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Com o povo se voltando contra suas ideias, os progressistas já começam a condenar a democracia

Eis algo cada vez mais claro: a “democracia” só
existe e só é boa quando os eleitores escolhem a opção preferida por determinada classe de
intelectuais e políticos.  Quando os
eleitores escolhem candidatos ou resultados não-chancelados pela elite
progressista, bom, aí a tal democracia saiu do controle e o povo
demonstrou suprema ignorância
.

Nos rastros do referendo do Brexit, da eleição de Donald Trump, do
referendo em que a população
húngara decidiu restringir a imigração
, e do referendo em que o
povo colombiano rejeitou o acordo de paz do governo com os terroristas das FARC
,
a esquerda global percebeu que algo tem de ser feito para restringir a ideia de
democracia irrestrita — uma ideia que ela própria vem promovendo há mais de um
século.

Percebendo que referendos populares [como o do desarmamento no Brasil]
fornecem uma maneira de os eleitores contornarem a vontade das elites
progressistas, intelectuais e jornalistas se uniram recentemente e, em uma
reviravolta impressionante, passaram a denunciar a própria ideia de democracia
direta.

Para lançar esse recém-criado ataque ideológico à
democracia, o The New York Times, no
início do mês, publicou um artigo intitulado “Why
Referendums Aren’t As Democratic as they Seem
” (Por que referendos não são tão democráticos quanto parecem).  Nele, os jornalistas citam vários
“especialistas” que descrevem o processo democrático adotado em um referendo
como “supérfluo” e “perigoso”.

O artigo, que nem sequer se preocupa em parecer
minimamente equilibrado — ele não apresenta nenhum “especialista” dando alguma
opinião pró-referendo –, cita uma variedade de políticos, economistas e outros
membros das elites com uma visão nada lisonjeira a respeito do povo que vota
‘sim’ para mudanças políticas, como o Brexit. 
O economista Kenneth Rogoff, o mesmo que defende a abolição
de todo e qualquer dinheiro em espécie
(o que seria fatal para os mais
pobres que não têm conta em banco), disse que referendos são uma “roleta russa
para as repúblicas”.

Outros “experts” citados neste artigo do Times descrevem os eleitores como
imbecis que não entendem o assunto em que estão votando; néscios propensos a
mudar de ideia a qualquer momento influenciados por caprichos superficiais.

Enquanto isso, após o povo colombiano ter
votado contra
um acordo de paz entre o governo e os terroristas marxistas das
FARC, tanto a revista The Economist
quanto o jornal internacional Christian
Science Monitor
declararam
que
era necessário “repensar” a ideia de “deixar a democracia diretamente
nas mãos do povo.”

Assim como os porta-vozes da elite política citados
no artigo do The New York Times, os
especialistas anti-referendos disseram que somente políticos treinados estão
devidamente qualificados para tomar decisões políticos.  Isso é especialmente válido, dizem eles, no
caso de política externa:

Escrevendo
na revista Foreign Policy, o professor de ciência política Matt Qvortrup observou que o ex-Secretário de Estado
americano Henry Kissinger e o ex-diplomata americano George Kennan diziam que
assuntos internacionais deveriam ser mantidos estritamente sob a
responsabilidade de uma “profética minoria” que sabe o que realmente é bom para
o resto dos cidadãos.

Essa instintiva reação anti-povo, demonstrada por
políticos confortavelmente estabelecidos e por seus assessores e apoiadores,
não é necessariamente errada.  Muitos eleitores de fato são ignorantes e muito realmente mudam de ideia sem qualquer motivo
aparente.  Mas o que esses recém-convertidos
críticos parecem não entender é que, por uma questão de lógica, toda a sua
reprovação aos referendos se aplica igualmente ao processo conhecido como democracia representativa.

Ou, o que é ainda mais provável, eles percebem a
contradição, mas simplesmente não ligam. 
Na próxima ocasião em que o povo votar “corretamente”, os atuais
críticos irão simplesmente fingir que jamais fizeram qualquer crítica à
sapiência do povo.

Porém, agora que a elite progressista anti-povo
deixou claro acreditar que os eleitores são muito ignorantes e incompetentes ao
ponto de votar pelo Brexit, pela eleição de Trump, pela restrição à imigração e contra o acordo entre
o governo colombiano e as FARC, é de imaginar o que simultaneamente os torna
competentes para votar para presidente, para senador e para deputado.

