Economistas austríacos nunca foram dados a
exercícios de futurologia, pois acreditamos que a metodologia adequada para a
ciência econômica não se
presta a tal. No entanto, isto não nos impede de anteciparmos qualitativamente
o comportamento de algumas variáveis, mediante a simples aplicação da análise
praxiológica.
Estamos atravessando a pior crise econômica de nossa
história, talvez apenas comparável à do governo de Campos Sales
(1898-1902), gestada ainda no governo de Deodoro da Fonseca (1889-1891), cujo
ministro da Fazenda, Rui Barbosa, destruiu a economia com a loucura do
encilhamento, uma bolha de crédito inacreditável[1].
O sucessor de Rui, o médico homeopata Joaquim Murtinho,
prescreveu então uma receita bastante ortodoxa e alopata (como teria que ser)
para consertar os enormes estragos provocados pelo jurista que não entendia de economia;
um remédio forte e cujo amargor perdurou durante todo o governo de Campos Sales. Preparou
então Murtinho, em meio à forte recessão purificadora, o terreno para que o
governo seguinte — o de Rodrigues
Alves — pudesse fazer a colheita, como de fato aconteceu, já que foi o
mais próspero da Primeira República.
Essa pequena digressão àquele período parece-me
apropriada não apenas pela intensidade das duas recessões, mas também porque
Campos Sales dispôs-se a atacar de frente o problema, sem se importar com sua
popularidade, como se deveria esperar de qualquer estadista de boa estirpe.
O que nos conduz à pergunta: estará Temer de fato, a
exemplo de Salles, disposto a mergulhar de cabeça nas profundas reformas que o
setor público está a exigir, sem se importar, como
tem afirmado, com a baixa popularidade? Se estiver, terá ele o apoio
necessário de sua base parlamentar para que as reformas avancem e para que não
se limitem a medidas de “meia bomba”? E mais, saberá seu Banco Central resistir
às fortíssimas pressões para que diminua a taxa básica de juros, oriundas de
todos os setores da sociedade, impregnados de keynesianismo vulgar?
Parece oportuno lembrar que, diferentemente da
recessão de Campos Sales, a atual está acompanhada de uma crise política com poucos
precedentes em toda a nossa história, em que ocorreu o impedimento da
presidente eleita em 2014, em que Temer não dispõe da base popular de um
presidente efetivamente eleito como tal, em que o ex-presidente da Câmara está
preso e o do Senado envolvido em diversos processos por suspeita de corrupção,
em que o ex-presidente Lula poderá ser preso e, aditivamente, o Judiciário e o
Legislativo recorrentemente se comportam como gato e rato.
A Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE) é,
de longe, a que explica melhor as causas das flutuações
econômicas, a que analisa com acerto em que consistem as recessões e,
adicionalmente, a que mostra o caminho para sair das estagflações. A recessão
consiste na eliminação pelos agentes econômicos dos maus investimentos que foram
incentivados pelo governo no passado, quando bombeou crédito
artificialmente barato na economia (isso aconteceu no Brasil entre 2007 e 2014).
E a saída da recessão não requer nenhum remédio milagroso à la Keynes,
mas sim que o Banco Central e o Tesouro estanquem a hemorragia de crédito
barato e espere o tempo passar, para assim eliminar as alocações equivocadas de
recursos que foram feitas. Isso, ao menos, já está sendo feito.
Essa teoria explica a recessão de Campos Sales, a de 1921 nos Estados Unidos, a
Grande Depressão dos anos 1930, a Grande Crise de 2008 e a atual crise brasileira. Se
os economistas se dedicassem a estudar a Teoria Austríaca dos Ciclos
Econômicos, suas análises certamente seriam infinitamente melhores do que as
que vemos diariamente por parte da mainstream, que se limitam à
repetição de clichês keynesianos e, às vezes, monetaristas.
Mas não basta que o governo — como escrito acima —
se limite a estancar a expansão do crédito e esperar o tempo passar, pois temos
um grande problema a ser resolvido, sem o qual a própria atitude acertada de
estancar o crédito e deixar passar o tempo pode ficar impossibilitada. Trata-se
do enorme, gigantesco e monumental desajuste nas contas do
setor público; da tacanha, estúpida e obtusa burocracia; da
sufocante, abafadiça e asfixiante carga tributária; da
incoerente, disparatada e despropositada lei trabalhista; da
parva, estulta e pacóvia compulsoriedade do imposto sindical e dos
demais componentes do
custo Brasil.
