principalmente as particulares, ficariam mais vazias.  Essa queda na demanda levaria a uma queda nos preços, possibilitando a matrícula de alunos filhos de pais menos endinheirados.  Vale deixar claro que as mensalidades escolares são caras hoje porque as escolas também são um serviço que foi tornado obrigatório pelo estado.  Se um serviço tem demanda obrigatória, é natural que os preços subam constantemente. Liberando-se o homeschooling, as escolas teriam de concorrer mais entre si em busca dos alunos remanescentes.  Maior concorrência é igual a preços menores e serviços melhores.

Enfim, haveria várias maneiras de o mercado fazer uma triagem, passar um pente-fino, nos pretensos profissionais de cada área.  O que se pode garantir é que, sem o protecionismo estatal, tal seleção seria muito mais eficiente que a atual.  Como Lucas Mafaldo explicou cristalinamente:

Não é preciso provar a importância da competição. Quando abrimos as portas de entrada de um mercado, abrimos também a porta para a inovação e produtividade. Sem a proteção do Estado, os empreendedores precisam competir para melhor servir o cliente, e melhorar o processo de certificação, o que invariavelmente passa por uma combinação de dois mecanismos: melhorar a qualidade do serviço e baixar seu custo.

Remover a obrigatoriedade do diploma para o exercício de determinadas profissões abriria a porta para os diplomados competirem com os não-diplomados. Isso forçaria os portadores de diploma a mostrar resultados, impedindo-os de descansar sobre seus títulos. Isso também criaria um incentivo para os alunos escolherem apenas as universidades que realmente os preparassem para o mercado de trabalho de trabalho. As universidades teriam um incentivo para cortar toda a “gordura” de seus currículos, deixando apenas aquilo que realmente aumentasse a eficiência profissional dos seus alunos.

E, principalmente, com o aumento da competição, os consumidores veriam a qualidade dos serviços subirem e os preços caírem. Precisamos de diplomas, mas eles não precisam ser obrigatórios. Se alguém realmente quiser ajudar o consumidor, o primeiro passo é abolir as reservas de mercado criadas pelas licenças dos conselhos profissionais — e a obrigatoriedade do diploma é apenas uma delas.

A pergunta a ser respondida pelos protecionistas: por que temem tanto a liberdade e a concomitante responsabilidade própria que esta impõe?

 

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155 comentários em “A obrigatoriedade do diploma – ou, por que a liberdade assusta tanto?”

  1. Muito bom mesmo! Pena que pouca gente esteja preparada para pensar assim. Realmente, só quando o impulso para a educação vem de dentro é que há o esforço próprio e genuino aprendizado. O resto é conversa mole.

  2. Ótimo artigo! Vou acrescentar uma opinião minha: Sem os direitos autorais de livros, o ensino seria mais universal ainda. Imagine poder ler o livro que você quiser pela internet? Seria excelente! Abraço!

  3. Excelente lembrança, Rhyan! É isso mesmo. Livros disponibilizados pela internet, sem o monopólio autoral. Aliás, nem precisaria ser gratuito. Seria justo que os sites que disponibilizassem os livros cobrassem alguma “tarifa módica” de acesso, apenas para manter seu funcionamento e remunerar os autores. A concorrência por acesso entre os sites garantiria os preços baixos. E não seria inviável pensar em sites que não cobrassem nada, sobrevivendo apenas de verbas de publicidade. Enfim, sem dúvida haveria um arranjo bem satisfatório. Grande abraço!

  4. Jose Galdino Neto

    Já há muito se discute o conteúdo programático dos cursosn superiores e não são poucas as disparidades entre o cabedal teórico e a vivência prática.
    Mas o desvio de conduta de um profissional não pode, por si só, “manchar” toda uma categoria de profissionais. Seria o mesmo que o pai responder pelo crime de um filho.
    Imagina o que seria das mulheres que precisam de acompanhamento médico para tratamento de gravidez se recusassem ajuda médica por causa do Dr.Roger Abdelmassih, indiciado por estupro de várias mulheres.
    A busca por especialistas recomendada pelo texto, me leva a pensar onde eles se tornaram especialistas, qual a formação intelectual e didática foi dada como suporte par alcançar esse status.
    Temos muito o que pensar.

  5. É do interesse dos corporativistas de todas as profissões manter o diploma obrigatório. Isso garante que os alunos recebam doutrinação marxista e ouçam chavões anticapitalistas nas universidades. Aí eles já saem de lá contaminados com a ideia de que competição é ruim e que socialismo é bom, o que ajuda a perpetuar os privilégios dessas mesmas entidades de classe. Não é à toa que os “jornalistas” gritaram tanto contra o fim da obrigatoriedade do diploma. É um perigo haver a concorrência de pessoas com pensamento mais independente.

  6. E o pior é pensar na quantidade de progresso humano, carreiras brilhantes e talentos que já foram jogados por essa sistematização da covardia.

  7. Engenheiro Anti-Cartórios

    A verdade é tão cristalina que às vezes dói !!\r
    Xeque-mate nos burocratas e corporativistas !!\r
    Excelente artigo, como sempre no IMB.\r
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    Cabe uma “menção deshonrosa” (pfui…) para os ditos conselhos regionais das diversas profissões. Por exemplo, eu mesmo estudei que nem um [coloque aqui o seu adjetivo] para conseguir me formar engenheiro, e aí vem um bando de chupins que se auto-intitulam de “créia” e declaram que euzinho não posso exercer a minha profissão com o diploma que conquistei, A MENOS QUE eu me inscreva naquele risível cartório e obtenha um risível número e uma carteirinha que não serve pra nada!!! E ainda tenho que pagar uma anuidade ao tal cartório, que eu preferia mil vezes gastar num belo almoço com a minha patroa ou comprar um brinquedo para as crianças, do que desperdiçar alimentando os parasitas.\r
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    Proponho um movimento pela abolição do CREA e outras excrescências burocráticas – não esquecendo aí do sindicato dos engenheiros, outro bando de utilidade duvidosa). Somente poderia acreditar nesses chupins se a adesão fosse voluntária e eles oferecessem algum serviço decente em troca da anuidade.\r
    Uffa, que alívio, falei tudo!!!\r
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    P/S: gostaria de registrar, apenas para esclarecimento, que NÃO passei o período de faculdade na farra, festas nem bebedeiras, por opção pessoal minha – não condeno quem o faça, porém não concordo com a generalização do autor; e ainda, que o exercício da profissão de engenheiro me proporciona um sustento material razoável e uma satisfação profissional decorrente de fazer (uma boa parte do tempo) coisas que gosto.\r

  8. Vou dar um exemplo da eficiencia administrativa das universidades publicas.\r
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    Eu fiz minha graduacao numa universidade federal ja bastante tradicional (e nao numa dessas dezenas criadas nos ultimos anos pelo governo PT).\r
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    Estou agora considerando fazer uma segunda graduacao, numa universidade privada perto da minha casa.\r
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    Para que eu possa aproveitar algumas das disciplinas do primeiro curso, eu preciso apresentar copia do meu historico e das ementas dos cursos.\r
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    Eu solicitei estes documentos a universidade federal HA TRES MESES. O historico chegou depois de um mes e meio. Quanto as ementas dos cursos, nem sinal.\r
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    Resultado: em toda probabilidade, vou perder o periodo de inscricao da universidade privada.\r
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    Eh realmente incrivel: 3 meses para imprimir uma duzia de paginas de papel. Eu fico imaginando quantos funcionarios da universidade sao destacados para essa tarefa: um recebe o pedido, e repassa para um organizador de pedidos, que repassa para outro funcionario que vai recolher as informacoes e imprimir, depois manda para outra pessoa verificar e assinar, e entao para outro que vai colocar no envelope e botar no correio (e ai eu tenho que torcer para o correio nao estar em greve ou nao perder o envelope)…\r
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    Por outro lado: eu imagino quantas teses de mestrado e doutorado essa universidade federal ja produziu sobre comercio eletronico e certificacao digital, mas ninguem aparentemente conseguiu a proeza de implementar um sistema de assinatura digital que me permita obter e imprimir esses documentos em casa…

