Voltar

Financiamento privado e financiamento público de campanha – o ruim é melhor que o péssimo

N.
do E.: O artigo a seguir foi adaptado para a realidade brasileira

Sejamos francos: a súbita fixação dos intelectuais,
dos políticos e da opinião pública com o tema do financiamento
de campanha — se deve ser privado (com doações de pessoas físicas e jurídicas)
ou público (com o dinheiro de impostos da população trabalhadora) — não fará
nada para incutir mais honestidade ao governo e nem muito menos aumentará as
liberdades econômicas e sociais de ninguém. 

No entanto, há um aspecto positivo: essa azáfama dará
ao público uma lição de moral e cívica. Qualquer
que seja a modalidade adotada, ficará evidente que o governo não apenas não é
um agente neutro no que tange a critérios de justiça, como também é um esquema
corrupto por meio do qual aqueles mais politicamente poderosos enriquecem à custa de todo
o resto da população
.

A corrupção, a propina, os lobbies, e a pressão dos
grupos de interesse têm
inevitavelmente de ser a regra
quando se tem um governo que confisca quase 40% da renda da população,
que gasta R$
1,87 trilhão (ou R$ 2,53 trilhões
se considerarmos o refinanciamento da dívida)
do dinheiro dos outros, que pode criar sem qualquer restrição leis e regulamentações que
beneficiem os mais bem politicamente conectados, e que assume poderes quase divinos sobre
todos os aspectos da nossa vida
.

Quanto mais poder, dinheiro e privilégios estiverem em
jogo, mais alto será o preço que os espertalhões estarão dispostos a pagar para
ter acesso a essas mordomias. Não faltarão
grandes empresários para bancar campanhas políticas e exigir em troca privilégios como subsídios diretos, contratos para grandes obras, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, restrições de importação, tarifas protecionistas e reservas de mercado garantidas por agências reguladoras (que existem para cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes). 

Quando lobistas, grupos de interesse, empreiteiros e grandes empresários
têm de competir entre si para ter acesso a essas prebendas distribuídas por políticos, mais alto será o preço
cobrado pelos políticos e reguladores
para lhes conceder tais delícias.

Por isso, sempre que um partido político vier a
público acusando os outros de corrupção, eis a regra: acredite em cada palavra. Tudo o que um diz sobre o outro é
verdade. Eles estão lá dentro e sabem
perfeitamente de tudo o que ocorre.

O
problema com o financiamento público de campanha

Em termos de governo, tamanho e corrupção andam de mãos
dadas
. Enquanto
suas receitas forem coercivamente confiscadas da população, o governo pode
perfeitamente desconsiderar o interesse público e se concentrar apenas em
recompensar seus amigos e punir seus inimigos. 

Por tudo isso, a questão do financiamento de
campanha é apenas um aspecto do problema geral, mas é um aspecto
particularmente interessante. Por ora,
estamos ouvindo que o financiamento privado tem de acabar porque ele
gera favoritismo e isso seria ilegal. Mas
o problema com esse raciocínio é que a vasta maioria do favoritismo gerado pelo financiamento privado de campanha é perfeitamente legal.

Subsídios diretos, empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais, contratos para obras públicas, restrições de importação, reservas de mercado, regras de conteúdo local
que privilegiam fornecedores nacionais etc. são medidas legais adotadas exclusivamente com o intuito de privilegiar grupos de interesse, os quais bancaram as eleições dos políticos.

Embora sejam claramente imorais e anti-éticas —
pois utilizam o dinheiro dos pagadores de impostos em prol de empresários politicamente
bem relacionados, proíbem a concorrência, e restringem as opções de compra dos
consumidores –, tais medidas jamais mereceram investigações por parte de comissões
parlamentares.

O problema, portanto, não é o financiamento privado em si, mas sim o tamanho do estado.

Perante tudo isso, aqueles que ainda creem na ficção de
que “é possível termos um governo bom e honesto” decidiram — acometidos por uma confusão de causa e consequência — defender uma completa reforma
do financiamento de campanha: para acabar com a influência dos grupos de
interesse, eles defendem não a redução do estado mas sim a proibição de todo e qualquer tipo de doação privada. Pior:
querem que os pagadores de impostos banquem integralmente os altos custos das campanhas políticas. 

Por mais execrável que seja o atual arranjo, este
outro conseguiria ser ainda pior.

