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Por que empresas estatais tendem à corrupção e à ineficiência

Suponha
que você é um grande empreiteiro.  Sua
maior fonte de lucro advém das obras que você faz para o governo.  São obras de grande porte e a fonte pagadora
não utiliza o dinheiro próprio, mas sim o dinheiro que confiscou de terceiros
via impostos.  Trata-se de um arranjo que
já começa propenso ao descuido e ao desperdício por parte do contratante.

Você,
como contratado, sabe disso e irá se esforçar para encarecer ao máximo o preço
de seus serviços oferecidos ao governo. 
Por que não?  Além de o governo
não trabalhar com dinheiro próprio, ele também não opera dentro do mercado, o
que significa que ele não tem de se preocupar com o sistema de lucros e
prejuízos.  Tampouco ele é capaz de
precificar corretamente o valor que deve pagar por suas obras.

Suponha
agora que você é um político que está no comando de uma grande estatal do setor
petrolífero.  Trata-se de um setor que
está constantemente fazendo obras vultosas para sua expansão, seja para
construir novas plataformas marítimas, seja para desenvolver novos maquinários
ou construir novas refinarias.  Você tem
de contratar empreiteiras para fazer esses serviços.

E
aí acontece o casamento perfeito.

O
político irá se aproximar do empreiteiro e ocorrerá o seguinte diálogo:

Político: Estou no comando de uma
grande estatal do setor petrolífero e vamos fazer uma vultosa obra para
expandir as operações.  Vamos construir
uma refinaria.

Empreiteiro: Ótimo, sou o homem certo
para o serviço.  Minha empresa é
conceituada e, como o senhor deve se lembrar, fez generosas doações de campanha
para o seu partido.

Político: Não me esqueci dessa bondade. E, exatamente por
isso, farei com que a sua empreiteira vença a licitação para fazer o serviço.

Empreiteiro: É sempre bom ter amigos influentes.

Político: E a estatal irá pagar a vocês um preço bem acima
do de mercado para a construção da refinaria.

Empreiteiros: É maravilhoso ter amigos influentes.

Político: Porém, como vou ter de me esforçar para fazer com
que a sua empreiteira vença a licitação, quero ganhar algo nesse meu trabalho.

Empreiteiro: Estou ouvindo.

Político: Pensei em um arranjo que será
excelente para nós dois; um arranjo em que nós dois ganharemos e muito.

Empreiteiro: Continuo ouvindo ansioso.

Político: Eis o esquema: vou utilizar
meu tráfico de influência para fazer com que sua empreiteira ganhe a licitação
para a obra, a estatal que eu comando irá lhe pagar um valor bem acima do de
mercado por essa obra (aquilo que a mídia golpista chama de ‘superfaturamento’)
e, em troca dessa minha gentileza, você coloca um “troquinho” no meu bolso, uma
pequena porcentagem do valor total da obra. 
Como todo o dinheiro está saindo da estatal, você não arcará com
absolutamente nada.  Apenas uma pequena
fatia que iria para a sua empreiteira vai parar no meu bolso.

Empreiteiro: Acho justo.  Mas isso não vai afetar o caixa da estatal,
seu patrimônio líquido e, consequentemente, prejudicar o superfaturamento de
obras futuras?

Político: Não se preocupe.  Qualquer zebra, o Tesouro cobre.  Ou então o governo aumenta o preço da gasolina.  Afinal, as estatais são do povo — no caso,
apenas os passivos.

Empreiteiro: kkk!

Político: kkk!

Empreiteiro: Magnífico.  Quando começamos?

Político: Já começamos.

Esse
esquema entre estatais e empreiteiras, envolvendo superfaturamento, fraudes em
licitações e desvio de recursos das estatais para o pagamento de propina a políticos
é tão antigo e tão básico, que é impressionante que apenas agora as pessoas
demonstrem surpresa com ele.

Toda
a esquisitice já começa em um ponto: por que os políticos disputam
acirradamente o comando das estatais? 
Por que políticos reivindicam a diretoria de operações de uma
estatal?  Que políticos comandem
ministérios, vá lá.  Mas a diretoria de
operações de estatais é um corpo teoricamente técnico.  Por que políticos? 
Qual a justificativa?

Quem
acompanha o jornalismo político já deve ter percebido que os partidos políticos
que compõem o governo federal não se engalfinham tanto na disputa de
ministérios quanto se engalfinham na disputa para a diretoria de estatais.  É óbvio. 
É nas estatais que está o butim. 
As obras contratadas por estatais são mais vultosas do que obras contratadas
por ministérios.  O dinheiro de uma
estatal é muito mais farto.  E, quanto
mais farto, maior a facilidade para se fazer “pequenos” desvios.

Isso,
e apenas isso, já é o suficiente para entender por que políticos e sindicalistas
são contra a privatização de estatais.  Estatais
fornecem uma mamata nababesca. 

Quando
políticos e sindicalistas gritam “o petróleo é nosso”, “o minério de ferro é
nosso”, “a telefonia é nossa”, “a Caixa é nossa”, saiba que eles estão sendo
particularmente honestos: aquele pronome possessivo “nosso” se refere
exclusivamente a “eles”, os únicos que ganham com todo esse arranjo.

Por que estatais são ineficientes

Mas
a necessidade de privatização das estatais não está apenas no campo ético.  Há também argumentos técnicos e econômicos.

