Quando o governo gasta mais do que arrecada com
impostos, ele incorre em um déficit orçamentário. Ato contínuo, ele tem de
tomar dinheiro emprestado (se endividar) para cobrir este rombo. Ele pega esse
dinheiro emprestado emitindo títulos da dívida, sobre os quais pagará juros.
E as consequências que isso gera não são apenas econômicas.
Déficits e endividamento governamentais são também uma questão moral.
Quando grupos de interesse (funcionalismo público
exigindo aumentos, grandes empresas querendo subsídios, e vários grupos sociais
exigindo maiores repasses) se aliam a políticos e deixam o governo mais afundado
em dívidas, eles estão simplesmente legando uma enorme conta aos cidadãos e
pagadores de impostos das próximas gerações, os quais não têm como se
manifestar hoje.
Consequências
econômicas
No Brasil, nos últimos 12 meses, o déficit
orçamentário total do governo federal foi de R$ 567 bilhões (o que
equivale a nada menos que 8,75% do PIB do Brasil). Isso significa que o governo
federal gastou R$ 567 bilhões a mais do que arrecadou. Consequentemente, isso
significa que ele teve de se endividar em mais R$ 567 bilhões para poder manter
seus gastos totais.
E quem emprestou esses R$ 567 bilhões para o governo
federal? Bancos, empresas, pessoas físicas e fundos de investimento. Isso, por
definição, significa que R$ 567 bilhões que poderiam ter sido utilizados em
investimentos produtivos, expansão de negócios e contratação de mão-de-obra
acabaram sendo direcionados para financiar a máquina estatal.
Se o governo está tomando mais crédito, sobrará
menos crédito disponível para financiar empreendimentos produtivos. Assim,
os déficits do governo, ao desviarem a poupança da população para os gastos
improdutivos do governo, levam a um crowding-out
do investimento produtivo, gerando dificuldades cada vez maiores para melhorar
ou até mesmo para manter o padrão de vida do público, no longo prazo.
E, para o governo conseguir todo este volume de
crédito, não há segredo: ele tem de pagar juros altos. Qualquer instituição que
tenha de se endividar o equivalente a 8,75% do PIB em 12 meses terá de pagar
juros altos. Consequentemente, os juros daquele crédito que sobra para os
investimentos produtivos serão ainda mais altos, sufocando as micro, pequenas e
médias empresas.
Assim, os gastos e déficits do governo, ao
desestimularem os investimentos do setor privado, fazem com que a situação econômica
das gerações futuras seja pior do que poderia ser. As fábricas e as instalações
tenderão a ser mais decrépitas, a oferta de bens e serviços será menor, e os salários
serão mais baixos do que poderiam ser sem os déficits.
Consequências
morais
Além das questões econômicas, déficits e endividamento
do governo também geram grandes implicações morais.
O dinheiro que o governo pega emprestado hoje terá
de ser pago no futuro, com juros. Para pagar juros e principal, o governo usará
dinheiro de impostos. E esses impostos serão coletados das gerações futuras,
talvez por pessoas que ainda nem sequer nasceram.
Ou seja, como resultado do atual descontrole orçamentário
do governo, um enorme fardo será legado às gerações futuras, que terão de pagar
impostos mais altos. Consequentemente, por ficarem com uma menor renda disponível
em decorrência dos impostos mais altos, terão menos dinheiro para gastar em serviços
essenciais.
Na prática, portanto, os déficits e o endividamento
do governo hoje vinculam a geração de amanhã a arcar com os juros e o principal
dessa dívida. Isso é imoral e anti-ético. Ao se endividar e jogar a fatura para
a geração futura, o governo está comprometendo aquela geração; está reduzindo a
liberdade de escolha daquelas pessoas ao fazer com que elas tenham de gastar
uma grande fatia de sua renda com o serviço da dívida.
Isso gera restrições diretas na maneira como elas poderão
gastar seu dinheiro. Gera também consequências diretas no nível da carga
tributária futura, que dificilmente poderá ser reduzida. Com efeito, a tendência
é que tenha de ser aumentada.
Fazendo
a farra hoje e deixando a sujeira para amanhã
Economistas heterodoxos alegam que a dívida
governamental, por si só, não representa nenhum fardo para as gerações futuras
como um todo. Afinal, nossos descendentes irão “dever para eles
próprios”.
