Desde que o governo Trump anunciou a redução
da alíquota máxima do imposto de renda de pessoa jurídica, de 35% para 21% [no Brasil,
a alíquota máxima chega a 34%],
os assalariados americanos passaram a receber ótimas notícias.
Empresas como Wal-Mart, Apple, Bank of America e várias outras anunciaram amplas bonificações
e substantivos aumentos salariais. Para muitas pessoas, os cortes de impostos
parecem ter sido um claro exemplo de sucesso.
Entretanto, alguns comentaristas, mesmo libertários,
como a doutora Veronique de Rugy, da Reason Magazine, estão dizendo que não
é bem assim.
A doutora de Rugy alega que tais anúncios salariais não
estão alinhados à teoria econômica. Segundo ela, leva algum tempo para que os salários
sejam afetados por cortes de impostos. A fatia da receita que agora não mais
será tributada tem de ser acumulada e investida em novos equipamentos e
maquinários (bens de capital), os quais irão aumentar a produtividade do
trabalhador e, consequentemente, seus salários.
De maneira bem direta, a doutora de Rugy está
dizendo que os cortes de impostos (anunciados em dezembro de 2017) ainda não estão
em vigor há tempo suficiente para serem apontados como diretamente responsáveis
por estes anúncios de bonificações e aumentos salariais. Mais ainda: segundo
ela, tais anúncios não passam de uma manobra de relações públicas.
No entanto, a realidade é que esses aumentos e bonificações
estão perfeitamente em linha com aquilo que prevê a teoria econômica.
Como
os salários são determinados
Os salários são equivalentes ao aumento esperado na receita que o trabalho de um
indivíduo gera para a empresa. Ou, de maneira equivalente, o volume de receita a
ser perdido caso esta mão-de-obra fique desempregada.
Por exemplo, imagine que um restaurante empregue 5
cozinheiros capazes de servir a um número C de clientes por dia, o que garante
ao restaurante uma receita R.
E então um cozinheiro ganha na loteria, se aposenta,
e vai morar nas Bahamas. Agora, o restaurante é capaz de atender a apenas C-L
clientes, e consequentemente passa a ganhar apenas X de receita.
Claramente, o proprietário do restaurante estará disposto
a pagar apenas a diferença entre R e X — um valor que será chamado S — para
empregar um quinto cozinheiro. S é aquilo que os economistas chamam de ‘receita
marginal do produto’. E, graças à concorrência no mercado de trabalho, os salários
tendem a este valor em um livre mercado, menos um desconto devido à preferência
temporal.
Para ver como a tributação afeta os salários,
imagine que, a cada vez que o dono do restaurante vai ao banco depositar seus
ganhos, um ladrão armado rouba 35% da receita líquida da empresa. Desconsiderando
momentaneamente o que o ladrão fará com o esbulho — se irá construir estradas
ou financiar grupos de teatro –, o fato é que, no momento em que ocorre o assalto,
o restaurante passa a ganhar menos dinheiro do que ganhava até então. Esse roubo
imediatamente torna a empresa menos eficiente.
Pior: aquele dinheiro que poderia ser reinvestido no
empreendimento — contratar mais trabalhadores, comprar mais máquinas e
equipamentos, ou conceder aumentos salariais — se torna imediatamente menor.
Colocando de outra maneira: a receita que o
restaurante pode manter para si próprio caiu, o que significa que a receita por empregado caiu. Isso,
inevitavelmente, empurra os salários para baixo — mesmo considerando que, como
vimos acima, em um livre mercado, a empresa estaria
disposta a pagar mais para cada empregado.
Após algum tempo, um novo e mais “benevolente” ladrão
substitui o ladrão anterior, e decide roubar apenas 21% da receita líquida do
restaurante. Assim, parte do custo do crime foi reduzida, e isso terá o mesmo
efeito que uma redução de qualquer outro custo. Embora os salários não irão retornar
aos valores que estavam em vigor antes de os roubos terem começado, eles irão subir,
pois o trabalho de cada empregado se tornou mais produtivo tão logo houve uma redução
no roubo (a receita líquida gerada por cada empregado agora é maior).
Mais ainda: com a redução do roubo, as expectativas da
empresa quanto às receitas futuras também
irão aumentar, potencialmente levando a maiores salários.
