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Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?

A minarquia é possível?  Claro que é.  É duradoura? Não e nem pode ser.  O maior problema da minarquia é que ela sempre acaba gerando o pior dos monstros: um estado poderoso e totalitário.

A pergunta do título não apenas pode ser explicada em bases teóricas como também pode ser comprovada pela simples empiria.

Comecemos pelo melhor e mais patente exemplo de todos: o caso americano.

O experimento americano no século XVIII – isto é, a Revolução Americana e o consequente estabelecimento de uma República Constitucional soberana e independente – foi feito com a clara intenção de criar e manter o menor governo da história mundial.

Esse era o objetivo dos fundadores da república dos EUA.  George Washington, John Adams, Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton, Benjamin Franklin e John Jay, sob as influências pós-iluministas e com as ideias de estado mínimo pregadas por Adam Smith, se propuseram o objetivo específico de criar o menor governo da história mundial.

Muito bem.  Agora, suponha que eu diga que descobri a cura para a AIDS, e que basta tomar esse remédio por mim inventado e você estará imune à infecção.  Se todo mundo tomar do meu remédio e o resultado for a maior epidemia de infecção de HIV da história mundial, especificamente infligida sobre aqueles que tomaram meu remédio, então, nesse cenário, poderíamos dizer com certeza que meu remédio não apenas não está funcionando, mas está fazendo justamente o oposto: está infectando pessoas ao invés de curá-las.  Essa seria a conclusão lógica do meu experimento.  Meu remédio não é uma cura; ao contrário, ele produz a infecção.

Da mesma forma, passemos a analisar qual foi o resultado do experimento governamental minarquista americano, com estados praticamente autônomos e com um governo federal mínimo.

Primeiro, não há dúvidas de que o sistema minarquista foi clara e objetivamente adotado: não havia impostos de renda, o governo federal era minúsculo, não havia impostos estaduais – apenas uma ou duas tarifas sobre bens de consumo -, não havia um exército permanente, o governo não controlava a oferta monetária e não havia dívida interna.  Havia uma Constituição que era tida como a lei suprema e havia um Congresso cuja única função era garantir que essa Constituição não fosse desrespeitada.

Sem dúvida alguma era um sistema maravilhosamente bem concebido.  Não creio que você e tampouco eu poderíamos fazer melhor – afinal, as pessoas que criaram esse sistema eram extremamente inteligentes, como podemos notar em suas escritas.

Volto a enfatizar: o experimento americano foi especificamente concebido para criar o menor governo possível, sendo que havia várias ferramentas que possibilitavam manter um controle efetivo sobre o tamanho do governo.  O objetivo máximo do experimento era suprimir o poder do governo, impedindo que ele se agigantasse e se tornasse um mero substituto do Rei George III, de quem os colonos haviam se declarado independentes.

E qual foi o resultado desse experimento?

Bem, o resultado da tentativa de criar e manter o menor governo da história mundial foi a criação do maior e mais poderoso governo que o mundo jamais viu.

Faça uma pausa agora para poder digerir por completo essa constatação, pois de fato é algo estarrecedor.  O objetivo do experimento americano era criar o menor e mais enxuto governo que o mundo já viu, e o resultado foi a criação do maior, mais intruso e mais poderoso governo que o mundo jamais viu, dotado de armas de destruição em massa, mais de 700 bases militares ao redor do planeta e com a capacidade de exterminar toda a vida da terra.  Trata-se de um governo que faria o Império Romano parecer uma agência local do DETRAN.

E isso é perfeitamente explicável.  É algo tristemente natural e inevitável.  Pois quanto menor é o estado, quanto mais você o restringe, mais produtivo torna-se o mercado.  Quanto mais produtivo é o mercado, mais rápido a economia cresce e mais riqueza ela gera.  E o livre mercado é tão produtivo que ele é capaz de aguentar por muito tempo um enorme crescimento da tributação e um grande agigantamento do poder estatal – até chegar a um ponto em que ele inevitavelmente irá ceder.  (E este é exatamente o momento que os EUA estão vivendo agora).

Portanto, o que acontece é que, quando você minimiza o governo, paradoxalmente você faz com que a lucratividade de se aumentar posteriormente o tamanho do governo seja muito maior, pois haverá muito mais riqueza para tributar e mais recursos para se controlar – ambas as coisas que mais seduzem qualquer governo.

E como o governo adquire muito mais dinheiro e poder quando ele tributa uma economia que se desenvolveu e enriqueceu com um livre mercado, ele ganha a capacidade de fazer coisas terríveis, como desenvolver armas de destruição em massa, manter um incomparável estado belicista e assistencialista e comprar grandes seções da população, tornando-as permanentemente dependentes do estado.

É como se você fosse um fazendeiro e descobrisse um modo de fazer com que suas vacas produzissem dez vezes mais leite que o normal.  Qual seria o resultado?  Você estaria fazendo com que suas vacas passassem a ser muito mais valiosas sob a ótica dos outros fazendeiros, que passariam a fazer de tudo para tê-la.  Da mesma forma, quando você tem um governo mínimo, cada indivíduo torna-se muito mais produtivo por causa da escassa interferência governamental.  Qual será a consequência?  Esse indivíduo tornar-se-á muito mais atraente para o estado, que sem dúvida irá querer comandá-lo no futuro.

Os menores governos sempre produzem os maiores governos.  É completamente impossível que não seja assim.  Nunca houve um contraexemplo na história e nem nunca haverá.

Peguemos a Inglaterra.  O governo que surgiu como resultado da separação entre Igreja e estado, bem como do subjugo da aristocracia no final do século XVIII e início do século XIX, era de longe o menor governo da Europa.  O que ele produziu?  Ora, produziu o Império Britânico.