Não se preocupe com o excesso de adjetivos, mas com
o excesso exorbitante, hiperbólico e supino do estado na vida dos
brasileiros. Essa é, sem qualquer dúvida, a raiz do problema.
Vamos resumir todas essas dificuldades em uma
palavra: reformas. E voltar às questões a que me referi acima: se
Temer está ou não disposto a realizá-las na intensidade e profundidade
necessárias e se terá ou não base no Congresso para isso.
Minha resposta a essas duas indagações,
infelizmente, é: não e não. Por quê?
Não há como acreditar que sim. Senão, vejamos. A
chamada PEC do Teto foi
um exemplo: um avanço sem dúvida, mas insuficiente e que mesmo assim provocou
enormes reações. A reforma
do ensino médio proposta seguiu o mesmo caminho. As medidas de
desburocratização recentemente
anunciadas são de uma timidez impressionante. A proposta de reforma da
previdência não toca na essência do problema, que é o regime de repartição, que deveria ser alterado para o
de capitalização e com extinção da obrigatoriedade da previdência estatal.
A equipe econômica há poucos dias convocou uma
coletiva de imprensa para anunciar
algumas medidas tópicas, sem qualquer profundidade.
Em suma, vamos recorrer a uma metáfora: se os
governos do PT se comportavam como cachaceiros que perderam o caminho de casa,
o de Temer mais parece um bêbado que se lembra de onde mora, mas que caminha a
passos lentos, dois para frente, um para trás, outro para o lado…
Gostaria de escrever que 2017 será o ano da saída da
crise e do controle da inflação, mas para isso seria necessário, primeiro, que
o governo tivesse plena convicção não apenas de que as reformas são
necessárias, mas também da profundidade a ser exigida nessas reformas; segundo,
que tivesse base parlamentar sólida e não sujeita às chuvas e trovoadas que se
abatem sobre o sistema político e que têm sido ainda mais fortes nestes tempos
de Lava-Jato; e terceiro, que também se faria necessária uma reforma de nossa
constituição socialista, mas isso está por ora fora de cogitação.
A TACE é bastante clara: para vencer a estagflação
basta que o governo deixe que os maus investimentos do passado sejam liquidados
pelo próprio mercado e que o banco central pare de expandir o crédito e manter
as taxas de juros em níveis artificiais.
Contudo, sem uma profunda e contundente
reforma no regime fiscal e na estrutura do estado, dificilmente um governo poderá manter essas
diretrizes, pois o crescimento
da dívida interna mais cedo ou mais tarde exigirá que o déficit seja
financiado pela expansão da moeda. Por isso, sem essa reforma — e nunca é demais
frisar — profunda, o bêbado continuará sabendo como chegar a sua casa, mas não
conseguirá fazê-lo.
O
que deveria ser feito
A solução não requer — e nem tolera — remendos.
Basta de ajustezinhos temporários que nem o velho inglês da conhecida expressão
vai desejar ver. Que se ponha um ponto final na velha prática do estado de
cobrar dos cidadãos seus próprios erros do passado, apenas para que possa
repeti-los no futuro.
Em outras ocasiões, já apontamos aqui tudo o
que deveria ser feito. Vale a pena repetir quais as reformas estruturais no
estado brasileiro de que tanto o país está carecendo.