Sendo assim, quaisquer impostos que forem aumentados
ou criados para pagar o serviço desta dívida (juros e amortizações) irão
simplesmente fluir para os bolsos daqueles cidadãos que estiverem de posse dos
títulos da dívida. Assim, argumentam eles, haverá apenas transferência de renda
de uns para outros, e não haverá empobrecimento geral. A “dívida
nacional” não seria apenas um passivo, mas também um ativo.
Mas esse raciocínio é completamente falacioso.
Imagine que o governo atual — isto é, no ano de
2017 — anuncie que irá gastar $ 100 bilhões dando uma festa de arromba.
Se o governo impusesse tributos sobre as pessoas em
2017 para pagar por esta festa, elas certamente iriam se revoltar. E nenhum
governo quer isso. Muito mais confortável é apenas emitir títulos da
dívida, que serão voluntariamente comprados por algumas pessoas no presente, e
jogar o fardo do pagamento dos juros e do principal para as gerações futuras.
Assim, suponha que o governo emita títulos que irão
vencer daqui a cem anos.
Supondo que os investidores confiem no governo e que
a taxa de juros nominal de longo prazo seja acordada em 4,7%. Isso significa
que o governo arrecada $ 100 bilhões hoje e terá de pagar $ 10 trilhões daqui a
cem anos.
O valor de $10 trilhões nada mais é do que $100
bilhões com juros de 4,7% ao ano durante cem anos.
A dívida será quitada — juros e principal — de uma
só vez em 2117. Quem irá bancá-la? Os pagadores de impostos que estiverem vivos
em 2117.
Neste cenário, um leigo estaria correto em dizer que
a atual geração fez a sua farra e jogou toda a conta para os infelizes cidadãos
de 2117. Os pagadores de impostos em 2117 terão de entregar $10 trilhões
para alguns de seus concidadãos que eventualmente estiverem em posse dos títulos
desta dívida.
Uma análise rápida e descuidada diria que houve
apenas uma simples transferência de riqueza de um indivíduo (pagador de
impostos) para outro indivíduo (o portador dos títulos do Tesouro). Consequentemente,
não teria havido nem empobrecimento e nem enriquecimento desta sociedade. Houve
apenas transferência de riqueza.
Só que esta observação está errada. E é fácil demonstrar
isso.
Considere um indivíduo que está de posse de um dos
títulos da dívida — cujo valor de face é de $1.000 — em 2117. Talvez
esta pessoa tenha comprado este título de outra pessoa no ano anterior (em 2116)
por $955. Ao receber os $1.000, ela estará auferindo juros de 4,7%. Os
$1.000 que ele receber em 2117 não irão constituir um ganho líquido para esta
pessoa, pois a maior fatia destes $1.000 — isto é, os $955 — será apenas a
devolução do principal que ele pagou no ano anterior.
Este indivíduo, portanto, teve um benefício líquido
de $ 45. Já o pagador de impostos ficará com $ 1.000 a menos.
Repetindo: o portador do título ganha apenas $ 45. Já
o pagador de impostos pagou $ 1.000.
Se nos concentrarmos em um outro portador de título —
por exemplo, alguém que tenha comprado o título no ano de 2087 –, seu ganho
seria maior do que $ 45. Mas, ainda assim, a única maneira de uma perda de
$1.000 para um pagador de impostos ser identicamente contrabalançada por um
ganho de $1.000 para um portador de título seria se este portador houvesse adquirido
o título gratuitamente. Isto poderia acontecer com crianças que herdam
títulos de seus pais. Mas é só.
Qualquer outra pessoa que utilize dinheiro próprio
para adquirir um título cujo valor de face é $ 1.000 não irá obter ganhos
idênticos às perdas dos pagadores de impostos. Seu ganho será muito menor. Logo,
o grupo “pessoas vivas em 2117” estará coletivamente mais
pobre em decorrência deste esquema
Portanto, além de os pagadores de impostos em 2117
serem claramente prejudicados (afinal, terão de pagar $10 trilhões em
impostos), esta sua perda não se traduz em um ganho idêntico para os portadores
dos títulos.
Esta geração como um todo estará
mais pobre em decorrência da festança que as pessoas de 2017 deram. O que
ocorre é que alguns (os portadores dos títulos do Tesouro) estarão menos pobres
que outros (os pagadores de impostos).
Conclusão
Um endividamento gera benefícios presentes, mas ônus
futuros. O governo, ao se endividar hoje e legar a fatura para as gerações
futuras, está simplesmente beneficiando a si próprio e a seus grupos favoritos
(funcionários públicos, grandes empresários ligados ao regime, e grupos
beneficiados por repasses) à custa do bem-estar de toda uma geração futura
(você próprio quando estiver mais velho, seus filhos e seus netos).
