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Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros


se tornou lugar-comum culpar os problemas do SUS à má gerência e à corrupção. No
entanto, poucos se atrevem a atribuir a culpa dos problemas intrínsecos ao SUS
(longas filas, falta de infra-estrutura, escassez de remédios, ausência de
médicos etc.) ao próprio sistema.  

Vamos
analisar alguns dos mitos mais comuns sobre os SUS para entendermos como essas
características não são, de fato, um problema de gestão, mas sim inerentes ao
próprio sistema.

O
mito do Robin Hood

O
principal lugar-comum utilizado pelos defensores do sistema público é o da “justiça”
da distribuição de renda: os mais ricos pagam para os mais pobres que não têm
condições de arcar com os custos dos tratamentos. Infelizmente, a realidade é
exatamente oposta.

Em
primeiro lugar, vale lembrar que os mais pobres também pagam uma quantia
exorbitante de imposto para financiar o sistema público.  Se o que eles pagam de imposto fosse
exatamente igual ao que recebem em retorno, então, por definição, não haveria
sentido algum haver um sistema público de saúde.  Mesmo que não houvesse absolutamente nenhuma
corrupção, isso significaria que algumas pessoas — em especial aquelas com
casos clínicos mais graves, como as que necessitam de remédios controlados ou
cirurgias complicadas — estariam recebendo do sistema mais do que pagaram.

O
problema é que, para cada pessoa que recebe mais do que paga, existe alguém que pagou mais do que recebeu.
Isso significa dizer que, longe de redistribuir renda dos ricos para os pobres,
o que o SUS de fato faz é “distribuir renda” dos mais saudáveis para os menos
saudáveis.  

A
população mais saudável, seja ela formada por ricos ou pobres, normalmente tem
poucos gastos com saúde: apenas uns poucos exames ou consultas de rotina, algo
pelo qual os pobres poderiam tranquilamente pagar com a poupança que
conseguiriam caso mantivessem para si o que pagam de imposto para a saúde. 

Longe
de melhorar a situação dos pobres, o SUS beneficia apenas uma pequena minoria
ao mesmo tempo em que torna ainda mais pobres todas as pessoas saudáveis que
acabam pagando a conta, independentemente de classe social.

Se
a intenção é realmente aumentar a acessibilidade aos serviços de saúde para os
mais pobres, uma solução mais viável seria o governo reduzir impostos e
pagar apenas por aqueles tratamentos mais caros pelo qual os
pobres realmente não podem pagar, ao mesmo tempo em que se abstém de regular e
administrar o setor, permitindo a livre concorrência nesta área, o que jogaria
os preços para baixo e a qualidade para cima.

Também
seria possível a criação de agências privadas de financiamento ou de caridade
para pagar pelos tratamentos mais caros e cujos preços são proibitivos para os
mais pobres, talvez até mesmo eliminando a necessidade de intromissão do
governo.  Mas isso só seria possível com
a extinção do atual sistema, no qual o governo monopoliza o tratamento aos mais
necessitados ao mesmo tempo em que empobrece a todos no processo.

O
mito do almoço grátis: o sistema público é como um grande balde furado

Ao
contrário da mitologia popular — e como explicado acima –, não há nada de
gratuito no sistema público de saúde.  Ou
você paga por um serviço como pagador de impostos, ou você paga como
consumidor.  O maior problema de qualquer
serviço ou produto subsidiado é justamente o fato de que aqueles que usam tal
serviço são financiados por aqueles que não o utilizam.

Mesmo
que ignorássemos esse inconveniente, ainda assim há o problema relativo à
maneira totalmente deturpada como o serviço é financiado.  O financiamento do serviço público provém dos
impostos, cujas receitas não têm qualquer relação com a qualidade do serviço ou
com a quantidade de pessoas atendidas.  Pior
ainda: o dinheiro disponível por tratamento é inversamente proporcional ao
número de pacientes tratados. Se o governo arrecada, digamos, R$1 bilhão em
impostos e atende 10 milhões de pessoas, isso significa que ele poderá gastar
até R$100,00 por paciente.  Mas se o
número de pacientes dobra, isso significa que ele disporá de apenas R$50,00 por
tratamento.

Vale
lembrar que esse orçamento não é apenas para o tratamento: este dinheiro dos
impostos também deve pagar instalações, maquinário e medicamentos.  Ou o dinheiro irá para o tratamento ou para
infraestrutura.  De qualquer forma, um só
é possível à custa do outro: cada centavo para infraestrutura é um centavo a
menos disponível para o tratamento dos pacientes.

No
setor privado ocorre exatamente o oposto.  Um hospital privado que seja gerenciado como
qualquer outra empresa — isto é, buscando o lucro — só terá dinheiro
disponível para investir em infraestrutura caso trate bem seus
pacientes.  Parte do lucro poderá então ser
reinvestido em aumentos salariais, na construção de novas alas, na compra de
equipamentos etc.

Se
no serviço público o investimento em infraestrutura é feito à custa de
tratamentos que deixaram de ser realizados, no setor privado ocorre o oposto:
tal investimento só é possível graças ao atendimento aos
pacientes.  O dinheiro segue uma linha de
mão única: parte do dinheiro pago nos tratamentos volta como investimento em infraestrutura. No
setor público há uma encruzilhada, é ou um ou outro.

Não
há nenhuma mágica aqui: no sistema público, o tratamento é uma fonte de gastos enquanto
que no setor privado é uma fonte de renda.  O setor público é como um gigantesco balde
furado que é enchido à custa de todos os pagadores de impostos: cada tratamento
adicional significa um novo furo no balde. No setor privado não há nenhuma
torneira, mas também não há furos: cada paciente atendido despeja o conteúdo de
um copo d’água dentro do balde, até que este esteja cheio.

Não
é preciso ser nenhum gênio para perceber qual sistema é o mais sustentável.

O
estímulo ao desperdício

Outro
problema com a oferta “gratuita” é que ela cria a ilusão de que os serviços
médicos devem ser ilimitados, e que sempre deve haver um médico ou uma sala de
cirurgia disponível, a qualquer hora, em qualquer ocasião.

