Voltar

Cinco previsões para um Brasil sem publicidade infantil

Apesar de meus melhores
esforços
, nossos legisladores proibiram
toda publicidade voltada às crianças. Mães e pais comemoraram a novidade. E
agora que as propagandas infantis sumirão da TV e dos supermercados, o que
podemos esperar desse admirável mundo novo? Seguem cinco humildes previsões
deste pai que vos escreve.

1. Marcas estabelecidas aumentam a vantagem
sobre alternativas

A
principal função da publicidade é fazer com que um produto seja conhecido e
lembrado.

Mesmo
esfregando-os na nossa cara todos os dias, as marcas têm muita dificuldade em
conquistar nosso imaginário e nosso inconsciente. As estabelecidas, que já são
reconhecidas, têm uma vantagem de largada contra marcas e produtos novos, ainda
desconhecidos. Para esses, uma campanha intensa de marketing é um dos únicos
meios de ser notado, de garantir um pequeno lugar ao sol em meio à selva densa.

Com
a nova lei, quem está entrando tem um desafio muito maior para vencer o anonimato.
A lei não abole todo e qualquer marketing: a caixa na loja de brinquedo, o
boca-a-boca, a propaganda para jovens que atinge também as aspirações da
criança (que quer ascender para aquele universo) — esses e outros continuam existindo. Ela
não abole, mas dificulta. Um canal importante de acesso ao consumidor será
cortado definitivamente.

2. Aumento de brinquedos licenciados,
bonequinhos de filme etc.

Um
filme dos Vingadores, mesmo sem
qualquer merchandising interno, é ele próprio uma propaganda longa-metragem dos
brinquedos dos Vingadores. Idem para
um episódio de Bob Esponja ou da Peppa Pig. Se a propaganda tradicional
foi banida, essa propaganda indireta continua a existir.  Assim, o uso licenciado de personagens famosos
deve crescer, em oposição ao de produtos não-relacionados a filmes, com
personagens sem existência fora daquele brinquedo. Ao mesmo tempo, agora que a
propaganda foi proibida, aumenta o incentivo para se criar filmes e programas
baseados em brinquedos preexistentes: mais filmes da Lego, dos Comandos em Ação, da Barbie etc.

Isso
reforça uma tendência existente: cada vez mais produtos licenciados. Se na
minha infância a Lego vendia navios piratas e bases espaciais genéricas, agora
é Lego Piratas do Caribe e Lego Star Wars.  E os próprios homenzinhos do Lego viraram
personagens de filmes.


fiquei sabendo do gracioso Robo
Fish
por causa da publicidade. Nunca o compramos, mas é um produto
simpático e que apostou pesado na publicidade televisiva. Sem nenhum vínculo
com personagens famosos, e por não ser muito escandaloso ou chamativo em si
mesmo, dificilmente seria visto não fosse a publicidade voltada à criança.
Peixinhos de um eventual Nemo 2 terão
melhores chances.

3. Gordura, açúcar e sal continuarão
campeões da garotada

Ano
passado, no lançamento do documentário Muito
Além do Peso
, assisti a um bate-papo do qual participava o Frei Betto.
Lembro de ele dizer que as crianças desejavam junk food por causa da propaganda intensiva.  Quem dera!  Se assim fosse, a solução da obesidade
infantil era trivial: bastava lançar propaganda de brócolis e espinafre que o
problema estava resolvido. Por acaso os agricultores do Brasil não querem
vender?

No
mundo real, o paladar infantil (e, de maneira geral, humano) tem forte
preferência por comidas gordurosas e com muito sal ou açúcar, independentemente
de qualquer propaganda. Somos o resultado da evolução: no meio ancestral, cada
caloria era preciosa e a fome uma ameaça constante. Hoje em dia enfrentamos o
desafio contrário: a abundância de calorias fáceis e a escassez de atividade
física. É, em comparação com a fome, um bom
problema
, mas nossos instintos não foram moldados para lidar com ele.

A
luta das grandes empresas não é para convencer seu filho a comer gordura, sal
ou açúcar. Isso a natureza já faz. A luta é fazer com que ele escolha o produto A e
não o B. Se brócolis fosse igualmente desejável, nossos personagens favoritos
fariam fila para estampar sua embalagem. Coisa que, aliás, existe, fruto da
demanda de pais por comidas mais saudáveis para seus filhos.

