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E se a Grécia sair do euro?

Sempre
que um país passa por problemas econômicos, surge um grupo de economistas
dizendo que tudo pode ser corrigido caso o governo simplesmente desvalorize a
moeda — isto é, deprecie sua taxa de câmbio.

Não obstante não seja possível
encontrar um só exemplo de país que tenha saído da pobreza e se tornado
próspero depreciando sua moeda em relação às outras, tal “solução” segue impavidamente em voga. A desvalorização da moeda é uma panacéia que ainda atrai muitos
“pensadores” e continua sendo uma ideia extremamente popular entre alguns
círculos de economistas.

Aproveitando
o momento, façamos um exercício mental para analisar as prováveis consequências
da desvalorização.  Vamos utilizar a
Grécia como exemplo.

Suponhamos
que a Grécia, que hoje faz parte da zona do euro, conseguisse de alguma forma
voltar a emitir um Novo Dracma, e que essa nova moeda se desvalorizasse rapidamente,
passando de um dracma por euro para dois dracmas por euro em um curto período
de tempo (um mês, talvez), o que representaria uma desvalorização de 50%.  

Vamos
também supor que o governo utilize seus poderes coercivos para estipular que todas as obrigações existentes em euro,
tais como títulos e contratos trabalhistas, para todas as pessoas e entidades
na Grécia, sejam unilateralmente convertidas em dracmas na relação de 1 dracma para 1 euro.

O
dracma agora é uma moeda independente e com câmbio flutuante, e sua taxa de
câmbio está relativamente estável perto de 2 dracmas por euro (uma taxa até
bastante otimista).

Sendo
assim, o valor total da dívida do governo da Grécia, em termos de euro, cai 50% (repetindo: a moeda se desvalorizou 50% em relação ao euro, mas todos os passivos foram convertidos de euro para dracma à taxa de 1 para 1).

Consequentemente, as dívidas de todos os outros devedores na
Grécia, tais como empresas, bancos e pessoas físicas, também são reduzidas em
50% em termos de euro.  (Se uma empresa
devia 100 milhões de euros, agora ela deve 100 milhões de dracmas.  Mas como 1 dracma vale 0,50 euro, 100 milhões
de dracmas são 50 milhões de euros.)

A
princípio, isso não é um grande benefício para os endividados gregos, dentre
eles o governo, pois a renda deles, denominada em dracmas desvalorizados,
também caiu 50% em valores de euro. 
Tanto a dívida quanto a receita tributária do governo foram
simultaneamente desvalorizadas, e o mesmo ocorre com os salários das pessoas e
suas dívidas. 

No
entanto, não vai demorar muito para que as receitas tributárias, as receitas
das empresas e os salários das pessoas comecem a subir (em termos nominais) em
decorrência tanto da inflação monetária que agora o governo grego poderá causar (ao sair do euro e adotar uma moeda própria, o governo está mais livre para inflacionar a moeda) quanto da grande inflação de preços que será causada pela desvalorização da moeda.

Como
consequência de tudo, os calotes nas dívidas diminuirão.  O declínio nos calotes irá permitir que os
bancos gregos, até então descapitalizados por causa de empréstimos ruins,
readquiram alguma saúde financeira.  Para
completar, os ativos estrangeiros dos bancos gregos (como títulos do governo
alemão ou empréstimos feitos a empresas italianas e espanholas) irão dobrar de
valor em termos de dracma, o que irá melhor seus balancetes consideravelmente.

Com
a redução dos calotes, as falências corporativas também irão diminuir, o que
significa menos desemprego.  Trabalhadores
gregos, cujos salários foram reduzidos à metade em termos de euro, agora estão
mais “competitivos” (isto é, recebem menos) que os de Portugal, Espanha e
Itália. 

Por
outro lado, as empresas gregas voltadas exclusivamente para o mercado interno não
usufruirão grandes benefícios, pois os trabalhadores gregos não serão capazes
de comprar muita coisa com seus salários desvalorizados.  Por causa da súbita desvalorização cambial, o poder de compra dos gregos despencou. O custo dos bens e serviços importados
dobrou, o que reduz ainda mais a renda disponível dos trabalhadores. Tudo o que foi produzido no país e que não foi consumido (pois a renda real da população caiu), será transformado em excedente exportável.

