Morreu, no dia 20 de março de 2017, o bilionário
David Rockefeller. Ele era o último neto vivo do magnata John D.
Rockefeller, fundador da Standard
Oil. Tinha 101 anos de idade.
Por ocasião de sua morte, a revista The Atlantic fez uma excelente
reportagem descrevendo como eram as condições de vida nos EUA em 1915, ano
em que David Rockefeller nasceu. Tomando por base o padrão de vida usufruído
por uma pessoa de classe média hoje, as condições de vida há 100 anos, mesmo para um magnata, eram sombrias,
extenuantes, perigosas e, por que não?, pobres.
(Para você ter uma ideia, em 1924, o filho de 16
anos do então presidente americano Calvin Coolidge faleceu
em decorrência de uma bolha infeccionada em seu dedo do pé, machucado este que
ele adquiriu ao jogar tênis no jardim da Casa Branca.)
Com isso em mente, eis uma pergunta que eu sempre
faço em várias ocasiões, e que sempre gera reações controversas em meus
interlocutores: qual seria a quantidade mínima de dinheiro que você exigiria
para abrir mão de tudo o que você tem hoje, voltar no tempo e viver a vida de
John D. Rockefeller em 1915?
Ou, colocando de outra maneira, se você vivesse em
1915 com um bilhão de dólares em sua conta bancária, você
acha que teria o mesmo conforto e o mesmo padrão de vida que você tem
hoje, com sua renda atual? Você acha que esta volumosa quantia de dinheiro
seria capaz de garantir a você, em 1915, bens e serviços de alta qualidade, de
modo a fazer com que você seja indiferente entre manter sua vida hoje, em 2017,
ou viver como um Rockefeller em 1915?
Pense bem. Sem pressa. E com cuidado.
Comecemos
pelo lado mais ameno e menos importante
Se você fosse um bilionário americano em 1915, você
poderia, obviamente, adquirir imóveis de primeira. Você poderia ter um
apartamente na Quinta Avenida, em Nova York, ou uma casa de praia em frente ao
Oceano Pacífico, em Los Angeles, ou mesmo ter a sua própria ilha tropical em
qualquer lugar do mundo (ou ter os três ao mesmo tempo).
Mas, quando você fosse viajar de Manhattan para a
Califórnia, você levaria dias (em seu trem particular) e teria de atravessar
vários terrenos inóspitos, sem muita opção de lugar para pernoite e sem a
certeza de que haverá restaurantes no caminho (ou seja, você teria de separar
quilos de comida apenas para a sua viagem de dias). E, se essa viagem fosse
feita durante os escaldantes meses de verão, você não teria ar condicionado em
seu vagão. Muito menos teria qualquer opção de entretenimento a bordo.
E, embora você talvez
tivesse ar condicionado em sua casa em Nova York, vários dos locais aos quais
você iria — escritórios, restaurantes, cinema, teatro — não teriam este luxo.
E, no rigoroso inverno, praticamente não haveria calefação.
Viajar para a Europa levaria, provavelmente, mais de
uma semana. Para ir além da
Europa, várias semanas.
Quer enviar com urgência uma encomenda de Nova York
para Los Angeles em apenas um dia? Lamento. Impossível.
Você também não poderia nem ouvir rádio (a primeira
transmissão de rádio só ocorreu em 1920) e nem ver televisão (só a partir de
1935). Você, no entanto, poderia ter uma vitrola
de última geração. (Não era estéreo, porém. E creio que mesmo os atuais
adoradores do vinil iriam preferir ouvir música de um CD à musica tocada por
uma vitrola de 1915). Obviamente, você não poderia baixar na internet as músicas
que quisesse.
Também não havia muitas opções de filmes aos quais
assistir. Você poderia, de fato, construir sua própria sala de cinema em sua
mansão, mas não haveria muito material a ser visto. E, caso conseguisse que
algum estúdio de Hollywood vendesse para você alguma película, esta seria muda
e em preto e branco. (Hoje, você pode baixar gratuitamente vários filmes pela internet,
ou mesmo pagar Netflix ou Amazon Prime para ter acesso a outros filmes e séries).
