Atitudes
como desonestidade, mentira e trapaça não são tratadas com a devida abjeção que
merecem. Para se compreender melhor a importância da honestidade e da
confiança, apenas imagine como seria nossa rotina diária se não pudéssemos
confiar em ninguém.
Quando
compramos em uma farmácia um recipiente contendo 100 pequenas pílulas (como
vidros de homeopatia, por exemplo), quantos de nós nos damos ao trabalho de
realmente contar as pílulas? E quando o remédio é líquido, quantos de nós
conferimos se o volume divulgado no rótulo corresponde ao volume
verdadeiro?
Quando
abastecemos nosso carro no posto, como sabemos que os litros especificados na
bomba realmente correspondem ao volume que entrou no tanque do carro? Quando você vai ao supermercado e compra 1 quilo de carne, você por acaso
verifica — por meios independentes — se realmente está levando um quilo de
carne?
Em
cada um desses casos, e em milhares de outros, nós simplesmente confiamos no
vendedor.
Inversamente,
há milhares de situações em que é o vendedor quem tem de confiar no
comprador. Após um mês de trabalho, o empregado confia que seu patrão irá
lhe pagar o salário combinado. Um comerciante vende um produto e recebe
em troca um cheque, o qual ele confia que tenha fundo. Um fornecedor
entrega uma mercadoria para seu cliente e confia que este irá lhe pagar dali a
30 dias, como combinado.
Exemplos
de honestidade e confiança são abundantes, mas imagine o custo e a
inconveniência caso não pudéssemos confiar em ninguém. Teríamos de andar
sempre carregando instrumentos de medição para nos certificarmos de que
realmente estamos recebendo o volume correto de gasolina e o quilo correto de
carne. Imagine a inconveniência de ter de contar o número de pílulas ou
de mensurar o volume de um líquido dentro de um recipiente?
Se
não pudéssemos confiar em ninguém, se a simples palavra do vendedor ou do
comprador não tivesse valor nenhum, teríamos de arcar com o oneroso fardo de
fazer contratos por escrito para toda e qualquer transação efetuada. Teríamos de arcar com todos os custos de monitoramento que garantem que a outra
parte irá fazer corretamente até mesmo às mais simples transações.
Podemos
dizer com toda a certeza que tudo aquilo que solapa a honestidade e a confiança
aumenta os custos de transação, reduz o real valor das trocas voluntárias e nos
torna mais pobres.
Honestidade
e confiança se manifestam de maneiras que poucos de nós sequer conseguimos
imaginar. Em determinadas vizinhanças, por exemplo, é comum que empresas
de entrega deixem encomendas muitas vezes valiosas em frente à porta caso o
morador não esteja em casa para recebê-la. Não há necessidade de marcar
horário para a entrega, o que é bom tanto para o morador quanto para a
empresa. Ambos ficam com suas agendas livres e aumentam sua
produtividade.
Da
mesma maneira, supermercados e demais estabelecimentos comerciais podem
tranquilamente expor várias mercadorias perto das portas de entrada e saída do
estabelecimento, ou até mesmo deixá-las do lado de fora do estabelecimento, sem
se preocupar com roubos.
Já
em vizinhanças notoriamente menos honestas, empresas de entrega que deixassem
encomendas na porta de uma casa e estabelecimentos comerciais que expusessem
mercadorias perto da rua estariam cometendo o equivalente a um suicídio
econômico.
Desonestidade
é algo oneroso. Empresas de entrega não podem simplesmente deixar
encomendas em frente à porta caso o morador não esteja em casa. A empresa
terá de arcar com os custos de fazer uma nova viagem em outro horário. Ou
terá de tentar agendar um horário. Ou então o cliente terá de arcar com
os custos de ter ele próprio de ir recolher o produto. Se um estabelecimento
comercial decidir exibir algumas de suas mercadorias do lado de fora, ele terá
da arcar com os custos de contratar um auxiliar — isso se ele realmente puder
se arriscar a deixar suas mercadorias do lado de fora.
Nas relações de trabalho, a desonestidade e a falta de confiança podem ser fatais. Patrões desonestos prejudicam seus empregados e podem afetar todo o seu êxito profissional. Empregados desonestos podem quebrar empresas e falir seu patrões, tanto por meio do roubo quanto por acionamentos judiciais desnecessários.
