Os problemas gerados pela livre emigração e imigração de seres humanos
frequentemente levam a situações de confusão entre os teoristas libertários e os
demais defensores da liberdade.
Em primeiro lugar, a doutrina libertária tradicionalmente se declara, sem
ressalvas, a favor do princípio da completa liberdade de emigração e
imigração. Essa posição se baseia no
reconhecimento de que fronteiras — meras linhas políticas imaginárias —
representam um flagrante ato de intervencionismo e coerção institucional da
parte do estado, o que frequentemente tende a afetar, ou até mesmo proibir, a
livre movimentação de seres humanos.
Adicionalmente, várias leis de imigração e vários mecanismos de controles de
fronteiras surgem como resultado da ação política de grupos de interesse
privilegiados, como os sindicatos, os quais se esforçam para restringir a
oferta de mão-de-obra com o intuito de artificialmente elevar os salários. Na medida em que essas regras
intervencionistas sobre a emigração e a imigração afetam ou impedem acordos
voluntárias firmados entre ambos os lados (nativos e estrangeiros), não há
dúvidas de que eles violam os princípios básicos que deveriam governar toda e
qualquer sociedade libertária.
Entretanto, e embora isso pareça paradoxal, as ações subversivas do estado
não se manifestam somente na obstrução da livre movimentação de pessoas; o
estado muitas vezes também age com o intuito de fazer uma integração forçada entre certos grupos de pessoas e os nativos de
um determinado estado ou região, contra a vontade destes. Essa ação coerciva do estado ocorre tanto
intranacionalmente quanto internacionalmente.
Assim, dentro de cada nação, medidas voltadas para a integração coerciva de
determinadas minorias e grupos são frequentemente implantadas à força, tais
como leis anti-discriminação, leis de ação afirmativa, leis de cotas etc. Em nível internacional, muitas nações abrem
indiscriminadamente suas fronteiras para estrangeiros e permitem que estes
entrem nestes países e façam uso gratuito dos bens públicos (ruas, estradas,
praças, parques, praias, serviços de saúde, serviços de educação etc.) na
condição de “caroneiros”, gerando significativos custos externos para os
nativos (que arcam com tudo via impostos), os quais são então obrigados a
aceitar a integração forçada com esses estrangeiros contra sua vontade ou sob
condições com as quais não concordam.[1]
À luz dessa natureza aparentemente contraditória, os problemas supracitados
demonstram a grande importância de se isolar a real origem de cada problema e,
em seguida, construir uma teoria libertária sobre a imigração que esclareça os
princípios que deveriam governar os processos de emigração e imigração em uma
sociedade livre.
A teoria pura dos movimentos
individuais em um ambiente libertário
Devemos começar nossa análise assumindo um modelo puramente
anarcocapitalista, isto é, um modelo no qual nenhum pedaço de terra, nenhum
centímetro quadrado do mundo, é ‘público’.
Cada centímetro quadrado de cada pedaço de terra, esteja ele em uma rua,
em uma praça ou em vizinhanças, é privatizado.
Sob este cenário, torna-se óbvio que nenhum dos problemas relacionados à
imigração, diagnosticados na seção anterior, pode surgir aqui. Se cada centímetro do território é
propriedade privada, o proprietário tem o direito de aceitar e excluir quem
quiser. Consequentemente, as condições, o
volume e a duração das viagens pessoais serão estritamente aquelas acordadas e
decididas mutuamente pelas partes envolvidas.
Nenhum imigrante parasitará a propriedade privada de terceiros. Entretanto, até mesmo movimentos em massa de pessoas
à procura de trabalho são concebíveis neste arranjo, desde que os empregadores envolvidos estejam dispostos a fornecer
trabalho para os imigrantes, a fornecer a eles a possibilidade de encontrarem
acomodação, a arranjarem e até mesmo pagarem pela viagem deles etc. Em suma, os possíveis contratos entre os
lados envolvidos serão muito variados e irão contemplar toda a riqueza que as
circunstâncias e características especiais de cada caso permitirem.
Sob essas condições, fluxos migratórios, longe de serem prejudiciais, são
altamente favoráveis ao desenvolvimento social e econômico, impulsionando a
civilização para o progresso. O
argumento de que a abundância de mão-de-obra é prejudicial aos salários da
classe trabalhadora não se sustenta: seres humanos não são um fator de produção
uniforme, e não se comportam em termos exclusivamente biológicos em relação a
recursos escassos — como ocorre, por exemplo, com os ratos e outros animais,
cujo aumento populacional sempre tende a diminuir os recursos disponíveis para
cada indivíduo. Os seres humanos, ao
contrário, são dotados de uma inata capacidade criativa empreendedorial, o que
significa que um aumento no número de pessoas permite, em um ambiente dinâmico,
um crescimento exponencial (sem limites) das descobertas e da exploração de
novas oportunidades capazes de fazer evoluir o padrão de vida dos indivíduos em
todos os aspectos.
Dada a limitada capacidade da mente humana em assimilar informações ou
conhecimento, e considerando-se o crescente volume de informação utilizado no
processo social conduzido pela força do empreendedorismo, torna-se claro que o avanço
da civilização requer um contínuo crescimento e aprofundamento da divisão do
trabalho — ou, se você preferir, do conhecimento.
Tal idéia simplesmente significa que qualquer processo de desenvolvimento
implica, de uma perspectiva vertical, um conhecimento cada vez mais profundo,
especializado e detalhado, o qual, com o intuito de se ampliar horizontalmente,
requer um volume crescente de seres humanos, ou seja, um contínuo crescimento
populacional.
Em termos mundiais, esse crescimento populacional ocorre gradualmente no
longo prazo, com mais seres humanos nascendo do que morrendo. Porém, nos curto e médio prazos, a única
resposta rápida e efetiva aos contínuos ajustes exigidos pelas mudanças
econômicas e sociais é por meio de fluxos emigratórios e imigratórios. Tais fluxos permitem um rápido aumento na
divisão do trabalho (ou seja, geram um aumento na quantidade de conhecimento disponibilizado
em relação a áreas específicas), desta forma superando o obstáculo gerado pela
limitada capacidade de assimilação de cada mente humana individual ao
rapidamente aumentar o número de pessoas envolvidas nos processos de interação
social.
O desenvolvimento das cidades como centros de riqueza econômica e
entrepostos de civilização é uma clara ilustração do processo de expansão do
conhecimento possibilitado pela imigração, processo este que foi explicado logo
acima. O contínuo despovoamento das
áreas rurais e o subsequente movimento em massa de trabalhadores para os centros
urbanos, longe de empobrecê-los, promoveu seu desenvolvimento e riqueza em um
processo auto-acumulativo que se tornou uma das mais características
manifestações do desenvolvimento humano desde a Revolução Industrial.
Adicionalmente, fluxos de emigração e imigração, no ambiente libertário que
estamos considerando, tendem a multiplicar a variedade e a diversidade das
possíveis soluções para os diferentes problemas que surgem. Tudo isso favorece a seleção cultural e
econômica, bem como o desenvolvimento social, uma vez que todos os movimentos
ocorrem como resultado de acordos voluntários; no que mais, sempre que as
circunstâncias se alteram ou as pessoas envolvidas não as consideram
apropriadas, os envolvidos têm a chance de emigrar ou se mudar para outros
empreendimentos em outras localidades geográficas.[2]
Finalmente, temos de chamar a atenção para o fato de que, em um ambiente
libertário no qual todos aqueles bens e recursos que hoje são considerados “públicos”
já foram privatizados, nenhum dos dois efeitos negativos identificados acima em
relação aos casos de integração forçada estimulada por vários governos atuais
ocorreriam. Leis anti-discriminação,
leis de ação afirmativa, leis de cotas ou simplesmente a enxurrada de
imigrantes nas ruas ou em qualquer cidade seriam reduzidas a um mínimo. Todas as locomoções sempre seriam feitas
utilizando-se meios de transporte privados, satisfazendo-se as condições
contratuais estipuladas pelos seus proprietários e pagando-se o correspondente
preço de mercado. Diferentes agências
iriam se especializar em organizar os itinerários e garantiriam a priori a
necessária liberdade de acesso para cada meio de transporte.