Eis as mais básicas:
(1ª) Já que é ainda muito prematuro falar em extinção do monopólio
estatal da moeda, que pelo menos se dê ao Banco Central a
“independência” ou autonomia prevista desde sua criação, em
31/12/1964, pela lei 4.595 (mas que só ocorreu na gestão de seu primeiro
presidente, Denio Nogueira, no governo Castello Branco), desamarrando os
mandatos de seus presidentes dos mandatos do presidente da República. O
objetivo é fazer de tudo para termos e mantermos uma
moeda forte;
(2ª) Privatizações em massa (aqui um plano mais
radical e aqui um
plano mais moderado) e sem medo de enfrentar resistências políticas e de
“movimentos sociais”, na certeza de que deixará um país melhor para
seus sucessores;
(3ª) Abolição das vinculações de receitas
orçamentárias;
(4ª) Reforma tributária profunda, voltada para
vigorosa simplificação e não menos vigorosa redução da carga tributária;
(5ª) Inserção sem medo e sem ideologia na economia
mundial;
(6ª) Extinção de todas
as agências reguladoras e abolição de
proibições à entrada e saída de empresas nos mercados;
(7ª) Mudança radical na política externa, com a
desvinculação do Mercosul e a assinatura de acordos que realmente interessem ao
país (e não a esse ou aquele partido);
(8ª) Estímulos ao empreendedorismo, mediante medidas
de desburocratização
e criação de facilidades para a abertura de empresas nacionais e estrangeiras,
de todos os tamanhos;
(9ª) Reforma previdenciária;
(10ª) Extinção do BNDES;
(11ª) Reforma trabalhista, com a extinção da anacrônica CLT;
(12ª) Garantia absoluta dos direitos de propriedade
e punição de todo e qualquer movimento que os desafiar;
(13ª) Despolitização e da educação e da saúde, libertando-as da
estatização e da ideologização;
(14ª) Fortalecimento da federação, com a consequente
descentralização administrativa, de receitas e de decisões, ora concentrada na
União;
(15ª) Alteração na lei penal e modernização das
polícias, para que o crime passe a não compensar;
(16ª) Em um prazo maior, reforma constitucional;
(17ª) Reforma política.
Estas são apenas algumas das medidas que, ao lado de
outras, sem dúvida contribuiriam para a criação de um ambiente estável e
propício para que indivíduos e empresas, em ambiente de liberdade econômica e
de garantia de direitos, pudessem trabalhar em paz, regidos pelo axioma da ação
humana e colocar nossa sociedade nos trilhos do desenvolvimento.
Tudo isso não poderá, infelizmente, ser feito em
meia hora, ou em um mês, ou em um ano, ou em um governo curto como deverá ser o
de Temer; é tarefa para, no mínimo oito a dez anos, porque envolve, antes de
qualquer anúncio de “medidas” por parte de um ministro da Fazenda,
uma verdadeira revolução cultural, no sentido de mudar o conceito que os
brasileiros têm acerca de suas relações com o estado, do que dele devem esperar
e do que não devem esperar.
O
que realmente será feito
Mas o que realmente esperar de 2017?
No atual quadro, infelizmente, pouco podemos esperar
de positivo. É evidente que melhoramos em comparação com o governo anterior,
mas seria preciso melhorar muito mais.
Aposto, então, em uma e outra reforma tópica e sem
profundidade, capazes de conter a expansão desmedida dos gastos públicos, mas
incapazes de proporcionar o ambiente que se faz necessário para que as forças
de mercado possam operar de maneira a conduzir o ébrio até a sua casa em
segurança.
Assim, a medida usada pelos economistas mainstream —
o PIB — deverá apresentar no período de janeiro a dezembro um crescimento
próximo de zero, talvez ligeiramente positivo, se os empecilhos políticos não
forem muito fortes.
Quanto à inflação de preços, poderá ficar próxima ao
centro da meta estabelecida para o ano, desde que esses empecilhos também não
sejam muito relevantes e desde que o Banco Central não tente conter a valorização
do real ou se aventure em diminuir a taxa básica de juros sem a devida
contrapartida da solução para o problema fiscal. Como isso não deverá
acontecer, a inflação de preços poderá ficar bastante próxima da de 2016,
estourando, portanto, a meta para 2017 (altos 4,50%).
O desemprego — que não é, como a maioria
supõe, a “cura” para a inflação, mas sim consequência da inflação
monetária –, deverá apresentar resistência ao longo de todo o ano, sem
qualquer queda acentuada.
Peço desculpas ao leitor se o deixei com uma
sensação de frustração, mas a verdade é que o realismo cobra sempre o preço
justo, enquanto as ilusões exigem juros em bola de neve.
