Já escrevi vários artigos e concedi muitas entrevistas
contestando a popular afirmação
de que a desigualdade está piorando. Os artigos contêm uma ampla variedade
de dados (muitos podem ser encontrados aqui e aqui), mostrando
que muitas das afirmações sobre essa “desigualdade crescente” de renda ou estão
erradas, ou são exageradas ou ignoram outras evidências.
Entretanto, o que eu quero aqui é, especificamente,
focar em quatro questionamentos que devem estar no centro de qualquer discussão
sobre desigualdade.
Primeira
pergunta: estamos falando de desigualdade ou de pobreza?
Com frequência, esses dois problemas se confundem
nesse tipo de discussão.
Pobreza diz respeito às condições absolutas em que
alguém se encontra. Tem comida? Acesso a água potável? Habitação? Trabalho?
Seus filhos podem frequentar uma escola ou se veem forçados a trabalhar? Os
critérios são muitos.
Já desigualdade é uma variável relativa, que nada
diz sobre as condições absolutas de vida. Para saber se um país é desigual, é
preciso comparar seus habitantes mais ricos e mais pobres e ver a distância
entre eles. Um país que tenha uma pequena parcela de milionários e o restante
da população passe fome é muito desigual. Já um onde todos passem fome é
igualitário. A condição objetiva dos pobres em ambos, contudo, é a mesma.
Igualmente, se os mais pobres viverem como
milionários, e os mais ricos sejam uma pequena parcela de trilionários, a
desigualdade é grande.
As duas coisas, pobreza e desigualdade, se confundem
facilmente, de modo que muita gente que se preocupa com a pobreza (com quem não
tem, por exemplo, acesso a saneamento básico ou a educação) acaba falando de
desigualdade: da diferença entre os mais ricos e os mais pobres. E essa confusão
muda a maneira de pensar: pobreza e desigualdade acabam se tornando a mesma
coisa, de modo que o melhor remédio contra a pobreza seria a redução da
desigualdade, o que via de regra significa tirar de quem tem mais e dar para
quem tem menos.
Consequentemente, aqueles que se dizem preocupados
com a desigualdade frequentemente começam a discorrer sobre como a situação
está ruim para os mais pobres. Aparentemente, tais pessoas presumem que uma
desigualdade crescente deve significar que os ricos estão enriquecendo e os
pobres, empobrecendo.
Mais especificamente, alguns parecem acreditar que
os pobres estão mais pobres porque os
ricos estão mais ricos. Isto é, eles supõem que a economia seja um jogo de
soma-zero, de modo que, se alguns estão mais ricos, esta opulência só pode ter vindo dos pobres.
Sendo assim, limpe o terreno, esclareça os termos e
eleve o nível da conversa. Certifique-se de que todos estejam falando a mesma
coisa. Porque se estivermos discutindo a pobreza, a evidência
esmagadora é a de que, globalmente, a miséria se reduziu dramaticamente nos
últimos 25 anos.
Segunda
pergunta: estamos falando de desigualdade de renda, de riqueza ou de consumo?
Aqueles preocupados com desigualdade costumam confundir
renda e riqueza nessas discussões. Mesmo este famoso vídeo comete
esse deslize. Ele começa apresentando dados sobre riqueza, mas, várias vezes ao
longo da apresentação — incluindo uma longa discussão a respeito de um gráfico
— ele se refere ao salário das pessoas. Salário é renda, não riqueza.
Riqueza se refere à soma de nossos ativos (dinheiro,
imóveis, terras, carros e outros bens) menos passivos (dívidas em geral e
contas a pagar). A riqueza é um estoque.
Já renda é a variação líquida de nossa riqueza em um
dado período de tempo, seja porque ganhamos um salário, um dividendo de uma ação,
juros de uma aplicação, ou aluguel do inquilino. A renda é um fluxo.
É possível ter uma grande riqueza, mas uma renda
baixa, como uma pessoa idosa que vive só de sua magra pensão ou dos juros de sua
poupança, mas que tem uma casa totalmente quitada.
Inversamente, alguém pode ter alta renda e baixa
riqueza financeira. Por exemplo, alguém que tem um alto salário, mas gasta imediatamente
tudo em bens de consumo.
Os dados serão diferentes dependendo de estarmos
falando de riqueza ou de renda.
Seja claro nesse tópico.
Desigualdade de consumo é uma terceira
possibilidade. Trata-se da diferença entre o que ricos e pobres podem consumir.