A despercebida tese de Fukuyama
Francis
Fukuyama ficou famoso em 1988 por causa da publicação de seu livro O Fim da
História. A tese que ele defendia era simplória: a
democracia liberal havia derrotado todos os sistemas e, dali em diante,
passaria a ser o arranjo preponderante e superior a todos os outros. Isso
se comprovou uma óbvia inverdade. Pense no Islã. Pense na política
burocrática reinante na China. Pense em Hong Kong e em
Cingapura, que não têm democracia — ao menos, não no estilo defendido por Fukuyama.
À
época, o livro recebeu uma estrondosa publicidade. Hoje, ele raramente é
citado. Nunca entendi por que esse livro foi levado a sério. No
entanto, durante um bom tempo, várias pessoas o levaram a sério.
Em
1995, Fukuyama publicou outro livro: Confiança. A publicidade recebida por este livro foi ínfima. Mas o livro é
excelente. Digo mais: é um dos mais importantes livros já escritos sobre
economia e ordem social.
Neste
livro, Fukuyama analisa os efeitos da confiança sobre uma sociedade. Ele
concentra sua análise nos Estados Unidos, no Japão, na China e no sul da
Itália, onde praticamente não há confiança nenhuma em nada e ninguém confia em
ninguém. Ato contínuo, ele analisa como a presença ou a ausência da
confiança pode se tornar uma fonte de ordem social, de crescimento econômico e
de aumento da produtividade geral.
Ele
descobriu, de maneira nada surpreendente, que os EUA, até aproximadamente 1960,
possuíam uma enorme vantagem competitiva em relação ao resto do mundo por causa
do alto nível de confiança que seus habitantes tinham em relação aos seus
conterrâneos. À medida que a confiança foi declinando, a taxa de
crescimento econômico também declinou. Concomitantemente ao declínio na
confiança houve um aumento no número de advogados.
Uma
das sociedades menos produtivas de toda a Europa Ocidental é a do sul da
Itália. Ele atribui isso à falta de confiança que reina na região. Esse é um dos motivos pelos quais as sociedades secretas, especialmente a
Máfia, têm tanta influência no sul da Itália: tais organizações provêm um
mínimo de ordem social para seus membros, e a população em geral não oferece
muita resistência à existência destas organizações.
A
seção sobre a China é a mais interessante. Fukuyama diz que os chineses
apresentam um grande nível de confiança, mas somente em relação às suas
famílias. Isso faz com que seja muito difícil para empresas chinesas
concorrerem com pequenos empreendimentos geridos por famílias ou com pequenos
empreendimentos que tenham conexões familiares. Faz com que seja mais
difícil criar grandes empresas. E faz com que seja ainda mais difícil
levantar fundos e conseguir capital para financiar essas grandes empresas.
Já
o Japão está em um meio-termo entre os EUA e a China. No Japão, ao
contrário da China, há mais confiança em organizações que não estejam ligadas a
famílias. No entanto, os grandes conglomerados japoneses possuem em suas
raízes um pequeno número de famílias japonesas.
Em
seu livro, Fukuyama dizia acreditar que as corporações japonesas poderiam
concorrer no mercado internacional de maneira mais efetiva do que as empresas
chinesas porque os japoneses podiam contratar as melhores pessoas, muito embora
suas empresas não apresentassem conexões familiares. Os japoneses também
seriam capazes de conseguir dinheiro para investimentos mais facilmente do que
as empresas chinesas.
Se
olharmos o que ocorreu ao longo das últimas décadas, creio que essa tese se
comprovou. Empresas chinesas demonstraram uma maior tendência de serem
mais intimamente associadas ao governo chinês. O estado tem sido a fonte
de financiamento das empresas chinesas. O sistema bancário está mais
intimamente ligado ao estado na China do que nas nações ocidentais.