No entanto, a cada vez que há uma eleição e o
escolhido é aquele chancelado pela elite progressista, somos obrigados a ouvir
intelectuais e jornalistas dizendo que o povo realmente queria aquela opção e
que, por isso, o eleito realmente ganhou “um mandato” do povo. 

Em suma, sempre que o povo vota em prol de algo que
o establishment gosta, então “o povo se manifestou” e sua escolha é “sagrada”.

“Democracia”
é aquilo que só eles podem definir

Um grande exemplo desse padrão contraditório foi o
recente caso de
impeachment no Brasil
, em que a presidente Dilma Rousseff foi afastada em
definitivo da presidência.  Às vésperas
da votação do impeachment pela Câmara dos Deputados, as elites progressistas
defendiam um referendo
popular
em que o povo deveria votar ‘sim’ ou ‘não’ pelo afastamento da
então presidente.  Tal referendo era
considerado sacrossanto.  Por outro lado,
a remoção de Dilma por deputados e senadores — eleitos democraticamente por
esse mesmo povo! — era considerado um “golpe contra a democracia”.

Ou seja, a escolha dos eleitores em outubro de 2014
(por uma margem bastante apertada) era algo indiscutível e, acima de tudo,
imutável.  Já qualquer tentativa de
reverter o resultado via democracia
representativa
— por meio de representantes democraticamente eleitos, os
quais, em tese, representam a “voz do povo” — era considerado um ‘golpe’ e,
portanto, ‘ilegítimo’.

E agora vem a melhor parte: no caso do Brasil, o
legislativo eleito pelo povo estava sendo “anti-democrático” ao contradizer a
eleição popular de Dilma dois anos antes. 
Já no caso do Brexit, a esquerda progressista — capitaneada pelo jornal
The Guardian — diz ser um dever do
legislativo contradizer os eleitores e anular
o voto do Brexit
.

Em outras palavras, se o povo vota a favor de uma
figura querida da esquerda globalista, então o povo é sábio e sabe
perfeitamente o que está fazendo.  Já se
o povo vota pelo Brexit, contra um acordo de paz com os marxistas das FARC, ou em Donald Trump, então o povo é composto por bufões ignorantes demais
para entender os reais problemas.

Referendos
e iniciativas populares não têm nada de novo

Esse recente pânico em relação à democracia direta
também advém da falsa alegação de que a democracia via referendos e iniciativas
populares são algo majoritariamente novo, sem precedentes na política
ocidental.

A Suíça, vale lembrar, utiliza referendos e
iniciativas populares desde 1893.  Já a
ideia da democracia plebiscitária era um componente convencional do liberalismo
na Europa do século XIX.  Ludwig von
Mises, por exemplo, ele próprio muito bem enredado nos radicais movimentos pró-laissez faire na Áustria antes da
Primeira Guerra Mundial, sugeriu em seu livro Liberalismo
— Segundo a tradição clássica
que os eleitores de qualquer jurisdição
política, mesmo em simples vilarejos, deveriam ser livres para se separar de
outras jurisdições políticas via voto popular:

Quando os habitantes de um determinado
território (seja uma simples vila, todo um distrito, ou uma série de distritos adjacentes)
fizerem saber, por meio de um plebiscito livremente conduzido, que não mais
desejam permanecer ligados ao estado a que pertencem, mas desejam formar um
estado independente ou tornar-se parte de algum outro estado, seus anseios
devem ser respeitados e cumpridos. 

Tampouco é algum mistério
saber por que Mises considerava que esse tipo de democracia direta era algo
trivial.  Menos de cinco anos antes de
Mises lançar seu livro, a região alemã de Büsingen havia votado maciçamente em
prol de se juntar à Suíça, tornando-se um dos cantões daquele país.  Um ano depois, os eleitores da região
austríaca de Vorarlberg votaram
para se separar da Áustria e se juntar à Suíça
.

Em ambos os casos, os
suíços rejeitaram essas tentativas de alargar seu país.

Esse tipo de democracia
direta sempre foi considerado por vários como sendo a prerrogativa dos
eleitores.  E certamente, em nenhum dos
dois exemplos acima, ficou explicitado que os eleitores de Büsingen ou de Vorarlberg eram menos qualificados para determinar seu
próprio destino do que a supostamente mais sábia e mais bem informada
“profética minoria” de Berlim ou Viena.

