O principal livro de
Keynes, A Teoria Geral do Emprego, do
Juro e da Moeda, está repleto de teoria econômica. Há apenas duas páginas contendo dados, e
Keynes ainda desqualifica esses dados dizendo que são “improváveis”.
Em contraste, o novo
livro do francês Thomas Piketty, O
Capital do Século XXI, que é a sensação mundial do momento, é recheado de
dados. Ironicamente, Piketty se
considera um sucessor daquele mesmo economista cujos dados Keynes descartou
como improváveis: Simon Kuznets. Quase
todas as pessoas que realmente leram o livro admitem que o argumento teórico de
Piketty é fraco. No entanto, seus
defensores prontamente contra-argumentam: “Mas veja todos esses dados! Não dá para
argumentar contra todo esse volume de evidências históricas!”
O principal argumento
de Piketty é que a riqueza (que tende a se concentrar em poucas mãos) cresce
mais rapidamente do que a economia, de modo que aqueles que já possuem muita
riqueza vão se tornando cada vez mais ricos em relação a todos os outros.
Supostamente, esta seria uma característica inevitável do capitalismo.
(Se essa tese lhe soa
familiar, é porque ela realmente é: a teoria de Piketty é apenas uma repetição mais
atualizada do que Marx e Keynes já haviam dito, embora seja válido lembrar que
Keynes zombou da maioria das coisas ditas por Marx, classificando-as como
“embuste”).
Mas qual seria então
a prova de que a riqueza cresceu mais rápido do que a economia?
Analisemos o gráfico
abaixo, que foi adaptado do livro de Piketty. A linha roxa é o retorno sobre o
capital e a linha amarela é a taxa de crescimento da economia mundial. A linha roxa
supostamente mostra como os ricos estão se saindo e a linha amarela, como o cidadão
médio está progredindo. Observe que as
partes de ambas as linhas localizadas na extrema direita do gráfico são
meramente uma projeção de Piketty, e não dados históricos.
Este gráfico é espantoso
por várias razões. Em primeiro lugar,
ele sugere que o capital apresentou um retorno de 4,5% ou mais, por ano, no período que vai do ano 0 ao
ano 1800. Este valor é insano. Por exemplo, se toda a raça humana houvesse
começado o ano 1 com uma riqueza total de apenas US$10, um crescimento composto
de 4,5% ao ano durante 1.800 anos faria com que, atualmente, fossemos mais de
um trilhão de vezes mais ricos do que realmente somos — lembrando que a
riqueza total do mundo foi estimada pelo Credit Suisse em US$241 trilhões de
dólares.
Esse valor de 4,5% de
retorno sobre o capital também é insano porque o próprio Piketty argumenta, e
muito corretamente, que todo o crescimento econômico ocorrido antes da Revolução
Industrial foi insignificante, o que significa que retornos tão altos para os
ricos simplesmente não são compatíveis com um crescimento tão ínfimo. A verdade é que, durante boa parte desse período,
os ricos estavam mais interessados em gastar ou em esconder suas riquezas a
investi-las, pois, naquela época, expor suas riquezas significava se tornar
suscetível a ser roubado — ou por bandidos ou pelo governo.
Por fim, se analisarmos
mais atentamente a parte mais atual do gráfico (1913 a 2012) e ignorarmos a
projeção feita para o futuro, veremos que as linhas também não dão sustentação à
tese de Piketty. A ideia de que, no
capitalismo, os ricos sempre necessariamente se tornam mais ricos em relação a
todos os outros simplesmente não é corroborada pelos dados que ele apresenta.
Já o gráfico seguinte
mostra a fatia da riqueza nas mãos dos 10% mais ricos da Europa ao longo do
tempo (linha azul-escura), a fatia de riqueza nas mãos dos 10% mais ricos dos
EUA (a linha verde clara), a fatia da riqueza nas mãos do 1% mais rico da
Europa (linha azul-clara) e a fatia da riqueza nas mãos do 1% mais rico dos EUA
(a linha verde-escuro).
Este gráfico também não
corrobora a tese de Piketty. Sim, a fatia
dos ricos cresceu desde 1970, mas só depois de ter caído acentuadamente antes.