Aqueles
assalariados mais bem pagos da Alemanha e da Inglaterra, que querem escapar de
seus respectivos invernos e estão à procura de uma praia (ou mesmo de um local
barato para viver quando se aposentarem), trocarão a Espanha pela Grécia e
aproveitarão todas as ofertas sendo oferecidas em dracmas desvalorizados.

Sendo
assim, a Grécia vivenciará um forte aumento nos negócios e nas
contratações relacionadas ao turismo e, talvez, ao setor de exportação.  Por causa disso, a economia parecerá estar
melhorando, e as receitas tributárias do governo estarão aumentando, ao menos
em termos nominais de dracmas.  Os preços
ao consumidor subirão aproximadamente 20% no primeiro ano da desvalorização, e
os economistas aplaudirão efusivamente, pois a deflação de preços “foi superada”.

Principalmente
por ter começado com valores pequenos em decorrência da crise, a bolsa de
valores da Grécia irá disparar.  Mas ela
teria de subir pelo menos 100% apenas para se manter com o mesmo valor em
termos de euros.

Esse
cenário parece palatável, não?

Mas
há outros fenômenos ocorrendo.  O que
acontecerá com todos os bancos alemães e franceses que fizeram empréstimos para
empresas gregas?  O que acontecerá com
todos aqueles títulos do governo grego em posse dos bancos alemães?  Os títulos e os empréstimos agora valem
apenas 50% de seu valor de face em termos de euro.  Os bancos alemães e franceses terão de ser
socorridos, e milhões de correntistas alemães e franceses darão esse socorro
compulsório por meio de uma redução em suas contas bancárias (exatamente como ocorreu no Chipre).

Os
destinos turísticos na Espanha e no sul da Itália perderão clientes e, como
consequência dessa súbita perda de receitas, começarão a dar calotes em suas
dívidas.  As indústrias de cimento e
naval de outros países europeus não conseguirão concorrer contra as importações
baratas da Grécia, e também começarão a dar calotes em suas dívidas.  O desemprego nestes países irá subir.

O
trabalhador grego agora tem um novo emprego, mas seu salário, reduzido à metade
em termos de euro, não mais compra tudo aquilo que antes ele conseguia
comprar.  Os preços internos aumentam continuamente, e,
embora seu salário também aumente em termos nominais, ele não acompanha a subida
dos preços.  Os pensionistas gregos são
os mais afetados, principalmente aqueles cuja poupança estava nos bancos gregos
(e não em outros países da zona do euro). 
Ao passo que seus semelhantes na França e na Alemanha tiveram uma perda
de 20% em suas contas bancárias (20% é o total de títulos gregos em posse dos bancos europeus), os poupadores gregos descobrirão que agora
compram aproximadamente 50% menos com sua poupança (por causa da desvalorização cambial e da inflação de preços crescente na Grécia).

O
sistema tributário grego certamente não será ajustado de acordo com a
desvalorização.  A consequência será a de
que, com rendas nominais maiores, uma maior fatia dos ganhos será tributada.  E o resultado final é que pessoas com renda
real mais baixa — e até então isentas — também terão de pagar imposto de
renda.  Isso gerará um grande fardo sobre
toda a economia, o qual poucos serão capazes de identificar.  Tradicionalmente, a culpa será atribuída aos
altos preços da energia importada.

Após
algum tempo — talvez alguns anos –, os salários dos trabalhadores gregos já
terão subido, em termos nominais, o bastante para acabar com aquela “vantagem
comparativa” inicial.  Os impostos reais
mais altos começarão a introduzir uma persistente obstrução na economia grega.

Adicionalmente,
o sistema financeiro grego já se tornou deficiente e inconfiável.  Após a desvalorização, ninguém mais está
disposto a conceder mais empréstimos em dracmas.  Afinal, quem vai querer
correr o risco de ter seus ativos subitamente desvalorizados novamente?  As taxas de juros domésticas já subiram e
estão altas, e o volume de empréstimos está baixo. 

