Nota
do Editor
Na década de 1980, a Nova Zelândia, que até então
havia sido um país rico, era um país relativamente atrasado (a renda per capita
era igual às de Portugal e Turquia), estagnado e sem grandes perspectivas. A
economia era engessada, fechada, protegida e ineficiente.
Até que, em meados da década de 1980, um governo de
esquerda fez o inimaginável e adotou medidas contrárias a esta ideologia: austeridade
monetária e fiscal, redução dos privilégios, abolição de várias tarifas
protecionistas e, principalmente, forte redução da máquina pública, com a
demissão de vários funcionários públicos.
Liderando esse processo, em conjunto com Roger Douglas, estava Maurice P. McTigue,
ex-ministro do governo trabalhista eleito em 1984. A seguir, uma palestra
educacional de McTigue, chamada Reduzindo o Governo:
Lições da Nova Zelândia.
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Se olharmos para a história, notaremos que o
crescimento do governo é um fenômeno recente.
Desde a década de 1850 até as décadas de 1920 ou
1930, a fatia que o governo ocupava no PIB da maioria das economias
industrializadas do mundo raramente ultrapassava os 6%. Porém, desse período em diante — e em
particular desde os anos 1950 –, vivenciamos uma explosão maciça na fatia que
o governo ocupa no PIB. Em alguns países,
o valor varia de 35 a 45%. (No caso da Suécia, houve um ponto que chegou a
65%, e o país quase que se autodestruiu como resultado. O país agora está desmantelando
alguns de seus programas sociais para se manter economicamente viável).
Pode esta situação de agigantamento do estado ser
interrompida ou mesmo revertida? Com base em minha experiência pessoal, a
resposta é “sim”. No entanto, isso não apenas requer altos níveis de
transparência, como ainda é necessário saber lidar com as consequências severas
de eventuais decisões erradas — e essas não são coisas fáceis.
A primeira mudança necessária está na mentalidade da
população. Tem de haver uma mudança na
forma como as pessoas vêem as atribuições do governo e suas responsabilidades,
principalmente a fiscal. A antiga ideia
de responsabilidade fiscal simplesmente dizia que o governo não deveria gastar
mais dinheiro do que arrecadou. A nova ideia de responsabilidade fiscal tem de
se basear na seguinte pergunta: “O que é que obtivemos em termos de benefícios
públicos como resultado do gasto deste dinheiro?”.
Esta é uma pergunta que sempre foi feita no setor
privado, mas que raramente foi a norma para o setor público. E os governos que resolveram lidar com essa
questão apresentaram resultados extraordinários. Esta foi certamente a base das
reformas bem-sucedidas no meu próprio país, a Nova Zelândia.
A renda per capita da Nova Zelândia no período
anterior ao final da década de 1950 era a terceira maior do mundo, atrás apenas
de Estados Unidos e Canadá. Porém, já em 1984, a renda per capita havia caído
para 27º posição, ao lado de Portugal e Turquia. Não apenas isso, a nossa taxa
de desemprego era de 11,6%, tínhamos tido 23 anos sucessivos de déficits (os
quais, em algumas ocasiões, chegavam a 40% do PIB), a nossa dívida pública
havia alcançado para 65% do PIB, e as nossas classificações de risco —
concedida pelas agências Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch — eram
continuamente rebaixadas.
Os gastos do governo chegavam a 44% do PIB, os
investimentos estavam em queda, os investidores estrangeiros estavam
abandonando o país, e o governo queria gerenciar praticamente todas as
atividades da economia, desde as grandes empresas até as mercearias. Havia controle de capitais e controle de
câmbio, o que significava que eu não podia comprar uma assinatura da revista The Economist sem a autorização do
Ministério das Finanças. Eu não podia comprar ações de uma empresa estrangeira
sem abrir mão da minha cidadania.
Havia controle de preços em todos os bens e
serviços, em todas as lojas e em todo o setor de serviços. Havia controle de
salários e até mesmo congelamento de salários. Patrões que eventualmente quisessem conceder
aumentos salariais aos seus funcionários — ou mesmo pagar-lhes um bônus —
estavam legalmente proibidos.
Havia controle de importação, com o governo
determinando quais bens eu podia trazer para o meu país.
Havia maciços subsídios às indústrias, a fim de
mantê-las viáveis.
Os jovens neozelandeses estavam deixando o país em
massa.
Gastos do governo e impostos
Quando um governo reformador foi eleito, em 1984, ele
imediatamente identificou três problemas: gastos excessivos, impostos
excessivos, e excesso de governo. A questão era como cortar gastos e impostos e
como diminuir o papel do governo na economia.
Bem, a primeira coisa a se fazer nesta situação é
descobrir o que se está recebendo em troca de cada unidade de dinheiro gasto. Para este fim, implantamos uma nova política,
segundo a qual o dinheiro não seria simplesmente distribuído aos ministérios,
agências e repartições governamentais; em vez disso, haveria um contrato com os
altos funcionários de cada órgão do governo, claramente delineando o que era
esperado em troca do dinheiro alocado.
Os líderes de cada órgão do governo passaram a ser
escolhidos com base em critérios rigorosos.
Foi feita uma seleção em nível mundial e os escolhidos receberam contratos
a termo: cinco anos com uma possível extensão de mais três anos. O único
fundamento para a sua demissão era a não-execução do que fora acordado, de modo
que um governo recém-eleito não pudesse simplesmente mandá-los embora como havia
acontecido com os funcionários públicos no sistema antigo.
Obviamente, com esse tipo de incentivo, os novos
líderes dos órgãos do governo — tais como os CEOs do setor privado — se
certificaram de que seu grupo de subordinados também tivesse objetivos muito
claros, os quais se esperava que também fossem cumpridos.
A primeira medida que tomamos em relação a cada órgão
tinha como base as políticas a serem adotadas. Isso tinha o objetivo de gerar
um vigoroso debate entre o governo e os líderes de cada órgão sobre como alcançar
metas do tipo “reduzir a fome” e o “número de sem-tetos”. Isto não significava,
vale enfatizar, que o governo deveria fornecer casa e comida para as pessoas. O
que realmente era debatido era o grau em que a fome e o número de sem-tetos seria
realmente reduzido.
Em outras palavras, deixamos claro que o que era
importante não era quantas pessoas estavam recebendo políticas
assistencialistas, mas sim quantas pessoas estavam saindo do assistencialismo,
deixando de depender do estado e passando a viver com independência.
Tão logo começamos a trabalhar por meio deste
processo, fizemos algumas perguntas fundamentais aos ministérios e agências. A
primeira pergunta foi: “O que vocês estão fazendo?”. A segunda pergunta foi: “O
que vocês deveriam estar fazendo?”.
Com base nas respostas, dissemos: “Eliminem o que
não deveriam estar fazendo” — isto é, se estão fazendo algo que claramente não
é responsabilidade do governo, parem de fazer isso.
