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Dois tipos opostos de libertário – qual você é?

Por
que preferir a liberdade humana em vez de uma ordem social controlada e
regulada por alguns poucos poderosos?  

Para
fornecer a resposta, eu diria que os libertários podem ser, de uma forma geral,
divididos em dois campos: humanitários e brutalistas.

Os
humanitários se baseiam nos seguintes argumentos.  A liberdade permite e estimula uma pacífica
cooperação humana.  Ela inspira a
criatividade e todos os subsequentes benefícios que isso gera para
terceiros.  Ela restringe e desestimula a
violência.  Ela permite a acumulação de
capital e a prosperidade.  Ela protege os
direitos humanos de todos os indivíduos contra violações e usurpações.  Ela permite que associações humanas
voluntárias de todos os tipos possam se desenvolver segundo seus próprios
termos.  Ela estimula uma maior
convivência social e recompensa aquelas pessoas que querem se dar bem com as
outras, ao mesmo tempo em que restringe aquelas que só querem causar o
mal.  Ela leva a um mundo no qual as
pessoas são valorizadas como um fim em si mesmas e não vistas como uma mera
forragem em meio a todo um aparato central.

Tanto
a história quanto a experiência nos mostram que é assim. 

Todos
esses são excelentes motivos para se desejar a liberdade.  Mas eles não são os únicos motivos pelos
quais as pessoas defendem a liberdade. 
Há um segmento entre os autoproclamados libertários — doravante
descritos como brutalistas — que consideram tudo o que foi descrito acima como
sendo bastante enfadonho, vago e excessivamente humanitário. 

Para
eles, o que é interessante a respeito da liberdade é o fato de ela permitir que
pessoas manifestem suas preferências individuais, formem tribos homogêneas,
coloquem seus preconceitos em ação, marginalizem pessoas tomando por base
padrões “politicamente incorretos”, odeiem profundamente determinadas pessoas (desde
que nenhuma violência seja utilizada), sejam abertamente racistas e sexistas, sejam
excludentes e no geral descontentes com a modernidade, e rejeitem padrões civis
de valores e etiquetas, preferindo a adoção de normas anti-sociais. 

Estes
dois impulsos são radicalmente distintos. 
O primeiro valoriza toda a paz social que surge junto com a liberdade,
ao passo que o último valoriza a liberdade de rejeitar a cooperação, preferindo
manifestar preconceitos figadais.  O
primeiro quer reduzir o papel do poder e do privilégio no mundo, ao passo que o
último quer a liberdade de reivindicar poder e privilégio dentro das estritas
delimitações dos direitos de propriedade e a liberdade de se afastar de tudo e
de todos.


para deixar claro, a liberdade realmente permite a manifestação tanto da
perspectiva humanitária quanto da brutalista, por mais implausível que isto
seja.  A liberdade é ampla, abrangente e
não impõe nenhum fim social específico como sendo o único arranjo
aceitável.  Por outro lado, ambas as
manifestações constituem maneiras extremamente distintas de se enxergar o mundo
— a primeira, liberal no sentido clássico; a última, anti-liberal em todos os
sentidos –, e é bom ter isso em mente antes de você, como libertário, se
descobrir aliado a pessoas que ainda não entenderam o cerne da ideia da liberdade.

O
humanitarismo nós compreendemos.  Ele
busca o bem-estar da pessoa humana e o desenvolvimento da sociedade em toda a
sua complexidade.  O humanitarismo
libertário entende que a melhor maneira de se alcançar esses objetivos é por
meio do próprio sistema social, que se auto-organiza quando se vê livre dos
controles externos exercidos pelas violentas intervenções do estado.  O objetivo é essencialmente benevolente, e o
meio pelo qual ele é alcançado valoriza a paz social, a liberdade de
associação, as trocas voluntárias e mutuamente benéficas, o desenvolvimento
orgânico de instituições, e a beleza da vida.

Mas
o que seria o brutalismo?  O termo está
em grande parte associado a um estilo arquitetônico popular dos anos 1950 até
os anos 70, o qual enfatizava o uso de grandes estruturas de concreto, sem grandes
preocupações com estilo e adornos.  A deselegância
era seu principal ímpeto e toda a sua fonte de orgulho.  O brutalismo passava a mensagem da
despretensão e da crua natureza prática da utilização de um prédio. Uma
construção deveria ser forte, não bonita; agressiva, não detalhista; imponente,
não sutil.