Você teria um telefone, mas ele seria fixado à
parede. (Não, você não teria nem Skype e nem chamadas via WhatsApp).
Você também teria uma limusine de luxo (ou o equivalente da época), mas as
chances de ela quebrar durante um passeio pela cidade (com motorista) seriam
muito maiores que as chances de o seu carro atual enguiçar quando você está
indo para a academia de ginástica, para o cinema, ou para a aula de ioga. E,
com a limusine enguiçada, você pacientemente teria de esperar, no banco
traseiro, o seu chofer tentar consertar a máquina de improviso, sem poder
telefonar ou mandar mensagem para ninguém avisando que irá se atrasar para um
eventual compromisso.
Mesmo quando estivesse em sua residência em
Manhattan, se você fosse acometido de um súbito desejo por uma culinária mais
específica, como comida tailandesa, vietnamita ou do Oriente Médio, você
estaria sem sorte: é improvável que seu chef
tivesse a mais mínima ideia de como fazer isso. Nem mesmo havia restaurantes
com essas opções em Nova York.
E, ainda que você tivesse o dinheiro para, no
inverno de 1915, abastecer sua despensa em Nova York com frutas, mesmo para um
bilionário como você tal extravagância não valeria a pena. A logística
necessária para fazer com que as frutas chegassem a Nova York ainda frescas
seria cara demais.
Sua conexão wi-fi seria dolorosamente lenta — opa,
espera: não existia isso. Mas, pouco importa, pois você nem sequer teria um
computador (ou um smartphone ou um tablet) e uma internet.
Você, de fato, poderia comprar todos os livros,
enciclopédias e jornais científicos da época, bem como todas as revistas
semanárias e jornais diários. (Haveria muita dificuldade para guardar todos
eles, mas isso é o de menos.) No entanto, o seu acesso à informação, mesmo você
sendo um bilionário, dificilmente seria maior e melhor que o acesso que
qualquer cidadão munido de um smartphone e uma conexão à internet possui hoje.
Para começar, você não teria acesso instantâneo às
notícias. Estas chegariam a você, na melhor das hipóteses, com um dia de
atraso. Se fosse um evento ocorrido na Europa, a informação poderia vir com
mais de uma semana de atraso. Adicionalmente, você não teria nada sob demanda. (Hoje,
ao simples deslizar de um dedo, você tem acesso a toda e qualquer informação
que queira, bem como a milhares de livros e filmes que podem ser
lidos e vistos a qualquer momento. Pode também assistir, gratuitamente, a
vários telejornais.)
Você poderia comprar o mais chique e refinado
relógio suíço da época, mas mesmo ele não conseguiria manter as horas de
maneira tão acurada como faz qualquer relógio barato de hoje (isso sem nem
mencionar o relógio do seu smartphone, que está sempre atualizado).
Coisas
mais sérias e graves
Mesmo a melhor e mais avançada medicina da época era
horrível para os padrões de hoje: tudo era muito mais doloroso e muito menos
eficaz (lembre-se do jovem filho do presidente Coolidge). Antibióticos simplesmente não estavam disponíveis.
Disfunção erétil? Distúrbio bipolar? Aprenda a viver com
isso. Essa era a única opção.
A mulher tinha muito mais chances de morrer durante
o trabalho de parto. E o bebê, muito mais chances de não sobreviver após o
parto. Mesmo tendo sobrevivido ao parto, a criança tinha muito menos chances de
sobreviver à infância, uma vez que a cura para as várias doenças infantis ainda
não havia sido descoberta. Paralisia infantil, tuberculose, difteria, tétano,
coqueluche, meningite, pneumonia, rubéola, sarampo, varicela, hepatite etc. —
tudo isso poderia levar à morte prematura de uma criança.
(Atualmente, não apenas a mortalidade infantil
despencou em decorrência da invenção de remédios e vacinas para todas as
doenças acima, como ainda fetos com problemas pulmonares recebem uma injeção
intra-uterina e o problema é resolvido instantaneamente. Nos últimos 100 anos,
a expectativa de vida aumentou 36 anos.)
