Há pouco menos de um ano decidi estudar a fundo o fenômeno
Bitcoin e suas implicações na sociedade. O ceticismo e a desconfiança inicial logo
deram lugar ao fascínio e à admiração. À época, em uma série de artigos sobre o Bitcoin,
concluí que “o projeto Bitcoin era revolucionário, sem precedentes e tinha o
potencial de mudar o mundo de uma forma jamais vista”. Passados todos esses
meses, posso afirmar sem dúvida alguma que essa conclusão foi reforçada ainda
mais.
Esse período de estudo e investigação sobre o Bitcoin — que
me forçou a entender melhor não somente a nascente moeda digital, ou
criptomoeda, mas também a própria noção de dinheiro — acabou culminando em uma
obra completa, o primeiro livro em língua portuguesa sobre o fenômeno e o mais
novo lançamento do Instituto Mises Brasil. Em Bitcoin — a moeda
na era digital, procurei introduzir e explicar o funcionamento da nova
moeda, além de contar um pouco da história dessa inovação e o contexto de seu
nascimento.
Mas acredito que a contribuição mais original e mais
importante seja a parte densa do livro em que aplico o ferramental teórico da
Escola Austríaca de economia para analisar o Bitcoin. Por fim, dedico a última
parte da obra à ideia de liberdade monetária e de como o Bitcoin se enquadra
nesse ideal.
A verdade é que o Bitcoin é a maior inovação tecnológica
desde a internet, é revolucionário, é sem precedentes e, reitero, realmente tem
o potencial de mudar o mundo de uma forma jamais vista. À moeda, ele é o
futuro. Ao avanço da liberdade
individual, é uma esperança e uma grata novidade.
Acesse aqui
a biblioteca do IMB para baixar o livro gratuitamente. Ou, se preferir, o livro
também pode ser adquirido nas principais
livrarias
do país.
Publicamos abaixo o belo prefácio escrito por Jeffrey
Tucker.
Boa leitura,
Fernando Ulrich
__________________________________________
Bitcoin, a nova moeda
internacional
Por muitos séculos, a moeda de cada país possuía nomes
distintos — dólar, marco, libra, franco — para essencialmente a mesma coisa:
uma commodity, geralmente ouro ou
prata.
Cada moeda nacional era meramente um nome para um
determinado peso de ouro. O dólar, por
exemplo, foi definido como sendo 1/20 de uma onça de ouro, a libra esterlina
como um pouco menos de 1/4 (exatamente 0,2435) de uma onça de ouro, e por aí
vai.
Tais metais — ouro e prata — haviam sido voluntariamente selecionados
pelo mercado em decorrência de suas propriedades únicas que eram particularmente
adequadas à função monetária: durabilidade, divisibilidade, facilidade de
reconhecimento, portabilidade, escassez (dificuldade de ser produzido em
excesso) e uma razão valor/peso que não é nem muito alta e nem muito baixa.
Esse universalismo da moeda serviu muito bem ao mundo porque
promovia o livre-comércio, auxiliava os comerciantes no cálculo econômico, e impunha
um freio sólido e confiável ao poder dos governos. Ela limitava o impulso
nacionalista.
Duas formas de nacionalismo arruinaram o sistema monetário
antigo. Os próprios países descobriram
que o melhor meio para aumentar o próprio poder era pela depreciação do
dinheiro, o que acabava se mostrando menos doloroso e mais opaco do que o
método tradicional de tributar a população. Para escaparem imunes desse
processo, governos promoviam zonas cambiais, protecionismo e controle de
capitais, desta forma removendo um elemento do crescente universalismo do mundo
antigo.
Então, no início do século XX, os governos nacionalizaram a
própria moeda, removendo-a do setor das forças competitivas de mercado. Os bancos centrais foram, nesse sentido, uma forma de socialismo,
mas de uma variedade especial. Os governos
seriam os arbitradores finais no destino do dinheiro, mas a gestão diária da
oferta monetária ficaria à cargo de um cartelizado sistema bancário de reservas
fracionárias, que agora contava com uma garantia de proteção contra falências —
garantida pelos Bancos Centrais e pelos governos, e à custa da população.
Este novo poder de criar moeda foi imediatamente posto em
prática durante a Primeira Guerra Mundial.