Grandes empresas ainda conseguem tomar
empréstimos em euros, mas isso não estará disponível para famílias e pequenas
empresas.  As famílias, que já foram
prejudicadas uma vez, não irão manter sua poupança nos bancos gregos.  O mais provável é que elas descubram maneiras
informais de poupar e investir sem recorrer ao sistema financeiro.  Já as famílias mais sofisticadas irão
simplesmente utilizar os bancos alemães (mesmo porque os mais ricos já retiraram quase todo o seu dinheiro dos bancos gregos), e sua poupança e seu capital jamais
retornarão à Grécia.

Por
tudo isso, a economia grega apresentará uma baixa criação de capital, um
ambiente de investimentos totalmente distorcido, no qual apenas as grandes
corporações conseguem financiamento, e uma baixa criação de empregos.  A economia volta a se estagnar.  Consequentemente, o governo volta a incorrer
em déficits orçamentários, uma vez que as receitas tributárias começam a cair e
as demandas por serviços assistencialistas cresceram.  Como o governo não mais consegue se endividar
em dracmas — só a taxas de juros proibitivas –, ele terá de se endividar em euros. 
Mas isso também será difícil, pois o governo já se
mostrou inconfiável.  A única opção
restante será aumentar ainda mais os impostos. 

À
medida que essas dificuldades vão se acumulando, alguns economistas acreditarão
ter encontrado a solução: desvalorizar novamente! Essa ideia ganhará o imediato
apoio dos grandes exportadores e do setor de turismo, os quais adorariam voltar
a ter uma “vantagem competitiva” em termos de mão-de-obra barata. 

Como esses setores já haviam se beneficiado
economicamente antes, eles se tornaram mais politicamente influentes.  Por outro lado, os setores que foram
prejudicados pela desvalorização, como as empresas que dependem de importações
e as voltadas exclusivamente para o mercado doméstico, já perderam toda a sua
influência política.  Sendo assim, o
sistema político passa a ser guiado apenas pela ideia de mais desvalorizações.

Com
a imposição de novas desvalorizações, todo o ciclo se reinicia: o setor
exportador e o setor turístico ganham um impulso temporário, mas todo o
restante dos trabalhadores gregos perde poder de compra, e seu custo de vida
sobe.  A inflação de preços dá outro
salto.  O imposto de renda continuará não sendo corrigido pela inflação — pois o governo precisa de todas as receitas
possíveis –, o que gerará um confisco cada vez maior da renda real das pessoas
e empresas, o que, por sua vez, prejudicará ainda mais os investimentos.


os outros países da zona do euro muito provavelmente não ficarão passivos
perante os setores exportador e turístico gregos.  É provável que imponham pesadas tarifas sobre
as importações e também sobre a conversão de euros em dracmas.

A
conclusão é que a desvalorização funciona apenas por algum tempo, e é benéfica
apenas para poucos setores muito específicos — e ainda assim apenas no curto
prazo.

Em
termos gerais, a desvalorização da moeda prejudica toda a população, pois esta
é roubada do seu poder de compra, é submetida a uma grande inflação de preços, e acaba ficando sem acesso a bens importados
de maior qualidade. 

Um
governo que desvaloriza sua moeda está, na prática, fechando suas fronteiras
aos bens estrangeiros, isolando sua população (e prejudicando principalmente a fatia mais pobre, agora proibida de comprar produtos estrangeiros mais baratos), reduzindo sua renda, e
destruindo enormemente seu padrão de vida.

Economista
que realmente acredita que desvalorizar a moeda é o caminho para a prosperidade
está, na prática, dizendo que uma sociedade formada por uma minoria exportadora
e rica e por uma maioria que não tem nenhum poder de compra é o arranjo ideal. Está dizendo que uma redução compulsória da renda total da população
representa prosperidade e enriquecimento. Não faz absolutamente nenhum sentido.

O
que aconteceu com a
Argentina em 2002
, quando a súbita desvalorização do peso fez com que fosse quase impossível para muitas mães comprarem leite para seus filhos, pode perfeitamente acontecer com a Grécia em 2015.  É muito difícil uma desvalorização da moeda passar impune.

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Leia também:

A verdadeira tragédia grega foi o seu gasto público

O sonho do governo grego: espoliar permanentemente os pagadores de impostos da União Europeia

Explicando a recessão europeia

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Autores:

Nathan Lewis é colunista de revista
Forbes, escreve sobre política monetária e tributária, e gerencia uma pequeno
fundo de investimentos de alcance global.