Igualmente, e por interesse próprio, os respectivos proprietários de cada
pedaço de terra iriam se certificar de que os viajantes utilizassem os meios de
transporte apropriadamente e garantiriam que seus clientes passassem por eles
sem se tornarem hóspedes permanentes e indesejados. Isso iria evoluir, com uma variedade e
riqueza de arranjos sociais e instituições jurídicas e econômicas que ainda não
somos capazes de imaginar hoje, uma vez que o mercado e a criatividade
empreendedorial não têm a permissão de atuar em relação aos bens que, hoje, são
considerados públicos.
Podemos, portanto, chegar à conclusão de que a emigração e a imigração, por
si sós, quando sujeitas aos princípios gerais da lei em um ambiente em que
todos os recursos são privados, não apenas não representam nenhum problema de
integração forçada ou de custos externos, como na realidade se transformam em
uma força-motriz muito importante para o desenvolvimento econômico e social,
para a criação de riqueza e para a variedade da cultura e da civilização.[3]
Problemas gerados pela coerciva
intervenção estatal
A análise acima nos permite isolar e identificar a real origem dos problemas
diagnosticados no início deste artigo em relação à imigração e à
emigração.
Todos os problemas se originam da coerciva intervenção estatal em diferentes
níveis.
Inicialmente, a coerção estatal é feita com o intuito de criar barreiras
para atrapalhar ou proibir, em maior ou menor grau, movimentos que foram
voluntariamente acordados e aceitos pelos agentes envolvidos. Em seguida, e simultaneamente, o estado
insiste em impor diferentes medidas de integração forçada, tanto explicitamente
(por meio de leis anti-discriminação e de ação afirmativa) quanto
indiretamente, ao declarar que importantes áreas territoriais (ruas, praças,
parques, praias etc.) são públicas e, portanto, livremente acessíveis.
Dado que o governo não define adequadamente quais são os relevantes direitos
de propriedade dos “estrangeiros” e dos “nativos”, essa intervenção estatal se
torna a causa de todos os problemas e conflitos que surgem em decorrência da
emigração e da imigração.
As ações subversivas do estado, nesta área, aparecem em dois níveis.
Primeiro, em nível intranacional — isto é, dentro das fronteiras de cada
país. Aqui, os típicos problemas da
integração forçada e das externalidades negativas que inevitavelmente surgem em
decorrência do simples fato de haver recursos “públicos” — e, portanto,
livremente acessíveis por todos — surgem em sua forma mais virulenta.
Segundo, em nível internacional. Os
efeitos do intervencionismo estatal também se manifestam internacionalmente,
isto é, entre diferentes países, em decorrência da regulação dos fluxos
migratórios através das fronteiras.
A maneira como isso ocorre é dupla e contraditória. De um lado, o governo cria dificuldades para
aqueles movimentos que são voluntariamente desejados e acordados pelos agentes
envolvidos (nativos de um país que querem contratar, legalmente, mão-de-obra de
estrangeiros). De outro, o governo,
involuntária e artificialmente, estimula imigrações em massa de estrangeiros em
decorrência dos programas sociais e assistencialistas fornecidos por seus
programas de bem-estar social, programas esses financiados pelos impostos dos
nativos e implantados por meio de políticas redistributivistas.
Consequentemente, hoje, há esse paradoxo: aqueles que querem seguir
escrupulosamente as leis percebem que seus processos de emigração são
impossíveis, mesmo que eles tenham sido voluntariamente aceitos e desejados por
ambos os lados envolvidos. Ao mesmo tempo,
a existência de bens públicos e a livre disponibilidade dos benefícios
ofertados pelo estado assistencialista atraem, como um ímã, um contínuo fluxo
imigratório, majoritariamente ilegal, o qual gera conflitos e custos externos
significativos. Nativos pagam impostos
para financiar programas assistencialistas, e estes são utilizados por
imigrantes ilegais.
Tudo isso estimula a xenofobia e promove subsequentes medidas
intervencionistas, as quais agravam ainda mais os problemas, e fazem com que os
cidadãos sejam incapazes de diagnosticar corretamente a verdadeira origem do
problema. Assim, gera-se um ambiente de
grande confusão e transtorno, e os cidadãos facilmente se tornam vítimas da
demagogia de políticos e acabam apoiando novas medidas intervencionistas que,
além de serem contraditórias, são também ineficientes e prejudiciais.
Uma solução para os problemas atuais
gerados pelos fluxos de emigração e imigração
Obviamente, a solução ideal para todos esses problemas seria a total
privatização dos recursos que hoje são considerados públicos, bem como a
abolição da intervenção estatal sobre as áreas de emigração e imigração, em
todos os níveis. Em outras palavras,
dado que os problemas identificados se originam dos efeitos maléficos da
coerciva intervenção estatal, e não da emigração e imigração per se, então um
sistema puramente anarcocapitalista eliminaria a maior parte desses problemas.
No entanto, enquanto o conceito de estado-nação continuar existindo, temos
de descobrir e propor soluções “práticas” que permitam que os problemas sejam
resolvidos no longo prazo. Em relação a
isso, vários teóricos libertários vêm desenvolvendo um modelo de secessão e
descentralização que visa a desmembrar as atuais e fortemente centralizadas
nações-estado em unidades políticas cada vez menores, o que inevitavelmente
levaria a uma redução no intervencionismo estatal.
Essa redução surgiria naturalmente do fato de que os diferentes estados que
surgiriam desse desmembramento (estados cada vez menores e menos centralizados)
teriam de concorrer entre si para atrair cidadãos e investidores (e também para
evitar a saída de ambos). Essa dinâmica
os obrigaria a adotar medidas cada vez mais libertárias e cada vez menos
intervencionistas.
Neste processo de concorrência entre estados cada vez menores e mais
descentralizados, fluxos de emigração e imigração teriam uma função essencial:
tais movimentos constituiriam aquilo que podemos chamar de “votar com os pés”. Cada cidadão, ao sair de um país para emigrar
para o mais próximo, estaria revelando quais estados são os mais
intervencionistas e os obrigaria a desmantelar seu aparato regulatório e a
desregulamentar, sempre que possível, a maior parte do aparato coercitivo,
tributário e intervencionista de seus respectivos governos.
Como disse Hans-Hermann Hoppe:
Estados pequenos têm inevitavelmente
de ser libertários — caso contrário, as pessoas trabalhadoras e produtivas
irão desertar. Governos pequenos possuem vários concorrentes
geograficamente próximos. Se um governo passar a tributar e a
regulamentar mais do que seus concorrentes, a população emigrará, e o país
sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra. O governo ficará sem recursos
e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias. Quanto menor o
país, maior a pressão para que ele adote um genuíno livre comércio e maior será
a oposição a medidas protecionistas.A maior esperança para a liberdade vem
justamente dos países pequenos. Um mundo
formado por dezenas de milhares de países, regiões e cantões, e centenas de
milhares de cidades livres e independentes, como as atuais “excentricidades” de
Mônaco, Andorra, San Marino, Liechtenstein, Hong Kong e Cingapura, resultando
em crescentes oportunidades para a migração economicamente motivada, seria um
mundo formado por pequenos estados liberais economicamente integrados por meio
do livre comércio e por uma moeda-commodity internacional, como o ouro.
Seria um mundo de prosperidade, crescimento econômico e avanços culturais sem
precedentes.
Entretanto, a identificação de soluções ideais e “práticas” para os
problemas apresentados pela emigração e imigração não nos isenta da obrigação de
estudar os princípios aos quais os fluxos migratórios deveriam estar sujeitos considerando-se
as atuais circunstâncias em que vivemos, nas quais estados fortemente
intervencionistas existem.
Esses princípios devem ser compatíveis com ideais libertários e, ao mesmo
tempo, levar em conta as grandes restrições, dificuldades e contradições geradas
pela existência de nações-estado, em conjunto com os sérios efeitos das
injustiças e das ineficiências gerados por suas intervenções.
Princípios sobre os quais devem se
basear os atuais processos de emigração-imigração
Por vários motivos, é indispensável estabelecer vários princípios —
compatíveis com idéias libertárias — que deveriam conduzir os atuais processos
de emigração e imigração.
