Em
julho de 2014, a página oficial de Dilma Rousseff no Facebook comemorou
a produção recorde de minério de ferro pela Vale. Segundo a página da
presidente, a empresa “quebrou recorde histórico de produção de minério de
ferro para o segundo trimestre”, o que representou uma “alta de 12,6% em
relação ao mesmo período de 2013?.
Rapidamente,
várias páginas apontaram para o “ato falho” de Dilma Rousseff, que teria
celebrado o bom desempenho de uma empresa privatizada — supostamente anátema
para o PT, sempre contrário a privatizações e particularmente contrário à venda
da própria Vale em 1997.
Rodrigo
Constantino, em
seu blog no site da revista Veja, não perdeu tempo em apontar
para a incoerência dilmista: “Seria um reconhecimento tardio de que a
privatização da estatal, tão condenada pelo PT, foi boa afinal?”
Mas
não havia qualquer incoerência da parte de Dilma nem do governo, porque a Vale
é uma estatal. Isto é, a Vale, fundamentalmente, nunca deixou de ser controlada
pelo estado brasileiro.
Não
quero que reste qualquer dúvida, então vale repetir: ao contrário do que
pensa o autor de Privatize Já, a Vale é literalmente comandada
pelo governo do Brasil. Prova do fato foi a demissão do presidente Roger
Agnelli da empresa em 2011 por
pressão do próprio governo petista.
O
acontecimento, amplamente
noticiado na época, foi extremamente elucidativo. Ele mostrava não só a
conexão próxima entre as grandes empresas e o governo brasileiro, mas também
como temos uma compreensão absolutamente inadequada sobre o processo das
privatizações no Brasil.
As
“privatizações” no Brasil não foram marcadas por qualquer transferência ou
pulverização de poder e controle econômico; elas, efetivamente, foram
reestruturações corporativas que mudaram muito pouco a distribuição do controle
econômico e modificaram o regime jurídico das empresas apenas o suficiente para
que se tornassem economicamente viáveis novamente.
Evidentemente
ocorreram melhorias técnicas e aumentos produtivos; é também evidente que esse
era o objetivo inicial das reestruturações, que não incluía qualquer mudança
substancial no controle acionário das empresas “vendidas”. As privatizações
brasileiras não foram uma maneira de livrar o estado do controle sobre
empresas, mas foi a maneira que o estado brasileiro encontrou para manter o
controle sobre elas.
A
campanha eleitoral de 2014 conta com alguns candidatos que
pretendem reavaliar os méritos das privatizações. Discutir as privatizações
não é nada novo; a cada quatro anos há um novo ciclo de condenações a elas
pontuadas por alguns elogios infundados. A realidade é que apoiadores e
opositores das privatizações falam de processos ideais imaginários. Poucos
falam da realidade das privatizações no Brasil: não foi “entreguismo”,
“privataria”; também não foi o ápice da “eficiência” e “enxugamento do estado”.
Foi uma reformulação do aparato estatal e a inclusão da classe corporativa em
seus quadros.
A
privatização da Vale
As
estatais eram um modelo esgotado nos anos 1990 e o estado brasileiro estava
falido depois de uma década de hiperinflação. A privatização das estatais foi
incluída como um
dos fatores para o sucesso do Plano Real, que incluía “zerar o déficit
público”. Essa zeragem do déficit público deveria incluir a receita dos leilões
de empresas do governo.
A
venda da Vale foi a maior privatização feita no Brasil e foi a que sofreu mais
resistências — e, sim, o PT foi um dos partidos mais contrários, junto com
grande parte da esquerda e de movimentos sociais. Para driblar as resistências,
o estado brasileiro promoveu uma “coalizão de apoio”, que consistia basicamente
em formar novos grupos de investimento encabeçados por fundos de pensão
estatais.