Entretanto,
assim como qualquer outro serviço, o atendimento médico não pode ser ofertado
de uma maneira ilimitada.  Por acaso é
possível uma frota infinita de ônibus?  Um
número ilimitado de salas de aula, bibliotecas e professores?  (Aliás, diga-se de passagem, neste último caso
não haveria sequer necessidade de salas de aula; qualquer um poderia contratar
um tutor particular.)  Um número infinito
de conexões ou uma velocidade de internet infinita?  Absolutamente não.  Não há por que ser diferente no setor de
saúde.  Mas é essa a mentalidade que é
criada quando se declara que a saúde é um “direito”.

Uma
das virtudes do sistema de preços é que ele fornece informações sobre a
disponibilidade de qualquer bem ou serviço, e estimula um uso prudente e
racional destes.

Imagine
uma cidade do interior em que haja escassez de médicos, e estes cobrem 200
reais por consulta. Dificilmente alguém
pagaria 200 reais por uma consulta apenas porque o filho está com uma dor de
cabeça; o mais racional seria tentar alguns remédios caseiros e só levá-lo ao
médico caso a situação se agrave.  O que
é uma boa notícia: isso poupará um tempo precioso para os médicos, que poderão
usá-lo para tratar pacientes em estados mais graves ou que necessitem de um
atendimento mais urgente.

A
escassez de serviços médicos, nesta ocasião, leva a um aumento do preço, que
por sua vez incentiva as pessoas a usarem estes serviços de uma maneira mais
prudente, recorrendo a eles apenas quando for estritamente necessário — sem
contar, obviamente, que os preços altos seriam um atrativo para que médicos de
outros lugares se disponibilizem a trabalhar na dita cidade, reduzindo o
problema da escassez.

Entretanto,
quando a oferta passa a ser gratuita, tanto o estímulo quanto essa informação
desaparecem.  Torna-se impossível estimar
a oferta e a disponibilidade do serviço. Alguém que usasse o serviço privado de
maneira abusiva pagaria um alto preço por isso; porém, no setor público, o
preço é sempre fixo e invisível (que o pagador de impostos é obrigado a bancar).
 O fato de a oferta ser gratuita e de a
saúde ser decretada um “direito” também cria a falsa ilusão de que a oferta de
tais serviços será ilimitada.

Uma
mãe cujo filho tem apenas uma dor de cabeça ou uma mera dor de barriga não mais
terá o incentivo para procurar os serviços médicos apenas quando estritamente
necessário.  Essa demanda irrestrita
inevitavelmente criará gigantescas filas de espera, atormentando tanto médicos —
que ficarão sobrecarregados — quanto pacientes, que se frustrarão pela
lentidão dos atendimentos.  

É
nessa situação que as pessoas começam a colocar a culpa na gestão.  Jamais lhes passa pela cabeça que o uso
indiscriminado de tal serviço é a verdadeira causa das longas filas.

A
questão é que os incentivos criados pelo setor público levam a um uso
indiscriminado, abusivo e irresponsável do sistema — e não o contrário, que
seria o ideal.

Conclusão

091022_f_039.jpgAs
longas filas de espera também possuem outra explicação, a qual passa por uma
combinação de fatores já mencionados: a oferta de serviços médicos é limitada
pela arrecadação de impostos ao passo que a destruição dos incentivos corretos
gera uma demanda artificialmente alta.

Para
resolver este problema, deve-se ou aumentar a oferta — o que é impossível,
dado o orçamento limitado do governo e o fato de ele não ter qualquer relação
com o número de pacientes atendidos — ou reduzir a demanda.


duas maneiras de se reduzir a demanda: aumento de preços — o que também é
impossível já que a oferta é “gratuita”– ou racionamentos, como listas de
espera.

A
maneira como o sistema é financiado empobrece justamente aqueles a quem ele
visa ajudar e derruba a qualidade do serviço, uma vez que o dinheiro disponível
para cada tratamento se torna mais escasso a cada paciente atendido.  Para agravar, as regulações para impedir o
êxodo dos médicos para o sistema privado
impedem a concorrência e encarecem
os tratamentos.

Outro
efeito nefasto de todo esse paternalismo é a destruição do estímulo à caridade
e também do senso de cidadania e de responsabilidade dos cidadãos. Quando o
governo passa a monopolizar o cuidado aos pobres, uma das consequências
naturais é que isso diminui ou destrói a propensão à caridade, uma vez que as
pessoas — que já se sentem moralmente desobrigadas em decorrência dos impostos
que pagam — ficam apenas esperando que o governo resolva tudo, já que passam a
entender como legítima a função do governo de tutelar os mais pobres.

Longe
de ser um problema de má gestão ou de corrupção, os problemas do sistema
público são apenas as consequências naturais de sua própria natureza.

______________________________________________________

Leituras complementares:

Como Mises explicaria a
realidade do SUS?

Verdades inconvenientes
sobre o sistema de saúde sueco
 

A saúde é um bem, e não um
direito
 

O que a medicina soviética
nos ensina

Quatro medidas para melhorar
o sistema de saúde
 

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85 comentários em “Como o SUS está destruindo a saúde dos brasileiros”

  1. Como médico, concordo com todo o artigo. Tudo o que foi descrito pode ser presenciado em qualquer hospital hospital ou UBS. Só quero deixar minha opinião sobre a ordem de importância dos três fatores descritos, e acrescentar mais um:

    Considero a “demanda infinita” criado pelo SUS como o fator mais danoso de todos. Como em qualquer mercado, o aumento da demanda criou um encarecimento dos produtos e serviços. Por exemplo, somos obrigados a reesterilizar materiais que em outros países são descartáveis (como canetas de eletrocautério) e não temos acesso aos materiais de ponta devido os preços exorbitantes.

    E gostaria de acrescentar o encarecimento causado pelos “amigos do rei”, nos processos de licitação. Engraçado que, da boca para fora, todos defendem a concorrência, e justificam com isso o processo de seleção para licitações. Mas, como qualquer regulamentação estatal, a verdade é oposta ao defendido, e vemos acordos licitatorios firmados sempre com as mesmas empresas, desclassificando qualquer novata ou estranha quase que imediatamente.

  2. “Para resolver este problema, deve-se ou aumentar a oferta — o que é impossível, dado o orçamento limitado do governo e o fato de ele não ter qualquer relação com o número de pacientes atendidos — ou reduzir a demanda.”

    Faltou citar a produtividade. Esse trecho trata apenas da produtividade constante aonde a oferta seria apenas função de mais ou menos recursos do governo.