Em primeiro lugar porque, mesmo que o processo de desmembramento dos estados
proposto por Murray N. Rothbard, Hans-Hermann Hoppe e outros já estivesse
acontecendo, não haveria nenhuma garantia de que as medidas estatais
estabelecidas por cada governo em relação à emigração-imigração seriam corretas
do ponto de vista libertário.
Como o próprio Hoppe reconhece,
“a secessão resolve esse problema ao permitir que territórios menores adotem
autonomamente seus próprios padrões de admissão e determinem de maneira
independente com quem eles querem se associar em seu próprio território e com
quem eles preferem manter relações mais distantes”. No entanto, é bem possível que esses padrões
também sejam bastante intervencionistas e proíbam o livre trânsito
voluntariamente acordado entre nativos e estrangeiros, desta forma gerando resultados
que radicalmente violam princípios libertários.
Adicionalmente, enquanto os estados continuarem existindo (por menores que
eles sejam), e, dentro deles, ruas, estradas e terras “púbicas” continuarem sem
direitos de propriedade adequadamente definidos ou defendidos, pode continuar
havendo fenômenos de integração forçada e de ocupação em massa, os quais, como
é o caso das favelas no Brasil, geram significativos custos externos e violam
seriamente os direitos de propriedade dos nativos.
No que mais, é necessário propor soluções que, além de levarem à direção
correta e não serem incompatíveis com princípios libertários, sejam também
“eficazes” na medida em que fornecem uma resposta para os mais urgentes
problemas observados atualmente (por exemplo, em relação à emigração através da
fronteira entre México e os EUA ou entre a África ou o Oriente Médio e a
Europa). Em suma, uma série de regras
que deveriam ser criadas para impedir que a imigração seja utilizada para fins
coercivos e intervencionistas.
O primeiro destes princípios é o de que as pessoas que estão imigrando devem
fazê-lo por sua própria conta e risco.
Isso significa que a imigração não deve ser subsidiada pelo estado
assistencialista e por seus programas sociais — ou seja, por benefícios
fornecidos pelo governo e financiados por meio de impostos pagos pelos
nativos. Esses benefícios incluem não
apenas os tradicionais benefícios fornecidos por qualquer estado assistencial
(educação estatal, saúde estatal, seguridade social etc.), como também incluem
aqueles benefícios gerados pela possibilidade de se utilizar livremente os bens
públicos.
Se os imigrantes adquirirem o direito de receber os benefícios assistenciais
distribuídos pelo estado, tais benefícios — os quais são, em última instância,
transferências compulsórias de renda de um grupo (nativos) para outro
(imigrantes) — irão se tornar um ímã capaz de atrair descontroladamente vários
grupos de imigrantes. Vale ressaltar que
alguns grupos de imigrantes (embora não todos), quando tomam sua decisão de
emigrar, levam em conta principalmente os benefícios sociais que eles esperam
receber no país para o qual estão se mudando.
Para certos grupos de imigrantes, mesmo que eles representem uma minoria,
basta que em seus cálculos mentais eles se considerem subsidiados — isso já
servirá para gerar um perverso efeito de estímulo artificial à imigração, em
detrimento dos cidadãos do país hospedeiro.
Por outro lado, dado que não têm direito a utilizar nenhuma benesse do
estado, os imigrantes devem ser isentos de fazer “contribuições” para a
Previdência Social. Consequentemente, os
imigrantes deveriam, para seu próprio bem, recorrer ao sistema privado de
educação, saúde e previdência.
Portanto, a primeira regra à qual os imigrantes deveriam estar sujeitos é:
imigrantes não devem ter direito a qualquer benefício estatal (nem saúde
pública, nem educação pública, nem previdência pública e nem programas de
transferência de renda). Isso irá
impedir que determinados grupos oportunistas se aproveitem do sistema e se
beneficiem com subsídios financiados pelos impostos dos nativos. A segunda regra à qual os imigrantes deveriam
estar sujeitos é: são isentos de pagar a Previdência Social (à qual não têm
direito) e, com isso, estão livres para recorrer aos serviços privados de
saúde, educação e previdência.
Assim, dois objetivos muito positivos do ponto de vista libertário são
alcançados: primeiro, os subsídios, os incentivos e os estímulos à imigração em
decorrência de políticas coercivas de redistribuição de renda seriam evitados;
segundo, contribuiria para um rápido desmantelamento do sistema de previdência
pública baseado no insustentável
sistema de “repartição
simples“, desta forma estimulando o desenvolvimento de sistemas privados
baseados na poupança e na capitalização, os quais os imigrantes adquiririam na
condição de novos clientes.
O segundo princípio que deveria nortear os atuais processos migratórios é:
todos os imigrantes devem ser capazes de demonstrar que possuem meios
independentes para se sustentar; que não irão ser um fardo para as instituições
de caridade ou para os programas assistencialistas do estado; e, em geral, que
irão ser capazes de se manter pelo trabalho.
Em outras palavras, os imigrantes devem ser capazes de demonstrar que
eles aceitam fazer parte do grupo social que os está recebendo em troca de
ofertar sua mão-de-obra ou suas capacidades empreendedoriais.
Há várias maneiras de se colocar este princípio em prática, embora nenhuma
delas seja perfeita. Talvez a mais
apropriada seja pedir para que cada imigrante tenha, a todo e qualquer momento,
um nativo que garanta seus recursos econômicos, seja ao lhe fornecer um emprego
ou um contrato de emprego, ou ao atuar como o depositório de um determinado
volume de dinheiro. No caso de
refugiados, demonstrar que há uma instituição privada responsável por cuidar dele.
Logicamente, a flexibilidade de mercado requer que, durante períodos de
tempo razoáveis, trabalhadores estrangeiros tenham a chance de procurar um novo
emprego antes de serem repatriados para seus respectivos países de origem caso
sejam demitidos ou deixem seu emprego voluntariamente.
O terceiro essencial princípio ao qual todos os processos migratórios
deveriam estar sujeitos é: sob nenhuma circunstância, o direito de votar em eleições
deve ser rapidamente concedido a
imigrantes, uma vez que isso pode criar um risco de exploração política pelos
diferentes grupos de imigrantes envolvidos nos correspondentes fluxos migratórios.
Aqueles que emigram devem estar cientes do que estão fazendo ao se mudarem
para um novo país e para um novo ambiente cultural onde supostamente irão melhorar
suas condições de vida. Sendo assim, a imigração
não deveria dar a eles o direito de utilizar o mecanismo da coerção política (representada
pelo voto democrático) para fomentar medidas de redistribuição de renda ao seu
favor ou para modificar os processos espontâneos dos mercados nacionais nos
quais eles estão entrando.
É verdade que, à medida que o processo de desmembramento das nações em
estados cada vez menores for se intensificando, o direito de votar e as eleições
políticas irão gradualmente perder importância, e serão, na prática, substituídos
pelo ato de “votar com os pés” — ou seja, pelo fluxo migratório saindo de áreas
consideradas pouco favoráveis ao capital, ao trabalho e ao investimento e indo
para áreas consideradas mais favoráveis.
Entretanto, continua sendo verdade que, enquanto esse processo de descentralização
não estiver avançado, a concessão automática de direitos políticos para
emigrantes pode se tornar uma verdadeira bomba-relógio que será usada por
maiorias circunstanciais para destruir o mercado, a cultura e a linguagem de
cada país.
Sendo assim, a proposta é que, somente após um longo período de tempo,
quando se considerar na prática que os imigrantes já absorveram completamente
os princípios culturais da sociedade que os recebeu, a concessão de cidadania,
inclusive os concomitantes direitos políticos e eleitorais, pode ser
considerada. O princípio estabelecido
pela União Européia de que todos os imigrantes estrangeiros podem votar nas eleições
do município em que residem não pode ser aceito. Somente quando tais residentes estiverem
vivendo no novo país por um número mínimo de anos e já tiverem adquirido
direitos de propriedade no município em questão (casas ou outros imóveis) seria
justificável conceder a eles o direito ao voto.