Igualmente, por mais que você adorasse o seu labrador,
a sua riqueza não seria capaz de comprar para ele todos os cuidados
veterinários que hoje são rotina em todos os lares que possuem um cachorro. Ele
não viveria muito.
Você poderia pagar um bom dentista, mas os serviços
que ele seria capaz de fazer não eram nada invejáveis pelos padrões de hoje. E
eram extremamente dolorosos. Ademais, a escova de dentes como conhecemos só surgiu em 1938. (Você
poderia, no entanto, comprar as melhores dentaduras da época tão logo seus
dentes apodrecessem e caíssem).
Se suas vistas ficassem ruins, o máximo que você
poderia fazer seria contratar um bom oftalmologista para lhe fazer óculos. Tem catarata ou glaucoma? Que
azar. Apenas se acostume com isso. (Hoje, você cura a sua catarata com um laser
pela manhã e, à tarde, já sai do hospital e volta para casa.)
Métodos anticoncepcionais eram primitivos: não
apenas eram bem menos confiáveis e eficazes, como também reduziam quase que por
completo o prazer. Nada comparável à eficácia dos vários, baratos e altamente
disponíveis métodos anticoncepcionais atuais.
Conclusão
Honestamente, eu não me sinto nem remotamente
tentado a abandonar 2017 e me tornar um bilionário em 1915. Isso significa que
eu, um simples professor universitário, sou hoje, pelos padrões de 1915, mais do que um bilionário. Significa que,
pelo menos dadas as minhas preferências, sou hoje materialmente mais rico que
John D. Rockefeller em 1915.
E se, como creio ser o caso, minhas preferências não
forem atípicas, então praticamente cada indivíduo de classe média é hoje mais
rico do que era o americano mais rico do país há 100 anos.
O que nos leva à grande constatação: todos esses
avanços materiais criados pelo capitalismo resultaram primordialmente no
benefício do cidadão comum. Essas conquistas disponibilizaram para as massas
confortos, luxos e conveniências que não foram usufruídos nem sequer pelos
bilionários de antigamente.
Uma porção desproporcional dos benefícios do capitalismo,
do livre mercado, da inovação, da invenção de novos produtos, do comércio e dos
avanços tecnológicos foi direcionada para o cidadão comum. E ainda há que vitupere tal arranjo.
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Leia
também:
O grande beneficiado pelo
capitalismo foi o cidadão comum, e não os ricos e poderosos
Nós não humanizamos o capitalismo; foi o capitalismo quem nos humanizou
O texto é bem interessante, mas uma mente esquerdista diria que esse progresso é fruto apenas do avanço cientifico e não do capitalismo (que na verdade, segundo a mente esquerdista, estaria limitando os beneficios desse avanço para a população)
1915, quase tudo que gosto já estava disponível nesta época e inclusive meu ramo de atuação.
Quando eu era criança, anos 80 e poucos, acho q era 85 a 89, não me lembro bem, eu assistia um anime chamado Macross. Eu me perguntava porque a Terra desenvolveu uma tecnologia voltada para a diversão enquanto que os Et’s tinham uma tecnologia militar. Eu até entendia porque os ET’s tinham uma tecnologia militar, mas eu ficava me perguntando porque nós eramos assim. Mas eu não sabia que existiam locais no mundo que se assemelhavam aos ET’s. Hoje eu entendo que o capitalismo é que produziu a tecnologia voltada para o entretenimento , o conforto e melhoria do padrão de vida. Por isso os países socialistas possuíam apenas tecnologia militar, mas nada para melhorar a vida das pessoas.
Adorei o texto! Faz a gente pensar em como nos evoluimos, em menos de 100 anos conseguimos coisas que seriam impensáveis!!!!! Graças ao grande capitalismo libertador! Só nao entende isso quem tem a mente muito confusa…
Galera fala assim “Ai mas se nem todo mundo pode ter um IPhone 7 de 4000 reais, então ninguém pode”. Mas se esquecem que um celular quantum, ou um blu, que tem preço acessível até para pobre, já é melhor do que um IPhone 4 p. ex. Qualquer celular moderno já é muito mais poderoso do que um server do tamanho de uma geladeira de 30 anos atrás. Realmente nem todo mundo pode ter uma masserati, uma ferrari ou um celular de última geração, mas se quiser ter, vai ter que desembolsar uma pequena fortuna. Não vejo problema nenhum.
