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A desastrosa combinação de assistencialismo e burocracia resulta em mortes em massa de imigrantes

No dia 27 de agosto de 2015, setenta e um refugiados
foram
descobertos
sufocados em um caminhão frigorífico
abandonado na Áustria, bem próximo à fronteira com a Hungria.  Esses indivíduos, que foram relatados como
imigrantes que fugiam da guerra civil na Síria, fizeram uma jornada de mais de
1.600 quilômetros até a morte.

Esse episódio trágico foi apenas mais um dentre
vários que já foram relatados nessa crescente crise de refugiados que estão
migrando para a Europa.  Das quase 500
mil pessoas que já fugiram para a Europa ao longo de 2014 e 2015, 2.500
morreram
em vários acidentes com embarcações ocorridos
apenas no Mediterrâneo.

O problema, obviamente, não é exclusivo da
Europa.  Vários destes mesmos migrantes
preferem ir para os EUA passando pelo Brasil, morrendo nas florestas
sul-americanas enquanto tentam alcançar a fronteira americana.  Isso ocorreu com cinco
migrantes de Gana
, que foram encontrados mortos nas
selvas da fronteira entra a Colômbia e o Panamá. 

Embora tragédias como essa sempre levem as pessoas a
afirmar que “algo” tem de ser feito, igualmente importante é indagar quais são
as causas desse processo de migração e o que esse “algo” a ser feito seria.

As
causas subjacentes da migração

Muito já foi escrito sobre o grau de instabilidade
causado pelas belicosas intervenções estrangeiras e pelos efeitos deletérios das
ajudas estrangeiras, cujo dinheiro é majoritariamente desviado pelos governos
destes países, ajudando assim a sustentar e a dar ainda mais poder a estas
ditaduras militares violentas e corruptas. 
A mais interessante observação sobre a recente crise migratória não é
que ela esteja acontecendo, mas sim para onde os emigrantes estão indo.

No passado, refugiados normalmente viajavam a
distância mínima necessária para fugir de situações de confronto, sendo que
alguns poucos grupos politicamente populares chegavam até mesmo a receber
passagens aéreas para países mais distantes. 
Um bom exemplo disso é o de refugiados somalis sendo realocados para a cidade
de Minneapolis, no estado americano de Minnesota.  O restante dos refugiados normalmente
caminhava até a região mais próxima que estivesse livre do confronto.

No entanto, essa recente onda de refugiados e
emigrantes está fazendo algo diferente: eles não apenas estão atravessando
vários países seguros e comprando passagens aéreas para vôos transoceânicos, como
também estão desbravando um caminho que é muito mais perigoso do que
simplesmente ter ficado em casa.  Por
exemplo, os supracitados setenta e um sírios encontrados mortos na Áustria optaram
por atravessar e ignorar quase que uma dúzia de outros países seguros para
chegar até a Áustria e, presumivelmente, continuarem dali até outros
países.  É estranho que um refugiado
nepalês irá comprar uma passagem aérea para São Paulo e, dali, pegar a estrada
até a floresta amazônica para então adentrar a Colômbia, o Panamá, vários
países da América Central, até finalmente cruzar a fronteira entre México e
EUA.  Não faz muito sentido ele optar por
esse caminho se ele estava apenas fugindo de uma guerra ou de um desastre
natural.

Benefícios
públicos criam os incentivos

Um grande criador dos incentivos para se fazer esta
jornada perigosa e potencialmente letal pode ser resumido em uma única foto:

20150915_imm.jpg

A foto
acima é de um cartão criado por “especialistas em contrabandear pessoas” — também conhecidos como
“facilitadores”, gente que ajuda pessoas a emigrar para outros países –, o
qual foi apreendido pela Frontex, a agência de controle de fronteiras da União
Europeia. Esse cartão lista todos os benefícios que os refugiados ganharão dos
governos europeus.

Facilitadores
ao longo de todo o Oriente Médio, da Turquia e do Norte da África fabricam
cartões desse tipo e os entregam para potenciais clientes.  Com efeito, refugiados pararam de buscar
abrigo no refúgio seguro mais próximo e passaram agora a pesquisar as nações
mais generosas para as quais emigrarem. 
Para isso, contam com os prestimosos serviços informacionais dos
facilitadores.  Isso criou o fenômeno de
que as pessoas não mais estão fugindo de conflitos ou da pobreza, mas sim indo
à procura dos mais lucrativos pacotes de benefícios.