Na estória acima, se você substituir a palavra ‘roubo’
por ‘imposto’, e ‘restaurante’ por ‘empresas em geral’, você perceberá
claramente que o amento anunciado nos salários está totalmente em linha com uma
análise econômica padrão. E com um adendo: se uma empresa não elevar os salários
em resposta a este corte de impostos, suas concorrentes o farão e, com isso, cooptarão
os melhores funcionários das empresas que não concederam o aumento salarial.
De resto, embora seja verdade que uma redução no
imposto de renda de pessoa jurídica permitirá mais investimentos em bens de
capital — o que também permitirá aumentos salariais no futuro, devido à maior
produtividade dos trabalhadores –, tal fenômeno é distinto daquele que está
ocorrendo já agora. Reduzir o fardo do governo sobre o setor privado possui benefícios
tanto imediatos quanto de longo prazo para trabalhadores e capitalistas, e a
reforma tributária do governo Trump é uma evidência disso.
Cortar
impostos é ótimo, mas cortar gastos é essencial
No entanto, mais medidas serão necessários para que
os benefícios desta reforma tributária sejam permanentes. Enquanto os cortes de
impostos levarem a um aumento dos déficits orçamentários, os gastos do governo
terão também de ser reduzidos. Caso contrário, no longo prazo, estes benefícios
presentes serão revertidos.
Déficits orçamentários maiores significam que o
governo irá se endividar ainda mais, e a consequência é que ele tomará mais
crédito junto ao setor privado. E dado que o governo está tomando mais crédito,
sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos, o
que afetará os salários futuros. Mais: também no futuro, para fazer frente a
todo este aumento da dívida, impostos terão de ser aumentados novamente, o que também
afetará os salários.
Retornando ao nosso exemplo, imagine que o ladrão não
queira reduzir seus gastos mesmo estando agora roubando menos. Nesse caso, ele
pode tentar convencer os financistas da comunidade a lhe emprestar dinheiro. E
os financistas ficarão contentes em fazer isso, pois o ladrão pode claramente
comprovar que possui uma ampla e extremamente confiável fonte de renda. Neste caso,
o ladrão seria capaz de manter seus atuais níveis de gastos, mas à custa do
crescimento do resto da economia. Cedo ou tarde, no entanto, a dívida do ladrão
terá de ser quitada, e para que ele possa bancá-la sem reduzir seus gastos, sua
única opção será voltar a roubar uma maior quantidade de dinheiro do
restaurante.
Outra alternativa, embora menos provável, seria o ladrão
simplesmente recorrer à falsificação de dinheiro (também chamada de inflação monetária).
Nesse caso, os efeitos tangíveis serão similares aos do roubo explícito. Os preços
dos bens e serviços irão aumentar de uma maneira tal que irá anular os aumentos
salariais nominais. Pior: com a falsificação de dinheiro, riqueza real será
transferida para o ladrão e para aqueles que primeiro receberem esse dinheiro recém-criado
e puderem usá-lo para adquirir bens e serviços a preços que ainda não foram
alterados.
Conclusão
A lição é clara. Se o Congresso americano e o
governo Trump quiserem ver o bem-estar do povo americano aumentar de maneira
permanente, os cortes de impostos deveriam ser seguidos de um corte de gastos.
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Agora falta ele fazer mais cortes de impostos e um intenso corte de gastos (na verdade ele só quer aumentar), pelo menos os americanos irão sofrer menos com a recessão (ou depressão) que está por vir. Agora se realmente essa crise estourar na mão dele vai ocorrer o que o Leandro já disse tempos atrás:
“Leandro 11/11/2016 22:02
Por enquanto, fico com a análise do Rallo, que — a meu ver, corretamente — se pautou apenas por aquilo que ele efetivamente apresentou como plano de governo, e não naquilo que ele disse em comícios para agradar sua base.
Compreendo que alguns leitores queiram uma análise mais especulativa, levando em conta coisas que ele disse em comícios e debates. Mas isso não seria acurado.
De resto, tendo a concordar com o Gary North, que disse o seguinte: uma recessão profunda estourará sob o governo de Trump (conseqüência das políticas keynesianas atuais). Consequentemente, o partido que estiver no poder será responsabilizado, apeado do poder e dizimado nas eleições. Em 2020, um socialista ao estilo Bernie Sanders ou Elizabeth Warren chegará à presidência.