  9. Engenheiro Anti-Cartorios

    Prezado Augusto,\r
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    Também estudei numa universidade federal (há aprox. 25 anos) e parece que a coisa não evoluiu muito nesse período…\r
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    O que todo mundo precisa saber é que, conforme Mises já explicou no seu ensaio sobre a Burocracia, esta cria uma estrutura tal que a prestação de serviços ao cidadão (motivo pelo qual foi criada) deixa de ser a finalidade da sua existência.\r
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    Ela cria um emaranhado de sistemas, regulamentos e normas cada vez mais complexo, para poder “oferecer” ao cidadão (vítima) algum tipo de arremedo de solução para os problemas que a própria burocracia inventou.\r
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    O objetivo do parasita é cada vez crescer mais às custas do dinheiro das suas vítimas, injetando-lhes ao mesmo tempo o veneno socialista que faz acreditar que estão sendo beneficiados pela relação predatória e abusiva.\r
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    Quanto à “coisa” digital, veja você com que presteza e eficiência a prefeitura do Rio de Janeiro implementou o sistema Nota Carioca, que baniu o uso do velho e bom talão de nota fiscal e obrigou toda pessoa jurídica a emitir suas NFs via sistema on-line. A explicação é óbvia: este sistema se destina a aumentar a velocidade com que o parasita chupa o sange das suas vítimas, e obriga a todas elas a se perfilarem e oferecerem suas veias e artérias à voracidade tributária, sem escapar ninguém…\r
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    Você deve também saber que o sistema desenvolvido pela nossa receita federal para declaração do imposto de renda é uma verdadeira Ferrari, superior aos sistemas em uso em qualquer país de primeiro mundo. Neste caso, também há o interesse do Leviatã em maximizar a sangria ao contribuinte.\r
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    Agora compare com os sistemas de informação dos órgãos destinados à proteção (…) do cidadão, tais como agências (des)reguladoras, justiça, polícia e qualquer outra coisa. São um verdadeiro desastre !!\r
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    Em resumo, tudo o que tem sinal (-) para nós é bem desenvolvido, e o que tem sinal (+) é deficiente, pois o objetivo final é maximizar o fluxo de ingressos para o Leviatã, de modo que ele possa dividir o butim com seus amigos e favorecidos que, por sua vez, apóiam, sustentam e justificam toda a estrutura do poder.\r
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  10. Alexandre Moreira

    Ótimo texto! Isto lembra-me o dito “Diga-me como me medes que eu te digo como me comportarei”.Tudo resume-se a incentivos. Tudo de bom tende a vim com o direito de escolha! Portanto como um consumidor eu digo por favor não me proteja! Abdico de toda e qualquer proteção de quem quer que seja e assumo total responsabilidade por minhas escolhas e por minha vida!\r
    Seria bom que pudessemos fazer um documento registrado, renunciado toda proteção e assumindo total responsabilidade e a partir daí contratariamos médicos não diplomados e sem registro, engenheiros, professores, dentistas…\r
    Acho que funcionaria como um pequeno furo em uma grande represa e logo entraria em colapso, se por acaso não ruisse teria passado no teste e seria igualmente bom!

  11. Olá,

    interessante o conteúdo do texto, porém discordo em algumas partes da sua opinião.
    Concordo que muitos cursos, principalmente (mas não exclusivamente) da área de humanas, são simplesmente para fazer o indivíduo passar 4 a 6 anos sentado em uma cadeira (na sala ou no bar). Porém, alguns cursos, como engenharias e até mesmo computação, acho que a faculdade é válida para a formação de um profissional muito qualificado. Na verdade, a faculdade serve para a metaaprendizagem – o aluno aprende a aprender.

    Quanto à necessidade de diploma para algumas profissões, vou falar por experiência própria. Sou formado em Ciência da computação por uma universidade pública. Minha profissão não é regulamentada, ou seja, tanto eu que fiquei 5 anos na faculdade quanto o ‘sobrinho’ que fez um curso de programação na esquina de casa concorrem às mesmas vagas de emprego. O que acontece, nesse caso, é uma banalização do trabalho profissional, pois o ‘sobrinho’ cobrará 4 vezes menos pelo mesmo trabalho (executado de maneira porca) e com isso obriga a uma queda no valor do trabalho do profissional.
    Não acho justo a concorrência com quem não teve um estudo à fundo da tecnologia, que não estudou as teorias necessárias para o desenvolvimento de um bom trabalho, etc…

    A solução para esse problema, acho eu, não seria ‘liberar geral’ no mercado, e sim qualificar melhor a população e dar a possibilidade de todas as pessoas terem acesso à um curso superior de qualidade. Quanto aos cursos, deveriam ser abolidos todas as matérias para ‘completar grade’, e ser o mais direto possível, ensinando o que for necessário para que a pessoa seja um bom profissional, semelhante o que acontece nos cursos técnicos.

    Um abraço a todos, e mais uma vez parabéns pelo site. Não conhecia, e agora já favoritei.

  12. Fernando

    Se me permite, falarei também por “experiência própria”, pois sou também formado em ciência da computação e trabalho há cinco anos na área.
    Não, não é preciso faculdade para se aprender a aprender, ou como eu prefiro dizer, ser auto-didata. Para isto basta ter curiosidade e vontade de aprender, porque material é o que não falta na internet sobre qualquer área da informática, de como formatar planilhas em excel a conceitos de computação quântica.

    E esse “sobrinho” que você citou pode muito bem entender bem mais de programação do que eu e você juntos, justamente porque ele pode direcionar o tempo e dinheiro que seriam gastos numa faculdade, em cursos que atendam mais as necessidades dele, ao contrário do bacharel na nossa área, em que você corretamente apontou, perde muito tempo estudando matérias para completar grade.

    Agora vem a grande surpresa, sabe quem determina essas matérias, o estado, através do MEC, que determina as disciplinas mínimas para o curso de bacharelado em ciência da computação. Quem me disse isso foi o próprio diretor do curso na faculdade onde me formei, que me disse também que preferiria muito mais abordar disciplinas mais interessantes e úteis que as que o MEC obriga(que você deve conhecer, como cálculo diferencial, geometria analítica e todas as outras disciplinas torturantes de matemática)

    E diploma de faculdade não é garantia de qualidade, pois muitos dos meus colegas de turma formados comigo estão hoje em empregos completamente fora da área de TI, e não sabem nem fazer um programa que some X + Y, ao passo que eu conheço pessoas não formadas que já tiveram inclusive artigos de programação publicados em capa de revistas de TI.

    Você deve saber que na nossa área há um deficit enorme de profissionais, talvez perdendo atualmente só para engenharia. Ou seja, a oferta de profissionais é restrita, e você quer restringir ainda mais?

