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Como realmente funciona o sistema de saúde americano

Sempre
que há um debate sobre sistemas de saúde e sobre como seria a medicina em um
ambiente de genuíno livre mercado, rapidamente alguém menciona os EUA como
sendo o exemplo mais óbvio deste arranjo.

O
problema é que a comparação é obtusa. 

É
verdade que os EUA não possuem um sistema público de saúde de estilo europeu (seja
ele o modelo Beveridge
da Inglaterra ou da Espanha, no qual o estado se encarrega de prover serviços
de saúde em troca do pagamento de impostos, seja ele o modelo Bismarck da Alemanha
e da Áustria, no qual o estado obriga os cidadãos a comprarem um seguro privado
obrigatório e altamente regulado), mas isso não implica que o sistema americano
esteja livre da atuação estatal.  Muito
pelo contrário, como será visto.

Em
primeiro lugar, vale ressaltar que os resultados observados no sistema de saúde
americano são um tanto deploráveis: o gasto total com a saúde nos EUA chega a
17% do PIB — quase o dobro do que gasta a maioria dos países europeus –, mas
isso não fez com que seus resultados fossem espetacularmente superiores.  Sim, o sistema de saúde americano está na
vanguarda da implantação de novas tecnologias, bem como no uso da medicina
preventiva, mas esses elementos diferenciais não parecem justificar o
gigantesco custo excessivo.  Por esse
prisma, o debate sobre a superioridade da saúde pública europeia em relação à
americana pareceria definitivamente encerrado: uma qualidade análoga pela
metade do preço.

Porém,
as coisas não são tão simples quanto os números sugerem.  O sistema de saúde americano — como explico
em detalhes extensos em meu livro Una revolución liberal para España — está longe de ser
o representante de um arranjo de livre concorrência.

Para
começar, pelo lado da oferta, a concorrência entre médicos praticamente não
existe.  O mercado de médicos é
artificialmente cartelizado.  Para ser
médico, você tem de ser aceito pelo conselho profissional da categoria, o qual
tem interesse em manter baixo o número de médicos, pois isso eleva
artificialmente seus salários. 
Adicionalmente, um médico tem de adquirir diversos tipos de licenças,
sem as quais ninguém pode exercer a medicina. 
A criação de hospitais também sofre o mesmo tipo de regulamentação, o
que dificulta o surgimento de hospitais baratos que poderiam concorrer com os
já estabelecidos.  Já as seguradoras de
saúde são, em sua grande maioria, proibidas pelo governo de concorrer entre si
além das fronteiras estaduais.  Várias
seguradoras não
podem ofertar seus serviços em mais de um estado do país
.

Mas
a coisa piora.

Pelo
lado da demanda, 90% dos gastos em saúde ocorrem por meio de canais que não são o paciente: mais
especificamente, ocorrem pelas seguradoras e pelo estado.  Para se ter uma ideia desse despautério, na
Espanha, o gasto público com saúde totaliza 6,9% do PIB.  Na União Europeia, 8,2%.  Nos EUA, como dito, o gasto total é 17%.  Dado que 90% desses 17% são gastos que não são desembolsados pelo paciente,
temos que 15,3% dos gastos em saúde nos EUA são terceirizados.  Ou seja, nem mesmo a Espanha apresenta um
grau tão elevado de socialização da demanda como os EUA.

Mais
especificamente, de cada 100 dólares gastos na saúde americana, 45 dólares são
desembolsados pelas seguradoras, outros 45 dólares pelos programas estatais Medicare (programa
de responsabilidade da Previdência Social americana que reembolsa hospitais e
médicos por tratamentos fornecidos a indivíduos acima de 65 anos de idade) e Medicaid (programa
financiado conjuntamente por estados e pelo governo federal, que reembolsa
hospitais e médicos que fornecem tratamento a pessoas que não podem financiar
suas próprias despesas médicas), e apenas 10 dólares são desembolsados pelo
próprio paciente.