As evidências disponíveis sugerem que a desigualdade de consumo é muito menor
que a de renda ou riqueza, principalmente nos países mais desenvolvidos. Os
lares dos americanos pobres possuem quase todas as coisas que os lares ricos, ainda
que de qualidade mais baixa. E a distancia entre ricos e pobres neste quesito se
estreitou nas últimas décadas. Uma vez que, em última análise, é o que
consumimos o que interessa, essa é uma questão que tem de ser deixada clara em
eventuais discussões.
Como dito neste artigo: a riqueza
de Bill Gates deve ser 100.000 vezes maior do que a minha. Mas será que ele
ingere 100.000 vezes mais calorias, proteínas, carboidratos e gordura saturada
do que eu? Será que as refeições dele são 100.000 vezes mais saborosas que as minhas?
Será que seus filhos são 100.000 vezes mais cultos que os meus? Será que ele
pode viajar para a Europa ou para a Ásia 100.000 vezes mais rápido ou mais
seguro? Será que ele pode viver 100.000 vezes mais do que eu?
O capitalismo que gerou essa desigualdade é o mesmo
que hoje permite com que boa parte do mundo possa viver com uma qualidade de
vida muito melhor que a dos reis de antigamente. Hoje vivemos em condições melhores do que
praticamente qualquer pessoa do século XVIII.
Terceira
pergunta: e a mobilidade de renda?
Os que se preocupam com a desigualdade frequentemente
pontificam como se os ricos, que estão ganhando cada vez mais, e os pobres, que
estão ganhando cada vez menos, fossem sempre os mesmos, ano após ano.
Eles veem aquelas estatísticas que mostram que os
20% mais ricos detêm hoje uma fatia da renda nacional maior do que 30 anos
atrás, ao passo que os 20% mais pobres detêm uma fatia menor. Daí, concluem que
esses ricos são exatamente os mesmos, e que eles ficaram ainda mais ricos; e
que os pobres são exatamente os mesmos, e que eles ficaram ainda mais pobres.
Muito bem.
Sobre os pobres terem ficado mais pobres, esta é uma
conclusão que, como já dito, simplesmente não se sustenta. Os pobres
enriqueceram nos últimos anos (veja o gráfico 1 deste
artigo).
Falemos então sobre a mobilidade de renda, que é o
que está sendo realmente ignorado. Comparações entre dois anos separados entre
si por décadas são retratos estáticos de um processo dinâmico. O que essas
comparações realmente dizem é que “aqueles que eram ricos no ano X detinham Y% da
renda nacional; e aqueles que são ricos no ano X + 25 — pessoas completamente diferentes
daquelas do ano X — detêm Z% da renda nacional”.
Em outras palavras, as pessoas e famílias que abrangem
“os ricos” muda ano a ano. E o mesmo ocorre para os 20% mais pobres.
Uma fácil comprovação disso é você olhar a lista de
bilionários da Forbes, publicada anualmente. Praticamente todas as pessoas que
figuravam na lista em 1987 — primeira vez em que ela foi publicada — não mais estão nela hoje.
Há um grande e controverso debate entre economistas
sobre quão fácil ou difícil é para uma pessoa que é pobre em um dado ano ter
maiores fluxos de renda nos anos seguintes. Este é o debate. Que a mobilidade
de renda realmente existe, isso não mais está em questão.
A conclusão é que você não pode falar sobre
desigualdade sem, ao menos, discutir o grau de mobilidade. Se o que incomoda as
pessoas no que diz respeito à desigualdade é a suposição de que os pobres estão
estagnados ou empobrecendo, então, explorar o grau em que isso é realmente
verdade é essencial à discussão.
Quarta
pergunta: quais, exatamente, são os problemas causados pela desigualdade?
Se você já conseguiu esclarecer o que todos os
debatedores pensam sobre as três primeiras questões, faça então a pergunta: se
a pobreza está se reduzindo e, mesmo na atual condição, os pobres ainda
conseguem manter um padrão de consumo decente, o que, exatamente, há de errado
com a (crescente) desigualdade?
Pela minha experiência, uma resposta comum é que,
mesmo se os mais pobres estiverem enriquecendo, o aumento ainda maior na
prosperidade dos ricos confere a estes um acesso injusto ao processo político.
Os super-ricos transformarão seu poder econômico em poder político,
frequentemente de maneira que redistribui recursos para eles próprios e seus
amigos.
Esta, obviamente, é uma preocupação legítima, mas observe
que a conversa, subitamente, mudou da desigualdade em si para os problemas dos conchavos políticos, do
capitalismo de estado (ou “capitalismo de quadrilhas“)
e do fato de haver um estado
com poder suficiente para se criar tais distorções.
Para atacar esse arranjo estatal corporativista e
reduzir a capacidade dos ricos de transformar riqueza em poder político há várias soluções que não envolvem
a redistribuição forçada de renda — a qual, no final, faz com que ainda mais
dinheiro vá para políticos e seus mecanismos.