Finalmente, o próximo
gráfico mostra a renda dos 10% mais ricos dos EUA ao longo do tempo em termos
da porcentagem da renda total do país.
Renda, neste caso,
inclui também os ganhos de capital, que, em termos práticos, não representam
renda verdadeira, mas sim apenas uma troca de um ativo por outro. E exclui as transferências de renda feitas
pelo governo, exclusão essa gera uma grande alteração nos resultados. Ainda assim,
mais uma vez, não se observa nenhum aumento inexorável na renda dos mais ricos
ao longo do tempo. Longe disso.
O que realmente vemos
no gráfico acima são dois picos para as pessoas de maior renda: um imediatamente
antes da crise de 1929 e o outro imediatamente antes da crise de 2008. Ambos os picos ocorreram justamente durante as
duas maiores bolhas econômicas da história americana, nas quais o Banco Central
americano, em conluio com o sistema bancário, estimulou a expansão do crédito e
criou muito dinheiro, o que gerou uma falsa e insustentável prosperidade. Ambas também foram eras que representaram o ápice
do capitalismo corporativista — também chamado de “capitalismo de compadrio”
–, no qual aquelas pessoas ricas que tinham conexões com os governos utilizaram
o dinheiro criado pelo sistema bancário para se tornar ainda mais ricas ou
simplesmente se beneficiaram de outras políticas governamentais que as
favoreciam.
Infelizmente, após a
crise de 2008, o ativismo dos bancos centrais ao redor do mundo inflou outra
bolha nos mercados de capitais. Isso
elevou a fatia da renda dos mais ricos novamente para o patamar de 50% da renda
total em 2012, baseando-se em dados foram disponibilizados após a publicação do
livro. Só que essa nova bolha também irá
estourar, o que derrubará a fatia da renda dos mais ricos de volta ao patamar
dos 40% observados em 1910, início do período analisado pelo gráfico.
Talvez a afirmação mais
surpreendente do livro de Piketty é a de que as burocracias governamentais terão
de ser reformadas para que possam fazer um uso mais eficiente de toda a receita
adicional que será gerada pelos novos impostos sobre renda e sobre a riqueza que
ele recomenda. A suposição é a de que o
controle governamental quase que completo sobre a economia seria o melhor
arranjo, ainda que esse mecanismo necessite de alguns ajustes para ser
definitivamente implantado.
Ludwig von Mises demonstrou, há quase
100 anos, que uma economia gerenciada pelo estado simplesmente não tem como funcionar, pois,
entre outros problemas, ela não é capaz de estabelecer preços racionais. Só uma
economia guiada pelos consumidores pode fazer isso. Os socialistas têm tentado refutar a tese de
Mises desde então, mas nunca conseguiram. Piketty deveria ao menos ler Mises.
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Para ver outro artigo
que refuta, com fatos e dados empíricos, a tese central de Piketty, leia este:
O que houve com
os ricaços da década de 1980?
Depois, leia isto:
Algumas frases aterradoras contidas no livro de Thomas Piketty



O mais impressionante é que estes “estudiosos”/”pesquisadores” continuam lançando livros com absurdos e as pessoas continuam comprando e repetindo às favas.
Melhor que este artigo, só o mostrado ao final, mostrando que os 10% mais ricos, mesmo que mantenham seu % de riqueza, não permanecem os mesmos.
Este livro é um besteirol sem tamanho.
E no UOL…
noticias.uol.com.br/blogs-e-colunas/coluna/paul-krugman/2014/04/27/o-panico-em-torno-de-piketty.htm
Se a questão é a quantidade de dados, bastaria lançar um livro com o dobro de dados discordando dele. Mas daí ele lançaria outro livro com mais dados ainda e seria uma corrida sem fim.
Não basta apresentar dados e não é necessário apresentar uma montanha de dados além do necessário. Um texto tem que ter coerência interna (provar que A+B=C) e coerência externa (suas premissas [A e B] e conclusões [C] corresponderem à realidade. Como todo bom socialista, ele falha em ambos os quesitos.
* * *
S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L!