Para voltar a 1915 é bem fácil: só ir até Havana e pedir cidadania
Para alguns a inveja corrói mais do que a pobreza. Com um bilhão em 1915 essa pessoa teria objetivamente menos recursos materiais, mas muito mais status.
Bem interessante o texto!
O que faz nos pensar em como o capitalismo trouxe todas essas vantagens e confortos até para os mais pobres e graças ao capitalismo. O que também nos faz pensar que os padrões de 1915 são quase o que se tem em Cuba nos dias de hoje (com exceção de sabão, vidro e outras “tecnologias” já abundantes em 1915)
"E se, como creio ser o caso, minhas preferências não forem atípicas, então praticamente cada indivíduo de classe média é hoje mais rico do que era o americano mais rico do país há 100 anos."
No entanto, de acordo com os panfletos intelectuais de esquerda, isso ainda não basta, pois os ricos continuam sendo mais ricos que a classe média e os pobres.
É muito mais importante xingar quem tem mais dinheiro do que trabalhar e produzir para melhorar o padrão de vida dos mais pobres.
Por algum motivo que me foge à compreensão, quem mais critica o capitalismo são aqueles que mais usufruem de suas benesses…
E de onde vieram todos estes avanços tecnológicos? De países capitalistas. Saíram de países capitalistas coisas como o cinema (mudo, sonoro e a cores), os antibióticos, as sulfas, as vacinas, etc.
Sobram dedos nas mãos, para o número de prêmios Nobel em medicina, dados a pessoas do mundo comunista, nos últimos 100 anos.
As cleptoditaduras marxistas só sabem produzir armas (Ak-47, mig-21, etc.) e porcarias tipo carros Lada e usina atômica de Chernobyl.
eu voltaria se pudesse levar comigo todo tipo de equipamento necessario, como um celular com o maior cartão micro SD de hoje, com o maximo de livros possiveis do maximo de areas possives, biologia, medicina, fisica e etc.
algo pra carregar a bateria do celular (q tb teria alguns jogos kkk) e conhecimento proprio pra n depender muito ddos livros e poder colocar mais livros de areas q n conheço.
Obrigado, capitalismo.
Por que o IMB insiste em chamar um bando de ladrões de “governo” ?
Por que não chamam essa turma de máfia ou quadrilha ? “Governo” de quê ?
A segurança do “governo” causou recordes de pessoas baleadas. Os hospitais do “governo” são recordistas em mortes. As escolas do “governo” são recordistas em analfabetismo.
Quem acredita em governo merece ser assaltado.
Eu, que tenho 41 anos, não gostaria de retornar 20 anos no tempo, imagine 100 rsrs
O caminho das pedras é câmbio a R$ 8,00 e SELIC a 2%, só não vê quem não quer.
Em matéria de desenvolvimento e riqueza com certeza batemos outros tempos. Mas em matéria de liberdade estamos perdendo, quem leu Bertrand de Jouvenel sabe bem que o que caracteriza a humanidade nos últimos 500 anos é o crescimento absurdo do Estado e a destruição das liberdades individuais. Qualquer democracia hoje é mais tirana que qualquer monarquia medieval, só parecem melhores porque o Estado hoje tem poder de esmagar sem dificuldades qualquer reação ao seu poder e possuem meios de roubar seus suditos que são mais sutis e suscitam menos reações violentas.
Agradeço imensamente ao capitalismo! Quanto aos empreendedores também lhes agradeço pelo capitalismo sim, mas acredito que o “capitalismo selvagem ” que observamos nas empresas, vai além dos maus salários, passa tbm pelas cargas horárias altas, alguns vão dizer: altas??? , trabalhamos 8 horas por dia!!! Gente é muito! Passamos um terço de nossas vidas trabalhando, sem contar o deslocamento nas grandes cidades… e nossa família? Nossos filhos? Cada um em casa com suas tecnologias, mas sozinhos, sem a companhia de seus pais, que trabalham cada dia mais para proporcionar a sua família o melhor que o capitalismo possa oferecer! Sou grato sim ao capitalismo, mas temos que evoluir agora na busca de tempo para formarmos cidadãos melhores para diminuirmos as drogas, criminalidade e tantas outros males que afetam nossa sociedade.
