Houve
uma época em que o povo da Índia tinha de entrar em uma lista de espera para
conseguir comprar o carro Ambassador,
que era fabricado pela Hindustan
Motors e que era uma mera e óbvia cópia do sedã britânico Morris Oxford de algumas
décadas anteriores.
O
motivo para essa lista de espera era simples: o governo indiano não permitia a
importação de carros estrangeiros, pois queria evitar a concorrência e, com
isso, “proteger e estimular” a indústria nacional.
O
fato de que o Ambassador era uma mera cópia não é nenhum motivo de
condenação. A primeira câmera Nikon era
uma óbvia cópia de uma câmera alemã chamada Contax, e a primeira Canon era
uma óbvia cópia da também alemã Leica. A diferença é que, ao longo dos anos, Nikons
e Canons foram se aperfeiçoando até se tornarem o estado da arte, tanto durante
a era do filme quanto na atual era digital.
O
mesmo não ocorreu com o Ambassador. O
carro se tornou famoso por sua péssima dirigibilidade, pelo seu baixo
desempenho e pelo seu pobre acabamento.
Porém, dado que ele era a única opção em toda a Índia, as pessoas não tinham alternativa a não ser entrar
em uma lista de espera que durava meses — em alguns casos, anos.
Em
comparação, Nikon e Canon já surgiram sendo reconhecidas como produtos de
qualidade, e foram melhorando ainda mais à medida que as empresas que as
produziam iam adquirindo mais prática e mais experiência. Operando em um mercado internacional altamente
competitivo e exigente, elas não tinham escolha: ou se aperfeiçoavam ou
desapareciam.
Por
outro lado, o Hindustan Ambassador não tinha esse problema da concorrência,
pois ele usufruía uma total reserva de mercado imposta pelo governo. Quem tinha problemas era quem comprava um
Ambassador.
No
final do século XX, a Índia começou a flexibilizar algumas de suas rígidas
regras e regulações que vinham estrangulando as empresas indianas. Embora a Índia ainda esteja bem longe de um
livre mercado, o simples fato de relaxar algumas de suas restrições econômicas
foi o suficiente para promover uma alta taxa de crescimento e uma substancial
redução em sua alarmante pobreza.
O
governo indiano até mesmo permitiu que uma fábrica automotiva japonesa se
instalasse na Índia e fabricasse ali seus carros. Isso resultou em um carro chamado Maruti, cujas vendas
rapidamente dispararam e levaram o carro ao topo da lista dos mais vendidos,
fazendo com que ele se tornasse o carro mais popular da Índia. Mas o evento mais notável foi este: a
concorrência do Maruti levou a vários aprimoramentos no Ambassador. Uma revista especializada britânica disse que
o Ambassador agora tinha uma “aceleração perceptível”.
Agora
que havia concorrência, a revista britânica The
Economist anunciou que “os Marutis também estão sendo aprimorados, já se
antecipando à futura entrada de novos concorrentes em decorrência uma nova
rodada de abertura comercial”.
Talvez
o último capítulo da história do Ambassador esteja sendo escrita neste momento:
a Hindustan Motors anunciou recentemente que estava fechando — indefinidamente
— a fábrica onde o Ambassador era construído.
De acordo com o The
Wall Street Journal, “a empresa citou a baixa produtividade, ‘uma
crítica escassez de fundos’, e uma baixa demanda por seu produto principal, o
Ambassador”.
Após
essa pequena história, faça um rápido exercício mental: qual empresa do seu
país se parece com a Hindustan Motors?
Pense
em todas aquelas empresas (privadas ou estatais) que usufruem um
quase-monopólio de sua área em decorrência de tarifas de importações
proibitivas e de o mercado ser regulado por agências reguladoras. Fabricantes de automóveis, empresas de
telefonia, empresas aéreas, empresas de TV a cabo, empresas de eletricidade,
bancos etc. Os serviços delas são bons?
E
quanto aos Correios, cujo monopólio é o mais explícito e mais protegido?