Em
primeiro lugar, em qualquer empresa que tenha como seu maior acionista o
Tesouro nacional, a rede de incentivos funciona de maneiras um tanto distintas. 
Eventuais maus negócios e seus subsequentes prejuízos ou descapitalizações
serão prontamente cobertos pela viúva — ou seja, por nós, pagadores de
impostos, ainda que de modos rocambolescos e indiretos.

Os
problemas de haver empresas nas mãos do estado são óbvios demais: além de o
arranjo — como explicado acima — gerar muito dinheiro para políticos,
burocratas, empreiteiras ligadas a políticos, sindicatos e demais apaniguados,
a teoria também diz que uma empresa ser gerida pelo governo significa apenas
que ela opera sem precisar se sujeitar ao mecanismo de lucros e
prejuízos
.

Todos
os déficits operacionais serão cobertos pelo Tesouro, que vai utilizar o
dinheiro confiscado via impostos dos desafortunados cidadãos. Uma estatal não
precisa de incentivos, pois não sofre concorrência financeira — seus fundos,
oriundos do Tesouro, em tese são infinitos.

Por
que se esforçar para ser eficiente se você sabe que, se algo der errado, o
Tesouro irá fazer aportes?

Uma
empresa que não é gerida privadamente, que não está sujeita a uma concorrência
direta, nunca terá de enfrentar riscos genuínos e nunca terá de lidar com a
possibilidade de prejuízos reais. Logo, é como se ela operasse fora do mercado,
em uma dimensão paralela.

O
interesse do consumidor — e até mesmo de seus acionistas, caso a estatal tenha
capital aberto — é a última variável a ser considerada.

Como
mostram os esquemas de propinas em licitações, estatais não operam de acordo
com os sinais de preços emitidos pelo mercado.  Elas não operam segundo a
lógica do sistema de lucros e prejuízos.  Se uma empresa genuinamente
privada se dispusesse a pagar um preço mais alto que o de mercado para
contratar empreiteiras para fazer obras, seu capital (patrimônio líquido) seria
destruído, seus acionistas se desfariam de suas ações, o valor de mercado da
empresa despencaria e, na melhor das hipóteses, ela teria de ser vendida para
outros controladores “a preço de banana”.

Por
não ter uma racionalidade, uma preocupação com lucros e prejuízos, as estatais
sempre acabam seguindo os caprichos do governo do momento, cujos políticos do
partido estão em seu comando. 
Consequentemente, estatais sempre estarão sob os auspícios de uma gente
cujo horizonte temporal é de no máximo quatro anos, e inevitavelmente se
transformarão em fábricas de desperdício, ineficiência, confusão e
ressentimento.


nas empresas privadas que operam em ambiente de livre concorrência a situação é
diferente.  Os sinais de preços emitidos pelo mercado, bem como a
preocupação em ter lucros e evitar prejuízos, comandam as decisões.  O
sistema de lucros e prejuízos mostra como os recursos escassos estão sendo
empregados.  Se corretamente, os consumidores recompensam as empresas
propiciando-lhes grandes lucros; se erroneamente, os consumidores punem as
empresas impondo-lhes prejuízos. 

Uma
expansão ou um corte nos investimentos é algo que será guiado pelo balancete
das empresas.  Não interessa se a empresa é grande ou micro: ela estará
sempre em busca da lucratividade.  E a lucratividade sempre será, em
última instância, determinada pela decisão voluntária dos consumidores.

Por que as estatais devem ser privatizadas

Empresas
privadas obtêm seus fundos por meio de investidores que estão atrás de lucro
(inclusive bancos) e de consumidores que voluntariamente optam por consumir
seus bens e serviços.  É essa alocação de fundos feita por consumidores e
investidores, guiados por sua presciência e preferência temporal, que vai
direcionar os recursos para as mais lucrativas — e, portanto, mais úteis —
aplicações. 

Empresas
privadas podem adquirir seus fundos somente por meio de
consumidores e investidores; em outras palavras, elas podem arrecadar fundos
somente daquelas pessoas que valorizam e compram seus serviços, e daqueles
investidores que estão dispostos a arriscar seu capital poupado investindo-o em
algo que acreditam poder gerar algum lucro futuro. 

Ou
seja: no mercado, pagamento e serviços são coisas indissoluvelmente
complementares. 


uma estatal, que tem como principal acionista o governo, pode conseguir o tanto
de dinheiro que quiser.  O governo não possui rédeas sobre si mesmo; ele
não está sob a exigência de satisfazer o teste de lucros e prejuízos que mede a
qualidade do serviço ofertado a seus consumidores, algo que, no mercado, é o
que permite a uma empresa obter fundos.  

Empresas
privadas — aquelas que operam em um ambiente de genuína livre concorrência,
sem receber subsídios, benefícios e proteções do governo — podem adquirir seus
fundos apenas de consumidores satisfeitos e de investidores guiados pelo
mecanismo de lucro e prejuízo. 


uma estatal pode adquirir seus fundos de acordo com a vontade dos políticos que
estão no governo.

Uma
vez que não há rédeas, deixa de haver também qualquer chance de o governo
alocar recursos racionalmente.  Assim como o governo não é capaz de saber
se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve “investir”
em uma estrada ou em uma escola, ele também não sabe se deve produzir mais
eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, ou se deve alterar seu
serviço de entrega de cartas.

Com
efeito, não há como o governo saber o quanto deve gastar em todas as
suas atividades em que está envolvido.  Simplesmente não há maneira
racional de o governo alocar fundos ou mesmo decidir o quanto ele deve
ter. 