Thomas Piketty e seus seguidores deveria se mudar para Cuba ou Coreia do Norte, assim suas ações estariam de acordo com suas palavras, quando dizem que economia planifica é melhor.
” existem enormes incentivos econômicos para se difundir teorias politicamente eficazes que, obviamente, visãm apena o bem dos políticos – mesmo que tais teorias sejam falsas. Aquele que fornece uma convincente legítimação científica (!!!) para ações perseguidas pelo governo podem previsívelmente esperar altas recompensa dos burocratas. O ladrão está disposto a dividir uma fatia do seu esbulho com aqueles que estão ajudando a fazer com que , do ponto de vista das vítimas, o crime seja aceitável.”
Observe que as partes de ambas as linhas localizadas na extrema direita do gráfico são meramente uma projeção de Piketty, e não dados históricos.
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Poxa que cara mal carater.
A projeção feita no primeiro gráfico é ridícula. Ainda, colocar dois anos em um mesmo ponto no eixo das abscissas parece ser uma estratégia para confundir a interpretação do gráfico.
Quem ele pensa que engana com esses truques mirins?
É mais um livro para tentar convencer às pessoas de que o governo deve ROUBAR, para o bem delas próprias.
E ele ignora o fato de que a desigualdade não é problema algum se não foi causada por ROUBO, e além disso os pobres do primeiro mundo estão num padrão de vida que corresponde à classe média do terceiro mundo, então a desigualdade nesses países é menos grave ainda.
O resumo do pensamento dessa gente é:
“Pessoas ficaram ricas através de trocas voluntários sem nenhum uso da violência.
Isso é errado! Temos que roubar deles para reduzir a desigualdade.
Não nos importa se os mais pobres têm um ótimo padrão de vida, os mais ricos
tem uma vida muito boa e o correto é reduzir a qualidade de vida deles!”
É inveja PURA.
Quem fez o gráfico 1? Homer Simpson?
Não cheguei a ler o livro, mas pelos reviews que eu li, o argumento dele é que existe uma tendência a concentração de riqueza numa economia de livre mercado e que o período entre 1930-1970 seria uma exceção a regra graças a forte intervenção do estado na economia naquele momento, o que vai ao encontro dos gráficos 2 e 3. Por isso, a solução apresentada por ele – de novo, pelo o que eu li sobre o livro – seria um intervencionismo mais forte, ou melhor, um retorno ao keynesianismo (como se algum dia desde 1930 nós tenhamos saído dele).
Exatamente por isso que eu fiquei surpreso com a repercussão do livro por aí. O cara apresenta os mesmos argumentos que todos os economistas “mainstream”, como Krugman e cia, falam há 60 (isso se desconsiderarmos o mercantilismo) e que já foram rebatidos pela escola austríaca, só que como tem mais figurinhas coloridas acaba causando todo um alvoroço.
Ou eu recebi a informação errada sobre os argumentos, ou o negócio ta feio mesmo…. Pretendo ler a obra quando surgir um tempo livre pra ver qual seira
Temo que sujeitos como Piketty, seguindo a senda de Krugman, tenham há muito abdicado a qualquer pretensão científica e contentem-se em empenhar seus nomes e reputações à sustentação retórica do regime vigente. Um fenômeno tão antigo quanto a roupa nova do rei: estão todos plenamente cientes da nudez do velhaco, mas, por um lado, o prêmio à bajulação de suas cores e rendas imaginárias é irresistível, enquanto o ostracismo imposto aos divergentes é tremendo. De tal sorte que os mais astutos preferem o ridículo da doxa ao martírio da verdade.
Não é possível, por absurdo que seja o percurso de estudos atravessado pelos atuais acadêmicos – uma formação destinada desde o berço a desassociar intelecto e realidade – que não percebam intuitivamente os lapsos lógicos evidentes em teorias como a ora examinada. Uns recusam-se a ver aquilo que os olhos lhes mostram, e talvez até convençam-se em seu íntimo de que o monarca desfila no mais excelso cetim; a maioria, contudo, contém o riso e nega-se a gritar, consciente do preço a pagar. Justificam-se afirmando que o tabuleiro está posto e tal é a “regra do jogo”. Para a população média, cuja opinião advém de fontes segundas ou terceiras, orelhadas e leads televisivos, o consenso entre lunáticos e covardes basta como prova da validade da teoria, na proporção mesma das páginas preenchidas por essas legítimas “Wonderland statistics”.