Ironicamente,
a Índia privatizou parcialmente seus Correios ao permitir que empresas privadas
também entregassem correspondências e outros pacotes. Consequentemente, as entregas do correio
estatal caíram de 16 bilhões para menos de 8 bilhões em apenas seis anos, ao mesmo
tempo em que a população da Índia continuou crescendo a altas taxas.
Sempre
será possível manter uma empresa velha, pesada e ineficiente funcionando —
basta o governo despejar nela quantias ilimitadas de dinheiro confiscado dos
pagadores de impostos [como ocorre com os
Correios e com a Eletrobras], ou protegê-la da concorrência de estrangeiros
via regulações [como ocorre com todas as
outras empresas que são reguladas por agências reguladoras] ou via tarifas de importação.
A
Hindustan Motors teve de fechar suas portas porque o dinheiro acabou e porque
os concorrentes se mostraram superiores e mais bem preparados para atender aos
desejos dos consumidores indianos. Por quanto
tempo ainda teremos de manter nossas próprias versões do Hindustan Ambassador respirando
por aparelhos à custa dos pagadores de impostos e dos consumidores cativos que
não têm a liberdade de decidir de quais empresas irão comprar seus produtos?
______________________________________
Leia
também:
A urgente necessidade de se
desestatizar os Correios
Os reais beneficiados por
um capitalismo regulado
Monopólio bom e monopólio
ruim – como são gerados e como são mantidos
Sobre os preços dos carros
no Brasil
Celular ilimitado por
R$30/mês – saiba como aqui
Felizmente o livre mercado tem solução para tudo: https://www.youtube.com/watch?v=MkNeXksKK1o
A liberdade econômica produz prosperidade. Indivíduos e grupos concorrem continuamente para se aprimorar e oferecer produtos e serviços cada vez melhores. O protecionismo protege apenas um seleto grupo e prejudica toda a população. Este é mais um exemplo destas verdades.
* * *
É bom saber que o governo é o culpado pelo alto grau de miséria na Índia,a nossa imprensa gosta de mostra-lá mas não menciona o culpado, mistificando a questão querendo sutilmente mostrar que a Índia está fadada a miséria devido a outros fatores e não a forte burocracia e regulamentações que engessaram a economia indiana desde a independência,creio que as gerações passadas deviam ter se arrependido de apoiar Gandhi pois quando era colônia a pobreza era menor e os socialistas Nehru,Indira Gandhi dentre outros colaboraram com suas políticas de restrições comerciais,enfim uma lástima.
mas para que ir até a India e seu Ambassador ?
Estão lembrados do finado Opala ?
Quando ele foi substituído pelo Omega , não foi porque queriam fazer um produto novo , mas depois de 20 anos , o ferramental tinha se desgastado tanto que tinham que fazer tudo de novo.
Se é para fazer tudo de novo , façamos um novo produto , o Omega ( que saiu de produção na Alemanha logo em seguida ).
Como deve ser fácil ser ‘executivo’ de empresa pública.
1) A empresa recebe mesada do governo mesmo quando dá prejuízo;
2) A empresa, geralmente, possui monopólio do mercado em que atua;
3) A cada 4 anos (pelo menos aqui no Brasil) a empresa muda da água para o azeite (eleições), e vai ter de dançar conforme a ‘música’ do novo governo eleito;
4) Sendo assim, para que se preocupar com resultados?
E no Brasil o governo está afastando as montadoras que não tem fabrica aqui.
