O francês Thomas Piketty, que se converteu na nova
referência da esquerda mundial, afirma em seu livro, O
Capital no Século XXI (um livro que é comprado mas raramente
é lido), que os proprietários do capital se apropriam de fatias cada vez
maiores da riqueza mundial. Sendo assim, a melhor ‘solução’ para este suposto
problema é a criação de um imposto, em nível global, sobre a riqueza e também
um aumento acentuado na tributação da renda.
Problemas teóricos e factuais abundam no livro de
Piketty. Eis um deles: Piketty é simplesmente incapaz de perceber que inovações
geradas pelo mercado, e a concorrência que elas geram, estão continuamente
criando novas formas de capital ao mesmo tempo em que estão reduzindo ou mesmo
destruindo o valor de formas antigas de capital.
Capital é tudo aquilo capaz de aumentar a riqueza
futura. Inovações no capital, geradas pela livre iniciativa, fazem com que
pessoas jovens entrem na lista dos grandes capitalistas ao mesmo tempo em que
expulsam dessa lista aquelas pessoas que não inovaram. (Doze anos atrás, Mark
Zuckerberg, filho de um dentista, não figurava na mente de ninguém como um
exemplo de capitalista. Hoje, ele vale aproximadamente US$ 40 bilhões.)
Entra em cena a Uber. O que faz esse aplicativo senão
permitir que pessoas comuns transformem seus bens de consumo (que não geram
renda) em bens de capital (que geram renda e aumentam a riqueza)?
A Uber faz com que aquele indivíduo que normalmente
utilizaria seu carro apenas para uso pessoal possa agora utilizá-lo de modo a
ganhar dinheiro: prestando serviços para consumidores. A Uber transforma um bem
de consumo básico (um carro) em um bem de capital (um instrumento que gera
renda e aumenta a riqueza).
Consequentemente, enquanto esses indivíduos estiverem
utilizando seus carros como carros da Uber (ou da Lyft), esses veículos passam
a integrar o estoque de capital produtivo de uma economia, ainda que as estatísticas
convencionais não registrem isso.
Uber e todas as outras inovações trazidas pelos
aplicativos digitais — como o Airbnb, que transforma residências em hotéis e
pousadas — criam mais capital produtivo e, acima de tudo, criam mais capitalistas.
Todas as investidas governamentais que visam a banir
a Uber, o Airbnb e vários outros aplicativos digitais nada mais são do que intervenções
governamentais com o intuito de proteger o valor daquele velho e decrépito capital
existente, blindando seus proprietários (taxistas e hotéis convencionais)
contra as forças da destruição criativa.
Tais agressões governamentais não apenas representam
um empecilho às forças de mercado que melhoram a vida de consumidores e
facilitam seu acesso a bens e serviços, como também representam um ataque às
forças de mercado que aumentam a quantidade de capital em posse de pessoas
comuns, permitindo que elas enriqueçam. Em suma, trata-se de uma medida que impede que pessoas comuns se tornem proprietárias
de bens de capital — ou seja, que se tornem capitalistas.
Os aplicativos digitais são uma criação de mercado
que, sem qualquer política coercitiva de transferência de renda, simplesmente
difundem a propriedade do capital, permitindo que qualquer pessoa se torne um
capitalista e, com isso, produza e ganha riqueza. Os aplicativos digitais
refutam o processo de concentração de capital que pessoas como Piketty dizem
estar acontecendo.
Por uma questão de lógica, a esquerda deveria ser
uma defensora fervorosa dos aplicativos digitais: eles geraram uma mudança nas relações
de produção, permitindo que cada vez mais indivíduos se tornassem proprietários
dos meios de produção em vez de ter de trabalhar para terceiros que detêm todo
o capital físico necessário para fazer seu trabalho.
Sim, a Uber ainda é a proprietária da plataforma do
software que torna possível a conexão entre vendedores (motoristas) e
compradores, mas ainda assim os motoristas da Uber detêm seu próprio capital,
como ocorria com os artesãos e agricultores da era pré-capitalista. Os motoristas
da Uber são livres para escolher os dias e as horas em que querem trabalhar. Eles
podem ir ao clube de manhã, ser um autônomo à tarde, dirigir para a Uber no horário
do rush, e se dedicarem a novas ideias empreendedoriais após o jantar.