O gráfico simplesmente é contraditório com o que o cara diz… Que doença.
Além disso, como disse David Friedman:
“Na maioria das atividades econômicas, a eficiência de uma firma é proporcional ao seu tamanho até um tamanho ótimo e então a relação se inverte. O crescimento da eficiência reflete as vantagens da produção em massa. Essas vantagens geralmente ocorrem até um determinado nível de tamanho; por exemplo, uma usina siderúrgica é muito mais eficiente que um alto-forno de fundo de quintal, mas aumentar uma usina siderúrgica que já existe não traz vantagens adicionais (é por isso que as usinas siderúrgicas são do tamanho que são) e duas usinas não são mais não são mais eficientes do que uma. Aumentar também aumenta o custo para as burocracias administrativas. Os homens no topo da produção são cada vez mais excluídos do que está realmente acontecendo na base e, logo, estão mais propensos a cometerem erros que podem custar caro à empresa. Assim, a eficiência tende a diminuir com o aumento de tamanho uma vez que a firma tenha passado do ponto em que consegue tirar a máxima vantagem da produção em massa. Por essa razão, algumas grandes empresas, como a General Motors, se dividem em unidades semiautônomas, com a ideia de se aproximarem o máximo possível da eficiência administrativa das empresas menores.”
Por isso, se não houver barreiras legais à entrada nos mercados, a riqueza não se acumulará indefinidamente.
E por falar em “novo Marx”, olha só que bacana!
Manifesto do PSB preocupa pré-campanha de Eduardo Campos
O que essa gente esperava que o Partido SOCIALISTA Brasileiro fizesse com o Brasil? A nuvem rosa dos ursinhos carinhosos?
Para ser honesto, não logrei compreender a tese do Piketty; muito menos a euforia rodeando suas estatísticas (que estão, francamente, apenas alguns passos acima do mais arbitrário dos rabiscos sobre um eixo cartesiano). Não é por desconversar ou por ‘rixa ideológica’ que tomo este atitude, mas sim por mera confusão.
Do jeito que a coisa está feia: daqui a pouco esse Piketty é laureado com um Nobel.
O velho Marx com nova roupagem.Como falavam professorezinhos comunistas:”geente,o ‘método’ de marx é impressionante!”.Agora seria:” A quantidade de ‘dados’ de piquêti é impressionante!”.
Quem é fascinado por dados que vá jogar no cassino.
O mais triste de tudo é que daqui há uns 20 anos esse autor será o mais seguido e admirado no Brasil. Brasileiros são mestres em endeusar ideias erradas com anos de atraso, quando elas sequer são relevantes no resto do mundo.
O texto está bom, mas acho peca por supor que toda a renda do capital (capital rental) é poupada e reinvestida. Em realidade, boa parte da renda do capital é consumida, já que pode ser a única fonte de renda para o seu detentor. Então, pode ser que aqueles retornos listados por Piketty não sejam tão exagerados. De qq forma, suas argumentações estão equivocadas, pois sabemos que a prosperidade depende do aumento de produtividade, que depende da mecanização dos processos produtivos, que por sua vez é dependente de investimento em máquinas e equipamentos, e estes só podem ser viabilizados com poupança anterior. Se os impostos são aumentados, a poupança é destruída, e todo o progresso é retardado.
Aqueles que acumulam riqueza em um livre mercado não desfrutam de sua riqueza sozinhos pelo simples fato de que para acumular riqueza antes é preciso criar riqueza numa proporção muito maior.
Caras como Henry Ford e Steve Jobs acumularam muita riqueza, mas criaram muito mais e eles não foram os únicos a usufruírem de toda riqueza criada. Consumidores, trabalhadores e é claro, a própria máfia estatal desfrutaram da maior parte da riqueza criada por esses grandes empreendedores na forma de salários melhores, bens de consumo que satisfazem mais necessidades, na forma de impostos, ganhos de produtividade, etc.