Você identificou o problema mas não busca a resolução. Você trabalha 8 horas por dia é para pagar contas, e boa parte delas não tem utilidade. Capitalismo é bom, mas em se tratando da tua renda mensal, pagar internet, TV a cabo, compra TV nova, geladeira nova, filhos na escola particular, shopping final de semana… é realmente necessário? Não é possível reduzir os gastos?
Você está trabalhando 8 horas por dia, se degastando. Isso tudo é para enriquecer. Mas enriquecer quem? O patrão, claro. Ninguém te obrigou a ser escravo de gente opressora. Você assinou um contrato de livre escola: CLT!
Largue esse emprego, ele não vale nada! Se você me disser que não tem escolha, pois trabalha para sustentar a família, aí que eu te digo para sair deste emprego, mais um motivo para buscar coisas melhores.
Todo dia tem gente ficando milionária no brasil (dados do IBGE). Gente superando as dificuldades. Sabe como? Empreendendo!
Saia do emprego, trabalhe focado para enriquecer, só que aqui será para você e não para patrão opressor.
O mais risível é que os esquerdistas apontam as condições mais difíceis de décadas e séculos anteriores (que o capitalismo melhorou) como se fossem causadas pelo capitalismo, ao mesmo tempo em que assumem o crédito por essas melhorias (sendo que na verdade eles sempre as obstruíram e atrasaram).
É difícil imaginar o quanto a situação seria melhor se não fosse o esquerdismo.
* * *
Quero o bilhão em 1915, sem dúvida alguma. Não teria a tecnologia e os bagulhinhos atuais, mas teria o mais importante: pessoas, muitas pessoas me servindo. Isso é qualidade de vida. Se machucar o pé e morrer, paciência. Afinal, hoje também é possível morrer de causas que no futuro serão facilmente solucionadas.
Concordo. Agora imagine o pobre de 100 anos atrás!!
Mas daria pra comer quem quisesse.
A afirmativa no subtítulo “Sim, você é hoje mais rico que um Rockefeller em 1915” é uma contingência, pois não pode ser verificada.
Explico:
Para ser verdadeira, todos os leitores do artigo devem se sentir mais ricos que um Rockefeller e todos os Rockefellers teriam que se sentir mais pobres que os leitores do artigo.
O valor de bens e serviços é subjetivo. Depende do uso e do grau de importância pessoal (subjetiva) que alguém confere a ele.
O próprio autor do texto admite: “E se, como creio ser o caso, minhas preferências não forem atípicas, então praticamente cada indivíduo de classe média é hoje mais rico do que era o americano mais rico do país há 100 anos.”
Eu tenho uma sensação de riqueza. O Sr. Rockefeller tinha outra sensação de riqueza. As duas sensações não são comparáveis, pois são subjetivas.
Logo, a afirmativa é uma contingência.
Considerando que praticamente toda a população mundial vive praticamente a vida toda em um raio de aproximadamente 10 km de sua casa, locomoção não seria um problema.
Hoje trabalhamos tanto que mal temos tempo de desfrutar da maioria dos benefícios ditos.
Agora a parte boa, viajar em transatlaticos a la Titanic com todo o conforto do mundo, assistir peças e músicas em camarotes da primeira classe, comer em restaurante onde os animais são mortos na hora.
Para quer ler notícias? Sendo bionário você é a notícia.
Doenças graves? Durante as grandes epidemias os ricos sempre fugiram para suas casas de campo enquanto o povo morria igual moscas ao fogo. Se não me engano Rockefeller morreu quase com 100 anos.
Sobre frutas, sugiro que procure o termo Republica das Bananas.
Foi um período bem interessante da história, onde se podia fazer praticamente tudo o que o Mises defende. Recomendo procurar no Youtube por gigantes da indústria.
