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A tentativa de Trump de acabar com a guerra contra o Irã causa indignação no sistema unipartidário

Contra todas as expectativas, o Memorando de Entendimento assinado pelos EUA e pelo Irã parece estar se mantendo, após ameaças e contra-ameaças. Ele pode ruir, mas sobreviveu a uma primeira rodada de negociações entre as duas partes na Suíça no fim de semana.

O presidente Trump iniciou uma guerra contra o Irã, contrariando todas as recomendações sensatas e violando a exigência da Constituição dos EUA de que somente o Congresso pode declarar guerra. Deve haver um acerto de contas para nossos líderes eleitos que violam seu juramento de posse, a Constituição e o simples bom senso.

No entanto, o que é mais revelador é a reação quando o presidente Trump finalmente tomou a atitude correta e tentou pôr fim à guerra. Os neoconservadores que o haviam aclamado como um grande líder – Levin, Bolton, Pompeo, etc. – de repente se voltaram contra ele quando ele se opôs a uma nova escalada do conflito.

Até mesmo a principal financiadora de Trump, Miriam Adelson, atacou Trump em seu jornal Israel Hayom. “Você poderia ter sido o maior presidente de todos, mas falhou”, escreveu o jornal em um editorial.

Não há muita gratidão por parte da turma do “Israel em primeiro lugar”, mesmo que a guerra tenha sido iniciada para beneficiar Israel.

E ainda mais reveladora do que isso foi a reação do partido da “oposição” no Congresso, os democratas. Eles o atacaram com mais veemência por encerrar – ou pelo menos suspender – a guerra do que por tê-la iniciado! O senador Adam Schiff chamou o Memorando de Entendimento (MOU) de “capitulação”. O senador Chris Murphy chamou o MOU de “documento constrangedor”. A senadora Amy Klobuchar alegou falsamente que o presidente Trump estava pagando US$ 300 bilhões ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz.

Essa é mais uma evidência – como se fosse necessária – de que nossa política externa é conduzida pelo “partido único”. Quando se trata de guerras, não existe Partido Republicano nem Partido Democrata. Existe apenas o partido do “sim!”.

O Congresso permanece em silêncio na véspera da guerra. O Congresso permanece em silêncio quando o presidente inicia uma guerra. O Congresso permanece em silêncio até mesmo quando a guerra começa a dar errado. É somente nessas raras ocasiões em que um presidente toma medidas para corrigir seu erro que o Congresso encontra sua voz.

Sim, há muito o que criticar. Após as negociações do fim de semana, a delegação dos EUA, liderada pelo vice-presidente JD Vance, está comemorando como um “avanço” o fato de o Estreito de Ormuz estar aberto novamente e de o Irã ter supostamente concordado com o retorno dos inspetores da ONU. Mas o Estreito já estava aberto antes da guerra e os inspetores da ONU já estavam no Irã antes de o presidente Trump se retirar unilateralmente do  “Acordo do Irã” (JCPOA), em seu primeiro mandato.

A única diferença agora é que provavelmente gastamos várias centenas de bilhões de dólares, perdemos dezenas de aeronaves e outros equipamentos militares e, provavelmente, perdemos mais militares do que o Pentágono está admitindo.

Isso nos lembra por que os Fundadores insistiram em garantir que qualquer guerra fosse declarada pelos representantes do povo antes que a primeira bala fosse disparada: deve ser muito difícil iniciar guerras.

No entanto, aqueles que são verdadeiramente contra as guerras deveriam, na minha opinião, conter-se por enquanto, na esperança de que uma solução duradoura possa ser encontrada. O presidente está sendo atacado por todos os lados pelo partido da guerra. Talvez agora não seja o melhor momento para o partido da paz se juntar a essa luta.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute

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