Os países escandinavos vivenciaram o mesmo processo.  Estados enxutos até o final da Segunda Guerra – da qual eles não participaram, o que ajudou a preservar sua riqueza – geraram estados agigantados que controlam o cidadão do berço até o túmulo.  

O exemplo mais recente talvez seja o da Irlanda.  Um estado falido até o final dos anos 1980 encolheu e deu lugar a uma economia vibrante.  Qual a situação atual?  Um inchaço sem precedentes do setor público, um estado assistencialista como nunca visto na história do país, o empreendedorismo reprimido, um déficit gigante e um governo que passou a participar de setores-chave como transportes, mídia (rádio e televisão), e geração e transmissão de eletricidade.  A educação primária, secundária e universitária tornou-se “gratuita”, a saúde é “pública” e a previdência é controlada pelo estado.  O orçamento do governo, obviamente, estourou.

Como disse, tudo isso não só é previsível como também é inevitável.  Sempre que você minimiza o governo, você aumenta o valor de toda a economia – o que significa que o governo terá alimento para aumentar seu tamanho e poder para dimensões ainda maiores do que as atuais. 

Portanto, se você sonha em diminuir seu estado para algum limite constitucionalmente imposto – e suponhamos que você de fato consiga isso -, o que irá acontecer é que todo o processo de agigantamento irá inevitavelmente recomeçar após algum tempo.  Sim, você poderia desfrutar alguns anos de liberdade, mas sem dúvida seus filhos e netos seriam submetidos a um governo ainda mais totalitário do que aquele sob o qual você viveu.

No início minarquista, rapidamente percebi que as teorias de estado mínimo são insustentáveis, para não dizer contraditórias.  Desde então concluí que, ou você aceita o estado como ele é, ou passa a defender isso.

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122 comentários em “Por que um estado mínimo inevitavelmente leva a um estado máximo?”

  1. Ricardo, como isso ocorreria? Como uma entidade iria surgir do nada e ter o poder de coagir todos de uma só vez? Será que ninguém reagiria contra? Será que todos voluntariamente entregariam suas armas e diriam “Venha! Domine-nos!” Sinceramente, acho que tal cenário seria improvável. Você certamente reagiria caso alguém invadisse sua casa e ameaçasse a escravizá-lo, certo? Então.

  2. Pois é, Leandro… mas eu acredito que num prazo “discreto” é inevitável o surgimento de uma liderança. O simples surgimento de uma “polícia” para manter a segurança das pessoas (o que eu acho inevitável, afinal sempre haverão ladrões e assassinos numa sociedade) já seria o suficiente para num longo prazo termos o surgimento de um poder… vamos olhar pro mundo… onde não existe estado?

  3. Eu sempre achei esse argumento contra a minarquia fraco. Rothbard é genial, mas esse argumento não me desce.
    A objeção do Leandro ao meu argumento pressupõe duas coisas:
    a) que todas as pessoas estariam felizes vivendo numa anarquia;
    b) que algumas pessoas com grande poder econômico, proprietários de agências altamente lucrativas, por exemplo, simplesmente não pudessem convencer boa parte da população de que um governo seria melhor. Por quê? Pois algumas pessoas simplesmente querem estar no poder e controlar a vida de outras.

    Se o argumento é baseado na riqueza disponível num livre mercado e na tentação que isso causaria aos burocratas, por que razão tb não causaria a mesma tentação a particulares?

    De resto, seus textos são mt bons Leandro, embora esse seja uma tradução.

    Gde abraço!

  4. Prezados,\n\nOs argumentos dos senhores são, se me permitem, básicos. Normalmente, as objeções sempre caem nesse lugar comum: “Ah, mas haverá um vácuo de poder que será preenchido!”.\n\nTal argumento, para ser válido, teria de funcionar também para outros setores livres da economia. Por exemplo, pensem no setor de padarias. É um setor relativamente livre. Qualquer um pode entrar e sair, desde que tenha dinheiro. Pergunto: por que então até hoje nunca surgiu uma super cadeia de padarias que tenha adquirido o monopólio sobre todas as outras? Afinal, há um “vácuo de poder”; não há um poder centralizado. Não é desarrazoado imaginar que haja aí uma grande oportunidade de se tomar os clientes de todas as padarias e concentrá-los numa só. Por que isso nunca ocorreu? Segundo os senhores, não apenas nada impede isso, como também o próprio arranjo automaticamente leva a essa situação. Creio humildemente que os senhores estão simplificando muito as coisas.

  5. Prezado Ricardo, muito agradecido por seus elogios. Mas vamos rebater seus argumentos:\n\na) As que não estão felizes, estão livres para sair do arranjo, certo? Elas não podem simplesmente obrigar ninguém a sustentá-las. Se fizerem isso, teriam de criar um aparato com o monopólio da coerção. Como criá-lo do nada, sabendo que há oportunidades de ganhar muito dinheiro criando outros aparatos que visam justamente coibir o surgimento desse aparato supremo?\n\nb) o fato de algumas pessoa quererem ser dominadas não implica que todas as outras também terão de se submeter a tal subjugo. Você pode querer controlar a minha vida, mas eu tenho o direito de não querer me submeter a você. E aí? Vide novamente as oportunidades de lucro que tal arranjo apresenta para aqueles que quiserem atender essa minha vontade.

  6. Mas Leandro. Vamos ao caso da máfia.\n\nO fato da Cosa Nostra não dominar o sul da Itália todinha não torna a vida dos habitantes sob a Camorra mais confortável.\n\nOlha, negociar com o estado é duro mesmo. \nMas negociar com alguém que lhe diz que tu tens que contratar ele para lhe proteger por senão “algo muito ruim vai acontecer” não é muito melhor não.\n\nEu não estou simplificando não. Estou colocando algo que costumas (os ancap) esquecer. Poder de Fogo.