Analisando as iniciativas
populares restritas apenas aos eleitores suíços, vemos que, entre 1893 e 2014, apenas
22 de 192
iniciativas populares foram aprovadas pelos eleitores.  A reticência com que essas iniciativas são recebidas
pelos suíços indica prudência da parte dos eleitores, bem ao contrário do que
alegam os oponentes das iniciativas populares, que afirmam que a imprudência e a
afobação dos eleitores irão gerar um apocalipse. 

E, enquanto toda a Europa
se degenerava no fascismo, no nazismo e no autoritarismo ao longo das décadas de
1920 e 1930, a Suíça, com toda a sua democracia direta, permaneceu notavelmente
estável.

Adicionalmente, vários
estados americanos (majoritariamente
estados do meio-oeste
) utilizam referendos e iniciativas populares.  E, dado que esses estados tendem a ter um
desempenho econômico e social, no mínimo, tão bom quanto o do resto do país em
termos de expectativa
de vida
, criminalidade
e “saúde fiscal” (com
a exceção da Califórnia), não há nenhuma evidência de que jurisdições que
empregam a democracia direta tenham qualquer semelhança com a “roleta russa”
imaginada por Rogoff.

É impossível concluir,
obviamente, que a estabilidade política da Suíça ou a baixa criminalidade do
estado do Oregon sejam causadas pela proeminência da democracia direta
daquelas jurisdições.  Porém, também não podemos
concluir que a democracia direta seja especialmente problemática naquelas áreas.  Tampouco, por extensão, há qualquer motivo
para acreditar que a democracia representativa seja especialmente bela e moral
quando comparada a este estilo mais direto de democracia.

Com efeito, assim como
ocorre com a democracia representativa, a democracia direta tem gerado
resultados mistos.  Eleitores frequentemente
irão votar em prol de um salário mínimo maior ou de outras regulamentações governamentais
que não seriam aprovadas sem um voto direto. 
Tais iniciativas irão empobrecer e afetar as economias dessas jurisdições.  Por outro lado, eleitores frequentemente
votaram contra aumentos
de impostos
e outras onerosas regulamentações estatais, como a recentemente
rejeitada proposta de uma “renda
mínima básica
” na Suíça.

Seria a democracia direta mais facilmente
manipulável?

Os oponentes da
democracia direta sempre alegaram que iniciativas populares e referendos podem
ser manipulados por grupos de interesses e lobbies. [No Brasil, os
intelectuais de sempre falaram que o referendo do desarmamento no Brasil foi
manipulado pela indústria de armas
]. 

Curiosamente, essas
mesmas pessoas ignoram que políticos eleitos por meio da democracia
representativa raramente demonstram independência em relação aos lobbies e aos
grupos de interesse [a
Lava-Jato é um claro exemplo
].

Como observou
o cientista político chileno David Altman
, eleitores na América Latina
rejeitaram referendos e iniciativas populares com grande frequência:

Nos últimos 40 anos, 109 votos populares
foram convocados pelas autoridades da América Latina na forma de plebiscitos e
referendos compulsórios.  Destes, 64
(58%) receberam o apoio da população, ao passo que 45 foram rejeitados.  Mas os votos propostos pelo público — tais
como iniciativas populares ou referendos contra leis existentes — também não foram
aceitos automaticamente.  Dos 18 votos
populares que ocorreram, nove foram aceitos.

Altman conclui que “o
instrumento da democracia direta é menos suscetível a manipulações do que
geralmente se imagina”

A democracia possui vários
defeitos graves, e nenhum deles pode ser ignorado com meras piadinhas do tipo “a democracia é a pior de todas as formas de
governo, excetuando-se as demais”.  No entanto,
tão logo começamos a analisar todos os sistemas democráticos existentes, não há
nenhum indício de que a democracia direta leve a resultados demonstravelmente
piores do que a democracia representativa. 

Recentemente, é fato, o
povo de vários países tem votado de uma maneira que vem preocupando as elites
globais e progressistas, que se acostumaram a ter resultados eleitorais a seu
favor.  Consequentemente, o The New
York Times
, o The Guardian, a The Economist, e todos os seus
seguidores e imitadores se apressaram em nos explicar que o povo é simplesmente
ignorante demais para ter o poder de decidir questões grandes e importantes.

Se tais pessoas estão infelizes
com o arranjo, então há motivos para ficarmos felizes.

A democracia direta não é
perfeita, mas, considerando os inimigos que ela vem ganhando ultimamente,
talvez ela não seja tão ruim quanto pensávamos. 