O
sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo
de recursos produtivos.  Tal guia não existe para o governo, que não
possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro
ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico. 

Defensores
de empresas estatais podem contra-argumentar dizendo que o governo poderia
simplesmente dizer a seus burocratas para agirem como se estivessem
em uma empresa em busca de lucros e que operassem da mesma maneira que uma
empresa privada.  Mas há dois defeitos nessa teoria.  

Primeiro,
é impossível brincar de empresa.  Empreender significa
arriscar o próprio dinheiro em um investimento.  Burocratas e políticos
não têm incentivo real em desenvolver habilidades empreendedoriais, em se
ajustar de fato às demandas do consumidor.  Eles não arriscam a perda do
próprio dinheiro no empreendimento. 

Segundo,
fora a questão dos incentivos, mesmo os mais ávidos administradores
estatais não poderiam operar como se fossem empreendedores
privados.  Independente do tratamento concedido ao empreendimento após ela
já ter se estabelecido, a criação da empresa é feita com dinheiro de impostos —
portanto, por meio da tributação coerciva.  Essa empresa estatal já nasceu
com um grave defeito “enraizado” em seus órgãos vitais. 

Ademais,
quaisquer gastos futuros poderão ser feitos utilizando-se de novos aportes do
Tesouro ou de receitas tributárias, o que faz com que as decisões dos
administradores estejam sujeitas aos mesmos vícios.  A facilidade de se
obter dinheiro irá inevitavelmente distorcer as operações da empresa estatal.

Conclusão

Por
tudo isso, investimentos feitos por uma estatal nunca poderão ser feitos da
maneira correta, seus serviços nunca serão prestados de maneira satisfatória, e
sempre haverá desperdício de recursos, gritante ineficiência e corrupção. 
Esta é uma realidade inevitável.  Não se trata de ideologia; é pura
ciência econômica. 

A
solução?  Privatize tudo.

 

Leia
também: O que fazer com a
Petrobras?

 

_______________________________________________________

Autores:

Murray
N. Rothbard
, (1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador
do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute.

Jeffrey
Tucker
, CEO do Liberty.Me.  É também autor dos livros It’s a Jetsons World: Private
Miracles and Public Crimes
 e Bourbon for Breakfast: Living
Outside the Statist Quo
.

Leandro
Roque
 é o editor e tradutor do site do  Instituto Ludwig von
Mises Brasil.

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138 comentários em “Por que empresas estatais tendem à corrupção e à ineficiência”

  1. SOBRE A FAXINA NA PETROBRÁS: Nem privatizá-la mais vale a pena – está destruída – assim como a economia brasileira. A omissão política do brasileiro intelectualmente mediano e consciente condenou a todos nós, ao ignorarem a política, a religião e tudo o que concerne ao homem civilizado – o país passou da barbárie à decadência sem que ao menos enfrentasse um processo civilizatório do império da ética e das leis. Depois de 12 anos de lixo ideológico no inconsciente coletivo – só um grande esforço solidário, coerente, conexo e forte da classe-média para nos salvarmos da aniquilação total – endslösung – 2015 é o ano da nossa mobilização – ou morremos lutando ou desistimos de viver – vamos desistir? jamais!

  2. Boa tarde, estou com uma duvida. Como sabemos, aqui no Brasil as empreiteiras sao td privada e o governo contrata as mesmas para fazer obras e acontece o descrito acima. E o povo reclama que falta estrada,educacao e etc;E no Estados Unidos, Canadá,Suíça e Japão falam que as estradas sao maravilhosas, td funciona e etc. Como funciona as obras publicas(esgoto,luz,estradas,ruas e hurbanismo em geral) nesses países? Será que existe corrupção nesses países? Se nao existe, como isso acontece?

  3. Boa tarde,

    Esse artigo simplesmente ignora os benefícios de uma estatal para a economia.

    Sem a Petrobras quem manterá vivos os municípios cujo seus poços petróleo não tenham nenhuma lucratividade? Quem manterá os artistas que dependem do financiamento da Petrobras para suas produções culturais que ninguém quer assistir? Quem manterá vivos os estaleiros nacionais? Quem manterá a alta lucratividade das empreiteiras nacionais? Vocês já pensaram na quantidade de pessoas que dependem do financiamento da Petrobras?

    É um suicídio econômico privatizar a Petrobras, muitos brasileiros dependem de seu dinheiro fácil.

    É certo que há um empobrecimento de toda a população para manter esses benefícios e pode até haver um pouquinho de desvio do nosso dinheiro, mas temos que reconhecer os enormes benefícios econômicos gerados pela estatal.

  4. Leandro, como saber se o melhor a fazer com uma determinada estatal é privatizá-la ou aboli-la? Por exemplo, a Caixa deve ser privatizada ou abolida? E aquela estatal de fertilizantes que foi criada recentemente, é melhor privatizar ou abolir ?

  5. Respeito a opinião mas discordo, acho o raciocínio falacioso e maniqueísta em certos pontos.
    Acho que pintar todas empresas como inocentes ou é inocência ou má fé, no mínimo elas são em grande parte dos casos parte ativa, diferente do mostrado no diálogo. E dizer que qualquer defensor de estatais tem interesses escusos também é demais, existem muitos benefícios para a sociedade serviços totalmente públicos de qualidade.

    Na real toda a lógica privatista e de mercado pra mim é conversa. Livre concorrência é pra inglês ver, mundialmente existe uma estrutura de poder bem estabelecida e bem eficaz em manter o status quo, e que joga sujo.