Finalmente, em quarto e último, o mais importante princípio que sempre
deveria ser obedecido nos fluxos emigratórios e imigratórios é: todos os
imigrantes devem, a todo e qualquer momento, respeitar as leis do país, principalmente
as leis criminais, independentemente de raça e credo. Especificamente, eles deveriam, de maneira
escrupulosa, respeitar todos os direitos de propriedade já estabelecidos na
sociedade que os recebe. Qualquer violação
desses direitos deveria ser punida, não somente com as penalidades previstas no
código penal, mas também com a expatriação (definitiva na maioria dos casos) do
imigrante em questão.
Já testemunhamos como os mais visíveis problemas gerados pela imigração surgem
do fato de que não há definição ou defesa clara dos direitos de propriedade dos
nativos — como ocorre quando os imigrantes ocupam terrenos que são propriedade
de terceiros, fecham ruas,
e passam a viver utilizando benesses estatais –, o que significa que os
imigrantes que chegam ao país frequentemente geram significativos custos
externos para os cidadãos nativos, o que leva ao surgimento de vários surtos de
xenofobia e violência que impõem um alto custo social e tende a gerar
resultados jurídicos e políticos cujo preço é normalmente pago pelos inocentes.
Esses conflitos seriam minimizados em proporção ao grau em que a definição e
a defesa dos direitos de propriedade se tornarem crescentemente efetivos e
serem ampliados para incluir recursos (ruas, praças, praias e terras) que
atualmente são considerados públicos e, portanto, livremente acessíveis a
todos. Um dos problemas mais evidentes
dessa ausência de direitos de propriedade sobre bens públicos é o aumento do
número de mendigos e moradores de ruas constituídos por imigrantes nos países europeus. Logicamente, enquanto não houver a privatização total
desses bens públicos, o uso deles deve ser regulado para evitar esse tipo de ocupação
em massa.
[1] O
próprio Murray N. Rothbard conta como se tornou ciente do problema gerado pela
imigração forçada em nível internacional: “Comecei a repensar minha visão sobre
imigração quando, após o colapso da União Soviética, vários russos foram
encorajados a emigrar para a Estônia e para a Letônia com o intuito de destruir
a cultura e o idioma dessas pessoas” Murray N. Rothbard “Nations
by Consent: Decomposing the Nation-state”, Journal of Libertarian Studies,
Volume 11, 1994, p. 7.
[2] Deve
ser ressaltado, no entanto, que a revolução tecnológica na área da informática
(principalmente em decorrência da internet) está fazendo com que os movimentos
geográficos sejam cada vez mais desnecessários para se alcançar os objetivos
almejados pela ação humana.
[3] É
possível imaginarmos várias soluções empreendedoriais que surgiriam
espontaneamente ao simplesmente observarmos, para fins de comparação, como
foram solucionados todos aqueles grandes problemas que outrora foram gerados
por um grande fluxo de turistas, fenômeno esse que hoje é extremamente comum ao
redor do mundo.
O desenvolvimento dos meios de transporte, a criação
de linhas aéreas, a construção de hotéis, o surgimento das indústrias de
turismo e lazer, a proliferação de agências de viagem e de todos os tipos de
intermediários que organizam e garantem as viagens do início ao fim — todas
essas são instituições que, em um campo muito mais vasto (qualquer movimentação
feita em transporte privado), surgiriam em um arranjo anarcocapitalista. Vale lembrar que o volume de viagens com fins
turísticos ou de negócios é enorme. Por
exemplo, meu país, a Espanha, recebe mais de 40 milhões de turistas anualmente,
um valor maior do que o número de habitantes do país.
Leandro,
Agradeço pelo retorno! Estava aguardando a manhã inteira pelo artigo sobre o assunto.
Agora uma pergunta: acreditas que essa entrada em massa na Europa, de pessoas fugindo e outras simplesmente se infiltrando, poderá abalar a economia da Zona do Euro, bem como afetar a moeda?
Gostei do artigo.
Principalmente da proposta de imigrantes não serem permitidos a usar serviços públicos mas também não serem obrigados a custeá-la…
Seria uma vitória para a liberdade além de acabar com o monopólio estatal de tais serviços…
Em um cenário assim…
Posso me tornar imigrante? 🙂
Excelente texto, totalmente livre de retóricas e falácias.
O autor só foi bem generoso no parágrafo citado abaixo:
“Para certos grupos de imigrantes, mesmo que eles representem uma minoria, basta que em seus cálculos mentais eles se considerem subsidiados — isso já servirá para gerar um perverso efeito de estímulo artificial à imigração, em detrimento dos cidadãos do país hospedeiro.”
Eu morei 6 meses na Alemanha e o que mais vi foram vagabundos estrangeiros parasitando o estado alemão. Conversei com nativos e eles confirmaram a minha hipótese; tem muito imigrante vagabundo na Alemanha parasitando o estado, aliás, tem na Europa inteira.
A maioria dos imigrantes africanos, muçulmanos vão para lá para parasitar o estado, estes recebem casa, comida, dinheiro, etc… E não retornam nada. Isso gerou a xenofobia que está cada dia mais forte na Europa.
Pois é, o estado cria problemas para depois alegar ser o único capaz de resolvê-los.
Finalmente um artigo sobre imigração!
Imigração sempre é algo positivo para uma nação.
Alguém que toma a iniciativa de mudar de um país e arriscar uma nova vida não é alguém com perfil de um parasita. Um imigrante, em geral, são trabalhadores e com enorme potencial ao empreendedorismo, e dificilmente ficam reclamando algo do estado (até porque eles fugiram de algo pior).
O que prejudica a integração dos imigrantes são as atuais políticas distributivas e os direitos trabalhistas. Geralmente o problema não se dará com o imigrante, mas sim com seus filhos, que muitas vezes não carregam os valores dos pais e sofrem para arrumar um emprego, e por consequência, acabam preferindo viver da esmola estatal ou do crime.
Portanto, a primeira regra à qual os imigrantes deveriam estar sujeitos é: imigrantes não devem ter direito a qualquer benefício estatal (nem saúde pública, nem educação pública, nem previdência pública e nem programas de transferência de renda). Isso irá impedir que determinados grupos oportunistas se aproveitem do sistema e se beneficiem com subsídios financiados pelos impostos dos nativos. A segunda regra à qual os imigrantes deveriam estar sujeitos é: são isentos de pagar a Previdência Social (à qual não têm direito) e, com isso, estão livres para recorrer aos serviços privados de saúde, educação e previdência.
Qualquer pessoa sensata iria querer ser imigrante nesse contexto. Seria injusto não dar a opção de tratamento equivalente aos nativos. Mas se os serviços estatais forem opcionais, obviamente que pessoas produtivas vão optar por não usá-los, e todo o sistema assistencialista quebraria.
Seria ótimo, mas não espere muito apoio dos estatistas… a distribuição forçada de renda é essencial para eles.
Não tenho nada contra indivíduos honestos migrarem de um local para outro e também sou contra o Estado forçar que pessoas mudem de um local para outro. Isto, inclusive, foi feito em larga escala pelas ditaduras socialistas/comunistas do século XX.
Existe apenas um problema, é que nem todos são honestos, mas isto não é uma coisa que pode ser identificada olhando apenas o passaporte. Já há vários casos de imigrantes muçulmanos que entraram na Europa e que agora estão fazendo terrorismo.
Houve também casos durante a guerra fria que a Alemanha Oriental infiltrava agentes na Alemanha Ocidental.
É um tema complicado, mas será que vale a pena um país abrir suas fronteiras para qualquer um entrar?
Apesar de tudo, no Brasil entra qualquer indivíduo sem qualificação e sabe-se lá com que intenção.
Bom, essa imigração em massa subsidiada pelo governo é um problemão!
É aquela coisa, “intervenção governamental gera distorções”. E é isso o que está para acontecer nos países europeus.
Uma migração natural é aquela em que o indivíduo quer se mudar para outro país/região com o intuito de melhorar sua vida (seja financeiramente, culturalmente ou em questão de segurança). Para que seu plano dê certo, é preciso que haja uma preparação, como aprender o idioma, história, “cultura comum” e modos de viver do país a que se deseja viver, além de também se preparar acumulando capital (para sobreviver nos meses iniciais) e profissionalmente (se possível, com cursos ou alguma especialização).
