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Mises contra Marx

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Se instados a citar o
principal crítico do marxismo, a maioria dos economistas simpáticos ao livre
mercado iria mencionar Eugen
von Böhm-Bawerk
, que em seu tratado Capital
and Interest
(Capital e Juro) e em seu folheto Karl
Marx and the Close of His System
(Karl Marx e o Fim do Seu Sistema) demoliu
por completo a teoria do valor-trabalho, o sustentáculo da economia marxista.

Mas a teoria do
valor-trabalho é apenas uma parte do marxismo. 
E quanto ao resto do sistema?  É
aqui que se faz necessário analisar a obra do maior e melhor aluno de
Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, cuja análise devastadora do marxismo é de
inigualável excelência.  Sua contribuição
à crítica do marxismo é encontrada principalmente em dois de seus livros: Socialismo e Teoria
e História
.

O Manifesto Comunista (1848)
famosamente declara:  “A história de
todas as sociedades existentes até hoje é a história da luta de
classes”.  Cada sistema social, na
visão marxista, é caracterizado por uma diferente variedade de conflitos de
classe.  No sistema capitalista,
obviamente, o infindável conflito se dá entre capitalistas e proletários.  No decorrer da batalha social entra as
classes, os membros ou amigos de cada classe elaboram teorias de vários tipos
voltadas exclusivamente para a defesa daquela classe.  Essas teorias, independente do que digam, não
se originaram da busca pela verdade objetiva. 
Como todo o pensamento “ideológico”, as teorias econômicas,
sociais e políticas refletem meramente o interesse de classe.

Mises, mais vigorosamente do
que qualquer outro crítico de Marx, transpôs e descortinou a essência dessa
visão falaciosa.  Se todo o pensamento
sobre questões sociais e econômicas se baseia na questão social, o que dizer
sobre o próprio sistema marxista?  Se,
como Marx orgulhosamente proclamava, sua intenção era explicar para a classe
operária sua condição de espoliada, por que então qualquer uma de suas visões
deveria ser aceita como verdadeira? 
Mises corretamente apontou que a visão de Marx era autorefutável: se
todo pensamento social é ideológico, então a proposição marxista é em si
ideológica, o que faz com que seus fundamentos já nasçam naturalmente
solapados.  Em sua obra Teorias Sobre a
Mais-Valia
, Marx não consegue conter seu escárnio em relação à
“apologética” de vários economistas burgueses.  Ele não percebeu que, ao escarnecer
constantemente a tendenciosidade de seus economistas contemporâneos, ele estava
cavando a sepultura de seu enorme trabalho de propaganda em favor do
proletariado.

Mises nunca se cansou de
enfatizar um tema que ele expressou sucintamente em seu livro Liberalismo: “O
homem tem apenas uma ferramenta com a qual lutar contra o erro: a
razão”.  Por “razão”, ele
se referia a um procedimento lógico de validade universal.  Aquele que nega o poder da razão cai em
contradição — logo, está se refutando a si próprio.  Se a razão for subordinada a alguma outra
faculdade, seja o interesse de classe, o conhecimento hermenêutico ou qualquer
outra idiossincrasia não-racional que seja atraente, o resultado não será outro
que não uma estultice.  Se não há lógica,
qual razão pode haver em qualquer postulado?

O ataque de Mises ao marxismo
não se limitou à essencial porém hermética área da epistemologia.  Ele também analisou em detalhes os principais
temas da interpretação marxista da história. 
De acordo com Marx, o segredo da história está nas forças da produção.
(Grosso modo, as forças de produção de uma sociedade consistem na tecnologia
dessa sociedade).  Essas forças, ao longo
da história, apresentam uma constante tendência ao desenvolvimento.  À medida que o fazem, elas exigem mudanças nas
relações de produção, isto é, no sistema econômico e social que existe em uma
determinada sociedade.  Em um momento,
por exemplo, o feudalismo era o sistema que melhor estava adaptado para
desenvolver as forças de produção.  A
partir do momento em que ele deixou de ser o sistema mais eficiente, o
capitalismo o substituiu, quebrando aquilo que Marx chamou de
“grilhões” que a economia senhorial do feudalismo impunha à
produção.  Por sua vez, por imposição das
forças de produção, o capitalismo será substituído pelo socialismo, um sistema
que, como Marx antecipou, seria imensamente mais produtivo que seu antecessor.