Na
arquitetura, o brutalismo foi uma afetação. 
Uma afetação que nasceu de uma teoria retirada de contexto. 

Era
um estilo adotado com uma ciente precisão.  Acreditava estar nos obrigando a olhar para realidades
sem adornos, para um aparato destituído de distrações, tudo com o intuito de
transmitir uma mensagem didática.  Esta
mensagem não era somente estética, mas também ética: era uma questão de
princípio rejeitar a beleza.  Embelezar
significa fazer concessões, distrair, arruinar a pureza da causa.  Desta maneira, o brutalismo rejeitava a
necessidade do apelo comercial, e descartava completamente questões como
apresentação e comercialização; tais questões, na ótica brutalista, desviavam
nossa atenção do seu núcleo radical.

O
brutalismo declarava que um prédio não deve ser nem mais nem menos do que
supostamente deveria ser para cumprir sua função.  O brutalismo defendia o direito de ser feio, e
foi exatamente por esse motivo que tal estilo foi extremamente popular entre os
governos ao redor do mundo.  E é também
por este motivo que, ao redor do mundo, as formas brutalistas são atualmente consideradas
horríveis.

Olhamos
para o passado e nos perguntamos como surgiram essas monstruosidades, e nos
surpreendemos ao descobrir que elas surgiram de uma teoria que, por princípios,
rejeitava a beleza, a apresentação e a ornamentação. Os arquitetos imaginavam
estar nos mostrando algo que, em outras circunstâncias, relutaríamos em aceitar.  No entanto, só é possível
apreciar os resultados do brutalismo se você já houver aceitado sua teoria e se
convencido de sua praticidade.  Caso
contrário, sem a ideologia fundamentalista e extremista como sustentação, os
prédios parecem apenas coisas aterrorizantes e ameaçadoras.

Por
analogia, o que seria o brutalismo ideológico?  Trata-se de uma teoria completamente despida,
a qual se preocupa exclusivamente com suas partes mais cruas e mais fundamentais,
e que se concentra apenas na aplicação destas partes.  Trata-se de uma ideologia que testa os limites
da ideia ao descartar toda a elegância, todo o refinamento, toda a delicadeza, toda
a decência, todos os enfeites.  Tal
teoria não se importa com a causa maior, que é a civilidade e a beleza dos
resultados.  Ela se interessa somente
pela pura funcionalidade das partes.  Ela
desafia qualquer um a questionar a aparência geral do aparato ideológico, e
abertamente despreza quem o faz, o qual passa a ser considerado alguém
insuficientemente entendido do núcleo da teoria, sendo que tal teoria é imposta
sem contexto e sem nenhuma consideração estética.

É
claro que nem todos os argumentos em prol de princípios crus e de análises
puras são inerentemente brutalistas; o cerne do brutalismo é o fato de que temos
de reduzir para alcançar as raízes, de que temos de nos deparar com a verdade desagradável,
de que devemos nos chocar e, em algumas ocasiões, devemos chocar os outros com
as implicações aparentemente implausíveis ou desconfortáveis de uma ideia.  O brutalismo vai muito além: a ideia é a de
que o argumento deve ser o mais simplista possível, e que elaborá-lo,
habilitá-lo, adorná-lo, deixá-lo com nuanças, admitir incertezas ou
amplificá-lo para além de afirmações arenosas equivale a um tipo de traição, de
concessão ou de corrupção da pureza.  O
brutalismo é implacável, inflexível e descarado em sua recusa de abandonar seus
mais primitivos postulados.

O
brutalismo pode ser visto sob vários disfarces ideológicos.  O bolchevismo e o nazismo são exemplos óbvios:
classe e raça se tornam a única métrica a balizar as políticas; quaisquer
outras considerações são excluídas.  Nas
democracias modernas, as posições partidárias tendem ao brutalismo na medida em
que demostram que o controle partidário é a única preocupação relevante.  O fundamentalismo religioso é também outra
forma muito óbvia de brutalismo.