O
BNDES patrocinou a formação da Valepar S.A., que controla o Conselho
Administrativo da Vale, com 53,3% do capital votante. A Valepar é controlada
por quatro fundos de pensão estatais, encabeçados pela Previ, que é o fundo dos
funcionários do Banco do Brasil e maior fundo de pensão brasileiro, com 58% das
ações. Além dos fundos de pensão, a Valepar ainda é controlada pelo Bradesco,
pela multinacional Mitsui e pelo próprio BNDES, que possui 9,5% de suas
ações.
Com
a atuação do BNDES e a inclusão dos fundos de pensão estatais, o governo
“viabilizava” as privatizações. E, assim, a nova Vale, privatizada em 1997 com
dinheiro estatal, passou a ser controlada por fundos de pensão estatais e pelo
BNDES. Desde o começo dos anos 2000, o BNDES e os fundos de pensão formam a
rede de controle que não apenas comanda as empresas que deixaram de ser
formalmente estatais, mas também colocam empresas nominalmente “privadas”
(mesmo que não tenham sido estatais anteriormente) a serviço do governo.
Fundos
de pensão e o controle dos sindicatos pelo estado
Os
fundos de pensão, que foram criados nos anos 1970 para incentivar a poupança,
se converteram na maior ferramenta de investimento do Brasil. Seu potencial de
investimento, em 2010, já era de 300 bilhões de reais (16% do PIB),
com perspectivas de crescimento.
Em
montante de investimentos, considerados como um todo, os fundos de pensão são
ainda mais representativos que o BNDES — que já é o maior banco de
“desenvolvimento” do mundo, ainda maior que o Banco Mundial (em 2009-10, por
exemplo, o Banco Mundial fez empréstimos de cerca de US$ 40 bilhões, menos da
metade do que o BNDES fez).
A
partir do final dos anos 1980, os fundos de pensão ganharam cada vez mais
participação das lideranças dos sindicatos, principalmente por conta de algumas
reformas que ocorreram na época de Fernando Henrique Cardoso que abriram a
gestão para os trabalhadores. Líderes sindicais se converteram em gerentes de
fundos de pensão.
A
campanha de Lula em 2002 à presidência especificamente estimulava os
trabalhadores a formarem esses fundos, não só como meio para aumentar o padrão
de consumo dos trabalhadores, mas também para formarem blocos de controle em
posições de investimento. Com isso, os fundos de pensão formados poderiam ser controlados
pelo governo para direcionar políticas e “disciplinar” o capitalismo.
A
unicidade e o imposto sindical do Brasil sempre ajudaram o estado nesse
sentido, porque mantiveram os sindicatos sob a tutela governamental — o que
jamais foi desafiado pelo governo petista. Não à toa, a partir do final dos
anos 1980, os sindicatos brasileiros mais fortes (ligados às montadoras de
carros no ABC paulista, por exemplo) passaram a adotar uma postura de “sindicalismo
propositivo” ou “sindicalismo cidadão”, que é contrário a choques entre
trabalhadores e classes gerenciais e enfatiza a inserção dos próprios
trabalhadores em posições de gerência.
A
CUT e a Força Sindical, as maiores centrais sindicais do Brasil, representam
perfeitamente esse paradigma e atuam
como porta-vozes gerencialistas.
Assim,
a legislação brasileira funciona como ferramenta para transformar os sindicatos
monopolistas do país em instrumentos de política e controle econômico. Os
maiores fundos de pensão do Brasil (Previ, Petros e Funcef) continuam sob
controle direto do governo, assistindo funcionários do Banco do Brasil, da
Petrobras e da Caixa Econômica. E com a conversão dos líderes sindicais (em sua
maioria, componentes da Articulação, a tendência majoritária do PT) em gerentes
de fundos de pensão, se tornando numa nova classe de managers, o
governo ganhou acesso direto a esses fundos.