E então fizemos a pergunta final: “Quem deveria
estar pagando por isso — os pagadores de impostos, o usuário, o consumidor ou
a indústria?”. Perguntamos isto porque, em muitos casos, os pagadores de
impostos estavam subsidiando coisas que não os beneficiavam. Quando você afasta o custo dos serviços dos
seus reais usuários e consumidores, você inevitavelmente acaba promovendo o uso
excessivo destes serviços e, com isso, desvaloriza o que quer que esteja sendo
feito.
Quando começamos este processo com o Ministério dos
Transportes, o mesmo tinha 5.600 funcionários. Quando terminamos, tinha apenas
53. Quando começamos com o Ministério do Meio Ambiente, o mesmo tinha 17.000
funcionários. Quando terminamos, tinha 17. Quando aplicamos isso ao Ministério
das Obras Públicas, o mesmo tinha 28.000 funcionários. Quando terminamos, tinha
apenas um: eu mesmo. Eu fui Ministro das
Obras Públicas e acabei sendo o único funcionário deste órgão. Neste último
caso, quase tudo que o ministério fazia era construção e engenharia; mas havia
muitas pessoas que poderiam fazer tudo isso sem o envolvimento do governo.
“Ah, mas você destruiu todos os postos de trabalho!”,
você pode me dizer. Só que isso
simplesmente não é verdade. O governo deixou de empregar pessoas naqueles
postos de trabalho, mas a necessidade daquele trabalho não desapareceu. Eu mesmo
visitei alguns dos trabalhadores florestais alguns meses depois de terem
perdido seus empregos no Ministério do Meio Ambiente, e eles estavam bastante
felizes. Eles me disseram que estavam ganhando cerca de três vezes o que
costumavam ganhar — além disso, eles ficaram surpresos ao saber que conseguiam
fazer cerca de 60% mais do que aquilo a que estavam habituados. A mesma lição
se aplica aos outros trabalhos que mencionei.
Algumas das coisas que o governo estava fazendo
simplesmente não eram função do governo. Por isso vendemos telecomunicações, companhias
aéreas, sistemas de irrigação, serviços de informática, gráficas
governamentais, empresas de seguro, bancos, ações, hipotecas, ferrovias,
serviços de ônibus, hotéis, empresas de navegação, serviços de assessoramento
agrícola etc.
Resultado principal: quando vendemos estas coisas,
sua produtividade subiu e o custo dos seus serviços caiu, traduzindo-se em
ganhos importantes para a economia.
Além disso, decidimos que outros órgãos deveriam ser
geridos como empresas com fins lucrativos e que pagam impostos. Por exemplo, o
sistema de controle de tráfego aéreo foi transformado em uma empresa autônoma,
cujo objetivo era obter uma taxa de retorno aceitável e pagar impostos, tendo
sido alertada de que não receberia qualquer aporte, investimento ou capital de
seu proprietário (o governo).
Fizemos o mesmo com aproximadamente 35 órgãos. Juntos,
eles nos custavam cerca de um bilhão de dólares por ano; depois, passaram a produzir cerca de um bilhão de dólares por ano em receitas e impostos.
Conseguimos uma redução global de 66% no tamanho do
governo, mensurado pelo número de funcionários. A fatia que o governo ocupava
no PIB caiu de 44 para 27%. Estávamos agora com superávit e estabelecemos uma
política de nunca deixar dólares à disposição: sabíamos que se não nos
livrássemos desse dinheiro, algum engraçadinho o gastaria em proveito próprio.
Consequentemente, utilizamos a maior parte do superávit para pagar a dívida, de
modo que a dívida baixou de 63 para 17% do PIB.
O que restava do superávit de cada ano foi utilizado
para reduzir a carga de impostos. Reduzimos as alíquotas do imposto pela metade
e eliminamos outros impostos. Como resultado destas políticas, a receita
aumentou 20%. Sim, Ronald Reagan estava certo: alíquotas de imposto menores
produzem mais receitas.
Subsídios, educação e competitividade
O que dizer sobre a invasão governamental que ocorre
sob a forma de subsídios?
Em primeiro lugar, temos de reconhecer que o
principal problema dos subsídios é que eles tornam as pessoas dependentes; e
quando você torna as pessoas dependentes, elas perdem a sua criatividade e toda a sua
capacidade de inovação, tornando-se ainda mais dependentes.
Deixem-me dar um exemplo: em 1984, 44% da renda da criação
de ovelhas na Nova Zelândia era oriunda de subsídios do governo. O produto
principal era o cordeiro e, no mercado internacional, o cordeiro era vendido a
12,50 dólares americanos (com o governo neozelandês fornecendo mais 12,50
dólares americanos) por unidade. Nós então abolimos, em apenas um ano, todos os
subsídios. Obviamente, os criadores de ovelhas não ficaram nada satisfeitos.
Porém, tão logo eles perceberam que a decisão era
permanente, que os subsídios não iram voltar, eles montaram uma equipe de
pessoas encarregadas de descobrir como poderiam obter 30 dólares por unidade. A equipe concluiu que isso seria difícil, mas
não impossível. Era necessário produzir um produto inteiramente diferente,
processá-lo de uma maneira diferente e vendê-lo em diferentes mercados.
Dois anos se passaram e, em 1989, haviam conseguido
converter o seu produto de 12,50 dólares em algo cujo novo valor era de 30
dólares. Por volta de 1991, valia 42 dólares; em 1994, valia 74 dólares; e em
1999, valia 115 dólares.
Em outras palavras, a indústria de ovelhas da Nova
Zelândia “saiu para o mercado” e descobriu pessoas que estavam dispostas a
pagar preços mais elevados pelo seu produto.
Hoje, vocês podem ir aos melhores restaurantes dos
EUA e comprar cordeiro da Nova Zelândia e pagar algo entre os 35 e os 60
dólares por libra (cerca de 450g).
Desnecessário dizer que, quando abolimos todos os
subsídios do governo à indústria, foi amplamente previsto que haveria um enorme
êxodo de pessoas fugindo desses setores. Mas isso não aconteceu. Para dar um
exemplo, apenas 0,75% dos empreendimentos agropecuários apresentaram prejuízos
e quebraram – e essas eram pessoas que nem sequer deveriam estar no ramo.
Adicionalmente, alguns previram um grande movimento em direção à organização
corporativa em oposição à agropecuária familiar. Mas ocorreu exatamente o oposto. Em vez de
uma expansão na agropecuária corporativa, foi a agropecuária familiar que se
expandiu. Todos viraram empreendedores, provavelmente porque as famílias
estão dispostas a trabalhar por menos do que as empresas.
No final, foi a melhor coisa que poderia ter
acontecido. E demonstrou que se as pessoas tiverem como única opção serem
criativas e inovadoras, elas irão encontrar soluções.
A Nova Zelândia tinha um sistema educacional que
também estava se comprovando um fracasso.
A taxa de repetência chegava a 30% das crianças — especialmente aquelas
em áreas socioeconômicas mais baixas. Ao
longo dos 20 anos anteriores, o governo despejava cada vez mais dinheiro na educação,
e os resultados eram cada vez piores. Custava-nos duas vezes mais para obter um
resultado pior do que o que tinha sido obtido 20 anos antes com muito menos
dinheiro.