A geração de hoje quer o estado cuidando de escolas, universidades, saúde, esportes, cultura,
filmes nacionais, petróleo, estradas, portos, aeroportos, Correios,
eletricidade, aposentadorias, pensões, e fornecendo subsídios para pequenos agricultores
e megaempresários. Quer também um estado ofertando amplos programas
assistencialistas e uma crescente oferta de
empregos públicos pagando altos salários.
Como tudo isso não cabe no
orçamento do governo, este tem de incorrer em déficits, o que eleva a dívida
pública. E essa terá de ser arcada pelas gerações
futuras: nossos filhos e netos.
Qual a moralidade deste arranjo?
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Leia também:
A pavorosa situação fiscal do governo brasileiro – em dois gráficos
Preciso o artigo, aponta erros que vem sendo praticados ao longo de nossa História. Parabéns à equipe de autores.
“Quer também um estado ofertando amplos programas assistencialistas e uma crescente oferta de empregos públicos pagando altos salários.” Tudo isso é inveja de alguém que não passou no concurso público. O Estado está aí para isso, para gastar com o povo. Quem guarda dinheiro é burguês metido. Por falar em gente metida, eu escrevi um artigo sobre isso.
Luislinda: Pobre, preta e da periferia.
O livre mercado está novamente oprimindo as minorias no Brasil. Voltamos à escravidão; os pobres e negros que recebem mais de 30 mil estão sendo novamente perseguidos pela elite branca, de olhos azuis e batedora de panelas. O Brasil cansa. Até quando a escravidão irá durar no Brasil?
O brasil é um país extremamente desigual, e isso é culpa exclusiva do Capitalismo de livre mercado; este sistema, em especial, gosta do oprimir negros e minorias através do preconceito na sociedade. Embora muitos afirmam que no Brasil vigora uma democracia, o certo, é que em média os negros não desfrutam do mesmo status que os Brancos. Um estudo realizado em 2003 pelo instituto Ethos, constatou que apenas 1,8 dos cargos de diretoria no país é ocupado por negros. De acordo com a pesquisa, a presença de negros só aumenta na medida em que desce o nível hierárquico.[1] Os Branquelos acostumados com privilégios de cor e gênero estão com raivinha quando aparece uma mulher guerreira que ocupa sim! um cargo de liderança.
Luislinda é nossa mãe
Vamos falar sobre Luislinda. Mulher guerreira! Brasileira que é um orgulho para as mulheres negras desse Brasil, porque afinal; a violência contra mulher negra e pobre só diminuiu no Brasil enquanto o PT esteve no poder. Sim, chegamos à 60 mil homicídios mas isso é culpa do neoliberalismo. Luislinda foi a mulher que com sua força de representar o povo soube muito bem assumir a pasta dos direitos humanos; ela era o bonequinho de olinda da diversidade cultural; nossa mãe que soube representar muito bem a comunidade dos Quilombos. – Pois sim, ainda existe escravidão de negros em Brasília.
Vocês não cansam de oprimir os negros e pobres do Brasil? Agora a mulher negra não pode mais querer se vestir bem; usar perfume, maquiagem, sem que os reguladores de raça e gênero à persigam. Sim, estão perseguindo Luislinda, não porque ela recebe mais de 30 mil reais – e não há nenhum problema nisso – , Mas estão perseguindo-a porque ela ousou querer ser bonita, inteligente, perfumada, maquiada; em resumo: ser melhor que a mulher branca burguesa. Os donos do engenho piram diante da independência negra.
Tudo isso é inveja de um Brasil que foi culturalmente diversificado. Luislinda não deveria receber 60 mil reais; ela deveria receber 500 mil reais pagos por todo Branco metido à besta que pensa que sua cultura é superior à de outros povos. Deveriam criar um imposto para pessoa branca do tipo Europeu. Aí sim, haveria dinheiro o bastante para sustentarmos várias Luislinda como elas merecem. Chicote no lombo dos Brancos. Vocês nos devem até a alma.
{1} O negro no mercado de trabalho: http://www.mundonegro.com.br/noticias/?noticiaId=256
Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
Com vocês, na imagem, a cara de um estatista ao ler esta matéria.
Capital Imoral, o bonequinho de Olinda que poderia estar ganhando mais de 30 mil por mês no livre mercado, se explorasse sua vocação de comediante.