Nesse tipo de migração, o sujeito vai ter que se adaptar a nova nação (até para poder conseguir emprego e tocar a vida), para isso, torna-se necessário uma convivência e uma aculturação por parte do indivíduo migrante, é preciso que ele entenda que será uma espécie de “neo-nativo”, caso queira ter sucesso no novo país.
E, claro, isso só é possível quando o país desejado (para emigrar) tem um livre mercado (ou, realisticamente, um mercado pouco regulado e pouco espoliado) “aliado” (não no sentido de parceiros, mas no sentido de ocorrer paralelamente) a um estado não assistencialista. Num país desse porte, as pessoas vão ter que se manter por suas contas (ou através das ajudas das famílias), e com o imigrante não será diferente, ele vai ter que ser um indivíduo que trabalhará e construirá sua vida sem problemas com terceiros, e até mesmo vai incorporar a cultura local, a fim de se tornar “aceito pelo grupo”.
O que os governos europeus estão fazendo é pura sacanagem com a população nativa, estão distorcendo tudo. Vão trazer pessoas que não têm perfil de “bom imigrante” (o indivíduo que se prepara para o novo país), e as consequências vão ser as que foram apontadas pelo artigo.
Sensacional o artigo.
Jesus Huerta é muito fera. A forma como ele conduz o texto e expõe as ideias, construindo o argumento a partir de diferentes cenários, é genial.
Leandro,
Se me permite, gostaria de sugerir um artigo sobre o rebaixamento brasileiro, da perda do grau de investimento e as consequencias que isso trará para a keynesiana economia brasileira. E quais as atitudes defensivas a serem tomadas nesse contexto.
Engraçado,os sindicatos,a mídia e outros intelectuais vivem reclamando que há trabalho escravo e que o trabalhador sem carteira assinada é explorado e blá-blá-blá.Mas ensinar com a mesma veemência que o trabalhador ao poupar boa parte de seu salário e com isso formar um patrimônio e um colchão de liquidez em tempos de crise e até mesmo tirar umas férias por vontade própria ao largar o emprego e curtir a vida por um tempo,ter mais lazer e paz e também em caso de guerra igual a que os sirios estão enfrentando poder com esse dinheiro (acumulado por anos de trabalho e suor)fugir com dignidade afinal só quem tem dinheiro é bem recebido em terras estrangeiras e estes mesmos imigrantes não estariam passando por estas humilhações e sofrimentos enquanto refugiados haja vista que os mesmos só recebem todas essas benesses dos governos assistencialistas europeus se estiverem dentro da cota estabelecida pois do contrário são deportados feito cachorro sem dono pois todos sabemos que estados assistencialistas são bonzinhos enquanto tiverem recursos para tanto pois do contrário se tornam malvados igual os estados falidos do outrora terceiro mundo.
OBS:Os judeus foram expulsos de suas terras no século um DC e viveram perseguidos e humilhados na europa cristã e nem por isso baixaram a cabeça,pois eles aprenderam que poupando eles sempre teriam recursos para fugir e se estabelecer em novas terras.Este povo abençoado por Deus tem muito a ensinar a todos nós pois numca se colocaram como vítima,coitadinho,refugiado e o holocausto nazista foi uma maldade sem tamanho que fizeram com eles e mesmo assim eles continuam de pé sem ficar choramingando indenizações(que teriam direito pois foram confiscadas suas propriedades) dos alemães e eu não sou judeu mas tenho amor e admiração por esse povo maravilhoso,trabalhador,honesto e poupadores,um exemplo de fé,persistência,dignidade e fervor para todos os povos da terra.
Já fazia falta um artigo sobre imigração,texto simplesmente genial,tão genial que expande a mente até lugares nunca antes visitados.
Ainda falando sobre a crise síria como vocês se posicionam em relação ao estado islâmico,devem ser combatidos ou não?
O maior problema sera como lidar com os infiltrados, extremistas islâmicos, comunistas e afins… Barreiras de imigração tbm são feitas para segurança vide EUA pós 11 de setembro.
Vcs estão dormindo no ponto ao não falarem do downgrade.
Aprovo e concordo com o texto, só que tem o seguinte, quando o Hoppe diz que
O governo ficará sem recursos e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias. Quanto menor o país, maior a pressão para que ele adote um genuíno livre comércio e maior será a oposição a medidas protecionistas., ele parte do princípio que a reação do governo aos desastres causados pelas suas intervenções será racional e prudente – e NUNCA será. Nunca.
Quando o governo ficar sem recursos ele sempre vai achar uma forma nova de espoliar, de regular e intervir. E nós que temos a infelicidade de termos nascido no Brasil sabemos que a criatividade dos burocratas é ilimitada quando se trata de agredir e vilipendiar.
Além disso, quando tudo o mais falhar, é muito fácil culpar uma crise internacional(mesmo que não exista nenhuma), a imprensa golpista, o governo anterior, as medidas de austeridade(mesmo que o gasto do governo só aumente) ou qualquer outra coisa. Nem a lei de responsabilidade fiscal é seguida aqui – nem o mínimo do mínimo da prudência na gestão das contas públicas, que está expresso de forma categórica em lei é observado.
Eu não vejo absolutamente nada no atual arranjo que vá fazer com que o Estado e seus burocratas prestem contas pelos seus descalabros e muito menos sejam induzidos ou forçados a agir na direção da liberdade, independente do tamanho do caos que tenham gerado.
Excelente texto!
Realista e bem argumentado.
A livre circulação de pessoas é boa e natural, mas aumento de gastos…
É lindo ver a generosidade da esquerda, quando dizem que os imigrantes sirios, haitianos, etc, tem de ser acolhidos com todo o amor e carinho em qualquer país. A esquerda realmente me cativa com tanto amor pelo ser humano.
Pena eles não aplicarem esse mesmo discurso quando se trata de bens vindos de fora produzidos por esses mesmos imigrantes que eles tanto defendem. Nesse caso, o estado pode e deve fazer de tudo pra impedir que o mundo transacione e compre os produtos produzidos pelos pobres de outros países.
O caso das imigrações para a Europa – nenhum país árabe enriquecidos recebeu nenhum deles até agora, como Qatar, A Saudita etc.; a meu ver, tem finalidade de infiltrar os muçulmanos para ocupar pacificamente o continente europeu, visando futura dominação, já que os filhotes do instigador de ódios Alcorão e da deusa da lua Alah são “politicamente corretos”!
Sem contar os guerrilheiros do ISIS e doutros grupos “refugiados”!
Não são também aliados dos tais quais totalitaristas comunistas, e não já declararam sem rodeios que querem dominar o mundo e exterminar os cristãos?
Eles não se adaptam a povo algum: formam guetos e depois querem expulsar os anfitriões!
Vejam o inferno que está a convulsionada França: 71,4% das prisões por crimes diversos são do Islã e na Inglaterra têm quarteirões sob a sharia!
Dentre mais, confiram apenas uma sura do Alcorão de um deus do mesmo nível de Baal, Moloc, Thor, Satã, tanto faz:
“O castigo, para aqueles que lutam contra Alá e contra o seu mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.”
Alcorão, Surata 5,33.
… Logo infundirei o terror nos corações dos incrédulos; decapitai-os e decepai-lhes os dedos! Sura 8,12.
Quem recebe imigrantes desse naipe não condena à morte seus pósteros?
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O que o artigo não levou em consideração foi a forma como os imigrantes muçulmanos se comportam nos países que os acolhem.
Eles não se integram à cultura local, formam suas próprias comunidades onde mantém os costumes originais e ainda tentam a todo custo impor as suas leis (Sharia) ao resto da população. Tomem por base os problemas enfrentados pela França com os véus muçulmanos e burcas, e mais recentemente a Inglaterra onde existem bairros controlados pelos muçulmanos onde a polícia não entra, mulheres são forçadas a usar véu e ladrões têm as mãos decepadas.