E então decidimos repensar o que estávamos fazendo
nesta área também. A primeira coisa que fizemos foi identificar para onde
estavam indo os dólares despejados na educação. Contratamos consultores
internacionais (porque não confiávamos nos nossos próprios órgãos para executar
esta tarefa) e eles relataram que, para cada dólar que gastávamos com educação,
70 centavos eram consumidos pela administração.
Assim que ouvimos isto, eliminamos imediatamente
todo o Departamento de Educação [N. do E.: equivalente ao nosso MEC]. Cada escola passou a ser administrada por um conselho
de gestores eleito pelos pais das crianças que frequentavam aquela escola, e
por mais ninguém. Demos às escolas uma
quantia de dinheiro com base no número de alunos matriculados nas mesmas,
sem impor condições especiais. Ao mesmo tempo, dissemos aos pais que eles
tinham o direito absoluto de escolher onde os seus filhos seriam educados. É
absolutamente detestável que seja um burocrata qualquer diga aos pais que eles
têm de mandar os seus filhos para uma escola ruim. Convertemos 4.500 escolas a
este novo sistema em um único dia.
Mas nós fomos ainda mais longe: tornamos possível às
escolas privadas serem financiadas exatamente da mesma forma que as escolas
públicas, dando aos pais a capacidade de gastar seu dinheiro onde quer que eles
escolhessem. Mais uma vez, várias pessoas previram que haveria um grande êxodo
de estudantes do ensino público para as escolas privadas, pois as escolas
privadas demonstravam uma superioridade acadêmica de 14 a 15%. Isso não
aconteceu, pois a diferença de desempenho entre as escolas desapareceu em cerca
de 18-24 meses. Por quê? Porque repentinamente os professores das escolas
públicas perceberam que, se eles perdessem alunos, perdiam o financiamento; e
se eles perdessem o financiamento, perderiam seus empregos.
Oitenta e cinco por cento dos nossos alunos iam para
escolas públicas no início deste processo. Este número caiu para apenas 84%
depois do primeiro ano das reformas. No entanto, três anos depois, 87 por cento
dos estudantes estavam em escolas públicas. Mais importante, o nível
educacional da Nova Zelândia, que até então era 15% inferior ao de seus pares
internacionais, tornou-se 15% superior.
Agora, falemos sobre tributação e competitividade. O que muitos no setor público hoje não
conseguem reconhecer é que o desafio da competitividade é mundial. Capital e mão-de-obra
conseguem se mover tão rapidamente de um lugar para outro, que a única maneira
de impedir que as empresas saiam de um país é dando a certeza de que o clima de
negócios no seu país é melhor que o de qualquer outro.
Sob este aspecto, houve uma circunstância muito
interessante na Irlanda. A União Europeia, liderada pela França, foi muito
crítica em relação à política tributária irlandesa — particularmente na que
diz respeito às empresas –, pois os irlandeses haviam reduzido alíquota do imposto
de renda de pessoa jurídica de 48 para 12%, e, como consequência, várias
empresas se mudaram para a Irlanda. A União Europeia queria impor uma
penalização à Irlanda, na forma de um imposto de renda de pessoa jurídica de 17%,
de modo a que o país ficasse alinhado com outros países europeus.
Desnecessário dizer que os irlandeses não aceitaram essa ideia. A Comunidade Europeia respondeu dizendo que o que os irlandeses
estavam a fazer era injusto e contrário à ideia de competitividade. O ministro das
finanças da Irlanda concordou: ele destacou que o governo da Irlanda estava cobrando
12% das empresas ao passo que cobrava dos seus cidadãos apenas 10%. Ato contínuo, a Irlanda reduziu a alíquota de
impostos para as empresas para 10% também. Mais uma batalha que os franceses perderam!
Quando nós, na Nova Zelândia, analisamos o nosso esquema
tributário, encontramos um sistema extremamente complicado, o qual distorcia tanto
os empreendimentos quanto as decisões privadas. Consequentemente, fizemos as seguintes
perguntas para nós mesmos: o nosso sistema tributário estava preocupado em
coletar receitas? Estava preocupado em coletar receitas e também em prestar de
serviços sociais? Ou estava preocupado em coletar receita, em prestar serviços sociais
e em alterar comportamentos? Decidimos então
que serviços sociais e questões comportamentais não tinham lugar em um sistema
racional de tributação.
Ato contínuo, decidimos que só teríamos dois
mecanismos para obter receitas — um imposto sobre a renda e um imposto sobre o
consumo — e que iríamos simplificar estes mecanismos e reduzir as alíquotas ao
máximo possível.
Reduzimos a alíquota máxima do imposto de renda de
66 para 33% e fixamos essa taxa para todos os que tinham rendimentos mais
elevados. Além disso, reduzimos a alíquota mínima de 38 para 19%, a qual se
tornou a taxa fixa para a população de menor renda. Em seguida, definimos uma alíquota
de imposto sobre o consumo de 10% e eliminamos todos os outros impostos —
impostos sobre ganhos de capital, impostos sobre a propriedade etc.
O que realmente aconteceu foi que acabamos coletando
20% mais receitas do que antes. Por quê? Porque se as alíquotas são baixas, os
pagadores de impostos mais ricos não irão contratar advogados e contadores caros
para encontrar brechas na legislação. Simplesmente
não compensa. Com efeito, todos os
países do mundo que pesquisei que simplificaram e reduziram dramaticamente as
suas alíquotas de imposto terminaram com mais receita, e não menos.
E quanto às regulamentações? O poder regulador é normalmente
delegado a funcionários que não foram eleitos, os quais então restringem as
liberdades das pessoas sem serem cobrados e punidos por isso. Essas regulações
são extremamente difíceis de serem abolidas uma vez implantadas. Mas nós
encontramos uma maneira: simplesmente reescrevemos os estatutos em que as
regulações estavam baseadas.
Por exemplo, reescrevemos as leis ambientais,
transformando as mesmas na Lei de Gestão de Recursos — reduzindo uma lei que
tinha 25 polegadas de espessura (63,5 cm) para 348 páginas. Reescrevemos o
código tributário, todo o código florestal e de exploração agropecuária, e as
leis sobre segurança e saúde no trabalho. Para fazer isso, juntamos os nossos
cérebros mais brilhantes e dissemos a eles para partirem do princípio de que
não havia nenhuma lei pré-existente e que deveriam criar o melhor ambiente
possível para a indústria prosperar.
Estas novas leis, com efeito, revogaram as antigas,
o que significa que todas as regulações vigentes — todas, uma por uma.
Pensar de forma diferente sobre o governo
Deixem-me compartilhar uma última história: o
Ministério dos Transportes veio até nós um dia para nos dizer que tinham de
aumentar as taxas para as carteiras de habilitação. Quando perguntamos o
porquê, eles disseram que os custos para renovar uma carteira não estavam sendo
totalmente cobertos pelas taxas vigentes. Então perguntamos por que o governo deveria estar
envolvido nesse tipo de atividade. Os
funcionários do Ministério dos Transportes claramente pensaram que essa era uma
pergunta muito idiota. “Todos precisam de uma carteira de habilitação”,
disseram eles.