Foi a primeira guerra internacional da história que obrigou toda a
população a fazer parte de seu esforço, e que foi financiada por um endividamento
estatal lastreado neste novo e mágico poder dos governos de usar o sistema
bancário para criar receitas por meio da simples criação de dinheiro.
Surgiu uma oposição intelectual a essas políticas nefastas durante
o período entre-guerras. Os economistas austríacos lideraram a batalha em prol da
reforma. A não ser que alguma coisa
fosse feita para desnacionalizar e privatizar o dinheiro, alertaram eles, o
resultado seria uma série infinita de ciclos econômicos, guerras, inflações
catastróficas, e a contínua ascensão do estado leviatã. Suas previsões foram
assustadoramente precisas, mas não são motivo de satisfação, pois foram
impotentes para impedir o inevitável.
No decorrer do século, a maior parte dos bens e serviços melhorou
em qualidade, mas a qualidade da moeda — agora removida das forças de mercado —
apenas piorou. Sob o controle do estado,
o dinheiro tornou-se o catalisador do despotismo.
Durante todas essas décadas, lidar com esse problema foi
algo que intrigou os economistas. A moeda tinha de ser reformada. Mas o governo e os cartéis bancários não tinham
nenhum interesse nessa empreitada. Eles se
beneficiavam desse sistema infausto.
Várias conferências foram realizadas e centenas de livros
foram publicados incitando uma restauração do antigo universalismo do
padrão-ouro. Os governos, porém, ignoraram.
O impasse tornou-se particularmente
intenso depois de os últimos
vestígios do padrão-ouro serem eliminados na década de 1970. Mentes brilhantes tinham prateleiras repletas
de planos de reforma, mas tudo o que tais planos conseguiram foi acumular pó.
Tal era a situação até 2008, quando então Satoshi Nakamoto
tomou a iniciativa incrível de reinventar a moeda na forma de código de
computador. O resultado foi o Bitcoin,
introduzido ao mundo no formato menos promissor possível. Nakamoto lançou-o com
um white paper em um fórum aberto: “Aqui
está uma nova moeda e um sistema de pagamento. Usem se quiserem.”
Para sermos justos, já haviam ocorrido tentativas prévias de
projetar tal sistema, mas todas fracassaram por uma das seguintes razões:
1) eram normalmente propriedade de alguma empresa comercial
e, portanto, já nasciam com os vícios da centralização; ou
2) não superavam o chamado problema do “gasto duplo”.[1]
O Bitcoin, por outro lado, era absolutamente não
reproduzível e construído de tal modo que seu registro histórico de transações possibilitava
que cada unidade monetária fosse conciliada e verificada no decorrer da
evolução da moeda. Ademais, e o que era
essencial, a moeda residia em uma rede de código-fonte aberto, não sendo
propriedade de ninguém em particular, removendo desta maneira o problema de um
ponto único de falha.
Havia outros elementos também: a criptografia, uma rede
distribuída, e um desenvolvimento contínuo tornado possível por meio de
desenvolvedores pagos pelos serviços de verificação de transações por eles
providos.
Dificilmente se passa um dia sem que eu — assim como muitos
outros — não me maravilhe com a formidável genialidade desse sistema; tão
meticuloso, tão aparentemente completo, tão puro. Muitas pessoas, até mesmo economistas da
Escola Austríaca, estavam convencidas da impossibilidade de reinventar o
dinheiro em bases privadas (F. A. Hayek foi a grande exceção, tendo sugerido a ideia ao redor
de 1974). Entretanto, tornou-se um
fato inegável que o Bitcoin existia e obtinha um valor de mercado. Dois anos após ter sido lançado ao mundo, o Bitcoin
atingiu a paridade com o dólar americano — algo imaginado como possível por
muito poucos.
Hoje, reverenciamos o acontecimento. Temos diante de nós uma moeda
internacional emergente, criada inteiramente pelas forças de mercado. O sistema está sendo reformado não porque os
Bancos Centrais o desejem, nem por causa de uma conferência internacional, ou tampouco
porque um grupo de acadêmicos se reuniu e formulou um plano. Ele está sendo
reformado de fora para dentro e de baixo para cima, baseado nos princípios do
empreendedorismo e das trocas de mercado.