  7. Exato! E você acabou de demonstrar cristalinamente como o estado opera. A grande diferença entre a máfia e o estado é que este último faz as mesmas obscenidades, só que sob o manto da legitimidade. Ou vai me dizer que a frase “se você não quiser contratar os serviços do estado, algo de muito ruim vai lhe acontecer!” não é válida? Experimente ficar sem pagar seus impostos sob a desculpa de que não está satisfeito com os serviços estatais prestados. É cana na certa. Ou seja: a máfia pode ser combatida e suprimida; o estado, não. Você pode escapar da extorsão da máfia. Se conseguir, estará livre. Agora, tente fazer o mesmo com o estado. Se conseguir escapar de sua extorsão, irá para o xadrez. E só um último detalhe: a máfia existe para ofertar os bens e serviços que o estado proibiu. Caso estes não tivessem sido proibidos, a máfia jamais teria crescido – e sua história seria apenas a de uma rixa entre vizinhos. O que gerou o enorme fortalecimento das máfias foi o dinheiro que elas ganharam explorando negócios tornados ilícitos pelo estado. Sem essa ajuda estatal, elas jamais teriam se tornado poderosas.

  8. Então Leandro. O fato de demonstrar como o estado opera, não invalida de modo algum o que tento dizer no fim das contas, que não adianta trocar seis por meia dúzia.

  9. Uma coisa estpa parcialmente oculta no argumento do Leandro. Mas é clara pra quem consegue perceber. O argumento não é só a disponibilidade de riquezas do livre mercado.
    O fato é que o Estado mínimo ainda é um Estado. E por isso possui o uso legítimo da coerção; enquanto na anarquia ninguém detém essa legitimidade.

    Daí se infere que num estado mínimo, seria mais fácil uma intervenção na economia ou noutros campos. O poder ainda é centralizado e tb delegado.
    Na anarquia, não.
    Não acho que é impossível que de uma anarquia nos moldes de Rothbard possa surgir um estado, mas esse estado só surgiria com uma espécie de guerra civil.
    Acho que a única coisa que dá pra dizer do argumento do Leandro é que nem sempre as pessoas agem movidas por racionalidade de mercado.Mas concordo numa coisa: seria mais difícil surgir um estado numa anarquia.

  10. é engraçado que o pior cenario que qualquer um que seja contra a ausencia de um Estado pode imaginar é o que temos hoje, vivermos dominados por uma gangue.”I used to be a minarchist, but I ran out of excuses.”

  11. Ulisses Alfredo Santos Lima

    Amigos não adianta agora ficar discutindo qual é melhor: Minarquismo ou Anarco-capitalismo?

    tenho uma unica certeza nessa vida que os liberais brasilianos devem registrar uma partido que luta por liberdade o mais rápido possível, quando ainda há tempo…

  12. Erik Frederico Alves Cenaqui

    Texto essencial para entender os valores defendidos pelo IMB.\r
    Os anarco-capitalistas são considerados radicais por defenderem os valores do mercado, mas defender o estatismo e suas consequências é a coisa mais radical que já vi no campo das idéias, pois é a defesa da violência institucionalizada.\r
    Noto que o IMB não faz uma crítica ideologica ao estado, nem mesmo espera que surjam políticos honestos que vão conduzi-lo de forma correta, apenas demonstra como este funciona efetivamente e quais suas consequências nefastas na rotina das pessoas sem vínculos políticos. \r
    A defesa da liberdade é essencial a saúde mental e física de todos nós.\r
    Abraços

  13. Molyneux disse: “…Pois quanto menor é o estado, quanto mais você o restringe, mais produtivo torna-se o mercado. Quanto mais produtivo é o mercado, mais rápido a economia cresce e mais riqueza ela gera. E o livre mercado é tão produtivo que ele é capaz de aguentar por muito tempo um enorme crescimento da tributação e um grande agigantamento do poder estatal – até chegar a um ponto em que ele inevitavelmente irá ceder…”

    Assumindo que:

    1) poupar é deixar de consumir no presente para consumir no futuro;

    2) investir é poupar correndo risco calculado, com o objetivo de ter mais capital em um momento futuro;

    3) e, a razão de ser do Estado é manter o status quo e manter e/ou aumentar o seu próprio poder.

    Estaria eu enxovalhando o significados das palavras Poupança e Investimento e demonstrando minha ignorância, se eu concluísse, a partir do texto de Molyneux, que Estado Mínimo = Estado Poupador = Estado Investidor?

  14. Não entendo os anarquistas liberais, digo, os anarco-capitalistas. Nas palavras de Mises:

    “O anarquista, porém, se engana ao supor que todo mundo, sem exceção, desejará observar tais regras voluntariamente. Há dispépticos que, embora saibam muito bem que ceder ao prazer de certos alimentos significa sofrer dores fortes, quase insuportáveis mais tarde, não obstante, são incapazes de evitar o prazer e o delicioso prato. Ora, as inter-relações da vida em sociedade não são fáceis de delinear, como os efeitos psicológicos da comida, nem mesmo as consequências ocorrem tão rapidamente e, acima de tudo, tão palpáveis para o causador do mal. É, pois, possível supor-se que, sem cairmos no terreno do absurdo, a despeito de tudo isso, todo indivíduo em uma sociedade anarquista terá maior descortino e força de vontade do que um dispéptico? Em uma sociedade anarquista, estará descartada, totalmente, a possibilidade de que alguém possa, negligentemente, atirar um fósforo aceso e iniciar um incêndio ou, em um momento de raiva, ciúme ou vingança, infligir danos a seu compatriota? O anarquista compreende mal a verdadeira natureza do homem. O anarquismo somente seria praticável, num mundo de anjos e santos.