Em seu livro Teoria
e História
, Mises apresentou uma simples indagação que se comprovou letal à
alegada “ciência do materialismo histórico”.  Como foi explicado, o crescimento das forças
de produção supostamente é a causa-mor das revoluções.  É ele quem impele a sociedade a realizar
mudanças drásticas em sua estrutura.  Mas
o que exatamente determina esse crescimento das forças de produção?  Como Mises vivia dizendo, apenas indivíduos
agem.  As classes, as “forças de
produção”, “as relações de produção” etc., são em si apenas
abstrações.  Separadas da ação dos seres
humanos, elas são nulas e impotentes. 
Assim como o Geist (Espírito) hegeliano, as forças de produção de Marx
são um fenômeno que se desenvolve autonomamente e que governa a vontade
humana.  Marx jamais se preocupou em
explicar como tais forças, elas próprias os efeitos da ação humana, podem
exclusivamente determinar toda a importante ação humana.

Uma vez que se tenha
entendido que são os indivíduos que agem — e não as forças de produção –, todo o
esquema marxista sobre a evolução histórica cai por terra.  Se são os seres humanos que criam por seus
próprios atos as forças de produção, ao invés de serem as forças de produção
que determinam esses atos, então a transição de um sistema econômico para outro
não é uma inevitabilidade, como Marx dizia ser. 
Tais mudanças irão ocorrer apenas se as pessoas agirem para criá-las — e
somente assim.  Se alguém contestar
dizendo que existem leis que determinam a ação humana, esse contestador terá de
ter a bondade de produzir essas leis para que possamos examiná-las.  Agora, que os resultados daquilo que as
pessoas criam podem não ser aqueles esperados, isso já é outra discussão.

O marxismo, como o
“filósofo” stalinista M.B. Mitin gostava de afirmar pomposamente, é
“um chamado à ação”.  E a ação
que os marxistas têm em mente é obviamente a substituição do capitalismo pelo
socialismo.  Em uma famosa passagem no
volume III do Capital, Marx antevê um futuro auspicioso sob as bênçãos do
socialismo, no qual as pessoas poderão dedicar a maior parte do seu tempo ao
lazer.  Trabalhar pelo mero sustento se
tornará simples memórias de um passado longínquo.

Tal é a promessa
marxista.  Porém a realidade, como Mises
demonstrou, era algo bem diferente.  Em
seu argumento, Mises não se baseou empiricamente nos resultados do experimento
socialista na Rússia soviética.  Ao invés
disso, como aqueles familiarizados com seu método praxeológico
imaginam, Mises ofereceu a prova de que o socialismo era em sua natureza
impossível.

Ele apresentou seu argumento
em um famoso
artigo
publicado em 1920 que, com maior elaboração, foi incorporado a sua
grande obra Socialismo
(1922).  Como é característico de Mises,
seu argumento em essência é um só (o grande economista austríaco tinha um
infalível instinto para analisar o âmago de qualquer teoria por ele
considerada): dada uma lista de bens a serem produzidos — sejam aqueles
desejados pelos membros da sociedade (os consumidores) ou aqueles planejados
por um ditador — qualquer economia desenvolvida precisa ter uma maneira de
decidir como empregar seus recursos da melhor maneira possível para produzir os
bens desejados.