No atual arranjo, ao menos ainda há uma chance, por
menor que seja, de que um cidadão comum e genuinamente bem intencionado faça
alguma diferença. De tempos em tempos,
um cidadão tipo Ron
Paul
pode surgir e desequilibrar o equilíbrio dos partidos dominantes. Ele pode conseguir alterar os termos do
debate e, com isso, impedir que a atual elite política consiga o completo
controle sobre um processo democrático que já está todo adulterado e
manipulado.

Por outro lado, com um financiamento público de
campanha, tal possibilidade seria nula. O
financiamento público de campanha, ao distribuir o dinheiro do povo de acordo
com a representação de cada partido, simplesmente impede que “forasteiros” e “intrusos”
participem do processo. Mais ainda: o
financiamento público de campanha impede que “intrusos” e “forasteiros” sejam
financiados por seus apoiadores e, com isso, tragam algum risco para toda a
máquina política já estabelecida. 

O efeito do financiamento público de campanha será
simplesmente o de perpetuar os políticos profissionais, impedindo que “forasteiros”
e “intrusos” participem do processo.

Quanto mais dinheiro de impostos for derramado nas
campanhas políticas, mais o sistema será desvirtuado e corrompido em prol da
elite política que já está no poder.

Contribuições
privadas podem, sim, trazer efeitos benéficos

Vale ressaltar que contribuições privadas a
campanhas políticas — mesmo aquelas que influenciam diretamente o que um
senador, deputado ou presidente irá fazer — não são, por si só, ruins e maléficas. Tudo depende de se o interesse que está sendo
defendido está de acordo com o interesse público.

Por exemplo, digamos que um grupo anti-impostos
financie a campanha de um senador. Tão logo
o senador é eleito, esse grupo exige que ele retribua o favor criando leis que
reduzam profundamente os impostos. Isso não
é corrupção, pois o resultado de um corte de impostos é tornar as pessoas mais
livres, permitindo que elas retenham mais do seu próprio dinheiro. Ninguém foi roubado nesse processo. Não se aumentou a coerção sobre terceiros. A liberdade de ninguém foi tolhida.

Por outro lado, suponhamos agora que um grupo pró-impostos
financie a campanha de outro senador. Tão
logo este é eleito, o grupo exige que ele retribua o favor criando projetos de
lei que elevem impostos. Isso, sim, é corrupção. E é corrupção não pelo fato de o senador
ter recebido dinheiro privado ou estar retribuindo um favor, mas sim pelo fato
de ele estar aumentando a espoliação e destruindo a riqueza da sociedade. Essa medida do senador seria imoral e maléfica
independentemente de ele ter recebido contribuições de campanha ou não.

Na política, assim como no mercado, dinheiro e
influência andam de mãos dadas. A questão
passa a ser como se dá essa combinação. Se
ela for utilizada em detrimento da sociedade livre, então ela tem de ser
condenada. Se ela for utilizada para
promover um genuíno bem comum — como quando ela atua em prol da liberdade –, então
ela merece elogios.

E o raciocínio acima pode ser aplicado a qualquer área. Imagine, por exemplo, que uma fabricante
estrangeira queira vender carros baratos para os consumidores brasileiros. Atualmente, ela é impedida de fazer isso por
causa das altas tarifas de importação
vigentes para proteger o cartel das
montadoras nacionais. O político que
aceitar esse dinheiro estrangeiro e batalhar contra essas tarifas de importação
estará fazendo exatamente aquilo que um
homem público deveria fazer
: trazendo mais liberdade para os consumidores,
aumentando seu poder de compra, aumentando suas opções de compra e acabando com
as reservas de mercado. 

Não há nenhuma base econômica ou moral para se impor
qualquer restrição legal às opções de compra e venda de uma população.

O mesmo raciocínio se aplica a subsídios, a regulamentações
anti-empreendedores, a agências reguladoras que protegem empresas já estabelecidas e fecham o mercado contra a concorrência, a empréstimos feitos por bancos públicos
que são subsidiados pelo Tesouro, a contratos com empreiteiras que são pagas
com dinheiro de impostos etc.

Conclusão

O fato é que quantias
inimagináveis de dinheiro são hoje utilizadas para financiar eleições
. Se o governo fosse menor — e como consequência
as pessoas fossem mais livres –, essa quantidade de dinheiro gasta também seria
inevitavelmente menor.