Dito
de outro modo, de cada 100 dólares gastos na saúde, o paciente — que é quem
está realmente recebendo os serviços — arca com um custo de apenas 10
dólares.  Quem paga os 90 restantes?  O resto de seus compatriotas — seja por meio
do Fisco, seja por meio de suas apólices de seguros, que compreensivelmente
ficam a anualmente mais caras.

Nos
EUA, portanto, não há uma correspondência entre custos e benefícios.  E dado que as seguradoras são obrigadas pelo
governo a cobrir até mesmo consultas de rotina, os preços das apólices seguem em disparada.  Se você fizer algo tão
simples e corriqueiro quanto um exame de sangue — que é coberto pelos planos
de saúde e pelos programas Medicare e Medicaid –, é comum o hospital cobrar um
preço astronômico do governo ou da seguradora, a qual, por causa disso, irá aumentar
os preços das apólices.

Nesse
arranjo, o incentivo para aumentar os gastos é o mesmo que ocorreria se milhões
de pessoas fossem a um mesmo restaurante, pedissem individualmente os pratos
que quisessem e, no final, dividissem igualmente entre todos a fatura total.

E,
com efeito, o
estudo mais completo já realizado até o presente momento
sobre os custos
excessivos da saúde americana não deixa espaço para dúvidas: a explosão dos
custos se deve essencialmente a um crescimento descontrolado da demanda
(direcionada sobretudo à medicina preventiva), a qual é capaz de suportar
preços crescentes devido ao fato de que ninguém — governo, seguradoras e
pacientes, como explicado acima — tem o incentivo de reduzir seus gastos.  Por mais que a oferta aumente, a demanda
cresce a uma velocidade superior, o que multiplica os preços.

Vale
ressaltar que, naquelas áreas do sistema de saúde americano em que não há esta
socialização dos gastos — porque os programas estatais ou os seguros não
cobrem –, não se observa nenhum crescimento anormal dos custos.  Este é o caso, por exemplo, dos serviços de
odontologia ou das cirurgias
oculares a laser
, cujos custos caem ano após ano.

Na
Europa, onde a saúde pública é “gratuita” para o usuário (embora seja cara para
os pagadores de impostos), não ocorrem consequências similares a essas dos EUA
simplesmente porque os políticos e burocratas que comandam o setor racionam os serviços que os cidadãos
podem receber (os famosos cortes de gastos para a saúde, sobre os quais muito
se fala atualmente, sempre foram uma prática estrutural do sistema; apenas se
tornaram mais visíveis agora por causa da crise).  No Velho Continente, os donos da saúde dos
cidadãos europeus não são eles próprios, mas sim os políticos e burocratas que
organizam o sistema segundo seus gostos, necessidades e interesses.  Daí a frequente ocorrência de fenômenos como listas
de espera, adoção tardia de novas tecnologias, tratamentos e medicamentos não
cobertos, aglomeração de pacientes etc.

Dito
de outra forma: os incentivos perversos para a demanda que levam a uma
hipertrofia dos gastos em saúde nos EUA também existem na Europa, só que, na
Europa, os políticos controlam severamente a oferta e impedem que os gastos
disparem.  É como se, ao chegarmos a um
restaurante, o dono do estabelecimento limitasse a quantidade e a qualidade
daquilo que cada comensal pode pedir: por mais que pudéssemos e quiséssemos
pedir mais e melhores pratos, não poderíamos.

Mas,
afinal, que foi o motivo que levou a tamanha socialização da demanda por
serviços de saúde nos EUA?  A criação dos
programas estatais Medicare e Medicaid, em 1966, contribuíram substancialmente
para as distorções.  Mas o principal
incentivo foi criado em 1954: as empresas passaram a poder descontar no imposto
de renda e na contribuição para a Previdência Social todos os gastos associados
à aquisição de um plano de saúde para seus empregados.  Ou seja, caso as empresas pagassem planos de
saúde para seus empregados, elas ganhariam descontos tanto no IRPJ quanto na
contribuição para a Previdência Social.