Sob o capitalismo, esse
desafio é respondido totalmente à altura das dificuldades apresentadas.  Os recursos que existem — a terra, o capital
ou o trabalho — são propriedade de indivíduos. Essas pessoas irão comercializar
suas propriedades no mercado.  Ao fazerem
isso, elas poderão precificar os bens de produção de acordo com a eficiência
com que estes podem ser utilizados para atender os desejos dos consumidores.

Os detalhes desse complexo e
fenomenal processo não podem ser aqui elaborados.  Porém, em todo caso, ninguém pode seriamente
negar que o livre mercado é capaz de realizar a tarefa do cálculo econômico
acima descrita.  O ponto principal da
acusação de Mises ao socialismo, e o aspecto mais controverso de seu argumento,
é sua afirmação de que somente o capitalismo pode resolver o problema do
cálculo econômico.  O socialismo, em
particular, não pode.

Novamente sem entrar em detalhes,
o ponto principal do raciocínio de Mises pode ser rapidamente entendido.  O socialismo por definição consiste no
gerenciamento centralizado da economia, sendo que seus principais meios de
produção são de propriedade “pública”, ou seja, do governo.  Como pode um sistema centralizado, onde não há
mercados, decidir qual é a maneira mais eficiente de se utilizar os recursos
necessários para a produção de um determinado bem?  Pois se não há um livre sistema de preços
para balizar a produção, a utilização de recursos passa a ser feita às
cegas.  Qualquer “preço” que o
planejador da economia imponha para qualquer bem será arbitrário e não terá
qualquer valor para um cálculo genuíno. 
(Um detalhe técnico deve ser mencionado para que o argumento não seja
mal entendido: Mises afirma que um sistema socialista não tem os meios para
calcular os preços dos bens de produção, o mesmo não sendo necessariamente
válido para os preços dos bens de consumo ou bens de primeira ordem).

Ou seja, a explicação de
Mises pode ser sucintamente resumida da seguinte forma: se os meios de produção
pertencem exclusivamente ao estado, não há um genuíno mercado entre eles.  Se não há um mercado entre eles, é impossível
haver a formação de preços legítimos.  Se
não há preços, é impossível fazer qualquer cálculo de preços.  E sem esse cálculo de preços, é impossível
haver qualquer racionalidade econômica — o que significa que uma economia
planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

Podemos imediatamente ver
como o argumento de Mises desfere o golpe de misericórdia no marxismo.  Este sistema alega que o socialismo é uma
inevitabilidade porque o desenvolvimento das forças de produção irá
inevitavelmente levar à sua implementação. 
Mesmo que desconsiderássemos o argumento de Mises, de que o crescimento
das forças de produção não é algo inevitável, poderíamos perceber que a visão
de Marx é comicamente absurda: o capitalismo não apenas é o mais eficiente
sistema econômico como também é o único sistema econômico eficiente.  Se — por mais impossível que isso seja — as
forças de produção de fato crescessem por conta própria, não seria o socialismo
o sistema que elas iriam estabelecer. 
Seria o capitalismo.

Continuando seu ataque ao
marxismo, Mises explorou o porquê de Marx não levar em conta o problema da
eficiência.  E nesse quesito a resposta
de Mises não admite contestações.  Marx
não disse nada sobre o problema do cálculo simplesmente porque ele não dedicou
atenção alguma às instituições econômicas do socialismo.  Fazer isso, pensava Marx, seria o equivalente
a estabelecer “modelos” para o futuro, no mesmo estilo dos
socialistas utópicos, os quais ele sempre escarnecera.  Com uma completa irresponsabilidade
intelectual, ele pregava a derrubada da intricada economia capitalista — que
ele próprio havia admitido ser a mais produtiva da história — para poder
estabelecer um sistema cujas instituições ele sequer havia se dado ao trabalho
de analisar.