A ausência de instituições formais pode ser
observada quase que em sua integralidade na República Popular da China, onde a
ideologia maoísta foi a grande responsável pelo atraso na introdução de
instituições “burguesas”, como o direito comercial. Até o
presente momento, empreendedores na China têm de enfrentar um ambiente jurídico
extremamente arbitrário, no qual os direitos de propriedade são tênues, os
níveis de tributação são variáveis e mudam de acordo com as vontades de cada
governo provincial, e o suborno é a rotina quando se lida com funcionários do
governo. (p. 330)
Fukuyama
também escreveu o seguinte:
Um estado liberal é, em última instância, um
estado limitado; um estado em que a atividade do governo é estritamente
delimitada pela esfera da liberdade individual. Se tal sociedade não se
degenerar no caos ou se tornar ingovernável, ela será capaz de apresentar uma
autonomia governamental em todos os níveis de organização social.A
sobrevivência de tal sistema dependerá não somente da lei, mas também do
autocontrole e do comedimento dos indivíduos. Se eles não forem capazes
de apresentar uma coesão em prol de um propósito comum; se eles não forem
tolerantes e respeitosos em relação aos conterrâneos, ou não respeitarem as
leis que eles próprios criaram para si mesmos, uma agência com grande poder
coercivo terá de ser criada para manter cada indivíduo na linha.Por outro lado, um arranjo sem estado pode
funcionar em uma sociedade que apresente um grau extraordinariamente alto de
sociabilidade espontânea; uma sociedade na qual o comedimento, a temperança e o
comportamento baseado em normas fluam naturalmente do cerne desta sociedade,
sem ter de ser trazido de fora.Um país com um capital social baixo não
apenas é mais propenso a ter empresas pequenas, fracas e ineficientes, como
também sofrerá mais com a corrupção generalizada de seus funcionários públicos
e com uma administração pública ineficaz. Tal situação é dolorosamente
evidente na Itália, onde, à medida que se sai do norte e do centro do país em
direção ao sul, percebe-se uma relação direta entre atomização social e
corrupção (pp. 357-58).
Creio
que a teorização acima é correta. Ela é perceptível em todos os países
que enriqueceram. Além dos EUA, pense na Suíça, no Canadá, na Austrália e
na Nova Zelândia. Pesquise o nível de confiança vigente nestes
países. Pesquise a percepção de honestidade e como sua população interage entre si. Pesquise o
grau de burocracia exigido para se fechar um negócio. Depois, faça o
mesmo para os países da América Latina e da África.
O
fato de honestidade e confiança serem tão vitais deveria nos fazer repensar a
nossa tolerância para com criminosos e pessoas desonestas — a começar por todos os
criminosos que estão no poder e que gozam de impunidade.
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Leia também:
Sociedades pobres e sociedades ricas – o que faz a diferença
À medida que a confiança foi declinando, a taxa de crescimento econômico também declinou. Concomitantemente ao declínio na confiança houve um aumento no número de advogados.
Pois é. E a coisa fica mais interessante quando descobrimos que o Brasil, sozinho, tem mais faculdades de Direito que todos os países.
No que diz respeito a serviços, posso dizer por experiência própria que o Japão está muito a frente dos EUA.
Na minha última visita a Tokyo, é inevitável o uso do transporte coletivo (metrô e trem), a não ser que a pessoa seja endinheirada para pagar o taxi, como não é o meu caso. 🙂
Para quem não sabe, a tarifação acontece por estações.
Ou seja, se a pessoa vai de uma estação A para B, tem uma tarifa X. Da estação A para C, uma tarifa Y, e assim por diante.
Pois bem, na minha experiência, comprei um bilhete, que para o meu trajeto mais longo, custou-me 800 ienes.
É necessário manter o bilhete até o fim do trajeto, para no desembarque, precisar pagar a diferença se acontecer uma alteração no trajeto, por exemplo.
O problema é que eu perdi o bilhete, e como um turista gaijin, sem falar o japonês direito, como desembarcar?
Fui ao posto de atendimento da estação, e expliquei através do inglês, de algumas palavras em japonês e do mapa ferroviário, que eu perdi o bilhete, e que tinha vindo da estação A.
Fui cobrado por um novo bilhete, ou seja, o mesmo preço que tinha pago, e pude inserir o bilhete na catraca e desembarcar.
Aonde quero chegar com isto?