Isso
gerou uma consequência não-prevista.  Os
incentivos para que todo o gasto em saúde fosse canalizado para os seguros
adquiridos por empresas para seus empregados se tornaram enormes.  Isso, por conseguinte, elevou
substancialmente a demanda por planos de saúde, os quais foram obrigados pelo
governo a cobrir uma enorme variedade de serviços, inclusive aqueles associados
à medicina preventiva.  Os custos das
apólices obviamente dispararam. 

Apenas
imagine quanto custaria o seguro do seu carro caso o governo obrigasse as
seguradoras a cobrir serviços como troca de óleo e reabastecimento.  Nos EUA, é exatamente isso o que ocorre para
os planos de saúde.  E tudo começou
porque as empresas, muito corretamente, queriam reduzir seus gastos com
tributos diretos, um confisco estatal que nem sequer deveria existir.  Um perfeito exemplo de como uma intervenção
estatal (impostos sobre a renda) gerou uma grande distorção (redução dos lucros
das empresas) que, por sua vez, levou à criação de uma medida aparentemente
mitigadora (incentivos fiscais para planos de saúde).  No final, todo sistema de saúde ficou
desarranjado.

Essa
socialização de 90% dos gastos em saúde nos EUA — toda ela induzida pelo
intervencionismo estatal — é a principal responsável pela hipertrofia dos
preços.  Os EUA não são de maneira alguma
um exemplo de livre mercado no sistema de saúde.  Em um arranjo de livre mercado e livre
concorrência, os gastos para consultas de rotina são financiados pela própria
poupança do paciente, e somente aqueles eventos de natureza extraordinária e
catastrófica
são cobertos por planos de saúde.

O
que o sistema americano ilustra perfeitamente são os efeitos potencialmente
devastadores do estatismo, inclusive quando em doses aparentemente inócuas.

______________________________________________________

Leituras
complementares:

Como Mises explicaria a
realidade do SUS?

Como o SUS está destruindo
a saúde dos brasileiros
 

Verdades inconvenientes
sobre o sistema de saúde sueco
 

A saúde é um bem, e não um
direito
 

O que a medicina soviética
nos ensina

Quatro medidas para melhorar
o sistema de saúde


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69 comentários em “Como realmente funciona o sistema de saúde americano”

  1. Bom ver esse texto. Muita gente de fato aponta para o sistema de saúde americano como exemplo de livre mercado.

    Pra mim o ponto chave é esse: “planos de saúde, os quais foram obrigados pelo governo a cobrir uma enorme variedade de serviços”.
    Se os seguros são obrigados a cobrir tudo quanto é coisa, é óbvio que haverá abusos e os preços vão disparar.

    Pergunta: existe algum país no mundo onde o mercado de saúde se aproxime de fato de um livre mercado? Não conheço nenhum exemplo.

  2. Tenho 32 e nunca tive plano de saúde. Nos últimos 15 anos só precisei de médico nas consultas anuais de rotina com oftalmologista, para rever o grau do olho e refazer óculos (300 reais a consulta). Também fui aos postos de saúde tomar vacinas, duas vezes, de acordo com minha carteirinha. Resfriados e dor de cabeça, tomo remédios óbvios que eu mesmo prescrevo. Me alimento bem, faço exercícios diariamente e sou bastante saudável devido ao meu estilo de vida. Pretendo adquirir um plano de saúde nos próximos anos, afinal de contas os 40 estão chegando … rsrsrs. Para mim, se eu morasse na Alemanha ou qualquer país que OBRIGA o cidadão a ter um plano de saúde, eu teria gasto um dinheiro grande que eu poderia (e pude) utilizar para outras coisas que considero mais urgentes e importantes. Sem sacanagem, seria uma agressão a mim. Não que aqui seja melhor, eu sei que meu dinheiro roubado pelo estado através de impostos também foi gasto no SUS para que outros usassem, o que também é terrível e imoral. Seria bom se houvesse um genuíno livre mercado na saúde. Aliás, na saúde e em todas as áreas.