Entretanto, quando se
considera as respostas dadas a Mises por seus críticos socialistas, pode-se
pensar que talvez a política de Marx — a de desconsiderar os problemas do
socialismo — acabou sendo mais sabia do que ele poderia imaginar.  Mises não teve dificuldades em refutar todas
as soluções socialistas que foram tentadas em resposta ao seu problema do
cálculo econômico.  Alguns correram para
a matemática: um sistema de equações simultâneas permitiria que os preços
necessários fossem descobertos.  Como, em
um regime em constante mudança, essas equações funcionariam, é algo que os
proponentes dessa idéia preferiram não responder.

A mais famosa resposta dada a
Mises, entretanto, está em outra área.  O
economista polonês Oskar Lange, que residiu nos EUA por um bom tempo até que,
após a Segunda Guerra Mundial, a bajulação e o charme da Polônia comunista
acabaram com sua resistência e imunidade ao regime, alegou que a economia
socialista não precisava necessariamente abandonar o mercado.  Era possível que ambos coexistissem, embora
para alguns a expressão “socialismo de mercado” tenha tanto sentido
quanto um “círculo quadrado” — Lange, obviamente, não estava dentre
os que pensavam assim.  Mas sua proposta,
conquanto original, não teve melhor sucesso que as outras.  Mises submeteu-a a impiedosos ataques, os detalhes
dos quais deixo para o leitor interessado explorar nos trabalhos de Mises.  Em particular, sua iluminadora discussão
sobre seus críticos em Ação Humana deve ser consultada.

Mises expôs inúmeros,
cruciais e irremediáveis erros do marxismo. 
Uma leitura de suas críticas inevitavelmente fará com que se aplique ao
marxismo o famoso trecho do poema “Ozymandias“:

Nada mais resta: em
redor a decadência

Daquele destroço colossal,
sem limite e vazio

As areias solitárias e planas
espalham-se para longe.


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38 comentários em “Mises contra Marx”

  1. Edmar Nascimento das Neves

    Sou um jovem estudante de economia e me interesso bastante pelos artigos publicados nesse site. É uma ferramenta bastante útil contra meus professores e amigos de classe que tem pé(ou o corpo todo) no marxismo ou keynesianismo.

  2. João Francisco Vargas

    Olá. É a primeira vez que comento aqui, embora já tenha lido vários artigos por indicação de amigos, estes que carregam a ideologia libertária tanto quanto os Keynesianos, Marxistas, Corinthianos, Palmeirenses e Fiéis de Igrejas.
    Gostaria de ser mais natural nesse comentário fazendo uma analogia à feliz vida do indivíduo, mas como já disse, é o meu primeiro comentário, então serei sério, acadêmico (na medida do possível, pois sou do primeiro ano de uma graduação na área econômica), e, infelizmente, parcial, pois sou um simpatizante da ideologia conhecida como “bolsa miséria”.
    Começando a ler o texto já vejo as famosas discussões sobre as teorias do valor. Sei de toda a polêmica que envolve tudo isso, mas esse não é o motivo do texto. Este que lembra do elogio de Marx ao capitalismo, como mais eficiente que o feudalismo. Poderia lembrar até que o velho barba chama a classe burguesa de revolucinária, no sentido positivo, na medida em que ela lutava contra nobreza estacionária. E poderia lembrar também de um daqueles dizeres que o aumento da classe proletária (forças produtivas) levará à revolução e isso é inevitável. Há de chegar o dia. Misses analisou a união soviética onde as bases para a revolução não estavam de fato prontas. Erraria também se fosse analisar a China camponesa, Cuba, Vietnã, Angola, ou qualquer outro país que um dia se disse socialista/comunista. Ele poderia gastar seu tempo, quem sabe analisando a capacidade de produção desses regimes como fez Paul A. Samuelson que comparou a evolução do pruduto nacional bruto americano e soviético e mostrou que ambos crescem com a mesma voracidade.
    Mais à frente o autor do texto se pergunta como um sistema planificado pode decidir qual a maneira mais eficiente de se utilizar os recursos para a produção de um bem. Às cegas que não é. E mesmo sendo arbitrárias, não tem como fim estipular os preços dos produtos e sim dar valores a eles de modo que os produtos tenham seu fim no meio da sociedade.
    No décimo sexto parágrafo do artigo, o autor parece tentar ao máximo destruir o socialismo, exautando um fato inexitente do golpe de Mises sobre Marx, ou ainda no final quando diz que a evolução das forças produtivas fortalescerá ainda mais o Capitalismo. Uma simples passada de olhos no item 7 do capítulo 24 do Livro 1 do O Capital, já faz mudar uma opinião como essa.
    Enfim, aqui é só uma tentativa de criticar o texto, não de forma a querer destruir a teoria libertária, ou ridicularizar a exautação à misses. Marx e os libertários querem, no fundo, no fundo, querem a mesma coisa: acabar com o Estado. Isso, nem eu na minha humilde condição de bixo de faculdade gosto.
    Um abraço e parabéns pelo texto e por todo o trabalho da organização.