    Nem vou discorrer sobre a imoralidade de o estado interferir no direito de escolha do empregador, porque isso o Leandro já demonstrou muito bem.

    Por fim, felizmente a maioria dos profissionais da nossa área (ainda) não concorda com regulamentação, preferindo que o estado mantenha suas mãos bem longe. Mas a nossa querida presidenta já se mostrou favóral a cartelização (Deus nos guarde!)

    idgnow.uol.com.br/carreira/2010/01/22/dilma-rousseff-defende-regulamentacao-de-profissoes-de-ti/

    E para terminar esse meu longo comentário, dou quatro exemplos de pessoas que segundo o seu critério, não deveriam se intrometer na área de TI porque não são formados, portanto, não possuem a necessária qualificação. São eles: Bill Gates, Steve Jobs, Michael Dell e Mark Zuckerberg

    http://www.gizmodo.com.br/conteudo/os-quatro-gigantes-da-tecnologia-que-nao-acabaram-a-faculdade/

  13. USPiano fflch fanático bolchevista das drogas lulista gramsciano from hell

    Ops, postei o comentário no lugar errado, vou perguntar de novo.Algumas pessoas apontam a USP como sinal de que o estado pode dar ensino de forma eficiente, o que vocês diriam para refutar esses sujeitos?

  14. “Dar ensino”, ao contrário de “dar saúde”, é algo perfeitamente possível de ser feito no âmbito estatal — afinal, basta colocar um sujeito pra falar.

    Já a saúde, por outro lado, é um setor que consome capital — e, logo, precisa receber maciços investimentos em capital para constantemente repor o estoque que foi consumido. (Sobre a impossibilidade de o estado fornecer saúde de qualidade por muito tempo, veja este artigo.)

    Tal necessidade de reposição constante de capital não ocorre na educação — a menos que consideremos a necessidade de repor quadro-negro e giz, coisas de custo ínfimo.

    Logo, dizer que é possível o estado ofertar educação de qualidade não é nenhuma afronta à lógica econômica; basta o estado contratar um sujeito inteligente e com boa didática para sair falando para seus alunos.

    E é nesse ponto que a gente retorna a todo o argumento que foi explicado no presente artigo, e que não repetirei aqui por respeito à inteligência do leitor.

    Abraços!

    P.S.: Essa foi a minha resposta “séria e acadêmica” para a sua pergunta. Já a minha resposta popular seria: “Apontar os universitários de lá (principalmente os de humanas) já não seria o suficiente para desacreditar esta ideia?”

  15. E outra coisas importante seria lembrar que se a USP fosse uma empresa privada concorrendo em um livre mercado, brigando com garras e dentes por cada centavo dos consumidores, ela seria bem melhor.

  16. Prezados,
    Tenho visto excelentes textos neste site e tenho plena convicção que o livre mercado autorregulado é a melhor opção.
    Entretanto, este texto traz tantas incongruências que me assombra o IMB possuir tal opinião sobre este assunto.
    Primeiro, afirmar que os estudantes universitários passarão “entre 4 e 6 anos de bons momentos, festas, muita farra e muitos pileques” é um total desprestigiamento aos bons estudantes que procuram o curso superior como diferencial para um emprego melhor, para proporcionar mais conforto e dignidade a sua família. E qual é o problema em farrear de vez em quando? Onde é que está escrito que um estudante que farreou durante a sua passagem na universidade é melhor ou pior que aquele que nunca saiu do lado dos livros?
    Outro absurdo é supor que qualquer um possa exercer a medicina, a engenharia, a arquitetura, a agronomia, a geologia, o direto, etc. sem passar entre 4 e 6 anos numa universidade.
    Então, caros autores, residam vocês com suas famílias em um edifício projetado e construído sem a participação de um engenheiro civil. Eu não me arrisco. Afinal, quem sabe contar sabe fazer um calculozinho estrutural de um edificiozinho de 30 andares… Qualquer “Mané” faz isso!!! Um contador que queira se aperfeiçoar em engenharia civil, autoditaticamente, na sua confortável home school, aprende esta tarefa.
    Ou então, prezados autores, quando algum filho seu – espero que isto nunca seja necessário, sinceramente – necessitar de uma neurocirurgia, leve-o à quitanda mais próxima, pois o quitandeiro é autodidata em neurocirurgia e transplantes de fígado! Talvez no açougue seja até mais apropriado!
    Ou quando vocês estiverem numa UTI, pensem que aquele que fez a manutenção dos equipamento que darão suporte às suas vidas aprenderam isso sozinhos, sem qualquer passagem por um curso técnico ou superior.
    Claro que existem os diplomados que não valem o que comem, maus profissionais e maus elementos, assim como maus policiais, maus pipoqueiros, maus colunistas, maus escritores…. Mas estes, a própria sociedade trata de excluí-los.
    Acreditar que podemos aprender sozinhos medicina, direito, engenharia, geologia, é uma idiotice sem tamanho. Independentemente se a universidade provê todos os conhecimentos, se os professores são os mais qualificados ou não. A base que se obtém numa universidade é insubstituível por qualquer outro meio de ensino.
    Quanto aos conselhos de classe, serve o mesmo raciocínio, vou permitir que o quitandeiro abra um hospital sem qualquer prova de formação formal no assunto, vou querer transitar por um viaduto construído apenas por mestres de obras. (Não quero absolutamente menosprezar as profissões citadas, apenas servem como exemplo).
    Os conselhos possuem a tarefa de regular as profissões e fiscalizá-las, exatamente para evitar que alguém tenha projetado e calculado a estrutura de um edifício não tenha se preparado para tal. Não discordo das opiniões que os Creas, OABs, CRAs, Corecons, etc. poderiam oferecer muito mais aos que pagam as anuidades além de simplesmente fiscalizá-los. Mas isto cabe a nós, profissionais que pagamos as anuidades, batalhar nos nossos conselhos para que eles melhorem os serviços a nós e à sociedade.
    Quem não participa do seu conselho não pode simplesmente criticá-lo e pronto. Participe dele e conheça-o antes disso.

  17. Muito obrigada por manterem esse site ele tem mudado muito a minha maneira de pensar e enxergar a sociedade. Sou estudante de universidade pública, faço psicologia. Apesar de ser um tanto resistente a teoria marxista (por causa da ditadura) eu estava me deixando doutrinar pelos falsos ideais de igualdade social que são bombardeados a todo momento no meu curso. Mesmo assim eu ainda era crítica. As pessoas me olham torto quando eu falo que tenho desejo de trabalhar na iniciativa privada. É como se eu fosse a pessoa mais egoísta e sem ética do mundo “por contribuir para a exploração do trabalho alheio”, ao invés de salvar o planeta (parece que esse é o objetivo do meu curso: formar pessoas para mudarem o mundo).

  18. Pércio Lopes Neto

    Dúvida: o que Min. Dias Toffoli e seus colegas fizeram foi no contexto que vivemos, isto é, uma quase completa (ou completa) ditadura socialista uma concessão estatal?
    Abraços!

  19. Por estar lendo o artigo, obviamente aprecio bastante as ideias neste site expostas e tal, mas na minha opinião, estou diante de um texto conspiratório. A questão é muito mais simples. Principalmente nessas épocas de rede social, não deve-se considerar qualquer um que escreve qualquer porcaria como jornalista. Existem condutas éticas de busca da veracidade da informação que nós jornalistas seguimos, sem contar a qualidade dos textos etc.