Tendo
em vista essa demanda (e querendo melhorar a própria imagem), empresas de
entretenimento licenciam seus personagens para produtos saudáveis: cenourinhas
do Bob Esponja e a tradicional espinafre do Popeye.  

Aqui
no Brasil, a grande produtora comercial de conteúdo infantil — a Maurício de
Souza Produções — faz o mesmo, por exemplo, com as maçãs.  Ou
fazia
.  Mesmo com muito esforço, não
é fácil. A cenoura do Bob Esponja, por exemplo, saiu do mercado.

É
uma luta constante ensinar as crianças a comerem legumes, mesmo quando
associados a seus personagens favoritos. Para baixo todo santo ajuda. A
Coca-Cola nem faz propaganda para crianças
com menos de 12 anos, e me diga: por acaso a molecada não pede refri?

No
mais, a guloseima pouco saudável também faz parte da vida. Pobres das nossas
crianças, não conhecerão o Kinder Ovo, o brinquedo do McLanche Feliz e — será que
a sanha dos legisladores chegará a tanto? — o brinquedo no ovo de Páscoa.

4. Menos revistas, horários, canais e
produções para as crianças

Sem
publicidade voltada às crianças, publicações, canais de TV e horários de
programação dedicados a elas perdem uma importante fonte de financiamento.  Com isso, teremos uma diminuição no leque de
opções, e aquelas que perdurarem terão menos recursos para investir (comprando
novos conteúdos, se atualizando, financiando iniciativas).

Com
menor demanda, a produção de conteúdo voltado às crianças também sofrerá.
Provavelmente, ela ficará cada vez mais atrelada a investimentos estatais,
seguindo critérios de pedagogos, culturólogos e outros profissionais que, por
louváveis que sejam, não são experts do gosto infantil.

Por
isso que as melhores e mais populares produções infantis vêm justamente do país
onde elas são mais comercializadas: os EUA. Disney, Pixar, Warner Bros.,
Hanna-Barbera, Cartoon Network Studios, Nickelodeon. Todas elas produzem e se
desenvolvem num meio bastante livre de produtos licenciados (inclusive
alimentícios) e propaganda.

Não
me levem a mal.  Volta e meia vemos
produções europeias adoráveis.  No Brasil
também, as leis de incentivo e as boas intenções dão origem a produtos
plenamente aceitáveis, como Peixonauta.
 Mas os desenhos que cativam a imaginação
infantil e marcam história têm vindo quase sempre de pessoas e empresas que
trabalham sob as leis impiedosas do mercado. Em geral são americanos, e quando
um europeu entra na jogada é porque adota posturas de marketing e licenciamento
tão agressivas quanto as de qualquer corporação dos EUA (como a finlandesa
Rovio, criadora do Angry Birds, ou a
dinamarquesa Lego).

5. O consumismo infantil seguirá intacto

Os
meninos voltam da escola e vão direto brincar com os amigos da vizinhança.
Entre seus brinquedos favoritos, pião, carrinho de rolemã e fantoches de pano.
Na hora do lanche, todos ansiosos para descobrir novas frutas do cerrado. Nas
histórias, personagens do nosso folclore como caipora, curupira e saci. Sem
videogame, sem gordura trans, sem armas, sem violência, sem competitividade.

Nenhum
de nós criará seus filhos num mundo assim. Sorry.

Com
ou sem propaganda, o consumismo infantil permanecerá.  A criança tem pouco controle sobre seus
desejos.  Por isso gasta-se tanto com
publicidade para elas.  Comidas
gordurosas e com muito sal ou muito açúcar atraem muito mais do que legumes.  Caubóis e super-heróis atraem mais do que
ambientalistas e filósofos.  Brinquedos
novos, modernos e cheios de apetrechos — e jogos eletrônicos — atraem mais do
que os artefatos nostálgicos de gerações passadas.