É realmente incrível o quanto todo o processo que se
desenrola diante de nosso testemunho se conforma ao modelo delineado pela
teoria da origem do dinheiro de Carl Menger. Há apenas uma diferença, que surpreendeu o
mundo: a base do valor do Bitcoin jaz não no seu uso prévio no escambo,
conforme Menger descreveu, mas sim no seu uso atual como um sistema de
pagamento. Quão privilegiados somos de
testemunhar esse acontecimento no nosso tempo!
E qual é o potencial? O Bitcoin tem todas as melhores
características do melhor dinheiro, sendo escasso, divisível e portátil. No entanto, ele vai além: por ser ao mesmo
tempo “sem peso e sem espaço”, ele representa exatamente o ideal monetário —
ele é incorpóreo. Isso possibilita a
transferência de propriedade a despeito da geografia a um custo virtualmente
nulo e sem depender de um terceiro intermediário, desta forma contornando todo
o sistema bancário, o qual foi completamente subvertido pela intervenção
governamental.
Assim, o Bitcoin não apenas propicia a perspectiva de
restaurar a solidez e o universalismo do padrão-ouro do mundo antigo, como também
tem o poder de aprimorá-lo pelo fato de existir fora do controle direto do
governo. Isto é, repito, digno de
admiração.
Muitos têm alertado que governos não tolerarão que o sistema
monetário seja reformado por um punhado de cyberpunks e seu “dinheiro mágico de
internet”. Certamente haverá
intervenções. Haverá regulações. Haverá taxações. Haverá também tentativas de controlar. Mas olhemos a história recente. Governos tentaram impedir e acabaram por
nacionalizar os correios. Tentaram impedir
o compartilhamento de arquivos. Tentaram
acabar com a pirataria. Tentaram também
suspender a distribuição online de fármacos. Tentaram acabar com o uso, a fabricação e
distribuição online de drogas. Tentaram gerenciar
e controlar o desenvolvimento de softwares por meio de patentes e leis
antitruste. Se tentarem barrar ou até
mesmo controlar uma criptomoeda, não terão êxito. Serão novamente derrotados
pelas forças de mercado.
E aqui está a ironia. A forma mais direta com a qual os governos
podem controlar o Bitcoin é intervindo na conversão entre a moeda digital e as
moedas nacionalizadas. Quanto mais eles
intervêm, mais eles incentivam os indivíduos a adotar o Bitcoin e a permanecer em
seu ecossistema. Todas essas tentativas
poderiam acabar alimentando o mercado. Mas
há outras razões, além dessa consideração, que fazem de uma criptomoeda algo
irreversível: taxas de transações praticamente nulas, segurança, proteção
contra fraude, velocidade, privacidade e muito mais. Bitcoin é simplesmente uma tecnologia
superior.
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Cem anos atrás, o desenvolvimento e o gerenciamento da moeda
foram retirados das forças concorrenciais do mercado e entregues às mãos de políticos
e burocratas. As consequências foram guerra,
instabilidade econômica, perda do poder de compra, furto insidioso da poupança
dos cidadãos, exploração em massa e a explosão do poder e tamanho dos estados
ao redor de todo o mundo. A criptomoeda não
apenas proporciona a perspectiva de reverter essas tendências, como também a de
desempenhar um papel crucial na construção de um novo mundo de liberdade.
O que podemos aprender com a recente história do Bitcoin? Seja honesto: praticamente ninguém pensou que
isso seria possível. Os mercados
provaram o contrário. A lição nos ensina
a sermos humildes, a olharmos para além do nosso quadrado, e a estarmos dispostos
a sermos surpreendidos, deferindo aos resultados da ação humana. E, principalmente, a sempre esperarmos que o
mercado irá entregar muito mais do que jamais imaginamos ser possível.
Por tudo isso é tão importante o livro que você tem agora em mãos. Publicado pelo prestigioso
Instituto Ludwig von Mises Brasil, nesta obra Fernando Ulrich explica o
funcionamento e o potencial do Bitcoin em relação ao futuro da moeda, da
política nacional e da própria liberdade humana.