  3. IRCR: na Suíça tem um seguro saúde obrigatório para os Suíços. Mesmo assim se bem me lembro tem que pagar 50% da consulta. Tem um sistema tipo “médico de família”; se não conseguir ir até o consultório do médico ele vem na sua casa. Tem um histórico médico da pessoa desde o nacimento que vem passado entres os médicos e mantido em dia, inclusive com os medicamentos que foram indicados pro paciente. Não tem posto de saúde. Não tem superlotação de hospitais. Burocracia, minima!

  4. Sei que pode parecer estranho. Mas o que aconteceria para saúde publica ou privada, se a grande maioria da população não ficasse doente? Precisasse raramente ir ao medico, poucos internamentos requisitados, raros exames. Quando o individuo adoece uma cascata de gastos com sua enfermidade é movimentada. Vide farmácia, tratamentos, remédios. Resumindo, a doença gera riqueza. Menos gente doente, menor é o rendimento da indústria farmacêutica. Menor será o salario e requisição do profissional da saúde. Obviamente o setor da medicina também perderá status. Se muitos males foram exterminados com a modernidade da ciência, outros tantos foram criados através dos alimentos hoje consumidos. Qual a finalidade de uma pessoa com câncer sem cura, continuar o tratamento quimioterápico? Questionar não faz mal a ninguém, por isso também indago o efeito colateral que muitas vacinas podem conter. População inteira sem doença é utópico, porem uma grande parte dela enferma, gera enormes riquezas.

  5. Sei que deve haver pessoas como eu que constantemente leem esses artigos do Mises, livros e outras cosias do dia a dia, e talvez sintam muita
    revolta por não poder levar sua vida conforme querem, e de forma muito mais inteligente, sem ter que se enquadrar na “fôrma” do Governo. Então,
    decidi mudar minha postura perante a vida, escrever algumas coisas para refletir e guardar comigo. Talvez possa ajudar algum amigo, se não ajudar, apenas desconsidere.

    É preciso estar por dentro do cenário político, é preciso ter uma base intelectual fundamentada nos ensinamentos de grandes pensadores e na própria experiência, é preciso saber em quem votar, em quem não votar ou que não adianta votar em alguém, é preciso entender que muitas pessoas não querem entender nada, é preciso muitas coisas e, praticar isso nos momentos certos. Mas, no mundo existe excesso de cafajestagem, corrupção, injustiças e preguiça para que somente uma pessoa tente resolver tudo. Quem fizer isso vai acabar desperdiçando muita força e tentando fazer o trabalho de muita gente. Todos bagunçaram, agora todos tem que arrumar, não é justo sentir-se na obrigação de mudar o mundo, pois está tudo errado. Apenas é preciso estar atualizado e pronto, para no momento certo, nas oportunidades certas, poder praticar essa revolução. Um mal ouvinte não vai ouvir, nem desperdice sua energia enquanto o mesmo não estiver pronto, se é que vai estar tão cedo. A evolução ocorre, mas a passos lentos, então acalme-se.

    Por outro lado, é preciso aproveitar a vida, é preciso também ter aqueles amigos idiotas que te façam rir, e que sabem quem você realmente é, que não esperam nada de você além de amizade, é preciso sair pra tomar uma cerveja, dançar, deixar a vida te levar, mas sabendo dar um toque de inteligência e sabedoria por onde ela te leva. É preciso ficar acordado à noite batendo papo com aquela pessoa que você não tinha mais tempo pra conversar, por que estava tentando mudar o mundo sozinho, é preciso pegar sua moto, carro ou bicicleta e sair por aí, sem destino como você sempre teve vontade de fazer quando via um aventureiro agindo assim num filme qualquer.