___________________________
[1] Logo
após a Proclamação da República, o déficit público explodiu. Segundo Mario
Henrique Simonsen, o governo simplesmente imprimiu dinheiro para pagar esse
déficit. Em 1890, o dinheiro em circulação aumentou 51,6%; em 1891, mais 71,8%.
Essa avalanche inflacionária, causada pela monetização dos déficits, levou a
uma especulação financeira, que foi o encilhamento propriamente dito. Sem essa
criação de dinheiro para financiar os déficits do governo, não havia como os
bancos da época saírem emprestando a rodo para bancar a especulação.
Veja que, em economia, mudam-se os métodos, mas as causas e consequências são
basicamente as mesmas. Se você joga dinheiro na economia, esse dinheiro será
utilizado em algum investimento voltado ou para se proteger da inflação ou para
lucrar.
Bom dia todos.
Discordo destas medidas por priorizarem os aspectos técnicos da economia e renegarem os aspectos humanos e sociais.
Abraços.
Excelente texto do prof. Iorio, as usual. Colocou os otimistas em seus devidos lugares hehe 🙂
Mas fiquei com uma dúvida quanto à esse item:
(3ª) Abolição das vinculações de receitas orçamentárias;
Não compreendo o porquê, ao meu ver a vinculação é uma maneira de impedir que se gaste mais do que arrecade, e uma maneira de cortar gastos imediatamente caso a receita caia. Qual o ponto dessa medida?
É tudo verdade. E a maior barreira às reformas é o próprio brasileiro. Quando converso em família tem dois tipos de atitude em resposta a esse tipo de proposta. Uns completamente apáticos, alheios à realidade devido a uma ignorância econômica profunda, e outros agressivos e assustados com a possibilidade desse “ataque” ao Estado que tanto nos protege e nos ajuda. Vai ser difícil. Acho que só uma contingência muito aterradora como o total colapso econômico ou ama iminente guerra civil.
(19ª) Corte profundo nos vencimentos dos servidores e políticos, além do fim dos benefícios excessivos e desnecessários. Fim da aposentadoria com salário integral do funcionalismo. Fim da contribuição previdenciária e/ou INSS facultativo. Medidas estas que incentivariam a migração de talentos para a iniciativa privada, em detrimento à cultura do concurseiro.
É muito fácil fazer isso acontecer, é só colocar o Malan na fazenda, Gustavo Franco no BC, Beviláqua como diretor de política econômica, Marcos Lisboa no Planejamento, Armínio Fraga no Tesouro.
Aí é só enjaular todos os desenvolvimentistas e progressistas, fechar a Unicamp, a USP, os sindicatos…
“Tudo isso não poderá, infelizmente, ser feito em meia hora, ou em um mês, ou em um ano, ou em um governo curto como deverá ser o de Temer; é tarefa para, no mínimo oito a dez anos, porque envolve, antes de qualquer anúncio de “medidas” por parte de um ministro da Fazenda, uma verdadeira revolução cultural, no sentido de mudar o conceito que os brasileiros têm acerca de suas relações com o estado, do que dele devem esperar e do que não devem esperar.”
Este parágrafo resume bem a questão: o problema é cultural. Enquanto a ideologia dominante continuar sendo sócio-fascista, não há solução possível.
Cabe a nós libertários continuar o nosso trabalho de formiguinha, espalhando a lógica e o conhecimento para as pessoas à nossa volta.
Entretanto, no ritmo que estamos conseguindo disseminar nossas ideias, precisamos de mais uns meros 1.365 anos para sermos maioria… Isso se não formos todos assassinados primeiro…
[]s,
2017, já estamos no final da segunda década do século XXI e ainda tem gente que acredita em papai noel e que se combate inflação com austeridade. Já no final dos anos 70, nós desenvolvimentistas já sabíamos que o problema inflacionário no Brasil é estrutural com uma certa inercialidade. Como diria o grande Dilson Funaro: ”juros é custo.”
Convido a todos para a nova agenda para o futuro do país: o Novo Desenvolvimentismo, idealizada pelo Bresser. Esqueçam a Nova Matriz Econômica, aquilo era um desenvolvimentismo populista que ofende e deturpa a heterodoxia de verdade.