No
mundo libertário, no entanto, o brutalismo tem suas raízes na simples teoria de
que os indivíduos têm o direito de viver de acordo com seus próprios valores,
quaisquer que sejam.  A verdade central
está lá e é incontestável, mas a aplicação é feita de forma crua.  Assim, os brutalistas declaram o direito de
serem racistas, o direito de serem misóginos, o direito de odiarem judeus ou
estrangeiros, o direito de ignorar padrões civis de sociabilidade, o direito de
serem incivilizados, de serem rudes e grosseiros.  Tudo é permissível e até mesmo meritório,
pois aceitar o que é terrível pode constituir um tipo de teste.  Afinal, o que é a liberdade sem o direito de
se ser bronco?

Esses
tipos de argumentos fazem com que os libertários humanitários se sintam
profundamente desconfortáveis, pois, embora tais argumentos sejam estritamente
verdadeiros, eles desconsideram o ponto principal da liberdade humana: não
devemos dividir ainda mais o mundo e não torná-lo ainda mais infeliz, mas sim
estimular e possibilitar o progresso da humanidade com paz e prosperidade.  

Assim
como queremos que a arquitetura seja agradável aos olhos e reflita o drama e a
elegância do ideal humano, uma teoria sobre a ordem social também deve ser
capaz de fornecer uma estrutura adequada para que a vida seja bem vivida e para
que todos os tipos de associações voluntárias levem ao crescimento de seus
membros.

Os
brutalistas estão tecnicamente corretos quanto ao fato de que a liberdade
também protege o direito de se ser um completo ignorante e o direito de odiar,
mas esses impulsos não são oriundos da longa história das ideias liberais.  Por exemplo, em questões de raça e sexo, a
liberação das mulheres e das minorias étnicas do domínio arbitrário foi uma
grande conquista dessa tradição.  Continuar
afirmando o direito de voltar no tempo nestas questões é uma postura que passa
a impressão de que a ideologia foi despida de seu contexto histórico, como se
essas vitórias da dignidade humana não tivessem absolutamente nada a ver com as
necessidades ideológicas atuais.

O
brutalismo é mais do que uma versão simplificada, despojada, anti-moderna e destripada
do liberalismo original.  É também um
estilo de argumentação e de abordagem retórica.  Assim como na arquitetura, ele rejeita o
marketing, o espírito comercial, e a ideia de “vender” uma visão de mundo.  A liberdade deve ser aceita ou rejeitada tendo
por base apenas a sua forma mais bruta.  Assim, ele é muito rápido em atacar, condenar
e declarar sua vitória.  Ele enxerga
meios-termos e concessões em todos os cantos.  Ela adora desmascarar e expor esses
pecados.  Ele não tem nenhuma paciência
para sutilezas expositivas, e muito menos para as nuances das circunstâncias de
tempo e local.  O brutalismo vê apenas
verdades cruas, e se agarra a ela como se fosse a única verdade, excluindo todas
as outras verdades.

O
brutalismo rejeita a sutileza e não enxerga exceções circunstanciais à teoria
universal.  A teoria é aplicável em todos
os locais, a qualquer época, em qualquer cultura. Não há espaço para modificações
ou até mesmo para a descoberta de novas informações que possam modificar a
forma com que a teoria seja aplicada.  O
brutalismo é um sistema de pensamento fechado no qual todas as informações
relevantes já são conhecidas e a maneira pela qual a teoria é aplicada é tida
como um mero dado do aparato teórico.  Até
mesmo áreas difíceis, como leis familiares, restituições criminais, direitos
sobre ideias, responsabilidade por invasões e outras áreas sujeitas à tradicional
análise jurisprudencial se tornam parte de um aparato apriorístico que não
admite exceções ou emendas.

E
dado que o brutalismo é um impulso mais remoto no mundo libertário — os jovens
não se interessam mais por essa abordagem –, ele se comporta da maneira típica
a grupos seriamente marginalizados.  Ao
afirmar o direito ao racismo e ao discurso — e até mesmo justificar o mérito
de tal postura, esta corrente já está excluída da grande discussão pública.  As únicas pessoas que de fato escutam
argumentos brutalistas — que são intencionalmente pouco convincentes — são
outros libertários.  Por esse motivo, o
brutalismo se encaminha cada vez mais em direção ao sectarismo extremo: atacar os
humanitários que tentam embelezar sua mensagem se torna uma ocupação integral.