    Não é que você não precise fazer a sua parte, e ser um humano corretamente atuante. Mas, não tente fazer tudo sozinho. Faça sua parte, nas ações do dia a dia, isso já é o suficiente. Leia e estude o necessário para te manter suprido de boa capacidade de discernimento intelectual, quando apenas isso estiver conquistado, essa habilidade de saber em que lado ficar e o que fazer, largue tudo e vá curtir essa vida tão curta, efêmera. Você lembra a última vez que sentou no chão, no barro, no gramado ou no piso sem se importar, à noite e olhou as estrelas? Lembra a última vez que sentou na beira do mar e sentiu a presença da natureza? Lembra a última vez que…
    Entenda uma coisa, você não é o Super homem, ou Super mulher, você é apenas um elo dessa grande corrente. Se os outros elos da corrente estiverem fracos, toda a corrente vai se partir, se você estiver forte, ao menos sua forma de ser impulsionará melhorias nos elos mais fracos, por aqueles que realmente podem alavancar mudanças.

    Não busque reconhecimento, fama ou status para ser feliz, são qualidades que partem de mentes alheias, portando será muito difícil sustentá-las, e seu senso de "felicidade" será facilmente abalado.

  6. Acho que o artigo esqueceu de mencionar o pior problema do sistema de saúde americano, que é a excessiva força dos advogados. Lá, pra fazer qualquer diagnóstico, por mais que o médico tenha uma boa ideia de qual o problema do paciente, ele tem que pedir milhões de exames caros para depois, se algo der errado, não ter que indenizar o paciente por ter sido negligente.

  7. A análise foi boa, porém a conclusão foi totalmente distorcida.

    Em nenhum momento isso eh resultado de estatismo. Na verdade isso é o resultado da privatização e terceirização de serviços essenciais à população e do controle do governo em favorecimento das empresas.

    Estatismo, que no caso seria ideal, seria se os hospitais fosse públicos. Nesse caso não se criaria um estado de concorrência e não haveria a busca por lucro, apenas pelo atendimento de qualidade à população dentro do orçamento.

  8. Morei dos 23 aos 35 na Espanha e sempre gostei muito do sistema de saude. Ao principio so utilizava publico e nunca tive problemas, vc normalmente tem q passar por um clinico geral antes de conseguir hora com um especialista e dependendo do especialista demora mais ou menos conseguir hora. As poucas vezes q tive q ir ao pronto socorro tb achei o servico prestado muito bom. Pediam todos os exames q pareciam necessarios tinha q esperar na fila logico p ser atendido pero p ser publico me parecia excelente. Quando pensei em ter um filho comecei a pagar um plano de saude e tb sempre me pareceu bom, vc pode gostar mais ou menos da cara do medico das enfermeiras mas o q eu gostava e q na minha opiniao sempre usavam bastante etica e bom senso pediam o q era necessario me parecia o criterio bastante similar aos medicos q utilizei no Brasil.
    Ha 3 anos moro aqui nos EUA e senti muuuita diferenca. A sensacao e q os medicos so vao pedir o q sabem q os planos pagam e sinceramente muitas vezes aqui sao muito superficiais. Nao sou p nada o tipo de paciente chato q fica buscando motivo p ir ao medico e fazer mil exames mas aqui e tudo muito por cima, sao muito educados e sempre querem dar um otimo ‘customer service’ mas investigar o seu problema muito nao vao, a menos q vc esteja muito mal. Quando cheguei aqui busquei um ginecologista p fazer o check up anual. Busquei opinioes na internet (aqui todo o mundo poe opinao na internet p tudo e tb buscam os medicos assim) e fiquei espantada muita gente reclamando do ginecologista q apos o parto vai direto ao marido e aborda de mal jeito pedindo o cartao pq esta tendo problemas com o seguro!! imagina q stress!! Parece q os seguros de saude sao um laberinto de clausulas e vc nunca sabe bem o q vai pagar ou nao. Nao e como no Brasil e na Espanha q vc paga a mensalidade e tudo bem.
    Meu marido trabalha p uma grande multinacional americana e quando decidimos vir p ca concordamos em pagar o plano de saude mais caro (a empresa oferecia 3) normalmente as pessoas escolhem o plano intermedio q te obriga a utilizar um quadro fechado de medicos e passar por um clinico geral antes de ir ao especialista. Como ja pensavamos ter outro filho pegamos o plano mais caro q no final do ano saia uns 1.000usd a mais e achamos q valeria a pena e assim poder ir sempre ao especialista quando quizessemos. So q cada vez q vamos ao medico temos q pagar mais uma porcentagem e se vou de urgencias tb. acaba saindo bem caro. Bom e entre os espantos q eu tive aqui foi q no medico q fui p o check up anual nao me fizeram nenhuma ecografia, so mesmo Papa Nicolau. Vi q nao me mandavam os resultados por correio (tinha pedido a medica, ela hesitou depois disse q sim) e quando liguei so me disseram por telefone ‘results normal’!! Depois de pouco tempo fiquei gravida e entao comecei a procurar um medico e meu marido tb achou melhor tentar ir a um medico q atenda num hospital assim ja fariamos as ecos la mesmo. Minha surpresa ninguem te da hora antes das 8 semanas!!! Liguei p varios hospistais e assim mesmo. Dai na semana 8 te atende uma enfermeira e so depois te dam hora com o ginceco!! Ou seja so la pela semana 10 e q vc vai ser o medico!!! Eu estava com muito enjoo e fraqueza, nas farmacias aqui nao podem vender nada p enjoo sem receita medica (nao rola um dramim ou plazil como no Brasil e Espanha q todo o mundo sabe q nao tem problema tomar). Outro absurdo e q depois da eco das 20 semanas ja nao fazem outra no terceiro trimestre se vc tem menos de 35anos! No meu caso minha medica me ‘tranquilizou’ e disse q como eu era mais velha sim q teria. Bom e cheguei la era uma visita com uma tecnica de ultrassom com um ultrassom super velho q a mulher tinha q ficar sofrendo p conseguir ver quanto liquido tinha dentro da placenta! Isso num hospital super bom, Scripps La Jolla, em S. Diego. Morro de medo de ficar velha aqui com este sistema de saude superficial e caro. Por isso voltaremos a Espanha apesar de toda crise!