  3. Gostaria de recomendar o artigo abaixo.

    Talvez você seja marxista
    http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/11567-talvez-voce-seja-marxista-.html

    Destaco o seguinte trecho, muito feliz ao expor a abordagem subjetivista

    O primeiro é a idéia de que o que as pessoas “precisam” é uma idéia objetiva, ao invés de subjetiva, e que pode ser determinado por terceiros benevolentes. Afinal de contas, se alguém for reordenar a sociedade e redistribuir a riqueza, não é nada mais do que “justo” que as pessoas possam receber o que elas “precisam” antes de privá-las de qualquer coisa além disto, para satisfazer as “necessidades” dos outros. Este conceito é exemplificado pela famosa frase: “A cada um segundo sua necessidade, de cada um segundo sua capacidade.”

  4. o texto diz: “Mises afirma que um sistema socialista não tem os meios para calcular os preços dos bens de produção, o mesmo não sendo necessariamente válido para os preços dos bens de consumo ou bens de primeira ordem”

    não entendi isso, se no socialismo seria possível precificar os bens de consumo pq não seria possível precificar os bens de produção?
    Tentarei explicar minha dúvida: se os bens de produção são necessários para produzir os bens de consumo, pode-se dizer que a produção dos bens de consumo demanda os bens de produção, então se o socialismo pudesse precificar os bens de consumo corretamente estes ao serem consumidos demandarão por mais produção e consequentemente demandarão por mais bens de produção o que permitiria precificá-los, ou não e pq não?

    “Marx não disse nada sobre o problema do cálculo simplesmente porque ele não dedicou atenção alguma às instituições econômicas do socialismo. Fazer isso, pensava Marx, seria o equivalente a estabelecer “modelos” para o futuro, no mesmo estilo dos socialistas utópicos, os quais ele sempre escarnecera.”

    penso q tal atitude apenas o tornou ainda mais utópico… me parece que a implantação do socialismo proposto por marx necessitaria de uma grandeza de espírito, de um nível de solidariedade e caridade generalizada, que a humanidade talvez nunca seja capaz de alcançar… mas quem sabe através de um estupendo e idílico progresso tecnológico, que só o capitalismo teria chance de produzir, possamos chegar a um nível de produtividade e uma abundância de bens tal que os conflitos sociais percam sua importância e o capitalismo, tendo cumprido seu papel, possa dar lugar a um sistema ainda mais avançado (quem sabe até o atualmente utópico socialismo?) – isso é apenas especulação, é claro, mas significaria que o erro de marx teria sido simplesmente o de querer forçar a marcha da história (e ao querer forçar a marcha acabou fundindo o motor =P). se fosse isso, então a única maneira de se alcançar o verdadeiro socialismo seria abraçar o verdadeiro capitalismo.