    Outra forma de aumentar a produtividade e eficiência é com mais capital e tecnologia.
    O que vem do setor privado, e não do setor público.

    Se tomar antigamente quando praticamente toda a população trabalhava na agricultura porque eles faziam tudo na mão ou com ferramentas rudimentares, seria uma idiotice propôr que um governo no controle da agricultura fosse alimentar a todos.
    Não faltavam alimentos por causa de uma administração ruim dos recursos, mas porque eles eram extremamente limitados e a produtividade de alimentos era limitadíssima.

    O que veio a alimentar bilhões de pessoas (ao menos nos países que se desenvolveram com uma economia de mercado bastante livre, o que não se pode dizer dos países com menores índices de liberdade econômica tomados por ditaduras e guerras civis como na África, por exemplo) foi o acúmulo de capital e avanço tecnológico.

    Da mesma forma, o sistema de saúde só irá atender mais e mais pessoas com mais capital e tecnologia.

    O que o texto menciona do sistema de preços não chega aonde o típico progressista quer chegar (“saúde para todos”).
    Ele meramente apresenta um sistema de alocar recursos escassos e limitados sustentavelmente no momento.
    Você vai ter um sistema sustentável e que aloca recursos mais eficientemente, mas muita gente ainda vai ficar na lama porque o nível de capital e produtividade que temos hoje é bastante primitivo (diferente de outras áreas que o governo interviu menos e elas cresceram exponencialmente, os setores fortemente regulamentados pelo governo são os mais primitivos e estagnados: saneamento, educação, saúde, etc)

    Creio que o melhor caminho para convencer nossos ‘adversários’ é mostrar como é o processo de mercado que irá permitir maior acessibilidade.

    Assim como a agricultura é feita por máquinas e máquinas que ninguém imaginaria que seriam possíveis há um tempo atrás, o que poupa trbalho humano e permite que mesmo uma pequena porcentagem da população trabalhando nessa área alimente bilhões de pessoas, na saúde você só vai ter maior acessibilidade quando tivermos robôs fazendo cirurgias sozinhos, aplicativos de smartphones que dêem diagnóstico, simuladores que testam o efeito de remédios computacionalmente, etc.

    Comentar o sistema de preços apenas oferece uma solução para alocar recursos que temos agora. Obviamente que é o certo, mas é uma condição necessária, e não suficiente. Isso não torna claro para o progressista com o objetivo de dar saúde para todos.
    Não podemos esquecer de mostrar como é o processo de mercado que acumula capital e nos torna tão produtivos que fazemos mais com menos recursos. É isso que torna bens e serviços mais acessíveis para mais e mais gente.

  3. Como médico, concordo plenamente com esse artigo. O conceito de demanda infinita é realmente o que entrava o SUS. Vemos diariamente pacientes buscando atendimento no SUS “somente pelo atestado”, fingindo sintomas (acho que na verdade isso corresponde a 50% das consultas de um pronto atendimento adulto) e na pediatria, mães levando seus filhos aos médicos por qualquer espirro (e por atestados também).

    Um dos aspectos que o custo zero causa, que acho que não foi citado no artigo, é que os pacientes simplesmente não valorizam seus tratamentos. Posso contar nos dedos os pacientes do SUS que efetivamente tomam suas medicações, ou param de comer sorvete às 3 da manhã para perder peso e melhorarem de suas doenças, ou que fazem exercício, ou que param de fumar. Eles tem essa idéia mágica de que é simplesmente pisar no hospital que, de graça, iremos curá-los de uma vida de péssimos cuidados próprios sem gastar nada, nem investir nada. Não se importam em se cuidar, em prevenção. Quanto mais gastamos no SUS em prevenção, menos prevenção temos! Um paradoxo do mundo real!

    Outro aspecto do custo zero é a falta de responsabilidade das famílias para com os seus. Já vi dezenas de vezes pacientes não poderem ter alta porque suas famílias os abandonam no hospital, ou não se comprometem com o tratamento e vivem despejando seus familiares no hospital quando querem passar um fim de semana na praia (sim, hospital está virando hotel no SUS, imagine no SUS um médico dizer não, que não vai internar porque não precisa, é um cachorro coxinha cruel! colegas meus já apanharam (literalmente) de familiares por querer dar alta para um paciente dependente na sexta-feira!).

    Não acredito no SUS, nem jamais acreditei. Venho incentivando meus alunos a saírem do Brasil, fazer especializações, tudo para que se afastem do caos que é o SUS. Infelizmente, essa desgraça veio para ficar.

    E o pior é o socialismo do cuidado do SUS se transmite aos convênios. COmo tanto nos convênios quanto no SUS, o salário do médico geralmente depende unicamente de sua produção, não se sua formação muito menos da qualidade de seu atendimento, o sistema incentiva os péssimos médicos que atendem os pacientes de qualquer jeito no menor tempo possível. O próprio sistema é responsável pela decrescente qualidade dos médicos. Volte a um sistema de preços, tanto no convênio quanto no SUS, que veremos a qualidade dos médicos melhorar progressivamente. Se bons profissionais poderem cobrar mais pelo seu tempo, isso irá incentivar aos profissionais a melhorar seu trabalho. Assim como estamos, é o caminho da perdição.

    Além disso, a forte regulamentação nos convênios os sufoca. Porque uma pobre alma que ganha um salário mínimo não pode fazer um convênio barato somente de urgências? O governo proíbe com suas regulamentações de que convênios mais simples sejam vendidos.

    Agora algumas perguntas aos colegas economistas do site sobre algumas particularidades da medicina atual:
    1. No caso de antibióticos, em que seu uso indiscriminado não traz risco somente ao indivíduo, mas traz à comunidade como um todo, não seria necessária a regulamentação?
    2. A medicina atualmente funciona como uma ciência baseada em evidências e estatística. Temos diversos estudos com experimentos em milhares de sujeitos definindo o que funciona e o que não funciona. Acabou o empiricismo individual na medicina moderna, onde cada médico faz o que ele acredita que funciona. Temos diretrizes de conduta para definir tratamentos. Se aplicarmos as regras do mercado e os pacientes poderem comprar medicamentos sem controle de médicos, como que nos asseguraremos de que eles compram coisas que funcionam e não são ludibriados por propaganda enganosa (como acontece com cosméticos e suplementos alimentares)?

    Se pensar em mais alguma dúvida, adiciono. Ótimo texto!