O cartão
acima perverte os sistemas legais ao inferir que apenas chegar ao país já é uma
causa suficiente para ganhar asilo, e que os benefícios são permanentes e para
sempre.  E o fato é que tais pacotes de
benefícios realmente existem, e são um grande incentivo para os migrantes.  Isso explica por que as pessoas fugindo da
Líbia estão cruzando o Mediterrâneo em embarcações raquíticas e superlotadas, e
por que essas pessoas estão passando direto, sem parar, por quatro ou cinco
países perfeitamente seguros para chegar até a União Européia.  Parte dessa enorme crise humanitária é gerada
pela sedutora promessa de que qualquer pessoa que chegar a um país da União
Européia ganhará uma série de benefícios que, em relação ao beneficiado, são
realmente opulentos.

Os
Estados Unidos fornecem benefícios similares a imigrantes, e até mesmo concede
a possibilidade de total unificação com os familiares deixados para trás.  Aliás, nos EUA, a questão é ainda mais
exasperante por causa do tratamento concedido a menores desacompanhados, os
quais ganham privilégios imediatos ao simplesmente aparecerem no país.  Isso explica o surto
de adolescentes
entre 15 e 18 anos flagrados cruzando a fronteira dos EUA sob
condições arriscadas.

Muita papelada governamental

Outro fator
que impulsiona este comportamento é a maneira como os governos lidam com a imigração
legal e o controle das fronteiras.  Entrar
legalmente nos países da União Européia e da América do Norte é um pesadelo
burocrático.  Aqueles imigrantes que
seguirem as regras terão de obter documentos que não estão prontamente disponíveis em
seus respectivos países.

Por exemplo,
no caso dos EUA, o tempo de solicitação tende a ser muito demorado, há a
necessidade de se fazer viagens para as agências do USCIC (United
States Citizenship and Immigration Services
) localizadas no país de origem
do potencial imigrante, mas quase sempre em localizações inconvenientes, e a opção
é limitada apenas a pessoas que possuam família nos EUA ou a quem tenha sido oferecido
um emprego nos EUA em decorrência de suas altas qualificações

Se você olhar
a página do Greencard, na seção das “perguntas
mais frequentes”
, verá que a única alternativa para uma pessoa que quer
emigrar para os EUA para trabalhar, mas que possui baixas qualificações, seria
tentar um estreito e difícil pedido de asilo. 

O processo
de entrada na União Européia é igualmente difícil.

Posso falar
por experiência própria: ao me mudar para a Suíça para fazer meu MBA, mesmo na condição
de americano nato, obter um visto de apenas um ano para a área de Schengen foi
uma tarefa complexa, difícil, custosa e aborrecida.  Nem consigo imaginar o que um cidadão da Síria
ou de Gana teria de fazer para obter uma autorização legal de moradia.  A própria taxa cobrada para se fazer o
pedido, de US$ 1.010 — e a qual não fornece garantia nenhuma de aceitação –,
embora não seja tão desarrazoada para os padrões de riqueza ocidental,
representa vários anos da renda de alguns migrantes.  E mesmo em relação aos refugiados legais, o
processo burocrático de aceitação é longo e difícil.  E, dado que existem cotas, seria necessária quase
que uma década apenas para lidar com aquelas pessoas expulsas pelo conflito na
Síria.

Ao fazer
com que o processo legal de entrada seja praticamente inacessível para a
maioria das pessoas comuns, a consequência inevitável é que os migrantes menos
qualificados irão, no desespero, se aventurar por rotas não-convencionais, como
a perigosa travessia entre Colômbia e Panamá ou sob cercas afiadas e cortantes nas
fronteiras da Hungria, ou até mesmo irão procurar os serviços de cartéis criminosos,
os quais irão prontamente escravizar, assaltar ou mesmo matar os migrantes,
embora também possam de fato ajudá-los a atravessar as fronteiras. 

Essas opções
são escolhidas em detrimento das alternativas seguras simplesmente porque as
alternativas seguras se tornaram inviáveis em decorrências das políticas governamentais.

A tempestade perfeita

Qualquer uma
das supracitadas políticas cria problemas; porém, conjuntamente, elas formam a
tempestade perfeita. 