A economia digital não fará com que todos nós
viremos Aristóteles ou Goethe. Ela não trará toda a utopia de Marx. Mas ela,
ironicamente, parece nos levar para mais perto de vários daqueles objetivos que
Marx e outros progressistas diziam e dizem defender. Quando indivíduos comuns
se tornam proprietários de seus próprios meios de produção, e com isso não precisam
se submeter à estrutura formada pelos atuais proprietários do capital, eles
ganham a flexibilidade de explorar várias maneiras de prosperaram de acordo com
seus próprios meios.
Esse não era exatamente um dos objetivos centrais do
socialismo de inspiração marxista?
É uma grande ironia que a esquerda defenda tributar
os proprietários de capital para ajudar aqueles que não possuem capital e, ao
mesmo tempo, não defenda ardorosamente aquelas invenções pacíficas e
voluntárias que permitem que pessoas comuns se tornem elas mesmas as proprietárias
desse capital.
Mas essa é a figura do “pequeno burguês“, tão odiada pelos Marxistas. Justamente pois eles são a prova mais cabal que suas previsões teóricas não encontram respaldo na realidade.
Viva o pequeno burguês.
Comunistas são bestas ambulantes que só enganam pessoas incautas…Viva a livre concorrência e os aplicativos que facilitam nossas vidas e enriquece quem os criou e os gerenciam!!!
Estudem meus caros:
Ação Humana
Arrogância Fatal
Incerteza Genuína
Inflação e Expansão Monetária
Lei da Utilidade Marginal Decrescente
Mecanismos de Preços
Nexo Causal
Ordem Espontânea
Preferência Temporal
Processo de Mercado
Teoria Austríaca do Capital e dos Juros
Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos
Teoria do Valor Subjetivo
Teoria Econômica do Intervencionismo
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“Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado” Benito Mussolini, a esquerda no Brasil vai além do socialismo, é facista !
A esquerda busca a utopica igualdade atraves de um estado todo-poderoso. Isso tem zero relacionamento com a arquitetura P2P (ponta-a-ponta sem intermediarios, especialmente o estado como intermediario) como o Uber, FinTechs, Medicos, etc. Tudo tende a ser P2P.
Eu sempre falei isso em relação aos taxistas. Se eles realmente querem ser livres (deixar de seguir horários e de pagar aluguel para usar o táxi) eles deveriam se filiar ao Uber e ser eles próprios o dono de seu capital produtivo. Em vez de ficarem com esse obscurantismo de querer brecar o avanço, apenas virem capitalistas eles também.
Ótimo insight o do artigo.
Lembrem da frase do Che Guevara: Se não há café para todos, ninguém vai tomar café.
Adaptando para nossa realidade: Se não há carros para todos, ninguém vai andar de carro.
Os igualitários são terroristas, facistas, ditadores, assassinos, bandidos, etc.
Agora vem a Marina Silva com a teologia da libertação, transformando o lucro em pecado religioso.
O que eu queria entender dessa turma de esquerda é o que significa ser contra o capitalismo realmente. Ser contra o dinheiro? Ser contra a livre iniciativa? Ser contra as corporações? Quem é burguês? Todos aqueles que tem mais dinheiro do que você?
Não podemos esquecer que o socialismo de mercado se tornou o último desejo dos socialistas, faz tempo. Já descobriram que o comunismo econômico é inviável a anos.
O que os socialistas atuais defendem é o chamado marxismo cultural. Ou seja, eles atacam as instituições morais e culturais, através do desconstrucionismo. Ou seja, gayzismo, abortismo, feminismo, etc etc.
So esqueceram de dizer que o Uber fica com 1/4 das corridas, e que o plano sempre foi utilizar carros autonomos.
O exemplo e infeliz pra causa.
Mais um excelente artigo.
Gostaria que os austríacos de plantão me explicassem ou linkassem algum artigo sobre a Rail Mania, atribuida ao livre mercado.
Vcs deveriam falar tb sobre as clínicas médicas populares como Dr consulta.
Chamar um motorista da Uber de capitalista e dai depreender que ele é um empreendedor livre como qualquer outro apenas por ele ser o dono do carro é problemático por um motivo muito simples: o motorista não tem controle algum sobre decidir quanto vai cobrar, o preço é definido pela própria Uber. A única vantagem para o motorista é decidir quando e quanto ele vai trabalhar mas, não tendo controle sobre como negociar o preço a ser cobrado por seu serviço, a plataforma não passa de uma forma diferente do velho arranjo entre empresa x empregado, na qual o empregado ironicamente arca com o ônus do investimento (carro, combustível, seguro e por ai vai) e sequer pode decidir o preço final a ser cobrado pelo serviço. Nesse sentido, o Uber torna o dono do carro um capitalista, mas um capitalista dentro de um mercado com preço controlado, o que passa longe do ideal.