  4. Lívio Luiz Soares de Oliveira

    “O livre mercado é perfeito. Não vivemos nele devido a arrogância, desonestidade e malícia de políticos e burocratas.” Sinceramente, isso é um nonsense e uma falácia. Sou defensor convicto do livre mercado, mas dizer que ele é perfeito é forçar demais a barra. Não existe mercado livre perfeito formado por SERES HUMANOS que, naturalmente,não possuem a perfeição e, muitas vezes, tomam decisões equivocadas decorrentes de seu conhecimento limitado e imperfeito. Um mercado livre perfeito, supõe que este é formado por indivíduos perfeitos, que sempre tomam decisões perfeitas porque tem o conhecimento perfeito sobre tudo. Em suma, um mercado livre formado por Deuses oniscientes, onipotentes e onipresentes.

  5. Artigo bom e comentários excelentes!

    Sobre os problemas levantados pelo Garcia, eu penso que primeiro devemos ter o básico, e depois tratar de problemas avançados. É óbvio, mas precisa ser reafirmado.

    Básico:

    1) Mercado livre na saúde, assim como é nos alimentos, por exemplo. Aumentaria a produtividade, reduziria custos e preços de atendimento, maior variedade de pacotes de serviços, atendendo mesmo às demandas de pessoas pobres. Seguradoras para fazer o esquema “todos pagam para poucos”, com planos diversos. Agencias certificadoras para produtos, médicos. Provavelmente uma “rede social” de saúde poderia surgir na forma de aplicativo, conectando médicos a pacientes, contendo seu historico, avaliações, etc, etc (parecido com o app de caronas).

    2) Como em qualquer mercado, existem profissionais malandros e consumidores burros. Não há regulamentação que mude esse fato. Mas é de se esperar que em se tratando do próprio corpo (ou dos filhos), o consumidor vai ao menos querer saber se o médico/produto é certificado. O governo até pode intrometer obrigando todos os medicos/produtos a mostrar claramente a todo cliente sua certificação (ou a inexistencia dela, como um anúncio de riscos, igual nos cigarros ou mercado financeiro).

  6. Leandro, estive pensando, será que os países desenvolvidos ainda vão ter uma crise bem maior que os faça diminuir o tamanho do governo? Ou os governos vão adotar apenas medidas paliativas?

  7. Emerson Luis, um Psicologo

    O assistencialismo gera um círculo vicioso de distorções econômicas e sociais que conduz a um socialismo cada vez maior.

    Talvez as consultas e exames do SUS devessem ser pagas diretamente e não via impostos. E mais adiante o SUS deveria ser privatizado. Em uma economia mais capitalista, os preços seriam menores, a qualidade maior e as pessoas em geral teriam maior renda para pagar seus cuidados e para caridade. O problema maior é que TODA a economia brasileira está em estágios avançados de socialização.

    * * *

  8. Solução para a saúde no Brasil: desestatização total de todos os serviços de saúde em todas as esferas, fim de todos os impostos e subsídios ao sistema de saúde e liberação total e irrestrita de todas as drogas para fins medicinais. Sem serviço público de saúde, a vida seria mais dura, mas as pessoas cuidariam mais de sua própria saúde, porque ia doer no bolso.

  9. Ronaldo Radicchi

    Porque não pensar em saúde dos brasileiros sobre um novo paradigma? Porque não abandonar o atual sistema que busca tratar as doenças e não dos doentes? Porque não investir mais na prevenção e na educação para a saúde? Afinal, o que alimenta a citada “demanda infinita” que mais parece um “balde furado”, é justamente a ausência de informação educacional direcionada para saúde. É claro que existem outros fatores que devem ser levados em conta, tais como uma política de implantação do sanitarismo na urbanização, sem a qual os resultados da educação para saúde poderão ser prejudicados. Enquanto se discute financiamento para a saúde, ou a adoção de um sistema de livre escolha em detrimento de um sistema paternalista, vai-se protelando a abordagem do problema pelo prisma da promoção e prevenção da saúde, esta sim, capaz de minimizar a “demanda infinita”. Afinal, o que é mais racional: aumentar a quantidade caminhões de coleta de lixo, ou educar a população a saber usar sem desperdício o serviço público? Na minha forma de pensar, enquanto a base filosófica do serviço público e privado do Brasil for centrada na “política doentária”, a demanda permanecerá infinita, e os recursos alocados, por maior que sejam, jamais serão suficientes para atender a demanda.
    Portanto, discutir realocação de recursos para saúde, ou sua privatização ou estatização, só atende aos interesses de quem vive profissionalmente da doença dos outros. Deixo para as pessoas que me lerem, nominar quais são estes atores da vida pública e privada que tem mais interesse econômico na doença que na cura.

  10. Sofista/Pos moderno

    Não é o sus que destrói a saúde dos brasileiros , são os próprios brasileiros que fazem isto sózinhos, ou a natureza. O Certo é dizer que o Sus não tem capacidade de restaurar a saúde perdida. Outra questão tornar as pessoas doentes não pode aumentar o lucro? como usaríamos o lucro aqui, se dissermos sim pra pergunta acima? E como diria o sambista:Eu sei que vou morrer, não sei hora” Complemento Isto pode ser no pior leito chinfrim do SUS , ou na mão de um DR House masoquista no Albert Einstein.

  11. O artigo é relativamente bom e ataca um dos grandes drenos financeiros atuais do Brasil: o SUS. Mas ele se esquece (ou falha) em alguns pontos:

    1) ninguém recorre ao SUS porque está com uma simples dor de cabeça. Primeiro que existe sempre o desgaste físico e mental de ficar na fila por horas – muitas vezes em vão – e que pobre não pode perder um dia de trabalho só para ficar atrás de médico. Como ganham pouco (e muitas vezes não tem carteira assinada para garantir o pagamento mínimo mensal), os pobres só vão ao SUS ou só levam seus filhos quando eles acreditam que precisam.

    2)saúde é claramente um bem comercializável, mas se o mercado for deixado livre vamos ter muito mais investimentos no combate à calvície (por exemplo) do que contra doenças simples e tropicais, ou seja, quem ganharia mais com a liberação de recursos da saúde seriam os ricos e não os pobres como se defende (dado que o SUS é financiado por contribuições sociais e não impostos, e todas as contribuições não previdenciárias incidem sobre as empresas e seus lucros).