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[1]
Até a invenção do Bitcoin, em 2008, transações online sempre requereram um
terceiro intermediário de confiança. Por exemplo, se Maria quisesse enviar $100
a João por meio da internet, ela teria que depender de serviços de terceiros
como PayPal ou Mastercard. Intermediários como o PayPal mantêm um registro dos
saldos em conta dos clientes. Quando Maria envia $100 a João, o PayPal debita a
quantia de sua conta, creditando-a na de João. Sem tais intermediários, um
dinheiro digital poderia ser gasto duas vezes.
Imagine que não haja intermediários com registros
históricos, e que o dinheiro digital seja simplesmente um arquivo de
computador, da mesma forma que documentos digitais são arquivos de computador.
Maria poderia enviar a João $100 simplesmente anexando o arquivo de dinheiro em
uma mensagem. Mas assim como ocorre com um e-mail, enviar um arquivo como anexo
não o remove do computador originador da mensagem eletrônica. Maria reteria a
cópia do arquivo após tê-lo enviado anexado à mensagem. Dessa forma, ela
poderia facilmente enviar aos mesmos $100 a Marcos. Em ciência da computação,
isso é conhecido como o problema do “gasto duplo”, e, até o advento
do Bitcoin, essa questão só poderia ser solucionada por meio de um terceiro de
confiança que empregasse um registro histórico de transações.

Parabéns pelo livro, sem dúvida é um tremendo lançamento! Estou comprando a versão impressa.
É um pena que eu só tenha descoberto o site do IMB no final de 2012.
Se eu tivesse descoberto esse site antes e aprendido mais cedo sobre a Escola Austríaca
eu teria percebido há bem mais tempo o gigantesco potencial do Bitcoin.
Daí eu teria investido nele bem antes, já estaria rico e já teria emigrado desse país!
Teria ido para um país com mais liberdade econômica, onde poderia abrir minhas empresas
facilmente, sem o governo no cangote, e teria mais e mais lucro ainda!
Mas tudo bem, eu tenho paciência, vou esperar o Bitcoin valorizar mais.
To the moon!!!
Desejo todo sucesso ao livro!
Devo comprar a edição impressa, para despertar a curiosidade da visitas lá em casa.
Dei uma olhada no índice e vi que o livro não se limita à explicar o Bitcoin, mas ele conta a história sobre o nosso dinheiro sem lastro (papéis coloridos) o que é excelente, pois assim pessoas meramente curiosas sobre o Bitcoin irão aprender sobre como elas são roubadas diariamente cada vez que o Banco Central cria mais e mais dinheiro do NADA.
Mal eu vi o título do artigo, cliquei em cima do link e já fiz a minha encomenda!
Chegou tarde o livro.. infelizmente o bitcoin tá morrendo.
Fascinante. O livro estará disponível na amazon.com.br ? Prefiro baixar no meu ipad.
Esse livro vai cortar fila na minha lista de leituras. Tenho duas dúzias de livros comprados que ainda não li, mas esse vai para o começo da fila. Lerei com prazer.
Obrigado.
Quero deixar bem claro que sou a favor da liberdade e contra tudo que o Estado representa: totalitarismo, hegemonia, monopólio, oligopólio, corrupção, vaidade, ganância, inveja, poder político, etc.
Agora, acreditar nesta fantasia criada por infantes da era da internet, é muita ingenuidade.
Como toda ‘pirâmide’ ou golpe, ela precisa de 2 lados: de um lado a ganância (querer ganhar dinheiro de forma fácil e sem esforço intelectual ou físico) e de outro a má-fé.
Trabalhar, trabalhar, trabalhar… é o hobby do libertário de sucesso.
Artimanhas eletrônicas e ilusionismo fazem parte do dia-a-dia de jogadores que em nada melhoram este planeta.
Prezados,
e a recente naufragada do bitcoin?
Como se explica? Foi uma bolha?
Grato pela atenção
Décio.
em um livre mercado o Bitcoin vira pó,qualquer moeda que tiver um lastro mais útil que bits vai dominar
achar que o bitcoin vai fazer frente ao dolar,por ex,é de uma ingenuidade digna de libertários
Este meio de troca eletrônico é realmente descentralizado, livre e seguro? Tenho minhas duvidas, pois a China, por exemplo, possui “fabricas de bitcoins” que são salas enormes com inúmeros e poderosos computadores que trabalham 24h por dia produzindo uma imensa quantidade dessa limitada moeda, e uma vez bitcoins sendo adquiridos através de compras e de mineração ele não pode ser objeto de controle e especulação pelo RPC? E mais, MtGox é mais um indicativo da fragilidade eletrônica dos bitcoins, tendo em vista as cada vez mais sofisticadas unidades de guerra cibernéticas de alguns países e os poderosos hackers a integridade das carteiras poderiam estar seriamente ameaçadas?