Com
essa sectarização, os brutalistas evidentemente afirmam que são os únicos
verdadeiros adeptos da liberdade, pois somente eles têm fibra para levar a
lógica libertária ao seu extremo e aceitar seus resultados.  Porém, o que ocorre aqui não é coragem ou
rigor intelectual.  A ideia deles sobre o
que significam as ideias libertárias é reducionista, truncada, irrefletida, simplista
e não-corrigida pelo avançar da experiência humana, ignorando o grande contexto
histórico e social no qual a liberdade vive.

Digamos
que você viva numa cidade tomada por um grupo fundamentalista que exclua todos
aqueles que não sejam adeptos de sua fé, obrigue as mulheres a usarem roupas do
tipo burca, imponha um código legal teocrático e marginalize gays e lésbicas.  Você pode até dizer que, neste caso, as
pessoas são parte voluntária desse arranjo; porém, mesmo assim, não há qualquer
liberalismo presente neste arranjo social.  Os brutalistas estarão nas trincheiras defendendo
essa microtirania, e sempre utilizando como argumentos a descentralização, os
direitos de propriedade e o direito de discriminar e de excluir — ignorando
completamente a realidade mais profunda, na qual as aspirações individuais em
prol de uma vida mais plena e mais livre são negadas diariamente.

No
que mais, o brutalista acredita já conhecer os resultados da liberdade humana,
e tais resultados frequentemente estão de acordo com os impulsos que mesclaram
estado e religião já testemunhados em épocas passadas. Afinal, para eles, a
liberdade significa simplesmente a liberação de todos os impulsos mais básicos
da natureza humana, os quais eles acreditam terem sido suprimidos pelo estado
moderno: o desejo de pertencer a uma homogeneidade racial e religiosa, a
permanência moral do patriarcado, a repulsa à homossexualidade e assim por diante.
 O que a maioria das pessoas considera avanços
modernos contra os preconceitos, os brutalistas creem ser exceções impostas ao
longo de toda a história dos instintos tribais e religiosos da humanidade.

É
claro que o brutalista que descrevi aqui é um tipo ideal, e provavelmente sua
personificação não será encontrada em nenhum pensador específico.  Mas o impulso brutalista está em evidência em
todos os cantos, principalmente nas mídias sociais.  Trata-se de uma tendência de pensamento com
posições e propensões previsíveis. Trata-se de uma grande fonte para as
correntes racistas, sexistas, homofóbicas e anti-semitas que existem dentro do
mundo libertário — correntes essas que, ao mesmo tempo em que negam a
veracidade desta frase, defendem com idêntica paixão o direito de os indivíduos
terem essas visões e agirem de acordo com elas.  Afinal, dizem os brutalistas, o que seria a
liberdade humana sem o direito de se comportar de maneiras que testem nossas
mais preciosas sensibilidades — e até mesmo a civilização?

No
final, tudo se resume à motivação fundamental que dá sustento à própria
liberdade. Qual é o seu propósito universal?  Qual é sua contribuição histórica dominante?  Qual é o seu futuro?  É aqui que os humanitários estão fundamentalmente
em desacordo com os brutalistas.

É
verdade que não devemos ignorar o núcleo da pura teoria da liberdade, e jamais
devemos nos esquivar de suas implicações mais difíceis.  Ao mesmo tempo, a história da liberdade e seu
futuro não se resumem a apenas declarações de direitos; são também sobre elegância,
estética, beleza e complexidade; sobre como servir às outras pessoas, sobre a
comunidade, sobre o gradual surgimento de normas culturais, e sobre o
desenvolvimento espontâneo de amplas ordens de relacionamentos comerciais e pessoais.
 A liberdade é o que dá vida à imaginação
humana, e é ela quem permite que o amor se amplifique e se estenda desde nossos
desejos mais benevolentes e elevados.

Por
outro lado, uma ideologia roubada de seus adornos pode se tornar algo
francamente desagradável e feio, como uma grande monstruosidade de concreto
construída décadas atrás e imposta sobre uma paisagem urbana, constrangedora a
todos, e que hoje está apenas à espera de sua demolição.