    3) para economizar mais o seu suado dinheirinho os pobres iriam se medicar sozinhos (para não precisarem pagar consulta) e isso poderia favorecer a resistência de algumas doenças através da seleção natural, prejudicando a população como um todo.

    Claro que eu tenho outras objeções e acho o SUS um desperdício, mas vou me deter a esses pontos por enquanto.

  12. Calma Radicchio. Fugir do debate com a desculpa que a teoria é para a Defesa de “interesse de classe”, é Polilogia, o, se quiser, covardia mesmo. Abraços Libertarios.

  13. O texto é excelente, mas, como de praxe, os comentaristas quase sempre são ridículos. O sonho de ter Estado Zero me provoca risos descontrolados rssss

  14. A medicina comercializada é contra os interesses do doente, 70% das doenças existentes no BRASIL são de responsabilidade de médicos, hospitais e medicamentos.

    Laboratórios precisam de faturamento e as doenças não devem ser curadas e sim controladas.

    No Brasil existe muito tratamento para pouca cura. O doente é conhecido como jacaré, calango ou Teiú.

    Hospitais desviam o dinheiro do INSS, porque não existe auditoria em contas médicas.
    Enriquecimento ilícito de médicos pelo desvio de dinheiro.

    Médico é uma Profissão de pai para filho, e muita corrupção.

  15. É evidente que o sistema de saúde público, rígido mas disfarçado de flexível, corruptível tanto para o mal quanto para o bem, controlado pela sordidez do Estado, só seria perfeito em uma sociedade biônica, onde todo problema “A” sempre fosse resolvido com a medida “X”. O substrato material das nossas políticas de saúde é o brasileiro. Logo, não pode dar certo. Qual a surpresa? O brasileiro é indisciplinado em todas as áreas, por que haveria de ser disciplinado somente como “usuário” dos recursos públicos da saúde? Poucas vezes leio algum colega médico, ou estudiosos das áreas sociais, que faça a devida crítica às pessoas que abusam do sistema. É claro que estamos frente ao caos quando a Carta Magna diz que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Em um país sem educação, dar direitos ilimitados é pura safadeza. Nas principais portas de entrada do SUS (a saber: postos de saúde e emergências), o que se vê é uma minoria de doentes que precisariam de fato daquele tipo de serviço. As filas são engrossadas pela tecnologia primitiva dos serviços, pela falta de educação e pelo excesso de direitos. Em pequenas cidades, onde a cobertura das Estratégias de Saúde da Família é de 100%, o mesmo paciente chega a consultar com um médico mais de 20 vezes em um ano. Não há “educação em saúde” ou “acolhimento”, nos moldes asquerosamente construtivistas atuais, que tenha persuasão suficiente para livrar o dito usuário da tentadora idéia de usufruir mais e mais dos seus infinitos direitos. Acho elogiável, no entanto, quando um gestor convence um paciente a pagar, ao menos parcialmente, por seus exames ou consultas fora do âmbito do SUS, no serviços considerados “complementares” (os particulares), desafogando um pouco as filas do sistema e educando para uma partilha saudável. Por mais que às vezes isso seja usado como favorecimento político, em geral dá certo. Bom mesmo seria se os serviços do SUS fossem exclusivos para circunstâncias especiais, como miséria ou doenças graves. O perfil predominante de paciente que temos hoje é aquele que não vem para ouvir uma orientação ou seguir uma conduta correta, mas aquele que já chega solicitando produtos: exames, consultas especializadas, remédios (tudo “gratuito”) – quando não disposto a conduzir a conduta médica e de enfermagem, desde a triagem ao exame físico e à prescrição. E nosso Estado retroalimenta tudo isso, jogando a todos em um ciclo vicioso. Particularmente, acho que estamos em um beco sem saída e assim será por muitas e muitas gerações. Alguns médicos, porque são da classe profissional da saúde em geral melhor preparada, dentre eles os mais – digamos – espiritualmente diferenciados, podem ajudar sobremaneira na educação do próprio povo e daqueles que formam a opinião do povo. É um trabalho de efeito loco-regional, lentíssimo, um adágio pianíssimo e longo, cujo efeito poderemos medir em algumas décadas. Mas seria preciso um reforço continuado das áreas humanas na educação médica, bem como negociações “à brasileira” entre médicos e gestores municipais. Eu apostaria em um manejo econômico mais caótico, dentro do próprio sistema que aí está, de forma a devolver a cada um, pouco a pouco, a responsabilidade com a própria saúde, que foi transferida ao Estado. Em um outro braço, tornar mais atraente, quase que popularizar, a educação liberal nos cursos da área da saúde. Levando-se em consideração, claro, que a faculdade de medicina ainda forma médicos, não santos.

  16. Prezados. Vejo me na obrigação de manifestar minha total discordância a esse artigo. Da mesma forma que sou contra ao extremo do estado totalitário, sou contra o extremo do estado totalmente vazio. Não usarei termos técnicos dos economistas, mas tenho algum entendimento sobre o assunto, usando matemática simples, enxergo inconsistências no artigo acima. Existem pacientes que, se precisarem comprar medicações que lhes custem menos de 10 reais, ficarão sem se medicar. E não vejo na redução de impostos a solução para isso, pois o paciente permanecerá pobre e mal poderá pagar a consulta, quem dirá o medicamento. Pagamos impostos caros? Sim! Mas vejamos o absurdo da dívida pública, cujos impostos são levados como num verdadeiro (aqui sim!) balde furado, apenas para quitar juros, e mesmo assim essa dívida só aumenta. Essa sangria por si só justifica porque o país arrecada muito e reinveste na sociedade pouco. Além disso, podemos decidir se queremos viver numa sociedade onde as pessoas se apoiam e se sustentam ou se vivemos numa sociedade de puro individualismo, onde o “cada um por si” impera. Se quiser o individualismo, imagine nós vivendo num local onde alguns se fartarão de tudo que precisam e justamente aqueles que não podem trabalhar (porque estão adoecidos) morrem a míngua por ficarem sem o que precisam pois não podem pagar pelo tratamento, medicação, cirurgia, exame, procedimento, etc. Ou então se quiser o coletivismo, imagine nós vivendo num país onde aqueles que podem dão algum conforto aos mais necessitados nos momentos em que eles mais precisam. Enquanto uns tem tudo, outros muito, outros o suficiente, existem os que tem pouco ou nada. E sem entrar no mérito do que causa isso, não acho justo simplesmente virar as costas e dizer que eles devem ficar sem atenção, e elocubrando como a livre concorrência resolveria isso. Tive a oportunidade de presenciar uma mulher que, ao se deparar com um morador de rua, pegou o celular e chamou o SAMU. Ela manifestou verbalmente que queria que ele fosse atendido, afinal, ela pagava impostos. Enquanto isso, Maria a louca, desinformada da realidade do povo carente, continua a dizer aos que se queixam da falta do pãozinho simples, “ora, comprem brioches”, imaginando que eles poderiam resolver seus problemas da mesma forma que ela resolvia os dela…