O AirBnb citado, por outro lado, seria um exemplo mais apropriado para a ideia que o texto tenta passar. No AirBnb o dono do imóvel é livre para decidir quando vai alugar e por quanto, e esse é um arranjo bem diferente.
A prática mostra outra coisa, os motoristas do uber não estão trabalhando o tempo que querem sem ter um patrão, estão trabalhando 16 horas por dia, 7 dias por semana, não são eles que definem seus preços, é sim a empresa que fica com exorbitantes 25%da renda de cada motorista, os motoristas são obrigados a aceitar chamadas de baixo valor, como o uber poll, em que a corrida seria dividida entre mais de um usuário, porém se não há um segundo usuário o motorista é obrigado a cobrar menos do mesmo jeito, se não aceitarem esse tipo de chamada são expulsos dá plataforma com um click, perdendo todo o investimento de uma hora pra outra, sem nenhum direito, isso é o que acontece quando não há nenhuma regulação, a exploração contundente dá não de obra.
Discursos socialistas esquerdistas ativistas, em sua maioria, são uma cruza de IGNORÂNCIA + SAMBA DO CRIOULO DOIDO, sem base em conceitos, e misturando alhos com bugalhos.
Como a MAIORIA É ANALFABETA FUNCIONAL, cola.
O capitalismo é apenas força, ninguém escolheu isso, apenas nos adaptamos a isso, o que eu acho engraçado são essas pessoas que legitimam a força como liberais e ancaps… Sempre existiram pessoas assim, pessoas descartáveis na minha opinião. O mundo não precisa de trabalhadores em algumas décadas a maioria dos empregos irão ser exercidos pelas máquinas e as classes altas quando não precisarem mais do trabalho de vocês, poderão simplesmente criar uma doença aleatória e eliminar vocês. É isso que vocês são, apenas um trabalhador, você não tem legitimidade para existir sem um trabalho, é claro que vão tentar me refutar dizendo mil coisas sobre novos setores e etc… Mas partindo da sua lógica egoísta as classes altas precisam do seu trabalho agora, quando não precisarem mais, vocês todos irão ser mortos. É isso que dá criar um sistema baseado no egoísmo, quando uma das partes não tem mais nada pra trocar, para que ela vai existir não é mesmo? Matem ela logo! Eu sei que é isso que vocês pensam, e eu também depois de tanto ler tantas coisas egoístas nesse site, entendi que as pessoas precisam trocar coisas para existir, mas os outros em si mesmos são ameaças diretas para a existência dessas mesmas pessoas, cria-se uma espécie de guerra fria entre elas e essas relações são pautadas no egoísmo mútuo. Porém com as máquinas oferecendo os serviços a parte mais forte, no caso os capitalistas não tem que mais aguentar os trabalhadores, eles enfim são todos mortos. E não não sou de esquerda, só sou realista, e por favor refutadores de plantão, aproveitem enquanto podem pois daquia a alguns anos algum robô será criado só para correções e refutações em comentários de sites irrelevantes. 🙂
Ótimo artigo!
Por certo tempo alguns deformadores de opinião esquerdistas comemoraram o surgimento do Uber como uma forma de “combate ao capitalismo”, foram até apelidados de “esquerda Uber”
Porém, o título ficou ambíguo, pode dar a entender que antes dos aplicativos os “proletários” não podiam se tornar capitalistas. Uma das grandes diferenças entre o capitalismo e o mercantilismo foi (e é) justamente essa possibilidade.
* * *
Os motoristas ainda dependem dos aplicativos para conseguir suas corridas, logo não os torna 100% Capitalistas pois ainda dependem de um meio de produção.
Beijos de luz =*
O que desejo para o futuro é Estado Zero!
Uber reproduz antigas relações servis, afirma desembargador
Ao julgar apelação de um motorista que foi descredenciado unilateralmente da plataforma de aplicativos Uber, sem direito de defesa, um magistrado identificou nessa prática resquícios das antigas formas de exploração dos escravos urbanos.