Em
2011, a
revista Exame reportava como havia sido o processo de demissão de
Roger Agnelli da presidência da Vale. “Roger, espera! Este é um assunto de
acionistas. E está sendo tratado por nós, acionistas.” Quem disse isso foi Ricardo
Flores, então presidente da Previ, o fundo de pensão principal entre os
controladores da Vale, na época da discussão da saída de Agnelli da posição por
pressão do governo Dilma. Ironicamente, mais tarde ele foi afastado da
presidência da Previ por
conta de disputas por poder.
BNDES:
privatizações estatais, estatizações privadas
O BNDES
é o maior
banco de desenvolvimento do mundo. Foi instrumental nas privatizações e
viabilizou a mudança formal de controle de 30% do PIB. Durante esse mesmo
processo, o BNDES se colocou como parceiro-chave das novas empresas, como a
própria Vale e outras, como as doze empresas que surgiram a partir da
privatização da Telebrás.
Mais
tarde, essas empresas foram unificadas com o nome Oi e o BNDES passou a
controlar 25% de seu capital. Para viabilizar a compra da Brasil Telecom, que
foi outra empresa que surgiu a partir da “privatização” da Telebrás, o BNDES
fez novos empréstimos. Com a compra da Brasil Telecom pela Oi, a empresa ter
50% das ações sob poder do estado, através do BNDES e dos três maiores fundos
de pensão (Previ, Petros e Funcef). Mais 20% das ações ficaram sob poder da
Andrade Gutierrez, que também é extremamente dependente e simpática ao governo.
É
até difícil encontrar trajetórias diferentes para as ex-estatais. Na verdade, o
controle acionário através do BNDES e dos sindicatos também não conta toda a
história. Os anos 1990 no Brasil assistiram a um processo de captura
regulatória by design. Ato contínuo às privatizações, foram
estabelecidas agências reguladoras para os novos setores em que o estado havia
“deixado” de atuar. Foi o primeiro grande momento de trânsito entre o governo e
as grandes corporações.
Com
os subsídios aos processos de privatização, as novas classes de empresários e
acionistas não apenas ganharam acesso ao capital produtivo, mas também ganharam
acesso ao estado na forma de representação regulatória. Foi um processo quase
simultâneo no caso das telecomunicações.
Portanto,
as “privatizações”, longe de cortar o acesso do estatal aos recursos
produtivos, na verdade foram simplesmente uma reconfiguração
organizacional do capital. O capital formalmente saiu debaixo da
asa do estado, mas permaneceu sob seu controle efetivo e mudou seu regime
jurídico sem maiores consequências econômicas.
Não
se trata apenas de dizer que o capital que foi “vendido” durante os anos 1990
tenha se assumido um papel “corporativista”; na verdade, esse capital continua
a fazer parte do estado, é controlado diretamente (pelo BNDES e pelos fundos de
pensão) ou indiretamente (através do aparato regulatório de controle conjunto
das empresas e do governo) por ele.
O
processo contrário também ocorreu em alta velocidade durante todo o governo
petista (principalmente após a crise de 2008) e ainda está em curso até hoje. O
BNDES passou a capitalizar corporações privadas e eleger seus braços
político-econômicos. Isso incluiu a fusão da Perdigão
e da Sadia, da VCP
e da Aracruz Celulose, da Friboi
com a Bertin, para
aquisições da Ambev, entre várias outras.
As
empresas de construção também são braços de atuação do governo brasileiro. A
Odebrecht, particularmente, é aliada do PT desde
1992, e durante os governos Lula e Dilma, se realinhou em diversos
programas de infraestrutura e militares. Outras empresas, como Andrade
Gutierrez e Camargo Corrêa, que tiveram seus crescimentos historicamente
alinhados aos projetos de infraestrutura nacionais, atualmente são braços de
execução de planos políticos do governo. O governo tem uma caixa de ferramentas
completa com contratos e controle acionário direto pelo qual ele influencia o
setor “privado” no Brasil.