  20. Pra quem ainda achava os Estados Unidos a Terra da Liberdade…

    blogs.estadao.com.br/radar-economico/2011/12/08/blogueira-e-condenada-a-indenizar-grupo-financeiro-em-us-25-milhoes/

  21. Cara, como tu é reacionário, my brother! Seguindo o teu raciocínio (i)lógico, como jornalista e músico formado, acho que vou começar a clinicar e fazer cirurgias por ai.. e viva a liberdade de expressão também em corpos alheios! O bonde do Hitler já pensava como tu e os funkeiros cariocas… o de bêbado não tem dono…

  22. Texto muito bom. Gostei do exemplo da certificação em tecnologia. Sou certificado Microsoft e também ministro treinamentos oficiais. É fato: 40 horas em umas sala de aula de treinamento é mais proveitosa do que anos em faculdade. Na verdade pouco se ganha em uma faculdade. Só lamento que profissões não regulamentadas como TI tornem-se tão indignas. Elas são valorizadas em grandes centro onde há mais concorrência. Sou de Florianópolis e aqui a única área valorizada é o setor público, infelizmente. Há muito barulho sobre TI, mas boa parte é devido ao baixo custo da mão de obra.

  23. Se o empregador de um hospital resolvesse contratar os serviços de pessoas sem algum tipo de certificado, isso poderia prejudicar a vida e a saúde de pessoas que não têm nada a ver. eu entendo que isso ancontece independente de regulação, mas não seria PIOR sem ela??

  24. Nossa, me identifiquei tanto.

    Estava perdido, fiz um curso de economia, me formei, não achei emprego, fiz concurso público, cai em uma empresa pública que desvaloriza minha classe e fui chorar pro conselho pressioná-los por um aumento de salário (agora me sinto um bosta por ter pedido aumento, hahaha).

    Excelente artigo. 11/10

  25. O mais engraçado é pensar que diploma é garantia de algum conhecimento.

    Quando comecei a fazer musculação, antes de tudo passei a ler sobre exercícios e principalmente nutrição. Resultado: O que aprendi é totalmente diferente daquilo que é ensinado nas faculdades hoje e, pelos resultados, quem parece estar certo sou eu.

    Agora por que eu não poderia trabalhar como nutricionista? Se as pessoas optassem pelo meu serviço, por que o governo tem que impedir que isso aconteça?

    Enquanto isso, só resta a informalidade

  26. Olá pessoal. Tendo a concordar com as ideias do site. No caso do jornalismo e da grandíssima maioria das profissões, sou contra o diploma obrigatório. Mas ainda acho que certas profissões devem ser regulamentadas. Talvez não com a exigência de um diploma, talvez só tendo de passar por alguma uma prova pelo menos. Engenharia é uma delas. Ok, a maioria das pessoas ia querer um engenheiro diplomado para construir sua casa… Mas é bem provável que algumas pessoas sejam enganadas por alguém que não sabe o suficiente de engenharia. É claro que uma vez feita uma merda, ninguém mais contrataria esse cara. Mas a questão é que essa merda feita geraria externalidades negativas. Uma casa ou prédio que desaba não põe em risco só o contratante do engenheiro – põe em risco as pessoas que estão andando na rua.
    Vocês realmente acham que isso não aconteceria ?
    Abraço!

  27. Concordo com o Sidnei em partes. Obviamente uma certa regulamentação em setores como medicina e engenharia se torna necessário devido a sua necessidade prática de aprendizado, mas isso não implica que seja uma regulamentação estatal e burocrática realizada por grupos de interesse, mas sim algo mais eficaz como por exemplo um certificado emitido pelas próprias escolas práticas contendo todos os procedimentos estudados e realizados e o respectivo desempenho dos alunos nesses procedimentos, inclusive contendo porque não gravações em vídeo dos procedimentos mais complicados e também por parte dos contratantes testes, exames, períodos de observação e tudo isso devidamente exposto ao consumidor, que por exemplo teria a oportunidade de antes de fazer uma cirurgia de risco, assistir gravações de outras cirurgias, pois com certeza em um livre mercado a concorrência permitiria inovações criativas que trariam o consumidor cada vez mais perto dos seus produtos e serviços e as empresas cada vez oferecendo melhores e mais baratos serviços.

  28. Hoje fui surpreendido com um texto do historiador Francisco Marshall, no qual critica projeto de lei que objetiva regulamentar a profissão de historiador, o que imagino ser uma posição pouco comum entre profissionais desta área. Fiquei ainda mais impressionado pelo uso de expressões como “reserva de mercado”, “monopólio corporativo”, e por citar como a cientifização da história foi utilizada para justificar os regimes comunista e nazista. Vale a leitura.

    zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/08/historiador-critica-projeto-de-lei-que-garante-exclusividade-para-o-exercicio-da-profissao-4222548.html

  29. Tá ai um texto que eu adoro DISCORDAR e pior que não é nem pela questão da diplomação para exercer o jornalismo ou mesmo pela questão do Homeschooling abordadas aqui.

    O primeiro disparate foi na parte de dizer que o decreto-lei 972/69 agradou aos “comunistas”, que usariam isso como expediente para coibir a liberdade de expressão. Nada mais distante da realidade, dado que tal decreto permaneceu em vigor por praticamente 40 anos sem ser contestado.

    A maior preocupação dos jornalistas “organizados” é principalmente com a questão de se dar apoio a “apadrinhados” muitas vezes sem a devida formação em detrimento dos profissionais que investiram na área, o que é compreensível, dado que o foco empresarial a nível de Brasil é reduzir nos custos para maximizar nos resultados.

    Cabe ressaltar que engenheiros muitas vezes são chamados apenas para efeitos de regularização burocrática de imóveis, justamente por tal tendência apresentada em nossa economia, se deixando para mestres-de-obras, pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores e outros profissionais cuja qualificação “formal” é precária a ponto de por vezes prejudicar em seu campo de conhecimento técnico.

    Além disso, com base em tal colocação, seria perfeitamente aceitável que se trouxessem “médicos” de Cuba ou mesmo da China, independentemente de sua qualificação ser boa ou precária para o atendimento a saúde no Brasil por uma Unimed da vida… Beleza, mas e se os problemas sob a rúbrica de “erro médico” pulularem em tais atendimentos, levando mais e mais pessoas a mutilação ou até mesmo a morte?

    Se vende aqui a panaceia de que o “livre mercado” com sua “mão invisível” resolveria tudo em um passe de mágica. Infelizmente, não é tão fácil quanto parece. Para se exercer um ofício ou profissão, é pertinente que tenhamos as devidas condições para que tal trabalho seja exercido. Diz o adágio que “do limão se faz a limonada”… O problema ai é querer fazer a limonada SEM os limões.