Se este é o objetivo, a única maneira de alcançá-lo
é reduzindo os privilégios que estão em jogo a cada eleição. Retire poderes do governo, e o interesse dos
grandes grupos empresariais em controlá-lo também cairá. Afinal, quanto maior e mais poderoso um
governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria, mais os empresários
poderosos e com boas conexões políticas irão se aglomerar em torno dele para
obter privilégios.

Enquanto não chegarmos a esse ponto, a única alteração
no financiamento de campanha que vale a pena ser perseguida é remover todos os
limites às contribuições pessoais e empresariais. Impedir conflitos de interesse é fácil: basta
abolir todos os privilégios garantidos pelo governo, todos os subsídios, todas
as regulamentações e tarifas que foram implantadas apenas para proteger grandes
empresas. Favores legais que são implantados
à custa de terceiros não deveriam estar disponíveis, qualquer que seja o preço. A liberdade, que deveria ser garantida por
direito, jamais deveria estar à venda.

De resto, o que nós deveríamos fazer enquanto o
Congresso, a presidência e os partidos políticos debatem esse tema? Regozijarmo-nos com o fato de que, enquanto
debatem, eles não estão fazendo suas atividades rotineiras.

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

50 comentários em “Financiamento privado e financiamento público de campanha – o ruim é melhor que o péssimo”

  1. É patético o otimismo de algumas pessoas achando que ao alterar a origem de recurso $ para campanha, nossos políticos se transformarão automaticamente em querubins!

  2. Situação atual: financiamento privado via CNPJ/CPF. Todos podem angariar recursos. Igualdade, isonomia.

    Ação/meio em curso: divulgação de relatos de corrupção envolvendo construtoras e empresários, que usaram dos recursos para financiar campanhas; uso da mídia e de (de)formadores de opinião.

    Resultado final/síntese com a mudança:

    1- Competição assimétrica, pois com financiamento apenas público, quem estiver “na máquina” terá os meios na mão;
    2- Com aumento dos gastos públicos, áreas ficarão desguarnecidas. Logo, uma justificativa para expansão da carga tributária para financiar esses gastos.

  3. Financiamento público de campanha. Teria que ser equivalente por candidato, e não por representação partidária. Deste modo não seria maléfico. Obviamente seria um espaço de campanha bem barato. Associando a votação não obrigatória e sem voto de legenda.

  4. Antônio Gonçalves

    Eu vejo o seguinte, sem superpoderes os políticos não teriam como beneficiar as empresas amigas, então elas não doariam com segundas intenções pois não conseguiriam receber nada em troca. Então o governo deve diminuir, uma de suas únicas funções deve ser os programas sociais diretos, como vouchers. Hoje os gastos ruins do governo são MUITO maiores que os gastos sociais, apenas a dívida da Petrobrás por exemplo equivale a 20 ANOS de bolsa familia.

  5. O problema na prática é exatamente este: o conflito de interesses.

    Depois que o empresário descobriu que ele pode pedir muito mais do que redução de impostos e abolição de regulação, ele quase nunca pára nestas duas possibilidades. Quase sempre pedem algo muito mais interessante para seu próprio negócio: o monopólio.
    É uma questão estratégica:
    * Se o empresário pedir apenas redução de impostos e abolição de regulação, isso pode ser nocivo para seu negócio caso se trate de uma empresa incompetente, e nesse novo arranjo a empresa dele pode não sobreviver muito tempo. Por isso que, na dúvida, o interessante mesmo é pedir logo o monopólio.

    Enfim, não vou ficar perdendo tempo pensando em como resolver esse problema porque esse problema não tem solução genuinamente boa. Seria muita ingenuidade crer que eles lá vão deixar inegociáveis exatamente aquilo dá aos monopolistas a sua posição privilegiada: os impostos e as regulamentações.

    E também não vou ficar pensando em como resolver isso porque o estado sequer deveria existir, na verdade.

  6. Desculpe pessoal do IMB, mas nessa eu vou ter que discordar.

    “O efeito do financiamento público de campanha será simplesmente o de perpetuar os políticos profissionais, impedindo que “forasteiros” e “intrusos” participem do processo.”

    Ora, não é isso que temos hoje com o financiamento privado? 8 anos de governo PSDB, 16 anos de governo PT, sem nenhuma perspectiva de mudança.