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107 comentários em “Com o povo se voltando contra suas ideias, os progressistas já começam a condenar a democracia”

  1. Gregório Lussani Salvador

    Gostei muito do artigo, concordo muito que a democracia direta e melhor do que a representativa, é muito mais fácil controlar um grupo de pessoas notórias do que uma população inteira. Sempre pensei que o democracia representativa surgiu porque, com as grandes populações dos países, era impossível consultar todos sobre cada assunto, daí os representantes, mas hoje com melhores meios de comunicação e transporte esse processo se tornou mais viável, e espero que a democracia direta ganhe espaço nas decisões mais importantes.

    Gostaria de mais artigos para saber a opinião da escola austríaca sobre monarquia, constitucional, feudal, etc…

  2. Ótimo artigo.

    Desnuda bem que a intenção desse pessoal é “transformar” a sociedade custe o que custar.

    Lembro, aqui, de uma texto de C.S Lewis:

    "Dentre todas as tiranias, uma tirania exercida pelo bem de suas vítimas talvez seja a mais opressiva. Pode ser melhor viver sob um ditador desonesto do que sob onipotentes cruzadores da moralidade. A crueldade do ditador desonesto às vezes pode se acomodar, em algum ponto sua cobiça pode ser saciada; mas aqueles que nos atormentam para o nosso próprio bem irão nos atormentar indefinidamente, pois eles assim o fazem com a aprovação de suas próprias consciências."

    Realmente, as decisões populares podem ser questionáveis sobre vários ângulos, como as minhas individuais também são, bem como as de todas as demais pessoas do planeta.

    Mas, a questão que fica, a partir de uma perspectiva libertária, é: E daí? Quem teria legitimidade para decidir o que é melhor para mim?

  3. Dissidente Brasileiro

    Ou, o que é ainda mais provável, eles percebem a contradição, mas simplesmente não ligam. Na próxima ocasião em que o povo votar “corretamente”, os atuais críticos irão simplesmente fingir que jamais fizeram qualquer crítica à sapiência do povo.

    Na verdade, esta contradição é excelente. Foi graças a ela e a outras que, anos atrás, abri meus olhos para as práticas criminosas existentes nessa patologia mental denominada esquerdismo. Com o passar do tempo descobri os trabalhos de Mises e Rothbard, comecei a estudar o Libertarianismo e nunca mais voltei. Por pouco escapei da lavagem cerebral que esses celerados psicopatas exercem com sucesso na mente dos menos fortunados, e como consequência me tornar um fantoche alienado, igualzinho esses petralhas alucinados que existem aos milhares por aí.

    Para os esquerdistas que estão a ler este comentário e ainda têm algum neurônio funcionando, acredite: existe vida inteligente fora da matrix esquerdista. Você apenas precisa tomar a pílula vermelha e aceitar a realidade que sempre esteve na sua frente e nunca conseguiu enxergar. E aí, vai encarar?

  4. É só ver o que esta acontecendo nos Estados Unidos. Trump não esta concorrendo somente contra a Hillária e os democratas, mas contra o próprio partido republicano e a mídia.

    O Estabilishment inteiro esta em pânico.

  5. Lendo esse artigo sobre referendo popular, lembrei de um documentário sobre “Sabedoria Popular”. Basicamente pesquisadores descobriram que em um momento de dúvida em relação a uma decisão importante a pior escolha seria o uso do conhecimento ou se preferirem a sabedoria de intelectuais, pois as chances de acerto deste grupo chega a média de 60%. No entanto em contrapartida quando feito a média em relação de decisões de escolha pública os pesquisadores chegaram ao um resultado de 95% de acerto utilizando-se da “sabedoria popular”. Ou seja, talvez referendos populares sejam sim, uma forma acertada de obter uma resposta mais aceitável.

  6. Felicitações pelo artigo!

    Depois de tantas solapadas, parcela significativa da sociedade em diversos países perceberam os embustes intrínsecos nos boquirrotos discursos progressistas. O certame só está na incipiência, então se pode vislumbrar que um armistício está descartado na mídia marrom coalhada de esquerdopatas gramscistas.

  7. Isso me lembra o ate então ministro da casa civil e atual morador da papuda comentando sobre o resultado do plebiscito de 2005 após a população dizer NÃO ao desarmamento.

    “A POPULAÇÃO NÃO FOI ESCLARECIDA O SUFICIENTE” e olha que todo estabilishment, rede globo, oposição, situação e varias ONGs financiada por George Soros era a favor do desarmamento contra o Bene Barbosa e o MVB em uma epoca que a popularidade do PT estava no alto.