  30. “Cursos que exigem aulas práticas, como engenharia, medicina, odontologia, agronomia e veterinária continuariam sendo ofertados privadamente por universidades. A concorrência entre elas garantiria preços baixos e alta qualidade de ensino.”

    não existe concorrência assim tanto quanto o autor falou não , fiz odontologia e digo , as faculdades a cada ano aumentam as mensalidades(inflação ?) e o ensino só vem piorando

  31. Guilherme Klausner

    Cara, Direito não é uma faculdade “teórica”. Ainda que exista uma parte teórica rasa nos dois, três primeiros semestres, a faculdade em si é uma faculdade prática, que se destina a explicar ao estudante como se aplicam as leis. Você até pode dizer, se você tiver conhecimento de causa, que a faculdade não consegue ser tão prática quanto deveria, e eu concordaria com você (a minha, ao menos, não foi), mas daí a dizer que ela é “teórica”… Ela não é nada teórica.
    O Direito é, certamente, mais tecnologia que ciência. E mesmo enquanto ciência, é uma ciência deontológica, ou seja, com reversão para a realidade fática. Todas as partes do Direito que não são assim não são Direito, i.e., Filosofia do Direito, Sociologia do Direito etc.
    Tirando isso, a ideia não é de todo ruim.

  32. Texto muito bom. Dos melhores que tive acesso nos últimos anos. Os comentários também de uma qualidade superior. (Algumas das respostas defendendo a argumentação do Artigo deveriam ser Emolduradas). Acrescento à lista de notáveis sem diploma e que mudaram o mundo: O espetacular Steven Spielberg. (Fez Faculdade de Cinema – por diletantismo – em 2008, eu creio..) mas depois de totalmente consagrado.

    Acredito que o modelo de Certificações seria o ideal para a maioria dos casos (Técnicos). Ele se aplica bem ao mercado de TI, que é horizontal a todos os segmentos. Nele há o saber teórico e o saber prático. Isso se reproduz em quase todas as formações (um certo grau teórico ou prático). Penso que assim o empregador é que decide o “nível” do profissional que pode pagar e contratar. Assim também o cliente final (nós) deste empregador/empresa, também o avaliará. Valor e preço são subjetivos, relativos e auto-regulados em um mercado livre.

    Parabéns a Equipe IMB

  33. Creio que o comentário do Lucas Mafaldo foi mais importante que todo o texto. A questão da abolição da obrigatoriedade não passaria pela possibilidade de os profissionais buscarem sua formação por fora, seja por autoditatismo ou profissionais não vinculados à universidades, mas, sim, porque o ensino superior iria ser mais valorizado como nunca. O que seria melhor, recrutar um autoditada em ciências econômicas ou um que obteve sua formação em uma universidade particular?? Querendo ou não, a chancela de um nome forte por trás (Ibmec ou insper, por exemplo), dá um grande diferencial.

  34. Excelente abordagem sobre o tema. Desde que comecei a ler o blog, fiquei impressionado com uma nova visão de mundo. Somos muitas vezes forçados a pensar que sempre o “estado” nos deve fornecer porque o pagamos impostos, mas no caso da educação, realmente se não vir de “berço”, e quanto a isto me refiro, no lar ,num ambiente familiar, a instituição do ensino, hoje, não pode obrigar ninguém a fazer aquilo que não quer.

  35. “Estudei” cerca de 1 ano Administração numa universidade federal. Mas eu simplesmente cansei, cansei não por comodismo meu, ou porque sou um cara completamente mal acostumado com a vida. Eu cansei porque simplesmente não aguento mais aquele negócio: não existe incentivos genuínos de mercado algum, não tem meritocracia, as matérias são um verdadeiro lixo intelectual, a doutrinação… Veja, se eu estudar pra caramba e tirar 10 em todas as disciplinas, eu não sou recompensado em porra nenhuma (eles dão lá a possibilidade de você exercer monitoria e ganhar um dinheirinho, mas isso é completamente ridículo, uma piada, pra um curso que pretende formar empreendedores, homens de valor que mudam o mundo), e se eu reprovar em todas as disciplinas, também não acontece nada. O máximo que pode acontecer comigo é eu reiniciar no próximo período nas mesmas matérias e me esforçar só um pouquinho pra tirar uma notinha satisfatória pra ir para a próxima etapa.

    Pra não dizer que tudo foi absolutamente um fiasco completo, as únicas coisas que se salvam foram as noções básicas de contabilidade e de cálculo diferencial e integral que eu aprendi no 1º e 2º período. Depois que eu comecei o terceiro período, eu vi que realmente não dá pra continuar. O que já erá péssimo piorou de tal maneira que, no 1º e 2º período, eu considerava que ir para a universidade era algo “recomendável”. Com o tempo isso foi se tornando um castigo diário. Realmente não dá. Não dá pra continuar num negócio completamente estéril, que não dá a mínima chance pra ninguem evoluir de fato suas capacidades, além da falta de liberdade de escolha.

    Estudar numa instituição privada também pode não ser uma escolha muito racional: Além de pagar duas vezes (o imposto + mensalidade), os conteúdos são altamente regulados pelo estado, o que transforma as instituições privadas de ensino numa mera extensão do serviço público, apenas com uma roupagem “privada” (privado numa faculdade privada só o dono e o prédio né, pq o resto…)

    Tenho 21 anos, e estou há alguns meses parado, sem saber o que realmente fazer, sem encontrar uma oportunidade genuína de mercado, algo que me dê uma chance de fato de tentar crescer. Durante este tempo, o que tenho feito é estudar as coisas que eu mais gosto de maneira autodidata (tô estudando forte Escola Austríaca, e noções de anarcocapitalismo). Porém é o que o autor escreveu no artigo: essa obrigatoriedade do diploma gera um forte preconceito entre os profissionais e os demandantes de mão de obra: está se tornando uma prática cada vez mais comum entre os empresários eles acharem melhores os que tem um pedaço de papel na mão chamado diploma, colocando naturalmente para trás aqueles que vivem numa educação mais livre, ou fora da regulação estatal.

    Este é o meu desabafo, e agradeço a você que leu até aqui. Eu tenho certeza absoluta que existem vários e várias na mesmíssima situação que eu: a indisponibilidade de uma educação genuinamente de mercado e voltada para o mercado, para a real exploração das capacidades empreendedoriais das pessoas, algo que recompense de fato a qualidade e puna a incompetência.

    Se alguém tiver uma solução prática para a resolução desse problema, seja voluntário e compartilhe conosco. Tenho certeza que irá ajudar não só a mim como a muitas outras pessoas que lerão tudo isso, se sentirão identificados com o problema e passem a acreditar que há sim uma maneira de trilhar um caminho para a liberdade.

    Grato.

  36. Se vc nao quer seguir a carreira academica, a unica forma de nao depender do diploma seria sendo um empreendedor, abrindo seu proprio negocio, ou mesmo tentando uma carreira em outra nacao. Porque no Brasil seria bem complicado.

    Outra forma seria seguir na universidade, cumprindo as regras do sistema, mas declarando independencia intelectual, saindo desse fast food de ideias prontas do meio academico atual.

    Quando vc diz: Eu tenho certeza absoluta que existem [u]vários e várias[/b] na mesmíssima situação que eu:

    Um conselho: Cuidado com o uso desse termo esquerdista. Ao falarmos TODOS, referimos a ambos os sexos.

    Um abraço.

  37. Alexandro Zambrana

    Parabéns, excelente artigo!

    Fico a pensar se os hoje agraciados com cotas conseguem compreender que as chances que foram negadas aos menos afortunados em matéria de educação são causadas por esse sistema imposto pelo Estado onde o que importa é a obtenção de certificados e não a aprendizagem. A coisa vem desde antes: para ter acesso ao mercado de trabalho protegido, tem que ter diploma, ganho na faculdade. Para acesso a esta, tem que ter o certificado de conclusão do ensino médio e, para essa outra, o do ensino fundamental. É um sistema todo engessado em torno de um objetivo diverso do obter conhecimento e habilidades.