Perfeito! Parabéns pela coragem de nomear a nossa Constituição com a sua designação real: CONSTITUIÇÃO SOCIALISTA.
É tudo verdade. E a maior barreira às reformas é o próprio brasileiro. Quando converso em família tem dois tipos de atitude em resposta a esse tipo de proposta. Uns completamente apáticos, alheios à realidade devido a uma ignorância econômica profunda, e outros agressivos e assustados com a possibilidade desse “ataque” ao Estado que tanto nos protege e nos ajuda. Vai ser difícil. Acho que só uma contingência muito aterradora como o total colapso econômico ou ama iminente guerra civil.
O marxismo gramsciano, encontrou solo fértil na América latina, floresceu com pouca resistência durante 50 anos no Brasil, atingindo o ápice em 2010 com a eleição de um poste para a presidência. Os membros e aliados do partido tirânico, pensavam que as raízes do seu projeto de poder, estavam seguras, por estarem fincadas na burocracia estatal e na sociedade de menor renda, isso explica todo o desespero e histerismo, desses gafanhotos ao comprovarem que a realidade não correspondia aos relatórios do partido. O Brasil, ainda não era a Venezuela e o poste caiu. A postura estoica no campo político deve ser abandonada pelos libertários ou acabaremos dominados pelos novos nacionalistas como Putin/Trump, muito mais inteligentes do que tipos como o Bobobama. Stalin, destruiu igrejas, matou sacerdotes ortodoxos, combateu a família tradicional na busca do novo homem socialista, Putin, faz totalmente o contrário usando esses valores milenares como uma cortina de fumaça para esconder sua tirania.
Novamente, lembro do Olavo de Carvalho, política nunca é sobre disputa de ideias, mas de poder (capacidade de determinar as ações dos outros), pessoas e meios. Os libertários sabem o que deve ser feito, mas não possuem poder para tal, nem pessoas, nem meios, e nem querem, pelo jeito, então a coisa não vai mesmo.
Prezados,
Pelo que venho aprendendo, o momento certo para que o BC comece a reduzir os juros seria após:
1- Liquidação dos investimentos errados devido ao crédito fácil;
2- Ajuste nas contas públicas;
3- Após a quitação dos débitos, sociedade começa a poupar e mudar a sua filosofia, reduzindo a preferência temporal. Consequentemente cresceria o volume de recursos em IPO’s no mercado de capitais, formando poupança, e assim contribuiria para queda da taxa de juro natural do mercado.
Gostaria que comentassem, dando um feedback no meu raciocínio.
Um grande abraço.
Luiz Novi
Parabéns professor Ubiratan Jorge Iorio. Os homens de partido, por mais puras que sejam suas intenções, sempre se recusam a limitar sua soberania. Eles se consideram como seus herdeiros e tratam de cuidar, mesmo nas mãos dos inimigos, de sua propriedade futura.
Partido político, estado, soberania parlamentar, democracia, etc., constituem instrumentos de manipulação do Minotauro mascarado.
Atenciosamente,
(a) – Samir Jorge
As reformas que vocês propõem parecem um sonho. Pena que não conseguiremos isso aqui com essa nossa politicalepsia.
Me indicaram esse site para sanar umas dúvidas econômicas.
Meses atrás me desempreguei, o dinheiro da rescisão não era muito, uns R$9.000, e não sou muito criativo, meu tio trambiqueiro me ensinou a vender hot dogs na rua na cidade dele, na hora de escolher o ponto também não usei criatividade e instalei meu humilde GM Celta adaptado, vendendo Hot Doggo (minha “marca” e receita) a preços bem populares com suco a R$1 o copo a uma centena de metros de um food truck bem chique. Para minha surpresa o negócio vingou rapidamente, vendo muito, ganho muito mais que ganhava antes e agora tenho o filho de um amigo também desempregado como ajudante. Depois do natal o dono do food truck chique veio desabafar comigo que graças a minha concorrência desleal e sem licença (nossa cidade faz vista grossa pra comercio informal de munícipes desempregados) ele foi a falência e perdeu R$90.000 que investiu pois não consegue vender o food truck, disse que pessoas como eu que fazem o país piorar, que trabalhei fora das regras e não sou honesto.