E então respondi que recebi a minha quando tinha 15
anos, e ainda perguntei: “Como é que emitir uma nova carteira testa a
competência do condutor?”. Demos a eles
dez dias para pensar sobre isso.
Em um determinado dia, eles disseram que a polícia
precisa das carteiras de habilitação para fins de identificação. Respondemos
que este era o propósito de uma carteira de identidade, não de uma carteira de habilitação.
Finalmente, eles admitiram que não conseguiram
encontrar uma boa razão para o que estavam fazendo — por isso, extinguimos
todo o processo.
Agora, uma carteira de habilitação é válida até a
pessoa fazer 74 anos, data após a qual deve fazer um teste médico anual para
garantir que ainda é competente para dirigir. Assim, não apenas não
precisávamos de novas taxas, como ainda eliminamos todo um órgão estatal.
Isto é o que eu quero dizer quando exorto a “pensar
de forma diferente sobre o governo”. É nesta direção que um governo tem de se
mover.
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Leia também:
Déficits, incertezas e keynesianismo
– como um orçamento equilibrado gera crescimento econômico
Como a Nova Zelândia e o Chile transformam vacas, ovelhas, uvas e cobre em automóveis de qualidade
Você pode não acreditar, mas aconteceu na Nova Zelândia…
Mudando de assunto, vocês acham que com a subida dos juros agora as bolhas do Fed e da China vão estourar?
Pior é saber que isso foi feito por gente que não é libertária, mas apenas usou a cabeça.
Imagina o que isso significa nas bandas de cá…
Sugestão para os próximos artigos:
Como a Coréia do Norte congelou os preços, nacionalizou os meios de produção e se tornou o país mais próspero do mundo.
Como a Iugoslávia hiperinflacionou a moeda, estimulou a demanda agregada e se tornou a nação mais estável do mundo.
Como a Dilma estimulou o crédito, determinou preços no sistema elétrico, estourou o gasto governamental, desvalorizou o câmbio, expulsou a tiro todos os investimentos e deu aos trabalhadores brasileiros as maiores férias coletivas da sua história.
Mas disso vocês não falam. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
A probabilidade disso acontecer no Brasil nesse momento é a mesma de:
1- Um sul-coreano fugir para a Coreia do Norte;
2- Um cidadão da Flórida fugir para Cuba;
3- Um judeu que vive nos EUA fugir para Mosul, no Iraque.
Não considero a Nova Zelândia exemplo pra ninguém. As neozelandesas são as mulheres mais promíscuas do mundo.
Lá não tem subsidios agricolas, mas tem subsídios à contracepção:
Nova Zelândia dará anticoncepcionais às mulheres com subsídios
Pena que não é possível algo parecido ocorrer no Brasil no curto prazo…
Além de ser um país grande demais, a população é o problema… Heterogênea demais, baixa educação, amam o Estado, etc…
Triste.
Já conhecia a história da Nova Zelândia, de país de terceiro mundo na década de 80 para super rico atualmente. Assim como Austrália, Irlanda, Hong Kong e Cingapura, são modelos de sucesso para o Brasil, principalmente pela características da Nova Zelândia e Austrália serem parecidas economicamente com o Brasil.
Dado que estamos em uma encruzilhada, considero um excelente plano de governo! além disso, seríamos um primeiro país latino a ousar a fazê-lo na magnitude que a NZ realizou.
Destaque para o processo decisório da carta de habilitação. Como se pensou “fora da caixa” e o embate cultural decorrente. O que e como seria no Brasil um proposta do naipe?
Eu sempre pensei dessa forma a respeito de tributação
Quanto mais “leve” a carga tributária, maior a arrecadação, aí está a prova viva disso
Porque isto não seria aplicável ao Brasil:
Um governo que acabe com as Bolsas (famílias e outras com vários nomes) simplesmente jamais será reeleito, mesmo que traga grande prosperidade. O povo simplesmente irá querer aquele candidato que prometer recriar as bolsas utilizando da prosperidade obtida.
Se simplificarem os impostos, irá reduzir muito a necessidade de suborno, secando uma importante fonte de caixa 2.
Reduzir os impostos diminui a necessidade de compra de Medidas Provisórias.
Extinguir Cargos Públicos = Extinguir Cabos Eleitorais. Simplesmente não.
Mudar o sistema educacional = Fazer as pessoas pensarem, inclusive em quem estão votando. Não!
Boa ideia, mas aqui não!
Imagine que maravilhoso renovar a CNH uma vez na vida? Imaginar, somente, porque a máquina de fazer dinheiro, vulgo DETRAN e demais orgãos de trânsito, dificilmente tomariam essa atitude aqui no Brasil.
O medo implantado ou imposto pode transformar um país numa ditadura. Veja o video do canal Libertárianismo:
https://m.youtube.com/watch?v=GqLyza_9m7c
Excelente artigo,as coisas maravilhosas que acontecem quando há liberdade,agora imaginem,imposto zero e liberdade da escravidão.
Chorei lendo o artigo…
O nosso problema é que o povo acredita que falta apenas honestidade e competência.
Ninguém parou para analisar se a forma está correta. Ninguém tentou fazer diferente do que sempre deu errado.
O povo se acostumou com a ração do governo.
E quem teria coragem de fazer isso aqui no Brasil????? Um país muito maior que a Nova Zelândia, onde impera o patrimonalismo e o governo de cumpadres desde os tempos coloniais. Fora os valores totalmente errados que estão na cabeça de muitos cidadãos brasileiros, que são difundidos pela mídia em conjunto com os governos. Liberdade para fazer coisa errada não falta aqui, de maneira alguma. Temos que destruir esse sistema. De que forma? Eu não sei.
Tudo isso com um governo de esquerda? Uau!
Aconteceu um pouco antes, na América:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=849
Mas essa da terra do Jaca Paladium foi mais brutal.
Muito bom artigo, mas gostaria de saber se corresponde 100% a realidade pois me parece incrível demais. Será que tem algum livro que documente mais detalhadamente este processo?
A história final, por exemplo, não é verdadeira (pelo menos hoje). Se o processo de renovação de habilitação foi abolido ele retornou em algum momento(o artigo original é de 2004) pois de acordo com o site oficial do governo a habilitação deve ser renovada a cada 10 anos e tem uma taxa de $43,90.
https://www.nzta.govt.nz/driver-licences/renewing-replacing-and-updating/renewing-your-licence/
Eis ai um exemplo à ser seguido. Eu sempre defendi um sistema de governo com estrutura enxuta, menos máquina, mais empresas, mais educação, mais saúde, mais transporte. Gastamos muito e mal, onde no sistema atual, a regra é primeiro nós , depois a sociedade, depois o país. Governo não é produtivo, não gera receita, apenas despesas. Aqui no Brasil a situação chegou a tal ponto, que invertemos os objetivos: temos que cuidar de bancar políticos, apadrinhados, e suas enormes regalias , e o resto…enfim…, virou resto mesmo. O sistema está errado! Devemos parar e começar tudo de novo.