Na
verdade, é incorreto considerar que os grandes conglomerados no Brasil sejam
“privados” ou “estatais”. É uma distinção sem qualquer significado nesse
contexto; as privatizações criaram conglomerados mistos, com
controle tanto privado quanto estatal e as grandes empresas que já eram
privadas têm um nível de influência governamental grande o suficiente a ponto
de os seus interesses e os interesses do governo estarem interligados. Não
existe oposição entre o particular e o público, entre o privado e o estatal,
porque há uma convergência de ambições entre grandes empresas e do estado que
os funde.
O
vocabulário das privatizações
Tanto
quem apoia quanto quem rejeita as privatizações tende a sua posição pelos
motivos errados.
As
melhorias técnicas e dos serviços que aconteceram com as privatizações, no
Brasil, não se deveram a mudanças fundamentais no controle do
capital. Foram reformas que alteraram a estrutura organizacional e de
incentivos das empresas “públicas”, fazendo com que sua capitalização e suas
ações fossem racionalizadas. A melhora que de fato existiu no desempenho das
empresas privatizadas não se deveu a uma desestatização, que não ocorreu,
mas à sua reestruturação.
(Da
mesma forma, houve uma melhora no desempenho e na capitalização da Petrobras,
mesmo sem ter deixado de ser estatal. As privatizações, assim como a abertura
do capital da Petrobras, podem ser vistas então como estratégias de
capitalização mais do que como cortes no poder estatal.)
Nossa
linguagem reflete uma dualidade entre o “privado” e o “estado” e entre
“privatizar” e “estatizar” que simplesmente não são reais. Essas dicotomias não
têm poder explicativo porque o estado não está limitado por seu poder de ação
formal e porque o estado não é uma barreira intransponível que as empresas não
conseguem ultrapassar.
Basta
ver, por exemplo, a trajetória do ex-Ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan,
que foi instrumental no processo de fusão da Sadia com a Perdigão. Furlan saiu
da Sadia para entrar no governo. Após a fusão, saiu do governo e voltou para a
presidência do Conselho Administrativo da empresa.
Falar
em “privatizações” é uma cortina de fumaça porque as privatizações não passaram
de uma revolução dentro do poder, viabilizando a continuidade do
controle estatal sobre setores vitais da economia. E é impossível reclamar
sobre a ingerência governamental sobre empresas privadas: o grande empresariado
brasileiro é parte do estado. A Vale é braço político-econômico do governo
brasileiro; seu processo de privatização e capitalização foi estruturado
justamente com esse propósito. Quando o cabeça da Vale deixou de ser
interessante para o governo brasileiro, ele foi demitido.
Nossa
linguagem não está preparada para refletir essa falta de discrepância entre o
que é público e o que é privado. Também é difícil para a maioria das pessoas
pensar no governo e nos grandes conglomerados como parte do mesmo sistema.
Além
disso, tendemos a tratar o que é “estatal” como algo público e o que é
“privado” como algo particular; nenhuma dessas definições é necessária. É
perfeitamente plausível e, na verdade, é o que ocorre na maior parte dos casos
que um bem estatal seja totalmente “privatizado”; ou seja, é perfeitamente
possível (e, eu argumentaria, inevitável) que os bens estatais sirvam somente a
uma pequena casta. Os termos que usamos são tão absolutamente impróprios que
falamos de “nacionalização” ao falar de empresas estatizadas e de “entrega” quando
falamos de privatização.
A
experiência política e econômica brasileira prova que são todos
termos inadequados e que nós temos que desenvolver um vocabulário que
represente a realidade como ela é: onde empresas estatais ou
“nacionalizadas” servem só aos interesses do estado e de grupos ligados a
ele e onde empresas privadas possuem interesses convergentes aos
do governo — ambos em oposição à população de forma geral.