    Acredito que áreas estratégicas e de soberania nacional devam ter pelo menos uma empresa forte pública (saúde, educação, recursos energéticos, etc). Em alguns casos compita com empresas privadas. As relações podres entre estatais, empresas, corruptores e políticos devem ser combatidas, ainda há muito o que se aperfeiçoar em relação a isso antes de dizer que a única solução é a privatização. Quais os benefícios da privatização da Vale, por exemplo, e você acha que supera os prejuízos?

  6. Perguntas:

    Dizem que na privatização da Vale do Rio Doce ocorreram diversas irregularidades (propina no leilão, repasse de informações privilegiadas, dinheiro do BNDES às empresas compradoras e que ela foi subavaliada). Portanto, quem teria credibilidade para organizar um leilão de venda e quem teria credibilidade para fazer a avaliação da Petrobrás numa possível privatização?

    Depois dos prejuízos dados à Petrobrás e que dificilmente serão recuperados, seria correto vendê-la com suas ações tão desvalorizadas?

    Seria muita especulação imaginar que os envolvidos nas mazelas da Petrobrás estejam associados às possíveis empresas compradoras, sendo beneficiados triplamente com a privatização (já beneficiados com os cargos e com os superfaturamentos e ainda com a futura compra da empresa por um preço abaixo do real valor de mercado)?

    OBS: não sou contra a privatização de nenhuma Estatal, minha preocupação é com o valor de venda delas e com o destino dado aos valores arrecadados. Aproveitando o tema, qual seria o destino correto para o dinheiro das Estatais privatizadas?
    Antecipadamente agradeço a quem tiver paciência em responder.

  7. Leandro,

    Como que funciona esse bombeiro privado do Chile ? concessão a um ou vários entrantes ? livre entrada de concorrentes ? existe lá um “agencia reguladora” de bombeiros ou coisa do tipo ?

    Sobre policia, vc pode até proteger sua casa com uma posse de arma, mas o porte de arma é crime no brasil, então fora de sua casa não vai ter como se proteger.

  8. Eu concordo com a privatização de tudo.
    Mais,eu estava perguntando como funciona em outros paises serviços urbanos comum no dia a dia como ruas,estradas e como não ha tantos desvios e etc.
    No exterior por exemplo,dizem (principalmente os esquerdistas) que as estradas são td perfeita,escola perfeita,ruas perfeitas e etc. Pessoalmente acredito que não é tão perfeito,e eu nunca tive a oportunidade de viajar para paises desenvolvidos,por isso a minha pergunta. Tem varios videos mostrando as ruas do Estados Unidos sem nenhum buraco,afinal de contas,essas ruas são financiadas com 100% do dinheiro privado,do governo? Como o governo financia as escolas do ensino basico e cobra um valor irrisorio e sem desvios(isso os esquerdistas afirmam)? E como o governo financia a segurança publica sem desvios? Ficarei muito agradecido quempuder me passar essa informação ou me explicar melhor isso.

  9. Acho que há algumas questões que tem de ser respondidas referentes a esse tema:

    1-) Vamos supor que a Petrobras fosse privatizada e um grupo estrangeiro assumisse seu controle. Entre outras medidas, sem dúvidas, haveria demissão em massa de seu quadro de funcionários buscando maior eficiência. Você já cogitou a hipótese de esses ganhos de eficiência serem enviados diretamente ao exterior, na forma de remessa de lucros, sem benefício algum aos cidadãos brasileiros?

    2-) As empresas privadas não são tão eficientes como é sugerido no texto. Também há corrupção e a tomada de decisão muitas das vezes é infeliz. A meritocracia também é comummente desvirtuada. Além disso muitas das grandes empresas privadas operam de forma similar a estatais, principalmente as de controle acionário difuso. Há exemplos também onde os serviços públicos no país ainda são melhores que os oferecidos pela iniciativa privada. Exemplos: Universidades e saúde. Ao invés de adotar essa postura extremista de “privatize tudo”não seria melhor analisar a questão caso a caso?

  10. Eufrásia Teixeira Leite

    Olha, apesar de ser um assunto sério, ficou muito engraçado o diálogo entre o político e o empreiteiro. Não imaginava que esse dia iria chegar, mas eu estou muito tentada a colocar pela primeira vez aqui um kkk.

    Agora, em se tratando da Petrobras a coisa piora: fica ainda mais difícil manter a seriedade, e dizer que não estamos diante de uma grande, real e nova tragicomédia. A situação é cabulosa, mas como não rir diante da notícia de que internautas estão convocando petistas a comprar ações da Petrobras, tanto o governo (para "reestatizar") quanto a militância (as ações individuais, para ficar tudo entre eles mesmos) e assim eles levantarem orgulhosamente a bandeira de que “o petróleo é nosso”. Pra quê assistir seriado americano, se aqui mesmo já temos essa excelente opção de entretenimento, e acessível a todos. Não perca no Brasil, "Orange is the New Black".

    Mas – independente disto – o artigo ficou excepcional. É sempre bom ver as diferenças entre como operam as empresas estatais e as privadas. Além disso, só essa comparação já deveria ser o suficiente para todo mundo querer privatizar tudo, e não devia nem precisar levar em conta todos esses esquemas de corrupção.

    Abraços!

  11. Leandro,

    Mas esse bombeiro chileno não é exatamente uma empresa que visa o pecaminoso lucro (rs.)