Excelente artigo. Já discuti bastante esse assunto até mesmo com pessoas esclarecidas, e elas nunca parecem entender o ponto. Elas juram que a dívida do governo é um problema pontual e que não afeta ninguém. Mais até, elas acham que é algo “socialmente bom”, pois permite o governo gastar mais do que arrecada com impostos. Para elas é uma opção indolor: o estado pode gastar mais sem ter de tributar ninguém.
Em termos práticos o BC está financiado criativamente o tesouro?
http://www.valor.com.br/brasil/5195033/lucro-da-conta-unica-paga-previdencia
essa análise implica que a maneira como o governo gasta esse dinheiro não traga quaisquer benefícios a sociedade e seja unicamente esbanjado com bens de consumo,mas o governo investe em infraestruturas,hospitais,estradas(que baixam os custos de transporte,e por si das mercadorias) sem contar esses gastos de uma forma ou de outra acabam reinvestidos na economia e nao desperdiçados,mesmo que 100% desses gastos do governo fossem desviados por políticos corruptos,boa parte ainda seria reinvestida pelos mesmos em empresas,obras,melhorias em cidades etc,gerando emprego e retransferindo essa renda novamente a classe trabalhadora,mesmo esses que desviam dinheiro tem de gastá-lo ainda e assim o mesmo retorna a sociedade e ás pessoas nela
Não há solução num país onde exista:
– a CF mais socialista do universo
– tudo centralizado em Brasília
– políticos mensaleiros
– burocracia e corporativismo
– burocracia e patrimonialismo
– burocracia e corrupção
– judiciário ideológico
– urnas eletrobolivarianas inauditáveis
– apuração secreta para eleição presidencial
– 98 tipos de impostos e taxas
– juros de 400% a.a.
– MTST, MST, PT, PMDB, PSDB, PCO, PC do B, etc…
– carga tributária + juros da dívida = 60% do PIB
“Isso, por definição, significa que R$ 567 bilhões que poderiam ter sido utilizados em investimentos produtivos, expansão de negócios e contratação de mão-de-obra acabaram sendo direcionados para financiar a máquina estatal.”
Até parece.
AAndministração Pública emite dívida por 2 motivos, quer e pode, os motivos por trás disso são referendados a cada 4 anos nas eleições gerais onde a população demonstra sua vontade de possuir serviços públicos hoje em detrimento do amanhã.
Experimente se candidatar e discursar da seguinte maneira: “Prometo não investir absolutamente em nada hoje para que seus filhos tenham saúde financeira amanhã.” e veja quantos votos vai ter na urna.
Até parece mesmo, a menor dívida pública e déficit público da região em relação ao PIB é o Paraguai, apesar de estar em boa situação econômica não se vê nenhum milagre de investimentos por lá que não ocorra em um país com hábitos moderados de endividamento.
Sem o gasto do governo local os investidores colocarm seu dinheiro em bancos locais que comprar títulos dos países perdulários ao lado, Brasil.
Quando pendurar um ESTADO BABÁ e CIDADÃOS QUE VOTAM PELA A BARRIGA não sairemos do fosso.
ROBERTO CAMPOS
Soárez você acabou confirmando exatamente o que ocorrerá se o Governo Brasileiro se tornar um exemplo de sobriedade fiscal, não há histórico de estabilidade política e institucional que alicerce investimentos de infra-estrutura e de longo prazo, investidores vão comprar títulos de outros países perdulários da região, como Argentina.
A propósito há outro país na região com baixo individamento e pagam juros ínfimos, o Peru, seus investidores fazem empréstimos à perdulária Colômbia e o devasso Equador.
Os juros no Brasil são altos primeiramente devido à natureza bestial de seu povo que têm absurda propensão ao consumo, ínfima empatia pelo futuro econômico confortável e eterno desejo de viver do esforço alheio, o governo só executa suas intenções políticas neste terreno fértil para política econômica desastrosa, já que a economia na melhor das hipóteses nos colocariam em eterna estagnação na renda média.
A propósito, Paraguai quebrou em 2002 devido a dívida pública alta, resolveram sem imprimir dinheiro e tem o histórico de menor inflação da região, sendo que sua moeda é a mais antiga sem nenhuma alteração 74 anos.
É incrível como um texto tão simples, pode expressar toda a podridão que é exercida dentro de um governo. A imoralidade não assumida, corrompe os ideais de muitos brasileiros, tanto que hoje mesmo tive um debate onde li com meus próprios olhos, um brasileiro alegar que se o governo rouba, mas devolve com algum aumento o que roubou, não se pode reclamar pelo roubo inicial! Vejam… Alega na cara lavada que os Fins justificam os meios!