Aqueles que levantam essa preocupação estão, na prática,
reclamando apenas do compadrio gerado pelo estado, não da desigualdade em si. A
fonte do problema é o estado, cheio de benesses e de favores a serem distribuídos,
o qual, indiscutivelmente, se tornaria ainda mais poderoso e distorcivo caso os
preocupados com a desigualdade tivessem suas políticas favoritas aprovadas.
Por fim, mesmo aqueles que são céticos em relação
aos argumentos de que a desigualdade seja problemática, podem concordar que tem
havido alguma redistribuição de riqueza do pobre para o rico nas últimas
décadas. Isso se dá, majoritariamente, por causa das políticas do governo que
favorecem quem já está próximo ao poder, seja devido aos exorbitantes salários que
funcionários públicos de alto escalão recebem, seja por causa de sua política de expansão de
crédito subsidiado para grandes empresas, seja por causa de suas políticas protecionistas
que protegem as grandes
indústrias criando uma reserva de mercado e impedindo os pobres de
comprar bens mais baratos do estrangeiro, seja por causa de sua política
fiscal que, ao incorrer
em déficits orçamentários, aumenta a riqueza dos compradores dos títulos públicos.
Não nos esqueçamos também da exigência de licenças profissionais
e dos encargos sociais e
trabalhistas que dificultam a obtenção de trabalho pelos mais pobres, que
costumam ser menos qualificados e não justificam o preço exigido como mínimo a
ser pago por sua mão-de-obra.
Há, ainda, tentativas governamentais de regular e
até mesmo banir o Uber, o Lyft, o AirBnB e todas essas empresas da chamada
“economia compartilhada”. Essas são, justamente, as melhores alternativas
para alguém que não está encontrando oportunidades conseguir uma fonte de renda,
já que é a área da economia menos controlada pelo governo que se conhece.
Por fim, vale ressaltar que é o estado quem impede
que os moradores de
favelas obtenham títulos de propriedade, os quais poderiam ser utilizados
como garantia para a obtenção de crédito, com o qual poderiam abrir pequenas
empresas e se integrar ao sistema produtivo.
Todas essas políticas são problemáticas justamente
porque aumentam a desigualdade e a pobreza de forma artificial. Com efeito, uma
discussão muito mais interessante incluiria qual o papel dessas políticas estatais na
criação das desigualdades artificiais em oposição às desigualdades naturais,
que são aquelas que surgem espontaneamente no mercado em decorrência da maior aptidão
de cada indivíduo.
Conclusão
Novamente, os leitores interessados em dados devem
consultar as duas monografias linkadas no primeiro parágrafo do artigo. No entanto,
mesmo sem os dados, essas são as quatro perguntas que valem a pena ser feitas
numa conversa sobre desigualdade se você quer realmente chegar ao cerne do que
está em jogo e persuadir aqueles preocupados com a crescente desigualdade a ver
a questão por um ângulo diferente.
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Leia também:
“Sem o estado, quem cuidará dos pobres?”
Muito bom, estou curioso para ver se/como/com qual argumento alguém vai discordar desse artigo…
Existe mais desigualdade social na Austrália do que na Índia. Mas a Índia tem muito mais miséria que a Austrália.
Qual situação a esquerda prefere?
Flávio R. Kothe disse em ‘Cânone Imperial’: “A mediocridade refugia-se no espírito de rebanho para aniquilar ou ignorar aquilo que a supera”.
A maioria das pessoas não quer ser “igual a todo mundo”, quase todos prezam sua individualidade. O igualitarismo produz mediocridade (pois reduz todos ao mínimo denominador comum) e pobreza material, emocional, intelectual e existencial. E nasce da ignorância e inveja daqueles que não aceitam alguém ter algo a mais que eles.
Sensacional!!!!!!!
Mas, afinal o capitalismo concentra ou não concentra Renda/Riqueza?Salvo não me engano vi um vídeo do economista Adolfo Sachsida dizendo que não, e corroborando com o texto a ideia de que estes os ricos ao longo de 100 anos mudaram bastante.
Ainda que a desigualdade econômica fosse uma opressão, punir o esforço, o mérito e o sucesso não seria a cura.
Medidas coercivas que visam à redistribuição de riqueza farão apenas com que os espertos e os politicamente bem-relacionados enviem sua riqueza para o exterior ao passo que os desafortunados terão de arcar com o fardo do inevitável declínio econômico. Uma medida muito mais produtiva seria reduzir o imenso e burocrático aparato governamental, que, com suas regulações que impedem a livre concorrência, com sua inflação que destrói o poder de compra, com suas tarifas de importação que proíbem a aquisição de produtos bons e baratos do exterior, faz com que os pobres se perpetuem nessa condição.