Devemos expulsar a corja petista.
Vou ficar na torcida pra que Ciro Gomes, possível candidato a presidente, leia esse excelente artigo e se inspire. Pois, segundo afirmou em entrevista (https://www.youtube.com/watch?v=Q2A3c78C-kM), não saberia onde cortar 1 bilhão de reais nos gastos do governo e parece pensar que o tamanho do estado brasileiro deveria ser ainda maior. E veja que Ciro foi considerado o ministro mais liberal em relação às tarifas alfandegarias. (ver podcast http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=284 com o Leandro; minuto 00:32:00)
O problema não é apenas a vontade do povo, como muitos estão dizendo aqui, para algo assim ser implantado no Brasil seria preciso abolir a constituição brasileira que determina um monte de “direitos sociais e coletivos” e atribui responsabilidades para o estado. Sem isso, qualquer tentativa de redução poderia ser declarada inconstitucional.
Fico curioso para saber como é a constituição da Nova Zelândia, outra coisa, o texto não fala sobre a situação da previdência e direitos trabalhistas, houve mudanças?
Será que a Nova Zelândia tinha uma “CLT” vinculada a constituição? Sem isso, deve ter sido bem mais fácil reformar o país e torná-lo mais competitivo.
Eu moro em Las Vegas e a economia aca foi crecendo mais que otros em os Estado Unidos por 30 anos ate 2006, e por causa de menos tarifas do goberno em Nevada. Meu pai tamben movo a Las Vegas em 2014 por este razon. Com menos tarifas gente vem do otros partes pesquiando por novos oportunidades financeras. E correto que Las Vegas e unico tamben, voce pode olher o Grand Canyon por helocoptero enquanto se casar como Las Vegas helicopter wedding e tamben olher muitos shows en el Strip, mas mais que todo o eliminacao do tarifas personais por o goberno local e todavia a coisa mais poderosa de todos para atrai novo gente de otros regioes.
Eu não tenho a menor dúvida de que a venda de escolas e hospitais públicos seriam a melhor mudança.
Um ticket escola e ticket saúde para quem não pode pagar, ajudaria muito mais do que um serviço porco e corrupto do governo.
Ninguém percebeu que até em privatizações de hospitais tem corrupção. Uma empresa do RJ roubou 50 milhões de 4 horpitais.
Enquanto as pessoas pobres não tiverem liberdade para escolher onde gastar seus benefícios, teremos gente roupando paciente na UTI.
Além disso, esses benefícios preciam ter um limite. Não dá para arcar com 36% de imposto e ainda ter que pagar por saúde e educação.
Acho que isso seria uma tolerância com esquerdistas, sem radicalizar e partir logo para o anarquismo.
Daria sim pra implementar algo parecido no Brasil, projeto teria que seguir mais ou menos o que defende o Olavo de Carvalho, ou seja, através da criação de uma elite cultural que estudasse e escrevesse/musicasse/encenasse verdadeiramente sobre o país, influenciando os mais diversos formadores de opinião (jornalistas, professores, artistas, políticos) e estes influenciando a população em geral. Tudo é coisa pra 30-40 anos, talvez menos, dada às condições tecnológicas atuais. Vejam que o PT foi fundado em 1980, o projeto para a conquista do poder pela esquerda já vinha desde os anos 60 sob orientação de Urss/Cuba, a cereja do bolo foi a Presidência, em 2002, qdo a ideologia já tinha conquistado o sistema educacional, imprensa, sindicatos, “movimentos sociais” e Igreja Católica.
Fico impressionado como esse tipo de medida reflete na vida das pessoas sem que elas bem percebam de onde veio.
Tenho uma prima morando na Nova Zelandia. Um amigo morou um ano na Austrália, voltou chorando. Outro está arrumando as malas para passar um ano na Irlanda…
O que está tornando esses lugares tão atrativos? Eles nao entendem por que, só ouvriam falar, foram lá conferir e acabaram comprovando.
Menos estado! Mais mercado! Mais liberdade! Mais prosperidade…
Pena que permaneçam sem fazer o link entre a consequencia e as causas, sem retroagir até a causa básica.
Mas, em menor escala, a luta principal seria pelos formadores de opinião, a tomada das Universidades (sistema educacional), mídia e artes (música, cinema, teatro) é fundamental aos defensores da liberdade.
Fazer 1% disso, num certo país do outro lado da bola, provocaria a ira incendiária de sindicatos, de servidores públicos e do empresariado amigo da Corte (bancos, montadoras, empreiteiras, setores do agronegócio, varejo, comunicações, transporte, ensino…).
Teria que mexer em direito adquirido, o que seria possível em três hipóteses, em ordem CRESCENTE de probabilidade:
-Invasão alienígena;
-Anexação americana (quem sabe o sujeito do topete escroto morando na Av. Pensilvânia);
-Quartelada (se um dia acharem um milico liberal, avisem).
Realmente, um artigo fantástico. Infelizmente, o exemplo da Nova Zelândia é desconhecido pelas bandas de cá, no Brasil. Que tal alguém mostrar esse excelente artigo a um político de tendências keynesianas como Ciro Gomes?
Sobre a boa vontade de fazer (o que realmente a massa leva em consideração no hora de escolher candidato) comentei estes dias que mesmo um sujeito com boa vontade não conseguirá operar alguém. Simplesmente porque este não tem capacidade.
No Brasil parece que com boa vontade se consegue qualquer coisa na hora. Basta vermos o exemplo do Tiririca como deputado. O povo fala “nossa tá em todas as sessões…”.
A capacidade de fazer já não importa mais aqui…
Eu fui lendo e imaginado 10% disso que fosse no Brasil.
***
Que artigo!
Deem um oscar para esse homem! Alguém por favor traga um desse para o Brasil! Urgente!!!
Se o governo brasileiro cortar subsídios de qualquer área, esta ao invés de procurar uma solução criativa para maximizar seus lucros irá fazer greve até conseguir sua “amamentação” de volta.
Difícil de acreditar que tais medidas funcionariam no Brasil, não temos a cultura de nos tornarmos independentes do Estado, mas sim de dependermos dele cada vez mais.
Os ideais contidos no texto são realmente brilhantes.
Bem, seu eu entendi bem a palestra do Sr. McTigue ele diz que:
“A primeira mudança necessária está na mentalidade da população. Tem de haver uma mudança na forma como as pessoas vêem as atribuições do governo e suas responsabilidades, principalmente a fiscal.”
Então não adianta ficar sonhando já sabemos qual é o primeiro passo. Tenho notado que sites como esse, além de blogs, páginas, etc., dedicadas ao liberalismo tem aumentado no Brasil, o que é um ótimo sinal. Será que não é hora de começar a medir o resultado desses esforços? Não consigo encontrar nenhuma pesquisa a respeito da permeação do pensamento liberal na população. Como a mentalidade vem mudando com o tempo?