Este pensamento esta incrustado na mente da sociedade brasileira, pervertendo gerações com discursos de enfase nas nas minorias, falacias belas que aos ouvidos dos incautos, acabam por persuadi-lo a defender uma causa tão ilusoriamente nobre.
Mas ainda não perdemos a esperança, pessoas interessadas no bem, pessoas de moralidade, de atitude ética, trabalham incansavelmente para que não se perpetue hegemonicamente uma ilusão, mas trazendo a tona a verdade por trás das ações ignóbeis e assim mantendo a luz da coerência acesa.
Tenho uma dúvida em relação a externalidade no ANCAP:
Suponhamos, por exemplo, que eu venda minha casa para um fazendeiro de vespa amador. Só ele não é um fazendeiro de vespas muito bom, então suas vespas geralmente se soltam e picam pessoas em todo o bairro a cada dois dias.
Este comércio entre o agricultor de vespas e eu beneficiou os dois, mas prejudicou as pessoas que não foram consultadas; ou seja, meus vizinhos, que agora estão trancados para dentro de garrafas de latas de repelente de insetos de resistência industrial. Embora o comércio fosse voluntário tanto para o agricultor de vespas quanto para mim, não era voluntário para meus vizinhos.
Outro exemplo de externalidades seria uma fábrica de widgets que produz substâncias químicas cancerígenas no ar. Quando troco com a fábrica de widgets, estou me beneficiando – eu recebo widgets – e eles estão se beneficiando – ganham dinheiro. Mas as pessoas que respiram os produtos químicos cancerígenos não foram consultadas no comércio.
Você pode, por exemplo, recusar-se a se mudar para qualquer bairro, a menos que todos na cidade tenham assinado um contrato concordando em não levantar vespas em sua propriedade.
Mas fazer com que cada pessoa em uma cidade de milhares de pessoas para assinar um contrato toda vez que você pensa em algo que você quer ser banido pode ser um pouco difícil. Mais provável, você gostaria que todos na cidade concordassem unanimemente com um contrato dizendo que certas coisas, que poderiam ser decididas por algum procedimento que exigisse menos de unanimidade, poderiam ser banidas do bairro – como o conceito existente de associações de bairro.
Mas convencer cada pessoa em uma cidade de milhares para se juntar à associação do bairro seria quase impossível, e tudo o que seria necessário seria uma única parada que começa a levantar vespas e todo seu trabalho é inútil. Melhor, talvez, começar uma nova cidade em sua própria terra com um acordo pré-existente que, antes de permitir que você se mova, você deve pertencer à associação e seguir suas regras. Você poderia até mesmo cobrar taxas dos membros deste acordo para ajudar a pagar as pessoas que você precisaria para impô-lo.
Mas, neste caso, você não está chegando com uma maneira libertária inteligente em torno do governo, você está apenas reinventando o conceito de governo. Não há diferença entre uma cidade onde morar, você tem que concordar em seguir determinados termos decididos pelos membros da associação após algum procedimento, pagamento e sofrer as consequências se você infringir as regras – e uma cidade comum com um governo cívico regular.
Tanto quanto eu sei, não há uma maneira livre de lacunas para proteger uma comunidade contra externalidades além do governo e coisas que são funcionalmente idênticas a ela.
E sobre esse outro exemplo tirado de um artigo criticando o ANCAP:
” crença libertária normal é que é desnecessário que o governo regule as práticas comerciais éticas. Afinal, se as pessoas se opõem a algo que uma empresa está fazendo, eles boicotarão esse negócio, incentivando o negócio a mudar seus caminhos ou levando-os a uma falência bem merecida. E se as pessoas não se opõem, então não há problema e o governo não deve intervir.
Uma análise minuciosa dos problemas de coordenação derruba esse argumento. Digamos que o Wanda’s Widgets possui um milhão de clientes. Cada cliente paga US $ 100 por ano, para uma receita total de US $ 100 milhões. Cada cliente prefere Wanda para o concorrente Wayland, que cobra US $ 150 por widgets de igual qualidade. Agora, digamos que o Wanda’s Widgets faz um ato indizivelmente horrível, o que o torna US $ 10 milhões por ano, mas ofende cada um de seus milhões de clientes.