Vale também citar a inveja, a qual creio firmemente ser a maior fonte de desagrado para com a desigualdade, principalmente no Brasil.
Não conheço a realidade de outros países, mas me choca ao ver diariamente como a inveja é um sentimento profundamente disseminado neste país. Não costuma ofender um brasileiro saber que uns têm muito e outros têm muito pouco. O que causa revolta ao brasileiro é saber que há pessoas que têm muito mais do que ele.
E digo mais. Muita gente neste país não tem nada contra o dinheiro fácil, muito pelo contrário (vide que todo mundo quer ser funcionário público). No Brasil, ética de trabalho é uma excentricidade tão grande quanto terremotos e nevascas. E, fora dos centros de intelectualidade (vulgo ninhos de esquerdistas), a idéia de que a riqueza vem da exploração do proletariado não é levada muito a sério.
Vivo na Alemanha. Recentemente estava discutindo com um colega de trabalho alemão, quando ele me disse que a desigualdade no país somente aumenta e que hoje já são 20% da população que estão na linha da pobreza…
Respondi que não acreditava em tal estatística e perguntei se tais pessoas já não recebiam ajuda governamental. Ele me disse que recebem moradia e mais €400,00 por mês, e ficou surpreso quando afirmei que é mais do que eu recebia como estudante trabalhando em meio período na Alemanha.
Voltei a afirmar que era impossível esta estatística estar correta, sendo que não vejo ninguém passando fome por aqui, no que ele respondeu: “Mas veja bem, esses limites de pobreza são estabelecidos como certos percentuais da população, não se a pessoa está passando fome ou não.”
Eu respondi: “Cacete! Se você define o nível de pobreza como sendo o que os 20% mais pobres ganham, é óbvio que 20% da população estará nesse nível ou abaixo.”
Também me lembro da história de um amigo que diz que, durante um curso de francês da Hochschule, a professora perguntou o que era um aluno pobre para uma alemã e ela respondeu: “Ah, é aquele aluno que não tem dinheiro pra comprar roupas de marca todo ano, nem pra ir em todas as viagens da escola.”
Estão tão acostumados com a situação por aqui, que se esquecem o que é pobreza de verdade e o quão abençoados são de ter nascido sob um sistema mais livre. É nojento alguém defender o socialismo com base em “desigualdade de renda” e ignorar o números de pessoas que o capitalismo tira da real pobreza.
Eu só acho difícil a pessoa do outro lado do debate deixar chegar até o quarto questionamento sem ter que ouvir um “vá estudar” “mimimi desigualdade está vinculada com pobreza” “mimimi tu fala isso pq tu nasceu de família com condições”‘. Em caso positivo, muito se tem a extrair de útil dessa conversação.
É melhor ser reserva no time do Barcelona ou titular no time do Bangu?
Leandro, com o objetivo de aperfeiçoar o meu inglês, estou começando a traduzir do inglês para o português material de cunho liberal.
Caso tenha interessante em alguma tradução minha, fique a vontade para republicar no blog do IMB.
As traduções estão sendo publicadas neste blog: tradutorliberal.wordpress.com.
Abraço.
É muito simples: ricos têm poucos filhos, e os pobres muitos filhos.
O dia que os pobres tiverem somente um ou dois filhos, a vida deles melhorará, como também a das futuras gerações se seguirem a receita.
A questão principal é a cultura do crime.
Confiscar dinheiro das pessoas está sendo considerado uma coisa boa para a sociedade.
Pagar festas, shows, automobilismo, ônibus, eventos e outras beneces, está sendo considerado uma coisa boa.
Expropriar parte do salários das pessoas, está sendo considerado uma coisa boa.
A cultura do crime já foi implantada pela esquerda.
Foi instaurada a cultura do coletivismo, onde saquear cidadãos de bem não é nenhum problema.
Caridade e socialismo são muito diferentes. Na grande maioria dos casos, o socialismo só pode ser feito com o uso da força.
Isso está muito longe de ser uma prestação de serviços básicos, como se fosse um condomínio.
A cultura do crime não permite que pessoas se defendam das apropriações do estado.
O mais interessante é que, geralmente quem levanta estas bandeiras de desigualdade não entende que investimento só se dá com poupança.
Conheço amigos adeptos do socialismo que reclamam da desigualdade, porém eles obtém rendimentos financeiros semelhantes aos meus. Alguns me perguntam como eu consegui os bens que tenho hoje, e fica tão na cara que dá preguiça de responder.