    Ao meu ver com o financiamento publico teríamos 2 vantagem importantes. Políticos poderiam governar à população, e não aos lobbies. E estes perderiam o poder de impor barreiras ao livre comercio.

  7. De fato o problema não tem solução, se o financiamento é público por “fora” vai haver financiamento privado e uso de dinheiro público desviado; se ó financiamento é privado, por “fora” vai haver dinheiro público desviado. Da na mesma, só que na segunda opção há menos falsidade porque não existe a mentira de que os particulares não estariam financiando as campanhas.

  8. É ridículo gastar o meu suado dinheirinho, com santinhos, fogos de artifício e programas de televisão. Prefiro financiamento privado, estou me lixando pra financiamento de campanha pois não voto mesmo. Se for pra torrar dinheiro que queime o dinheiro dos outros.

  9. Pasmem! Alguém aqui ainda acredita nessa ilusão democrática?
    O indivíduo recusado, e diluído na massa obscura da maioria.
    Terceiros decidindo sobre a vida de terceiros, e “melhor”, com o dinheiro destes últimos.
    Alguém que acredita e que defende a LIBERDADE, jamais poderá assimilar tais ideias.
    Democracia, eleições, sufrágio universal. Tudo via poder estatal(opressor, por definição)…

    Tema batido e irrelevante…Ao menos para aqueles que levam as coisas a sério.
    Nos círculos dos “liberais de muleta” essa proza provoca êxtase, lastimável.

    Esse sistema está fadado ao fracasso é a experiência tem mostrado.
    As duas são péssimas opções, não podemos fazer esse tipo de gradualismo (“menos pior”, “mais pior”, “menor dos males”).
    Na esfera privada: Promiscuidade inerente, jogo de compromissos, e conchavos
    Na esfera “pública”: dinheiro alheio (tomado a força), indo direto para os bolsos de larápios.
    Democracia para que? Para quem? Quem precisa disso? Quem são os favorecidos?

  10. boa tarde a todos.
    Esse assunto vai longe.
    Como já colocado aí em cima, de fato já temos financiamento público de campanhas, afinal todo investimento tem q ter retornos – principalmente construtoras e concessionárias que preferem o diabo em pessoa a ler o que escrevemos aqui.
    De minha parte não acredito que empresas privadas vão financiar candidatos senão pensando em seus próprios interesses, exemplo: montadoras sempre pedem mais impostos de importação e incentivos, nunca o contrário. Exemplos não faltam. A regra é muito clara.
    Prefiro discutir outras coisas:
    1 – Fim da coligação no primeiro turno ( ex: o sujeito que esteve na TV meses atrás – Dep Federal Pinato, é daqui da minha cidade e foi o MENOS votado pelo estado de SP – foi eleito pelo Dep Russomano);
    2 – Voto distritão(estadual) misto pra deputados federais e senadores – metade das vagas para os mais votados e metade por partido.
    3 – Dentro dos distritões (estados) a mesma lógica pra deputados estaduais: metade das vagas para os mais votados e metade para os partidos.
    4 – Um eleitor um voto;
    5 – Fim da Imunidade Parlamentar.

    Por ora, fim da contribuição de empresas. Com um nova classe política daria para pelo menos tentar discutir o tema. Com essa classe política que aí está é jogar pérolas aos porcos.

    Poderíamos então sonhar com reforma REAL do judiciário, pra começarmos a mudar o jogo.
    Defendo o estado mínimo e sinto muito bem toda extorsão e invasão de políticos e corriolas sobre meu dia-a-dia, mas não dá pra por a carroça na frente dos burros, além de impossível seria ruptura.

  11. Para quem não sabe, metade dos parlamentares do congresso nacional perderam as eleições pelo número de votos. Isso é democracia ?

    Isso é como montar a seleção brasileira de futebol com o time de um clube, porque não estão as escolhas dos mais votados. Pergunta para o Dunga se ele prefere escolher um jogador individual, ou se prefere escolher o time inteiro de clube. Esses parlamentos são como jogadores de clubes sendo titular da seleção.

    Em relação as doações de campanha, já está muito claro que quem doa muito é para fazer lobby. Até os bancos bilionários estão adorando o desequilibrio fiscal e a alta dos juros, sendo que eles mesmos doaram milhões.

    Esse fundo partidário é bizarro. Isso é coisa de bandido. Dói na alma saber que nós mesmos estamos pagando as contas dos comunistas.