É que, a confiança do agente ferroviário para comigo foi a tal ponto que, se eu quisesse ter dado uma de picareta, eu poderia ter falado que eu tinha embarcado numa estação mais próxima, e consequentemente ter pago um novo bilhete com uma tarifa mais barata.
E é por esta experiência, que eu penso que vamos demorar e muito para ter um nível de negócios ao mesmo estilo que o d Japão.
Não é exatamente o tema deste texto, mas creio que é correlato:
O darwinismo social, além de todos os seus efeitos desastrosos na política (Os marxistas e nazistas eram seguidores desse engano) causou até mesmo uma compreensão errada do capitalismo por parte dos próprios capitalistas. Numa compreensão inteligente e saudável, o capitalismo precisa de confiança, honestidade e humanidade por parte das pessoas. Não que elas sejam perfeitas, mas que pelo menos entendo que essas coisas são boas. No final do século XIX e início do século XX, o conceito de concorrência se desvirtuou, na mente de muitas pessoas, e passou a significar: “vencer a qualquer custo, e destruir toda aquele que possa me fazer concorrência”. Esse conceito vem do darwinismo social, e não do liberalismo. Concorrência no mundo econômico não é lei da selva. Na selva, um animal ganha quando outro perde. A saciedade de um significa a fome (e talvez a morte) de seu concorrente. No mundo econômico, mesmo o perdedor recebe algo dos benefícios gerados pelo ganhador. Eu posso não ter feito o melhor produto, posso até ter sido obrigado a mudar de ramo, mas serei beneficiado no uso dos melhores produtos selecionados pelo mercado.
Competição, no mundo econômico, e cooperação, e beneficia-se da honestidade e respeito. Se isso fosse mais entendido, mais pessoas dariam atenção aos efeitos econômicos da moralidade.
Artigo na mosca. Só faltou lembrar que o caráter, fonte da confiança, depende da importância que cada um dá às suas próprias ações.
Por exemplo, o estereótipo do brasileiro “ishperrto” tem como justificativa para seus feitos lamentáveis a crença de que “todo mundo faz, então eu fazer também não tem problema”. Para uma sociedade se manter próspera e estável, um dos requisitos é que cada indivíduo se responsabilize pelas suas ações.
E ninguém é capaz de se policiar por todos os lados, o tempo todo. O enforcement de certo e errado através da pressão social é necessário. Por isso a ascensão do politicamente correto, do “não julgue”, da culpa coletiva são acontecimentos agourentos para a civilização ocidental.
Me pergunto por que preciso de um Cartório para dizer que minha assinatura, ou a assinatura de alguém é autêntica. Por que é público? HAHAHAHAH Piada.
Não é a toa que toda essa burocacia dos cartórios é uma fonte de atraso e corrupção.
Inexiste confiança para fechar um negócio neste país. O Brasil, com sua escola portuguesa cartorária, prejudica a celeridade das ações humanas e o progresso inerente a qualquer sociedade livre. O que esta nação está longe de ser.
“Teríamos de andar sempre carregando instrumentos de medição para nos certificarmos de que realmente estamos recebendo o volume correto de gasolina e o quilo correto de carne.”
não é por isso justamente que permitimos que o Estado assuma essas funções, através de orgãos fiscalizadores? essa não é uma função útil do Estado?
Na Itália, mesmo sendo um país com bastante burocracia, existe a auto-certificação, através da qual pode-se substituir documentos certificados em uma série de casos simples, como declaração de estado civil, endereço, títulos de formação e uma série de outras. Caso sejam encontradas declarações falsas, a falsidade nos atos e o uso de atos falsos são punidos segundo o código penal e as leis em matéria.
Ou seja, você, em princípio, diz a verdade.
Aqui no Brasil, você certamente é um mentiroso, até prova em contrário, prova essa autenticada em cartório e devidamente protocolada.
Raul Seixas já sabia:
“Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado se quiser voar!”
Hoje, ainda faltaria o “cafezinho”.
