No início da semana passada, o governo Trump
anunciou sua proposta orçamentária para 2018. [Nos EUA, o presidente eleito só assume o controle do orçamento a partir
de seu segundo ano].
Em si, a proposta orçamentária possui três características:
apresenta genuínos cortes em
muitos programas governamentais; traz aumentos
no irracional orçamento bélico americano; e, no geral, traz aumentos
significativos nos gastos governamentais em relação aos níveis atuais.
No geral, os gastos do governo aumentariam 16% de
2016 a 2020. (Ver
página 35). Na prática, isso significa que os gastos totais do governo
americano subiriam dos atuais US$ 3,8 trilhões para US$ 4,4 trilhões em 2020.
A grande polêmica, como sempre, ficou a cargo da
mídia. “Corte
de US$ 800 bilhões no Medicaid“, trombeteava uma manchete na CNN. [O Medicaid é um programa financiado
conjuntamente por estados e pelo governo federal, que reembolsa hospitais e
médicos que fornecem tratamento a pessoas que não podem financiar suas próprias
despesas médicas].
Só que não há absolutamente nenhum corte. Os gastos
com o Medicaid irão aumentar 19% de
2016 a 2020, subindo de US$ 368 bilhões para US$ 439 bilhões. (Ver
página 35). O que a mídia chama de “corte de gastos” nada mais é do que um aumento de gastos menor que o anteriormente previsto. Anteriormente, a proposta
previa um aumento de 23% no Medicaid de 2016 a 2020. Agora, “apenas” 19%.
Por outro lado, a proposta inicial previa um aumento
de 9,4% nos gastos militares. Com a nova proposta, os aumentos serão de 14,5%.
Tal proposta orçamentária — e este é o seu aspecto
mais significativo — tem zero chance de ser aprovada em Washington. Tão logo
os detalhes acima surgiram, a proposta foi pronta e impiedosamente atacada por toda
uma rede de comentaristas, think tanks
e políticos. E foi atacada não porque não fazia nada para abordar o problema da
crescente e já explosiva dívida americana, mas sim por promover uma “extrema
austeridade”. O fato de os gastos com o Medicaid estarem crescendo menos que o
esperado foi considerado “radical“.
O prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio, afirmou que tais “cortes” irão
literalmente
matar crianças.
Já entre os neoconservadores, a gritaria foi que
Trump ainda não
estava gastando o bastante com guerras.
Consequentemente, tanto os republicanos na Câmara
quanto no Senado
deixaram claro que não estão interessados na proposta de Trump de criar uma “Nova
Fundação para a Grandeza Americana” (que é como
foi batizada sua proposta orçamentária).
Apesar das óbvias falhas na proposta orçamentária de
Trump, é difícil não simpatizar com seu Diretor de Gestão Orçamentária, Mick Mulvaney. Ao defender
os “cortes” propostos, ele
disse ao Congresso:
Este
é um documento moral, e eis o seu lado moral: se eu pego dinheiro de você com a
intenção de jamais devolvê-lo, isso não é dívida; isso é roubo. Já se eu pego
dinheiro de você e mostro como irei pagá-lo de volta, isso sim é dívida.
Isso faz sentido no mundo real, mas não para um governo
que, já há um bom tempo, não tem de se preocupar em pagar suas dívidas. Ao controlarem a moeda que é a moeda internacional de troca e a reserva mundial de valor, e ao
criarem vários programas e gastos que não estão contabilizados — como, por
exemplo, todos os gastos futuros com a Seguridade Social [algo idêntico ocorre no Brasil] –, os políticos americanos já mostraram dominar a arte de “empurrar tudo com a
barriga”.
Obviamente, isso não tem como durar para sempre. Em qualquer
arranjo sensato e sujeito às leis, perdulários são punidos. O resto do mundo
sabe que os EUA jamais colocarão ordem em sua bagunça fiscal. Nenhum padrão sensato
de contabilidade jamais permitiria que um governo mantivesse trilhões de dólares
em promessas assistenciais fora de sua contabilidade oficial.