O
libertarianismo será brutalista ou humanitário? Você tem de decidir.

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70 comentários em “Dois tipos opostos de libertário – qual você é?”

  1. Libertarianismo, inclusive nos termos do livro “Defendendo o Indefensável” é algo legal, e não queremos reprimir ninguém. Mas se ousarmos discordar, isso poderia ser entendido como repressão? Acho que não, caso contrário os libertários agiriam como os esquerdistas que transformam a crítica em vitimização. Para equilibrar as idéias, seria interessante alguns comentários sobre Russel Kirk (A Política da Prudência); Thomas Sowell (Os intelectuais e a Sociedade – o Conflito de Visões).

  2. Esse mundo tá lascado

    Hoje ouvi num programa de rádio muito popular na minha região um dos integrantes “cacetear” uma casa de espetáculos (ou bar sei lá) pois não permitiram que ele entrasse usando uma touca na cabeça.
    Ele não entrou, imagino que se negando a tirar a touca. Passou 10mins no ar falando mal do lugar e acusando-os de preconceito. Conceito esse (“preconceito”) que anda muito em voga por esses tempos.

  3. Emerson Luis, um Psicologo

    Muitos buscam com tanto ardor determinado objetivo que se esquecem dos derradeiros motivos pelos quais esse objetivo deve ser buscado. Queremos liberdade DE restrições indevidas, mas também devemos buscar a liberdade PARA uma vida de realização e contribuição.

    * * *

  4. Um texto no mínimo instigante.

    Conforme explicitado no texto, o libertário humanitário é o tipo preferencial, mais humano, agradável e gentil aos sentimentos e intelecto alheio. O brutalista seria o tipo indesejável de libertário, um fardo ao avanço das ideias libertárias.

    Primeiramente descarto a hipótese de que a diferença entre o brutalista e humanitário seja a retórica. O humanitário pode argumentar, conforme o texto, que o objetivo é " essencialmente benevolente, e o meio pelo qual ele é alcançado valoriza a paz social, a liberdade de associação, as trocas voluntárias e mutuamente benéficas, o desenvolvimento orgânico de instituições, e a beleza da vida.". Em suma: mares de flores e purpurina.

    Contudo, o humanista jamais pode negar a verdadeira natureza do liberalismo, a defesa explícita da propriedade privada. Ao contrário do que afirma ao autor, a propriedade é o direito de excluir e garantir o monopólio de acesso aos fatores de produção e bens de consumo.

    O humanista, ao atribuir significado distinto para a palavra "propriedade", ou apenas ao omitir seu significado, não seria melhor que um marxista astuto na dialética. Assim, o humanista não passaria de um charlatão, e isso, por si só, já configura como argumento para repudiar o liberalismo como doutrina digna de ser chamada "humana".

    Mas não pensem que o meu objetivo é defender os brutalistas. Eu concordo totalmente com o autor que a retórica brutalista, árida igual ao deserto, não desperta a paixão humana, além dos demais brutalistas [vazios de compaixão].

    Então, concluo, se de um lado o humanista não seria mais que um charlatão e o brutalista não mais que um pregador de uma doutrina esteticamente árida (vazia de vida), não seria o liberalismo uma utopia, composta somente por iludidos e bárbaros?

  5. Veja aonde que a ideologia pode estar ate em games, quem jogou Bioshock 1-2 sabe do que estou falando.
    A base é uma utópica cidade criada no fundo do mar onde os “brutalistas” poderiam viver sem repressão dos “parasitas”.
    As criticas ao objetivismo de Ayn Rand são claras durante o jogo.Durante o jogo temos escolhas morais para serem feitas que mudam o resultado final do jogo.

    http://www.youtube.com/watch?v=RnlxOc2Znyo

  6. Anarco-Individualista

    Arquiteto é aquele cara que não foi homem o suficiente pra prestar engenharia, nem bicha o suficiente pra prestar design.

    E quem esse cara pensa que é para impor a opinião dele sobre o que é “feio” e o que é “bonito”?