Concordo plenamente com o artigo, porém volta sempre ao ponto de quase todas as análises de diferença social, a base da confiança se chama educação, através de aprender que o certo é o certo, temos que respeitar normas e leis para que todos ganhem. A impunidade e a “bagunça” fiscal atrapalham e muito também
O mote do artigo recorda-me um dos primeiros tomos notáveis que pude desfrutar em defesa das liberdades — e que ainda hoje guardo como um de seus mais bem pensados postulados: “A Sociedade de Confiança”, de Alain Peyrefitte. Recordação de minha primeira participação junto ao Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, aos tempos em que o evento fazia jus ao título, quando encontrar tais publicações equivalia a deparar-se com o pote d’ouro no fim do arco-íris.
Além do livro “Confiança”, de Fukuyama, há este excelente trabalho sobre o mesmo tema.
Quando era criança lembro-me de ver nos filmes e desenhos americanos cenas que retratavam a vida numa sociedade onde a maioria é honesta. O leiteiro deixando a garrafa na porta, o jornal arremessado na grama da casa sem muro, o carro estacionado a noite com as janelas abertas, etc. A quantidade maior de politico corrupto é apenas um espelho da sociedade. Não que politico ladrão seja particularidade brasileira. Aqui infelizmente a desonestidade na sociedade é elevadíssima. Tal mau caratismo deságua nos plenários e gabinetes. Talvez o título de maior roubo da história mundial a uma empresa pública pertencerá ao Brasil. Puro reflexo.
Gostaria de saber se no Chile também existia ou existe esse problema de falta de confiança, e também qual a influência da imigração na diminuição que houve nos EUA.
Sim, estou insinuando que a imigração pode ser ruim para a economia no longo prazo.
Se é que podemos considerar a democracia atual de liberal… Democracia liberal, entendo eu, seria uma forma de Estado em que os participantes do sistema poderiam se associar ou se desassociar livremente, os tributos seriam pagos apenas por quem quisesse, ou quem aprovasse a criação de uma nova tributação. O Estado não poderia suprimir o indivíduo.
A democracia que vejo vigente em vários países do mundo, é uma democracia firmada por pessoas que já não existem, ou que pelo menos estão velhos demais, e as pessoas da atual geração são obrigadas a seguir as decisões do Estado, e se não quiser participar, prontamente será condenado, a não ser que mude de país.
Fukuyama disse que a democracia liberal obteve uma vitória moral sobre todas as demais formas de governo humanamente possíveis, NÃO que todos os países se tornariam liberais. Disse que haveria ameaças à democracia liberal (incluindo a “democracia social”), que continuaria havendo conflitos e possíveis retrocessos.
Sobre a questão da confiança, ela é mais um fator que explica a estagnação econômica dos países socialistas. Nestes se gasta muito tempo, energia e recursos para se controlar a população. Já nos países mais liberais, todo esse tempo, energia e recursos é empregado na produtividade. O mesmo ocorre com empresas e outras organizações.
* * *
Embora o nivel de confianca esteja declinando, o Fedex ainda deixa encomendas de valor significativo como
Home Theater, diamond ring, etc… na porta da casa, nos US, o que poderia ser impensavel em SP, por exemplo.
Aqui isso ainda e normal. Quando morava em SP, fiquei surpresa quando deixaram a entrega de organicos na porta…
Infelizmente, nao vivemos em um mundo ideal onde todas as pessoas prezam por valores como a honestidade
e a confianca. Muito do que aprendi, alem do exemplo dos meus pais, foi estudando Moral e Civica. Hoje muitas
criancas nao tem um modelo nos pais, menos ainda no curriculo escolar. E o que poderemos esperar das geracoes
de criancas semi-abandonadas?
Desculpem meu keyboard.
Todo roubo é prejudicial. Mas, quando o governo cobra imposto a ralé acha normal.
O roubo é algo pernicioso. Todos devemos evitá-lo, para o bem de todos. Do contrário, estaremos mortos.
https://www.youtube.com/watch?v=6gzM8nkitMM
Creio que este fator cultural da confiança explica parte das diferenças econômicas entre o norte o sul do Brasil.
A confiança é parte do óleo que permite às engrenagens dos relacionamentos humanos funcionar. Todas as nossas interações envolvem algum grau de confiança, que é como o dinheiro: podemos fazer “depósitos” ou “saques”, receber ou pagar “juros”, emprestar ou tomar emprestada (a metáfora não é minha, deve ser de Stephen Covey).