  9. Essa é uma questão muito controversa. Eu mesmo, que defendo uma economia totalmente liberal, tenho algumas ressalvas quanto à questão da saúde. Um dos motivos de não cogitar viver nos EUA é justamente esse. Do ponto de vista econômico, é isso mesmo, todo o raciocínio está correto. Só que quando por exemplo um filho, uma esposa, alguém que você ama e pela qual é responsável, adoece de uma grave enfermidade, pra mim, ter que escolher entre tratá-la e ir à falência (sim, nos EUA se a pessoa descobre um câncer, provavelmente perderá todas as suas economias, sua casa e etc), isso me parece algo cruel demais. Que as pessoas adoecem é fato. Talvez todos pudessem ter cobertura para esses casos gravíssimos se a medicina preventiva fosse totalmente custeada pelos indivíduos. O que não me parece correto é apenas isso: quando a questão é vida ou morte, acho que ninguém deveria ter que se preocupar com a parte econômica. Se for algo que não tem tratamento, sem problemas, é um fato que terá que ser aceito. Agora, em um acidente de carro por exemplo, onde seria possível não só salvar a vida dessa pessoa como reimplantar um membro perdido, ter que racionalizar isso pelo lado econômico é algo que nem eu como um liberal consigo fazer.

  10. Flávio Goulart

    Eu, sinceramente, não consegui formar uma opinião ainda. É paradoxal, sistema inteiramente público peça na qualidade do serviço e cai na obsolescência, privado, na busca incessante por lucros e resultados, tendem a oferecer mais qualidade porém há restrições para tratamentos mais graves e custosos, como o câncer. Em ambos há perdas de vidas. Difícil aceitar a socialização dessas despesas, me parece injusto. Aparentemente, o grande problema está na “reserva de mercado” dos médicos existente em vários lugares, como EUA e Brasil, por exemplo, que eleva o custo da saúde.