Me senti muito mal e procurei alento na internet e vi termos como vi aqui, mas afinal o que é concorrência desleal? Como alguém que fez um investimento tão alto e profissional fez um mal investimento? Significa que não devo comprar o food truck para expandir? Por que fui chamado de desonesto se Deus sabe como não fiz nada de errado, paguei todo mundo e vendo tudo limpinho e gostoso?
Obrigado.
Excelente texto, professor Ubiratan. Concordo 100% com o senhor e também me dói ver o atual oba oba ideológico que tomou de conta do nosso país.
Agora permita-me, por favor, fazer uma observação quanto à questão da base monetária no início da primeira república. Tecnicamente não houve impressão de papel moeda nos moldes keynesianos nesta época. O papel moeda em circulação era uma espécie de cheque, contra o qual deveria haver no sistema financeiro uma determinada quantidade de metal precioso para honrar a cédula.
O que aconteceu na passagem do império para a república foi a diluição de metal precioso nas moedas em circulação (bem em linha com a degradação do poder de compra do solidus durante o fim do império romano).
Tomando como exemplo a cifra de 2.000 RÉIS do império, ele tinha 23,375g de prata fino. Proclamada a república, na década dos 1890’s o teor de prata se manteve nos patamares do império (a república só conseguiu manter o poder de compra do Real imperial por uma década – enquanto acumulava seus déficits com Rui Barbosa e cia, conforme o senhor nos explanou).
Na primeira década do século XX, o teor de prata caiu para exatos 18g fino na mesma cifra de 2.000 RÉIS. Nas décadas de 10 e 20, os 2.000 RÉIS passou a ter somente 3,95g de prata. Uma estúpida diluição de poder de compra de 83,1% em pouco mais de 30 anos de república.
Na década de 30, com o desenvolvimento da grande crise, o teor de prata em nossas moedas foi a zero, abandonando-se o padrão ouro e mergulhando de cabeça na farra keynesiana, que foi desenvolvida neste período.
Infelizmente a diluição de nosso poder de compra continuou durante o resto do século XX na metodologia keynesiana (expansão de base monetária, monetização, etc).
A Fecomércio está correta na análise? Seria tão calamitoso assim? Qual o ponto de vista de vocês?
“Feriados de 2017 devem gerar perda de R$ 10,5 bilhões ao varejo, prevê estudo”
g1.globo.com/economia/noticia/feriados-de-2017-devem-gerar-perdas-de-mais-de-r-10-bilhoes-ao-varejo-preve-estudo.ghtml
Este era o artigo que queria ver no Mises. Como seria a estratégia dos austriacos ante os descalabros que o governo Temer encontrou no dia a dia da economia do pais. As receitas do professor Iorio responderam aquilo que eu queria ouvir. Só que a proposta do professor sobre o que deve ser feito na minha humilde avaliação em alguns anos levaria o pais as condição de uma potência, e as forças reacionárias fariam de tudo para que isto não fosse levado avante. Mas estes rumos do professor até parecem revolucionarios ante a picaretagem que impera entre as prioridades das administrações federais, estaduais e municipais. Caso fossem levadas a cabo as sugestões deste grande professor e patriota haveria um tratamento de choque libertário e o Brasil passaria em pouco tempo a ter um lugar no ranking de liberdade economica mundial. A população poderia gozar as benesses do crecimento e desenvolvimento economico. Estou certo que seria a formula que faria um Brasil grande pela 1ª vez. Parabéns professor Iorio que suas ideias se alastrem pelo Brasil.
Amigão. Rui Barbosa cuidou das finanças no governo do Marechal Deodoro. O encilhamento ocasionou na quebra da bolsa de 1891,ainda no governo do Marechal. Contudo seu artigo foi preciso em afirmar que o governo não ataca o cerne dos problemas, mas sim a parte superficial deles. Talvez a crise passe mesmo somente no 1 semestre de 2018.