Eu costumo atrelar confiança à honestidade. Acredito que uma não existe sem a outra. Isso posto, concordo que confiança e honestidade favorecem grandemente o êxito econômico, por dois principais motivos: (1) economia com eliminação de riscos e (2) fortalecimento do tecido econômico. Tentarei explicar ambos com um exemplo simples e real.
(1) Eliminação de riscos
Morei, por algum tempo, em um apartamento alugado diretamente junto ao proprietário, que era um padre. Por algum motivo, ele viu em mim uma pessoa honesta (e eu nele) e dessa forma , julgamos satisfatório fazer um contrato de gaveta.
De cara economizamos tempo, energia e dinheiro com os trâmites burocráticos tradicionais. A flexibilidade de lidar com uma pessoa honesta faz com que os pequenos distúrbios cotidianos do inquilinato (obras, pagamentos, questões de condomínio) se resolvam da forma mais simples, econômica e rápida possível, e sempre com vantagem para ambos.
(2) Da mesma forma, tenho já há algum um pintor/faz-tudo de confiança, o qual recomendei ao padre, para fazer a pintura quando da entrega do apartamento. Apesar de sua igreja estar em obras, e já ter contratado muitos pintores, ele não conseguia encontrar um que fosse de confiança. Gostou tanto do senhor que recomendei que o contratou também para fazer a reforma inteira do apartamento, e pouco depois, para pintar a igreja.
Agradecido pela indicação lucrativa, o pintor fez os dois próximos serviços para os quais o chamei sem cobrar. Nessa simples situação, a confiança e honestidade dos “players” possibilitou um grande ganho mútuo para todos: eu resolvi a questão da pintura do apartamento e de bônus ganhei dois serviços; o Padre encontrou um pintor para o apartamento e, de bônus, alguém para fazer as demais obras; o pintor conseguiu um serviço por indicação e, de bônus, serviço extra.
Por fim, acredito que a desonestidade é miopia social (ou burrice mesmo). Abusar da confiança só confere alguma vantagem ao desonesto à curto prazo. O comportamento de roubar mais de um jornal da máquina automática só levaria a uma elevação dos custos do jornal e possivelmente, à eliminação dessa cômoda tecnologia, piorando a vida inclusive de quem roubou.
A questão que explica a existência mesma da honestidade e da confiança, no entanto, é mais complexa. Por hora, acredito que é algo cultural. Quanto à discussão mais acima sobre o “ovo e a galinha”, a burocracia e a confiança, não vejo um como necessariamente precedente do outro, mas ambos como necessariamente interligados e consequentes de uma certa cultura que, por qual motivo seja, aposta na desonestidade endêmica, apesar dos altos custos econômicos e sociais desse arranjo.
Ótimo artigo !
Burlar a competição também é falta de ética. Roubar e enganar são casos mais graves, mas mudar as regras do jogo em benefício próprio também é um erro.
Um bom exemplo é a pressão de empresários por impostos sobre importações.
O aumento dos impostos sobre carros importados gerou 300 mil empregos no Brasil, mas ao mesmo tempo fez 20 milhões de pessoas andarem de ônibus.
Claro que é dificil competir com as regras atuais do Brasil, mas o resultado foi milhões de pessoas andando de ônibus. Se aumentarmos o campo da análise, milhões de pessoas andam com roupas velhas, porque é caro importar roupas e as nacionais também são caras. Ou seja, milhares de pessoas foram privilegiadas, enquanto outras terão que usar roupas velhas.
O caso mais grave é a comida. As pessoas comem comida ruim, estragada ou passam fome, porque empresários fazem lobby contra a comida barata e de qualidade que poderia ser importada.
Enfim, ame e respeite a competição e o fair play !
Na visão de vocês, porque a Imprensa é assim? Sem conspirações por favor. Acho que depois do covid a imprensa ganhou credibilidade, isso é perigoso. 2022 se Lula se candidatar, pode aposta que é ameaça ao Bolsonaro.
Outra coisa, terceira via não tem chance em 2022 né?
Como é e quando vamos acabar com essa imprensa do establishment?
Cara é surreal as manchetes, quando tem noticia boa do Covid nunca é capa e nem tem slogan de URGENTE.