Ao ofertarem
um rico pacote de benefícios para os potenciais refugiados e migrantes, os
governos criam incentivos para que esses indivíduos façam essa jornada
perigosa.  No entanto, ao fazerem com que
estes mesmos benefícios sejam impossíveis sem que tais pessoas tenham de passar
por um martírio, o resultado final é que mais pessoas, no desespero, acabam até
mesmo passando literalmente por moedores de carne (como no caso do caminhão na Áustria).

Essa combinação
é ironicamente cruel: grandes benefícios oferecidos, mas a quase
impossibilidade de obtê-los.

A solução

A solução
para esse problema é dupla.

Primeiro,
subsídios assistencialistas garantidos para refugiados devem ser reduzidos ao
máximo ou mesmo abolidos.  Ao remover
esses incentivos, as pessoas atraídas a emigrar por causa de benefícios estatais
— pagos por meio de impostos dos cidadãos trabalhadores do país em questão — irão
desaparecer, reduzindo enormemente a aparente recompensa de se fazer essa
jornada.  O custo das jornadas perigosas
continua existindo, mas a recompensa acabou. 
Aqueles que estão genuinamente desesperados não mais terão os incentivos
para viajar para além da localidade segura mais próxima.

Segundo,
o bizantino, longo, complexo e custoso sistema de migração legal deve ser
abolido.  Nem estou adentrando no debate
sobre o quão abertas devem ser as fronteiras, mas o fato é que, defenda você ou
não as fronteiras abertas, é difícil negar que o atual sistema de migração é
proibitivamente caro e difícil para todos, exceto para os mais educados e mais
influentes.  Aqueles que querem emigrar
para genuinamente trabalhar e criar riqueza — e, desta forma, contribuir para
toda a sociedade — estão, na prática, excluídos dos meios legais,
restando-lhes apenas as extremamente perigosas alternativas disponíveis.

Embora vozes
influentes como a do Papa estejam corretas ao dizer que tudo isso é
estarrecedor, as
políticas defendidas por ele
e por vários políticos irão apenas piorar as
coisas.  Oferecer assistência a
imigrantes ao socorrê-los em barcos naufragados ou permitir que os migrantes permaneçam
em seus novos países sem se alterar toda a questão burocrática irá apenas criar
mais incentivos para que cada vez mais pessoas façam essas mesmas perigosas
jornadas.  A questão da recompensa do
risco tem de ser considerada — quanto maiores as recompensas
assistencialistas, mais arriscados serão os comportamentos.

Infelizmente,
as atuais soluções apresentadas pelos políticos irão resultar em embarcações precárias
cada vez mais abarrotadas e um número cada vez maior de travessias em selvas
perigosas.

Leia também: Uma teoria libertária sobre a livre imigração

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76 comentários em “A desastrosa combinação de assistencialismo e burocracia resulta em mortes em massa de imigrantes”

  1. Sim, abolição das políticas assistencialista e total liberdade para imigração, isso é liberalismo.

    E dane-se os conservas chatos com suas teorias conspiratórias de dominação islâmica.

  2. O que está em jogo com essa imigração em massa é a destruição da Europa sob todos os aspectos, econômicos e culturais. E eles estão deixando, plantando o ovo da serpente que em breve irá acabar com tudo. Deixando que terroristas e fundamentalistas islâmicos invadam o continente e assim que estiverem acomodados, iniciarão atentados e implementarão a sharia. Pra eles, todos os que não seguem aquela merda são lixo, vão morrer no inferno e devem ser eliminados.
    Ao mesmo tempo, permitem que o Putin aos poucos bote as mãos no Oriente Médio e se aproxime cada vez mais de Israel. Ninguém mais comenta sobre a Crimeia.
    Me impressiona também a fragilidade nas fronteiras, isso porque a maioria tem território pequeno, mediano mas não conseguem controlar quem entra e quem sai.

  3. Eu acho que vai muito alem dos benefícios estatais.
    Eu por exemplo que estou no Brasil, gostaria muito de migrar para esses países de primeiro mundo, Mesmo que não houvesse nenhuma ajuda estatal.
    Isso porque eu estaria migrando para um pais com moeda forte, com uma politica mais estável, com maior liberdade econômica, com maior respeito a propriedade privada.

    Esses são os benefícios invisíveis que todo mundo no fundo quer, quando tenta cruzar a fronteira para os EUA. Mesmo que não houvesse guerra, iria ter gente buscando esses benefícios.