Estima-se que a dívida total do governo americano,
quando se contabilizam todos os gastos futuros com a Seguridade Social para os
quais não há receitas previstas,
seja de incríveis US$ 200 trilhões.
Se pensarmos nestes números racionalmente, os
credores já deveriam ter tirado o governo americano de sua lista completamente.
Ou, no mínimo, já deveriam estar pedindo juros de países de terceiro mundo. Apenas
um corte de gastos profundo e totalmente sem precedentes — incluindo vários
itens da Seguridade Social — em conjunto com um maciço programa de vendas de
ativos federais poderia trazer algum alívio. Mas o Congresso não fará nada
disso.
Já passamos, há muito, de qualquer viabilidade das soluções
políticas.
É exatamente por isso que, como já repetidas
vezes observado,
a coisa mais presciente dita por Trump em sua campanha eleitoral foi a sugestão
de que os EUA iriam
acabar dando o calote em sua dívida. Sim, os EUA irão dar o calote, como já
foi feito antes, em quatro ocasiões
(quando as dívidas foram monetizadas, suspensas ou simplesmente rechaçadas). A única
questão é quando e como.
Porém, antes de chegaram a este ponto extremo
(calote sobre os títulos da dívida), haverá calotes sobre aqueles grupos que têm menos poder político
(aposentados, pensionistas, dependentes de assistencialismo). Esses terão
cortes em seus proventos. E, ainda disso ainda haverá cortes na saúde, na
educação e em vários outros repasses. A redução no aumento dos gastos do
Medicaid já é um primeiro passo desta irreversível tendência.
Bitcoin
Tudo isso talvez esteja exercendo um papel
proeminente na crescente valorização do Bitcoin e de outras cripto-moedas. Somente
o Bitcoin já se apreciou 128% apenas neste ano de 2017. Terminou 2016 cotado a US$
967 e hoje já vale mais de US$ 2.200.
Moedas alternativas, afinal de contas, têm as mesmas
vantagens do ouro e de outras moedas não-fiduciárias: são livres de manipulações
governamentais e livres da intervenção de governos e bancos centrais cada vez
mais insanos.
Com efeito, nos últimos anos, já se tornou um padrão
comportamental ver as pessoas correrem para o Bitcoin sempre que há uma crise
em alguma moeda.
Por exemplo, quando o governo da Índia aboliu o
uso das cédulas de maior valor nominal, a demanda por cripto-moedas explodiu
naquele país. Na Grécia, no auge da crise, o Bitcoin serviu de refúgio
para o povo grego, impossibilitado de transferir dinheiro ao exterior e
refém de um possível confisco. Similarmente, à medida que o país foi entrando
em hiperinflação, o
apelo do Bitcoin aumentou sensivelmente na Venezuela.
É também possível que as taxas de juros negativas
impostas pelo Banco Central do Japão tenham tido um papel fundamental em fazer
com que o
uso do Bitcoin naquele país tenha se tornado tão comum, que o país agora aceita
a cripto-moeda como forma de pagamento legal.
Embora seja difícil imaginar quanto deste extraordinário
aumento no valor do Bitcoin é resultado de fundamentos econômicos — e quanto é
resultado de pura especulação –, o fato é que vivemos hoje em um mundo com
governos afundados em dívidas. Ainda na semana passada, a Moody’s
rebaixou a nota dos títulos da dívida da China pela primeira vez em décadas,
pois a dívida do governo está crescendo aceleradamente e sem muito aparente
controle.
Dadas todas essas realidades, e a óbvia falta de
coragem da parte dos políticos para abordar todos esses problemas fiscais e
impopulares, é fácil entender por que as cripto-moedas estão se tornando cada
vez mais atraentes.
Talvez já tenhamos passado do ponto em que as soluções
políticas ainda eram viáveis. Mas ainda não passamos do ponto das soluções de
mercado.
CÂMARA DOS DEPUTADOS ANALISA REGULAR MOEDAS VIRTUAIS
Amigos, me tirem uma dúvida… Essa valorização absurda do Bitcoin não poderia se tornar um empecilho para que países mais pobres adquirissem a moeda ?
