Nota da edição:
O artigo a seguir é um pequeno trecho do ensaio do historiador libertário Ralph Raico, Rethinking Churchill [Repensando Churchill]. No trecho, é mostrado que qualquer figura pública tida como “heroica” merece críticas.
Quando, em alguns poucos anos, os comentaristas começarem a pontificar sobre a grande questão — “Quem foi o Homem do Século?” — há pouca dúvida de que eles chegarão a um consenso praticamente instantâneo. Inevitavelmente, a resposta será: Winston Churchill. De fato, o professor Harry Jaffa já nos informou que Churchill não foi apenas o Homem do Século XX, mas o Homem de Muitos Séculos.
De certo modo, ver Churchill como o Homem do Século será apropriado. Este foi o século do estado — da ascensão e do crescimento hipertrófico do estado de bem-estar social e de guerra — e Churchill foi, do começo ao fim, um Homem do estado, do estado de bem-estar social e do estado de guerra. A guerra, é claro, foi sua paixão ao longo de toda a vida; e, como escreveu um historiador admirador: “Entre suas outras credenciais à fama, Winston Churchill figura como um dos fundadores do estado de bem-estar social”. Assim, embora Churchill jamais tenha tido um princípio que, no fim das contas, não tenha traído, isso não significa que não houvesse uma inclinação em suas ações, nenhum viés sistemático. Havia, sim, e esse viés era no sentido de reduzir as barreiras ao poder estatal.
[…]
Ainda assim, na verdade, Churchill nunca se importou muito com assuntos domésticos, nem mesmo com o bem-estar social, exceto como um meio de alcançar e manter o poder. O que ele amava era o poder, e as oportunidades que o poder proporcionava para viver uma vida de drama, conflito e guerra sem fim.Há uma maneira muito tentadora de enxergar Winston Churchill: a de que ele foi uma criatura profundamente falha, convocada em um momento crítico para travar batalha contra um mal singularmente horrível, e cujas próprias falhas teriam contribuído para uma vitória gloriosa — de certo modo, como Merlin, no grande romance cristão de C. S. Lewis, That Hideous Strength [Aquela Força Hedionda, em tradução livre]. Tal julgamento, creio eu, seria superficial. Um exame franco de sua carreira, sugiro, conduz a uma conclusão diferente: a de que, ao fim e ao cabo, Winston Churchill foi um homem sanguinário e um político sem princípios, cuja apoteose serve para corromper todo padrão de honestidade e moralidade na política e na história.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.
Recomendações de leitura:
Churchill, Hitler e a guerra desnecessária