Pelos motivos que elenquei acima e outros mais, muitos investidores e cidadãos comuns como eu tem fugindo dessa moeda, a até que me provem ao contrário compartilharei da opinião do Oraculo de Omaha.
” Não coloque seu dinheiro em bitcoins para o longo prazo. Isto não é uma moeda. Ela não reage aos eventos como uma moeda. Este não é um meio durável de troca. ELE TEM SIDO UM MEIO ESPECULATIVO – MUITO ESPECULATIVO -onde as pessoas compram e vendem esses ativos na esperança de vê-los subindo ou caindo assim como ocorreu com a bolha das tulipas.” – Warren Buffett
Falam dessas “fabricas” de bitcoins, mas se esquecem das “fabricas” de moeda de “papel” dos bancos centrais.
E se bitcoin é piramide, dolar, real, euro, ouro, prata, ações são tb piramides.
Leitura obrigatória!
Ainda não comprei o livro, talvez ele responda minhas indagações sobre o bitcoin.
Mesmo assim vou postar aqui.
Sempre tive uma dúvida sobre a questão da inflação monetária, acho que os colegas economistas que aqui habitam poderiam me ajudar.
Muitos dizem que o bitcoin é ótimo por que não dá pra um governo ou banco central inflacionar a moeda por meio de aumento da oferta monetária.
Entretanto, a taxa de criação de novos bitcoins e conhecida e praticamente constante, algo parecido como era no padrão ouro, aproximadamente 1 – 2% para o crescimento da mineração mundial de ouro por ano.
Mesmo assim o bictoin não seria extremamente inflacionário pelo lado da demanda, como a taxa de oferta monetária do bitcoin é decrescente, e a demanda por ele tende a ser crescente, ou a taxa de oferta não está “calibrada” pra demanda real pela moeda, assim sendo, portanto, altamente inflacionário, para quem deseja comprar a moeda depois de muito tempo estabelecida.
A moeda fiduciária inflacionada perde o valor com o tempo, portanto “empobrece” quem as têm. Já o bitcoin não empobreceria quem está querendo obter o a moeda mais tarde? Ou seja, precisará transferir muitos recursos agora para a mesma quantidade monetária.
Outra questão é o spread e volatilidade. Muita gente advoga a moeda para trocas de bens e serviços, como uma moeda altamente volátil contribuiria para o crescimento econômico?
Esse fator mais atrapalha que ajuda, se você é um vendedor, como você vai precificar o seu bem diretamente em bitcoin com um valor que varia muito em pouco tempo?
Isto insere uma componente de incerteza muito grande no momento da troca, ou você acha que é muito bom para o crescimento econômico pagar hoje por uma pizza em bitcoins o que em pouco tempo compraria duas? Isto afeta a absurdamente a preferência intertemporal dos compradores e vendedores no mercado, e acaba atrapalhando muito na decisão de comprar ou não, hoje ou amanha. Realmente, apesar da proposta de banco central pra manter a estabilidade da moeda ser bullshit, os banqueiros centrais acabam sendo capturados por interesses políticos, não consigo ainda conceber um cenário de crescimento econômico, mercado aquecido, muitos negócios sendo feitos, se em uma troca voluntária as duas partes saem ganhando, como uma sociedade vai enriquecer com uma moeda que mais atrapalha que ajuda na hora de precificar os bens.
Essas são algumas indagações sobre o bitcoin que me acompanham desde que conheci a moeda.
O bitcoin é vulnerável a futuros computadores quanticos?
Um dúvida que eu tenho em relação ao Bitcoin é a seguinte: a EA reforça a importância de dinheiro que tenha lastro em alguma coisa, certo? Qual é o lastro do Bitcoin?
Alegoria do Bitcoin:
E se todos os governos do mundo, com a desculpa de economizarem recursos naturais, abolissem
a impressão de cédulas e a cunhagem de moedas.