There is no incentive for a single customer to boycott Wanda's Widgets. After all, that customer's boycott will cost the customer $50 (she will have to switch to Wayland) and make an insignificant difference to Wanda (who is still earning $99,999,900 of her original hundred million). The customer takes significant inconvenience, and Wanda neither cares nor stops doing her unspeakably horrible act (after all, it's giving her $10 million per year, and only losing her $100).
A única razão pela qual os interesses dos clientes boicotar seria se ela acreditasse que mais de cem mil outros clientes se juntariam a ela. Nesse caso, o boicote custaria a Wanda mais do que os US $ 10 milhões que ganharia de seu ato incrivelmente horrível, e agora está em seu próprio interesse parar de cometer o ato. No entanto, a menos que cada boicote acredite que 99,999 outros se juntarão a ela, ela se incomoda com nenhum benefício.
Além disso, se um cliente ofendido pelas ações da Wanda acredita que 100.000 outros boicotarão Wanda, então é do interesse do cliente “desfazer” o boicote e comprar produtos da Wanda. Afinal, o cliente perderá dinheiro se ela comprar os widgets mais caros de Wayland, e isso é desnecessário – os outros 100.000 boicotes mudarão a mente de Wanda com ou sem a participação dela.
Isso sugere uma “falha no mercado” dos boicotes, o que parece confirmado pela experiência. Sabemos que, apesar de muitas empresas fazerem coisas muito controversas, houve muitos boicotes bem sucedidos. Na verdade, poucos boicotes, bem sucedidos ou não, já fizeram as novidades, e o número de boicotes bem-sucedidos parece muito menor do que a indignação expressa nas ações das empresas.
A existência de regulamentação governamental resolve este problema bem. Se> 51% das pessoas não concordam com o ato indizivelmente horrível de Wanda, eles não precisam perder tempo e dinheiro adivinhar quantos deles se juntarão a um boicote, e eles não precisam se preocupar com a incapacidade de recrutar desertores suficientes para atingir a massa crítica. Eles simplesmente votaram para aprovar uma lei que proíbe a ação.”
Obrigado e forte Abraço
Alguém avisa esse capital imoral que neoliberalismo é uma invenção da esquerda atrasada que precisa de um inimigo fins de justificar a lógica indemonstravel do sistema falido por eles defendido. Enquanto perdemos tempo discutindo essa insanidade intelectual chamada socialismo, outros países estão nos deixando comendo poeira.
São vocês os neoliberais que querem privatizar as praias? Absurdo! Vocês não têm limites, extremistas.
Boa noite a todos,
Tamanha a minha surpresa ao perceber que o tema deste texto é o mesmo que me motivou a escrever 20 páginas, formatar como um livro e colocá-lo na Amazon.
De fato, essa farra não pode continuar e segue a minha forma de fazer isso.
https://www.amazon.com.br/dp/B076RB46FP/ref=sr_1_7?s=digital-text&ie=UTF8&qid=1508982242&sr=1-7&keywords=6+passos
Excelente post IMB! Se eu fiz esse livro, foi graças aos ensinamentos de vocês.
Saudações
Por que bilionários investem em grupos socialistas?
http://www.ilisp.org/noticias/midia-ninja-confirma-que-e-financiada-pelo-bilionario-george-soros-para-ser-midia-livre/
não faz diferença nenhuma se o seu dinheiro é gastado por você ou por um politico que o desviou,o dinheiro não desapareceu,melhor assim desviado pelo menos ta sendo gasto pelo indivíduo e não por um estado ineficiente,um exemplo,aqui na minha cidade um prefeito desviou muito e construiu um prédio magnifico o qual agora é alugado para comércios e lojas da região,ou seja isso é um investimento muito melhor que qualquer investimento que poderia ser feito pelo governo,querem por culpa de tudo na corrupção,como se o dinheiro obtido com ela fosse apagado do mapa.
Um importante motor da recuperação continua sendo as condições de financiamento muito favoráveis que as empresas e as famílias encontram, que por sua vez são fortemente dependentes das nossas medidas de política monetária”, disse Draghi.
Que merda velho, as vezes fico pensando se é de proposito isso aí. É pura ganância por poder e querer controlar a vida das pesssoas.
É muito bom o artigo, com um bom ponto.
Porém, eu acho que advertências ao gasto e ao endividamento do governo funcionam melhor se pensarmos egoísticamente e analisar os efeitos do déficit orçamentário unicamente aqui entre nós mesmos, sem nos preocuparmos com outras gerações. Sejam elas as futuras ou as passadas, ressalto.