Na primeira nota do presente artigo é mencionado um estudo do Rothbard acerca do problema da imigração. Como achei a leitura muito interessante e atual, resolvi traduzir a parte desse estudo cujo trecho citado foi extraído e, aproveitando a oportunidade, tomo a liberdade de apresentá-lo:
Fronteiras Abertas, ou o Problema do Campo dos Santos
A questão das fronteiras abertas, ou livre imigração, tornou-se um problema premente para os liberais clássicos. Isso se dá, primeiramente, porque o estado de bem-estar social crescentemente aumenta os subsídios aos imigrantes para entrar e receber auxílio permanente e, em segundo lugar, porque as fronteiras culturais têm se tornado cada vez mais inundadas. Eu comecei a repensar minhas idéias sobre imigração quando, à época do colapso da União Soviética, tornou-se claro que as pessoas de etnia russa foram encorajadas a afluir para Estônia e Letônia a fim de destruir as culturas e línguas desses povos. Anteriormente teria sido fácil descartar como irrealista o romance anti-imigração de Jean Raspail intitulado ‘O Campo dos Santos’, no qual praticamente a totalidade da população da Índia decide se mudar, em pequenos barcos, para a França, e os franceses, infectados pela ideologia esquerdista, não se dispuseram a evitar a destruição econômica e cultural nacionais. À medida em que os problemas do estado de bem-estar social têm se intensificado, tornou-se impossível continuar descartando as preocupações de Raspail.
Entretanto, pensando a imigração à base do modelo anarcocapitalista, tornou-se claro para mim que um país totalmente privatizado não teria ‘fronteiras abertas’ de modo algum. Se cada pedaço de terra num país fosse de propriedade de cada pessoa, grupo, ou companhia, isso significaria que nenhum imigrante poderia entrar lá a menos que fosse convidado a entrar ou a ele fosse permitido alugar ou comprar propriedades. Um país totalmente privatizado iria ser tão ‘fechado’ quanto os habitantes particulares e donos dos imóveis desejassem. Parece claro, então, que o regime de fronteiras abertas que existe de fato nos EUA realmente equivale a uma abertura compulsória pelo estado central, o mesmo estado encarregado de todas as ruas e áreas públicas, o que não reflete genuinamente os desejos dos proprietários.
Sob total privatização, muitos conflitos locais e problemas de ‘externalidade’ – não apenas o problema imigratório – seriam apropriadamente resolvidos. Com cada local e vizinhança pertencentes a empresas privadas, companhias, ou comunidades contratuais, a verdadeira diversidade iria reinar, de acordo com as preferências de cada comunidade. Algumas vizinhanças seriam étnica ou economicamente diversificadas, enquanto outras seriam étnica ou economicamente homogêneas. Algumas localidades iriam permitir ou pornografia, ou prostituição, ou drogas, ou abortos, enquanto outras iriam permitir nenhuma ou todas essas atividades. As proibições não seriam impostas pelo estado, mas iriam simplesmente ser requisitos para residência ou uso de alguma área pertencente a uma pessoa ou comunidade. Os estatistas, que têm comichões para impor seus valores sobre todo mundo, iriam ficar desapontados, enquanto que cada grupo de interesse iria ao menos ter a satisfação de viver em vizinhanças nas quais as pessoas compartilham de seus valores e preferências. Embora a propriedade sobre a vizinhança não iria proporcionar a Utopia ou uma panacéia para todos os conflitos, iria ao menos proporcionar uma ‘segunda melhor’ solução com a qual a maioria das pessoas poderia conviver.
Eu sou a favor da livre migração e emigração, mas não de terroristas! Tenho pena pelas crianças e as mulheres, mas é claro que no meio existem extremistas.
Se bem que no islã é difícil de falar em extremismo: como posso considerar alguém que se explode um extremista e alguém que enterra uma mulher até o pescoço e joga pedras na cabeça dela como um moderado?
Às vezes eu acho que libertários são um pouco ingênuos, acreditam na bondade infinita do ser humano tipo os esquerdistas ruousseaunianos.
O capítulo VII deste livro (http://www.mises.org.br/Product.aspx?product=84), do qual sou o orgulhoso tradutor, aborda o assunto analisado com excelência por Huerta de Soto neste texto.
Infelizmente, a descivilização está tomando conta do mundo…
O IMB, de longe, é a maior instituição cultural que já existiu no Brasil.
Amplexos!
A crise na Síria é produto da perda do PT nas articulações internacionais. Desde os 7×1 comprados pelo capital internacional e ostentados pelas relações exteriores de Israel, o Brasil perdeu seu protagonismo no Oriente Médio e assim, toda a humanidade saiu perdendo. Lembrar-vos-ei que Lula, o maior sindicalista da história do país, nos salvou de uma guerra nuclear ao defender o direito do Irã de desenvolver armas atômicas frente ao imperialismo estadunidense. Se o PT ainda tivesse voz, ele estaria apelando à humanidade e ao entendimento cultural das necessidades do povo sírio de abrigo, comida, educação (no idioma deles) e saúde permanentemente pagas pelos opressores alemães.
Hoje, resta a ele somente dar presságios animadores sobre seu retorno à política nacional – e consequentemente, à economia brasileira.
Queremos o torneiro de novo com a força do povo. Coxinha quer miséria aqui e Disney em Miami, é ele quem devia estar se afogando tentando fugir da bomba de IR. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
#VoltaLula
Beleza, agora já que o assunto é terrorismo seria ótimo se o IMB fosse além do óbvio e traduzisse um artigo sobre como o estado americano ajudou a criar o ISIS
Bobagem. A Terra precisa de um controle populacional severo: HÁ GENTE DEMAIS. É preciso controlar os nascimentos ou morrerão muitas pessoas. O estoque de recursos é limitado.
Estou procurando emprego. Algum liberal aqui oferecendo emprego?
Sou da opinião que os imigrantes buscam uma economia aquecida, para um minimo de vida digna. A questao do welfare state ajuda secundariamente.
Creio que os europeus resisitirao à ideia de criar uma subcategoria de cidadãos.
Como os alemaes sao bons de conta, cortaram o assistencialismo. (Quero crer nisso…)
E seria mais interessante mandar diplomatas la para Beirute para selecionar sirios com reserva financeira razoavel, que possam comprar terrenos e se sustentar por um tempo.
Ademais, defendo o direito de quem fazer caridade espontanea diretamente que o faça.
Este sr resume em 1 minuto a situação.
Acredito que cotas de refugiados seja uma dívida de guerra da Alemanha com a Rússia.
Alemanha vai dar abrigo a 800 mil Sírios, e a Síria esta sobre uma tutela da Rússia.
Uma pergunta bem breve : como ficaria hipoteticamente a situação do refugiado ou mesmo do asilado?Haveria espaço para requerer refúgio ou asilo?Na atual situação o refúgio não pode ser negado.A figura da extradição e deportação se operaria como?
O mundo é muito mais complexo do que imaginamos.
Imigração é algo muito mais complexo do imaginamos. E a atual imigração na Europa é muito mais complexa do que foi a imigração dos seculos XIX e XX para os EUA,Brasil,Argentina.
No seu artigo! Jesús Huerta de Soto simplificou muito as coisas. Mostrou a atual imigração para a Europa como algo muito menos complexo do que realmente é.
Felizmente os leitores lembraram que as coisas são muito mais complicadas do que diz o artigo de Jesús Huerta de Soto.
O artigo não levou em consideração a imigração muçulmana e os perigos da religião islâmica como bem lembrou o leitor Marco. Disse ele : “Dentre mais, confiram apenas uma sura do Alcorão de um deus do mesmo nível de Baal, Moloc, Thor, Satã, tanto faz:
“O castigo, para aqueles que lutam contra Alá e contra o seu mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.”
Alcorão, Surata 5,33.
… Logo infundirei o terror nos corações dos incrédulos; decapitai-os e decepai-lhes os dedos! Sura 8,12.
Quem recebe imigrantes desse naipe não condena à morte seus pósteros? “
Também quero lembrar de outro fato não levado em consideração pelo artigo de Jesús Horta que é a baixíssima taxa de natalidade da Europa. A Europa corre o perigo de ter sua população grandemente reduzida neste século. As mulheres europeias não querem saber de ter filhos preocupam mais com a carreiras. br.wsj.com/articles/SB10001424127887324081704578232092437741164
Para resolver o problema da imigração da Europa a primeira coisa a fazer é saber o tanto do que ele é complexo . Não dá para comparar com as imigrações nos EUA e Brasil nos séculos XIX E XX, imigração do campo para a cidade,do nordeste para São Paulo,etc que eram muito menos complexas. Imigração é coisa complicadíssima no mundo de hoje.