Ser
pai e mãe continuará igual. O efeito da propaganda na vida infantil é quase
inócuo. Quem tem filho sabe. O filho vê o produto, às vezes se interessa, às
vezes não. Às vezes pede, às vezes faz manha. No geral, espera a propaganda
passar se distraindo com algum brinquedo. Às vezes decora a musiquinha sem nem
dar bola pro produto. Os pais escolhem o que dar ou não. A influência dos
amigos, essa sim é sentida com mais força; ninguém quer ser o único da turma
totalmente fora da moda. Crianças continuarão fazendo birra, manha e choro.

As
crianças aprendem a lidar com a publicidade. Não dá para abolir tendências
biológicas e culturais fortes com uma canetada. O que dá para fazer é ver que
tipos de educação e formação ajudam a lidar com os muitos apelos e tentações do
mundo — e que também têm seu lado bom: para muitos, algumas doses de prazer
mais do que compensam decisões sub-ótimas do ponto de vista da saúde.

Quem
cresceu nos anos 1990, como eu, viveu essa realidade de forma muito mais
agressiva. A nova lei, mais do que proteger as crianças, protege a consciência
de pais ansiosos. E já prevejo: ela não
será o bastante
.

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

60 comentários em “Cinco previsões para um Brasil sem publicidade infantil”

  1. Não tem como deixar de aumentar seu ódio cada vez mais por essa instituição violenta, demagoga, hipócrita, que se julga onisciente.

    É por isso que não gosto dos “conservadores”.

    Eu sei que vão ter pessoas que se julgam “liberais” defendendo leis estúpidas como essa e outras.

  2. Felipe Ferreira Klen

    Texto muito bom, Joel.
    É uma pena que nossa industria de animações leve esse golpe agora, ela parecia estar em bela ascensão e tem potencial, principalmente as produções para crianças com menos de 7 anos.
    Até as novelas para crianças do horário nobre do SBT estão ameaçadas. Não deixaram de existir tão cedo, mas o orçamento será mais apertado.

  3. Eu ainda não tinha me aprofundado muito no tema (não sou pai), mas agora que li esse artigo eu parei para pensar, e esta lei nada mais é do que um passo adiante na agenda “comunista” do governo.

    1) Proíbe-se a propaganda de produtos para crianças.
    2) Anunciantes param de financiar a produção privada de conteúdo para crianças.
    3) Sem conteúdo para crianças, aparece o maravilhoso governo, financiando as produções que lhes é interessante (doutrinação ideológica, obviamente).
    4) Crianças que já são doutrinadas na escola agora serão doutrinadas dentro de casa também.

    Olha… ainda bem que eu ainda não tive filhos. Está bem complicado decidir ter filhos hoje em dia no Brasil.

  4. Fernando R Sousa

    Já tentei argumentar com um vizinho que o responsavel em casa e quem tem a ultima palavra são os pais, e não apenas para propaganda, mas para todos os assuntos, o pai tem que avorar para si a responsabilidade de criar os proprios filhos….

    Mas não é isso o que acontece, esse meu vizinho, cre piamente que cabe ao estado proteger as indefesas crianças da lavagem cerebral que é a propaganda, mesmo quando ele concorda que quem cria e diz não as crianças são os pais, ouço um sonoro, “mesmo assim”, creio que seja por estar enraizado o estado baba, e infelizmente, isso apenas aumenta diariamente…

  5. mauricio barbosa

    Essa lei é interessante vejamos por que,se a publicidade infantil é a culpada isso ficará comprovado futuramente,agora se nossos filhos continuarem birrentos,exigentes,enfim consumistas ai sim ficará comprovado que a mídia não tem culpa por esse comportamento, farei questão de esfregar essa lei na cara dos conservadores que apoiam leis e outras medidas arbitrárias iguais a esta pois ficará demonstrado que o objetivo desta lei é inócuo.

  6. Boa tarde pessoal!
    Tenho uma pergunta que não está diretamente relacionada com este artigo, mas gostaria muito de uma opinião dos mais experientes.

    Eu estava conversando com alguns amigos. Eles começaram a reclamar do governo, dos partidos X Y Z, etc.
    Aí eu tentei introduzir algumas idéias que aprendi aqui no site. Falei sobre liberdade, propriedade, etc. Falei que quanto menos Estado melhor, etc.