Além de que, dessa forma, nós podemos ver completamente, e não somente vislumbrar, as consequências negativas do gasto e déficit do governo. É bem mais prático. É só olhar o nível do déficit de hoje e suas projeções, e perceber o mal-estar que ele gera. Então, cairia uma análise dos últimos trinta anos, a partir da Constituição cidadã que “nós” lutamos tanto para aprovar, quando “nós” escolhemos a garantia dos direitos sociais em detrimento das liberdades individuais, etc., e de como a escolha desse caminho contribuiu para coisas como a recente recessão (no que ela foi a pior da história do país), o alto nível de desemprego, a baixa produtividade e a baixa criação de riqueza. E comparar esses dados com de outros países que por serem menos intervencionistas, por exemplo, seus períodos de encolhimento da economia sao muito mais leves, rápidos ou ocorrem entre espaços de tempo muito mais longos.
Divaguei um pouco, mas é porque sou uma pessoa imoral, então não me comove muito o fardo das gerações futuras. Me incomoda mais a festa que estamos dando hoje que, nem de longe, é boa.
Uau, esses artigos do Mises são incrivelmente didáticos. Um leigo consegue entender e adentrar em assuntos econômicos espinhosos sem trauma.
Parabéns
Fala Leandro, beleza! É o seguinte, a texto concluiu:
“Esta geração como um todo estará mais pobre em decorrência da festança que as pessoas de 2017 deram. O que ocorre é que alguns (os portadores dos títulos do Tesouro) estarão menos pobres que outros (os pagadores de impostos).”
Ou seja, o ‘equivalente intertemporal’ não existe, é um mito: as pessoas não pouparão o suficiente para compensar, totalmente, o que está registrado na face do bônus emitido! Então quer dizer que o ‘Teorema De Barro-Ricardo Acerca Da Dívida Pública’ não funciona!? Há toda uma construção otimizadora, usando o ‘Modelo Do Consumo Intertemporal – Com o Governo na Jogada! (…) E ela não funciona!? Confesso que estou com a ‘pulga atrás da orelha’ (…)
Tem pessoas que reclamam que o prefeito da minha cidade não faz nada além de cortar grama, e eu digo que as vez o melhor é não fazer nada e esperar. Elas não gostam muito kkk.
Amcap é utopia, apenas esqueça isso, é a mesma coisa que ficar discutindo sobre Arcanjo e Querubim.
Esses gastos do Estado desafiam as leis da Física, são como o moto perpétuo!
Como conseguem continuar pagando dívidas antigas com dívidas novas em montantes cada vez maiores e ainda sobrar dinheiro para alguma atividade estatal e para a corrupção?
* * *
Um governo soberano que detém o monopólio sobre sua própria moeda fiat e opera em regime de câmbio flutuante tem capacidade virtualmente ilimitada de gastos e não necessita previamente recolher impostos ou tomar dinheiro emprestado para gastar. Quando o governo gasta ele cria dinheiro e quando ele recolhe impostos ele cancela dinheiro.
A capacidade de criar dinheiro se aplica apenas ao governo federal, que detém o monopólio sobre a emissão de Reais. Estados e municípios assim como empresas e domicílios são usuários do dinheiro e, portanto, só podem gastar mais do que arrecadam se contraírem dívida. Os bancos são uma entidade especial pois criam dinheiro quando concedem crédito.
O governo efetua gastos simplesmente adicionando valores a contas bancárias. São apenas dígitos eletrônicos. Não há necessidade de obter estes valores de ninguém antes de adicioná-los. Ao efetuar gastos o governo simplesmente aumenta os saldos bancários dos destinatários, criando dinheiro do nada. De forma análoga, impostos correspondem a dinheiro que é retirado de circulação. O dinheiro é "cancelado" quando o imposto é recolhido.
Quando o volume de impostos recolhidos é maior que os gastos, ocorre um superávit no governo. E quando o gastos excedem os impostos ocorre um déficit no governo.
Déficits do governo são normais. Déficits do governo correspondem a aumento do saldo financeiro líquido do setor privado na mesma proporção. Ou seja, há mais dinheiro disponível no setor privado para poupança e para investimentos. O tamanho do déficit vai depender do crescimento econômico, da situação das contas externas e da disponibilidade de recursos físicos e capacidade de produção de bens e serviços da economia. Aumentar o déficit numa economia no limite da sua capacidade pode gerar inflação.