“Feliz Nova Zelândia, Brasil“, por Flavio Azevedo.
Boto fé!
Não tem como ler isso e olhar para o nosso país, para a nossa realidade e não se revoltar. Digo isso, pois, jamais teremos algo semelhante ou pelo menos 10% disso aqui em nosso território, é triste dizer isso, mas é a mais pura realidade.
Com o nível de Universidade pública que temos no Brasil que conseguem produzir uma Zélia Cardoso de Mello, uma Dilma Rouseff e um Barbosa como Ministro da Fazenda, creio que teremos que jogar uma bomba e começar tudo de novo. A mentalidade enraizada é socialista, anencéfala e não consegue fazer uma analogia, ou um estudo de caso, ou qualquer coisa que o valha para empregar no Brasil.
Excelente artigo. Desconhecia como a Nova Zelândia, tinha chegado ao patamar actual de desenvolvimento económico.
Mais paízes deviam replicar o que lá foi feito. Haja coragem do povo e dos seus políticos.
Bem no Brasil teremos muitos problema para implantar novas situações nas questões tributárias. Aqui os ricos já pagam muito menos impostos que os pobres. Como mudar essa situação? Diminuir os impostos dos pobres e aumentar os dos ricos? Ora são os ricos que tem o poder de mudar a tributação. Basta analisar a formação do Congresso. Portanto nas questões tributárias é IMPOSSÍVEL mudar alguma coisa. Prefeitos, governadores, presidentes tem rígidos sistemas de leis que os controlam em tudo o que fazem. E mesmo assim eles deitam e rolam. Imagine dar dinheiro a Conselhos locais para administrarem qualquer coisa. O dinheiro viraria pó. Bem os que primeiros chegaram a essa terra foram criminosos trazidos pelos portugueses para aqui cumprirem as suas penas. Estão aí até hoje.
FATO – Quanto menor o Estado, maior a riqueza do país e maior a qualidade de vida. Relação direta e empírica de causa e efeito. Fora desse fato, o resto não passa de discurso esquerdista de vagabundos mimizentos.
Não entendi bem sobre como as escolas privadas eram financiadas. Era algum tipo de subsídio ou o governo pagava apenas o equivalente a mensalidade dos alunos? Tenho muito interesse em entender mais a fundo sobre a solução que foi dada pela Nova Zelândia na educação, mas achei que não ficou muito claro. Para mim é um dos cases mais interessantes de uma inversão ideológica na política-econômica em um país e que tenha funcionado.
São Paulo – Há 250 anos que a Inglaterra não vê tanta chuva. As tempestades têm sido uma calamidade para um povo acostumado à previsibilidade. Cidades inteiras ficaram sob as águas, cidadãos tiveram de ser retirados de casa e passaram à condição terceiro-mundista de desabrigados, gente morreu.
As consequências da desordem climática na vida dos ingleses levaram à crise no gabinete do primeiro-ministro, David Cameron. Dias atrás, Philip Hammond, secretário de Estado para a Defesa do governo de Sua Majestade, foi despachado, de botas e capa de chuva, para uma das regiões mais atingidas pelas tormentas.
Foi então que Hammond, homem com status de ministro, participou involuntariamente de um episódio que traduz o que é ser cidadão e o que é ser um servidor do Estado.
Em frente às câmeras de TV de todo o mundo, ele foi repreendido por uma voluntária, uma mulher do povo. "Estamos trabalhando há 48 horas. Arriscamos nossa vida para retirar as pessoas. O que falta para vocês perceberem que precisamos de ajuda?" Assessores do ministro não intervieram.
A voluntária não foi desqualificada como agente da oposição. Hammond não tentou dar explicações para o inexplicável. Apenas abaixou a cabeça diante das câmeras.
Quanto tempo será necessário até que o Brasil atinja esse nível de compreensão sobre o papel de cada um na sociedade? Quase um ano se passou desde que os primeiros protestos irromperam nas ruas do país — e, desde então, as manifestações impopulares permanecem incompreendidas.
O que as pessoas querem? Por que as reivindicações apareceram de forma tão difusa? Mais saúde, mais educação, mais segurança, menos corrupção, menos gastança. O que há por trás de tantas palavras de ordem, sem muita conexão umas com as outras?
É possível que a resposta seja mais singela do que cientistas políticos e institutos de opinião imaginam: o brasileiro comum — eu, você, seu filho, sua empregada, a amiga dela — gostaria de ser alguém cuja opinião importasse, assim como a voluntária inglesa sabe que é.
E gostaria que aqueles que governam, trabalham com o interesse público e decidem o que fazer com nosso dinheiro fossem aquilo que realmente deveriam ser: servidores, e não imitadores dos porcos de A Revolução dos Bichos, de George Orwell ("Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros").
É de uma obviedade assombrosa. Há quase 200 anos as coisas acontecem de forma diferente num Brasil de alma patrimonialista, com Estado e governos que se consideram fins em si próprios. Nossos governantes, historicamente, não se enxergam como servidores da sociedade.
Aqui, é a sociedade que deve servir aos governos e às suas máquinas hipertrofiadas. Prover educação, segurança, transporte e saúde com o mínimo de qualidade não é visto como obrigação dos comandantes de plantão, mas como favores feitos à massa. É de bom-tom agradecer.
No Brasil, ministros de Estado, deputados, senadores, prefeitos e governadores — só para ficar no alto escalão da República — não abaixam a cabeça sob as críticas pertinentes, e cada vez mais frequentes, da sociedade. Nós é que — com uma subserviência que não faz distinção de classe — abaixamos a cabeça para eles.
Trabalhamos para eles. Não o contrário. E muita gente ainda acha isso perfeitamente normal. O Brasil deve ser um caso único onde pagadores de impostos são tratados como contribuintes. Não se trata de uma questão semântica. Quem paga exige contrapartida à altura. Quem contribui, não.
O desprezo ao servir não é um mal exclusivo de políticos e funcionários públicos. Ele está impregnado também no mundo das empresas. De forma geral, o brasileiro é um consumidor de segunda classe.
Muitas coisas mudaram no país — algumas para muito melhor —, mas um número impressionante de companhias ainda não consegue fazer o básico: entregar a quem compra seus produtos e serviços o que foi prometido no ato da venda.
Para o público e também para o privado, a voz das ruas é um alerta: o brasileiro está ficando cansado de ser feito de bobo. E a pressão pela inversão dos papéis — de quem serve e de quem deve ser servido — pode ter consequências mais imediatas do que muitos imaginam.
Cláudia Vassallo, da Revista EXAME
Estou começando a estudar economia agora. O que já tinha em mente e pude confirmar com um pouco de informação, é que o governo só destrói um país. Os melhores países (economicamente falando) são os que tem um governo minúsculo.
Alguém poderia me informar bons sites, livros e revistas para aprender acerca do assunto?
Grato.
Pondo o chapéu de estatista em um assunto OFF:
O que vocês acham da desmilitarização da PM?
Eu acho uma merda, os esquerdopatas argumentam que isso acabaria com a ”opressão da pm”, você vê ai que o compromisso deles não ta relacionado com aumentar a segurança.