Leandro Roque é
o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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86 comentários em “E se a Grécia sair do euro?”

  1. Simplesmente esclarecedor.

    Porém, fiquei mais sedento do título do artigo: ” e se a Grêcia sair do Euro”?

    Acho que poderia ser aprofundado mais o tema.

    Abraços

  2. Parece que todo mundo já esqueceu que o Brasil já passou por isso, vários planos econômicos e outras coisas para corrigir os problemas ocasionados pela desvalorização da moeda, pra mim isso se resume numa só palavra “calote”.

  3. Leandro,

    Vc realmente acredita que a Grécia tem vontade de voltar para o drachma ?

    Na minha concepção eles querem continuar usando Euro, pois se trata de uma moeda mais forte, porém eles querem um “cheque” branco da Alemanha para poderem gastar com estímulos fiscais, o que geralmente os keynesianos pregam, mais gastos públicos e o fim da austeridade.

    Imagina vc torrando grana na maquina publica em Euros que “maravilha” que seria.

  4. Nao entendi o seguinte:
    ” O que acontecerá com todos aqueles títulos do governo grego em posse dos bancos alemães? Os títulos e os empréstimos agora valem apenas 50% de seu valor de face em termos de euro.”

    Pq o titulo seria desvalorizado? Seu valor nao é em euro?

  5. O que importa é apenas obter resultados de curto prazo, aliviar os sintomas sem tratar das causas crônicas e aparentar estar fazendo algo de produtivo que melhorou a situação.

    * * *

  6. O problema é que o Partido de Extrema-Esquerda (Syriza) está na frente nas pesquisas da eleição que acontecerá daqui 2 semanas. Defendem calote em parte da dívida grega e fim da austeridade que resta.

  7. [Off-topic]

    Leandro, pergunta nada a ver com o assunto, mas que creio ser importante compreender.

    Muito se diz sobre a dívida pública brasileira e que o gasto com ela consome, aproximadamente, 45% do PIB. Já li que essa conta não é certa, pois se trata de uma questão meramente contábil…

    Enfim, é verdade que o pagamento com serviços da dívida (juros+armotizações) é tão gigantesco no Brasil?

  8. Leandro,

    Parece que o Draghi está preparando um “Abenomics europeu”.

    A final de contas eles são pagos para fazer alguma coisa né. E está fazendo justamente o que banqueiros centrais sabem fazer de melhor.

  9. Sabe que também seria interessante fazer um exercício mental semelhante ao do artigo, só que a partir de uma situação inversa: tendo como espinha dorsal, um processo de valorização cambial. E já que o Brasil atualmente também vive o seu dilema cambial – que não é muito melhor que o grego – podemos usá-lo como exemplo.

    Nessa suposição, a intenção não é emitir uma nova moeda, apenas tomar todas as medidas necessárias para uma contínua valorização do real frente a uma outra moeda, como o dólar, por exemplo. Obviamente já começamos com o ajuste fiscal, que é fundamental e é um bom começo, mas não é o suficiente. Tem que se somar a isso, a outra coisa crucial a ser feita, que é a abertura da economia. Como eu não sei mais que outras medidas poderiam ser tomadas, a análise vais ser feita a partir apenas destes dois feitos.

    Os endividados brasileiros, entre eles o governo, no curto prazo talvez começassem a ter problemas. Por exemplo a dívida pública que, em um ambiente de recessão e ao mesmo tempo de contínua apreciação cambial, certamente teria seu déficit fiscal elevado. Tanto as dívidas quanto as receitas tributárias do governo iriam simultaneamente aumentar o seu valor real, e da mesma forma, os salários das pessoas e suas dívidas.

    Mas em outro ponto, com metas de inflação que agora são extremamente apertadas, a expansão artificial do crédito feita por todos os bancos (e sim, todos) é rigidamente controlada. Além disso, com um inicial aumento do desemprego e menor abrangência dos benefícios trabalhistas, os calotes poderiam aumentar. Mas dado que o governo sinalizou claramente a postura a ser adotada, e se comprometeu a cumprir rigorosamente o proposto, a confiança não só dos empreendedores e dos consumidores aumentou, como também dos investidores internacionais, que agora injetariam liquidez continuamente na economia.