  7. Bom,se um dia tivermos um mundo libertário já saberemos quem vai encaminhar esse mundo para o sistema atual,os libertários humanitários

    Mesmo papinho da esquerda atual

  8. Fico fortemente desconfiado dessa história de julgar as pessoas pelas suas motivações e pelas suas preferências pessoais.

    Duvidar das credenciais libertárias de alguém porque ele aplica o princípio da não-agressão “brutalisticamente”, ou considerar que uma pessoa deve ser fundamentalmente anti-libertária por não gostar de frivolidades, me parece o cúmulo da intolerância que o Tucker diz ser contra.

    De um ponto de vista libertário, é MUITO mais importante aprender a conviver pacificamente com comportamentos dos quais você pode não gostar do que seguir algum padrão de comportamento específico. Eu sou muito libertário, obrigado, e se você vier puxar assunto comigo sobre os detalhes artísticos da camisa rosa do ator Zé Cheiroso na novela das 7, eu VOU falar para você largar de viadagem. Porra. 😛

    De qualquer forma, como escreveram pessoas indiscutivelmente libertárias, muitos comportamentos que batem de frente com os preceitos do politicamente correto não apenas são compatíveis com o PNA, mas totalmente naturais e mesmo necessários.

    E devo dizer que nunca entendi a fixação do J. Tucker em estética. Quando ele era editor do mises.org, volta e meia aparecia um artigo lamentando os efeitos da tirania estatal sobre o design das roupas e dos carros e sei lá mais o quê.

  9. E o impressionante é que o feminazismo lá fora é mil vezes pior, nos EUA o cara vai preso se a mulher falar que ele bateu nela, nem precisa provar nada, tem países da Europa que o cara não pode nem fazer teste de DNA! Nos países escandinavos, Suécia e cia…sem comentários, eles querem até destruir as palavras ‘ele’ e ‘ela’ pra ensinar as crianças a não se identificarem com nenhum sexo

    E aí vem esse GÊNIO choramingar dos libertários que são ‘sexistas’ putz…(facepalm)

  10. só resta aos humanos conviver com os brutos,
    impor o que eu acho bonito e lindo e ético ao bruto me faria apenas um bruto também.
    A questão de quem está com a maioria é que vai determinar o tipo de sociedade, não muito diferentemente do que existe hoje onde a maioria subjuga a minoria.

  11. Para Rothbard não seria coerção propor o aluguel dos serviços sexuais da filha de alguém em troca de um salário de fome para a família.

    O libertarianismo argumenta que a economia não é nem moral nem imoral, mas amoral pois a moralidade não faz parte da análise econômica.

    Sendo a liberdade o direito básico dos indivíduos conclui que tal prática deve ser considerada legal, economicamente legítima apesar de imoral.

    O uso da palavra ilegalidade no lugar da palavra injustiça parece proposital nos argumentos dos libertarianos, pois a injustiça é óbvia. Esquecem-se que a legalidade está entre a moralidade e a justiça, e seu objetivo é unir-las.

    Logo, a legalidade da prostituição, nestes termos, é apenas formal sustentada na irregularmente na liberdade econômica que é confundida com a liberdade propriamente dita.

    Há uma expansão da autonomia individual em termos econômicos até o extremos de ser classificado como princípio geral do direito, da filosofia, da sociologia e tudo mais se torna supérfluo ante os economistas, não apenas a religião.

  12. André Luiz S. C. Ramos

    Eu li esse texto e gostei muito.
    Aí vi muita gente detonando e fiquei pensativo.
    Acabei de reler o texto com calma e cheguei à conclusão de que esse texto é melhor ainda do que eu tinha achado após a primeira leitura.
    Tucker nunca decepciona.
    Talvez alguns não tenham compreendido bem a mensagem dele, então vale a pena ler o comentário do Fernando Chiocca acima, bem como o comentário do ´próprio Tucker linkado pelo Fernando.