Por isso, e exclusivamente por isso, eu não sou entusiasta da presidência de Trump. Estou olhando para o longo prazo. Se a recessão estourasse sob Hillary, os democratas seriam varridos do mapa, e um genuíno libertário teria grandes chances em 2020. Sob Trump, a recessão levará socialistas ao poder.
É isso o que boa parte da direita não conseguiu entender. A vitória de Trump foi uma vitória de Pirro.
Mas espero — e quero — muito estar errado. Seria a primeira vez na vida em que terei prazer em estar errado.”
Sou dono de um pequeno negócio e posso garantir que o grande fator por trás de minhas decisões salariais são os impostos. Tendo de pagar INSGG, FGTS, impostos do sistema S, e mais todo o IRPJ, simplesmente não há nenhum espaço para dar aumentos salariais, e muito menos para contratar mais pessoas. Eu mesmo gostaria de contratar mais um auxiliar, mas o custo disso é proibitivo (equivalente a quase 100% do salário).
Se eu fosse dono de uma grande empresa e o meu custo com funcionários caísse devido a um redução de impostos ou de “direitos trabalhistas”, com a grana excedente eu imediatamente tentaria contratar os melhores funcionários dos concorrentes para aumentar minha produção e enfraquecer o concorrente.
Provavelmente alguns desses funcionários receberiam contra-propostas e recusariam minha oferta. Acabariam com aumento salarial dentro da mesma empresa. Outros viriam trabalhar comigo e também receberiam salários maiores.
Com a equipe aumentada e com boas habilidades, a empresa cresceria, abriria vagas para contratações e/ou promoções e geraria mais emprego e renda.
O Leandro poderia aproveitar o gancho e comparar com nossa situação atual, em que as “reduções” de preços da Petrobrás não são repassados ao consumidor. Minha teoria – em concordância com o artigo – é que nosso empreendedor é menos otimista (e mais escaldado) que o americano; sabe que o governo perdulário em breve aumentará outras alíquotas ou criará novas para, no final das contas, majorar a carga tributária. E se o coitado repassar algum benefício ao empregado será duplamente penalizado, pois a indústria das ações trabalhistas estará faminta para garantir o “direito adquirido”.
Enquanto isso, assistimos horrorizados as matérias da grande mídia sugerir sub-repticiamente que precisamos de mais regulação para nos proteger dos donos de postos malvados…
Que eu saiba; o Trump está aumentando os gastos, principalmente os gastos militares.
Guerra a vista…
Enquanto existir estado só poderemos ser livres investindo em paraísos fiscais,pois os controladores do leviatã não tem interesse em destruir a industria financeira destas ilhas do inconfessável(Vide panamá-papers onde aparece até o nome do tzar oligarca,Putin).Viva o livre-mercado e o estado que se exploda junto com os parasitas de plantão.
Bolha imobiliaria no canada?
Artigo sobre? Noticias? Causas?
Gostaria de estudar mais essa atual bolha, se alguém tem conhecimento sobre isso, ficarei grato em me informar
Vocês acreditam que a TESLA é uma bolha?
Os idiotas úteis de plantão e a esquerdalha canalha gosta de culpar os EUA por todas as lástimas do mundo,enfim haja paciência com argumentos e vitimismos de sempre e a mania de culpar terceiros pelos seus fracassos,estes esquerdalhas são cansativos e arrogantes.
Como vocês avaliam a situação econômica para o Brasil pós 2018? Qual a melhor opção? Dá pra confiar em Bolsonaro?
E a CLT é absurda, não bastasse a Lei rídicula a Justicinha Trabalhista está contaminada ideologicamente, os juizes fazem o que querem (inclusive legislar); o que torna um grande problema para o empreendedor e para criação de riqueza e de empregos.
“E dado que o governo está tomando mais crédito, sobrará menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos, o que afetará os salários futuros. “
Não necessariamente. Empresas que necessitam de crédito podem recorrer aos bancos comerciais (que criam dinheiro do nada para conceder empréstimos) ou podem emitir títulos (Corporate Bonds) a juros mais altos que os títulos do governo.
Existe algum mensurador do crescimento da média salarial nos Estados Unidos, para mostrar mais significativamente esse tipo de relação (diminuição de impostos e aumento imediato de salários)?
Outra coisa. Inversamente (não excludente) ao que a Escola Austríaca diz, toda essa onda de aumento salarial não poderia também levar a um aumento da confiança, de empréstimos, de expansão monetária, etc.? O que consequentemente levaria a um aumento das receitas das empresas e dos governos.