Um sistema de trocas voluntárias por definição é um sistema onde as pessoas se beneficiam no ato da troca (do comércio) e para que uma pessoa acumule riqueza em tal sistema, antes ela precisa criar riqueza numa proporção ainda maior para as outras pessoas.
Uma outra resenha que se propõe a expor erros cruciais do livro do Thomas Piketty é esta daqui:
http://www.amalgama.blog.br/05/2014/capital-no-seculo-xxi-thomas-piketty/
Bem bom esse artigo.
Paul Krugman é de fato o propagandista deste cara. O pior que agora as pessoas que nunca leram nada em suas vidas estão repetindo por ai: “Refutamos os libertarios, refutamos os liberais, refutamos os conservadores”
outraspalavras.net/destaques/o-panico-a-piketty-e-a-direita-sem-ideias/
Livro de Piketty estaria repleto de erros estatísticos, diz Financial Times
veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/economia/livro-de-piketty-estaria-repleto-de-erros-estatisticos-diz-financial-times/
agora fedeu para ele.
Ola, em q trecho do livro de Keynes ele diz q os dados de Kuznet são “improváveis”? Concordo que a sessao IV do capitulo 8 do livro terceiro possui essas duas paginas de dados q o autor coloca, mas nao encontrei nesse trecho uma referência a esses dados como “improváveis”. Seria em outro texto ou outro trecho desse mesmo livro?
Enquanto isso… Piketty abre sua boca para emitir besteiras mais besteiras vezes besteiras.
exame.abril.com.br/economia/noticias/no-brasil-piketty-rebate-bill-gates-e-propoe-imposto-global
Olá,
Sei que não é bem o assunto do tópico, mas, onde encontrar dados estatísticos sobre a expansão da base monetária (incluindo os empréstimos bancários através das reservas fracionárias).
No site do BC achei somente dados do meio circulante (que diminuiu 4% desde o começo do ano).
Obrigado
Felipe
OT: Caros amigos, poderiam por favor me indicar alguns bons livros de História? Procuro algo no estilo “Enciclopédia” ou “História do Mundo”, que venha desde a Pré-História até o período contemporâneo, mas que não seja tão contaminado pelo marxismo.
Comecei a ler alguns livros aqui da biblioteca do Mises, mas percebi que a versão da história contada por alguns autores é bem diferente das que eu aprendi na época de colégio e faculdade. Mas muito diferente mesmo! Dada a relevância desses autores, comecei a questionar a minha própria formação histórica como um todo e quero primeiro me atualizar nesse ponto antes de embarcar em assuntos mais específicos como economia e política, por exemplo.
Tenho procurado bibliografias confiáveis na internet, mas tenho tido muita dificuldade.
Agradeço desde já, e peço desculpas pelo off-topic.
Saudações, prezado Alexandre, esperando que ajude em sua empreitada:
Antiguidade:
Geschichte des Altertums* (trad. História da Antigüidade), Eduard Meyer
Historical Sociology: A History of Autobiography in Antiquity, Georg Misch;
Idade Média:
O Reinado e a Lei na Idade Média, Fritz Kern;
Renascença:
A Civilização da Renascença na Itália, Jacob Burkhardt;
Revolução Francesa:
História da Revolução Francesa: Pierre Gaxotte;
Iluminismo, Modernidade:
The Age of Minerva: Cognitive Discontinuities in Eighteenth-Century Thought : From Body to Mind in Physiology and the Arts, Paul Ilie;
América Latina:
Aztecs: An Interpretation, Inga Clendinnen;
Brasil:
História dos Fundadores do Império no Brasil, Otávio Tarquínio de Sousa;
Teoria da História do Brasil, José Honório Rodrigues;
Portugal:
Qualquer livro de Alexandre Herculano;
Espanha:
Arms for Spain: The Untold Story of the Spanish Civil War, Gerald Howson;
Estados Unidos:
A Constitutional History of the United States, Andrew C. McLaughlin;
The Politically Incorrect Guide to American History, Thomas Woods;
Inglaterra:
Domesday Book and Beyond: Three Essays in the Early History of England*, F. W. Maitland;
Rússia:
People's Tragedy. The Russian Revolution 1891-1924 (Editado em português com o nome A
Tragédia de um Povo), Orlando Figes;
USSR: The Corrupt Society – The Secret World of Soviet Capitalism, Konstantin M. Simis;
África e Escravidão:
Histoire de l’Afrique des origines à nos jours, Bernard Lugan;
A Enxada e a Lança: A África Antes dos Portugueses, Alberto da Costa e Silva;
Igreja:
History of the Popes: Their Church and State*, Leopold von Ranke;
A História da Igreja de Cristo, de Daniel-Rops;
Segunda Guerra Mundial:
Stalin’s War: A Radical New Theory of the Origins of the Second World War, Ernst Topitsch.