Nossas
ideias políticas só estão preparadas para lidar com grandes generalizações que colocam
o governo e o setor privado como categoricamente distintos e que suas
influências um sobre o outro são apenas desvios pontuais — tendemos a pensar
que, na maioria dos casos, o governo e as empresas fiquem presos a seus papéis
ideais. As privatizações, segundo esse pensamento, serviram para tirar do
governo o controle de empresas e recursos e colocá-los em uma esfera sob a qual
ele não teria qualquer influência.
Embora
as pessoas geralmente reconheçam as forças que atuam no
relacionamento entre o governo e as empresas, a maioria tende a adotar essa
visão ingênua e a-histórica ao analisar processos e defender suas visões
político-ideológicas.
Permanece
o fato: as privatizações não foram uma diminuição, mas uma forma
de estender e reformular o poder do estado. E o
discurso pró-privatizações, assim, as defende nesses termos e não sob condições
ideais. O contrário também vale: os opositores e detratores das privatizações
tendem a pensar nelas como uma diminuição do poder do estado. Mas se as
empresas de fato continuam sob controle estatal, qual pode ser o problema?
Semifascismo
Qualquer
discurso pró-privatizações no Brasil, como alguns que têm surgido durante as
campanhas eleitorais, deve levar em conta o seguinte fato: o estado brasileiro
e as grandes empresas são uma só entidade.
Isso
significa que qualquer esforço privatizante deverá levar em conta a presença e
a influência do estado como fato fundamental. “Privatizar”, assim, não é
modificar radicalmente a estrutura de poder do estado, mas fazer leves ajustes
e mudanças em regimes jurídicos de capitalização de empresas que, em última
análise, permanecem sob o controle estatal.
Logo,
tanto a ideia de privatizar quanto seu correspondente estatizador são
ideologias fundantes do poder do estado.
Deve
ser óbvio que privatizar, em si, não é passaporte para o desmonte do poder do
governo; na Rússia, por exemplo, basicamente a mesma elite soviética assumiu o
controle dos recursos “privatizados” na transição para o capitalismo.
No
Brasil, o controle do governo sobre os grandes conglomerados corporativos
nacionais “privatizados” e mesmo sobre as empresas que já eram nominalmente
“privadas” não foi obra do acaso e nem um processo que sofreu resistências
internas; a classe empresarial sempre esteve de braços abertos a esse
relacionamento. Houve, especialmente na última década e meia, um alinhamento da
visão da cúpula do governo formada pela elite petista e o empresariado
nacional. Esse alinhamento também incluiu uma incorporação do velho
nacionalismo defendido pela elite militar, que está confortavelmente
encastelada e representada dentro do governo (apesar do que
alguns conservadores afirmam, como se os militares fossem ignorados e
humilhados pelo atual regime).
O
Brasil vem desenvolvendo, na prática, um sistema semifascista de
subsídios sistemáticos aos grandes capitalistas, de controle direto e indireto
pelo governo das empresas e de comando dos sindicatos (que, através dos fundos
de pensão, se tornaram também capitalistas).
As
críticas de direita e esquerda a esse sistema são inadequadas porque acabam
defendendo um aspecto diferente desse mesmo sistema durante o ataque. A defesa
das privatizações, por exemplo, pode servir como crítica ao poder do governo,
mas, se executada como foi no Brasil, serve também para estender o controle
sobre empresas e capital que o governo possui.
Aliados
e inimigos
Privatizar
não é suficiente. O setor corporativo e o governo são uma só classe. As
desregulamentações que ocorreram não foram capazes de frear a influência
estatal sobre a economia, mas simplesmente alteraram seu caráter. Nosso
vocabulário político não reflete bem as reais questões políticas porque coloca
em oposição fundamental categorias que não são fundamentalmente distintas:
privado e estatal, corporações e governo. A oposição real está entre aqueles
que possuem e os que não possuem o poder.