“Pretender auferir ganhos sem assumir responsabilidades, relegando-a ao prestador de serviço, em relação subordinada de trabalho, remete não aos padrões contemporâneos de civilização, mas ao passado triste de relações servis, de que foram exemplo, em nossa história, os chamados 'escravos de ganho', no meio ambiente urbano”, votou o desembargador Alfredo Attié, do Tribunal de Justiça de São Paulo.
(…)
“Não é porque há tecnologia aparentemente mais avançada que as práticas sociais vão ficar melhores, lamentavelmente. Pode ocorrer o inverso”, afirma Attié.
Em seu voto, o desembargador registra como eram essas relações servis:
– Os 'escravos de ganho' exerciam um trabalho e repassavam parte de seus ganhos a seus donos, que estipulavam uma cota mínima a lhes ser entregue.
– Diversas atividades podiam ser exercidas, dependendo da habilidade do escravo, dentre elas a de “carregador de cadeirinhas de arruar”, transportando pessoas livres pela cidade.
– O escravo gozava de certa autonomia e liberdade de locomoção, podendo residir em uma casa qualquer na cidade e só ir à casa do senhor para pagar a diária ou a remuneração semanal estabelecida.
Segundo Attié, “no Brasil de hoje, resquícios dessas relações permanecem, sob a capa do ‘moderno empreendedorismo’. Para o magistrado, “desfazer tais ilusões e restaurar a dignidade das relações humanas é função precípua do processo civilizatório do direito”.
(…)
www1.folha.uol.com.br/blogs/frederico-vasconcelos/2022/02/uber-reproduz-antigas-relacoes-servis-afirma-desembargador.shtml
Mais uma pérola:
Trabalho por app pode estar empurrando pessoas para a direita, diz antropóloga
Em países emergentes como Brasil, Índia e Filipinas, trabalhadores de plataformas como Uber e vendedores de Instagram encontraram nas redes sociais um meio de sobrevivência, mas também um ambiente fértil da extrema direita, alinhada à ascensão dos governos atuais desses países.
Para a antropóloga brasileira Rosana Pinheiro Machado, a relação entre a inserção no mercado de trabalho desses grupos sociais e o posicionamento político de direita não são coincidência.
É possível que a própria estrutura das plataformas —seu formato altamente individualizado e focado no mérito— esteja exacerbando tendências políticas hiperliberais, argumenta.
Essa é a hipótese central de um trabalho de pesquisa que será coordenado por Pinheiro-Machado, professora da Universidade de Bath (Reino Unido).
A antropóloga foi laureada com um financiamento no valor aproximado de 2 milhões de euros (cerca de R$ 11 milhões) pelo European Research Council (da União Europeia), uma das bolsas mais prestigiosas do mundo, anunciado nesta quinta-feira (17). O trabalho deve começar em maio e tem previsão de duração de cinco anos.
Com trabalho de anos na periferia de Porto Alegre, buscando entender a identificação de trabalhadores do chamado precariado, que viveram o incentivo ao consumo dos anos de governos petistas, com as ideias do presidente Jair Bolsonaro (PL), a pesquisadora conversou com a Folha sobre as questões do novo mundo do trabalho.
(…)
www1.folha.uol.com.br/mercado/2022/03/trabalho-por-app-pode-estar-empurrando-pessoas-para-a-direita-diz-antropologa.shtml
Mera hipocrisia!
Odeiam apps “capitalistas”, mas quando o macho-alpha paizão deles todos (conhecido como governo) mandou todo mundo trancar-se em casa e trabalhar no estilo home-office (isto quando podia fazê-lo) em 2020, certamente o I-Fode contabilizou enxurradas de pedidos de delivery às casas dos mesmos execrantes dos aplicativos em questão. Para a sorte deles (e podia bem incluir aqui o advérbio “infelizmente”), não padeceram de inanição, mantendo-se com o buchinho cheio e o coraçãozinho contente, ingerindo maior número de calorias, nutrientes e variedade alimentar que muitos que eles chamam “capitalistas selvagens”, que faliram, perderam emprego e/ou passaram necessidades alimentares reais.
Hoje mesmo, tive de ver em rede social, um conhecido (vocês amarão saber que ele é funça) postando um meme com os dizeres “capitalismo é uma religião”.
É uma pessoa simpática, mas fora isso, é um fracassado que quase foi exonerado de seu serviço público por dormir em serviço, chegar atrasado e necessitou de intervenção de advogado para conseguir manter-se no emprego em tela. Por conhecer gente de sua família, soube desses detalhes.