    Se tivessem ganho aquele plebiscito o PT teria colocado toda suas pautas em forma de plebiscitos só que lembraram que dar voz ao povo só e bom pra eleger politico populista pra outras coisas era “perigoso” pros politicos

  8. Esquerdista só defende “democracia” quando lhes interessa, quando não eles falam que decisões importantes devem ser tomada por “especialista” e não pela população que não é esclarecida.

    Quer um exemplo? Sugira a um esquerdista o que ele acha de fazer um referendo sobre maioridade penal por exemplo? Ele vai dizer que a população e alienada pelo Datena.

    Entenda como: “OS POLITICOS(de esquerda preferencialmente) SABEM O QUE É MELHOR PRA VOCÊS”

  9. Por mais que os progressistas estejam atacando referendos, eles o fazem por oportunismo visando um fim e somente por que perderam, não por crer que algo seja ruim ou bom. Ser bom ou ruim não é a pauta para essa gente. Da mesma forma, os resultados positivos podem ser simplesmente resultados acidentais, não essenciais do sistema de votos.

    Existe sim o risco de referendos serem usados para tiranizar a parte que perdeu. Democracia , se entendido como a simples vontade da maioria sobre uma minoria, pode receber diversas criticas e está muito longe de uma unanimidade. Por outro lado, um sistema de votação direita, mas, delimitado a pequenos espaços geográficos, pode limitar possíveis falhas aquele local, e existe mais transparência pois todos estão ”perto do outro” debando idéias, tal como uma ”tribo”.

    Em escala continental, essa transparência de ideias é diluída, e pior, se escolherem algo muito ruim, afetará todo um país.

    Democracia , se funcionar, vai ser em pequenos locais. E eu disse ”SE”

  10. O problema é que os progressistas tentarão qualquer saída para esse problema, menos libertarem as pessoas de suas garras. E é bem provável que a saída seja mais danosa do que o arranjo atual. Não duvide desses maníacos.

    Sobre a democracia direta, é só mais gente interferindo diretamente na minha vida. E quem convocaria os plebiscitos (e definiriam seu teor) seriam os burocratas de sempre. Não passa nem perto de ser uma alternativa aceitável.

    Mas que seria tragicômico ver a população deferindo um salário mínimo de 10000$ e ao mesmo tempo votando a favor do corte drástico de impostos, seria.

  11. Não é nada novo esse discurso que afirma que somente pessoas “iluminadas” e de ”mentes superiores” deveriam ter o total controle das decisões em uma nação.

    Alguns psicopatas de tempos antigos, também conhecidos como filósofos, faziam a mesma afirmação.

  12. Democracia representativa é o maior embuste que existe.

    A direta pode não ser perfeita (nada é perfeito) mas é infinitamente superior.

    Esse pessoal que se diz “democrático” não gosta da democracia direta pq isso descentraliza o poder e tudo que esse pessoal quer é a centralização de poder nas mãos de alguns ungidos.

  13. Pessoal uma duvida sobre uma polemica:

    Eu estava conversando com a minha professora de direito civil sobre a ”imagem” do ponto e esbarramos em certos assuntos que eu gostaria de saber a opinião dos membros aqui.Tenho mania de trazer conflitos de direito de propriedade aqui para o IMB,acho muito saudável e legal,eu refletir junto com pessoas que seguem a mesma linha de raciocínio que eu.

    Vou direito a um exemplo que fica mais claro o caso:

    Vamos supor:

    Eu aluguei um imóvel X para abrir o meu restaurante.Depois de 10 anos neste imóvel,eu decido não renovar o contrato e ir para o imóvel Y.

    Sendo assim,vem um outro empresário para alugar o imóvel X para abrir OUTRO restaurante.

    Há duas polemicas em uma situação como esta:

    1- É legitimo que outra pessoa abra um outro estabelecimento COM O MESMO FIM neste mesmo imóvel ou ponto?

    Para min isso se resolve no contrato entre locador e locatário,mas existe uma lei que proíbe esse tipo de coisa.