Como
eu mencionei em dois artigos que comentavam a atuação
sindical no Brasil, a articulação que ocorre atualmente no país se dá entre
setores empresariais, a elite estatal e as lideranças sindicais. Entre eles, se
formou uma nova classe gerencialista que representa as aspirações do indivíduo
e decide a repartição do bolo econômico. A única forma de resistir a essa
realidade — que, sim, foi moldada pelas privatizações — é com a percepção de
que a classe dominante não se limita a um setor categórico de “empresários” ou
“burocratas”. É uma classe mista com livre trânsito dentro do governo, dos
sindicatos e dos conselhos administrativos.
Com
o mais
novo escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, alguns já falam
da necessidade de privatizar a empresa para tirá-la da esfera de
interferência política. Mas o que se deve lembrar é que as
privatizações brasileiras jamais tiveram o intuito de retirar do estado seu
poder de influência.
O
público e o privado, o capital e o trabalho agora não são opostos, são aliados.
Por isso não é surpreendente que Dilma comemore os 12,6% de alta na produção de
minério.
Quem
pagou por esse recorde foi você.
________________________________________________________________
Publicado originalmente no Centro por uma
Sociedade sem Estado – C4SS
grande texto!
Ótimo. Agora a pergunta que nao quer calar. Vc acha que a turma da estatal deixou o governo “privatizar” desse jeito meia boca facilmente? E a turminha da boquinha, como fica? Teve uma privatização meia boca? Sim, e claro. Mais fala em privatização no Brasil p ver a reação do povão. Por isso que mantenho minha opinião, tem sim que privatizar td, ai depois sim, ver quem fica e quem nao fica com o controle. As coisas tem que ser feita por partes, para as pessoas irem se acostumando.
Legal, fez uma pequena crítica ao Consta usando ainda mais aspas em um texto que ele, parabéns.
Essas matérias do Von Mises são em geral muito boas e bem escritas. Parabéns!
Mas, eu desafio esse site a produzir uma matéria sobre alguma coisa boa sobre o Brasil. Qualquer coisa… Vamos ver se vocês conseguem…
Anarquismo ?
Principio de não agressão ?
Libertários acreditam no bom-selvagem ?
http://www.dailymail.co.uk/video/news/video-1118197/Woman-kicked-Thai-beach-not-renting-sun-bed.html
Muito bom. Escreveste muito bem.
gostaria que me explicassem como os militares estão muito bem representados no governo…
Ótima explicação! Nunca teremos esse tipo de assunto dentro das universidades brasileiras.
Seria correto entender que é uma mafia com jeitinho socialista brasileiro? Gostaria de saber se existe essa mesma camuflagem de negócios entre grandes empresas e governo em países ricos, exemplo EUA, Alemanha.
Belo texto,
evidência claramente que o modelo corporativista vigente no Brasil.
A hiperinflação nos anos 80 e início dos 90 foi uma conspiração do imperialismo americano para que vendessem nossas estatais a preço de banana!!!
Boa tarde!
Uma pergunta: Eles tambem podem atuar na Bovespa
Erick, recomenda alguma literatura? O que fazer para desememberar tais grupos?
Privatizar é preciso. Mas, como se daria esse processo no Brasil, onde tudo é roubo e corrupção? Não seria trocar seis por meia dúzia?
Aproveitei para rever esse outro texto, e finalmente entendi a situação em que realmente nos encontramos:
Privatização sem liberdade econômica real é algo pior que estatizar sobre uma estrutura de mercado completamente desregulamentada.
Então realmente não é nenhum exagero quando dizem que vivemos na era dos superestados.
Excelente artigo.
Mas dá um desânimo ler esse tipo de artigo. Não enxergo a menor perspectiva de mudança dessa realidade. Ganhe quem ganhar a eleição, não irá mudar. Pode piorar caso um PSOL da vida chegue algum dia ao poder. Mas não vejo surgindo no Brasil uma consciência liberal.
É notável que as ideias liberais ganharam um pouco de espaço, mas muito restrito.