  4. Vou contar aqui um pouco da minha experiência para ilustrar o quanto o governo se esforça para errar:

    – Eu investi bastante tempo para tentar viver nos EUA. Desisti porque talvez obtivesse o visto, mas teria que renova-lo depois de 3 anos e depois de 6 teria que pedir o GreenCard. O que não era automático, talvez eu os obtivesse ou talvez eu simplesmente tivesse que voltar para casa depois de uma dessas etapas.

    – Também apliquei ao programa Dinamarquês, que possui um Greencard. Foi uma tragédia a parte: precisei fazer algumas viagens para o Rio de janeiro e ser atendido pelo consulado da Noruega – que faz o favor de atender esse tema ao pessoal da Dinamarca. Se os funcionários públicos tem aquela boa vontade quando fazem uma obrigação, imagine quando é um favor. O prazo que era de 1 mês virou 1 ano e perderam documentos, inclusive alguns que tive que buscar no exterior, fora todas as traduções juramentadas em diversas línguas. Ah, e a taxa além de custar uma $ teve que ser paga pessoalmente na Dinamarca já que o governo não aceitava cartões de fora e não podia ser paga aqui.

    – Itália não foi diferente. Conseguir o visto de uma etapa do MBA foi uma novela. Quando o visto saiu eu já estava fazendo as provas finais.

    – Já tentei trazer alguns estrangeiros qualificados ao Brasil. Depois de ver a burocracia, simplesmente desistí.

    Eu não sou nenhum prêmio Nobel, mas tenho alguma experiência empresarial internacional e falo algumas línguas, além da pós em escolas renomadas de diversos paises. Caso parecido dos estrangeiros que pensei em trazer ao Brasil.

    É fácil perceber como o governo realmente se esforça para fazer as coisas do jeito mais errado possível. Não acho que pessoas qualificadas deveriam ter privilégios. Agora, penaliza-los por causa disso certamente não é uma boa idéia se o país deseja resultados concretos.

  5. Pessoal, boa tarde,

    Posso estar alterando um pouco o tema, mas gostaria que os Senhores me respondessem alguns assuntos relacionados a Hong Kong.

    Li aqui reiteradas vezes, por diversos economistas e pensadores, que HK seria o exemplo vivo e mais próximo do livre mercado; exemplo que deu certo (mínima intervenção na econômica). Contudo, como explicar:

    1.Lá não existe direitos humanos mínimos;

    2. A internet é controlada;

    3. Existem semi-escravos como na china continental;

    4. Trabalham 19 horas por dia;

    5. Há diversos protestos ATUAIS nas ruas (pedindo liberdade nas eleições – os candidatos sao totalmente de fachada) que provam que não adianta ter prosperidade e liberdade econômica sem outras liberdades mínimas e direitos fundamentais garantidos;

    6. Criar um sistema de livre mercado com esse nível de opressão não seria fácil?

    7. HK nao seria uma sociedade da idade média com dinheiro? (pois não há liberdade de manifestação, etc)

    8. Quem disse que a população não quer um outro sistema econômico? (só saberíamos se houvesse liberdade de expressão e eleitoral)

    9. Se cuba e coréia do norte fossem ricas, com livre mercado, mas sem os direitos acima citados, poderíamos concluir também como um exemplo a ser supostamente seguido, assim como HK?

    Agradeço

    Abs

  6. Não é o escopo deste artigo, mas uma coisa que muitos estão berrando aos quatros cantos, contrários a esta política de imigração, é que não seria somente refugiados que a Europa estaria recebendo.

    Com esta leva toda de gente, também estariam no pacote integrantes de grupos terroristas, que iriam trazer o caos e a desordem, aproveitando a brecha do multiculturalismo.

    E também com isto novos casos ao que aconteceu com o Charlie Hebdo.

    Para evitar estes casos, penso que as nações européias deveriam se ater aos seguintes pontos:

    – Fim da questão do multiculturalismo. Ou seja, se a lei vale para os locais, vale para os récem-chegados.
    Países que abraçaram o Multiculturalismo hoje veem dentro de seu território, “guetos” que estão a margem da lei, e trazem terror aos cidadãos locais.

    – Porte de armas a todos os cidadãos.
    Com uma população armada, terroristas em potencial pensariam duas vezes antes de render civis em um café, ou abrir fogo contra opositores.

    Basta lembrar que os últimos atos terroristas foram feitos em locais aonde armas são proibidas (menos para os loucos terroristas).