  17. Muito bom o artigo. Tenho duas dúvidas e agradeço pelas respostas:
    1)”…ao passo que a destruição dos incentivos corretos gera uma demanda artificialmente alta.” Não entendi este trecho.

    2)A CF diz que a saúde é um “direito de todos e dever do estado”. No caso é uma cláusula pétrea e não pode ser modificada ou extinta? É possível que o sistema de saúde no Brasil possa ser privatizado ou ter menor intervenção do Estado?

  18. Muito bom o artigo, entretanto gostaria de colocar em pauta mais alguns pontos controversos do SUS para discussão por aqui.

    É fato que temos um modelo público de referência para o tratamento de HIV no Brasil, porém isso tornou nosso país um importador de soropositivos dos países da região. São inúmeros os paraguaios, bolivianos, chilenos, argentinos, peruanos, e até gente de outras nacionalidades, e até mesmo outros continentes, que simplesmente vem para o Brasil tratar-se da doença e receber os medicamentos gratuitamente oferecidos pelo governo. Por quê nós contribuintes brasileiros temos que pagar essa conta?! Nosso governo alega que negar tratamento para estes indivíduos seria uma forma de discriminação, porém também me sinto discriminado por ter pago meus impostos durante toda minha vida, para verem recursos drenados por pessoas que nunca foram contribuintes.

    Outro detalhe! No Brasil existe o SUS, Sistema Único de Saúde, considerado público e universal, e os planos de saúde suplementar, oferecidos por empresas, seguradoras, cooperativas, entre outras. Pessoalmente tenho um plano da Sul América. Não sei se vocês têm conhecimento, mas se por qualquer motivo eu me dirigir para um hospital público, e realizar qualquer tipo de consulta ou procedimento, o valor do que foi realizado deverá ser reembolsado ao SUS pelo meu plano de saúde. E o pior, a tabela utilizada para remuneração do SUS não é a famosa “tabela SUS”, mecanismo pelo qual o governo remunera instituições privadas por procedimentos realizados para pacientes do SUS, mas sim uma tabela muito mais “turbinada”, com valores elevados, ou seja, mais uma forma indireta de drenar recursos dos cidadãos e saúde para o ineficiente segmento público. Pessoalmente considero uma cobrança um absurdo! Um cerceamento ao meu direito de escolha de onde desejo me tratar, assim como um cerceamento de meu direito a ter uma saúde pública, e uma cobrança que torna mais oneroso manter um plano de saúde suplementar.

  19. O argumento do autor e bom, mas tem algo q precisa ser explicado. O problema nao e o fato de, em um sistema de saude ( pode ser plano) algumas pessoas serem mais ou menos saudaveis… O problema e o sistema nao ser capaz de precificar isso! Ai sim, td oq o autor falou de transferencia de renda e valido. Quanto a oferta tendendo a infinito, apesar da possibilidade de que um plano de saude o faça, parece implausivel, pela simples necessidade de se eviatr o sobreuso, desgaste, prejuizo. Porem, nada impede q um sistema filantropico o faça ou qqer outro, só nao e racional do ponto de vista economico. Portanto existe uma obvia vantagem quanto a precificaçao entr saudaveis e n sauaveis ( vale lembrar a consequencia normativa disso) e a possibilidade de impedir q a oferta tenda ao infinito.

  20. A questão da demanda infinita é tão verdadeira que boa parte dos planos de saúde no Brasil estão migrando (ao menos oferecendo e incentivando) planos com co-participação. O sistema atual, em que você paga um valor fixo e pode usar ilimitadamente, acaba gerando as mesmas distorções que o SUS (que você também paga, com impostos). Isso acaba acarretando um uso indiscriminado e desnecessário (sim, minha esposa é médica e muitos conveniados vão ao PS para pegar atestados). Isso é um dos motivos dos preços dos planos não pararem de aumentar, e portanto essa é uma maneira que encontraram de racionalizar o uso, levando um pouco do ônus do uso para o cliente, reduzindo assim seus custos e o valor da mensalidade.

  21. Olhem o nível do jornalismo brasileiro:

    Na matéria abaixo, a jornalista diz que o serviço do SUS iria melhorar se as pessoas usassem mais, e que o brasileiro está dormindo por não está aproveitando um serviço gratuito e boa qualidade como o SUS.

    E depois a jornalista lamenta que para a Santa casa atender o casal (Huck), tiveram que deixar de atender outras pessoas.

    Além da falta de noções econômicas, ela não conseguiu enxergar a contradição que cometeu.

    www1.folha.uol.com.br/colunas/claudiacollucci/2015/05/1633570-os-hucks-e-o-sus.shtml

  22. Desregulamentar não daria certo pois os médicos criariam carteis de especialidades e aumentariam exorbitantemente os preços. Isso é o mundo real, se associariam para aumentar cada vez mais os preços dos serviços. Sem o SUS os preços de planos de saúde e serviços médicos e exames iriam subir varias vezes. O ideal nem sempre é o real. Sempre no Brasil os médicos agem em grupo por seus interesses e não como concorrentes.

  23. josé damasceno

    Corroborando o autor e demais comentários entendo que a estrutura de logística e contratações de empresas desqualificadas mais a escravização dos salários e honorários médicos aliados à falta de carreira de Estado para os Médicos põe em cheque esse sistema que na minha opinião já está em colapso há mais de 10 anos. É preciso rever e aperfeiçoar em outros moldes a Saúde no Brasil como um todo. Entendo que a privatização do sistema pode ser dado de forma gradual e sistemática como exemplos temos rede Sarah. Há uma autonomia de empresa privada mas com responsabilidade pública.