    Agora a mais polemica:

    2-A imagem do ponto que o restaurante construiu ao longo de seus 10 anos no imóvel X,ela é passível ou não de ser reconhecida como propriedade?Veja,eu fiz a imagem daquele imóvel(ponto),meu restaurante virou referencia ali…

    Segundo a legislação brasileira,deve ser sim reconhecido este título de propriedade ao dono do restaurante.Porém nesse caso,existe um prazo e certos requisitos para que eu(dono do restaurante) entre com o reconhecimento do título de propriedade da imagem(ponto).Caso contrario,não terei o título.

    O meu problema com isso é que,a imagem do ponto não esta atrelada ao estabelecimento e sim ao IMÓVEL!

    Logo,ao me mudar para o imóvel Y,é impossível eu levar para o ponto Y a imagem que eu criei no ponto X.Portanto,como poderia chamar isso de propriedade?É algo que agrega valor no imóvel e não no estabelecimento.

    Imagina quando na sua cidade,um estabelecimento famoso e bom,fica durante anos naquele ponto.Você acostumado com isso,faz de referencia aquele ponto.

    Portanto,é legitimo dar esse título de propriedade?

    No meu exemplo,esse novo restaurante que iria alugar o imóvel X,deve comprar o título de propriedade do antigo restaurante que ali estava?

    O argumento da legislação é que,como o primeiro restaurante do imóvel X foi quem construiu tal imagem ao ponto,este tem o direito de tal título de propriedade.Pois não seria justo chegar outro restaurante no imóvel e se beneficiar de tal imagem que o restaurante anterior criou…Entendem?

    Acho que isso poderia sim ser resolvido em contrato mas o estado deve conceder esse direito de propriedade?

    É algo extremamente vago e complexo essa história de imagem do ponto,por isso eu não consigo ver como propriedade.

    Abraços

  14. É engraçado como tem parasita pra todo lado no governo, mas não tem um filho de Deus pra fiscalizar a gastança do governo.

    Existem milhares de ONGs, institutos, movimentos sociais, agências de risco, entidades sem fins lucrativos, mas não aparece uma organização que faz auditoria externa nas contas do governo.

    Acho que o principal motivo é que o dinheiro roubado pelo governo não tem dono. É ladrão roubando ladrão.

  15. Peraí, isso é uma generalização, não é toda esquerda que é contra a democracia direta, apenas a esquerda estatal talvez, não a libertária.

  16. Que eu saiba democracia direta pros austríacos é a democracia do bolso, vc vai lá e adquire o que precisa com o próprio bolso, e não referendos…

  17. Muito cuidado com esse negócio de democracia direta. O PT tentou implantar os Conselhos Populares para criar e modificar leis. Só que os tais conselhos seriam manipulados pelo PT e instituições satélites como MST, MTST, CUT e outras quadrilhas.

  18. Vale lembrar que no Brasil temos uma população:

    70% formada por analfabetos funcionais

    15% formada por analfabetos de fato

    10% formada por esquerdistas, comunistas, marxistas, artistas, cantores, professores, sindicalistas, psicopatas…

    2,0% formada por pessoas com nível superior completo

    1,5% formada por índios, ladrões, assassinos, mendigos, prostitutas, traficantes, debiloides, drogados, presidiários…

    0,5% formada por indivíduos com padrão intelectual aceitável

  19. Qual seria a diferença entre o voto direto na Suiça e os Soviets da Russia? Porque o primeiro parece que funcionou e o segundo foi um desastre?

    Como preservar direitos naturais em ambos os casos?

  20. Reinaldo di Saboya

    Sim. Eu era libertário minarquista/ancap, mas vi que isso não impediria as elites globalistas de dominarem tudo. Agora sou um libertário populista de direita/Democrata Jacksoniano/Democrata Radical.

  21. Quando conservadores falam em “democracia”, eles pensam em isonomia; quando socialistas falam em “democracia”, eles pensam no “povo” decidindo tudo por maioria de votos. Os liberais percebem essa dubiedade semântica e tomam cuidado com a palavra “democracia”.

    Os socialistas costumam defender que tudo seja decidido “democraticamente” (ou seja, por maioria de votos) porque eles são hábeis em controlar as narrativas e manipular emoções. Porém, quando perdem o controle da maioria, mudam de estratégia.

    Para eles, o “povo” não é a soma de indivíduos únicos que interagem no mundo real, mas uma abstração utópica. Quando as pessoas não se ajustam ao que os socialistas querem, eles buscam “corrigi-las” para que “pensem corretamente”. Ou dividem as pessoas em subgrupos arbitrários e jogam uns contra os outros.

