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Estatolatria - esse grande mal que nos rodeia pode ser derrotado

02/07/2014

Estatolatria - esse grande mal que nos rodeia pode ser derrotado

Há alguns dias, recebi um email de um leitor que me perguntava sobre algo com que todos nós já tivemos de lidar.  Eis um trecho:

A coisa fica meio depressiva às vezes.  Há momentos em que me sinto meio rancoroso, e há momentos que simplesmente fico totalmente irritado com o fato de que são pouquíssimas as pessoas que entendem ou se importam com economia e/ou filosofia, quando ambas são extremamente importantes.

Sou totalmente solidário com o sentimento deste leitor, obviamente, dado que eu mesmo já me senti exatamente assim várias vezes.  No entanto, como eu sempre digo, o segredo está na perspectiva.  Todos nós já reclamamos daquelas pessoas que "simplesmente não entendem o problema"; porém, o real problema é que somos nós que realmente ainda não entendemos o problema.

Temos subestimado completamente o tipo de luta em que estamos.  Pensamos que ela se resumia apenas a economia e política; só que é muito mais do que isso.  A nossa verdadeira batalha é contra a idolatria.  Se inicialmente isso não faz sentido para você, não o culpo; apenas permita-me explicar melhor essa minha conclusão.

Toda e qualquer idolatria possui a mesma e única raiz

Todos nós já ouvimos slogans como este:

Por que não deveríamos tributar o dinheiro de um milionário que não precisa dele e utilizar esse dinheiro para alimentar uma criança faminta?

Após isso, é praticamente impossível oferecer qualquer contra-argumentação sem que sejamos tachados de insensíveis.  E há um bom motivo para isso: o slogan carrega uma espécie de "monopólio moral" que é manipulador e fraudulento.  Idólatra, na verdade.

Esse argumento parte da implícita suposição de que o estado está além do questionável, e que qualquer falha tem de ser atribuída a algum outro ente.  Se há pobres e crianças famintas, então jamais pode o estado ser o culpado por isso.  Tal tipo de pensamento é simplesmente inconcebível para essas pessoas.

Arraigada neste tipo de pergunta (e na mentalidade das pessoas que fazem esse tipo de pergunta) está a total e inabalada certeza de que o estado sempre funciona como o agente do bem.

Isso é idolatria, e está no mesmo nível de povos antigos que adoravam deuses urbanos ou de pessoas medievais que consideravam sua Santa Igreja acima de todo e qualquer questionamento.  Da mesma maneira, estados e governos são ídolos para as pessoas modernas.  A linha de pensamento é idêntica; a única coisa que muda são os nomes dos ídolos -- as entidades que recebem o benefício da dúvida continuamente.

O estado, nosso ídolo moderno, rouba quase metade de tudo aquilo que um trabalhador ganha.  Isso significa que as pessoas são explicitamente espoliadas pelo simples fato de estarem fazendo a coisa certa (trabalhando).  Mas não há qualquer compaixão por elas.

E por que não há compaixão por essas pessoas?  Porque é o estado quem as está despojando, e o estado jamais pode ser condenado.  Afinal, ele só pode ser um agente do bem!

No final, tudo realmente se resume a isso:

Qualquer coisa que você aprecie mais elevadamente do que a realidade é o seu deus.

Em nossa atualidade, a coisa que é estimada acima da realidade é o estado.  As pessoas podem até criticar alguns de seus aspectos ou alguns de seus integrantes, mas o estado como um todo, como uma entidade, é algo que só é questionado por pessoas malucas e perigosas.  Em outras palavras, por hereges.

Essa entidade contra a qual lutamos é diferente daquele dogma que mantinha as mentes medievais acorrentadas.  A batalha é muito pior agora.

Nossos inimigos entenderam melhor do que nós

Todos nós já tivemos de lidar com pessoas que defendem tão resolutamente a necessidade da existência do atual sistema estatal, que reagem insana e virulentamente ao ouvirem nossas ideias.  Pensávamos estar apenas falando sobre economia, mas elas reagiram como se estivéssemos tentando destruir tudo aquilo que elas mais amam.

Em outras palavras, nossos inimigos veem nossas ideias como sendo ainda mais poderosas do que nós mesmos acreditamos que sejam.  E eles estão certos; somos nós que ainda não entendemos corretamente o que temos em mãos.

Todos os governos necessariamente agem contra a vontade humana.  Se eles não forem capazes de fazer com que tenhamos vergonha de nossos desejos e juízos, então toda a justificativa para a existência de governo corre o risco de entrar em colapso.  O jogo requer que o cidadão comum se sinta inseguro e cheio de defeitos; o jogo requer que ele precise de uma babá.  Nossa mensagem simplesmente destroça toda essa fraude.

Nossos inimigos estão absolutamente corretos em nos temer e em reagir virulentamente.  E nós deveríamos começar a aceitar o fato de que nossas ideias são poderosas.

As grandes batalhas são vencidas lentamente

Alguns libertários são ansiosos e desejam ardentemente por uma "revolução", o que significa que eles querem mudanças rápidas.  Estes irão se desapontar, pois isso não ocorrerá.  As mudanças, sempre e necessariamente, são lentas.  Quem não preparar a mente e as expectativas para este fato, inevitavelmente enfrentará profundas frustrações.

Nossas ideias são grandes, e nossos inimigos já conquistaram boa parte da mente de nossos amigos, familiares e vizinhos.  Isso significa que a maioria deles não irá mudar de ideia da noite para o dia.  É assim que a coisa funciona, por mais doloroso que seja admitir.  Tudo será muito lento.

Porém, nesta lenta batalha, temos a carta na manga, que é o poder das ideias, e nossa estratégia vencedora é trabalhar duro e perseverar.  Esqueça a possibilidade de vitórias rápidas; isso sempre foi uma ilusão.  É necessário construir, e continuar construindo.

O que fazer

A seguir, algumas sugestões específicas para lidar com as pessoas:

  • Em vez de utilizar palavras, mostre às pessoas o que você já alcançou; ou dê exemplos práticos de terceiros.
  • Dê às pessoas tempo para pensar melhor suas ideias.  Plante a semente, dê um tempo, e retome o assunto apenas algum tempo depois.
  • Não entre em brigas.  Se você cair em uma emboscada, simplesmente diga ao inimigo que você não aceitará tais táticas.  E então saia.
  • As pessoas mais próximas de você são suas amigas por algum bom motivo.  Seja paciente e dê tempo a elas.
  • Lembre-se de que a maioria das pessoas está sempre confusa e insegura.  Ofereça a elas coisas que ajudem, e não coisas que prejudiquem.
  • Encontre outras pessoas que compartilhem ao menos algumas de suas perspectivas, e então trabalhe com elas.  Se não houver ninguém assim ao seu redor, entre em algum grupo de internet.

Continue plantando sementes e regando-as sempre que possível.  Para nós, a perseverança é o caminho para a vitória.


Sobre o autor

Paul Rosenberg

É o presidente da Cryptohippie USA uma empresa pioneira em fornecer tecnologias que protegem a privacidade na internet. Ele é o editor FreemansPerspective

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