  5. Também não entendi a frase: “Mises afirma que um sistema socialista não tem os meios para calcular os preços dos bens de produção, o mesmo não sendo necessariamente válido para os preços dos bens de consumo ou bens de primeira ordem”.

    Como é que um sistema socialista tem os meios para calcular os preços dos bens de consumo? Colocar um preço estipulado ao pão é uma forma eficaz de calcular preços? Não me parece. Ou então não entendi o que quis dizer com essa frase.

    Alguém que me esclareça, por favor.

  6. Prezados Henrique e Randalf, a definição de socialismo é: o estado é o único dono de todos os meios de produção. Sendo assim, como explicou o texto, não há um mercado para os meios de produção. Não havendo mercado, não há trocas. Não havendo trocas, não há formação de preços.

    No entanto, no socialismo, o estado não é o dono único dos bens de consumo. Roupas, objetos de higiene pessoal e até mesmo automóveis e alimentos são propriedade privada. Eles podem ser trocados entre as pessoas. Sendo assim, há um mercado para estes bens. Havendo mercado e havendo trocas, há formação de preços entre estes bens.

    É claro que, pelo fato de o mercado ser totalmente restrito, o processo de formação destes preços será altamente defeituoso. No entanto, ainda assim, é perfeitamente possível haver formação de preços para estes bens. Tanto é que o mercado negro prosperou na URSS, e foi ele quem salvou os soviéticos da penúria. Mises, em 1920, previu o que de fato viria a acontecer durante as décadas da URSS.

  7. Cláudio A Ferigoli

    Será que podemos considerar o desenrolar das teorias econômicas de maneira dialética? onde capitalismo e socialismo darão origem a uma nova síntese? abraços e obrigado por compartilhar material tão importante… (em tempo, gostaria de saber a posição do autor sobre o sistema chinês)

  8. Humanista Babilonico

    A crítica de Mises ao materialismo histórico é infundada. Na verdade é bem simples a refutação de sua refutação. Tão simples que estou surpreso que um argumento desses tenha saído de um intelectual tão proeminente como Mises.

    “Se alguém contestar dizendo que existem leis que determinam a ação humana, esse contestador terá de ter a bondade de produzir essas leis para que possamos examiná-las.”

    Existe lei e ela é bem simples: o produtor sempre tenta maximizar a sua produção, visando o lucro e, portanto, o seu maior bem-estar. Marx adere àquele argumento de Adam Smith que diz que a sociedade de move através de interesses individuais (os interesses individuais de pessoas que estão em uma mesma posição econômica – classe – convergem, por isso que os interesses individuais acabam formando os interesses de classes).

    O modo de produção é composto por dois pilares: as forças produtivas, que envolve as tecnologias, os meios de produção, as forças de trabalho humano, enfim, a relação homem-terra; e as relações de produção, que envolve a forma como são as relações homem-homem para produzir.

    Pensando apenas em si, no seu lucro, o produtor escravista foi melhorando as tecnologias de produção até chegar uma hora que a relação homem-homem (as relações de produção) já estava tão atrasada em comparação à relação homem-terra (as forças de produção) que a mudança do sistema escravista ao sistema feudal foi inevitável, e deste ao sistema capitalista. Ou seja, o homem PODE, sim, modificar aos poucos as forças de produção (não só pode como, de fato, o faz). Novas tecnologias (novas forças de produção) estavam constantemente sendo inovadas na época de Marx, é óbvio que ele tinha a consciência de que o homem, com sua ação individual, altera as forças produtivas. O que o homem NÃO PODE fazer sozinho é modificar toda a relação homem-homem vigente na sociedade, apenas uma revolução faz isto. Um homem sozinho pode implantar uma nova máquina que maximize a produção e que comece a ser utilizada por toda a sociedade, mas não pode mudar a relação entre o burguês e o proletário. Resumindo: o homem pode, individualmente, mudar as forças produtivas mas não todo o modo de produção.