    Aí um deles propôs a seguinte situação:
    Eu tenho uma casa e no terreno vizinho é construído um prédio. Este prédio acaba bloqueando todo o sol e tirando a minha privacidade. A casa começa a criar mofo e não posso mais usar a piscina no quintal. Provavelmente o meu imóvel sofrerá uma desvalorização.
    Isso faz com que eu me sinta prejudicado pela construção do prédio.

    Como ficaria essa situação na visão dos libertários? Fui mesmo prejudicado?

    Confesso que fiquei confuso. Travei!

  7. O mercado sempre terá soluções mais inteligentes que qualquer governo. Nesse caso da publicidade por exemplo, eu tenho uma filha de 3 anos que adora desenho, assiste todos os dias mas nunca vê nenhum comercial. Mágica? Não, Apple TV. Aqui em casa a gente nunca liga a TV a cabo pois todos os conteúdos que gostamos existem no iTunes, Netflix, Hulu, HBO on the GO, ESPN.. O futuro da televisão é conteúdo por demanda, sem horário, sem comercial. Mas claro, nosso governo da época da pedra não deve nem ter ideia do que seja Apple TV. E caso no futuro esses programas possuam comerciais, eu tenho outra solução simples para proteger meus filhos: Não vai assistir TV. PRONTO! Na minha casa meu pai dizia não e a gente não via TV. Simples assim.

  8. Emerson Luis, um Psicologo

    Ótimo artigo!

    Por quanto tempo os intervencionistas ficarão contentes com essas medidas?

    Se proibiram publicidade para menores de 12 anos, por que não proibir para menores de 18 também?

    E quais serão os limites para as interferências na publicidade em geral? Onde vai parar?

    * * *

  9. É liberal mas pede pro vizinho abaixar o som depois das 22:00. E o direito individual do vizinho de ouvir som alto até as 3 da manhã ? Liberais burros e sua coerência ..

  10. Concordo plenamente que essa lei é uma forma de iniciar o comunismo no Brasil. Primeiro nos deixando sem opções, não temos mais total liberdade na educação de nossos filhos, a ditadura governamental já esta na educação que o estado impõe em nossas casas. Tenho uma filha de 2 anos e 9 meses e ela ama a Peppa, eu a deixo assistir enquanto brinca com seus varios tipos de brinquedos, com as propagandas, fica mais fácil saber o que dar ou não, é claro que se ela me pedir algo que eu não ache apropriado, eu não irei comprar só porque ela vê a propaganda todos os dias na tv, eu sento e converso com ela e ela me compreende, ela mesma diz que se não é bom pra ela, ela não quer. Eu gosto de fast foods, ela não, pelo contrário, ama brócolis e espinafre, ela troca um doce por um pedaço de melância, banana ou maçã, e vê comerciais na tv o tempo todo, nada a influência porque ela aprende os valores, ela entende o que é bom para ela, e ela mesma, muitas vezes me manda comer algo mais nutritivo do que gorduroso…. Existem tantas coisas para serem resolvidas, tantas leis que deverias já estar em prática, leis que foram feitas, mas não são aplicadas e que acho que deveriam ser mais firmes como as leis sobre se dirigir bêbado, a lei que foi engavetada que proíbe a matança das chinchilas no brasil, leis que sejam mais duras sobre o abuso infantil, e leis que punam aquelas “crianças” que roubam, matam e estupram…então, porque não proibir novelas com cenas de sexo e nudez? Filmes de ação que contenham assassinatos, estupros? Será que não é isso que está desvirtuando nossas “crianças bandidas”. Claro que não, o que nos falta é a educação, aquela que aprendemos em casa, com uma palmada na bunda ou um puxão de orelha, aquela educação que nos faziam respeitar pais, professores e idosos. Que absurdo essa lei, não podemos mais nos abster e deixar essas coisas passarem no congresso, o Brasil é nosso minha gente, os políticos são nossos empregados, por isso os chamamos de servidores públicos.

  11. Acho que a publicidade infantil deve ser repensada.

    Por exemplo, esta propaganda dos anos 80:

    Este tipo de publicidade infantil é saudável e natural, pois mostra realmente o que as crianças mais gostam de fazer: Brincar. Incentiva a infância.

    Por outro lado, este tipo de comercial:

    Este tipo de comercial é tóxico para as crianças. Transforma as crianças em consumistas em potencial. Doutrina os indivíduos a serem consumistas desde criança. Acaba com a infância das crianças.