    O Liberalismo não é anarquismo, nem tem, absolutamente, nada a ver com anarquismo. O liberal compreende perfeitamente que, sem recurso da coerção, a existência da sociedade correria perigo e que, por trás das regras de conduta, cuja observância é necessária para assegurar a cooperação humana pacifica, deve pairar a ameaça da força, se todo o edifício da sociedade não deve ficar à mercê de qualquer de seus membros. Alguém tem de estar em condições de exigir da pessoa que não respeita a vida, a saúde, a liberdade pessoal ou a propriedade privada de outros, que obedeça às regras da vida em sociedade. É esta a função que a doutrina liberal atribui ao estado: a proteção à propriedade, a liberdade e a paz.

    O socialista alemão Ferdinand Lassalle tentou ridicularizar o conceito de um governo exclusivamente limitado a esta esfera, ao chamar o estado, constituído, com bases nos princípios liberais, de “o estado vigia – noturno”. Mas é difícil divisar a razão pela qual “o estado vigia – noturno” devesse ser mais ridículo ou pior do que o estado que se preocupa com a preparação do chucrute, com a fabricação de botões para calças ou com a publicação de jornais. Para compreender o efeito que Lassalle buscava criar com esse dito espirituoso, é preciso ter em mente que os alemães de sua época não haviam ainda esquecido o estado dos déspotas monárquicos, com sua vasta multiplicidade de funções administrativas e regulatórias, e que continuavam ainda sob forte influência da filosofia de Hegel, que elevara o estado à posição de entidade divina. Se se considera o estado, assim como Hegel, como “a substância moral autoconsciente”, como o “universo em si e por si, a racionalidade da vontade”, então, sem dúvida, deve-se considerar blasfema qualquer tentativa de limitar a função do estado de atuar como um vigia – noturno.

    Só assim se pode entender como foi possível a alguém ir tão longe na condenação do liberalismo por sua “hostilidade” ou inimizade ao estado. Se tenho a opinião de que é desaconselhável atribuir ao governo a tarefa de operar ferrovias, hotéis ou minas, não sou mais “inimigo do estado” do que inimigo do ácido sulfúrico, por ser de opinião de que, embora útil em muitas finalidades, não se presta para beber, nem para lavar as mãos.

    É incorreto interpretar a atitude do liberalismo, em relação ao estado, ao afirmar-se que essa doutrina deseja limitar a sua esfera de atividades possíveis ou que abomina, em princípio, toda atividade executada pelo estado, no que concerne à vida econômica. A opinião que o liberalismo tem, com relação ao problema da função do estado, é a consequência necessária da defesa que faz da propriedade privada dos meios de produção. Se alguém é a favor disso, sem dúvida, não pode ser a favor da propriedade comum dos meios de produção, isto é, a favor de colocá-los à disposição do governo, e não de proprietários individuais. Portanto, a defesa da propriedade privada dos meios de produção já implica uma circunscrição bastante drástica das funções exercidas pelo estado.”

  15. Estou com o Vinci. Os anarco-capitalistas utilizam um modelo lindinho de ser humano. Não levam em conta o fato de que há pessoas mais fortes, com melhores habilidades físicas, mais politicamente astutas, etc. Estas pessoas venderão seus serviços como as outras pessoas?

    Uma hipótese realista: você é mais forte e tem mais armas do que eu, já que meu objetivo não é ser forte, e sim vender outro tipo de serviço. Ora, o que seria mais lucrativo para você: oferecer um serviço para mim, ou me forçar a pagar o que você bem entender? A concorrência, nesse caso, não seria por serviços melhores.

    Eu poderia treinar e me esforçar para me defender. Com isso, perderia competitividade, já que o outro sujeito que paga para não ser morto por você poderia se concentrar no próprio trabalho. O máximo de serviço que você me ofereceria seria que *OUTRA* pessoa não me matasse, algo que você não poderia garantir de verdade, já que certamente a disputa entre máfias por territórios seria constante. Ok, não haveria a disputa constante por territórios. Teríamos, então… países diferentes!

    Resumindo: o anarco-capitalismo é fruto de uma visão tão otimista da natureza do ser humano que chego a ficar emocionado com tamanha ingenuidade.

  16. Creio que os fatos recentes na Bahrein mostram a fragilidade de um país pequeno tentando ser anarcocapitalista.
    Imagine a população querendo liberdade e o governo do Bahrein não consegue conter a população e de repente vem uma ajuda externa da arábia saudita e contém toda a população.
    Isso também vêm ocorrendo na Líbia onde simplesmente a população não consegue conter alguém mais forte e armado até os dentes.
    Creio que a dominação de um povo anarcocapitalista por outra nação maior e belicamente mais poderosa seria inevitável. A não ser que o mundo todo fosse anarcocapitalista. Parece o jogo do War, o mais forte vai dominando tudo mais fraco em volta, pois a liberdade libertária simplesmente não prevê investimento em guerras. Parece um beco sem saída.

  17. Lendo este texto faz acreditar que o Estado é um ser orgânico e personalista capaz de durar gerações e gerações se sustentando através da pujança do livre comércio. Parece que uma pessoa do governo hoje, tem total interesse em agigantar o Estado, mesmo sabendo que daqui a 8 anos ele não será mais o mandatário do poder, e estará do outro lado sofrendo as consequências de suas próprias decisões de agigantamento! Isto não me parece muito lógico! Ainda mais quando uma pessoa, quando governo, toma decisões que permearão por outras tantas gerações! Estranho!