Somos pouquíssimos e sempre seremos diante dos que se beneficiam com esse arranjo que aí está: desde as oligarquias regionais, que se beneficiam do FPM, aos beneficiários de programas sociais, servidores públicos das 3 esferas, empresários que possuem negócios com o estado, empregados das estatais, grande mídia que recebem bilhões em subsídios e contratos publicitários e não poderia ser diferentes, do braço armado do estado (PM, PC, exército, marinha e aeronáutica), todos prontos para defender o arranjo que aí se encontra.
Não há solução para o Brasil. Pode haver melhorias pontuais, mas a confusão entre estado e burguesia vem desde as capitanias hereditárias, passando pelo barões do café.
Acho importante o trabalho do mises. Pelo menos podemos analisar e entender a situação real do país. Temos aqui um espaço para debate de ideias e aperfeiçoamento do conhecimento.
O correto mesmo e a privatização com a desregulamentacao, disso nao tenho duvida nenhuma. Mais e aquele negocio. A privatização meia boca feita ao menos diminuiu o número de funcionário publico eleitor do Pt,o partido mais estatista do Brasil. Antigamente na telefonia por exemplo, td era feito por funcionário publico, e com isso, era mais do que claro o péssimo atendimento e serviços, como td feito por essa corja. Ai com a privatização meia boca, essa cambada saiu de cena e começou a abertura de lojas privadas, funcionários do mercado e o serviço melhorou considerávelmente so com essas privatizações. Com isso em mente insisto. Primeiro tem que privatizar tudo, tirar o máximo possível dessa cambada de vagabundo das estatais, ai sim, em seguida, pensar em desregulamentar.
O exelente artigo mostra claramente como tem sido patético e melancólico o processo de “privatização” no Brasil. Aí faço uma pergunta inevitável:com essa comunistalha que tomou conta do país quem consegue reverter isso?! “Ah.. precisa mudar a cabeça do povo..” Acontece que isso é uma coisa que demora, no mínimo, 50 anos! Não tenho dúvidas de que só um governo duro e autoritário, como o Pinochet fêz no Chile, pode mudar esse quadro deprimente.
Excelente texto. Tomei a liberdade de reproduzir no meu blog.
blogdouo.blogspot.com.br/
Abraço!
Privatização no Brasil não dá certo por que ninguém é louco de investir aqui, como disse o CEO da CSN. Para vender as empresas para realmente alguém fora do governo, o preço teria que ser depreciado para levar me conta o elevado risco. Aqui ninguém respeita contrato!
Mesmo que a Vale tenha continuado sob forte influência estatal, são fatos que o PT foi contra a sua privatização e que esta tenha melhorado sua produtividade. Portanto, neste aspecto é incoerente sim que a Dilma comemore os bons resultados advindos da privatização.
A Vale simplesmente se tornou semelhante às outras empresas citadas, que nunca foram estatais, mas são controladas pelo Estado intervencionista.
Privatizar não é suficiente, mas é um primeiro passo essencial para a plena liberalização da economia. Apenas desestatizar sem privatizar também seria uma solução parcial e insuficiente.
* * *
Tem um TCC de uma graduanda no curso de direito da USP (Daniela Motta) que vai no mesmo sentido do presente artigo.
https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0CCAQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.tcc.sc.usp.br%2Ftce%2Fdisponiveis%2F89%2F890010%2Ftce-01082013-085559%2Fpublico%2FTCCDanielaMottaMonteSerrat.pdf&ei=F_QWVNS0MeThsATdqYG4Cg&usg=AFQjCNFSF36pyBmhbrqpehoYhXGMAqpDIA&sig2=JDdpV4xnq1MqsyrNGB-kWA&bvm=bv.75097201,d.cWc
Droga…estou para criar um blog e todos os assuntos que penso em escrever já estão aqui no Mises… aí fica difícil. Terei que inovar.