”A mas os países desenvolvidos a polícia não é militar”
Na venezuela também não..
Veja, de fato deixar toda responsabilidade na mão da Policia Civil, com essa quantidade de crimes que existe, seria algo sensato? Creio que não… Ainda sim, me parece que a intenção da esquerda é somente fazer a PM responder fora de uma justiça ”militar”.
Mais uma vez, a esquerda usa um meio, justificando alcançar um fim X e na verdade querendo alcançar o fim Y.
Enfim, alguém tem uma posição sobre isso?
Abraços
Se uma pequena diminuiçao no tamanho do estado produziu efeitos benéficos na Nova Zelândia,imagina o que teria acontecido se a Nova Zelândia tivesse se tornado anarcocapitalista.Os liberais,entretanto,costumam citar o caso da Somalia como exemplo de fracasso do anarcocapitalismo,assim a pergunta que naturalmente salta ao espírito é a seguinte:se o enxugamento do estado produziu efeitos positivos na Nova Zelândia,por quê a abolição do estado não produziu efeitos ainda melhores na Somalia?É claro que a resposta é que não havia na Somalia a mesma cultura empreendedora que existia na Nova Zelândia.Aliás,até existe espirito empreendedor na Somalia,tanto isso é verdade que empreendedores somalis criaram uma boa rede de serviços de internet que funciona muito bem.Porém,é inegável o fato de que o empreendedorismo na Somalia foi insuficiente.Aliás, o caso da Somalia serve de exemplo para nós brasileiros.Nós precisamos entender que não basta simplesmente abolir o estado e mandar os políticos para a vala,é preciso primeiro preparar o povo para isso.Precisamos divulgar as idéias anarcocapitalistas e doutrinar o nosso povo com os ensinos dos escritores do anarcocapitalismo e da escola austríaca.É preciso formarmos um verdadeiro exército de ancaps,afim de que no momento da rebelião contra o estado,esse exército assuma a liderança da revolução conscientizando o povão e doutrinando os que ainda não tiverem sido doutrinados.Tal exército ancap está em constante formação e a idéia é que no médio ou longo prazo ele se torne gigantesco.Quando chegar o momento oportuno ,certamente iremos iniciar a revolta contra o estado,e diferente do que aconteceu na Somalia, haverá um exército ancap pronto para agir.O futuro do Brasil é se tornar o ancapistao,e o Paulo Kogos se ainda estiver vivo será o nosso representante simbólico perante os países que ainda forem oprimidos pelo jugo estatal.
Quem produziu o chamado mundo contemporâneo?
Sim, o mundo com seus inventos, comodidades e avanços tecnológicos ?
De onde vem tal legado e por que permanece restrito aos mesmos países ?
Por que outros países onde não desenvolveram tal cultura inventiva, de resolver equações e situações, de empreendimento, de complexidade, e lida com o famoso capital, sem mitos ?
Existe, lógico e escancarada uma enorme diferença entre os grupos de países que venceram esse rali pelo topo do mundo, e são os países ocidentais do norte.
Poucos países fora do eixo Usa, Canadá e Europa (inclusive Israel) chegaram próximo e tiraram esse “gap” histórico, e não é na base de canetada ou decretos.
Esses tais podem-se considerar o Japão e a Coréia do sul, mas sobre uma rígida estrutura de obediência, hierarquia e noções praticamente militares de diligência, fora o fato não tão simpático de fechados ás fronteiras, com uma identidade nacional bem resolvida o que minimiza muito o chamado jogo das divisões.
Isso é o que o Brasil pode fazer ? Parece que não reunimos estas condições dos países asiáticos e agora, nesse tempo de ”empoderamento” vem faltando o poder da humildade e disciplina de clamar por auto-determinação e esperar menos do estado.
O exemplo da Nz não se aplica ao nosso país, talvez só como uma realidade distante, mas que exigiria que, pra ser copiada (emulada), o Brasil deixasse de ser Brasil, por paradoxal que possa parecer.
Eu pensei que o crescimento do estado como tendência de governos fosse um dogma do Mises. Será que me enganei?
Reduzir o estado é importante, mas isso não resolve o problema.
Nós precisamos entender que não estamos falando de pessoas. O estado está sendo corroído por ratos da pior espécie. São ratos que desprezam a vida humana.
A vida humana é lixo para os políticos. Enquanto pessoas bebem água suja, vivem no meio do esgoto, vivem no meu do lixo, e muitas morrem nas filas dos hospitais, os políticos querem planos de saúde vitalício, salários de 30 mil, carros, apartamentos, viagens, mais de 30 assessores, etc. Os políticos trocam luxúrias por vidas humanas.
Reduzir o estado vai melhorar a vida das pessoas, mas não podemos acreditar que tudo será resolvido.
Um país lindo, sensacional, moderno em quase tudo, com um povo muito receptivo.
Agora abrindo um parênteses, um fato que eu acho interessantíssimo nesse país é que embora tenha sido colonizado por ingleses, manteve o nome dado por seu descobridor Holandês, Abel Tasman, derivando do nome Zelândia, que seria uma “Nova Holanda”, traduzindo para o português brasileiro.
Como ocorreu esse fato eu não sei, mas que é bacana é.
E com resolver a situação calamitosa em que se encotra o Brasil ?
– 50 milhões recebendo esmola no bolsa família;
– 15.300 sindicatos sugando a energia dos empregadores e cobrando imposto dosempregados;
– cerca de 20 milhões de funcionários públicos, tendo uma minoria deles recebendo mega salários e benefícios vitalícios;
– impostos exorbitantes, inflação, impunidade e foro provilegiado;
– burocracia e regulações;
– tarifas alfandegárias;
– política econômica de ideologia fascista, keynesiana e monetarista;
– mimimi, politicamente correto, utilitarismo e hedonismo;
Ufa !!
Este artigo é pouco útil à causa liberal e mais ainda à libertária, lembro-me de ter compartilhado este artigo antes de sua revisão lá pelos idos de 2010 e eis aí o resumo da conclusão do brasileiro médio:
O país estava fodido, um governo bom caiu do céu e deixou tudo bem, temos que esperar que estes políticos bons apareçam para votarmos neles.
A melhor solução é exterminar a dívida pública.
O problema é fazer isso com políticos sem credibilidade.
A privatização de todas as estatais, venda de imóveis do governo, venda de ativos, etc, poderia gerar um caixa de 500 bilhões a mais no orçamento do governo.
Se eles ainda acabassem com o imposto de renda, seria uma injeção de 300 bilhões nas mãos de investidores nacionais, sem contar algumas centenas de bilhões de dólares que entrariam no país. Um país sem imposto de renda vai atrair centenas de bilhões de dólares.
A fórmula autríaca já foi informada por esse instituto, mas o socialistas gostam mesmo é de distribuição de pobreza.
“E então decidimos repensar o que estávamos fazendo nesta área também. A primeira coisa que fizemos foi identificar para onde estavam indo os dólares despejados na educação. Contratamos consultores internacionais (porque não confiávamos nos nossos próprios órgãos para executar esta tarefa) e eles relataram que, para cada dólar que gastávamos com educação, 70 centavos eram consumidos pela administração.”