  7. Olá colaboradores do IMB, eu gostaria que voces me ajudassem a refutar o pensamento de um professor que conheço, e ele é simpatizante (acreditem… tsc) das ideias socialistas. Ele escreveu o seguinte:

    Esses comunistas. …finlandeses. ..vão pra Cuba.
    http://www.brasil.rfi.fr/economia/20151020-finlandia-vai-testar-sistema-em-que-trabalhar-e-uma-escolha

    Eu sou novato por aqui, ultimamente venho lendo 3 artigos por dia, alé de ler os comentarios, mas gostaria de saber oq vcs fariam nessa situação.

    Agradeço a atenção.

  8. Henrique Zucatelli

    O Estado Islâmico só existe ainda porque vivemos mercantilismo, e não capitalismo.

    Fossemos verdadeiros capitalistas, nenhuma empresa faria negócios com fornecedores de petróleo violentos, desonestos e tiranos.

    Em pouco tempo minguariam sem recursos, seriam derrotados e logo tudo voltaria ao normal.

  9. Um problema que qualquer sociedade enfrenta independente se é socialista, capitalista ou comunista é que para um empresa lucrar ela deve vender sua mercadoria por um valor que seja maior do que os produtos que ela comprou para produzir a mercadoria.

    Como a humanidade pode resolver este problema ?

  10. @david 22/10/2015 00:58:31

    Um problema que qualquer sociedade enfrenta independente se é socialista, capitalista ou comunista é que para um empresa lucrar ela deve vender sua mercadoria por um valor que seja maior do que os produtos que ela comprou para produzir a mercadoria.

    Como a humanidade pode resolver este problema ?

    Isso não é problema. Você está simplesmente descrevendo como funciona.

    Empreendimentos consomem insumos e recursos humanos que custam algo. Para poderem continuar existindo, têm de obter lucros, ato contínuo ofertam seus produtos a um valor agregado maior que seu custo. No entanto, como ninguém é obrigado a consumir seus produtos o preço dos mesmos é mantido em xeque pela existência da concorrência e pelo surgimento de produtos alternativos. No caso de um empreendimento que não é capaz de manter seus custos sob controle (uma vez que o preço de seus produtos é definido pelo mercado, a única variável mais ou menos sob seu controle é o custo), ele começa a dar prejuízo… no extremo, abre falência.

    Resumi todo o ciclo (do qual você só parece conhecer uma parte) pq nunca é demais deixar as coisas óbvias bem evidentes. Especialmente, ter conhecimento de todo o ciclo é necessário para entender o que significam lucros e prejuízos. O tão abominado “lucro” nada mais é do que a medida de sucesso de um empreendimento em criar valor. Já o prejuízo é a medida em que um empreendimento destrói valor.

    Uma sociedade que quer ser rica precisa de empreendimentos que criem valor. Se uma sociedade se mantém majoritariamente com atividades “sem fins lucrativos”, ela permanece estagnada, nem criando nem destruindo valor. No caso do Brasil de hoje, uma parcela muito grande da sociedade está relacionada a atividades que sequer permitem uma estagnação: atividades que efetivamente destroem valor (empregos públicos que só produzem burocracia, corrupção, empréstimos de bancos oficiais a juros abaixo do mercado, empresas como as do grupo X, que só fizeram vender vapor, uma grande estatal petroleira consumindo recursos em uma folha de pagamento cara e ineficiente e produzindo o pico de petróleo em uma época com os preços abaixo dos custos de produção, etc). O resultado é o que vemos, recessão, inflação, desemprego.

    Se você segue sempre por caminhos conhecidos, vai chegar em locais conhecidos. Se você segue o caminho da criação de valor, vai chegar na estabilidade financeira e no crescimento econômico. Se escolher a destruição de valor, vai chegar na recessão e no desemprego. Não consigo entender como as pessoas podem escolher um caminho e querer, magicamente, chegar em outro local… É muita dissonância cognitiva para minha compreensão.

  11. Gente, não tem a ver com o texto não, mas estou precisando desabafar… Estou fazendo faculdade de Medicina numa das grandes federais do país e estou estarrecido com o fato de que será passado em uma aula para minha turma o filme “Sicko” para discutir diferentes “políticas de saúde” adotadas no mundo… Isso pq já passaram um filme romantizado da BBC sobre a criação do NHS da Inglaterra como sendo a maior maravilha do mundo. Não sei se fico triste, indignado ou resignado com esse tipo de situação.