    Com a abertura para a competitividade no mercado interno, o setor exportador e a induústria perderiam os seus benefícios e encolheriam. Mas seria uma oportunidade para ele se reestruturar e se reequipar, já que agora os importados estariam mais baratos. Nessa mesma linha, o mercado interno e o consumidor se beneficiariam, graças à moeda valorizada.

    Os sindicatos agora teriam que aprender a lidar com uma nova realidade…

    Logicamente, já estou alongando demais esse assunto, e não era esse o propósito. Além do mais, nem é muito difícil deduzir o resto da história. Tirando algumas peculiaridades gregas, é quase a mesma coisa que o contrário do que diz o artigo, que é excelente, desenvolve muito bem a ideia e ajuda muito. Parabéns aos autores!

    P.S.: Apesar de o artigo ser ótimo, não isenta o meu raciocínio de erros. Mas espero que valha pelo menos uns 3,5.

  10. No seu artigo voce se esqueceu de aspectos práticos na troca da moeda:
    1- Esta moeda teria que ser impressa, isto leva tempo (4-6 meses),
    2- Diante da noticia haveria uma enorme corrida bancaria dos Gregos para sacar seus Euros que iriam ser convertidos em dracmas,
    3- Os bancos quebrariam e a economia entraria em colapso…
    4- Outra solução seria a conversão imediata dos Euros em bancos em dracmas, com circulação apenas para pagamentos eletrônicos e a manutenção do Euro como moeda circulante, mas este caminho também é cheio de obstaculos,
    5-No seu artigo voce “converte” a divida em Euros para Dracmas assumindo que os credores iriam ficar quietos, infelizmente não seria simples assim, haveriam retaliações econômicas…Credores bonzinhos assim existem apenas na teoria.

  11. Fim da Grecia meus amigos.

    www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/01/1580321-esquerda-radical-vence-na-grecia-com-promessa-de-governo-antiausteridade.shtml

  12. Amarilio Adolfo da Silva de Souza

    A Grécia pagará sua dívida com juros ou cederá seu território aos credores internacionais. Não há opções.

  13. Octavio Trovador

    O fato simples e óbvio é que a Grécia se tornou um cavalo de tróia dentro da zona do euro. Assim, o calote que vai acontecer será o presente de grego a todos europeus. A história se repete mas agora como comédia.

  14. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    A Grécia Pagará até o último centavo da dívida ou terá os bens históricos e população penhorados. Simples.

  15. Aprendi com a experiência do Collor no Brasil que homens com 40 anos de idade ainda não têm o equilíbrio necessário para exercerem uma liderança política em momentos de crise, principalmente se possuem um temperamento violento, como é comum em muitos políticos pela própria natureza da luta pelo poder. Aos 40 anos, nós homens ainda possuímos um elevado nível de testosterona, que nos levam a tomar atitudes impulsivas, acreditando que apenas nossa vontade é capaz de mudar a realidade.
    Este senhor Tsipras tem confirmado esta minha avaliação. Seu temperamento belicoso e orgulhoso, buscando sempre o confronto, está levando a Grécia a um beco sem saída, que pode ampliar o caos econômico que o país já está vivendo.

  16. Mundando um pouco de assunto. Essa geração piketty não vai acabar tão cedo. Se proliferam como ratos.

    veja.abril.com.br/noticia/economia/impostos-e-emprego-a-receita-do-mentor-de-thomas-piketty-para-reduzir-a-desigualdade-no-mundo

  17. Culpam para que a casca negra que circunda o capitalismo possa permanecer vivida e brilhante como o capacete de Darth Vader.
    A ausência de auxílio por parte dos bancos seria vista como a falta de benevolência com aqueles que estão em necessidade; a cobrança do valor emprestado com juros é vista como falta de benevolência com aqueles que estão em necessidade.
    Para todos os lados que você vá, os banqueiros (expressão mais visível do capitalismo para esse pessoal) serão sempre, inexoravelmente, os culpados – “chame-os do que você é acuse-os do que você faz”.
    Cabe, portanto, àqueles (nós) que acompanham os estudos do “liberalismo econômico” combater e escancarar, E S C A N C A R A R, as falsas culpas e demonstrar claramente os agentes, os atos, os danos e o nexo entre os atos e os danos.