    Talvez o modelo mais próximo do ideal seja abundância de médicos e profissionais da área da saúde, em oferta equilibrada com a demanda, e isso sim é papel do Estado, hospitais da iniciativa privada construídos e mantidos com algum incentivo e subsídio público, buscando qualidade através da concorrência e incentivo para se tornar um negócio atrativo para estimular empresários a colocarem seus dinheiros, clínicos gerais públicos capazes de dar o primeiro atendimento, fazendo a primeira triagem e direcionando, e regulando a demanda, para os especialistas autônomos, atendendo por um seguro de saúde com preço acessível e justo, pois a oferta seria equilibrada com a demanda, ou particular, de modo que não seja muito custoso. Para casos mais graves, como câncer e implante de próteses, onde o tratamento é mais custoso muito por conta dos medicamentos e das próteses, o cidadão que por opção não possui o convênio terá sim que abrir mão de suas economias ou fazer uma “escolha de Sofia”.

    Uma alternativa para reduzir os custos até para medicamentos caros e próteses e desonrar a importação (claro que com alguma regulamentação para assegurar a qualidade). O que funciona e deve ser mantido é o abatimento das despesas com saúde do imposto de renda tanto de pessoa física como de jurídica.

    Não tenho certeza de que seria eficaz e talvez eu não esteja enxergando de todos os ângulos e por isso seria interessante que outros compartilhem a opinião. Mas acredito veemente que a “reserva de mercado”, que os conselhos de classe insistem em manter para valorizar o profissional, seja a causa desse caos que a saúde em qualquer lugar.

  11. Andre Cavalcante

    1) alguém adoece na sua família; por que raios eu, que não sou da sua família, tenho que pagar o tratamento dele/dela?

    Porque você é um ser humano cara. A vida não se resume a economia e dinheiro. Se todos colaboram para o bem estar comum, aqueles que precisam terão tratamento e a pequena parte que você contribui não fará falta, ainda mais se você pensar que está ajudando a salvar alguém, mesmo que nunca o veja na vida.

    É esta a diferença entre os neoliberais e os sociais democráticos. Os liberais acham que cada um deve pensar por si só. Os sociais democráticos concordam que cada um contribua para o bem estar de todos, já que as pessoas passam por dificuldades na vida em um momento ou outro, em maior ou menor grau.

    Por tudo isso, cada vez mais me convenço que o modelo social democrático europeu é infinitamente melhor que o amado livre mercado norte-americano. Basta passar um tempo em cada país para ver e sentir a diferença. Nos EUA te medem pelo que tem, pelo dinheiro e o que ele pode pagar, na Europa te medem pelo que você é.

    Abraço.

  12. “1) alguém adoece na sua família; por que raios eu, que não sou da sua família, tenho que pagar o tratamento dele/dela? É justamente isso que você está propondo, quando defende a socialização do custo da saúde.”

    Porque há um nexo de causalidade entre a sua conduta e o resultado, portando, havendo o dano, surge a obrigação/dever de repará-lo.
    Resumindo: o monóxido de carbono que sai do meu veículo é responsável por inúmeras doenças respiratórias em outras pessoas, talvez, até câncer de pulmão. Agora me diga, porque alguém tem que ficar doente porque eu prefiro carro a uma bicicleta ? Olhe aí a teoria do caos!
    De certa forma, viver em sociedade é igual a clube de swing, tudo é lindo, tudo é bacana, até chegar a vez da nossa mulher entrar no jogo!! Rs…
    Abraços amigo!!

  13. Isso significa então que os sistemas de saúde europeus são os mais eficientes que existem?

    Num cenário global, alguém conhece algum sistema que custe menos de 6% do PIB e que ofereça serviços de qualidade?

    Como ficam esses números no nosso SUS?

    Desde já agradeço.

  14. Essas informações que todo Brasileiro deveria ter acesso, não que a grama do vizinho cresce mais ou que é mais verde ma sim para provar que do lado de lá muita coisa em relação a saúde é diferente!