  12. Essa questão da imigração na europa está tendo um lado positivo: está fazendo os europeus repensarem seu assistencialismo. Porque eles desejaram o assistencialismo, mas restrito aos compatriotas; a entrada de pessoas alheias a seu contexto étnico e cultural está entrando em choque com o desejo de manter o assistencialismo. E gerando uma contradicao: teoricamente os europeus defendem a igualdade entre as pessoas, especialmente os mais cosmopolitas, os mais progressistas, que são os mesmos que defendem estado grande, os mesmos que não param para fazer as contas. Chegou-se a uma situacao em que ou barram a entrada de imigrantes, ou diminuem o valor assistencial per capita, para dar para todo mundo, ou lhes negam a classificacao de seres humanos iguais aos nativos, ou gastam mais; a opcao foi esta última, mas mesmo esta já está mostrando ter chegado a um limite. As alas conservadoras alemãs eram contra assistencialismo para os seus, eram contra a entrada de estrangeiros, mesmo assim estão pagando por isso; agora estão sendo obrigadas a pagar mais ainda… A questão de tratar estrangeiros diferente de nativos sempre existiu, na verdade a igualdade só existia no discurso. A máscara está caindo, e com um pouco de atraso estão fazendo o mesmo que os húngaros, barrando a entrada. O último bastião será o enxugamento do assistencialismo, mais dia, menos dia, as contas só vão fechar desse jeito.
    Bem, se a imigração tiver esse efeito, de induzir a reducao do alcance do Leviatã, terá prestado um grande serviço aos europeus.

  13. Sobre a caridade, tiro meu chapeu para a Islandia. O governo não permitiu demagogicamente a entrada dos refugiados, mas 11.000 cidadão voluntariaram-se para acolhe-los. Dessa forma, responsabilizando-se pela insercao deles na sociedade, ensino da lingua, da cultura, inserção profissional, fica uma forma interessante de resolver o problema.

  14. Talvez o maior critério para avaliar se a imigração tem sido boa para o país que recebe os imigrantes é : os residentes deste país tem vivido melhor ou pior com a chegada destes imigrantes.
    Eu sei que todos os imigrantes tem o Direito de tentarem imigrar para uma terra em que possam viver bem melhor.
    Também os residentes de um país também tem o Direito a felicidade e bem estar.
    A questão é : a imigração tem sido boa para eles,tem trazido progresso,prosperidade,novas oportunidades,vantagens. Ou a imigração tem trazido dores de cabeça,sérios problemas,infelicidade,angústia e depressão para os residentes do país que recebem esses imigrantes.
    Eu posso dizer que a imigração de europeus e japoneses nos séculos XIX e XX para o Brasil,em nada prejudicou a vida dos brasileiros da época. Pelo contrario foi muito boa para o Brasil e os brasileiros.
    Mas ! Hoje no século XXI. A imigração de muçulmanos e pessoas do terceiro mundo para a Europa, tem sido um horror para os residentes destes países,pelos problemas,conflitos,prejuízos,infelicidade e depressões. Particularmente a imigração muçulmana que inferniza a vida dos europeus natos. Com EUA também não é diferente , os americanos natos,residentes tem a vida carregada pela aflição provocada pela imigração. A imigração neste seculo tem algo de perverso,cheio de conflitos e problemas. Eu mesmo penso. Minha terra, tem muitas plantações de café que trazem muita riqueza. Também vieram muitas pessoas do norte de Minas e outras regiões trabalharem aqui. Mas ! Se essas pessoas novas na minha terra começarem a trazer só dor de cabeça,infelicidade,problemas. O melhor é que sumam desta terra . Eu como residente desta terra não posso ter minha vida prejudicada, é meu Direito. E não tem nada de preconceito. Aliás ! Tem usado hoje muito mal o termo preconceito na nossa sociedade para segundas intenções.

  15. Fiquei com uma dúvida, porque os “facilitadores” dão este cartão para as pessoas que querem refúgio? Os “facilitadores não ganham nada em troca? Eles só querem “ajudar”?

    Se puderem me responder agradeço.

  16. Welfare State com imigração irrestrita é uma combinação explosiva.

    Aliás, mesmo sem imigração irrestrita, Welfare State é uma bomba.

    * * *

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