  12. Os libertários ainda não entenderam, que vale até entrar nas forças armadas para combater o comunismo e a igualdade.

    Qualquer forma de luta contra esquerda é válida. Seja na luta da democracia, na mídia, na igreja, nas forças armadas, na ONU, no BCB, etc.

    Ficar alienado aos acontecimentos políticos, vai abrir uma freeway para a esquerda fazer a farra.

  13. E o caso da propina para o guarda de trânsito? E a do fiscal da receita?
    A meu ver todas elas ajudam a economia como um todo, pois mantém uma parte do espolio com a vítima, além de tirar poder de quem já o exerce com fins de espoliar ainda mais a população

  14. Assisti a um filme, com o Robin Willians. Ele era um comediante, e falava que os paletos dos politicos deveriam ser como os macacoes de pilotos da F1. Cobertos com os logotipos das emepresas patrocinadoras.

  15. Quem quer que pense que o financiamento publico de campanha ira resolver a corrupçao no Brasil durante as eleiçoes, melhor pegar uma arma, apontar pra propria cabeça e atirar, pq isso é suicídio. Financiamento publico significa na pratica que os partidos no poder sempre irao receber mais dinheiro e nao poderao ser tirados de lá nunca mais, isso é praticamente carta branca pra um golpe de estado.

  16. Se os socialistas defendem o financiamento público, então deve haver algo de muito ruim nisto, pois eles quase sempre defendem a pior opção para as pessoas em geral – e eu digo “quase” apenas para não ser dogmático.

    Teve um juiz do STF que comentou o fato do PT ter se elegido com financiamento privado e agora que está no poder do cofre defende o financiamento público.

    * * *

  17. Acho que a democracia é a tirania das maiorias,com muitos defeitos e que o sistema de reeleição não serve para o Brasil, pois permite o uso da maquina do governo pelo candidato a reeleição com seu favorecimento, pois ele fica no cargo durante campanha eleitoral. Eleito o candidato não teria direito a reeleição para presidente ele e o vice deveriam renunciar. E deveria ser definido na constituição o conceito de lei, como normas de conduta geral igual para todos prospetivas no tempo e no espaço. Favorecer ele poderia só se favorecesse todo mundo não só o seu curral eleitoral.

  18. Quero saber um pouco mais sobre a visão do site sobre a soberania nacional. O texto abaixo não seria passar por cima dessa soberania?

    …Imagine, por exemplo, que uma fabricante estrangeira queira vender carros baratos para os consumidores brasileiros. Atualmente, ela é impedida de fazer isso por causa das altas tarifas de importação vigentes para proteger o cartel das montadoras nacionais. O político que aceitar esse dinheiro estrangeiro e batalhar contra essas tarifas de importação estará fazendo exatamente aquilo que um homem público deveria fazer…

  19. Liberal Solitário

    Penso que o problema do estado é que os interesses imorais das pessoas irão se manifestar de um jeito ou do outro no sistema, independente do tipo de financiamento. Primeiro, o verdadeiro capital político é o voto, ou melhor, o apoio que um indivíduo fornece à um candidato. Dada uma situação em que recursos de terceiros possam ser usados para beneficio de um individuo, este irá apoiar (na maioria das vezes) candidatos ou partidos que se comprometam a efetuar esta transferência de riqueza para o individuo. Isso significa que as pessoas tendem a votar naqueles que as favorecem, passando por cima de questões éticas sobre certo e errado, abusando da força politica para promover esse roubo.

    Mesmo em pessoas razoavelmente corretas o possível desconforto moral dessa pratica será vencido por argumentos do tipo “todo mundo faz isso”, “não tem como ser diferente”, “esse é meu direito”, “é a vontade da maioria”, “é uma decisão democratica”, e por ai vai. Como o individuo estará usando seu poder contra pessoas que não conhece, que não tem um nome e um rosto, ele estará muito mais apto a adotar essa atitude autoritária. Com o agravante que temos um exercito de intelligentsia promovendo falacias sobre direitos, estado e sociedade que vão enganar a mente do cidadão comum. Para pessoas imorais então é um passe livre, uma porta aberta. Na verdade o sistema favorece o imoral sobre o moral.