  18. Qual a grande diferença, na prática, entre um governo mínimo e uma justiça privada de instância superior, com autoridade num território limitado?
    Obs: por governo mínimo é mínimo mesmo, não estou falando de democracia nem de instituições, políticos, etc

  19. Esse texto lembrou-me o “Culto a Carga”, já mencionado nesse site, em um podcast. O Brasil copia esses países poderosos em suas formas de organização política e de estado, pensando que ao fazer isso, alcançará o mesmo nível de prosperidade. No entanto, nossa elite dirigente é estupida demais para ver que está copiando as consequências da prosperidade, e não a sua causa, o livre mercado. No século XIX, foi assim. A maior potência do mundo era o Império Britânico, portanto sejamos um Império, então tome Dom Pedro I e Dom Pedro II. No final do século XIX e começo do XX, o modelo de nação era os EUA, então o Brasil vira uma república federativa, para prosperar. No fim do século XX, o modelo era os países nórdicos, com seu modelo de welfare state, então para chegar a esse nível o Brasil inventa a Constituição de 1988. Roberto Campos costumava dizer que o Brasil queria um serviço de estado nórdico com recursos moçambicanos. Infelizmente, no nosso país há um culto ao estado. Isso é histórico. Os ricos querem o estado para favorecer os seus negócios, a classe média para conseguir empregos públicos e, mas recentemente na história, os pobres para obter assistência social. Acredito ser muito dificil o liberalismo ser implantado no Brasil. Isso demandaria uma incrível mudança cultural.

  20. É fácil mostrar que uma minarquia produz um estado gigante porque isso já aconteceu.
    Teoricamente, com uma constituição que mantenha o governo totalmente limitado, a minarquia seria algo duradouro. Assim como na teoria não surgiria um estado em uma sociedade anarcocapitalista.

  21. Sempre uns vão possuir mais domínios sobre os outros.

    A diferença é preferir que seja quem tem mais dinheiro (e você não ter para quem recorrer), ou quem você elegeu.

    Simples.

  22. Essa sedução do governo que foi citada no artigo, creio eu, na verdade seria a sedução dos próprios cidadãos, que foi estúpido de se deixar seduzir por vigaristas e velhacos em nome do conforto. O ponto está correto, mas colocar a culpa no Estado por isso é não seria diluir a responsabilidade individual?

  23. Esse texto não demonstrou que um estado mínimo leva inevitávelmente a um estado máximo. Só porque isso já aconteceu não se segue que sempre acontecerá, e muito menos que acontece necessáriamente, pela simples existência do estado mínimo. Acho que o texto inteiro cai na falácia non sequitur. Se todos os cidadãos fossem minarquistas, muito provavelmente o estado continuaria sendo mínimo, se isso estiver certo, prova que a tendência ao estado máximo não é inerente ao estado minimo, mas uma condição imposta desde fora.

  24. Nota de rodapé:

    O exemplo dos países nórdicos tem uma premissa completamente equivocada. O único país escandinavo que não participou da IIGM foi a Suécia. Dinamarca e Noruega foram invadidas e ocupadas pelos nazistas e a Finlândia ajudou os alemães na invasão da União Soviética. Além disso a Islândia foi ocupada militarmente por britânicos e americanos.

  25. Emerson Luis, um Psicologo

    O ser humano é intrinsecamente imperfeito. Qualquer teoria ou sistema que ignore ou subestime isso trará maus resultados. O melhor que podemos fazer é uma economia desestatizada, mas governada por leis isonômicas. E o fortalecimento das regiões, um federalismo de fato, que aplique o princípio da subsidiariedade.

    * * *

  26. No Brasil isso aí nunca foi realidade, agora com Lula no poder mais distante ainda. Lembro bem que o FHC nunca mexeu na CLT, havia muito funcionario publico ganhando na epoca mais de 8000 que ainda hoje é um bom salario e fazendo greves… sou de Brasilia, esse papo de FHC ser neoliberal é coisa de gente que nao entende nada de neoliberalismo. Se ele tivesse sido mesmo neoliberal teria derrubado a CLT e cortado metade dos parasitas burocratas. Brasil nunca foi neoliberal pois o povo nao gosta de trabalhar, pra ser neoliberal voce tem de ser empreendedor e trabalhar nao ficar ganhando bolsa do governo!
    Estados Unidos esta muito bem obrigado, duvido muito que eles sintam alguma inveja do Brasil ou de Cuba.

  27. O Brasil eh um dos paises que mais pagam imposto no mundo e isso nao eh por conta de corrupcao apenas é por conta de um monte de parasitas chamados servidores publicos que servem só a si mesmos e todo ano fazem longas greves querendo aumento! Os politicos tem sua parte do bolo do nosso PIB mas pode crer que sindicalista e funcionario publico leva outra parte.

  28. Não foi o Estado Mínimo que criou o imperialismo americano, mas sim sua pujança econômica frente aos demais países. Dinheiro é poder. Fico pensando se a União Soviética tivesse prosperado e superado os EUA, quem ditaria as regras? Lógico que o mais poderoso, digo, rico. Só os românticos e sonhadores insistem em ideologias metafóricas para explicar um mundo que, ao meu ver, não é tão complexo como se imagina ser.

  29. As regiões do Rio dominada pelas milícias, não se assemelham com o anarco-capitalismo?

    Pois o Estado é pouco presente nessas áreas,mesmo recebendo benefícios e subsídios do governo.

    O que aconteceria se o Estado desaparecesse de vez? Como isso iria influenciar no crime organizado? Os habitantes carentes não passariam de dependentes de uma intervenção do Estado para dependentes de uma intervenção humanitária para salva-los do crime?

  30. ”Os menores governos sempre produzem os maiores governos. É completamente impossível que não seja assim. Nunca houve um contraexemplo na história e nem nunca haverá.”

    Cuba, Coreia do Norte, Venezuela, Rússia…

    Além desses países não passaram por um processo de Estado Mínimo,eles tem muito menos liberdade que nos EUA, Inglaterra, Irlanda logo ele não produziram os maiores governos.