    Portando o homem está condicionado a trabalhar no modo de produção ao qual ele está inserido. As forças produtivas estão em constante mudança mas as relações de produção não. Mises, ou qualquer um que tenha formulado essa crítica do artigo ao materialismo histórico, patinou.

  9. Emerson Luis, um Psicologo

    Alguns ainda dizem que o marxismo é bom na teoria e ruim na prática, enquanto o capitalismo seria o inverso. Mises refutou magistralmente essa concepção.

    * * *

  10. Este texto se completa com o artigo do polilogismo.

    O irônico é que, enquanto Marx disse que o socialismo era inevitável (profecia que demonstra seu tom religioso secular), incita revoluções: "Proletários de todos os países, uni-vos".

    Curiosamente esta inevitabilidade depende da ação humana, diga-se de passagem, consciente.

    Só não gostei do tom bajulador do autor (mesmo eu admirando Mises) e expressões como "cavando a sepultura", "letal" e "cai por terra". Apesar de concordar com o texto, isto não difere de qualquer imposição dogmática. Uma refutação requer argumentos lógicos somente.

  11. tenho 13 anos, e já tenho 13 anos e gosto muito de politica, e claro, sou de direita…

    eu queria saber se há um livro de Ludwig Von Mises que desmente todas as teorias de Karl Marx, já ouvi falar que ele fez isso, mas eu gostaria de poder ler sobre.

  12. Galera preciso de ajuda

    Em um comentário no youtube eu li a seguinte frase: “Tudo que o proletariado produz à ele pertence”

    Longo em seguida eu respondi: “Tudo que o proletariado produz à ele pertence” – Ok, vou gastar dinheiro com infraestrutura, equipamentos, pesquisa e etc, mas tudo que os funcionários produzirem usando dessa infraestrutura é deles.? Tá certo.

    O cara quietou e outros comentários de outros usuários foram publicados, até que eu respondi um de outro usuário: Mais-valia não faz o menor sentido, pois o proletariado está voluntariamente vendendo sua mão de obra (e não sendo coercitivamente forçado a fazer algo), e com o dinheiro que recebe consegue adquirir muito mais do que produziria sozinho e com muito menos esforço. E quanto maior a infraestrutura da empresa para qual trabalha (investimento do empresário), menor o esforço e maior o lucro, ou seja, o empreendedor está na verdade beneficiando o proletariado (e vice versa). É claro que nenhum dos dois é santinho e quer o bem do outro, é tudo um jogo de interesses, ambos estão pensando apenas em e si mesmo, mas acabam cooperando (é basicamente assim que tudo funciona no capitalismo, cooperação voluntária influenciada por interesses próprios).

    Depois de responder outros comentários, o primeiro cara retruca com o seguinte comentário: Você disse que o proletariado está voluntariamente vendendo sua mão de obra, e eu digo que você está totalmente equivocado. Na história da humanidade com o passar dos séculos o monopólio das terras e bens sempre ficou retida nas mãos da burguesia, e consequentemente a única maneira dos camponeses sobreviverem era se sujeitar a mão de obra escrava no campo, em troca de moradia e o básico na alimentação. O nosso sistema de viver hoje mesmo após tantos séculos ainda é basicamente o mesmo, com uma reforma aqui outra ali, mas a herança perpetua até hoje, então o proletariado não levanta 4 da manhã todos os dias, trabalha num serviço de merda porque querem, e sim porque é o único meio de sobrevivência.

    argumento a altura.Agora eu fiquei sem resposta, preciso de esclarecimento, sei o quão errado ele está mas não tenho como construir um argumento sem o devido conhecimento.