    Mudando de assunto, quanto falou sobre Singapura, lá tem algumas empresas estatais como a Singtel de telecomunicações e a Singapore Airlines, sabe como que funciona os mercados de aviação e telecomunicações lá ? essas estatais competem no livre mercado ou possuem algum privilegio estatal ? como monopólios outorgadas pelo estado ou agencias reguladoras ?

  12. Leandro,

    Obrigado pela resposta. No mais, outras estatais de petróleo e aviação (Qatar Airways\Emirates etc.) em países como Arabia Saudita, Qatar, UAE tb se encaixam no mesmo contexto ? ou mesmo a Statoil na Noruega que é bem utilizada como exemplo pela esquerda brasileira ?

    Mudando de assunto novamente, o que achou no Banco Central Suíço em introduzir uma taxa de juros negativa de -0,25 ? dizem que é por causa da crise do Rublo. Se puder explanar melhor sobre o caso para nos leigos (rs).

  13. Leandro, estou com algumas dúvidas, espero que você possa me esclarece-las.

    “Assim como o governo não é capaz de saber se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve “investir” em uma estrada ou em uma escola, ele também não sabe se deve produzir mais eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, ou se deve alterar seu serviço de entrega de cartas.”

    Por que um governo ou por exemplo uma empresa estatal não sabe no que investir? Não bastaria os seus “administradores” verificarem as principais reclamações ou verificar qual produto ou serviço está sendo mais demandado?

    “Defensores de empresas estatais podem contra-argumentar dizendo que o governo poderia simplesmente dizer a seus burocratas para agirem como se estivessem em uma empresa em busca de lucros e que operassem da mesma maneira que uma empresa privada.”

    A respeito dessa parte, terias algum texto especifico ou livro que trate melhor desse assunto?

    Obrigado.

    Abraço

  14. Souberam da última? Estão noticiando que o governo Dilma previu a reaproximação entre EUA e Cuba, e teriam construído aquele porto para se ‘antecipar aos investidores’.
    O mais cômico é estarem comemorando a “liberalização econômica” do país cubano.

  15. Leandro,

    Olha os números pelo Numbeo, o preço por LITRO da gasolina na Noruega é de 2,03 USD, entretanto vc ganha em média 3500 USD liquido, ou seja, com o salário médio liquido dá para vc comprar +1700 litros de gasolina por mês.

    http://www.numbeo.com/cost-of-living/country_result.jsp?country=Norway&displayCurrency=USD

    Aqui no Brasil a gasolina em USD está 1,01, porém com um renda média pífia de 650 USD.

    Em suma, lá a gasolina custa o dobro daqui porém vc ganha mais de 5x em renda. E nem vou levar em consideração o fator qualidade da gasolina, pois aqui no BR te vendem mijolina.

  16. Dei-me um país que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre. O petróleo é dos árabes. E a Petrobrás é dos políticos e de seus funcionários.
    Cuba é o futuro da Venezuela.
    A Venezuela é o futuro da Argentina.
    E a Argentina é o futuro do Brasil.
    Dilma é Lula. E Lula é Sarney.

  17. Luís Gustavo Schuck

    É interessante que mensalmente o IBGE e outros fazem levantamentos de preços e tudo o mais e estas informações não são vinculadas as entidades do governo (em parte). Chega a ser uma imbecilidade exigir 3 orçamentos quando se poderia em muitos produtos comparar o orçamento oferecido com milhares, milhões de concorrentes…

    Quem nunca ouviu alguém bradando com orgulho que possui empresas em nome de parentes apenas para ganhar as licitações já arranjadas com os governantes ou ainda os “cartéis” que já revesam.

    Espero que um dia a informação seja usada de forma adequada. Tanto vemos pequenas empresas se esforçando para gerenciar seus negócios adaptando sistemas, processos, contratando consultoria… Já no governo as coisas correm frouxas. Nem controle de ponto não se tem direito em muitos e muitos locais, imagine governança corporativa e ética…

    Seria bobagem dizer que estas distorções afetam os levantamentos oficiais como PIB e índices de inflação?

    Enfim a coisa está mais do que de cabeça para baixo. Como diz o Harvey Dent a noite é mais escura logo antes do amanhecer. Espero que a poesia possa se provar. Espero que em meu tempo hehehe.

  18. Emerson Luis, um Psicologo

    São ineficientes porque não precisam apresentar resultados positivos consistentes nem enfrentar a possibilidade de falência. São corruptas porque o poder corrompe.

    * * *

  19. Fernando Cáritas de Souza

    Sou a favor do livre mercado e do Estado Mínimo ou até mesmo ausente. Mas acho que no Brasil vamos ter que fazer um trabalho contínuo, lento e de muita paciência para ensinarmos desde a escola as noções de liberdade econômica, empreendedorismo, economia. Se não tomarmos as escolas (desde o ensino fundamental até o superior) da Esquerda Organizada, esqueçam!!! Melhor procurar um aeroporto.

  20. Se isto for verdade, pq a PETROBRÁS bateu record de produção no mundo? É a empresa q mais produziu barris de Petróleo no mundo, batendo, inclusive, empresas privadas. Para confirmar isto, basta procurar entrevista com funcionário de carreira de PETROBRÁS q ele deu a record.