  15. Concordo com o amigo anônimo que em qualquer parte desse mundo, não importa o local, precisamos cuidar melhor de nossa alimentação.
    Mas o fato é que a maioria dos alimentos que consumimos prejudica o nosso organismo, e a realidade é que dependeremos dos cuidados médicos de uma forma ou de outra por conta da qualidade desses alimentos, e não temos controle absoluto sobre isso, mas podemos de alguma forma, mesmo que parcial, amenizar isso, observar melhor os alimentos que consumimos que influenciam diretamente em nossa saúde.
    Não que isso resolverá por completo, mas pode ajudar. A saúde em qualquer parte desse mundo passa por dificuldades de diversas formas…

  16. Cara, de onde veio essa informação que o paciente só paga 10%?

    Vou te passar algumas contas médicas minhas aqui nos Estados Unidos, na média tenho pago 30% da conta. E não é barata.

    Para se ter uma ideia, um amigo fez um ecocardiograma (exame preventivo), o plano de saúde cobriu uma parte, mas ainda sobrou para ele uma conta de mil dólares.

    Sistema de saúde aqui é absurdo.

  17. O motivo pelo qual eu li este artigo é que estou sendo tentado ou passando por uma “lavagem cerebral” por um professor de filosofia da minha cidade me passando documentários sobre os Estados Unidos com temas como violência e este, a saúde pública nos Eua, se lhes interessarem procurem ver como comunistas usam artimanhas para manipular e convencer de que o capitalismo ou livre mercado e coisas afins é ruim, pois bem como procuro pesquisar muito primeiro vou abrindo minha mente tentando me disvencilhar dessa manipulação que tentam perpetrar na nossa mente no mais alto nível, acreditem se quiser, quem faz os documentários é um norte-americano chamado Michael Moore que faz documentários comparando a qualidade de vida dos norte-americanos com Canadá e países europeus desenvolvidos ou da europa ocidental como Inglaterra, França etc, é políticamente correto fazer essas comparações, mas mostrar as desgraças feitas tanto na segurança pública quanto na saúde pública por líderes que possuem íntimas relações socialistas é dar um verdadeiro tiro no pé, procurem e vejam como eles se contradizem mostrando seus verdadeiros planos em desmoralizar e assustar os cidadãos para terem controle e desestabilizar um país e depois se autodeclarando salvadores da pátria afim de controlar as massas através da socialização ou comunização de um país.

  18. Essa história de dificultarem novos concorrentes entrarem no mercado é muito verdade.

    O mercado de trabalho na maioria das áreas do Brasil está saturado por conta da economia engessada pelo Estado que garante a reserva de mercado de vários figurões estabelecidos e dificulta investimentos estrangeiros, quem tem lobby forte junto a classe política já “mexeu seus pauzinhos” para garantir sua fatia do bolo.

    Por que vocês acham que a AMB (Associação Médica Brasileira), solicitou ao MEC a suspensão da abertura de novos cursos de medicina pelos próximos cinco anos? A resposta é simples: Medo. Todos sabem o que aconteceu com as, antes prestigiadas, faculdades de Direito e Engenharia.

  19. Logo que me formei atendi um americano de 17 anos que acabara de chegar no Tapajós e foi recebido com uma ferrada de arraia. Veio de SAMU, fiz todo o atendimento é o procedimento de limpeza. Dei alta. Seus pais perguntaram quanto custava. Demorou pra aceitarem que era de graça.

    Expliquei que estávamos no SUS é que mesmo estrangeiros têm acesso gratuito universal. Eles falaram que aquele atendimento seria uns 10 k usd lá nos EUA.

  20. Recentemente o Ronald DeSantis propôs uma lei relacionada aos medicamentos com prescrição médica.

    Pelo que entendi (posso ter me equivocado), é mais uma onda de obrigações para empresas. Não apenas é invasivo, como ainda adiciona custos. Em termos nominais, o setor de saúde americano é privado. Todavia, em termos reais, é carregado de subsídios e programas governamentais. E quem é que vai cortar esses programas e subsídios? Pode ser que cortem, quando não tiverem mais outro jeito de manter a máquina estatal funcionando.

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