  13. Adorei o paralelo com a arquitetura brutalista porque, obviamente, sou arquiteto. Mas, em verdade, o brutalismo que se praticou no Brasil (Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha, etc.) não esteve jamais ligado a qualquer ideal político que não fosse o da esquerda totalitária. Todos os arquitetos ligados ao movimento brutalista eram, sem exceção, declaradamente comunistas. Os arquitetos paulistas da geração atual (Ângelo Bucci, Álvaro Puntoni, MMBB, Andrade Morettin, etc.) que de alguma forma tentam resgatar os ideais estéticos da geração anterior apresentam um discurso afinado com os mesmos ideais políticos da geração anterior. Brutalistas não libertários são autoritários…

  14. Libertário humanitário é aquele que é a favor da PLC 122 que proibe um padre de pregar con o homossexualismo, digo, homossexualidade (até com isso devemos nos cuidar para não ser um “brutalista”). Neste caso quem é o brutalista?

    Só queria ver se um gay cantasse esse Jeffrey Tucker ou chamasse a esposa dele de puta. Nessas horas muitos libertários abandonariam o PNA e quebrariam a cara do veado ou do sujeito que chamou a esposa dele de puta.

  15. Eu achei aquele texto do Tucker um lixo, ele foi totalmente 8 ou 80, tentando colocar o bem contra o mal em uma situação que não cabe isso. Há situação em que eu acredito no liberalismo mais filosófico, acredito que se permitirmos que as pessoas façam livre uso, desde que inofensivo, de seu potencial o mundo seria muito melhor, principalmente para os mais pobres. Em outros casos eu sou totalmente brutalista, eu gosto de tomar uma coca-cola bem geladinha na hora do almoço e não vai ter burocrata que vai me impedir de fazer isso, pouco me importa se eles querem combater a obesidade ou saúde dentária, eu vou tomar a minha coca-cola.

  16. Um brutalista corre o risco de um dia seu filho querer ser um bailarino do Ballet Bolshoi. O contrario também vale, um sujeito humanitário cheio de concepções artísticas poderá vir a ter um filho lutador de MMA. Isso é a beleza (ou feiura) da vida.

  17. Sou um libertário ás vezes humanitário, as vezes brutalista e considero os dois tipos válidos desde que respeitem o princípio da não-agressão.

  18. Left-Lib much!?

    Artigo lamentável que induz à segregação de libertários por libertários com base em cosmovisão e opiniões pessoais. Consciente ou não, o agudo viés filosófico do autor faz-se explícito tanto pelo abuso da novilíngua neomarxista – “moral do patriarcado”!? – quanto pela entronização de axiomas esquerdistas primordiais como a noção de “evolução moral gradual” da humanidade – ideia ‘a priori’ tão libertária quanto seu análogo “pessimismo antropológico” da direita. Textos tais como esse fornecem legitimidade ao argumento conservador de que o libertarianismo é um apêndice do marxismo cultural. Pelo bem de nosso movimento espero que dualismos falaciosos e sectarismos esquerdistas como os acima sejam desmascarados, neutralizados e/ou ostracizados em nosso meio – ironicamente, assim como o autor sugeriu que se faça àqueles que pechou de ‘brutalistas’.

    PS: É para não ser associado com esquerdosos assim que evito me declarar libertário em público.

  19. Não sei nada de arquitetura nem de brutalismo na arquitetura, mas a gravura da edificação bem no começo é brutalista mesmo?

    Tirando julgamento estético (se é feia ou bonita) estou vendo vários elementos lá que não são funcionais, contrariando a ideia brutalista apontada no texto como uma arquitetura despojada de elementos estéticos..

    1) Parece que o prédio se apoia em balanço numa estrutura central (numa visão brutalista de funcionalidade citada no texto, pra que fazer isto? Não é mais prático apoiar-se como uma simples caixa? do que fazer uma caixa suspensa por elementos no meio? Isto gasta mais concreto e estrutura para sustentar a caixa..)

    2) Bem no topo do prédio tem elementos em ziguezague de concreto simétricos, para que servem se não forem estéticos?

    3) Tem uns elementos de concreto no centro que parecem ventarolas mas que não vejo como funcionais se o objetivo é ventilar o interior, parecem estéticos também.. (não julgando se são bonitos mesmo, mas de funcional não vejo nada)…

    Ou o prédio não é brutalista, ou os arquitetos não aplicam o principio que julgam defender, ou a definição de arquitetura brutalista está errada no texto..