Pessoal me expliquem uma coisa, o Chile vacinou muita gente e teve que fazer lockdown por causa de internação e aumento de casos.
Ai eu te pergunto, logo vacinando todo mundo, o problema ainda vai existir e a justificativa de lockdown continuará firme e forte. Logo vacinar não vai resolver tudo principalmente para voltar a vida normal
Pera ai, então estamos pra sempre condenados a isso? E ai o que vai acontecer? Queria saber a opinião de vocês.
Eu to ansioso e revoltado com o que ta acontecendo descaradamente, destruíram a humanidade porque mesmo vacinando tudo vai continuar igual, exceto menos mortes.
É bem raro encontrar gente que acredita em tudo que á imprensa fala (Até conheço diversos esquerdistas que não confiam na mídia), porém, depende muito da região, os são Paulinos em sua grande maioria são os mais alienados, no interior á maior parte da população é bem conservadora e odeia políticos.
Porém, confiando ou não, eu percebi um fato: Toda á população está sofrendo de uma enorme histéria, causada pela imprensa, pelos médicos, epidemiológicos, e políticos, falas como “O mundo está acabando” são praticamente normais atualmente.
Um grande problema é a existência de uma lei colocada acima da honestidade e da confiança: a lei de Gerson.
Sobre esse artigo segue uma palestra, ”Capital Social e Desenvolvimento”.
http://www.youtube.com/watch?v=a9y9qUKhvtY
Que exatamente, aborda esses pontos da presente resenha, muito bem explanado.
Lendo este texto, me lembrei hoje de algo que me deixou muito triste na infância e me fez abandonar um sonho por um tempo. Quando eu tinha apenas 6 anos, minha mãe me colocou na natação. Apesar da pouca idade eu gostava muito deste esporte. Um dia, não me lembro com qual idade, mas lembro que eu já tinha aprendido os quatro tipos de nado, virada e muitas outras coisas. Ate que um professor, musculoso, de óculos escuro, metido a playboy, passou a dar aula. Esse cara tinha uns 30 anos de idade, formado em educação física e que simplesmente dava em cima de TODAS as mulheres. Passava atividades pra gente e depois ia conversar com as mães dos alunos (sabe-se lá com que objetivo). Um dia, esse professor passou uma atividade pra todos terminarem e eu fui o primeiro acabar. Acabei antes de uma mocinha que devia ter uns 15 anos de idade e era mais avançada que eu. Sabem o que ele me falou na frente de todo mundo? “Por que você mente tanto? Nunca na sua vida você vai terminar antes da moça.” Isso acabou comigo. A moça virou pra ele e disse que ela havia feito pausa e por isso eu terminei primeiro. Aí o cara olhou pra mim e disse: “Ah, então está bem.” Depois disso eu perdi o amor pela natação e acabei largando meses depois. Eu amava aquilo. Fazia 3 vezes por semana. Eu era uma criança inocente. Vocês acham certo fazer isso com uma criança? Vocês já fizeram isso com uma criança?
Voltei a fazer quando fui pra Alemanha. E o que eu tenho pra falar? Eu NUNCA vi um professor ser antiético da forma como aquele brasileiro foi, e muito menos um professor cantar alunas ou ter QUALQUER atitude que possa ser considerada não profissional. Não tem gente cantando ninguém, não tem gente humilhando as pessoas para aparecer etc. Ai quando chega um brasileiro pra fazer video, critica justamente as partes que são a base da sociedade civilizada, como ética, respeito, separação total da vida privada e da profissional etc.
Eu vejo vocês reclamarem da vida como se o planeta inteiro fosse como o Brasil. Não, pessoal. O mundo civilizado (Europa) não é como o Brasil.
O lugar de trabalho no Brasil é mais informal que um boteco na Alemanha. Eu fico impressionado em como o Brasil é uma merda. Todas as lembranças que eu tenho dessa merda me fazem pensar em botecos. País sem cultura, sem história, sem regras não tem futuro.
Galera, vi aqui que o Gary North é a favor de apedrejar homossexuais e adúlteros e que advoga por literalmente uma ditadura regida pelo Velho Testamento. O artigo da Wikipedia sobre ele é assustador.