Socialista de barzinho: roupa bege da moda, troca de iphone todo ano, lolapalooza, tem a melhor internet só pra usar facebook, compra boa quantidade de cerveja artesanal todo final de semana, daí reclama que ganha pouco e a culpa disso é do sistema capitalista…
Cadê o investimento? Cadê a poupança? Como um cara desses vai prosperar e adquirir riquezas?
Gastar todo o salário em bens de consumo é o caminho mais curto para o fracasso.
Muito bom….o problema é ser pobre e não uma pessoa ganhar 100 vezes mais que você.
Ao meu ver o problema tem 3 partes:
Os realmente ricos (salvo poucas exceções) tem rendas absurdas indiferente do mérito e esforço, poupando fortunas mesmo sem conter gasto com bens de consumo.
Os pobres (salvo poucas exceções ) não conseguem ter receitas suficientes para ter bens de consumo acima da sub-existência, e o que dirá economizar.
A “classe media” que já tem um renda suficiente para poder escolher entre o luxo (bens de consumo acima do básico) e/ou economizar para acumular riqueza.
De maneira que o rico fica mais rico, e a troca é basicamente de uma geração pra outra, o pobre idem, e a classe media tem um dinâmica, chegando a transitar entre as classes, mas de maneira geral mantem o status quo acreditando que um dia ascendera a classe dos ricos pelo seu esforço, dedicação talento, trabalho duro, economia e etc.. Porem pergunto:
Quantos de nós da classe media ascenderam a riqueza ? Mas aquela riqueza que gera uma renda (apenas pelo que a própria riqueza gera, sem incluir ai os ganhos por mérito) superior aos seus gastos mais supérfluos de maneira que ainda que não faça esforço para economizar, siga acumulando riqueza ?
Não seria a classe média com suas rápidas idas a classe rica sem nunca realmente adentrar a aristocracia, apenas a cenoura que nos incentiva a seguir correndo ?
Se realmente o ser rico depende apenas do mérito, e se sim pq não somos todos ricos ? a maioria dos pobres que conheço trabalha mais horas e vivem para o trabalho, ainda que se discuta a capacidade nesse caso, sera que somos todos incapazes ?
E por fim dos 1 ou 2 que responderam que chegaram ao nível de gerar mais riqueza do que conseguem gastar (apenas pelo que a própria riqueza gera, sem incluir ai os ganhos por mérito), digam se tiveram alguma ajuda de algum contato / herança ou se veio de uma invenção revolucionaria (novo método de produção, produto inovador, ou criação de uma nova categoria de mercado) ???
O artigo abaixo mostra a forma como foi usado o argumento na quarta pergunta.
Por causa dos melhores contatos políticos dos ricos no Reino Unido, esses se podem dar ao luxo de serem medíocres que continuarão a ganhar mais que pobres talentosos. O problema é que o artigo clama por mais distribuição de renda e não vê o estado como o problema da questão.
Artigo para atacar o Brexit, eu acho.
ind.pn/2oowZ2s
A pobreza, como descrita, também no caso do Brasil, é artificial.
Que informação valiosa!
Von Mises Brasil,
Parabens por trazer mais essa contribuição genial, estruturada e realista.
A página abre minha mente e tem me tornado uma pessao com um intelecto mais evoluindo, tendo como ponta-pé, suas informações.
Parabens mais uma vez!
É-me fácil fazer ruir por terra todas as perguntas elaboradas de formas erísticas neste artigo, uma vez que a formação das perguntas, para o sábio que a formulou e os seus súditos, parecem ser aceitas por todos, no entanto não o é, o que fá-las ser fácil de qualquer requestamento. Por isso que em primeiro plano analiso que os leitores dessas perguntas, assim como eu, não fazem parte da maioria, isto é, quem lê estes artigos é a minoria que, longe do vulcão ativo o acha lindo, mas quando perto vê a realidade da lava e treme de calor pela sua vibração. O que me leva a pensar: ” Numa discussão caminharei meus pensamentos para fazer tais perguntas, assim como indicaram-ma fazer, mas ao pronunciá-las vejo que o olhar de meus ouvintes ficam escandalizados” “e o mínimo grão de pessoa que tenta entendê-las, sabe que tais perguntas são más formuladas, ou seja, óbvias como esta: estamos falando de desigualdade ou de pobreza?”. Afirmo que todos que em uma contenda queira falar sobre Desigualdade terá de falar sobre pobreza, assim como quem fala de verdade, terá de possivelmente dizer sobre a mentira; ou falar sobre a flor e o cálice; a alma e o pensamento etc…Portanto a pergunta que deveria ser formulada em vez daquela é esta: Ao falarmos, ouvintes, sobre a desigualdade, teríamos a coragem de abrir os olhos para o aspecto da pobreza? pois, é mister dizer que a desigualdade tem suas ramificações; e com virtude é a pobreza uma dos seus cujos. Vejo, pós isso, o olhar do ouvinte reflexivo e até mais palpável. Pois ninguém (entendam como ninguém a maioria) quer falar de desigualdade sem dizê-la da sua pobreza e nisso sem distinguir a própria pobreza.
