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A Campanha Política Bem-Sucedida de Kevin Warsh

Em seu estilo tradicional, Donald Trump transformou a questão de quem assumiria as rédeas do Federal Reserve em um evento dramático. Apenas algumas horas antes do anúncio de Kevin Warsh, candidatos alternativos eram vistos como os favoritos nas apostas. Em vez disso, a coroa foi concedida ao sr. Warsh, um homem que se tornou o mais jovem governador do Fed na história graças às suas credenciais em Wall Street e a um pai doador político generoso, que vem cortejando ativamente o cargo desde a primeira administração Trump.

A escolha de Warsh é ao mesmo tempo curiosa e perfeitamente alinhada com muitas das decisões de pessoal de Trump. Um presidente que passou a maior parte de seu tempo na Casa Branca repreendendo publicamente Jerome Powell por não adotar uma política monetária mais frouxa escolheu como sucessor alguém que, em sua passagem anterior pelo Fed, atuou como alguém extremamente preocupado com o combate à inflação, uma aparente contradição entre a preferência por políticas e a pessoa escolhida. Antes de sua seleção, no entanto, Warsh havia cuidadosamente elaborado uma mensagem destinada a uma audiência de um só indivíduo [Donald Trump], atuando como um dos principais críticos de Powell, cuja gestão ele descreveu como “uma sucessão de escolhas pouco sábias”.

Isso não foi um episódio isolado. Ele zombou de antigos líderes do Federal Reserve e do Tesouro por terem apresentado um amicus curiae em defesa da contestada Lisa Cook, dizendo à Barron’s: “Eu não sabia que o conhecimento de altos funcionários econômicos do Tesouro e do Federal Reserve chegava ao ponto da jurisprudência constitucional”. Em 2024, ele acusou Powell de “dar um empurrão” na economia antes da eleição e, em julho do ano passado, argumentou que a economia dos EUA estaria prestes a decolar não fossem as “más políticas econômicas vindas do banco central”. Em relação ao Fed como um todo, ele criticou o banco central por se estar em uma expansão progressiva de funções e defendeu uma mudança de regime institucional.

Tudo isso foi, sem dúvida, música para os ouvidos do presidente que o ungiu, mas uma crítica tão dura dirigida a um potencial antecessor é algo sem precedentes na história dos banqueiros centrais americanos. A evolução da retórica de Warsh talvez seja melhor ilustrada ao se contrastar um discurso de 2010, com o título “Uma Ode à Independência”, um discurso previsível que exaltava o mito essencial da independência do banco central, com um discurso que ele proferiu no ano passado declarando que “banqueiros centrais não deveriam ser príncipes mimados”. Ele prosseguiu observando: “Os bancos centrais foram criados para que os políticos tivessem alguém a quem culpar por isso(…) Li incansavelmente nos jornais como esses políticos são cruéis com o banco central. Bem, cresçam e amadureçam. Sejam fortes”.

Talvez fosse inevitável que o cargo de presidente do Federal Reserve fosse oferecido a uma figura tão explícita em sua postura política pública. O banco central, é claro, sempre foi uma instituição de natureza política. A fachada de seu isolamento em relação aos caprichos políticos mais vulgares servia para projetar o Fed como o ideal tecnocrático, a própria versão de Washington do Mágico de Oz. Esse brilho, porém, se apagou ao longo das últimas décadas, em correlação com um aumento significativo de seu impacto sobre a economia americana em diversas frentes.

A reação inicial à nomeação de Warsh merece ser observada: ouro e prata recuaram de suas máximas anteriores, enquanto o Bitcoin e as ações também caíram, em parte devido à sua reputação de defensor de uma política monetária rigorosa. Essa reação sugere a questão fundamental de uma eventual presidência de Warsh: pode um presidente do Fed que deve sua posição a uma postura política explícita resistir às pressões inflacionistas do presidente a quem pretende servir? No passado, ele defendeu que o Fed reduzisse seu balanço patrimonial, inclusive por meio da venda de seus títulos lastreados em hipotecas, e chegou a sugerir que o banco central deixasse de oferecer ao Congresso uma espécie de cobertura financeira que o poupa de sentir os custos de seus programas de benefícios sociais insustentáveis. A atual administração, é claro, tem demonstrado reiteradamente o desejo de evitar qualquer consequência decorrente dessas mudanças de política.

A questão mais imediata diz respeito ao próprio caminho de Warsh, de indicado ao cargo até a presidência do Fed. Vários senadores republicanos estão atualmente em aberta rebelião em defesa de Jerome Powell, na esteira da investigação do Departamento de Justiça sobre comentários feitos por ele ao Congresso. Além disso, Warsh pode ter dificuldades para construir um consenso, dada sua crítica severa tanto a Powell quanto à própria instituição que pretende comandar. Em sua última coletiva de imprensa, Powell, de maneira nada sutil, destacou tanto suas profundas conexões em Washington com parlamentares quanto a lealdade que mantém com os quadros do Federal Reserve. Um cínico poderia interpretar isso como um ataque preventivo a Warsh, sugerindo que Powell é melhor em antecipar as manobras de Washington do que em enfrentar ventos contrários na economia.

É claro que o desfecho mais provável é aquele que já se espera das instituições federais: as farpas públicas são esquecidas, as grandes ambições de reforma se esvaziam, e as engrenagens do status quo continuam girando.

Se assim for, a nomeação de Warsh talvez venha a ser lembrada como a última grande oportunidade de comprar ouro por menos de 5 mil dólares.

Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.

Recomendações de leitura:

A história e a estrutura do Federal Reserve

Federal Reserve: prejudicando a economia americana há mais de um século

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2 comentários em “A Campanha Política Bem-Sucedida de Kevin Warsh”

  1. Trump colocou alguem para poder imprimir mais dinheiro e forçar a economia americana a crescer.

    No fim teremos mais inflação e uma crise pior que a de 2008

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