Olha o que vocês fizeram neoliberais: g1.globo.com/rj/sul-do-rio-costa-verde/noticia/juiz-utiliza-nova-lei-trabalhista-para-condenar-ex-funcionaria-do-itau-unibanco-a-pagar-r-675-mil.ghtml
“Seu padrão de vida hoje é muito maior do que o de um magnata americano há 100 anos
Sim, você é hoje mais rico que um Rockefeller em 1915″
Isso simplesmente comprova que o fim socialismo está próximo e Karl Marx Brasil estava certo. Com o fim do capitalismo em 1915, o socialismo vem proporcionando avanços fantásticos no campo econômico e social.
Como a população vem crescendo exponencialmente e somos todos mais ricos que o mais rico dos homens de 100 anos atras, a riqueza vem crescendo muito mais que exponencialmente. Apesar disso tudo, os bens de capitais tangíveis estão cade vez mais concentrados em um numero cada vez menor de pessoas. Ora, em pouco tempo as pessoas estarão com nível de satisfação máximo, pois o nível real de padrão de vida estará ultrapassando a expectativa do padrão de vida, isto é, haverá um tempo em que seremos mais ricos que o homem mais rico de 10 anos atras, e depois seremos mais ricos que o homem mais rico de 1 anos atras, e finalmente, depois de um tempo seremos instantaneamente tão rico quanto o mais mais rico de nossa era. Para isso acontecer o valor dos bens de capitais tangíveis terão de cair a zero. Ora, isso seria o comunismo!!!
Verdade ! assim também como em 1915 a Petrobrás ainda não tinha sido pilhada.
Tomemos como exemplo uma família de quatro pessoas (casal e dois filhos) com vencimentos de cinco salários-mínimos (limite inferior da classe média), que more em uma grande cidade.
Suponhamos também que os membros dessa família tenham a cabeça no lugar, e queiram distância do crédito. Esse detalhe é essencial.
Esse valor de “cinco salários-mínimos” é uma ficção, uma vez que há impostos que já vêm no holerite.
Salário Bruto: 4,770.00 BRL
INSS (11%): -524.70 BRL
IRRF (22.5%): -319.07 BRL
Salário líquido: 3,926.23 BRL
Bem, essa é a quantia com a qual a “família de classe média” terá de se virar durante o mês. Será que dá mesmo para ter um “padrão de vida superior ao de um magnata de 1915”?
Agora, vamos às despesas…
Moradia:
O limite para o valor do aluguel, é 30% do salário líquido (tanto que as imobiliárias pedem o seu holerite ou declaração de IR, antes de fechar negócio). Deste modo, o valor máximo do aluguel é de 1,177.86 BRL.
Vejam o que dá para alugar (dois quartos) por este valor em:
São Paulo
bit.ly/2qKpW6q
Rio de Janeiro
bit.ly/2RWuUsA
Distrito Federal
bit.ly/2QIEWx4
Ou seja, a “família de classe média” vai morar encaixotada, e bem longe do trabalho. Provavelmente, a moradia inteira será menor do que o banheiro do “magnata de 1915”.
Agora, coloque aí condomínio, IPTU, água, gás e energia. No final, isso vai para algo em torno de 1,700 BRL.
Bem, ainda restaram 2,226.23 BRL. Mas isso é apenas o começo das despesas.
Alimentação:
Creio que o custo real seja maior, mas a cesta básica, para quatro pessoas, está em 594.74 BRL. Vamos considerar essa quantia para as compras do mês.
http://www.destakjornal.com.br/cidades/abc/amp/preco-do-tomate-puxa-alta-da-cesta-basica-no-abc
Jantar fora? ESQUEÇA!
Não creio que essa “família de classe média” estivesse melhor alimentada do que o “magnata de 1915”.
Restam 1,631.49 BRL.
Transporte:
Nada de carro, os integrantes da “família de classe média” terão que pegar o ônibus lotado. Duas horas para ir, e duas para voltar.
Pelo menos, os filhos têm passe escolar.
Suponhamos que o arrimo de família tenha a sorte de pegar apenas uma condução. Com o preço de 4 BRL (em São Paulo), com 27 dias úteis, serão gastos 216 BRL no baú.
Duvido que o “magnata de 1915” trocasse o conforto de seus trens exclusivos e carruagens, pelo busão lotado do “trabalhador de classe média de hoje”.