Sorte, e fica com O PAI DE BONDADE
Acabei de ver na televisão Americana uma série, em 4 capítulos (quase 8 horas)sobre os homens que construíram esse país. Vanderbilt, Rockffeler,Carnagie e Morgan. Estes 3 últimos chegaram a ter (em valores de hoje) MAIS DE UM TRILHÃO DE PATRIMÔNIO. Os 40 homens mais ricos da atualidade, em todo o mundo, somados, não teriam um patrimônio igual! Somente Rockffeler chegou a uma fortuna equivalente hoje a 660 bilhões! Morgan chegou a comprar as siderúrgicas de Carnagie por 310 bilhos (à epóca, 480 milhões. Se a tese do Piketty estivesse correta, os mais ricos da atualidade teriam patrimônio bem maior que esses ícones do capitalismo Americano. Mas, como diz o documentário, 3 daqueles gigantes tinham mais dinheiro do que os 40 homens mais ricos da atualidade (The Men Who built America).
Caro Alexandre,
Considero imperdível a leitura de A History of the America People e Modern Times, ambos de autoria de Paul Johnson. O primeiro é o melhor livro sobre a história dos Estados Unidos que conheço; o Segundo, nos faz entender o que ocorreu no mundo no século vinte e nos esclarece os fundamentos filosóficos dos debates entre conservadores e esquerdistas. Acredito que já ~tenham sido lançados no Brasil. São obras impressionantes. O autor é historiador e pensador conservador britânico. Quem quiser saber sobre caráter dos ícones da esquerda tem que ler Intelectuals. Paul Johnson faz uma dissecagem impressionante de todos os que formaram o pensamento de esquerda. Imperdível
Primeira pergunta que deve ser feita, todos aqui sentaram e pelo menos leram o livro do cara? porque isso seria o mínimo para fazer alguma crítica, independente de qual posicionamento político ele tenha, até porque ele mesmo falou que é a favor do capitalismo, da propriedade privada e de uma certa desigualdade social. O receio dele que é justificável é de um capitalismo controlado por pouquíssimas pessoas, o que pode inviabilizar até mesmo a democracia.
“porque isso seria o mínimo para fazer alguma crítica”, pela lógica para se fazer elogios e defesas também é preciso ter lido a obra toda.
E discordo da afirmação de que é preciso ler um livro antes de criticá-lo.
Por exemplo, eu posso afirmar que qualquer livro que defenda o comunismo é puro lixo, baseando-me no fato previamente conhecido de que todos os lugares que tentaram implementar o comunismo só geraram fome, morte e miséria, não preciso ler esses livros para classificá-los como lixo.
Portanto como o título do livro desse cara já é uma referência ao livro “O Capital” de Karl Marx, e eu sei previamente que os seguidores do Marxismo são um bando de psicopatas eu posso de antemão classificar esse livro como lixo.
Outro exemplo, agora hipotético, eu poderia classificar um livro que defende o livre assassinato como repugnante e nojento, sem nem mesmo ler o livro.
E quanto ao receio dele de um capitalismo controlado por pouquíssimas pessoas… Isso só ocorre nos países onde impera o capitalismo de estado. E nos países socialistas então nem se fala!
Em Cuba tudo é controlado pelo Governo. Na Coréia do Norte também.
Já na Suíça, país altamente capitalista, nunca ouvi falar de controle na mão de pouquíssimas pessoas.
Off topic
Algum artigo sobre Dan Ariely, autor de Predictably Irrational, ou sobre “Behavioral Economics”?