  31. Não posso acreditar que perdi meu tempo lendo uma “teoria sanitária” dessas…
    Comparações completamente sem nexo, levantamentos totalmente mal elaborados e infundados, não passa de suposição pessoal de alguém que visa distorcer e tender à um fator do conjunto sem ao menos ponderar avanços significativos em uma teoria que transformou a colônia norte americana em potência mundial e muito além da questão nuclear, como o autor faz questão de repetir…

  32. Posso estar enganado sobre a definição do que é um estado, mas se um estado mínimo leva ao estado máximo, não poderia haver nenhum partido político que defenda o liberalismo. Pois a partir do momento que o partido estiver no poder, ele vai ser o próprio estado.

    Se essa situação que eu disse estiver correta, como poderia então o liberalismo ser implantado no mundo sem partidos políticos ?

  33. Esse ancaps… são tão simplistas e ingênuos. Eles acreditam mesmo que o mundo inteiro vai virar uma verdadeira nação anarcocapitalista e que todo mundo vai nascer querendo obedecer à risca o PNA manhosamente kkkkkk.
    Até parece que não iam surgir milícias armadas para invadir e dominar a propriedade dos outros. Opa, pera aí, mas não é que na Somália tá acontecendo mais ou menos isso? Só que usar a Somália como exemplo de anarquia não vale né, porque o “verdadeiro anarcocapitalismo nã foi implantado, deturparam Rothbard” by: Luciana Hayek Genro kkkkkkkkkkkkk.. Provavelmente vão sempre usar essa mesma falácia.
    Aceitem que dói menos: uma minarquia com imposto mínimo é muito mais eficiente pra proteger a propriedade privada do que uma anarquia de livre mercado, até por causa das agressões de outros países

  34. Thomas Korontai

    Li o artigo e filosoficamente parece lógico, mas não considera uma série de variáveis. Uma delas é geopolítica. Estados nacionais se fortalecem, mesmo mantendo uma federação de minarquias internas, para se posicionar no tabuleiro mundial, seja militarmente, seja economicamente, seja culturalmente. E nesse contexto, os EUA foram extremamente competentes.

    Outra variável é ideológica. Sempre vão existir ricos e pobres, pois sempre existirão pessoas com visão e outra sem visão nenhuma, embora todas importantes no contexto da vida em comum. Essa variável ideológica, que busca concentrar poderes e recursos para posterior distribuição ao atendimento dos pobres, simplesmente vai gerando mais pobres. Implantada a política do Robin Hood, por gente que chega ao poder por meio de discursos populistas, os governantes vão fortalecendo a burocracia, a nomenklatura estatal para se manter no poder. E aí surgem as oligarquias.

    Frise-se ainda que a expansão demográfica sempre foi mais rápida do que o capitalismo poderia suprir, especialmente porque, na contra mão, vinham os governantes concentrando poderes e recursos, diminuindo o espectro do avanço do capitalismo, que também foi se concentrando, resultando em oligopólios, monopólios, cartéis e demais grupos plutocráticos.

    O artigo, contudo, é ótimo no sentido de se trazer alertas para que se melhorem os dispositivos de controle e balançamento do poder nas suas diversas vertentes – econômico e política principalmente. Esperamos que nós, os Federalistas, possamos evoluir muito em relação aos modelos inspirados – EUA, Suíça e Alemanha, para citar os mais preponderantes.

  35. Kelvin Henrique Ferreira

    A questão não é o tamanho do estado, é como ele vai se manter.
    Os impostos são obrigações, sendo assim são literalmente “Impostos” para o povo.
    Se a necessidade com o tempo, precisar que o estado aumente, quem deve bancar, são pessoas através de doação ou livre vontade (Um exemplo de como conseguir essse dinheiro são loterias e jogos do tipo) e não por imposto.
    Meu estado pode ter 100 ministérios, se o povo achar que vale a pena pagar por isso mesmo sabendo que vai ser feito PARA TODOS, então pagam os que querem, se eles não querem isso, procurem a resolução na iniciativa privada para ser só para ele ou quem ele quer pagar.

  36. Mas um fato relevante a ser citado é que a Constituição Americana na época era um queijo suíço cheia de furos para o Estado crescer igual um boi de engorda.

  37. Primeiro: Os exemplos de países mostrados não são nada ruins. E poder bélico traz aquela velha frase à tona:”Quem quer paz, deve estar preparado para a guerra”.

    Segundo: As características atuais citadas na Irlanda, já são de SOCIALISMO. Infelizmente não tem como controlar todas as gerações que irão suceder no comando do país. Isso é óbvio.

  38. Fantástico. Uma sequência bem estruturada e lógica de filosofia dialética, o mínimo é o máximo. Se nos descuidarmos do tamanho do estado o estado nos engolirá. O estado precisa ser constantemente vigiado para que ele não reverta seu papel através de assunção de papeis trocados entre o mínimo e o máximo. O mínimo é tão perigoso e tão ameaçador quanto o estado máximo, pois enseja sua contradição.

    O estado somos nós.

  39. É evidente que num ambiente de competição comercial a baixa tributação traz competitividade, porém isso se assemelha à uma vantagem logística, de recursos naturais, de tecnologia, entre outras vantagens que produzem o mesmo efeito ou maior e melhor, não sendo a baixa tributação a melhor opção sempre, muito pelo contrário principalmente havendo larga vantagem comercial independente disso, não sendo necessário e proveitoso uma hiper financeirização.

    A questão da liberdade juridica é mais importante e sua mitigação cria entraves para a economia real. No Brasil por exemplo, qualquer atividade econômica que ainda não tenha sido regulamentada não tem segurança jurídica para acontecer e as que já foram também não tem tanta segurança assim. Pode-se a qualquer momento um dos poderes criar entraves para a realização dessas atividades por qualquer motivo. Essas ferramentas de Estado são usadas não só por agentes políticos dos três poderes para benefício próprio ou politico, como por empresas para prejudicar o concorrente e o livre mercado, criando o pior tipo de insegurança jurídica.