Vamos nos ater a isto do texto acima:
“Estamos atravessando a pior crise econômica de nossa história, talvez apenas comparável à do governo de Campos Sales (1898-1902), gestada ainda no governo de Deodoro da Fonseca (1889-1891), cujo ministro da Fazenda, Rui Barbosa, destruiu a economia com a loucura do encilhamento, uma bolha de crédito inacreditável[1]. O sucessor de Rui, o médico homeopata Joaquim Murtinho, prescreveu então uma receita bastante ortodoxa e alopata (como teria que ser) para consertar os enormes estragos provocados pelo jurista que não entendia de economia; um remédio forte e cujo amargor perdurou durante todo o governo de Campos Sales."
E o “Ruim” Barbosa é cantado em prosa e verso como o suprassumo da glória! Um amor de pessoa que traiu D. Pedro II e fez essa besteira monumental!
E “Logo após a Proclamação da República, o déficit público explodiu. Segundo Mario Henrique Simonsen, o governo simplesmente imprimiu dinheiro para pagar esse déficit. Em 1890, o dinheiro em circulação aumentou 51,6%; em 1891, mais 71,8%. Essa avalanche inflacionária, causada pela monetização dos déficits, levou a uma especulação financeira, que foi o encilhamento propriamente dito. Sem essa criação de dinheiro para financiar os déficits do governo, não havia como os bancos da época saírem emprestando a rodo para bancar a especulação”.
O nome disso é república!!! Essa porcaria de regime lançada sobre nós pelos “doutos” positivistas, que esculhamba até hoje este falido país!
Não tenho”ainda” um conhecimento amplo em economia para opinar claramente com relação à todas essas medidas.Entretanto, este texto me fez lembrar a frase de um ex-professor, que dizia o seguinte: se você fizer uma criança nascida em condições precárias de higiene e limpeza, que passou a vida inteira sem tomar ao menos um medicamento contra vermes, e aplicar-lhe vários medicamentos contra a provável variedade de parasitas, o resultado talvez seja o óbito. Num país acostumado com um estado babá…
1) A reforma da previdência deve ser aprovada. Junto com o teto, a sangria fiscal deve estancar. Com sorte, ainda teremos reforma trabalhista e tributária (é desejo do presidente).
2) A inflação deve ficar perta do centro da meta, só checar o Focus. Inclusive a de 2016 ficou na meta, mesmo quando no começo ninguém achava isso.
Também estão exigindo muito de um governo de 2 anos e meio. Torcer pra que venha alguém que dê continuidade em 2018. Esse é o maior risco (as eleições).
De resto, ok.
Sobre Roberto Campoos e a bem da verdade:
1. Foi criador do BNDES, mas disse várias vezes que se arrependia de ter criado um monstro;
2. Não foi professor da Ma. da Conceição. Quem tentou (inutilmente) ensinar boa teoria econômica a ela foi o Prof. Bulhões;
3. Foi ministro do Planejamento de Castello Branco e não do “progressista” JK, que destruiu as contas públicas e inflacionou nossa economia.
Quem dera nós tivéssemos o nosso Pinochet.
Lendo esse texto, posso deduzir que o povo brasileiro(principalmente o nordestino) é formado, em sua maioria de “…zão”.
Pibinho em 2017 significa outra queda na arrecadação de estados e municípios, ao final deste ano o país será um imenso RJ.
Prof. Ubiratan, bom dia, e que 2017 seja um ano muito produtivo, embora nada fácil.
Só tenho uma observação a fazer: as reformas do Dr. Murtinho foram genuinamente homeopatas e não alopatas como presume o artigo. A alopatia analisa o órgão e trata o sintoma. Em contrapartida a homeopatia trata o doente indo na causa do problema. Chamamos isso de análise contextual .
Para quem não tem muita familiaridade a esse tipo de medicina por vezes dá a entender que é algo suave e dócil, mas é somente até ir afundo na prática, que como premissas são a mudança completa nos hábitos, crenças e vícios, que vemos que é necessária uma análise muito mais humana do ser para curá-lo do que simplesmente ministrar substâncias. Paralelamente, o próprio medicamento homeopático é muito forte, e se aplicado erroneamente, pode intoxicar ou até matar.