  38. Naomi Greice Yamaguchi

    Excelente artigo e excelentes comentários. É desse tipo de discussão que o Brasil precisa. Fico feliz de ver como a visão de mercado livre se impõe sobre a lógica dominante hoje no nosso país. Gostaria de agradecer ao Gervásio (em resposta ao César Devero dia 21/10/2015) por introduzir a história do negro com nome de mulher Viven Thomas que, sem fazer faculdade de medicina, foi essencial para a concepção da primeira operação cardíaca da história e mais tarde recebeu o título emérito de médico. Também à maravilhosa fábula colocada pelo Guido em resposta ao Jalt Brasil (19/07/2012).

    Como autodidata mas bem diplomada, gostaria de fazer parte dessa discussão pelo ponto de vista de uma pessoa que fez tudo certo para descobrir que estava tudo errado. Tenho diploma de Administração da Getúlio Vargas (e me considero autodidata?), pós em “Estratégia Empresarial” na Universidade de Paris X – Nanterre (onde o FHC foi professor durante o exílio) e fui bolsista do Ministério de Relações Exteriores da França para fazer um doutorado na HEC – Hautes Etudes Commerciales e INSEAD, o equivalente à Harvard na França. Fiz três anos de doutorado, para um dia perceber que estava em um “nicho de mercado para intelectuais”, e que estava só estudando para obter um título. Quando era pequena, fiz um curriculum independente de matemática, física, história, geografia e literatura para superar hiperatividade e dislexia. O que mais se aproxima do meu aprendizado de matemática hoje em dia é o Método Singapura de Matemática.

    Quando acabei a GV, passei por várias seleções de empresas muito bem, mas pouco utilizei do que aprendi na faculdade. As empresas pouco se lixavam para o currículo pelo qual paguei tão caro. Queriam pessoas da GV pelo “potencial” que tinham por termos passado por um dos vestibulares mais difíceis. Isso para dizer que o mercado de certa forma é livre da ditadura dos diplomas. Por isso muitos diplomados se sentem enganados. Como a oferta com o mesmo título é variada em qualidade final, as empresas sempre fazem sua própria seleção. Até o serviço público. Acho que facilmente as empresas veriam que demandar um curriculum mínimo para se candidatar a uma vaga pode ser ignorado. Fizessem um teste de QI e de atitude quando eu tinha 18 anos e acho que daria no mesmo. Em toda empresa começamos do zero, tendo de aprender os modos da empresa. O que mais é levado em conta é a experiência e resultado.

    Vinte anos depois, percebo que tecnicamente utilizo contabilidade. No mais, tenho uma cultura de administração que qualquer um com acesso à bibliografia dos cursos poderia conquistar sozinho. Mas ao sair da GV, não sabia nem como montar uma planilha de controle de custos, não sabia como dirigir a eficiência e produtividade de uma empresa, não sabia enxergar oportunidades mais ou menos que qualquer outra pessoa. A frase que mais escutava era: “Qual a missão do administrador?” Resposta formatada: “Trazer lucro ao acionista”. Mas como virar o acionista? Nem na GV a gente aprendia isso. Fomos formados para sermos empregados.

    Já na França, aprendi atitudes interessantes, o que valeu a pena. Mas mais pela cultura (e não estou falando de artes e viagens, estou falando de modo de pensar e agir), que questionava as questões, fazia a gente dar pirueta nos miolos para eles ficarem mais musculosos, adulava a alta performance e a excelência. Pelo menos lá, não havia bullying contra os que alçavam o nível de exigência. Mesmo assim, uma vez acabado o currículum de matérias para o doutorado, fazer a tese passou a ser apenas uma exigência custosa de mais três anos para continuar na carreira acadêmica. Existe uma grande cisão entre cursos acadêmicos e práticos na França. Como eu não queria continuar sendo uma professora universitária o resto da vida, já que Administração é e sempre será uma ciência do mundo real e prático, fui fiel às minhas convicções e saí para o mundo para aprender mais.

    Desde então, há um prazer quase gozoso em ler só coisas do meu interesse, em decidir meu próprio currículum, em sentir o aprendizado entrando e me ajudando a entender cada dia mais do mundo em que vivo, compreender sobre meus talentos, vocações, meus gostos e desgostos, medos e sonhos. Aprendi nos últimos anos de autodidatismo muito mais que em todos os anos de estudos formais e formatados. Galero bastante mas me divirto em encontrar um modo prático de transformar tudo isso em um meio de sustento. Mas para ter essa oportunidade, só na informalidade do mercado livre.

    Na base do nosso aprendizado, deveríamos ter formação de atitudes vencedoras, como capacidade de resolução de problemas (com matemática, física, química e biologia sim, mas aplicadas), capacidade de síntese e articulação mental (português no sentido mais amplo de definir e articular nossos pensamentos), línguas e culturas estrangeiras (história além de datas e fatos, geografia aplicada), e a importância nos auto-motivarmos para superar barreiras na conquista dos nossos objetivos (foco, persistência, aprender com os erros, iniciativa, flexibilidade mental).

    Um currículum assim não é utopia. Japão está instaurando um currículum mínimo com japonês, uma língua estrangeira, matemática, ciências aplicadas, culturas de outros povos e capacidade de usar a tecnologia para autoaprendizado. Os Estados Unidos também tem uma formação muito aplicada à realidade. Na França, a universidade é quase gratuita, mas cada ano dá um certificado diferente. Lá uma classe de primeiro ano de medicina tem 300 alunos e uns 40 acabam a formação. Nos países anglo-saxões e germânicos, universidade é um luxo, dá-se preferência ao estudo técnico. Em Singapura e Shanghai, top de todos os exames internacionais, o estudo é voltado para a criação de atitudes, como diálogo, lógica, noções de economia doméstica, planejamento e auto-aprendizado, e não de conhecimentos.

    No Brasil, visa-se ao conhecimento, e não ao aprendizado. Para quê memorizar dados que qualquer um encontra na internet na hora que precisa? Para começar, poderíamos só flexibilizar a estrutura. Se não passa em uma matéria, a refaz, mas avança-se nas trilhas em que foi bem-sucedido. Isso só já aumentaria a motivação. Dar mais conhecimentos aplicados ao dia-a-dia da criança e do jovem, ao invés de aprender sobre seno e cosseno, tabela periódica e biologia celular. A lista do que poderíamos fazer de modo fácil e efetivo é infinita.

    Uma educação que visa formatar e estreitar nossos pensamentos, um Estado que só se contente com a sobrevivência e dependência do cidadão nos escraviza a uma visão da vida como um simples passatempo antes da morte. A lei do livre mercado nos liberta para tomarmos mais riscos, para termos mais oportunidades de testarmos carreiras até ser o momento de nos engajar com a nossa verdadeira vocação, a qual dificilmente nos é revelada aos 17 anos de idade. Para isso precisamos de vivência e auto-conhecimento.

    Se o Estado quer ser o anjo-guardião de uma nação até na Educação, então deveria nos ensinar a conquistar a liberdade de ser o melhor que podemos ser e nos auto-realizar.

  39. Vou contar uma pequena história.

    No fim dos anos 1990, eu trabalhava em uma concessionária de uma renomada marca de carros japonesa. Durante esse período, fiz cerca de 22 cursos de especialização em vários sistemas automotivos: motor, câmbio automático, eletrônica embarcada, etc., ministrados nas dependências do fabricante, com equipamentos do fabricante, e as aulas eram ministradas pelos engenheiros da fábrica.