————-
‘Governo espantou as montadoras que viriam ao país
veja.abril.com.br/noticia/economia/governo-espantou-as-montadoras-que-viriam-ao-pais
É gredson. Acho engraçado esses esquerdistas;os infelizes querem que uma montadora venha aqui no Brasil,invista milhoes em uma fabrica sem nem ter ideia de como o produto dele ira se comportar no mercado,esse povo(o esquerdista)acha que dinheiro da em arvore;é muita burrice…
O que acham de isto??
http://www.freshplaza.es/article/83577/El-sector-agr%C3%ADcola-espa%C3%B1ol-reclama-sanciones-ante-los-ataques-franceses
O texto esta em Espanhol mas da pra entender.
postei essa pergunta no facebook de um partido que busca formalização.
tenho grande preocupação que no fundo o NOVO venha a ser mais do mesmo, mesmo sendo formato por “sangue novo”. Qualquer um cujos os projetos são sempre para o tal bom uso dos impostos, premiação do mérito no funcionalismo público, mesmo pregando ao mesmo tempo a liberdade individual e a livre iniciativa, recairá em breve espaço de tempo nos mesmos problemas que temos hoje. Estado inchado. Eu em toda hipótese considero imposto, roubo. Assim, em apenas visando aplicar melhor os recursos, então persistirá a coerção para o pagamento de tributos? Penso que justo é o pagamento conforme os serviços utilizados por cada indivíduo ou a contribuição voluntária. Se eu fizer um compra no mercado, poder solicitar a exclusão de todo imposto da minha compra, ref. a toda a cadeia produtiva. Ou o melhor, os preços serem direto sem imposto e sob autorização, calcular e pagar.
Vinicius,
acabei de ver lá.
Fui taxado de anarquista por quem responde pelo Novo.
Pra mim começa mal.
Sou católico e como tal ainda não encontrei algo que torne moralmente aceitável a coerção imposta via tributos e via educação.
Não aceito a imposição de um currículo educacional, imposição de impostos. E não considero isto ser anarquista.
Que seja cobrado de quem quer pagar, eu não pagarei e me absterei de utilizar os tais serviços públicos.
Sempre haverá coerção entre as pessoas. Em um territorio onde não há um sistema organizado entre as pessoas, onde exista vazio de poder, sempre surgirá alguém ocupe esse lugar.
Portanto a ausencia total de estado é uma utopia, algo que somente pode ser alcançado se toda a população de um territorio tiver os mesmo valores e crenças, e estejam de acordo em se respeitarem entre si.
Na minha humilde opinião uma sociedade não escapa de fornecer à seus habitantes justiça e segurança jurídica.
Justiça é muito discutível. Claro que pode ser privada se voluntariamente ambas partes concordarem com se sujeitar a esse juiz (ou ao sistema que for), mas como se resolve um conflito onde uma das partes não aceita nenhum júri?, ou entre os dois não chegam a um juiz da confiança de ambos?.
Algum tipo de última instancia certamente deverá existir em algum momento.
Alguma justificativa sempre haverá para tomar uma posição entre uma das partes que afetará a liberdade do réu, nem que seja a da punição pelo que fez, que evidentemente será feita de forma coerciva.
Segurança Jurídica é muito importante para uma população, e isso deve ser ensinado, garantido e defendido pela população. Até as regras de convivência mínima de alguma forma deve ser de conhecimento das pessoas, de preferencia escrito, explicado, etc.
Na minha opinião um grande avanço da sociedade e herança da revolução francesa (se não me engano) foi a separação de poderes. Esse mais do que o anarcocapitalismo, esse é o caminho. Quem lê a constituição do Brasil da vontade de vomitar de tanta bobagem que está escrita (exemplo: Direitos Sociais), a constituição deveria ser muito menor e dar mais liberdades as pessoas, aos estados e a qualquer tipo de organização social que por própria vontade os individuos desejem participar. Mas a questão é que deve defender esses direitos, para não deixar vazio de poder.
O Judiciario deveria ser mais forte em prohibir o Executivo e o Legislativo de criar tanto imposto, de se intrometer tanto na vida das pessoas, de permitir o estado crecer tanto. Acho que o Legislativo deveria ser muito mais independente do Executivo. O exercito deveria ter um papel bem claro de proteção das liberdades.
Não sei exatamente como deveria ser o tamanho ou a quantidade de impostos que pode ser cobrado, mas certamente seria uma constituição clara, minimalista e com separação forte de poderes que permita este arranjo.