Não a toa que a homeopatia ficou restrita a uma classe distinta de médicos e a países avançados como Alemanha, Bélgica e Suíça, pois o nível de cuidado e de estudo do paciente antes de prescrever qualquer fórmula é altíssimo. Ato contínuo, todo homeopata é um pesquisador nato, sempre renovando suas bases para melhor atender seu paciente. A métrica da maioria dos doutores hoje é receitar e receber. Se o quadro geral melhora, é mérito do médico. Se o paciente morre, são os limites da medicina.
Desculpe se me apeguei a um ponto que não é o cerne da questão, mas achei por bem deixar isso claro, pois o artigo é justamente uma crítica à medidas pontuais que serão feitas na gestão Temer, muito semelhante ao modus operandi dos alopatas. Cortar um pedaço, dar um analgésico e uma sessão de quimio não vai salvar o paciente.
Todas as sugestões apontadas pelo Sr. estão na base da homeopatia, aplicadas logicamente ao campo político e econômico: mudanças radicais nas bases do país como um todo, brilhantemente sendo recordado o fator cultural, hoje o maior freio ao nosso progresso.
Do mais, não tenho (e nem teria como) nada a acrescentar, somente acompanhar o desenrolar do assustador prognóstico que foi descrito.
Abraços,
VIRAM ESSA?
Finlândia vai dar dinheiro de graça a cidadãos até 2019
País europeu iniciou um projeto piloto que garantirá uma renda mensal a 2.000 pessoas, independentemente de estarem empregadas ou do nível social:
veja.abril.com.br/mundo/finlandia-vai-dar-dinheiro-de-graca-a-cidadaos-ate-2019/
Ubiratan,
Parabéns pelo Artigo.
Gostaria que você fosse mais claro quando fala em “reforma política” – o termo hoje mais difundido nada mais é que um estado superficialmente mais enxuto mas no fundo mais pesado. O que se houve é “reduzir partidos para se investir mais em educação”, e eu interpreto como “tire alguns reis do poder e o poder que lhes era dado redistribua entre os demais”
Texto maravilhoso!
Qual seria o indicador ideal para medir o crescimento/desenvolvimento econômico?
Ainda não sei debater essas medidas propostas dentro da técnica e dinamica economia. Porém, usando um pouco de meu senso critico, vejo absoluta coerencia no que foi relatado. Muito me admira a perspicacia bem como as ideias estrategistas do autor.
Tenho pouco conhecimento de Economia, mas vejo que o texto possui muita coesão e coerência com o cenário atual no Brasil. Mudanças profundas no Sistema se fazem necessárias, embora tenhamos que enfrentar o problema da resistência cultural.
Recomendo a leitura do livro “Sua majestade o presidente do Brasil” de Ernest Hambloch, ele faz uma análise dos primeiros anos da república de 1889 até 1934.
Infelizmente o Brasil nunca será um país sério.
O professor Ubiratan Iorio é sempre muito claro em suas colocações.
Expressou com maestria o caminho para uma retomada sólida do crescimento econômico do Brasil.
Acho que é a única pessoa que poderia assumir o comando do Ministério da Fazenda com uma missão de liberar a nossa economia.
Mas não há no cenário atual um único político que possa ser eleito presidente com uma plataforma libertária. A própria classe média – que é a pagadora das contas – não concebe a privatização do sistema de saúde, Caixa, Petrobras ou fechamento do BNDES.
No máximo teremos o Sr. Jair Bolsonaro com chances nas próximas eleições, mas tendo em mente que se trata de um conservador nacionalista. E creio que sendo eleito, não seria difícil de imaginar este Sr. tendo as mesmas medidas protecionistas que o Mr. Trump está pondo em prática nos Estados Unidos.
Att
marcelo Boz
Pois, é: Temer é mais um apagador de incêndios do que um reformista. Provavelmente fará algumas reformas, mas apenas parte das necessárias. E mesmo assim terá oposição fanática da extrema esquerda. Não basta um grande líder sem grandes liderados.
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Temos a menor inflação para Janeiro, sinal que a recessão, o desemprego, e a consequente menor pressão sobre o consumo ajudou a conter a inflação.
g1.globo.com/economia/noticia/inflacao-oficial-fica-em-038-em-janeiro-diz-ibge.ghtml
Porém, será que os juros serão sustentáveis a um dígito ao ano?