Não percam a conta, ainda restaram 1,415.49 BRL.
Saúde:
Se a empresa onde o “trabalhador de classe média” trabalha tiver um plano de saúde corporativo, seria uma das poucas ocasiões em que a “família de classe média” poderá ter vantagem sobre o “magnata de 1915”.
(Isso é discutível. Não faltam casos em que o plano de saúde dá o cano nos segurados. E, também, hospitais que “dão um migué” em quem apresenta convênio.
Mas vamos supor que, tanto o plano de saúde, quanto os hospitais cumpram suas obrigações.)
Tudo bem que haverá pagamento de mensalidade, descontado no holerite, no valor de 518.72 BRL (valores médios para dois adultos e dois menores). Mas, ainda assim, vale a pena.
portaldeplanos.com.br/plano-de-saude-empresarial/
Agora, se a empresa não tem plano de saúde corporativo, ou se o “trabalhador de classe média” é autônomo…
Sinto muito, o seu destino é o SUS. Filas enormes na espera do atendimento e, se precisar de cirurgia… Com muita sorte, daqui a dois ou três anos.
O “magnata de 1915” não teria nenhuma inveja disso.
Vamos supor o melhor caso. Restaram 896.77 BRL.
Escola:
Xiii… Ferrou… Vai ter que ser escola pública. Se as crianças, pelo menos, tiverem entrado em uma das (poucas) escolas de qualidade (colégios militares ou federais), OK.
Aí vão os preços das melhores escolas particulares (valores de 2012), que chegam a 2,000 BRL por cabeça, fácil, fácil.
http://www.hojeemdia.com.br/horizontes/veja-quanto-custa-estudar-nas-10-melhores-escolas-privadas-de-bh-1.636361
exame.abril.com.br/seu-dinheiro/quanto-custa-estudar-nas-melhores-escolas-do-enem-2012/amp/
blog.pimpao.com.br/ensino-medio-em-colegios-de-excelencia-de-sp-custa-de-r-0-a-r-2-600-mensais/
Definitivamente, a “família de classe média” NÃO está melhor do que o “magnata de 1915”. Este último poderia pagar os melhores tutores, selecionados a dedo, para os seus rebentos.
Animal de estimação:
É sério, isso? A família mora espremida, apertando o cinto pra ver se a grana chega ao fim do mês, e vem falar de arrumar um cachorro?
Rádio e Televisão:
Sinceramente, com o conteúdo apresentado nesses meios de comunicação, é melhor nem ter.
Internet:
Dessa vez, não tem como escapar. Seja para assuntos profissionais, trabalhos escolares ou informação, é necessária. E lá se foram 100 BRL com a banda larga.
(Supondo que a família já tenha o computador).
Desta vez, o “magnata de 1915” ficou a ver navios.
796.77 BRL, e caindo…
Celular:
Simplesmente não dá para cada um ter um aparelho. Apenas um (bem meia-boca) para toda a família, e 50 BRL em recargas no mês.
No mais:
Jantar fora, no fim-de-semana… ESQUEÇA!
Chope depois do expediente… ESQUEÇA!
Parque de diversões… ESQUEÇA!
Salão de beleza… ESQUEÇA!
Presente de aniversário… ESQUEÇA!
Viagem de férias… ESQUEÇA!
Ingresso de futebol… TÁ MALUCO?!
Poupança:
Bem, depois dessas despesas, restaram 746.77 BRL (19.02% do salário líquido). E, isso, com uma existência espartana. Bem, uma família de classe média de 1915 poupava 22%.
bit.ly/2qImGsu
Idealmente, dever-se-ia poupar:
10% para imprevistos
10% para “sonhos de consumo”
(computadores, eletrodomésticos…)
10% para aposentadoria (HAHAHA! Pode esquecer! Isso NÃO te pertence! Abandonai toda esperança, vós que aqui entrastes!)
Bem, tirando a parte da aposentadoria, até que chegou perto.
E se a família fosse suficientemente tola para entrar no crédito?
Financiamento:
Como “aluguel é dinheiro jogado fora”, a primeira coisa a ser feita, é entrar num financiamento (na verdade, isso é pagar aluguel para o banco, o verdadeiro proprietário do imóvel. Mas vamos omitir esse detalhe).