Em alguns pontos, o autor chegar a desafiar o conceito de que toda troca voluntária seja benéfica e parece conclamar mais regulamentacoes governamentais.
Obviamente, o benéfico é altamente subjetivo. O que o autor afirma é que em várias situacoes, devido a viéses cognitivos, pessoas acabam fazendo péssimas opcoes comparadas a situacoes onde “param pra pensar”. Ora, quem seria entao a entidade última que deveria regulamentar o mercado e evitar tais decisoes? Uma mariola pra quem adivinhar…
Devo, porém, admitir que ainda tenho receios quanto ao “approach” praxeológico. Poderia ele acabar sendo desmentido por alguma gambiarra evolutiva do nosso cérebro? Praxeologia é, em si, falseável?
“Finally, the author claims that the relationships between supply and demand are based on memory rather than on preferences.”
en.wikipedia.org/wiki/Predictably_Irrational#The_Fallacy_of_Supply_and_Demand
Enfim, alguma crítica sobre isso?
Só pelo primeiro gráfico vê-se a má fé do cidadão. Excluindo a projeção que ele mesmo inventou, é extremamente nítida a distribuição de riqueza ocorrida no período da revolução industrial e o consquente caminhar de mãos dadas até os dias atuais. Se o gráfico não incluisse a expeculação tendenciosa do autor, não haveria impacto positivo sobre sua argumentação, pelo contrário.
Thomas Pikaretty, é como eu o chamo.
Podem criticar, mas não precisa manipular! Em primeiro lugar: 4,5% de RETORNO é muito diferente de 4,5% de CRESCIMENTO. Significa que os donos do capital viveram de lucros por milênios, não que reinvestiram todo esse lucro para expandir o capital. Por exemplo, uma pessoa milionária, com 1 milhão na poupança, receberia – a essa taxa – R$45.000 por ano, o que dá “míseros” R$3.750 por mês. Aí o milionário vive dessa renda, e provavelmente ainda reclama que é pobre. Claro que poderia viver “ainda mais miseravelmente”, guardando R$750 e gastando só R$3 mil, mas coitado! Como ele conseguiria viver com “tão pouco”? (Claro que a poupança rende bem menos que isso, afinal, poupança é pra pobre. Ricos mesmo têm capital suficiente para fazer investimentos bem mais rentáveis. 4,5%, como Piketty diz, é a média. E a média é fortemente influenciada pelas grandes fortunas.)
Em segundo lugar: a concentração de riqueza caiu antes dos anos 1970 por duas causas: 1) as duas guerras mundiais, sendo a segunda o que mais chama a atenção no terceiro gráfico (não os picos de 1929 e 2008) e 2) graças a medidas, ahm, socialistas tomadas pelos europeus, basta ver como a desconcentração do capital foi muito mais forte lá que nos EUA.
Terceiro: os dados de hoje são muito mais completos que os da época de Kuznets, e Piketty afirma isso. E mesmo não sendo perfeitos, são o melhor que temos. O que vocês sugerem? Fazermos economia com varinha de condão e bola de cristal?
Finalmente, tem gente aí chamando o Piketty de “mau caráter” porque ele usa projeções futuras nos gráficos, como se isso já não ficasse claro pelos anos impressos no eixo X, e como se ele não explicasse isso claramente no livro. Francamente…
A moeda número 1 do Tio Patinhas é a chave para esclarecer o problema. Enquanto os bens negociados se desgastam e desaparecem (na sua imensa maioria), o dinheiro envolvido na negociação se conserva e vai-se acumulando através de séculos. Não digo que se acumulam nas mesmas mãos, sempre. E há sempre alguma perda, é claro, mas só por acidente. Mas a riqueza, concebida como dinheiro acumulado, aumenta muito mais rapidamente do que a produção de bens. A epítome disso é o sistema bancário, que recebe de João, em depósito, o dinheiro que tinha emprestado a Pedro para comprar o carro de João, bota esse dinheiro no seu caixa e o empresta de novo, agora a Antônio. Antes que o carro vire ferrugem, e o dinheiro já girou umas mil vezes.