Dando uma viajada aqui, se a moeda por exemplo chegar num patamar tipo 1 bitcoin = 1 milhão de dólares, quais são os possíveis cenários para os usuários da criptomoeda ??
Quando li “redução no aumento dos gastos” quase não entendi.
Parece que todas as vertentes políticas dos EUA querem que o país vire uma União Soviética, com o Governo decidindo tudo para todos…..
Pelo visto o mundo tem que entrar em colapso total primeiro para o pessoal se aperceber das maluquices que estão fazendo.
Se até a Dilmacoin valorizou, então a situação tá mais braba do que se imagina.
https://dilmacoin-criptomoeda.rhcloud.com/
Crypto-moedas são excelentes meios de troca, mas bom mesmo me parece ser a solução de pgtos recentemente oferecida pela canadense http://www.goldmoney.com (da qual até o Peter Schiff virou sócio), onde é possível comprar ouro físico totalmente alocado (i.e. “off-balance sheet”) e transferi-lo sem custo entre seus usuários em quantias tão ínfimas quanto 1 mg, podendo resgatá-lo em barras de 1 kg ou em moedas.
O ágio é alto p/ aquisições diretamente em reais, mas a guarda em cofres da Brinks (por enquanto em 7 cidades mundo afora) é isenta de tarifas p/ até 1 kg do metal, sendo que na Bovespa a corretagem e a custódia são bastante caras, superando após o 4º ano os gastos extras incorridos nas compras através daquela empresa estrangeira.
Quem sabe um dia até o IMB resolve disponibilizar este meio p/ doações… 😉
Alguém traduz o que o Ciro Gomes quis dizer com isso? kkkkk
https://www.youtube.com/watch?v=n7I8z1dlHi4
Hahaha. Não há como regular. Boa sorte a eles.
Não só BTC como outras altcoins também estão valorizando.
Não só BTC como outras altcoins também estão valorizando.
Off topic…
Por gentileza, alguém sabe quais organizações paralelas foram usadas no nazismo e no comunismo ?
Eu acho que o nazismo seria impossível de ser implementado sem a ajuda de jornais, sindicatos, ONGs, etc. Acho difícil eles terem conseguido apenas com a propaganda do Goebels.
Os comunistas sempre usaram guerrilha armada, mas agora estão usando a mesma estratégia do nazismo.
O próprio Lula usa uma estratégia do Hitler, que é turbinar a autoestima do povo. Quando eles dizem que pobre pode andar de avião, frequentar universidade, etc, ele está fazendo o mesmo jogo do Hitler.
O próprio abandono da luta armada mostra isso. Os comunistas estão usando as mesmas estratégias do nazismo, que é aumentar a autoestima e fazer doutrinação.
A verdade é que quando a mídia ataca algo, via de regra, é porque esse algo está indo contra os interesses dos globalistas.
As decisões tomadas pelos governantes poucas vezes priorizam uma lógica econômica, e, menos ainda, se traduzem em incentivo a livre iniciativa / liberalismo econômico.
O mundo hoje é dominado por psicopatas no poder.
“Ao criar o Bitcoin, Nakamoto descentralizou o fator-chave "confiança" e o devolveu às mãos das pessoas comuns. Agora, elas precisam apenas lembrar que por trás de tudo há somente um protocolo cuja violação será rejeitada por todos participantes. Satoshi Nakamoto as livrou do fardo imposto por uma elite financeira auto-outorgada regente da economia mundial e as ofereceu a possibilidade de transacionarem em um sistema monetário justo, algo do qual elas não desfrutam hoje e tampouco notam a falta.”
https://descentraliza.com.br/2017/05/29/introducao-ao-bitcoin/
E no Brasil, da pra confiar em títulos públicos como poupança de longo prazo?
“O que a mídia chama de “corte de gastos” nada mais é do que um aumento de gastos menor que o anteriormente previsto.”
Uau! Chegamos ao ponto em que “austeridade” significa só “reduzir a velocidade do endividamento constante” – e mesmo {apenas isso} ainda assim é criticado!
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