Alguém pode me mandar foto ou link da tabela de gastos do EUA
Olá camaradas !
Não estamos gostando nada desse tal de Trump, quem ele pensa que é ?
Vamos dar um jeito de aumentar a desinformação para destruir a reputação desse capitalista burguês. Iremos intensificar as fake news e triplicar as mentiras que imbecilizam a grande massa da população mundial, já adestrada pelos nossos camaradas aí na Terra.
O Satã está muito nervososo e tem pedido pressa na remoção desse patriotinha mequetrefe que surgiu no nosso maior inimigo, os EUA.
Assim não dá ! Assim não pode !
Saudações vermelhas !
KARL MARX
OFF-TOPIC:
Ideia legislativa para privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o monstrengo que detém o monopólio de serviços postais em Banânia. E faz o trabalho da estatal típica – atrapalhar a vida do cidadão produtivo.
Quem nunca teve problemas com os Correios é porque nunca usou os “serviços”.
Não coloco fichas no Senado Federal – um antro de parasitóides, mas afinal de contas é só um clique. Se fizer o assunto pelo menos ser levantado novamente, já é lucro.
Apóiem e divulguem.
www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=97198&voto=favor
Ron Paul disse que todo esse crescimento é pura ilusão, é possível ver a bolha mas não da pra saber quando estoura
Vocês concordam? E teria como o TRUMP amenizar o crash ou pelo menos retardar?
Eu acredito que sim pra todas as minhas perguntas, gostaria de ouvir mais gente aqui.
Abraços
Quanto ao colapso que estaria por vir, não creio que partirá dos EUA mas sim da China.
A China construiu ao longo de duas décadas cidades fantasmas inteiras (com linhas de metrô, inclusive, fora equipamentos hospitalares, bombeiros, polícia, tudo o que há numa grande cidade, mas sem população) na vã expectativa de uma massiva migração da qualidade de vida da população que ainda vive de forma campesina.
Esta conta chegará, além disso há uma bolha no mercado acionário que poderia dizimar dezenas de grandes empresas, as ações estão sendo negociadas a inacreditáveis 600 vezes o lucro líquido, enquanto que num mercado saudável este número gira em torno de 15 a 20 vezes.
Outro grande problema chinês é a confiabilidade de um governo comunista, que manipula o que for necessário para esconder seus reais problemas, vi isto acontecer na década de 80 na URSS, e o mais inacreditável é ver gente graúda se pautando em mídia oficial estatal daquele lugar para basear suas teses.
Hoje existem cerca de US$ 3 a 5 trilhões em títulos do governo dos EUA nas mãos dos chineses, bastaria então um leve resgate de 30% deles por parte do governo chinês e os EUA estariam de joelhos. Acredito que o governo Trump esteja empenhado em dar um gás imenso à economia local, o que provocaria uma inflação e esta puxaria os juros de forma que seja atrativos a investidores da dívida e daí então usar estes títulos para substituir o máximo possível que estão em poder dos chineses e assim tirar a arma apontada para a cabeça americana.
Se isto é o que vai acontecer ou se dará certo, não sei, apenas relato o que vejo. Mas que tem algo grande para 2020 vindo aí não tenho dúvidas.
O Estado obriga os empregadores a pagar menos do que se disporiam e a propaganda ideológica convence a maioria das pessoas de que os salários são baixos por causa da ganância e mesquinharia dos empregadores – e que os salários só não são ainda mais baixos por causa do controle do governo.
* * *
Eu apoio o liberalismo mas alguma pessoa que manja mais de economia que eu pode me ajudar a como refutar esse video aqui:www.youtube.com/watch?v=wlZRMhc_Tvo&t=38s e esse aqui:www.youtube.com/watch?v=U-aOmwtYpEw
Eu não estou sendo sarcastico, eu realmente apoio o liberalismo
Não há urgência de se cortar gastos nos EUA porque é um país rico, com população produtiva e que todos investidores sabem que conseguem honrar suas dívidas. Ou seja, os juros do Tesouro se encarregam de “pagá-la” (ou de levar com a barriga).
A excessiva carga de impostos faz com que os custos sejam absurdos. E sem poder aumentar preços devido ao processo recessivo, o empregador corta somente o que lhe é possível , seu funcionário ! Está ai o desemprego …