  21. Evidentemente, os vastos esquemas de corrupção do PT não se limitam apenas à Petrobras. No mundo inteiro, é notório que os 3 setores mais atingidos por problemas de corrupção são os seguintes:

    i) ENERGIA

    ii) DEFESA

    iii) INFRAESTRUTURA

    A própria lei americana anti-corrupção FCPA (1977), foi criada como consequencia de um enorme escândalo de corrupção; envolvendo o pagamento pela Lockheed de US$ 1,1 milhão ao Príncipe Bernhard da Holanda (relacionado à venda de aviões de combate F-104).

    Uma das coisas mais preocupantes a respeito da ODEBRECHT é que (além de ter participado do esquema de corrupção da Petrobras), a empresa fatalmente também organizou OUTROS esquemas de corrupção; com o total apoio do Lula.

    Não podemos esquecer que a ODEBRECHT criou uma filial chamada ODEBRECHT DEFENSE. Foi esta filial que (durante o governo do Lula) ganhou o imenso contrato da contrução dos novos submarinos da Marinha do Brasil. Imaginem o nível da corrupção, no vasto projeto chamado PROSUB, orçado em R$ 27 bilhões (US$ 8 bilhões) !…

    No caso da ODEBRECHT DEFENSE, além do risco de corrupção, estamos diante de um grave problema de RISCO DE SEGURANÇA NACIONAL.

    O poço de corrupção em Banania Brazilis é tão profundo, que é simplesmente impossível de se ver o fundo!

    odebrecht.com/en/communication/news/odebrecht-defense-and-technology-begins-building-third-conventionally-propelled

  22. Por que sempre isenta-se a culpa de empresas privadas, como se nunca houvessem envolvidas com a corrupção estatal ou se nunca tivessem corrupção dentro delas mesmas?

  23. Queria a opinião de vocês sobre uma ideia:
    Petrobrás privada, recolhendo royalties para o governo em cima do petróleo extraido, e o governo repassando esses royaties para cada brasileiro com cpf ativo.
    Isso poderia ser feito em relação a todas as comodities minerais.
    Isso poderia ser feito também nos outros países com reservas minerais. (Nigéria, Arábia Saudita…)

    Que efeitos isso teria na economia do país?
    Será que haveria o que houve na Espanha da Era Moderna (com o ouro das américas), o efeito de excesso de moeda?
    Um mercado aberto ao mundo poderia suprir as demandas dos cidadãos, algumas industrias quebrariam, alguns cidadao mais austeros poderiam importar maquinário e criar novas industrias…

    No Brasil tal medida teria tanto impacto? Grosso modo, acho que não. Na Nigéria e Arábia Saudita, sim.

    Afinal, a quem pertencem os minérios? A quem chegou primeiro e fincou uma bandeira? À União? Aos cidadãos?

  24. Dei-me um país, que tenha monopólio estatal do petróleo e, eu lhe darei um país pobre e uma cleptocracia. Cuba é o futuro da Venezuela. A Venezuela é o futuro da Argentina. E a Argentina é o futuro do Brasil.

  25. Gostaria imensamente de promover o canal ideias radicais. Juro que não tenho nenhum vínculo, é que o canal é realmente muito bom, especialmente para os indivíduos que nunca tiveram contato com ideias liberais:

  26. Funcionário público

    A gestão de estatais é, sim, muito ineficiente, ora pela “burrocracia” ao extremo, ora pelas indicações políticas.

    De um lado, a mão-de-obra desqualificada que está tomando conta do mercado, com os “dipromas” cada vez mais fáceis e sem o mínimo de conhecimento salutar real agregado ao indivíduo graduado ou pós-graduado. Do outro lado do muro, seguem os “cumpanhêro” que, militantes que foram e são, exigem cargos nas posições outrora estratégicas das estatais, até então geridas na maioria das vezes pelo quadro técnico; canetada política ao invés de decisões técnicas.

    Já fui funcionário efetivo em estatal, na monopolista CORREIOS. E posso dizer que nessa estatal há, contrariando o pejorativo estigma que rotula os funcionários públicos, diversos profissionais treinados, capacitados, experientes, esforçados em fazer o melhor, mas que, por questões ideológicas e princípios pessoais, negando convictamente a se sujeitarem às leis partidárias para tomar qualquer decisão gerencial, foram jogados nas “geladeiras estatais”, encostados como se fossem vassouras quebradas e rodos sem borracha, seguindo desmotivados rumo à aposentadoria. Nos seus postos de trabalho, caíram de para-quedas profissionais despreparados, sem saber sequer o que move a engrenagem, apadrinhados políticos, sem conhecimento técnico (muitos apenas com 2º grau), sem COMPROMISSO COM A CAUSA, mas com capacidade e coragem para tomar decisões que irão custar a sobrevivências das estatais brasileiras.

    Não existe a gestão eficaz, racional em empresa pública. Isso é falácia! O que existe é gestão política, visando interesses partidarios (da situação governista), obras faraônicas, gastos irresponsáveis, atitudes sintonizadas, ou como dizem lá, “alinhadas com o governo/ParTido”. Se um dia houve gestão técnica, isso é passado e com certeza foi abolido. FHC deveria ter privatizado tudo, pois assim o populismo não teria tido oportunidade de roubar da Petrobras e tantas outras tetas estatais.

    Assim sendo, não vejo outra solução às estatais que não seja a PRIVATIZAÇÃO GERAL.