    Mais que isso, quando falam do “povo”, muitas vezes estão se referindo aos autoproclamados “representantes do povo”: MST, ONGs e outras entidades pseudopopulares.

    Antes do impeachment, eu li uma reportagem sobre uma manifestação pró-Dilma que entrevistou vários participantes. Um casal de professores disse: “A Dilma foi eleita pelo povo e é só o povo que pode tirá-la de lá. Mas não esse povo que foi nestas manifestações [exigindo o impeachment]”.

    * * *

  22. Excelente artigo. Vou compartilhar o mais rápido possível.

    Destrinchou com maestria todas as questões que envolvem a democracia direta. Mas, melhor ainda, expôs com solar clareza o que pensa a esquerda da verdadeira democracia: “perigosa”!!!

    Abs!

  23. Não morro de amores pelo Trump mas foi lindo ver os “especialistas” da globo news falar uma bosta atras da outra e sugerir “reforma politica” nos EUA

  24. Desci para levar meus filhos à escola e quando vi o jornal no chão, em frente à porta do vizinho com a manchete da vitória do Trump, senti-me aliviado. Não pelo candidato vencedor, que na minha visão libertária, é só mais um que fará o que os outros vem fazendo, alguém que jogou da forma que a maioria dos americanos aceitaram… Mas ao imaginar o esperneio das mídias nacionais, a cara de bunda dos repórteres da Goebbels News e imaginar que a esquerda nojenta e abjeta com seu discurso de divisão da sociedade em nichos com direitos específicos, me veio um sorriso imenso no rosto.

    Minha filha, muito esperta, sacou e perguntou: “Pai, porque você tá com essa cara de alegre assim?” Respondi: “Meu deu vontade, filha. Deu vontade porque nós nascemos para sermos livres.” (Ela não entendeu, é claro, mas se deu por satisfeita.

  25. Seria excelente se houvesse um Trump no Brasil.

    O Trump ganhou porquê desafiou o sistema político, não vai subir impostos, não vai proibir as armas, vai expulsar os ilegais, vai diminuir a farra da China no comércio internacional, vai se meter menos nos outros países, etc. Os americanos precisam parar de ser a babá do mundo.

    Os impostos sobre importação não são bons, mas poderia ser muito pior com os democratas aumentando as bolsas, aumentando o esquerdismo, fazendo farra com dinheiro público, etc.

    Algué precisava meter o pé na porta do governo.

  26. Se fosse feito um plebiscito na região da Ponta do Abunã-RO e região de Boca do Acre-RO com certeza aprovariam a anexação ao Estado do Acre, haja vista, o abandono daquelas populações pelos Estados de Rondônia e Amazonas, respectivamente.

  27. Esquerdista Democrata

    Na verdade somos contra a farsa dessa de democracia burguesa. Por exemplo, no caso da eleição do Trump. O Trump venceu porque os EUA não são uma democracia de verdade. No voto popular, a Hillary venceu. Fosse uma democracia de verdade, a Hillary seria eleita.

    Para começar, o sistema de voto indireto é uma farsa. O correto seria ser voto direto, como no Brasil.

    E se ao menos o sistema de voto indireto nos EUA fosse representativo. Mas não é. Cada estado elege um número de delegados proporcional ao tamanho de sua população. O candidato vencedor elege TODOS os delegados, não havendo espaço para que obteve uma minoria considerável de votos. Por exemplo, o estado da Flórida, onde o Trump venceu: elege 29 delegados. Trump conseguiu 49,1% dos votos e a Hillary 47%. Então, se o sistema de voto indireto americano fosse mais representativo, a Hillary elegeria 13 delegados, o Trump 14, e os outros dois, outros partidos que obtiveram poucos votos. Seria mais representativo, pois a voz da minoria seria mais ouvida. Mas não é o que ocorre. O partido vence elege TODOS os delegados. Trump venceu na Flórida, então TODOS os 29 delegados são Republicanos…

    É isso que criticamos. Essa farsa de democracia…

  28. A esquerda defendia o voto direto enquanto a maioria das pessoas não tinha acesso à informação e por isso era mais manipulável.

    Eu jamais teria ouvido falar de Mises, Hayek, etc. se não fosse a internet.