    Os cidadãos votarão em candidatos que lutem por seus interesses, com o agravante destes serem financiados por outros cidadãos coagidos. Os habitantes de uma cidade cheia de montadoras ineficientes e corporativistas na sua maioria votarão em candidatos que sejam vistos como protetores dessas industrias (e dos seus empregos). “É a industria nacional !”, “quer carro importado vai pra gringa”, “temos que proteger nossos empregos” e por ai vai. E pode contar com apoio massivo de sindicatos para esses canditatos escolhidos(“foda-se o consumidor”). Pode contar com ideólogos monomaníacos dando apoio a canditatos que apoiem suas utopias, “ensinando” seus alunos a pensarem de tal forma (“foda-se sua liberdade individual”). Pode contar com entidades de classe apoiando aqueles que se identifiquem com eles (“foda-se os clientes”). Pode contar com habitantes de um bairro/cidade/região/estado tentando ganhar vantagens sobre os outros (“foda-se quem é de fora”) e por ai vai…

    Concordo com o texto, o financiamento publico é pior que o privado. No privado pelo menos há a chance de liberais/libertarios e até conservadores apoiarem uma candidatura fora do status quo estatista, e com a atuação desses mudar o pensamento dominante. O financiamento publico é altamente imoral, pois força o cidadão a pagar com seus impostos para financiar partidos e candidatos totalmente contrarios a seus interesses, ainda mais com a tendencia de o momento no qual o financiamento estatal ser imposto o cenário político do momento tender a ser eternizado (ou talvez piorado, com um quase monopólio partidário talvez?). Os partidos ficariam mais independentes da vontade popular, os políticos mais poderosos. Igualmente tornaria os interesses mais opacos, ilegais, mais afeitos a propina. Provavelmente a curto prazo teríamos um tipo de oligopolio partidário ainda mais corrupto

    Resultado: mesmo com financiamento 100 % estatal só serão eleitos os candidatos que se comprometerem a fornecer privilégios para grupos de interesse, em um sistema muito mais fechado que o atual, com políticos mais poderosos e com os cidadãos obrigados a bancar totalmente politicos que lhe são antagonistas. Espere por impostos mais altos também…

  20. Eu até acho que o financiamento público poderia trazer algumas vantagens e, quem sabe, dificultar a corrupção.

    Mas proibir alguém de doar dinheiro a outro é uma violação do PNA. Logo, um libertário não pode racionalmente apoiar isto.

  21. Esse financiamento público e de pessoa jurídica não fazem sentido.

    Se 20 milhões de pessoas se filiarem aos partidos, pagando 15 reais por mês, isso vai gerar 3,5 bilhões por ano em doações. Isso é mais do que suficiente.

    Ou seja, como os partidos criaram rejeição a política, agora eles querem tomar o dinheiro à força.

    Além disso, essa expropriação com financiamento público vai turbinar o fake news.

  22. Será que a esquerda vai proibir o porte de lanternas ?

    Como a esquerda acha que iluminação pública evita assaltos, eles devem estar pensando em proibir o apontamento de lanternas para os bandidos.

    Imagine um bandido tentando te assaltar. Você saca a sua poderosa lanterna, e o bandido sai correndo com medo da luz.

    Bizarro, né ?

  23. Ola pessoal,

    Desculpa perguntar isso aqui mas nao achei nenhum artigo relacionado.

    E quanto ao Bitcoin? Eh bolha? Eh solido? Vale a pena vender agora pra quem tem?

    Queria mto saber a opiniao de voces.

    Abraco!

  24. Algumas medidas que não resolveriam o problema, mas ajudariam a combatê-lo.

    – Doação por CPF e com um limite claro (tipo uns 5 000 por ano).

    – Uma espécie de “livro razão” para apresentar os CpF, datas e quantias dos doadores. O arquivo ficaria disponível no site do partido, no site de TSE e em outros lugares.

    – Conferência do dinheiro em conta com o débito recebido dos doadores.

    Com esse cenário, alguns partidos penariam para receber recursos. O problema é que o jogo sujo continuaria a rolar em caixa 2. Mas aí já é problema criminal, assim como a lava-Jato está tentando resolver.

  25. Conclusão: o financiamento privado é (de modo geral) menos ruim que o público.

    * * *

    “O político que aceitar esse dinheiro estrangeiro e batalhar contra essas tarifas de importação estará fazendo exatamente aquilo que um homem público deveria fazer:..”

    Pelo que sei, no Brasil isso é proibido e resulta em cassação.

    * * *

Rolar para cima