A segunda pergunta que, sem embargo, pode ser mudada e mais aceita é esta: estamos falando de desigualdade de renda, de riqueza ou de consumo? Quem com o pulso ardendo pelo discurso, dirá ” Estamos falando de desigualdade de riqueza” ? e diante disso quem aceitará continuar a discussão com este mentecapto? A roda em coisas de segundos o ignorará. O gosto do nosso amigo por perguntas não é o mais adequado, com efeito. E com isto a pergunta que cativaria os olhos sedentos por novas contendas seria esta: “Estamos falando de desigualdade, não é? Pelo qual motivo a renda, a riqueza e o consumo não se entranham das pernas fechadas dessa premissa? Porquanto a disparidade é fruto de uma arbitrariedade capitalista e o capitalismo é o que é quando é dividido em suas diretrizes sustentadora, isto é, renda, riqueza e consumo. Logo para semear os campos da batalha precisamos, caros, relacionar esses conceitos e defini-los da melhor maneira possível. ” Em fim disso o corajoso orador iria olhar a pergunta suspensa no ar, o silêncio sinistro ia cair sobre todos, e pós isso viria o trovão de definições e dissidências enérgicas mais libertadoras.
Terceira pergunta que ruiria com um sopro do David: e a mobilidade de renda? Novamente todos ficariam atônitos sem desejar si quer praguejar o homem que fez essa pergunta, no entanto um ratinho di-lo-ia de baixo – Basta! A renda dos ratos são poucas. A ratazana é uma espécie de rato. Há coisa de um mês que obro com as ratazanas. Comemos do mesmo queijo e bebemos do mesmo leite. Por qual infelicidade a sua renda é móvel e a minha não? ….entendi o que o snr quis dizer,inferiria nosso ratinho sedento”. A pergunta do nosso rato é rude. E é dessa mesma forma a vossa e junto que a coisa mais dizível e aceitável seria: Passamos por duas etapas fundamentais que não nos cabe por em pauta novamente, mas diante delas sabemos o que já é a desigualdade e por isso vos pergunto, meus caros, é possível a renda me por em marcha dos custos de vida? Deixarei em ar a reação dos que circundavam essa pergunta e passo para…
A próxima e última: quais, exatamente, são os problemas causados pela desigualdade? Uma mulher mal instruída diria com ar cheio de mofa ” a minha casinha e o “appartment” do lado”. Alguns ririam, não obstante prestariam atenção e veriam que aquela snra tem razão, e sem embargo por qual motivo mais alguém continuaria tentando achar as raízes do problema que aquela snra o já tinha resolvido? ninguém (maioria) voltaria à questão e o assunto seria debatido outra vez de formas equívocas. Súbito seria se o orador mudasse a frase para definir em outra frase mais absorta, como esta ” A desigualdade não se abre e se fundamenta só em questões de honra capitalista, já o sabemos. Sabemos, mas insistimos em dizê-la com um só significada e de um só efeito. No entanto, não há só um, há miríades, e quais são?” aquela frase. Seria triste receber como resposta que “a desigualdade é uma variável relativa, que nada diz sobre as condições absolutas de vida e que portanto não possui grandes efeitos, e que portanto não móvel, portanto irrefutáveis…etc. E assim, meu caro…
Vede que não concluirei, deixarei como um marco do nada que pode estar cheio de ar como um balão, mas que tampouco deixa o dentro da “não conclusão” o estar de mistério.
P.S: A experiência não nos engana e por isso nos conflita mais a mais no nó do laço atroz da desigualdade.
Pensemos na desigualdade fora do âmbito econômico:
Bolt e poucos outros correm 100 metros em menos de 10 segundos; maratonistas olímpicos correm 42 km em 2 horas; nadadores da maratona aquática nadam 25 km! O Iron man é uma sequência de 3.800m de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida; há pessoas poliglotas que falam 5, 6, 7, 8 ou mais línguas; músicos executam melodias fantásticas com incrível desenvoltura, ou simples melodias com admirável sensibilidade; compositores geniais compõem obras com inúmeras vozes, todas dialogando em perfeita harmonia; pessoas meditam por dias meses e anos a fio; cientistas fazem descobertas corajosas e revolucionárias; e tantos outros exemplos poderiam ser citados. E todos são fruto de vontade, trabalho e dedicação, além de gênio. Eis os altos níveis de desigualdade em que se encontram os seres humanos. Devemos admirar esses campeões olímpicos de todos os gêneros; e todos aqueles que se esforçam para desenvolver-se; e que vislumbram e almejam sempre o que há de superior; e que entendem que há de fato pessoas melhores do que nós em diversas áreas e que elas devem ser respeitadas e admiradas; assim como nós também somos superiores a outros, a quem devemos servir de exemplo.