O Brasil está precisando contratar consultores internacionais. Aqui até mesmo o que chega às escolas como a merenda e produtos de higiene são roubados por alguns funcionários das escolas.
Será que daria certo aplicar essas medidas em país tão grande quanto o Brasil?
Essas medidas não dão certos no Brasil, a cultura brasileira é podre .É oque dizem os próprios esquerdistas.
Leandro, poderia comentar a controvérsia desse artigo? https://conhecimentoeconomico.wordpress.com/2015/06/21/nova-zelandia-o-novissimo-paraiso-pintado-pelos-liberais-de-internet/
É deste modelo politico que o brasil precisa. Deveriam copiar da Nova Zelandia e cortar suas mordomias.
Relendo este artigo hoje, me dei conta que não foram mencionados os problemas enfrentados nesta transição de governo intervencionista para um livre mercado na Nova Zelândia.
Quero dizer, os sindicatos, funcionários públicos, empresas comadres do governo, etc; não fizeram nenhum barulho tentando impedir a transição? Não creio que os pelegos do governo na NZ perderam suas mamatas tão docilmente.
Tem algum artigo que mostra isso?
Li em um blog social-democrata que os EUA são desenvolvidos por causa da participação do Estado na economia.
Isso é verdade?
Vamos conseguir repetir no Brasil o sucesso da Nova Zelândia, quando os empresários brasileiros, entenderem que não podem ficar fora da política.
Acho que o candidato Jair Messias Boldonato deveria ler esta matéria, pois pelo pouco que já colocou em pauta, combina bastante com o que ele pensa à respeito do tamanho do Estado.
Argumento fresquinho que o fofoqueiro colheu do facebook:
“é completamente idiota estúpida e sem fundamento uma comparação dessas, entre países de dimensões, culturas, histórias completamente diferentes. Independe de ser liberal ou estatista”.
Diz ele que esse liberalismo funciona em países pequenos. Não em dimensões continentais como o Brasil.
Não entendi a parte “estabelecemos uma política de nunca deixar dólares à disposição: sabíamos que se não nos livrássemos desse dinheiro, algum engraçadinho o gastaria em proveito próprio”
Eu adorei ler esta palestra. Pesquisando em fontes alternativas, vi de fato como o país foi beneficiado pelas desregulamentações e diminições que tiveram que fazer. Entretanto, não podemos esquecer de jeito algum que quem fez tudo isso foi a mando do New Zealand Labour Party, um partido social-democrata afiliado ao Progressive Alliance, cujo Partido dos Trabalhadores do Brasil participa também. Em outras palavras, é um partido historicamente ligado ao socialismo e, como um estudioso deve saber, estão preparando o terreno para a criação de um estado socialista aos moldes de China, que possui também pequenos polos de livre-mercado.
Não podemos somente nos focar na economia, a liberdade de expressão e escolha pode estar em plena diminuição na NZ e ninguém perceberá.
Senti falta no final de saber se os funcionários do Dentran neozolândes se revoltaram com a eliminação deste processo importantíssimo de renovar CNH. rsrsrs
Se não, foram absorvidos por qual mercado? Ou ficaram desempregados?
Boas explanações sobre o caso de sucesso na Nova Zelândia.
Uma colega de trabalho visitou a NZ este ano. Perguntei a ela quais foram suas impressões em contrapartida aos EUA, que ela inclusive já morado. Ela me disse que os produtos locais tem um preço atrativo, porém os importados, que concorreriam com os produtos deles, o vinho por exemplo, eram muito caros. Ao que parece eles tem taxas de importação altas. O que iria de encontro às políticas de livre mercado. Alguém sabe se existe alguma política de proteção de mercado ou restritiva?
Que essa mentalidade Liberal-econômica afete a cabeça de nossos futuros governantes e de todos os Brasileiros !!!
Primeiro teríamos que fragmentar essa porcaria de país em países menores. Eu sugiro transformar cada estado dessa republiqueta num país totalmente independente. Podendo ou não haver acordos de livre trânsito entre eles. (Dentre outros acordos)
Aí poderemos sonhar com políticas neozelandesas aqui, que só alguns poucos dos novos países as implementariam de fato.
Até lá bons sonhos, ooooopppppsss!!!
O despertador está tocando, hora de acordar e ir trabalhar para sustentar a República Democrática do Brasil.
Prezados, ando lendo a proposta de imposto único do economista Marcos Sintra, que pode ser vista em seus vários artigos aqui
Resumidamente, a intenção é substituir o emaranhado tributário e burocrático por único sobre transações financeiras, em oposição a outra proposta, o IVA.
Se por um lado esse tipo de imposto torna a vida dos sonegadores mais difíceis, por outro, pode ocorrer uma queda de custos burocráticos e gastos do governo com fiscais, papelada, etc..
O que me preocupa, de fato, é a economia informal no Brasil, que poderia passar a pagar impostos reais mais altos do que paga na prática.
Alem do mais, um outro fator que me preocupa é que estão querendo dizer que a transição de modelo não vai aumentar os tributos. Só que são modelos matemáticos, e a economia real é um tanto mais complexa. A economia informal é muito grande no Brasil, se esse tipo de imposto reduz a sonegação, pode ocorrer um aumento real de impostos, mesmo que nominalmente não tenha sido a intenção.
Espero que o Bolsonaro abandone essa idéia e fique no bom e velho IVA
Por que o IMB não divulga uma nota de repudio ao Jair Bolsonaro, um notório inimigo da liberdade? Vcs estão com rabo preso ou será que apoiam esse facínora?
Existe algum argumento razoável para não votar nulo e sim em Bolsonaro que não seja “o menos pior”? Considerando que minha família e eu estamos blindados contra governos de caráter bolivariano e não temos lá muita empatia pelo resto do povo brasileiro.
O artigo já está em tempo de ser revisado. A Nova Zelândia caiu no ranking do IDH mundial de 5º em 2011 para 16º em 2018, com aumento acentuado da desigualdade social e da concentração de renda.
Quem defende subsídios pra agricultura, deveria conhecer o exemplo da Nova Zelândia.
Os subsídios e as barreiras de importação pra agricultura foram praticamente ZERADOS e a produtividade explodiu.
Mas lógico, aqui no Brasil isso nunca irá acontecer. Os grupos de interesse que os políticos, principalmente o Ciro Gomes, defendem não permitiriam perderem a boquinha.
Em consulta realizada, constatei que sempre houve ministro da educação na Nova Zelândia, inclusive na década de 1980 quando o artigo cita a eliminação do Ministério da Educação. Portanto questiono, como se deu de fato essa “eliminação”?
O mais novo beneficiário do 3o colocado em liberdade econômica do mundo é a lhama cuspidora petista. Se tivesse se mudado para lá nos anos 80 poderíamos ao meno dizer que escolheu coerentemente de acordo com sua preferência ideológica. Mas não…