Você já parou para pensar no que ocorre com o setor privado quando o governo tem um superávit? Se o governo tem um superávit, alguém tem que ter um déficit do mesmo valor. Esse alguém é o setor privado (que inclui o setor externo). E isto é uma identidade contábil. Ou seja, é sempre verdade. Se o governo gastar 100 e recolher 110 quanto sobra de saldo financeiro líquido do setor privado? -10. Ou seja, se o governo tem um superávit o setor privado tem que se endividar. O Brasil, por manter historicamente um superávit de conta corrente, pode sustentar algum superávit do governo, dependendo do crescimento. Em países importadores é necessário manter um déficit sob pena de gerar uma recessão. Os EUA em toda sua história manteve apenas uns poucos períodos curtos de superávit.
O governo não toma crédito junto ao setor privado pois não tem necessidade de fazê-lo. Como o governo cria dinheiro quanto efetua gastos, não necessita tomar emprestado o dinheiro que ele próprio emite. Faz sentido tomar dinheiro emprestado de si mesmo? O emprego da palavra "dívida" ao fazer referência a títulos do tesouro gera apenas confusão.
Os títulos do governo existem como instrumento de política monetária e fiscal. Servem de instrumento para estabelecer a taxa de juros vigente. Também servem de instrumento para poupança daqueles que buscam uma opção de baixo risco.
O que chamamos de "dívida pública" interna são títulos públicos de posse do setor privado e do próprio setor público. É uma parte importante da poupança nacional. Pense por um instante. Se a "dívida pública" aumentar de 1 trilhão de reais para 2 trilhões de reais de onde surgiu esse dinheiro que permitiu aos detentores dos títulos comprá-los? Estes títulos só podem ser adquiridos com dinheiro já criado por gastos efetuados anteriormente pelo governo. Ou seja, a afirmação de que o governo precisa tomar emprestado da sociedade dinheiro para financiar seus gastos não tem sentido.
Outro mito é o de que sobrará menos crédito para o setor privado. Dinheiro para financiar empreendimentos é obtido junto aos bancos comerciais, que criam dinheiro do nada ao conceder crédito. Ou advém de poupança. Ou da própria capacidade de gerar lucros de uma empresa. A decisão de qual fonte de recursos usar para investimentos vai depender do retorno esperado do investimento, da taxa de juros vigente, de aspectos tributários dentre outros fatores.
Afirmar que o governo tem de pagar juros altos por conta do seu "endividamento" é outro mito. Taxa de juros tem relação com política monetária, especialmente com combate à inflação. O Banco Central coloca a taxa básica de juros onde ele quiser, através de operações de mercado. E os juros altos que você paga, que incluem o spread, dependem de vários fatores, entre eles a competitividade entre os bancos, os níveis de inadimplência, as garantias dadas ao banco e seu próprio histórico de credito. Na realidade quando o governo efetua gastos ele pressiona a taxa de juros para baixo. É necessária uma atuação coordenada entre Tesouro e Banco Central para manter a taxa de juros na meta.
E a dívida dos nossos netos? É dívida ou poupança? Quando alguém adquire um título do governo ocorre uma troca de depósitos a vista para uma conta de poupança. No vencimento esta troca é desfeita e o governo credita o rendimento da mesma forma como faz qualquer pagamento. A temida "dívida pública" é predominantemente poupança do setor privado. O que afeta a riqueza dos nossos netos é a futura capacidade da economia de produzir os recursos físicos, produtos e serviços que atendam as suas necessidades. Boa parte desta riqueza depende de investimentos feitos no presente.
Isso significa que o governo deve gastar sem limites? Significa que o governo é eficiente? Claro que não. É indiscutível que o estado brasileiro precisa de um choque profundo de gestão em todas suas dimensões: redução do tamanho, eliminação da corrupção e dos privilégios, melhoria da qualidade dos serviços e criação de um ambiente que favoreça a atividade empreendedora incluindo redução da burocracia, redução dos impostos, a estabilidade da moeda e a proteção à propriedade privada.
O governo, pela própria capacidade de criar dinheiro do nada ao efetuar seus gastos, tem enorme poder. Cabe a sociedade criar as instituições e os mecanismos necessários para assegurar que o governo efetue seus gastos com responsabilidade. E o Brasil tem um enorme dever de casa. Isso inclui a discussão do próprio tamanho do governo. Mas esta discussão é política.
Muito bom texto.
No final das contas, este arranjo desenhado é imoral e apenas os libertários insistem em dizer que “o rei está nu”.