Conclusão: a desigualdade é natural e não é má.
Vou postar um comentário exatamente igual ao feito no Facebook pelo meu vizinho, que é um professor de filosofia, o comentário é sobre as novas regras para aposentadoria “Olha só seus bossominios. Quem mais perde são os trabalhadores pobres. Essas novas regras só vamos ampliar ainda mais as diferenças de renda,sociais entre outros brasileiros. É um crime…
Faz arminha seus boçais…”.
Me lembro da época que estudei com ele, foi no último ano escolar, ele sempre falava mal do capitalismo(sim ele é socialista), dizia inclusive que o livre mercado era ruim e prejudicial para o povo, pois aumentava a desigualdade, e que o rico ficava mais rico e o pobre mais pobre por ser explorado pelos patrões, e que uma economia deveria ser controlada totalmente pelo estado, o mesmo deveria cuidar do seu povo, e deveria seguir exemplos como os países nordicos(contraditório kkk pelo que me lembro é mais rápido abrir empresa nesses países do que no Brasil).
Galera vejam bem, como o mundo inteiro leva a esquerda tão a sério, veem eles como esperança e blablabla se eles só tem argumentos frágeis e puramente emotivos?
Percebam que o principal argumento deles contra o capitalismo está simplesmente errado: “O capitalismo deixa os ricos mais ricos e os pobres mais pobres” (Isso é apenas uma pequena amostra das narrativas deles que são, no melhor dos casos, imprecisas), como pode uma ideia flagrantemente errada como essa ir pra frente povoando mentes e conquistando coraçãoes, se as estatísticas são claras ao mostrar que não só os ricos, mas a classe média, os pobres, todo mundo está ficando mais rico?
Será que numa disputa entre a razão + observação dos fatos vs emotivismo barato + discurso que, apesar de mentiroso, toca o coração das pessoas a segunda opção sempre vai tomar a dianteira? A disputa sempre foi assim injusta ou os cérebros estão perdendo a capacidade de realizar sua principal função?
Obrigado!
Eu tô muito afim que apareça algum socialista aqui pra gerar um debate bacana, tá difícil ver ultimamente.
Sabe-se que, há décadas, Espanha e Portugal são países parecidos em nível de intervencionismo estatal, ou seja, mais burocráticos em relação ao restante do continente europeu (embora superiores ao Brasil).
Dito isso, além do fator de existir uma moeda forte corrente (o Euro), o que permitiu que eles atingissem um nível de país desenvolvido? No século XVI, de fato, o Império Ultramarino Português era gigantesco (logo depois viria a Espanha), mas dessa época para cá, essa possível riqueza acumulada já não teria sido toda pilhada com séculos de extremo intervencionismo, ou estou equivocado?
PS: Também me surpreende a Grécia ser também considerada um país desenvolvido, dado o extremo nível de intervencionismo estatal (e de décadas).
Por que vocês acham que esses distúrbios começaram a pipocar no Chile? No Brasil, em 2013, os efeitos da carestia estavam começando. E lá?
Saneamento melhora, mas metade dos brasileiros segue sem esgoto no país fonte g1.
Ahh agora entendi oque é desigualdade kkkk
Gostaria de ver as respostas do economista Carlos Góes às perguntas do artigo e de outros liberais desse tipo estilo “Mercado Popular” (BHL).
Vocês distorcem a realidade. O Brasil é o mesmo, continua em os três países mais desiguais do mundo, sendo os dois primeiros Africanos. Vão para as ruas e periferias dos grandes centros, para o interior do Brasil, poderão constatar de perto a realidade crua e nua. Seja governo de direita ou de esquerda, a pobreza só aumenta.
Quinta pergunta: qual tipo de igualdade você defende e quais desigualdades você promove?
Existem três tipos de igualdade: (1) material, (2) de oportunidades e (3) formal [perante a lei, isonomia]. Quando promovemos um tipo de igualdade, automática e inevitavelmente aumentamos a desigualdade dos outros dois tipos. Assim, promover um tipo de igualdade sempre significa promover dois tipos de desigualdade. Qual você escolhe?