  18. Caro Leandro,

    Tenho acompanhado nos últimos dias os artigos postados pelo site e tenho gostado bastante da escola do pensamento econômico de Mises. Porém fiquei com muitas dúvidas a respeito de alguns pontos bastantes debatidos aqui.

    As dúvidas são a respeito da política monetária atual, aquelas que não possuem nenhum lastro.
    Quando um país expande uma moeda e a utiliza para fomentar o investimento (atráves de investimento em infraestrutura e educação) e expansão da produção (atráves de financiamento a empresas privadas e públicas de forma subsidiada) o resultado será uma inflação de curto prazo (correto?). Mas com a ampliação da produção e do consumo no longo prazo (resultado dos investimentos) a inflação tenderá ao equilibrio, desde que a ampliação do crédito se mantenha em ritmo com a do consumo. Nesse cenário, um política expansionista seria salutar no sentido de aquecer a economia e gerar dividendos em um menor prazo de tempo. Porém o risco está no descompassos dessa politíca no longo prazo, pondendo causar euforia, decisões ruins e consequentimente bolhas. (caso tenha alguma erro, me corrija por favor).

    Sendo assim, países que adotaram uma política monetária expancionista teve ganhos no PIB no longo prazo (ex.: EUA, Japão e China mais recentimente), gerando de certa forma, um ganho real no poder de compra e no padrão de vida dos seus cidadãos, mesmo com todas as crises advindas do caos financeiro.

    Caso tivesse sido mantido o padrão ouro e fosse adotado o sistema de free banking, o resultado, partindo do ponto de vista teórico, seria melhor do que o atual, teriamos avançando tanto tecnologicamente, socialmente e economicamente?
    Sem a disputa de países, controle de capitais, expansão de crédito e guerras, teriamos incentivos fortes para o avanço científico no mundo (lembrando desde já dos dividendos tecnologicos e sociais da segunda guerra mudial e da guerra-fria)
    Resulmindo, a teoria liberal, numa ótica pragmática, seria mais bem sucedida do que a politica intervencionistas adotas pelos países, mesmo com as crises, ao longo dos séculos XX e XXI?

    Queria deixar desde já um parabéns pelo projeto e pelo empenho e dedicação de seus colaboradores.

    Abraço,

  19. Olá, alguém poderia me ajudar? O que faz uma moeda ser forte e o que é necessário para o real se valorizar frente ao dólar americano?

  20. O verdadeiro problema Grego começou com um partido… um partido socialista, chamado PASOK, que venceu as eleições em 1981 e colocou o Sr. Andreas Papandreou como 1º ministro por quase 12 anos. Por incrível que pareça, a economia grega cresceu em média 5,2% no período de 1929 à 1980. Para se ter uma ideia, o Japão cresceu em média 4,9% nesse período. Quando a Grécia entrou na União Européia em 1981, o déficit público era de 28% do PIB e a taxa de desemprego entre 2 à 3%.

    O que esse PASOK fez? Praticamente a mesma coisa que qualquer partido esquerdista faz quando assume o poder: começou a inchar o Estado, implantou programas sociais e começou a gastar dinheiro como se não houvesse o amanhã. Ironicamente esse partido elegeu-se prometendo tudo isso, e inclusive abandonar a União Européia. É claro que todas as promessas se cumpriram, exceto a de sair da União Européia. Em poucos anos o PASOK mudou radicalmente o clima político e econômico na Grécia. Essas mudanças, óbvio, podem ser resumidas em uma única palavra: catastróficas, incluindo uma espécie de mix entre um sistema de ‘bem estar social’ e regulação/intervenção no setor privado, aliado ao fato de que, exatamente como aconteceu no Brasil, o PASOK simplesmente destruiu a oposição grega, representada pelo partido conservador. Hoje, o partido conservador é uma mera cópia do PASOK.

    Assim, de 1981 até 2009, o PASOK ofereceu aos gregos um pacotão de socialismo baseado em populismo, estatismo, nepotismo, corrupção, protecionismo e paternalismo estatal sem igual na história grega (exceto talvez nos tempos de Platão). Entretanto isso teria tido um fim trágico (como o de agora) se não fosse o fato da Grécia ter maquiado suas contas públicas para poder, em 2002, ter entrado na zona do euro (o caso Goldman Sachs).