    Ai poderíamos desenvolver em varios caminhos, na divisão da política externa, interna e suas retoricas, podemos remeter também aos contextos históricos (nunca de forma fantasiosa como a desse texto), entre outros.

    Acontece que o equilíbrio que os EUA conseguem hoje, segunda a lógica do proprio autor, entre publico e privado e no carater transitório do estado minimo e sua defesa como modelo de construção de um estado forte é só fruto da cultura que se desenvolveu ali, numa organicidade pseudo humana e individualizada pelo conceito de povo e por isso única. Posta como está se propõe como paradigma da perfeição e a única maneira de se fazer, quando na verdade é só mais uma. Claro que nem todos estão preparados para essa perspectiva metafísica e nem acostumados a entender a projeção da cultura dos indivíduos na sociedade e a externalização disso como valor cultural coletivo, político e principalmente quando jurídico. No entanto, há de se manifestar nesse sentido posto a pobreza da lógica proposta.

    Tudo justifica oque foi feito e de forma superficial, ignorando tudo que deu errado e enaltecendo tudo que não deu certo. Alias, o domínio dos EUA dura um breve período de décadas na história milenar do mundo e só. O imperio romano não teve adversários por muito mais tempo.

    Estamos falando de 22% de crianças norte americanas abaixo da linha da pobreza e por isso um país sem futuro, 125 mortes por dia por falta de atendimento médico, a maior população carceraria do mundo onde se trabalha por menos de 0,50 centavos por hora, um lugar onde rico não vai preso exceto se for laranja de alguém mais rico, um país que gasta mais dinheiro fora dos EUA com guerra do que com os que pagam seus impostos, um estado doente.

    Basicamente o autor explicou uma parte do processo de criação de todos os problemas sociais, econômicos e até de segurança dos EUA, oque nos deve fazer aprender com seus erros e não repeti-los.

    O problema do pessoal que acredita nessas baboseiras e terceirizam suas utopias as vezes até abraçam uma ideologia, além de adorarem o dinheiro como Deus é que querem a liberdade dos outros antes das deles, posto que não tem condições nem ferramentas para explorar o modelo que propõem, isso é uma imbecilidade. Não entendem que a emancipação social e a liberdade individual são ferramentas muito mais eficientes para se alcançar a liberdade econômica de um povo e que se não for assim essa liberdade será cada vez mais concentrada e heterogênea, sendo que poderia ser homogênea e produzir muito mais. Usando como exemplo o século XVIII mencionado no texto, ali foi só o resultado de um processo de emancipação social que acontece desde o século XV não só na europa como no mundo novo, justamente pelo livramento cultural e territorial que aconteceu a partir de então, por isso punjante nos EUA e, na inglaterra por ser berço dessa emancipação. Além da questão religiosa o fortalecimento narural da burguesia frente a ruptura de poder que pois fim ao sistema feudal europeu.

  40. O artigo já diz: Estados mínimos são amplamente funcionais. Minarquia leva á um estado de prosperidade econômica por questões óbvias. Então, entendo que o problema não está na minarquia, e sim, nas variáveis que faz com que a minarquia se perca no meio do caminho. Por exemplo, eleger aquele candidato à presidente do partido de Esquerda, que, com certeza, irá começar a trabalhar seu plano de populismo e enriquecimento ilícito através do assistencialismo indiscriminado. Outra questão que o artigo aponta é que os EUA tinham mecanismos para controlar o tamanho do Estado e manter seu nível de liberdade e prosperidade, porem, em algum momento, se desprendeu deste mecanismo. É isso que precisar ser trabalho. Obviamente, o problema não está no ‘Estado Mínimo’.

  41. E se o Estado for mínimo ao ponto de somente deixar os 3 poderes -> Legislativo, Executivo e judiciário e Privatizando todo o resto deixando o livre mercado agir de forma autônoma sem cobrar impostos das empresas. Monopólios poderiam surgir se tornando um novo estado, tem uma chance disso acontecer então acredito que a segurança interna nem externa deva ser papel do estado afim de não inchar seu poder e formar um estado totalitarista novamente!

  42. Tudo que eu pude ver é que o estado nao passa de um virus, que a todo momento tenta invadir e crescer, nao consigo imaginar uma sociedade sem estado (talvez pq assim me foi ensinado), mas o seupoder tem que ser monitorado a todo tempo. É igual a um quarto bagunçado, quanto mais vc demorar pra se importar, quando for ver pior sera a situação.

  43. O *Estado* e o *governo* são composto de PESSOAS. Têm muitas pessoas que falam que o estado agride as pessoas, mas não é o estado que agride as pessoas e sim as próprias pessoas. Temos que compreender que o *Estado*, *governo* e a *corrupção* são trecos abstratos. Assim como não é possível prender *a corrupção*, também não é possível “lutar” contra o Estado. Aí vem aquelas frases de Platão: *A punição que os bons sofrem, quando se recusam a agir, é viver sob o governo dos maus* e “O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus” . Também tem a frase do artigo ‘O Estado e a razão: *Parece sensato, mas há um problema: Quem enxugará o Estado? O próprio Estado. Enxuga-se privatizando. E, na medida em que privatiza, cria uma rede de cumplicidades privadas que estenderão o poder do Estado – agora anônimo, informal e quase invisível – até os últimos confins da vida social*. E outra coisa: a revolução americana não foi uma revolução. Revoluções têm o propósito de *concentração de poder* e de agir em “prol” de uma “sociedade melhor”, nem que para isso seja necessário matar milhões de pessoas. Os fundadores dos EUA e o povo tinham o propósito de fazer um país em que “os bons pudessem governar” e que o povo tivesse total poder na mão, os cristãos. Até mesmo, o próprio John Adams afirmou isso: *Nossa Constituição foi feita somente para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para o governo de qualquer outro povo* . Os EUA, Inglaterra, Israel e outros países desenvolvidos só são desenvolvidos pois os bons governam. Não podemos esperar moralidade de um governo imoral.