  27. Entrei em uma discussão pelo facebook com um professor militante dos “operários” a respeito das quedas das petrolíferas e o quanto a Petrobrás é “anã” perto das grandes empresas privadas do mundo.
    O cara rodeou, rodeou, e não respondeu meus questionamentos.
    Citou Noruega(com sua gasolina mais cara e o welfare state), no meio do bolo, citou a porcentagem das altas no periodo FHC x Lula/Dilma, citou os investimentos “muito maiores da PETR4 do que as outras grandes empresas concorrentes, enfim…. fez uma salada.
    Gostaria de saber se há algum gráfico definitivo pra encerrar a discussão e provar que o nosso “tesouro nacional” só serve pra quem mama agarrado, pra nós, meros mortais, o tal bem estratégico só serve pra acelerar a fatura que a gente tem que pagar no final do mês.

  28. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    É do interesse dos ladrões que isso acabe logo. Desperdiça recursos deles mesmo, pois o mal sempre perde, mesmo quando pensa que ganhou. Fim do Brasil Soviético hoje: 8/8/2015!

  29. É simplesmente a velha (e elementar) explicação:
    Pessoas tendem a reagir e a se planejar com base em estímulos e levando em conta os riscos. Empresas são um agrupamento de pessoas.
    Uma empresa privada corre inúmeros riscos, em última instância o risco da falência caso não seja competente no mercado em que atua. E é exatamente o risco da falência que faz com que a empresa privada busque a maior eficiência possível com o menor gasto possível.
    Empresas públicas, por outro lado, não estão sujeitas aos mesmos riscos. Pelo contrário, frequentemente a resposta que o Estado dá para uma empresa pública ineficaz é INJETAR MAIS DINHEIRO na mesma. Com um mecanismo de incentivos completamente deturpado como esse, é completamente irracional exigir de uma empresa pública qualidade. Ela sempre vai entregar uma qualidade inferior.

  30. “Uma vez que não há rédeas, deixa de haver também qualquer chance de o governo alocar recursos racionalmente. Assim como o governo não é capaz de saber se deve construir a estrada A ou a estrada B, ou se deve “investir” em uma estrada ou em uma escola, ele também não sabe se deve produzir mais eletricidade, ou se deve prospectar mais petróleo, ou se deve alterar seu serviço de entrega de cartas.

    Com efeito, não há como o governo saber o quanto deve gastar em todas as suas atividades em que está envolvido. Simplesmente não há maneira racional de o governo alocar fundos ou mesmo decidir o quanto ele deve ter.

    O sistema de lucros e prejuízos serve como guia crítico para direcionar o fluxo de recursos produtivos. Tal guia não existe para o governo, que não possui uma maneira racional de decidir o quanto de dinheiro ele deve gastar, seja no total ou em algum setor em específico.

    Defensores de empresas estatais podem contra-argumentar dizendo que o governo poderia simplesmente dizer a seus burocratas para agirem como se estivessem em uma empresa em busca de lucros e que operassem da mesma maneira que uma empresa privada. Mas há dois defeitos nessa teoria. “

    Leandro, tens algum artigo ou livro que explica mais detalhadamente essse trecho?
    Obrigado.

  31. Gostei deste artigo, tema interessante.
    Se privatizar a BR Distribuidora,como garantir que haverá posto de combustíveis em lugares remotos, não atrativos em termos de relação custo/benefício para o empresário? E no caso de agência do BB/CEF ou aeroporto.
    Obrigado.

  32. João Carlos das Neves

    Nenhum empresário em sã consciência vende sua empresa por estar sendo roubado por seu gerente ou qualquer outro empregado.
    Pelo raciocínio aqui apresentado a existência de empresas estatais alimenta a corrupção nos governos.
    Para esse problema privatização não é solução, nunca será!
    A teoria da privatização foi criada por FMI e Banco Mundial com o objetivo de criar países eternos pagadores de juros, sem condição de quitar definitivamente suas dívidas com essas instituições, o sonho de todo banqueiro! Também transferir para poucos privilegiados grandes geradoras de riqueza!
    Vamos supor que todas as estatais fossem privatizadas e o governo cuidasse de saúde segurança, educação, arrecadação de impostos, construção de estradas, transposição de rios, etc… A corrupção continuaria da mesma forma, pois empresas seriam contratadas para fazer essas obras. E isso já vemos faz muito tempo em todos os níveis da administração pública (governo Federal, estadual e municipal).
    Nosso real problema são leis brandas e pessoas corruptas em postos chave, muitas dessas pessoas eleitas por nós mesmos, os maus eleitores. Alguns eleitos e reeleitos indefinidamente.
    O problema são pessoas desonestas tomando conta dos cofres!

  33. Olá, Leandro… Gostei muito do seu artigo e vou logo dizendo que sou leiga no assunto e incapaz de refutá-lo.

    Vejo o povo criticar duramente (especialmente o pessoal de esquerda) as privatizações e o livre mercado. Já li algumas coisas que me convencem quase totalmente de que elas são boas ou pelo menos não são tão ruins para esse alarde todo.

    Mas realmente me fica uma dúvida e acho que também nunca sanei tal dúvida porque nunca me dediquei a ler mais a fundo sobre esse assunto. Comecei agora lendo esse artigo e abri vários outros indicados nos comentários acima para ler aos poucos.
    Enfim…
    Ao mesmo tempo que acho boa a medida de privatizar, não consigo imaginar alguns setores básicos funcionando assim. Não estou dizendo que não é possível de se realizar, é claro que é, mas penso nas consequências e se essas não poderiam ser negativas para pessoas de baixa renda, na linha ou abaixo da linha da pobreza e tal.