Jesús Horta quer falar realmente da imigração deveria escrever os artigos 1,2,3,4,5…….. e não simplificar as coisas. Cuidado as Ideologias simplificam muito o mundo como disse Cherteston.
Quer dizer que se eu for para os EUA ou Canadá e trabalhar ilegalmente por lá, vocês vão achar isso “normal” ou “justo”? Onde é que vocês estão com a cabeça que não respeitam as leis dos países?
Vejam só a sensacional idéia que os vagabundos esquerdistas da Finlândia tiveram. Parece que esses caras dormem e acordam pensando somente em qual maldade eles vão praticar no dia seguinte:
noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2015/09/17/finlandia-ira-aumentar-impostos-de-ricos-para-abrigar-mais-refugiados.htm
É claro que os árabes além de destruir e perverter a cultura e sociedade alheias, também precisam de suporte financeiro dos finlandeses produtivos, pois sua única razão de existir quando não estão praticando terrorismo e espalhando selvageria é rezar para Alá e entupir o mundo de filhos, portanto não sobra tempo nenhum para eles trabalharem…
Líder do ISIS admite ser financiado pelos EUA
http://www.globalresearch.ca/isis-leader-admits-to-being-funded-by-the-us/5476728
Boa tarde.
Logo nas primeiras linhas deste artigo, me ocorreu uma dúvida.
Pelo que entendi, os libertários acham que as fronteiras territoriais (meros limites políticos imaginários) não devem existir pois este restringe a livre circulação dos indivíduos entre os países, coibindo os livres acordos, a troca de propriedades voluntárias etc. Ou seja, essas mesmas linhas políticas imaginárias são intervenções estatais que podam as liberdades individuais de indivíduos interessados em expandir, começar ou recomeçar atividades em outros países.
Porém, esbarramos num problema social. Se os muçulmanos, sabidamente ansiosos por uma oportunidade de expandir o alcance de seus costumes, de sua cultura e, acima de tudo, do seu modelo de Estado teocrático, pudessem circular e se instalar livremente entre os países, isso não causaria (ou aceleraria) danos na identidade e na cultura dos povos receptivos a médio e longo prazos?
Por exemplo, o que está acontecendo na Suíça, onde grupos pedem a remoção da cruz da bandeira nacional com o argumento de que o símbolo desrespeita os imigrantes muçulmanos. Outro exemplo corrente: na Alemanha, os imigrantes estão agredindo mulheres por “estarem se mostrando muito” e exigindo blusas compridas para circulação em determinados locais. Ora, isso nunca foi costume em lugar nenhum da Europa, e os muçulmanos estão se fazendo de “minoria” para levantar a voz como portadores de direitos afirmativos.
Eu sei que os libertários são contrários a qualquer tipo de política afirmativa/assistencialista, mas esse não é o ponto do meu raciocínio. O fato é que pequenas comunidades muçulmanas são o bastante para desequilibrar a harmonia de uma sociedade de cultura ocidental (veja o caso de Paris, que tem quase todo o subúrbio tomado de muçulmanos locais).
Essa atitude de forçar uma mudança cultural na marra, coagindo e ocupando espaços onde não são desejados, não é uma intervenção de um grupo de indivíduos que permite coibir a liberdade dos demais? Como um libertário enxerga e elucidaria essa questão?
Paradoxo: Todas as verdadeiras soluções são muito difíceis justamente porque a maioria das pessoas só quer soluções fáceis (conseguir o que se quer sem trade-off).
welfare state + politicamente correto + imigração muçulmana descontrolada = tragédia anunciada.
* * *
Li o texto e observei algumas coisas: Primeiro: Que os Estados Unidos não mais existiriam. A Alemanha, Austrália, NZ e todos os países nórdicos que são exemplos globais de qualidade de vida e super desenvolvimento humano, econômico e social, também, iriam implodir! Israel?! Em hipótese alguma continuaria de pé, uma vez que seria imediatamente tomado por todas as nações árabes ao seu redor! Segundo: Imagina que, a Alemanha abra as suas fronteiras apenas para os chineses, certo?! Imediatamente um mar de chineses entrariam no país, e desse mar de chineses, tu pega 50 mil engenheiros chineses que ganham 20 dólares por hora e oferecem mão de obra no lugar de 50 mil engenheiros alemães que ganham 300 dólares por hora. Dito isso, um ano depois, a Alemanha abre as fronteiras para vietnamitas, e 50 mil engenheiros vietnamitas oferecem mão de obra por 5 dólares a hora (o que de fato, aconteceria). A quase perfeita social democracia alemã, conquistada a custo de muito sangue e suor, viria água a baixo em poucos anos, e seria inevitável o caos! Terceiro: Dado o possível nível inferior (creio eu) de qualificação dos engenheiros chineses e vietnamitas em relação aos engenheiros alemães, logo, grandes marcas como Porsche e BMW por exemplo, perderiam qualidade, mas talvez, aumentariam a lucratividade. Isso, sendo apenas em hipótese. Terceiro (essa não é hipótese): O liberal é absolutamente idêntico ao comunista em um aspecto: ambos são profundamente deslumbrados com um possível mundo de sonhos! O comunista, no seu mundo planificado, estatal. E o liberal, no seu mundo desregulamentado, ou seja, liberal. Quarto: As empresas, basicamente, nunca podem dar aumento, os empresários estão sempre reduzindo os seus custos, e historicamente todas as conquistas dos trabalhadores em todo o mundo, vieram de lutas que inclusive foram precedidas de morte e tudo o que é tipo de covardia e violência por parte de quem domina o poder financeiro! Os liberais falam do Estado vilão! E os comunistas do empresário vilão! Ou seja, o sujo falando do mal lavado! Os tais “acordos voluntários”, lindos e coloridos na cabeça dos liberais, não levam (nunca levam, jamais levam) em conta a situação das partes. Dado o fato de que o empresário (principalmente o grande) jamais pode dar qualquer tipo de aumento ou benefício há não ser com muita insistência ou paralisações por parte dos empregados, não seria incomum ver (assim como não é) os empresários pagando uma miséria para trabalhadores comuns, ou até mesmo para trabalhadores altamente qualificados, uma vez que não existiria nenhuma regulação ou sindicato. E por fim, falando em mercado, a lógica é muito simples: a fatia dos dividendos para os acionistas, a maioria já milionários ou bilionários, precisa ser cada vez maior, uma vez que eles querem lucrar, e com razão, pois investiram. A grande sacada é que os sindicatos são (e de fato, quase sempre são vilões) considerados os vilões pelos liberais, ok?! Sabemos que não são santos, mas por vezes ajudam os trabalhadores (talvez no Brasil, não muito, sei lá). Porém, o conselho administrativo e os acionistas de grandes empresas que miram unica e exclusivamente o corte de custos, de salários e de benefícios dos caras que geram toda a riqueza das empresas, ou seja, os funcionários, não são vistos como vilões, mas em partes, são sim e muito. Liberais dizem categoricamente: “No livre mercado, ninguém bota uma arma na tua cabeça e te obriga a trabalhar em determinado lugar”! Em partes, estão corretos! E em outra parte, estão muito errados! A arma existe e ela é, mais do que a mão do mercado: invisível! A arma é invisível! É o prato de comida na mesa, as contas que nunca param de chegar, o filho que precisa comer, vestir, estudar, acordar e dormir. É a esposa doente que não pode trabalhar, é a desqualificação e a situação que, muitas vezes, durante uma vida inteira, fez o cara ser apenas mais um na multidão e, praticamente, não ter meios para procurar bons empregos, qualidade de vida e etc., etc., etc! Enfim, sou contra tantas regulações e intervenções por parte do Estado na economia, mas agora, liberar, privatizar e desregulamentar tudo, como sugere o fantástico mundo dos liberais, aí é o caminho para barbárie. Lembrando sempre que: quem tem dinheiro, tem poder, então, como quem não tem dinheiro, não tem o poder, quem sabe daríamos início a uma nova era de escravidão e servidão global. E quem sabe (com certeza), uma vez que poucas pessoas (em relação a totalidade) ascendem ao poder financeiro, essas poucas pessoas ricas, livres, sem sindicatos, sem regulamentações, enfim, livres como sugerem os liberais, nos colocariam de novo, na condição de dominação e subserviência total, assim como fizeram em mais 400 anos de escravidão. Posso estar muito errado, mas esta é a minha observação hoje. E olha, dando-se os fatos históricos globais, não sei se estou tão errado assim.