    Esses cursos certificaram-me para trabalhar no Japão, EUA e vários países da Europa, pois o currículo é exatamente o mesmo no mundo inteiro, porém NÃO VALEM NADA AQUI NO BRASIL, justamente porque, apesar dos esforços do fabricante, o nosso querido MEC não homologou os cursos. Por esse motivo, atualmente tais cursos são feitos no SENAI, mas a infraestrutura e o nível dos instrutores passa longe da qualidade dos cursos que eram feitos nas instalações do fabricante. O que vejo nos dias de hoje são alunos recém formados que mal sabem noções básicas teóricas e práticas da profissão.

    Infelizmente para todos nós, aqui tudo se nivela por baixo.

  40. Na teoria tudo é lindo, na prática a coisa é diferente. Homeschooling, por exemplo. Além da desnecessidade de se utilizar o termo em inglês, qual o impeditivo de uma criança pobre que não estuda hoje se valer de tal instrumento? Se ele já não está na escola e já não terá diploma, se ele tiver educação em casa continuará sem diploma, mas pelo menos terá educação. Mas quem dará a educação a ele, os pais que também não tem tiveram educação? Quando será isso, já que eles ficam o dia inteiro fora tentando sobreviver nesse nosso país hostil aos seus próprios cidadãos? Além disso, escolas são parte da especialização da nossa economia. Eu não teria nem o tempo nem a competência de ensinar todas as disciplinas para um filho, mas sei que seria sim minha obrigação a de lhe prover a oportunidade de as ter da melhor forma que me for possível, inclusive a de fiscalizar a escola para que dê a educação da maneira mais próxima àquela que considero a melhor. Comungo na descrença da educação “pública, gratuita e de qualidade”, mas também não acho que soluções simplistas como acreditar que educação em casa resolverão o problema.

    Eu discordo em parte quanto à desnecessidade completa de regulação para todas as profissões. Concordo com o caso de jornalistas e outras profissões são absolutamente desnecessários, mas no caso de profissões com maior grau de responsabilidade, como engenharias, medicina, farmácia e outras poucas algum tipo de certificação é necessário sim. Não acho que somente o diploma seja, acho que algum tipo de chancela, por exemplo, como faz a OAB (sem entrar no mérito de se sistema que ela usa ser bom ou ruim) é necessário. Como foi dito no texto, “ah, mas assim mesmo ainda tem erros, ainda terão maus profissionais.” Sim, é claro. Sempre terão. Faz parte da condição humana. Mas um erro nessas áreas trás outras consequências, até maiores ou irreversíveis, do que o mero prejuízo financeiro.

    Concordo que muitos estudam apenas para obter um título , mas não é apenas por causa da obrigatoriedade do diploma pelo estado. Vi isso ao fazer meu mestrado. Fiz apenas para obter o título. Me trouxe sim novos conhecimentos e perspectivas, mas não do jeito que se esperava. E não foi por interferência estatal que eu corri atrás do título, já que a titulação de mestre é desnecessária para exercer a minha profissão, aliás, como o é para a esmagadora maioria delas. Fiz porque o grande, sábio, infalível mercado assim o quis. O mercado quer alguém com mais titulação e por isso se vê tantas pessoas fazendo cursos de especialização, mestrados, MBA e etc, mesmo sem a obrigatoriedade estatal. E mesmo que esse título seja absolutamente desnecessário para o exercício da minha função no mercado de trabalho ou em determinada empresa

  41. Mais um artigo esclarecedor, vcs do instituto estão de parabéns pelo artigos, estou lendo diariamente os artigos muito obrigado por compartilhar essas informações.

  42. Felipe Lange S. B. S.

    “Há também o fato de que a maioria das pessoas hoje freqüenta universidades sem ter a mínima noção do que querem. Estão lá ou porque são obrigados ou porque a educação é “gratuita”, no caso das universidades públicas. Dinheiro público e recursos escassos estão sendo desperdiçados em pessoas que estão lá apenas para matar o tempo e farrear — tudo por causa de uma estúpida imposição estatal. E mesmo para as que se formam, fica a pergunta: formaram-se em quê? Muito provavelmente ganharam um diploma para nada, pois dificilmente a universidade fornece o treino necessário exigido pelo mercado. O indivíduo fica lá por anos e sai sem saber fazer absolutamente nada de prático. Seria muito mais negócio se essas pessoas abandonassem a universidade e fossem trabalhar direto na área de que gostam. O aprendizado seria muito melhor, mais rápido e mais proveitoso. No caso específico do jornalismo, não é raro ouvirmos relatos de um foca que aprendeu mais em três meses de redação do que nos quatro anos do curso.”

    Quem sai do ensino médio sofre inúmeras pressões para cursar ensino superior. Se você tem um filho, por favor, tire-o dessa porcaria e o ensine a estudar por conta própria. O tempo será melhor realocado e ele ficará longe das infecções estatistas. Aguentei três anos de muita coisa que não adicionou valor nenhum a minha vida.

    O engraçado é que, apesar de muitas universidades e faculdades não prepararem para o mercado, o que o mercado vai lá e exige? Todas as vagas exigem diplomas e/ou estarem cursando ensino superior.

    Suponha que exista um empregador que precise de alguém que analise e pesquise organismos em uma reserva ambiental privada. Ele pode contratar entre um sujeito sem diploma mas que já realizou inúmeras pesquisas por conta própria com relação a área ou um sujeito com bachalerado em ciências biológicas e que este sujeito nunca fez nada além de copiar e fazer as matérias previamente elaboradas no curso. Quem ele vai contratar? O diplomado, mesmo que ele não saiba nada.

  43. Alexandre Toledo

    Ainda sou favorável à formação universitária. Não vejo como negar a importância social das corporações profissionais, no desenvolvimento da sociedade contemporânea.

    A educação em casa limita as possibilidades de sociabilidade das crianças e dos adolescentes. O culto ao indivíduo é estranho à vida em sociedade. O Estado existe para promover a paz, a liberdade e a prosperidade de seu povo e não apenas de alguns indivíduos mais habilidosos (ou seriam espertos?).

  44. E como apresenta sentido!

    Sou graduado em Direito há alguns anos, e sabe o que a faculdade me ensinou? Nada! Praticamente tudo o que aprendi teve fulcro no autodidatismo meu e no de alguns colegas que tive no transcorrer da graduação.

    E dentro de sala, aprendi o quê? Reitero que não açambarquei quase nada de útil naquela porcaria.

    Em que pese os colegas sem nenhum brilhantismo, daqueles que só decoravam o que os professores falavam em sala e depois cobravam nas avaliações e ou colavam, a maioria logrou êxito em avaliações como OAB e concursos em geral.

    Mas como fizeram isso? Simples: ficaram reclusos alguns meses/anos “na decoreba” de bobagens sem o menor efeito prático e… bingo! “Paçaram” (sic).

    Por outro lado, eu, que só tirava 9.0 e 10 sem colar, não consegui nada.

    Logo, que atitude tomei? Converti-me em empreendedor do ramo culinário “fitness”, que consiste em produzir alimentos congelados direcionados aos praticantes de atividades físicas e de dietas em geral.