  20. Acho os prédios brutalistas de uma beleza indescritível, justamente por expor a sua realidade nua e crua e entendo que essa “beleza” seja feita para poucos olhos. Tal qual o libertarianismo brutalista me pareceu assim que bati o olho. Esse texto do Mises me pareceu mais um artigo panfletário pró humanitarismo. O brutalismo não quer convencer a massa, não se interessa por ela,não se interessa pela opinião da maioria pelo que me parece e nem tem essa pretensão.
    Se essa filosofia é fruto do liberalismo clássico, aconteceu o que a esquerda e os conservadores sempre acusava de ser o fim do liberalismo, mas este sempre se esquivava e usava a sua retórica pró humanitarismo, nada diferente da esquerda, dos conservadores, progressistas e esquerda. Esses discursos baratos e maquiados para angariar a massa, já que a atual sociedade depende dessa massa.
    O brutalismo não se interessa pela massa, nem quer se embelezar para a massa, vocês estão certos. É uma filosófica árida, nua e crua. E por isso tão bela!

  21. Rodrigo Pereira Herrmann

    (esse Tucker é um baita de um intrujão)

    Simplesmente não dá pra levar a sério alguém que afirma isso:

    “Só para deixar claro, a liberdade realmente permite a manifestação tanto da perspectiva humanitária quanto da brutalista, por mais implausível que isto seja. A liberdade é ampla, abrangente e não impõe nenhum fim social específico como sendo o único arranjo aceitável.”

    ou isso:

    “Para fornecer a resposta, eu diria que os libertários podem ser, de uma forma geral, divididos em dois campos: humanitários e brutalistas.”

    esse sujeito não só não sabe o que é libertariansimo (se bem que…), como não sabe a diferença entre liberdade e livre-arbítrio.

  22. Artigo muito bom, parabéns!

    O pouco que pude observar do comportamento de brutalistas, me desanimou, pois facilmente pude compará-los com crianças que possuem distúrbios de personalidade, como limítrofe ou narcisista. É a grosso modo, a criança mimada.

  23. hora de brutalizar

    Senhores, ficaram sabendo que Cuba mandou para uma prisão de trabalhos forçados Melena II dois escritores do Instituto Mises Cuba?

    Aqui a notícia:

    ” Membro do Instituto Mises de Cuba é preso pelo regime castrista

    O ativista cubano defensor dos direitos humanos Ubaldo Herrera Hernandez foi detido no último dia 2 de fevereiro por agentes da polícia nacional cubana.

    Hernandez é responsável pelo projeto Biblioteca Libertária Benjamin Franklin.

    Sua detenção foi cometida na província de Mayabeque sob a acusação de “atentado”, uma alegação comum do governo cubano para encarcerar aqueles que discordam do regime castrista. ”

    Gostaria de convocar os favoráveis ao brutalismo, para realizarmos algo sobre isso para forçar a libertação desses escritores presos.

    Alguém ?

  24. Bichice pura. Típico libertário toddynho. Um verdadeiro cavalo de Tróia para o movimento.

    O Tucker foi bastante criticado na época por conta disso, e merecidamente. Textinho de fundamentalista do politicamente correto que recorre a espantalhos pra tentar afastar gente que ele não gosta do próprio grupo.

    O assunto pouco tem a ver com libertarianismo, mas sim sobre seus gostos pessoais (ou Deus sabe que outros interesses o motivaram a esse comportamento…).

  25. Cara,eu acredito que toda essa divisão entre libertarianismo brutalista ou humanitário tratada nesse texto possui uma semelhança expressiva com a ideia das historias infantis que insistem em dizer que ha sobre seus ombros o monstro e o médico que insistem em focar,ou em visões de escolhas otimistas ou em visões de mundo pessimistas. Acho babaquice até pensar nisso pois quando se trata de libertarianismo,não falamos apenas do adorno,da coisa bonita e futurista sem necessitar da raiz da coisa, tanto que por outro lado a raiz toda não faz o menor sentido se for para ser mirando SOMENTE a parte retrógrada da planta toda.Em resumo,o libertarianismo(na minha concepção e estudo(podem me corrigir se estou enganado)) permite ao humano ser livre,tanto para suas atitudes inteligentes e benéficas quanto para suas atitudes preconceituosas desde que não sejam agressivas.

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