Muito linda a teoria, ineficaz na prática, pois desconsidera os impactos culturais causados pela imigração desenfreada.
O que fazer como a crescente ocupação da Europa por imigrantes inseridos numa cultura liberticida? Ou os libertários acreditam que a liberdade econômica desconectada da base religiosa-filosófica da qual se origina, será capaz de resistir as pretensões totalitárias do islã?
“Extinção das fronteiras ” é totalmente contraditório com as premissas libertárias: Vida / Liberdade / Propriedade.
O que estamos assistindo na prática na Europa é um brutal choque de culturas onde os imigrantes impõe, aos cidadãos que o acolheram (por determinação coercitiva do Estado), sua cultura e seus costumes que ferem e destoem principalmente a Liberdade.
Esses imigrantes, em sua maioria por questões de ordem religiosa, estão colocando a integridade física e a vida dos cidadãos locais em constante perigo, rejeitando de forma intolerante os costumes e tradições de quem os acolheu.
Para mim é uma temeridade, é o mesmo que morar num condomínimo com vários prédios e apartamentos, sendo todos eles desprovidos de porta ou fechadura, impondo a livre circulação dos condôminos entre todos os imóveis quando bem entenderem.
Jesús é foda! Evidentemente foi crucificado por keynesianos-troskos.
Não levam em consideração que para os muçulmanos a motivação não é apenas a economia e o welfare state. Esse povo acha que quando aplicarem a sharia na Terra toda será o paraíso na Terra e o tal do madhi vai vir reinar a Terra.
E impor a sharia é diametralmente oposto a liberdade. Quando os libertários se tocarem já vão estar usando burca.
Ao ignorar as razões humanitárias e o amor ao próximo, na atenção a refugiados, mas o autor do texto se apequena.
Donald Trump é bem mais claro, direto, conciso, sincero e corajoso do que Jesús Huerta de Soto e faz uma pergunta que esse autor liberal-fundamentalista deixa sem resposta: “Por que receber imigrantes dos países de merda?”.
Acho muito delicado esse assunto sobre imigração. Se deixarmos isso por conta dos progressistas aí virará bagunça igual está acontecendo com a Europa, que esta um caos, exemplo a tão “invejada” França.
Eu já sou mais radical do que todos que comentaram aí, inclusive até mais radical do que o próprio Hoppe nas suas propostas. Pra mim o imigrante só deveria migrar para o país que almeja se demonstrasse conhecimento da cultura e da língua desse país. Por que isso, Rip? Simplesmente pelo fato de que uma pessoa que estuda tal língua e cultura, normalmente a faz por gostar daquela cultura e país, por se identificar com a mesma. Exceto o idioma inglês foge à regra, porque nesse caso a grande maioria estuda mais por questões profissionais do que por paixão semântica na língua e na cultura do país. Ninguém vai estudar tcheco ou japonês se não gostar da cultura, é fato! Se tivesse um crivo desse tipo: língua e cultura do país (história, comportamento, variedades…) em testes aplicados, já iria ferrar com uns 99% desses imigrantes, o crivo tem que ser por meritocracia, uma prova de seleção mesmo. Escolher levando em consideração o Estado que maior benesse oferece, é oportunismo, exploração, malandragem da pior espécie.
Engraçado que a defesa da livre imigração,sempre é no sentido países pobres para países ricos e ocidentais.Não vejo ninguém defendendo a livre circulação de pessoas para países africanos,árabes,ou asiáticos.Quer todo mundo vir pro ocidente.Multiculturalismo forçado eu sou contra.
Brasil não é mais um país de imigrantes
12/02/2022
O brutal assassinato de Moïse Kabagambe na orla carioca, entre outras reverberações, nos força a repensar a autoimagem que temos sobre o Brasil. Sempre nos vimos como um país de imigrantes, receptivo à maioria dos estrangeiros. Mas a realidade é que já não somos um país de imigrantes e nem sempre fomos receptivos a todos os que vêm para cá.
É verdade que, historicamente, o Brasil recebeu levas de imigrantes portugueses, italianos, japoneses e sírio-libaneses, dentre outros; bem como de africanos trazidos em cativeiro para aqui. Mas, hoje em dia, nascidos no estrangeiro que vivem no Brasil são cada vez mais raros.
Os dados do Censo ajudam a ilustrar. Em 1900, pico da série histórica, 1 em cada 14 residentes no Brasil era nascido no exterior. Em 2010, apenas 1 em cada 340 residentes no Brasil era nascido no estrangeiro.
A título de comparação, segundo os dados mais recentes, 1 a cada 7 residentes dos Estados Unidos nasceram fora do país. Enquanto os Estados Unidos continuou a ser um país que recebe um fluxo constante de imigrantes, no Brasil isso parou de ocorrer no começo do século XX.
Outro fato é que nossa relação com imigrantes nem sempre foi pacífica. Para além do cativeiro dos negros escravizados, a política migratória brasileira já foi abertamente racista.
Em agosto de 1945, o ditador Getúlio Vargas assinou um decreto-lei eugenista. Diz o texto: "atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver na composição étnica da população as características mais convenientes da sua ascendência europeia."
Pense nisso: este país, que a maioria de nós considera receptivo para estrangeiros que aqui vêm, já colocou numa lei que imigrante bom é imigrante branco, de "ascendência europeia". Talvez o Brasil de fato seja receptivo ao europeu, americano ou argentino que gasta dinheiro para passar férias em Copacabana. Para pretos e pardos, como Moïse, a história sempre foi bem diferente.
Mas, afinal, quais são os impactos de termos nos tornado um país fechado à imigração?
Esse tema poderia ser abordado de diversos ângulos, como o impacto da imigração sobre a cultura, a culinária e o bem estar que isso proporciona aos nativos. Falando do que sei, vou focar nos impactos sobre a economia e as finanças públicas.
Imigrantes podem contribuir para o crescimento econômico. Eles aumentam a força de trabalho; contribuem com seu capital humano e inventividade; pagam impostos e gastam dinheiro na economia nacional; trazem novas variedades de bens a serem ofertadas para o consumidor local; e aumentam o produto total da economia.
Além disso, há um efeito demográfico. O perfil etário da população brasileira vem envelhecendo, com o número de adultos e idosos aos poucos superando o de jovens. Imigrantes recém-chegados tendem a ser mais novos, o que pode contribuir para o retardo do envelhecimento demográfico e de futuras reformas previdenciárias.
Mas será que eles vão "roubar empregos" dos brasileiros? As leis de oferta e demanda não garantem que um aumento da oferta de trabalhadores vai levar a uma queda dos salários ou a um aumento do desemprego? Não necessariamente. Mesmo em teoria, o resultado é ambíguo: imigrantes também aumentam a demanda por bens e serviços, o que leva a uma maior demanda por empregos.
Empiricamente, o trabalho de David Card, que ganhou o Nobel de Economia este ano, joga luz nessa questão. Ele analisou o seguinte experimento natural: em 1980, Cuba liberou a saída de nacionais do país. Em 6 meses, 125 mil cubanos chegaram nos EUA.
Esse evento aumentou a força de trabalho de Miami em 7%. Apesar dessa grande variação, Card não encontrou nenhum efeito sobre o nível de emprego ou salário dos nativos, dando apoio à tese de que os efeitos da imigração sobre oferta e demanda de trabalho se cancelam. Esse resultado gerou muito debate acadêmico. No último passo desse debate, os economistas Michael Clemens e Jennifer Hunt confirmaram os resultados originais com métodos modernos.
Nosso país de imigrantes já não é tão de imigrantes assim. Nem temos muito imigrantes, nem somos tão receptivos aos que vêm aqui tentar uma vida melhor. A tragédia de Moïse deveria fazer com que trabalhemos para que nossa realidade se aproxime mais daquilo que nós achamos que ela é: um país aberto e receptivo. Os ganhos econômicos associados a isso seriam só um bônus.
CARLOS GÓES, economista
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