    Em suma, o primeiro tipo de publicidade infantil é sauvável para as crianças, o último é tóxico. O problema é que atualmente, só vejo publicidade infantil do último tipo…. Principalmente essas propagandas de boneca…

  12. Boa noite. Gostaria de saber se esse PL passou pelos deputados, senadores ou foi sancionado pela Dilmona? Caso não, por hora, não vejo porque me preocupar tanto.

  13. Esse tipo de discussão está atrasada. A maior empresa de propaganda do mundo está em ação fazendo propaganda direcionada a todos os usuários de computadores do mundo, sem exceção. Que empresa é essa ? Google

  14. Colocando outra ponderação. Será que sem qualquer regulação o mercado, ainda mais o brasileiro, será capaz de garantir o mínimo de equidade de forças em relação a educação que os pais dão em casa?

    Da mesma forma que julgo um excesso quando o governo, seja chinês, americano ou brasileiro destrói casas para construir viadutos, também acho um grande abuso quando empresas investem bilhões e me colocam como “censor” ao invés de permitir que eu efetivamente gaste meu tempo para EDUCAR meus filhos.

    Ou seja, da forma como estava posto, cabia ao mercado a liberdade de anunciar qualquer porcaria para as crianças e a obrigação dos pais era de “educar” sobre o que é bom, ou não. Acho bem complicado.

  15. Ou seja, da forma como estava posto, cabia ao mercado a liberdade de anunciar qualquer porcaria para as crianças e a obrigação dos pais era de “educar” sobre o que é bom, ou não. Acho bem complicado.

    Ué, complicado por quê? Além do mais, se não quer que ela veja o comercial, desligue a TV.

  16. Pela discussão por aqui parece que as pessoas não entendem que o controle remoto da televisão tem uma série de botões interessantíssimos, de uso intuitivo.

    Tem um par de setinhas, em geral para cima e para baixo, comumente com um impresso ‘CH’ entre elas, utilizada para uma função formidável: Trocar de canal. Caso algo que esteja passando seja inadequado, qualquer adulto, ou até mesmo qualquer criança instruída, pode se utilizar deste botão para alternar o conteúdo exibido.

    Também possui um outro botão – em geral chamado AV, SRC ou coisa parecida – que alterna a entrada de dados da televisão. Sim, o cabo e a antena não são a única forma de se trazer imagens para a televisão. Pode-se acoplar diversos outros aparelhos eletrônicos – como DVD’s, Blu-Ray, Video-Games, PC’s, entre outros. Todos estes dispositivos tem a incrível capacidade de se escolher o que se vê na televisão, não deixando assim o espectador à mercê dos maldosos montadores de grades horárias, estes que precisam de constante monitoramento do estado para que não maltratem seus filhos.

    E por fim, existe um botão fabuloso, em geral vermelho e em algum canto superior, que faz com que a televisão simplesmente pare de exibir coisas. Sim, ela fica totalmente preta, diz-se que ela está desligada neste cenário – Na realidade isso é um abuso de linguagem, as televisões modernas estão sempre ‘ligadas’, mesmo sem estar exibindo nada na tela. Esse botão tem o incrível poder de fazer as crianças destinarem seu tempo à outras atividades – como brincar de blocos de montar, de boneca, de carrinho, ou ler um livro, desenhar e pintar, entre outras.

    Acho que devemos apresentar essa magnífica invenção aos burocratas que querem regular o que se passa na televisão, dado que eles não sabem que os pais hoje já detém o controle sobre o que os seus filhos devem ou não devem ver.

  17. Andre Cavalcante

    Caraca depois de ler vários comentários, realmente fiquei com a seguinte sensação:

    As pessoas realmente querem controlar a vida das outras e não cuidar da própria vida[i]

    E para aquelas que só querem cuidar da própria vida, outra sensação:

    [i]As pessoas não percebem que defender o estado é defender o controle sobre a vida alheia

    Abraços

  18. Por isso que nem se vê mais aquela fartura de promoções e brindes envolvendo tazos, figurinhas e afins… lembro de que na minha infância, na década de 2000, ainda tinha isso. Não sei como será as infâncias das próximas gerações.

    Teria isso relação também com a lei COPPA no YouTube?

Rolar para cima