    Outros usuários até responderam ele, como esse: Metal 6-3-3 Entendi a ideia central do seu argumento, mas percebi que existem alguns termos/definições utilizados incorretamente. Primeiro, o termo “burguesia” só pode ser utilizado a partir da Baixa Idade Média (séc. XIII-XV) e, na acepção atual, do século XVIII em diante. Segundo, houve uma mescla de escravidão e serventia; a principal diferença é que, na primeira, o sujeito é obrigado fisicamente por alguém a realizar tal atividade (geralmente isso é fruto de guerras) em condições degradantes, em que o dono não tem obrigações com o escravo, enquanto que, na segunda, o sujeito fornece seus serviços em troca de habitação, alimentos etc., sendo forçado ou não pelas condições que lhe são impostas, tendo o “contratante” responsabilidades com o funcionário. Repito, entendi seu argumento, mas tome mais cuidado com nomenclaturas, pois elas podem lhe custar caro (em um seminário ou debate, por exemplo).?

    Mas eu queria uma resposta direta aos argumentos dele.

  13. Olá, eu gostaria de saber se vocês tem a fonte da parte do texto que afirma que Marx “havia admitido ser [a economia capitalista] a mais produtiva da história”. Se alguém tiver o livro e a página em que Marx afirma isso, eu agradeço.

  14. WILTON LUIZ ALANO

    MANIFESTO ANTI-COMUNISTA

    Sem exceção de uma única linha, tudo o que se escreveu até hoje defendendo o socialismo e o comunismo possui valor nulo (0). Ou seja, não tem nenhuma utilidade para a humanidade. Pelo contrário, é um veneno, que empobreceu, torturou e ceifou milhões de vidas.
    A razão disto é que o ‘edifício’ da doutrina socialista/comunista se assenta sobre uma base completamente falsa e, portanto, desprovida de valor. Ora, um edifício que se apoie sobre uma base falsa e nula é, necessariamente um edifício de valor estrutural nulo.
    Qual a natureza desta falsa base de valor nulo? Ela se revela exatamente nos dois títulos usados por esta doutrina econômica e política: SOCIALismo e COMUNismo. Estas etiquetas da doutrina, recomendam que o trabalho humano seja feito para o bem SOCIAL e COMUM, sem “mais-valia” ou classes.
    É exatamente nisto que consiste sua base de valor nulo: NINGUÉM trabalha para o social ou o comum. Todos trabalhamos apenas para nós mesmos e para nossas famílias. O EGOISMO é a característica fundamental dos seres vivos. Para ser mais exato, seres vivos são 100% egoístas, o tempo todo, do nascimento à morte.
    O conhecimento desta natureza humana fundamental pode conduzir ao erguimento de uma base válida e verdadeira para qualquer doutrina econômica e política. Ao não tomá-la em conta, autores icônicos como Marx e Engels construíram uma obra completamente inútil e daninha, cuja nulidade consistiu precisamente em ignorar a mais fundamentas das características instintivas humanas, que compartilhamos com todos os outros seres vivos: o EGOÍSMO.
    Quando, numa comuna, somos obrigados a ganhar o mesmo que todos os outros trabalhadores, independente de nossos esforços, diminuímos nosso empenho ao mínimo. Isto explica a baixa produtividade das economias socialistas ao longo da história. Como exemplo, a URSS não era capaz de produzir o trigo que necessitava (tendo de humilhar-se comprando-o dos EUA, seu arquirrival) mas, logo depois do fim do socialismo, tornou-se um dos maiores exportadores deste grão.
    Às vezes fazemos coisas aparentemente destituídas de egoísmo, como dar esmolas para estranhos. Mas não nos iludamos. Isto somente acontece por causa da capacidade humana de IDENTIFICAÇÃO. Quando, por semelhança, nos identificamos com outro ser vivo – humano ou não – inconscientemente nos colocamos no lugar do outro. Assim, quando damos algo à algum estranho, estamos de fato dando a nós mesmos. Não fosse pelo fenômeno da identificação, jamais daríamos nada a nenhum estranho. A lei do egoísmo não tem exceção.

    O socialismo já foi tentado em 43 paises, 15 deles soviéticos, e todos eles FRACASSARAM!

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