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Mises, Rothbard e o paradigma da nossa era

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Murray Rothbard escreveu, em 1971, um ensaio chamado Ludwig von Mises and the Paradigm of Our Age, no qual faz uma reflexão sobre a insuficiência da ciência econômica moderna e destaca o papel que Mises, seu trabalho e suas ideias tiveram no florescimento da defesa do livre mercado. Tudo isso em um contexto de maior intervencionismo no âmbito econômico, seja através de práticas keynesianas, de bem-estar social, ou socialistas.

Da mesma forma, se analisarmos a sociedade na qual contemporaneamente nos inserimos, isso é, o Ocidente pós-moderno marcado pela facilidade proporcionada pela tecnologia e pela riqueza gerada pela criatividade humana em um sistema de mercado – que Huerta de Soto denomina como big bang social –, temos que adotar a mesma reverência a Mises que Rothbard adotou em 1971. Não apenas isso, temos também que reverenciar Rothbard pelo seu intransigente combate à intervenção governamental na economia, na sociedade e na moeda.

Em tempos nos quais qualquer voz dissonante do discurso oficial e oficialista é perseguida e punida inadvertidamente por uma turba de censuradores, ideias como as de Mises e Rothbard, que sempre se colocaram em defesa do indivíduo, devem ser enaltecidas e difundidas. Mais do que isso, não só suas ideias, mas as suas práticas na defesa intransigente de um paradigma científico adequado para a compreensão do homem enquanto ser agente e capaz.

O movimento pós-moderno é construtivista, e tenta fazer uma lavagem cerebral nos indivíduos com objetivo de intervir nos mercados livres, realizando de modo forçoso o que denominam como justiça social. O estado assume o papel de grande salvador, com o poder de tirar dos exploradores e magicamente redistribuir os recursos em benefício dos explorados.

Esse “sonho”, que na verdade é um pesadelo, reconstruiria o homem, influenciado por ideologias dominantes racistas, sexistas etc., tratando o ser humano como uma tábula rasa, na qual se poderia magicamente reverter todo o processo de desenvolvimento da própria consciência e de instituições que influenciam a ação do homem em sociedade.

Essas políticas redistributivas não são só impossíveis na prática como completamente imorais e antiéticas, desrespeitando o indivíduo e a sua capacidade subjetiva de construção de riqueza. São impraticáveis porque a prática de redistribuição muda os incentivos, e aqueles antes proprietários dos recursos perderão o incentivo à produção e terão recursos espoliados investidos de forma menos produtiva.

E em termos morais, essas práticas de redistribuição não fazem nada mais do que roubar de alguns e entregar para outros. É uma remoção forçada, por meio da ação do estado, e que, por definição, nada tem a ver com a caridade privada. Os socialistas do século XX propositalmente disseminaram a falsa informação de que apoiar a redistribuição forçada é apoiar a caridade – só que a caridade é feita com valores e recursos individuais, e não com a espoliação de terceiros.

Infelizmente, a defesa dessas políticas ultrapassa os grupos socialistas e se faz presente na linhagem mainstream da ciência econômica, só que sob o disfarce de evidências para basear políticas públicas. Sob este disfarce do cientificismo, diferentes doutrinas econômicas competem pelo exercício do poder de dominar o indivíduo, sendo raras as exceções. Isso se deve ao seu próprio paradigma metodológico e ético, no qual o interesse do economista é a maximização estática de recursos. Não há nenhuma consideração sobre a natureza do indivíduo enquanto ser criador, empresário ativo que não cabe em modelos estáticos, e nem em uma sequência pré-concebida de uma realidade.

Não podemos nos confundir com falsos liberalismos e sua defesa de pensadores que, apesar de se definirem como liberais, não passam de estatistas travestidos. É por isso que Mises e Rothbard devem ser enaltecidos pela sua defesa intransigente do mercado como processo de criação e ação humana.

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