    Se privatizarmos TUDO, como diz ser a solução no seu artigo. Quem garantirá o acesso dessas pessoas em hospitais e escolas particulares, por exemplo? Quais são as medidas adotadas em outros países que assim funcionam? Seria mesmo possível afirmar, sem medo, que o livre mercado, e portanto, a abolição de taxas, de impostos e outras limitações às empresas iriam possibilitar melhores salários e outros benefícios à essas pessoas/trabalhadores que possibilitaria, por sua vez, o acesso a esses atendimentos básicos com seu próprio dinheiro?
    Tento visualizar essas consequências sobre pessoas autônomas, desde uma simples costureira até, sei lá, um podador de árvores, por exemplo?

    Digo isto porque não imagino o livre mercado (apesar de poder por vezes gerar mais empregos e incluir mais pessoas) conseguir gerar espaço para todo mundo (tanto em questão de vagas, como em questão de requisitos e formações mínimas necessárias para tais vagas) a curto prazo especialmente.

    Nesse sistema realmente acaba todo o controle do Estado? Toda a regulamentação? Em países que não existem estatais quais seriam então as principais funções do governo, já que eles não precisam se preocupar em ordenar esses setores? Quem paga os salários desses governantes? Como seriam feitas assistências a essas pessoas de extrema necessidade sem o colaboração dos cidadãos que se dá por impostos e coisas do tipo? Como isso é feito em outros países também?

    Um questão que não consigo imaginar mesmo é a ambiental. Se não houver nenhum controle e um certo moralismo de preocupação ambiental (que é indispensável para a existência humana) e todo um pacto de responsabilidade, o que será da natureza se os que visam o lucro na maioria das vezes não pensam nas consequências de longo prazo de suas ações? Quem teria capacidade e autoridade para forçá-los a desacelerar ou mesmo recuperar a degradação ambiental?

    Nesse sistema e nesse sentido, então é impossível que haja uma “privatização” do sistema jurídico? Visto que pode acontecer de quem cria as leis e quem as julga ter também interesse de proteger sua própria empresa, a de um amigo ou a de um familiar? (Alguma coisa me diz que acabei ter uma merda de raciocínio nesse trecho, já que o tema aqui é livre-mercado e talvez isso não tenha nada a ver com o assunto).

    Enfim, fico pensando nessas consequências. Sei que são muitas perguntas. Mas se puder esclarecer, agradeceria muito.

    Abraço!

  34. Quem deras a solução fosse tão simples assim… Vale lembrar que empresas privadas também podem gerar muitos prejuízos sociais. Quer um exemplo? 5 de novembro de 2015 – rompimento de barragem de rejeitos de uma empresa privada de mineração. Oficialmente 19 mortos, dano ambiental e a atividade econômica em 230 cidades de dois estados, pouco mais de 4000 empregados desocupados só na cidade de Mariana (dados de Julho/2016)… Esse é um exemplo. Outro, muito famoso, é o da Enron nos EUA, a construtora Encol no Brasil, e por aí vai. O grande problema é que junto a essas más administrações, essas empresas gozam de benefícios estatais, de trocas de favores, da inaptidão estatal na administração pública. Por isso acho muito raso esta análise do texto, e se é esta a solução, então devemos pensar na privatização do público. Falo de privatizar empresas, hospitais, faculdades, escolas, estradas, segurança… É disso que se trata. Se as pessoas não acordarem para aquilo que impacta em suas vidas, nada nunca vai pra frente, seja público ou privado. E de verdade? O privado não é tão melhor que o público. Vide o mercado de telefonia nacional que apresenta serviços fracos para o preço absurdo que pagamos, e olhem que é um mercado que goza de incentivos.

    Hoje trabalho numa empresa pública, mas já trabalhei em empresa privada e não vejo problemas em voltar à iniciativa privada. Só devemos nos atentar para o fato de que a questão administrativa, seja ela pública ou privada, deveria ser regulada de forma mais séria, que sem fiscalização de cada um não vai acontecer. Outra coisa é endurecer as penas para os crimes contra a economia. Precisamos de órgãos reguladores que realmente tomem atitude séria, não que sejam meros fantoches. Precisamos de leis que obriguem o seguimento de um determinado perfil para as empresas públicas e, porquê não, limitar a mão do estado sobre a administração dessas empresas. Precisamos quebrar os monopólios, sejam públicos ou privados. Se o governo passar a se preocupar em realizar as ações sociais que são seu dever e fiscalizar e punir com severidade as empresas privadas concessionárias de serviços públicos por má administração ou por fraudes, teremos um cenário relativamente melhor.

    Ir pela solução mais simplória sem analisar o todo pode significar a falência do país e a desgraça de seu povo. A ação do estado sobre a economia é desastrosa em muitos casos, mas em alguns pode ser salvadora. O que carecemos é de bons administradores no estado, que deveria ser tratado como uma empresa e nós, pagadores, deveríamos poder mais facilmente demitir os dirigentes. todos eles.

  35. Perdoem minha ignorância, mas, entendi a parte da corrupção, mas não entendi ao que se deve a ineficiência exatamente. Alguém poderia me explicar?

  36. Parece que alguém está querendo lavar dinheiro.

    g1.globo.com/sao-paulo/noticia/familia-de-sp-ve-conta-de-luz-subir-de-r-60-para-r-29-mil-em-um-mes.ghtml

  37. Pessoal, uma pergunta: Porque o grau de corrupção das estatais varia com o setor e com o país? Existe algum mecanismo para diminuir a corrupção nos chamados “países mais sérios”?

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