    Quando a Grécia entrou no Euro em 2002, isso foi uma benção para essa gente, pois puderam pedir milhões de euros emprestados à juros irrisórios para continuarem a fazer o que sempre fizeram: comprar eleições aumentando salários de servidores públicos, inchar o Estado e aumentar a quantidade de programas sociais, principalmente subsidiando generosas aposentadorias e subsidiando benefícios como o tal do “14º”, que era uma espécie de 13º salário que na prática permitia à um funcionário estatal trabalhar 10 meses e ganhar 14 meses de salário. Praticamente 0% do dinheiro emprestado à Grécia foi destinado ao verdadeiro crescimento e desenvolvimento da economia.

    Em 1981 o déficit público era de 28% do PIB. Em 1990 (9 anos de socialismo PASOK) já era de 89% do PIB. Em 2010 já estava em 140% do PIB. Em 2008 o PASOK se reelege. Em 2009 vem a conta da farra governamental. Hoje essa conta cobra seu preço: somente 47% da população está na força de trabalho. 25% da população ativa está desempregada (50% com menos de 25 anos). E o governo dispende incríveis 42% do seu orçamento em programas sociais.

    O futuro: É óbvio! A Grécia vai fazer de tudo (possível e impossível) para se manter na zona do euro. E se não der certo, vão culpar os banqueiros e vão passar a imprimirem Dracmas como se não houvesse amanhã. A Venezuela finalmente terá um parceiro considerável no socialismo e na pobreza. Não duvido inclusive que o tal do BRICS não ofereça algum empréstimo a Grécia.

  21. é incrível perceber o quanto um caso de fatal de administração pode afetar um pais, e pior de tudo é saber que a tendencia é piorar (tanto aqui, quanto lá)

  22. Estive lendo sobre essa questão da crise grega em um site/jornal aqui de Porto Alegre, o Zero Hora. Na seção de comentários, encontrei alguém que afirmava o óbvio:

    “Esses países forçaram a Grécia a pegar dinheiro emprestado? Colocaram um revólver na cabeça do presidente grego ameaçando? Até onde se sabe, a Grécia pegou dinheiro emprestado porquê quis, NINGUÉM obrigou ela à isso.”

    E eis a resposta de uma besta-fera socialista:

    “Exatamente.FORÇARAM.TE INFORMA MELHOR SOBRE O ASSUNTO:As nações europeias credoras são as “culpadas” pela situação da Grécia desde que o país foi obrigado a pedir volumosos empréstimos para cobrir suas dívidas, e as condições impostas ao governo de Atenas são ‘revoltantes’. Esse é o resumo da crise na Grécia feito pelo prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz, durante uma entrevista exclusiva à BBC Mundo.”

    Agora pergunto: a situação do mundo hoje, inclusive Brasil, não é plenamente justificada pelas afirmações bestiais dessas criaturas? Eles culpam justamente as vítimas!!

  23. Aproveitando o assunto, li um texto do Friedman sobre o Euro.

    E tem um trecho que eu não consigo sacar:

    Proponentes do "euro" costumam citar a era do padrão-ouro, de 1879 a 1914, como uma demonstração dos benefícios de uma moeda comum. Mas o padrão-ouro também teve seus custos. O período foi caracterizado por preços em queda de 1879 a 1896, inflação no período seguinte, e grandes flutuações durante toda sua duração, especialmente severas na década de 1890. O padrão só foi viável porque os governos eram pequenos (gastavam cerca de 10% da renda nacional, em vez dos atuais 50% ou mais), os preços e salários eram muito flexíveis, e a opinião pública estava disposta a tolerar (ou não tinha maneiras de evitar) choques amplos sobre a produção e o emprego. Tirando as lentes cor de rosa, fica claro que aquele o padrão-ouro não é um bom período para emular.

    Analisando:

    – O período foi caracterizado por preços em queda de 1879 a 1896, inflação no período seguinte, e grandes flutuações durante toda sua duração, especialmente severas na década de 1890

    Num padrão-ouro não deveria haver uma deflação leve se o mercado funcionar como deve(livre)? Como explicar esta inflação? Procurei dados para confirmar esta informação, mas não encontrei.