    E estou bem, obrigado. Tão bem que não preciso me preocupar com a advocacia ou em ter a estabilidade e a remuneração da maioria dos cargos públicos.

  45. Gostaria de perguntar se cursos como (administração, biblioteconomia, publicidade e marketing, contabilidade) poderiam ser acrescentados na lista dos cursos “puramente teóricos” já que no texto esses cursos não foram citados. Tenho nível superior em História, e trabalho numa biblioteca (particular) como assistente e como tal, mesmo que eu tivesse mestrado, doutorado aqui no Brasil ou em Harvard, fosse pós-doutor em outra área que não biblioteconomia não posso classificar, catalogar um livro nem inserir no sistema da biblioteca sob pena de sofrer sanção administrativa pelo Conselho Regional de Biblioteconomia e a biblioteca ser multada. Obrigado e fico no aguardo da sua resposta!.

    (cursos “puramente teóricos”, como filosofia, direito, economia, psicologia, ciências sociais, matemática, estatística, história, geografia, física, fonoaudiologia e até mesmo ciência da computação, …)

  46. Em Brasília, há órgãos que realizam licitações para serviços de TI. Pedem diploma ou pós na área de TI. Um órgão chegou a exigir diploma e pós em TI. Vi um sujeito com diploma, mestrado e doutorado em estatística que foi dispensado. 30 anos de experiência na área não servem para nada. huuahuaauhauh

  47. O texto é bom, mas algo me incomoda nas utopias extremas. Eu infelizmente vejo os liberalistas como comunistas espelhados, tão utópicos quanto. Como o mises e seus leitores são defensores árduos do liberalismo, creio que nem preciso ficar exemplificando muito os defeitos do comunismo (o outro extremo), o estado total, as condições igualitárias para todos. Bonito na teoria, mas na prática já se conhece os problemas. O liberalismo, por sua vez, também é bonito na teoria, pois o mercado se ajusta, concorre entre si, e quem ganha sempre é o consumidor. Como no exemplo citado, da única padaria do bairro, que quando sofre a concorrência da segunda padaria, tem que reduzir seus preços ou caprichar na qualidade. Tudo muito bom, mas vamos à vida prática? A concorrência livre acaba invariavelmente levando à corrupção. Por que? Digamos que quando a primeira padaria reinava sozinha, ele vendia o pãozinho por 1 real, tendo uma margem de 50 centavos de lucro. Com a chegada da segunda, ele reduz sua margem para 40 cents, daí o outro reduz para 30 cents, até chegar o ponto em que os dois caminham abraçados para 1 cent de lucro, ou até mesmo prejuízo para não perder clientes para o outro. Daí o que fazem (até mesmo antes da margem chegar no mínimo)? Sentam para conversar, acertam um nível de preço e de qualidade para que nenhum tome prejuízo, ou o maior compra o menor e volta a ser o manda chuva da região cobrando quanto quer. Como sair dessa?

  48. Angelo T, não incentive alguém que você nem sabe se tem inclinação para o empreendedorismo. Na teoria é muito fácil abrir essa boca de jacaré e dizer: “crie o seu emprego”. Cara pálida, A POLÍCIA TRABALHA CONTRA a serviço do Estado. Ela vai lá no cara que está “criando seu próprio emprego” e o esculacha e ROUBA SUA MERCADORIA. A vida real é ligeiramente mais complicada que seu mundinho de conto de fadas. Ninguém simplesmente “cria” seu emprego por que há LEIS QUE JOGAM CONTRA. O melhor, então, é ser funcionário público e sem moralismos, meu chapa. Ao IMB, por gentileza publique meu comentário. Tem vários do Anônimo que não vi publicados. Em um deles, eu ataco o maconheiro Marcelo D2.

  49. Onze anos depois e não mudou nada, a não ser para pior. Ninguém desse governo discute a abolição do MEC, fim da obrigatoriedade dos diplomas e de conselhos, corte de impostos e fim de subsídios ao setor de ensino. No máximo colocar um religioso para chefiar o MEC. Só isso. Weintraub foi esperto, saiu dessa porcaria de país e agora vai morar nos EUA e ganhar mais que o Jerome Powell.

    Assim como no ensino médio e fundamental, no ensino superior um monte de matéria é pura encheção de linguiça e que não irá adicionar nenhum valor para o sujeito.

    Continuaremos tendo duas fugas de cérebros: uns vão para o funcionalismo e outros irão embora do país. Ninguém quer fazer reformas neozelandesas. Preferem o caminho fácil do gradualismo.

  50. Vi essa notícia ontem (de 03/08):

    “Estudar ou comer? Com crise e sem bolsa, jovens desistem de fazer faculdade”

    A jovem ia fazer curso de Filosofia na UNIFESP (eu já até imagino o nível de esquerdismo).

    Como se sabe, as despesas obrigatórias (funcionalismo ativo e inativo) consomem quase todos os recursos, diferente de outros países do mundo. Assim, quando há aperto financeiro, o funcionalismo fica intocado e todo o resto colapsa. Pode ficar até sem energia elétrica, mas não pode demitir e nem reduzir salários. Além disso, o EAD mostrou que muitas matérias podem ser aprendidas sem necessidade de professor (quase todas as aulas do EAD eu nem assistia), dando mais flexibilidade. Isso sem contar os custos de mudar de cidade, deslocamento e afins. Tudo porque o estado controla a infraestrutura, setor imobiliário e o transporte, além de o MEC impor inúmeras disciplinas que na maioria das vezes não vai adiantar nada para os alunos.

    E temos mais uma solução brilhante:

    “Após queda inédita de matrículas, reitores defendem bolsas para retenção de alunos nas universidades federais”

    Começaria bem se todas as universidades federais parassem de ficar exigindo vacinação dos alunos.

    Eu acho que está havendo uma correção. Aquele arranjo do governo petista não tinha como ser sustentável, dado o fato de que somos um país pobre.

    É um problema complexo, cabe uma discussão digna de um livro.

  51. “Desemprego entre mestres e doutores no Brasil chega a 25%”

    Quando o Lula falou lá para o Bolsonaro, gabando-se de ter feito universidades, o Bolsonaro poderia ter mostrado essa notícia acima a ele, de 2019.

    Agora, sabendo-se que a taxa de desemprego desse setor no Brasil é muito maior do que a média mundial, quais as razões econômicas para o fenômeno?

    Eu vou listar algumas hipóteses:

    – Baixíssima qualidade e relevância acadêmica nos trabalhos do tipo desenvolvidos no Brasil (já estamos atrás de universidade iraniana, chinesa e indiana);

    – Alto nível de analfabetismo funcional mesmo entre as pessoas do ensino superior;

    – Falta de parceria das universidades com o setor privado (como por exemplo em investimento), já que isso é proibitivo no setor governamental;

    – Economia extremamente amarrada e população pobre, portanto havendo menos demanda por esses tipos de pesquisa acadêmica;

    Quero tentar abrir essa discussão com vocês.

  52. Falando do assunto, a outra polêmica foi a questão agora de estar havendo um novo contingenciamento de recursos do MEC.

    Não sei exatamente o que está acontecendo, porque eu acho que nem o próprio MEC ainda se manifestou, e a imprensa também não ajuda muito.

    Pelo que consta, os 200 mil bolsistas estavam sem o salário prometido para dezembro.

    Não sei vocês, mas penso que esse tipo de coisa deveria ser feito pelo setor privado, não por burocratas do MEC.

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