* * *
O texto apresenta argumentos racionais e coerentes para um debate em alto nível sobre um tema comumente discutido de forma tão rasteira. No entanto, os “debatedores” que defendem a ideia da redução da desigualdade para melhorar a condição dos mais pobres, normalmente sofrem pelo sequestro da amígdala quando esse assunto é trazido à tona. Descartando qualquer argumento racional em favor do “argumento” emocional.
“Quarta pergunta: quais, exatamente, são os problemas causados pela desigualdade?`”
Estou um pouco destreinado em humanidades mas vou tentar responder:
Uma nação coesa (não confundir com Estado) se forma com um aglomerado de pessoas que possuem valores, língua, estilo de vida, leis, religião etc iguais (ou ligeiramente diferentes). Quando existe diferença, o caos social começa a surgir.
Se começa a surgir uma grande diferença material entre ricos e pobres, o caos social começa a surgir. Como que o coletivo dos pobres vai pensar, por exemplo, das nossas leis ou dos nossos valores ocidentais enquanto ficam vendo os ricos ficarem mais ricos e eles cada vez mais pobres? Talvez, eles começarão a se rebelar contra tudo (lembrando que o coletivo não pensa como o individual)
Só existe um tipo de desigualdade: a mentalidade.
Pobre é pobre porque tem mindset de pobre e escolheu viver na pobreza, simplesmente porque ele prefere gastar o tempo com coisas como televisão, futebol e política.
A desigualdade de renda, riqueza e consumo é uma consequência dessa desigualdade de mindset.
Ser pobre é uma escolha pessoal. Ponto final da discussão.
Eu observo o mercado musical dos Estados Unidos e percebo alguns detalhes interessantes que gostaria que fossem explicados por alguém segundo a ótica austríaca. Muitas vezes alguns artistas musicais(cantores ou bandas) ganham dezenas de milhões e em algum momento param de fazer sucesso. O estranho é que tudo no mercado musical pode ser comprado, por exemplo a Britney Spears não escreveu nem 10% das músicas dela sendo quase todas as suas músicas algo comprado de outrem. O mesmo vale para clipes musicais. Se esses artistas que fizeram sucesso conseguem “comprá-lo” a partir de certo ponto, assim como a Britney Spears fez, por que um dia o sucesso acaba?
Resposta:
1- falamos de desigualdade. Se fosse sobre pobreza falava-se sobre pobreza. Que coisa
2- vc que deve me dizer. Vc diz ser bom desigualdade, você se refere a qual? Parece que você mesmo está perdido no que diz
3- completamente errado.
Se as 1.000 pessoas mais ricas do mundo tem 1% de seguir nesse grupo na década seguinte então em 2 décadas o grupo todo é renovado.
Só que isso não significa que o resto da população, os outros 6,999999 bilhões de pessoas tem cerca 0,000015% de chance de entrar no seleto grupo.
Logo o papinho de que há mobilidade por causa da mudança na lista da forbes é falso!
Um raso conhecimento em estatística seria o suficiente pra não cair na bravata.
4-A desigualdade exagerada eh mais um sintoma de uma economia disfuncional.
Diversos países europeus, com seus regimes sociais democratas, tem uma maior desigualdade de renda que osEUA quando analisado pela renda "antes" do Estado. "Depois" do Estado você tem uma baixa desigualdade pois o governo reduz a desigualdade via taxação e gastos.
Mas você não verá muito libertário querendo que vc saibas disso. Vão querer te convencer que a existência de férias na clt brasileira eh que eh nociva pro pobre. A exigência de uso de material de segurança eh ruim pois "encarece" o trabalho.
Tem que taxar jatinhos e aviões particulares, aqui esta o melhor argumento:
http://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2022/07/24/kylie-jenner-e-criticada-por-viagem-de-3-minutos-em-jato-particular.htm
Qual a solução de vocês pra isso, é impossível privatizar o céu e conseguir calcular a agressão da poluição em cada quadrado privado e invisivel no céu. Pura utopia.
A taxa básica de juros dos EUA se tornou os juros pagos pelo FED sobre as reservas em excesso. Alguém aqui tem algum cálculo que estima a partir de qual taxa de juros os problemas fiscais para o Tesouro Americano poderiam começar a existir? O dinheiro usado para pagar esses juros não é dinheiro criado do nada, e se os lucros contábeis do FED não forem suficientes para pagar esses juros, o Tesouro Americano é obrigado a emitir títulos para pagar eles.
É isso que se precisa. Corte de impostos.
http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&rct=j&url=exame.com/economia/ipi-economia-prepara-novo-decreto-para-cortar-imposto-de-4-mil-produtos/amp/&ved=2ahUKEwjtrpb6kpX5AhXiLLkGHZrRDn0QFnoECA0QAQ&usg=AOvVaw1WlCQmvFuRoR09sfv0U8Vy