Com esse holerite, seria possível financiar um imóvel de 175,500 BRL, pagando uma prestação de 1,427.48 BRL, de acordo com o Simulador da Caixa.
Não parece tão ruim substituir um aluguel de 1,175 BRL por um financiamento de 1,427.48 BRL.
Vejamos os apartamentos que podem ser financiados por esse preço… Nestes links, há anúncios em que o preço anunciado se refere ao ágio.
São Paulo
bit.ly/2B6UhCk
Rio de Janeiro
bit.ly/2K87Nss
Distrito Federal
bit.ly/2RV7Rye
Ihhh… Se já estava ruim, ficou ainda pior. E ainda será necessária uma entrada de 31,100 BRL (HAHAHA!).
OK, agora a valente “família de classe média” vai ter que rezar desesperadamente durante os próximos trinta anos para manter o emprego. Se houver demissão, PERDEU! O apartamento E o dinheiro.
Bem, ainda há saldo, de 494.29 BRL.
Carro:
Pegar busão lotado é tenso. Bora comprar um carro? Ih, não dá, tem que financiar. Que tal um Onix? Sai por 44,990 BRL.
http://www.icarros.com.br/chevrolet/onix
m.konkero.com.br/financiamento/carro/melhores-taxas-de-financiamento-de-carro-brasil
simuladorfinanciamento.com/outros/calcular-prestação
Ihhh… Deu ruim… 60 parcelinhas de 1,171.03 BRL… Bem, vou deixar de pagar condução… Ah, já sei… Vou cortar o plano de saúde. Agora dá!
(Só está esquecendo do combustível, do IPVA, da manutenção, das multas, e por aí vai…)
Depois dessa presepada, ainda há saldo de 57.98 BRL.
Viagem de férias:
Como o bravo “trabalhador de classe média” é brasileiro e nunca desiste, resolveu levar a família para conhecer a Disney. Parcelado pela CVC, of course.
Bem, 4 pacotes de 1,482 BRL, em 10x… Parcelinhas de 592.80 BRL.
Uh-oh… O plano de saúde já foi cortado. Está preso por 30 anos no financiamento imobiliário. Se devolver o carro, ainda fica com saldo devedor.
A conta já não fecha mais… Estão faltando -534.82 BRL, em cada mês. O único lugar onde dá para cortar, é na comida. Vão passar um ano inteiro a pão e água (da torneira).
E torcendo para não haver nenhum imprevisto.
Poise se para um magnata as condições não eram tão boas imagine para um escravo de fábrica apertando parafuso o dia inteiro, que depois voltava para sua casa que só tinha uma cama e um vaso sanitário.
O comentário da Margareth faz as contas em BRL, não sei por quê, já que suas críticas não se aplicam ao Brasil.
Por aqui, os pobres vivem uma vida de fartura e felicidade, graças a um maravilhoso estado que fornece tudo de graça.
Temos uma Constituição Cidadã que garante nada menos que 79 direitos diferentes.
Todos os brasileiros tem justiça de graça. Segurança pública de graça. Saúde de graça.
Ensino? É Público, Gratuito e de Qualidade!
Sinceramente, não sei do que a Margareth está se queixando.
Comecei a adaptar alguns textos aqui do site para vídeos animados no youtube para ajudar a espalhar a liberdade pelo Brasil.
Fiz o vídeo desse artigo, se puderem mandem um feedback:
Um artigo muito interessante para repensar os modos de vida de antigamente e suas dificuldades. Mas levanto um outro questionamento, não sei se já foi feito.
Considerando as condições atuais de minha família e as condições que eu poderia proporcionar para as próximas gerações do meu nome. Eu voltaria sim! Com um patrimônio como o sugerido no texto, seria facilmente possível transgredir esta riqueza para muitas gerações. Assim eu pensando nos meus, garantiria algo mais duradouro.
Agora, pensando somente em si, o contexto muda completamente.
A expectativa de vida pode ter aumentado 35 anos, mas quem morreu com 101 anos foi o bilionário David Rockefeller.