  44. O “Estado mínimo” leva a uma considerável redução da carga tributária. Logo, não haverá como esse Estado ficar maior que o mercado. Vide Hong Kong.

  45. Não há o que discutir a respeito dos benefícios econômicos e sociais para um país quando se tem um Estado mínimo.

    Concordo com os comentários de Alexandre Cassimiro Andreani, onde faz analogia com um sistema informacional computadorizado: “um reboot é necessário em algum momento”

    O problema, ao meu ver, está no ímpeto do homem pelo poder de governar em prol de si e de grupos econômicos.

    “O maior problema do homem é ele mesmo”

  46. Gostei muito seu posicionamento, no entanto fiquei intrigada a saber sua opinião a respeito de tal assunto levando em consideração a atual situação do Brasil. Não séria uma opção viável para você reduzir o poder do estado e dos governantes, para fortalecer a livre economia comercial e após algumas décadas com o seu firmamento, retomar o governo? Adoraria debater sobre isto, segue meu email: [email protected]

  47. Acho que uma nova constituição poderia limitar o agigantamento do Estado. Tudo bem que poderia surgir uma nova a partir desta… Mas seria uma maneira para que o minarquismo funcionasse.

    Não consigo imaginar um mundo totalmente privatizado, mesmo lendo bastante sobre.

  48. Yonatan Mozzini

    "Pouco mais é necessário para erguer um Estado, da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência, além de paz, de baixos impostos e de boa administração da justiça: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas." Adam Smith.

    O pai da economia e o filósofo que serviu de inspiração para os Founding Fathers já havia previsto que assim seria. Pena que à época pouca importância foi dada a essa afirmação – inclusive pelo próprio autor.

  49. Me parece difícil acreditar que eventualmente um estado minarquista se tornaria gigante. Pois numa minarquia as pessoas estariam acostumadas com uma situação favorável para elas, não tem impostos altos, podem empreender sem dificuldade e são capazes de enriquecer rápido. Agora imaginem que o estado começa a crescer, os impostos aumentam, mais regulações surgem. Não é necessário dizer as consequências, as pessoas irão se tornar descontentes com isso. E como já sabemos através da ação humana, as pessoas buscam sempre aquilo que é favorável para elas.

  50. Peida na Lancheira

    A Suíça está aí e nunca virou um „estado máximo".

    Nós já tentamos tantas vertentes do libertarianismo e do anarquismo e nenhuma deu certo (Colônia Cecília, Somália, Rojava, Freetown Christiania e Liberland são exemplos), o socialismo não deu certo… se nenhuma ideologia dá certo, o que mais vamos tentar? Nacional-Bolchevismo? Anarco-Monarquia? Tudo só para dar errado de novo?

    A Suíça está aí: impostos opcionais, além d’eles serem bem baixos, prisões quase sempre estão vazias (inclusive, algumas estão a venda), a eleição do presidente é algo simbólico e feito em assembleias (tanto no congresso quanto uma assembleia popular) além do fato de que os civis podem mudar, criar e aprovar leis…

    Resultado: quarta maior liberdade de imprensa, segundo maior índice de democracia, além de ser o terceiro maior IDH do mundo…

  51. João Pedro Teixeira Chiodelli

    O problema desse texto, é que ele diz que o governo irá crescer e se tornar autoritário, justificando o porquê do anrcocapitalismo estar a frente do minarquismo, mas o autor se esquece, que em um próprio ancapstão, provavelmente algum Estado se formaria, que é sim algo que pode se ver na história inteira, diferente da falácia que toda minarquia se torna jm mega governo, Suíça é um imperio hoje?

  52. Prezados,

    Outro artigo importante compartilhado conosco. Tenho aprendido cada vez que visito este conceituado Instituto, mas me considero minarquista – acho que o Estado mínimo é possível e até indispensável. Tenho dificuldades em acreditar numa sociedade SEM Estado nenhum.

    http://www.suno.com.br/artigos/estado-minimo/

    Basicamente, os defensores do estado mínimo apresentam três razões principais pelas quais esse modelo seria o melhor:

    Menor erro de cálculo econômico, o que reduz os desperdícios de recursos escassos e melhora na alocação de capital de uma sociedade;

    Maior crescimento econômico e geração de empregos, pois libera recursos engessados pelo Estado.

    Menor carga tributária e maior liberdade de empreender.

    Estes argumentos me parecem satisfatórios e coerentes.

  53. Artista Estatizado

    Constituição é só um pedaço de papel. É absolutamente inaceitável um brasileiro nos tempos atuais achar que alguém precisa obedecer um pedaço de papel a não ser pelo uso da força, ainda mais um leitor desse site.

    Isso mostra como não há a menor possibilidade de liberdade nesse mundo, pelo simples fato de que a maioria dos seres humanos não tem inteligência suficiente para serem livres, da mesma forma que cães não podem ser livres.

    Ministros do STF desobedecem a constituição por que homens armados (polícia federal) obedecem ordens ilegais. A força é a única forma definitiva de poder, e o estado tem o monopólio do uso legal da mesma.

  54. Caros.

    Uma duvida:

    Em termos de liberdade econômica, como poderíamos classificar a cidade/estado do Vaticano ? Seria um exemplo de estado mínimo ou ANCAP ? Seria um exemplo de uma cidade/estado que existe/vive através da doação de seus fiéis ?(OBS: Sou novato na área).

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