Excelente texto. Quando brinquei de ver a estrutura acionária de várias empresas brasileiras em 2013 me deparei com esse cenário tenebroso de conluio entre alguns empresários e a máquina estatal. E depois as pessoas ainda se perguntam porque há impunidade no país. Cada mão pertence a um mesmo organismo, e, portanto, uma lava a outra.
ah, não Sr. Valdomiro (Cara Pintada!) a CEF e BB além de serem lucrativas, são as únicas que investem em programas sociais, como a própria Petrobras o faz, apesar das roubalheiras mal-intencionadas visando privatizá-la. É só você entrar na “Internet” e procurar pelo “lucro daquelas duas instituições” que você o constatará. Não vou fazer isto p’ra você, né? Ah! E lembre-se essas duas Instituições financeiras só admitem servidores através de Concursos Públicos”. Agora, todo Governo precisa afastar a Direção destas estatais da promiscuidade e injunção políticas, ainda mais do padrão brasileiro, certo?
Como poderia ser diminuído o poder desses sindicatos?
Os brasileiros precisam entender que o PSDB e PT são como as duas faces de uma mesma moeda. O PSDB sempre foi o covil da “ESQUERDA CAVIAR”. Este partido é infestado de esquerdopatas de luxo (incuráveis); que glorificam genocidas como Fidel Castro e Che Guevara; mas adoram o luxo capitalista.
Até as privatizações que o FHC fez foram “cor de rosa”; ele “privatizou” a VALE transferindo o controle direto do Estado para fundos de pensão de empresas estatais… Isto não foi privatização! O que o FHC fez não tem nada a ver com as privatizações feitas pela Margaret Thatcher na BP, BT, BG, etc…
Cada povo tem os governantes que merece… É impossível salvar o Brasil, das garras dos próprios brasileiros. Evidentemente, esta nação sofre de AUTOFAGIA!
https://www.facebook.com/kleber.verraes/posts/418732408318484?viewas=100000686899395
Artigo excessivamente repetitivo. A ideia central está correta. As privatizações representaram um deslocamento do capital exclusivamente estatal, para um sistema misto em que a estatização continuou através dos fundos de pensão, especialmente na Vale e na Oi. Mas o articulista não falou das mudanças financeiras. Se as estatais tinham dívidas gigantescas que foram amortecidas no valor de compra, significa que estas dívidas foram repassadas para os fundos de pensão. Uma forma do governo se apoderar destes recursos, já que encontrou quem lhe pagasse as dívidas entre o funcionalismo. E os fundos tiveram que dispor de uma administração privada e produtiva para conseguir alavancar essas empresas e superar os débitos. Conseguiram até certo ponto, quando as interferências produziram novos desastres de endividamento, especialmente na Vale, Oi e BNDES.
Porém, o articulista está certo em considerar o nosso sistema como sob comando estatal (ele fala em semifascismo, mas o correto é fascismo mesmo). O cartel das empreiteiras do Petrolão prova muito bem como o capital privado nacional não consegue se “desentender” do governo e agir sem desempenhar o papel de submissão aos ditames do grupo político que controla o governo. Mas na privatização houve uma internacionalização parcial, como a da Vivo, Tim, Claro e outras que não entraram neste esquema, a não ser na área de regulação. Foram as que se salvaram. Resta saber o que se pode delinear como estratégia em uma nova fase de privatização.
Ótimo texto. Só que o autor exagera ao dizer que essas empresas ligadas ao governo são estatais. São empresas privadas blindadas pelo governo. É bem diferente.
Corporativismo é muito menos pior do que Socialismo. Por isso que até os anos 80 quase ninguém possuía linha telefônica e depois da privatização o número de linhas telefônicas explodiu.
Mas esse modelo não é o que acontece nos EUA??
Se não, alguém me explica a diferença
O governo dos Estados Unidos salvou a General Motors na crise de 2008/2009.
carros.uol.com.br/ultnot/2009/06/01/ult634u3509.jhtm
E isso no país que já foi o último baluarte do liberalismo econômico, mas isso é passado.