    * * *

  29. Os homens fizeram da democracia um fetiche, a exaltação e a adoração das idéias do homem comum coletivamente chamadas de "opinião pública". A opinião de um homem, quando tomada isoladamente em si mesma, não é considerada como tendo muito valor, mas, quando muitos homens funcionam coletivamente como uma democracia, esse mesmo julgamento medíocre é tomado como sendo o árbitro da justiça e o padrão de retidão

  30. Texto ótimo, mas não aborda o o real motivo pelo qual os ditos progressistas mudaram de posição. Eles mudam de posição porque seguem a máxima do pensamento maquiavélico de “os meios justificam os fins”. Substituem o Príncipe que Machiavel defendia, pelo partido, pela ideologia. Antes defendiam a democracia direta, agora a representativa. Tudo circunstancial. Para quem já era adulto no plebiscito de 1992, deve se lembrar que Lula defendia o parlamentarismo, depois passou a defender o presidencialismo. Por quê? Porque passou a ser mais conveniente ao seu projeto e, de fato foi quando assumiu o poder 10 anos depois. Enfim, tudo é questão de poder, da luta por ele.

  31. Penso que os burocratas e intelectuais estão brincando com fogo. Atacar a democracia, restringi-la a uma mera conveniência política é semear o terror e o retorno aos tempos de chumbo.

    Os socialistas precisam entender que perderam a batalha e a guerra. A sociedade busca a liberdade, não a libertinagem como pensam os socialistas culturais.

    Contudo é chegada a hora de conservadores e liberais não permitirem que sádicos e masoquistas imponham seu modelo político à sociedade. O conflito será inevitável.

  32. Como sempre, o Instituto Mises nos brinda com um excelente artigo.

    É curioso como o “conceito de democracia” que as esquerdas apresentam é tão volátil: para elas, democracia é concordar com o ponto de vista da esquerda? Ainda bem que a máscara está caindo, vide a tentativa grosseira do Partido Democrata em afastar Donald J. Trump da Presidência.

    Cada vez mais me convenço que o trabalho do Instituto Mises é de UTILIDADE PÚBLICA. Gostaria de ver uma coluna semanal da Escola Austríaca nos principais jornais brasileiros (O Globo, O Estado de São Paulo, …).

    Sucesso!

  33. Sobre democracia, temos uma falsa impressão que vivemos uma democracia no Brasil.

    A Constituição Federal traz uma grande contradição já que ela diz que “todo poder emana no povo” e que o “executivo, legislativo e judiciário são poderes”. Assim temos um poder, o Judiciário, que não é escolhido pelo povo, não o representa e é perpetuo.

    Numa verdadeira democracia os juízes, delegados e promotores deveriam ter mandatos temporários, sendo eleitos pela população – para que houvesse ALTERNANCIA REAL DE PODER.

    O mesmo vale para nossa privilegiada e vitalícia corte, que representa não o povo, mas quem os indicou para lá chegar. A mesma poderia ser eleita pelos juízes e promotores por meio do voto indireto. REFLITAM!

  34. O primeiro ponto no artigo que me chama a atenção é a origem dos fatos, o NY Times, a media dos democratas americanos . Na última eleição presidencial Americana a prévia do o NY Times mostrava um “já ganhou” da Hilary Clintom com 90% de preferência nas pesquisas . No dia da votação o NY Times começou divulgando um número um pouco menor, 80% . Com o tempo passando e a eleição progredindo, o índice foi para 70% , um pouco depois 60%, 50% e por fim se calou. E no final, Trump levou, escancarando a manipulação de uma das maiores medias do planeta.

    Lembro-me da TV mostrar vários cidadãos com uma repetida placa escrito “In silence the majority stands with Trump” , ou seja, em silêncio a maioria está com Trump, mostrando que a voz da maioria não tinha reflexo nas maiores medias do país . No Brasil aconteceu praticamente o mesmo, o povo sem voz se fez presente e mostrou a sua força . Agora querem, tanto lá quanto aqui , cala-los … vai ser difícil .

  35. Capitão Defensivo

    Para os esquerdebilóides, democracia só é vontade da maioria quando o partido deles (principalmente PT e PSDB) ganha a eleição, pois de resto tem que ficar 100% bom para “todo mundo” (leia: fazer todas as vontades e caprichos da minoria).

  36. O artigo é bom, mas sugiro aos autores escreverem versões destes artigos mais compactas, de leitura mais rápida, mais condensados. Como está hoje vocês estão apenas discursando para os convertidos. Para alcançar as massas com suas ideias vcs terão que repensar sua estratégia. Eventualmente compartilho estes artigos no facebook mas sei que ninguém lê, e que o tamanho desestimula as pessoas investirem muito de seu tempo nessa atividade.

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