  24. Divirjo do autor em vários pontos. Todo grupo de participação esta ni fundo transferindo recursos de um participante para o outro. Desde um consorcio de qualquer bem até os contratos de seguro de bens e serviços.
    É lógico que quem mais usa está pagando menos. Mas quem não usa hoje, pode vir a ser um usuário de um atendimento de alto custo amanha. A Previdência Social também é assim. É claro que se você reunir o recurso de quarenta anos de contribuição a qualquer entidade de Previdência você poderá se aposentar muito melhor remunerado. Mas, e se, você vier a precisar antes desse prazo de capitalização???

    Sou convencido de que o grande problema do SUS é exatamente GESTÃO. Pela grandeza de sua atuação. Pela amplitude de atendimento concebida. E pelos vários níveis de Administração, o SUS tem sido constantemente atacado pelas aves de rapina, pela incompetência, pela negligencia.

  25. Fernando Hélio de :Oliviera

    Os recursos são insuficientes por todos os motivos elencados acima, no entanto, é também muito mal gerido e muito desviado. Já se diz que o perdido com a corrupção daria para construir outros Brasis.

  26. Além disso, o SUS vai contra à lei natural, invertendo o sistema de seleção natural, onde os mais inteligentes vivem mais, consequentemente, reproduzindo-se mais. No sistema atual, o inverso ocorre. Exemplifico: Indivíduos adeptos a uma vida promíscua/desregrada tem maiores chances de contrair uma série de doenças, além de se envolverem em mais episódios com chance de morte. Porém, o SUS os atende, prolongando-lhes a vida, gerando, assim, custos a toda sociedade e natalidade desenfreada. Num sistema totalmente privado, o atendimento aos hipossuficientes seria feito por caridade, a qual possibilita aos financiadores a escolha da destinação dos recursos. Poderia-se, por exemplo, criar uma entidade que se recusasse a atender criminosos. Em razão disso, os indivíduos seriam mais estimulados a praticar caridade.

  27. Quero dizer que concordo em grande parte com os modelos propostos nos artigos sobre saúde do Mises Brasil. Há, contudo, dois pontos que, na minha opinião, precisam de elaboração e análise aprofundada por parte do Mises Brasil.

    O primeiro desses pontos é a medicina profilática. Vou usar um caso concreto para explicar o que são medidas profiláticas. Considere o conjunto de doenças conhecidas pelo nome guarda-chuva de câncer ginecológico. Se os médicos recebessem treinamento de patologia laboratorial e usassem sistemas de exames do tipo Tomographic Microscope Nanolive ou EVOS Cell Imaging System, poderiam fazer triagem em milhares de mulheres a cada três meses. A maioria dos casos de câncer ginecológico seria detetado no início e facilmente curados, com o mínimo de incômodo para as mulheres. Mas nenhuma mulher procuraria os serviços desses patologistas, visto que não estão sentindo incômodo nenhum. E poucos ginecologistas brasileiros gastam os 20 mil euros para comprar o Nanolive ou os 80 mil reais para adquirir um EVOS. Como convencer as pacientes a pagar esse tipo de triagem? Afinal, elas não estão sentindo nem mesmo dor de cabeça. Claro que eu teria algumas sugestões para incentivar as mulheres procurarem e pagar por serviços de prevenção de câncer. Uma possibilidade seria permitir descontar nos impostos o dinheiro gasto com o patologista. Outro exemplo. Vários médicos e cientistas já mostraram que as chamadas doenças da civilização, como é o caso de doenças cardiovasculares e AVCs, podem ser enormemente reduzidas por uma dieta baseada em plantas e exercícios aeróbicos, como andar 25 quilómetro por dia (10 de manhã, 5 a tarde e 10 a noite, no clima brasileiro). Mas como convencer as pessoas a seguir essa rotina e ainda pagar por uma estrutura semelhante à montada por Cadwell Esselstyn, Dean Ornish ou Neal Barnard? Uma possibilidade seria o governo pagar parte dos tratamentos médicos, mas esse incentivo governamental seria retirado das pessoas que não seguiram essas recomendações clássicas de cardiologistas. Recentemente, o National Health System do Reino Unido começou a negar certos procedimentos médicos a fumantes e pessoas obesas. Enquanto a pessoa não eliminar esses fatores de risco, não pode fazer cirurgias eletivas ou submeter-se a certos tratamentos, como colocar stents. Que sugestões você teriam para incentivar as pessoas a fazerem exercícios, andar 25 km por dia, fazer musculação para evitar perda mulcular e problemas na coluna, manter o MBI abaixo de 25 e adotarem uma dieta vegetariana?

    O outro problema que vejo é o treinamento. Considerem os Estados Unidos, por exemplo. Não digo que o sistema de saúde americano é bom, visto que não oferecem um método de acesso aos centros médicos. Entretanto, os médicos americanos são muito bons. A OCDE criou um ranking sobre eficiência no tratamento de certas doenças, caso o paciente consiga dar entrada aos hospitais. Por exemplo, segundo a OCDE, de cada 100 mulheres que dão entrada no sistema de saúde americano com câncer no seio, quase 90 estarão vivas 5 anos depois. No Brasil, 40 estarão vivas e, no México, 49. Nos Estados Unidos, apenas 5.5% dos pacientes de ataque do coração morrem, contra quase 30% no México e quase 40% no Brasil. Em suma, os médicos americanos são muito bons. Mas essa qualidade é bem guardada e fiscalizada. Vocês vão dizer que organizações como a NBME e NRMP não são governamentais. Concordo, mas não vejo muita diferença entre tais organizações e o Ministério da Educação brasileiro, a não ser o fato de que são os estudantes de medicina que pagam pelos serviços da nbme e da nrmp, enquanto todos os brasileiros pagam pelos serviços do MEC. Um médico americano faz 4 anos de college e 4 anos de medical school, que paga com empréstimos bancários, antes de poder fazer o USMLE step 1, step 2 clinical knowledge e step 2 clinical skills, oferecidos pela NBME. Cada um desses exames é pago pelo estudante. Depois de passar nesses exames, quase um ano de esforço, a NRMP determina onde o médico ainda precisa de fazer de 3 a 8 anos de treinamento, em uma residência obrigatória para exercer a medicina. Terminado o treinamento, o médico ainda faz o USMLE step 3. A formação completa leva, no mínimo, 12 anos. O médico recém-formado americano tem 30 anos. Passa quase a metade da vida estudando. Toda a formação do médico é fiscalizada por organizações privadas, naturalmente, mas o médico tem que passar por todas essas etapas para exercer a medicina. Antes de Abraham Flexner propor esse sistema, a medicina americana era péssima, pois não havia fiscalização. Como vocês do Instituto Mises Brasil sugerem que esse sistema de alta qualidade possa ser mantido sem uma fiscalização centralizada da formação médica?