    – O padrão só foi viável porque os governos eram pequenos (gastavam cerca de 10% da renda nacional, em vez dos atuais 50% ou mais), os preços e salários eram muito flexíveis, e a opinião pública estava disposta a tolerar (ou não tinha maneiras de evitar) choques amplos sobre a produção e o emprego.

    Ele parece estar argumentando que o padrão-ouro causa choques de produção e emprego. Não deveria ser o contrário?

    O texto pode ser encontrado aqui:
    mercadopopular.org/2015/06/ha-20-anos-milton-friedman-fez-uma-analise-profetica-sobre-a-crise-do-euro/

  24. Leandro,
    especulando… Caso a Grécia saia do Euro, voce acha que eles vao adotar que tipo de cambio? Flutuante, né?
    Que tipo voce acharia interessante eles adotarem? Currency board ortodoxo? (Sem banco central aumentando base)
    Enfim, perguntando sem enrolar, qual seria o caminho para a Grécia não repetir o caminho argentino?

  25. Olá.

    Leandro, qual caminho você pensa que seria menos doloroso para a Grécia, em caso de abandono do Euro?
    Currency board atrelado ao Euro? Câmbio flutuante (acho que não…)? Dolarização? Total, parcial?
    Dá quase pena dos inativos (devido à subsequente perda de renda), não tivessem ele se aposentado aos 50, não fossem a maioria funcionários públicos aposentados…
    .
    PS.: sou comentarista frequente do Blog do Caio Blinder, tô enchendo ele e os demais com as lições da EA.
    Se eu tiver escrito algo equivocado, sinta-se livre para me corrigir (pode ser por e-mail)
    .
    PS2: dúvida nada a ver: qual dos sistemas eleitorais vigentes goza de mais prestígio entre os autríacos? Voto proporcional? Distrital? Como na Alemanha? Na França?
    Mais uma: já vi vocês elogiando o liber; mas qual sua opinião sobre o Partido Novo? Estou muito disposto a votar no NOVO, penso que é um vetor na direção correta, mesmo não tendo um módulo suficiente.

  26. Valeu!
    Mas nenhuma especulação sobre o que seria menos doloroso num abandono do Euro?
    .
    Sobre o Caio, discordo dele em quase tudo, hehehe, mas a dinâmica de debate judaica é bem interessante. Além de haver alguns comentaristas enriquecedores.

  27. Olha sei não viu. E se ela se der bem? Já pensou o fim do Euro?

    Só sei que Londres poderia fazer isso tranquilo, já que o Libra é super valorizado, até mais que o Euro.

  28. A moeda da Bulgária, o Lev, que opera sob um Currency Board desde 1997 (ancorada ao euro), começa a ser demandada na Grécia.

    https://euobserver.com/beyond-brussels/129438

    http://www.ft.com/intl/cms/s/0/3c5c32b0-264f-11e5-9c4e-a775d2b173ca.html#axzz3fQaktgm4

    "For Bulgarians who lived through runaway inflation in the late 1990s, it is deeply ironic that their currency is suddenly viewed as dependable and stable in their richer southern neighbour, which joined the euro in 2001. The lev crashed from 71 to the dollar in 1995 to more than 3,000 in early 1997 and its current resilience is due, in part, to being pegged to the euro."

  29. “Suponhamos que a Grécia, que hoje faz parte da zona do euro, conseguisse de alguma forma voltar a emitir um Novo Dracma, e que essa nova moeda se desvalorizasse rapidamente, passando de um dracma por euro para dois dracmas por euro em um curto período de tempo (um mês, talvez), o que representaria uma desvalorização de 50%.

    Vamos também supor que o governo utilize seus poderes coercivos para estipular que todas as obrigações existentes em euro, tais como títulos e contratos trabalhistas, para todas as pessoas e entidades na Grécia, sejam unilateralmente convertidas em dracmas na relação de 1 dracma para 1 euro.”

    Por que o governo não estipulou essas obrigações em euro à taxa de 2 dracmas para 1 euro, já que a taxa cambial do dracma seria de 2 para cada um euro? Essa sobrevalorização me lembra a Argentina…

  30. Por incrível que pareça, lendo esse artigo da Grécia, muitas coisas que são ditas no texto já acontecem hoje no Brasil. Será que dá para o Brasil virar colônia de Portugal e usar o euro?

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