  28. Muito bons os questionamentos levantados por Ed Costa. Quando os paladinos da “liberdade” são confrontados com questões que demandam ação do estado, ficam sem resposta. Acrescento ao seu comentário: O que seria da nossa sociedade sem as campanhas de vacinação, custeadas e executadas pelo estado? A medicina americana pode ser eficaz, mas muito mais pela tecnologia desenvolvida do que propriamente pela atenção à saúde. O modelo flexneriano hospitalocêntrico é caro demais e excludente, centrado no paradigma biomédico, numa visão ultrapassada do processo saúde-doença, que visa a remuneração do capital, alimentar a poderosa indústria farmacêutica. Mantém o indivíduo vivo, mas sem qualidade de vida, alguém dependente de medicamentos que servem para reproduzir aquela sociedade pra continuar a ser explorada.

  29. Ainda morreríamos de doenças hoje praticamente erradicadas se não fossem as vacinas. Sem o estado pra ampliar e levar a todos a vacinação, vc poderia ser contaminado por alguém sem conclusões financeiras e morrer por uma doença dessas.

    Um dos questionamentos do Ed se refere à medicina profilática (onde entra a vacinação). Escreve ele:

    “Considere o conjunto de doenças conhecidas pelo nome guarda-chuva de câncer ginecológico. Se os médicos recebessem treinamento de patologia laboratorial e usassem sistemas de exames do tipo Tomographic Microscope Nanolive ou EVOS Cell Imaging System, poderiam fazer triagem em milhares de mulheres a cada três meses. A maioria dos casos de câncer ginecológico seria detetado no início e facilmente curados, com o mínimo de incômodo para as mulheres. Mas nenhuma mulher procuraria os serviços desses patologistas, visto que não estão sentindo incômodo nenhum. E poucos ginecologistas brasileiros gastam os 20 mil euros para comprar o Nanolive ou os 80 mil reais para adquirir um EVOS. Como convencer as pacientes a pagar esse tipo de triagem? Afinal, elas não estão sentindo nem mesmo dor de cabeça.”

    Depois ele pergunta como assegurar a boa formação do médico americano sem uma fiscalização central?

    Eu acrescento: a medicina flexneriana hospitalocêntrica é cara demais e excludente,centrada no paradigma biomédico, uma visão ultrapassada do processo saúde-doença, que visa a remuneração do capital, alimentar a poderosa indústria farmacêutica. Mantém o indivíduo vivo, mas sem qualidade de vida, alguém dependente de medicamentos que servem para reproduzir aquela sociedade pra continuar a ser explorada. Ou seja, a medicina privada pode ser melhor (somente nos procedimentos de alta complexidade) pra quem pode pagar, mas está longe de oferecer saúde. Qual a alternativa liberal pra isso?

  30. Esses dois artigos não mostram solução. Como superar o paradigma biomédico, o modelo flexneriano sem boas políticas públicas? Vai continuar uma medicina cara, pouco abrangente e com resultados pífios.

    Sobre as vacinas, muitas foram desenvolvidas com verbas estatais em universidades públicas. Exatamente por não ser interessante à indústria farmacêutica uma sociedade saudável, que não precise dos seus produtos.

    Vc tá dizendo que os programas de vacinação em massa foram desnecessários e criaram vírus mais resistentes?! O que me diz das doenças erradicadas por esses programas, como a varíola? Quem tem 50, 60 anos, provavelmente conheceu alguém que morreu de sarampo, ou ficou com a perna atrofiada por causa da pólio. Hoje não se vê mais isso nem em comunidades pobres.

    Pessoal do Mises, arruma alguém mais qualificado pra debater porque o Edson não dá. Pouco conhecimento.

  31. Vc deve ter problemas de cognição ou sofre de esquizofrenia. Onde que minhas perguntas foram respondidas? Ainda não vi a solução liberal ao modelo flexneriano, ao especialismo. Se não houver uma boa política de saúde pública que ataque as vulnerabilidades e torne a opção a uma vida saudável acessível (sobretudo às pessoas mais pobres), o resultado sempre será uma medicina cara, excludente e com resultados pífios. Se deixar com o mercado, a competição pode até baratear os custos, mas o estímulo à medicalização da sociedade será irresistível. Teremos uma sociedade doente. Um exemplo disso é que simples problemas de educação se tornam “doenças”, que são tratadas com medicamentos que podem atenuar os sintomas , mas o uso crônico traz outras problemas que serão tratados com novos medicamentos.

    Quer dizer que eu apanhei? O cara me diz que as vacinas seriam desnecessárias e alimentam a indústria farmacêutica. Eu disse que muitas são desenvolvidas em laboratórios de universidades estatais. E que doenças como a varíola foram erradicadas devido às campanhas de vacinação maciça. Se o estado não desenvolvesse vacinas e distribuísse à população, ainda veríamos pessoas morrendo de sarampo ou com perna atrofiada pela pólio. Vc é contra as vacinas tbm? Duvido que não leve seu filho pra vacinar. Duvido que não tenha ido a um posto tomar vacina pra febre amarela.

  32. As vacinas distribuídas gratuitamente nos postos de saúde são produzidas na Fiocruz, entidade estatal. Não alimentam a indústria farmacêutica. Os países escandinavos conseguiram chegar a zerar o índice de cárie, graças a amplos programas estatais de prevenção. Dentista lá é ortodontista ou periodontis. Não ha mais endontistas lá, porque não há canal pra tratar. Protesista virou geriatra lá.

  33. Diego Nogueira Rocco

    Boa noite, acabei de postar uma resposta no Quora sobre ”Por que os brasileiros não defendem o SUS”. Acho que ficou interessante e gostaria de saber os senhores acham. pt.quora.com/Por-que-os-brasileiros-n%C3%A3o-defendem-o-SUS/answer/Diego-Estudante?prompt_topic_bio=1

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