Daí cada país cria um servidor central que diz quanto dinheiro cada pessoa/empresa tem.
Como se fosse uma “conta bancária”, mas que apenas representa o “antigo dinheiro físico”.
Quando você “sacasse” seu dinheiro do banco nesse novo sistema ele apenas seria transferido
para a sua conta governamental, que representa “dinheiro vivo”.
E todo mundo teria que inicialmente levar suas cédulas e moedas para serem convertidas nesse
dinheiro virtual, que seria exatamente equivalente ao dinheiro real, equivalência de 1 para 1.
Faça de conta que a internet já é onipresente.
Faça de conta que cada pessoa tem um cartão e uma senha para acessar o dinheiro “vivo” dela.
Faça de conta que os governos não iriam roubar todo o dinheiro com um clique, pois tem leis proibindo isso.
Enfim, faça de conta que as dificuldades tecnológicas, éticas, politicas, etc… foram contornadas,
o que importa é que todo o dinheiro foi virtualizado.
Pronto.
Isso seria dinheiro?
Se você concorda que sim…
Então o Bitcoin pode se tornar dinheiro.
Eu disse que “pode”, não disse que “será com certeza”. E caso acontecesse, teria muitas vantagens sobre esse modelo hipotético.
Se você acha que não…
Então explique porque esse sistema hipotético de dinheiro virtual governamental centralizado não seria: “dinheiro”.
Caraca,
Essa eu não conhecia: o site coinmap.org/ contém a localização dos negócios e pessoas que aceitam bitcoins (pelo menos aquelas que se predispuseram a se cadastrar no site, o que deve ser uma fração do total). Deem uma olhada na Argentina: tem mais de 100 cadastradas. O que um governo inflacionista não faz eih?! O peso (*ironia on*) tá valendo tanto (*ironia off*) que os argentinos já começaram a aceitar mesmo (isso em comparação com o Brasil, claro) o bitcoin, mesmo este não sendo mais que um experimento ainda.
Interessante notar que os países mais livres também são os que mais apresentam aceitadores da moeda: Holanda: 103, Alemanha: 178, Suíça: 183, Só NY: 85. Triste nota para Hong Kong: apenas 13, mas aí tem a questão da perseguição do governo chinês e, creio, não cai bem as empresas virem no site se entregar assim.
Segundo a BTC news há o registro de 40 a 50 novos lugares por dia. Hoje, tem 3396.
Claro esses números são pífios em relação ao total de estabelecimentos comerciais, mas não deixam de ser bem interessantes…
Bitcoin é um estelionato financeiro fadado ao fracasso.Além de ser instável financeiramente, é um prato cheio para Hackers.
J.P. Morgan: “Gold is Money. Everything Else is Credit.”
Se eu tivesse que escolher entre transformar todos os meus R$ em bitcoin ou ouro e prata não preciso pensar muito, mas quem bota fé em bitcoin vai fundo…
É fascinante pensar nas mudanças que poderão ocorrer!
* * *
Olá Eduardo,
Mas essa é exatamente a questão em ponto: o Brasil é melhor
exemplo. As moedas eram para ser atreladas ao ouro (teriam sido
concebidas assim), entretanto, nunca o foram, nem na origem. Sempre
que foram criadas, no caso do real imperial, por Portugal e depois o
Cruzeiro já no Brasil, não havia esse atrelamento: não se podia
redimir a cédulas e moedas metálicas no metal, simples assim, ou seja,
não tinham valor real nenhum. E, ainda assim, o governo obrigava a
todos a aceitar tais cédulas como dinheiro.
Acho que esse parágrafo é suficiente pra esclarecer o ponto de
dúvida. O que acontece com as fiats é que, na sua criação, o governo
se baseia no preço de:
A – Um bem com valor não monetário existente.
B – Uma outra moeda (fiat ou não).
Isso determina o preço inicial da moeda, e é esse o ponto do
teorema da regressão. A adoção dessa moeda passa a ser garantida a
ferro e fogo, instanciado no caso pelo governo obrigando as pessoas a
usarem a fiat em questão para o pagamento de impostos.
Compreende seu erro? Você está achando que é necessário o atrelamento
por algum período que seja. Não é esse o ponto. O ponto é que
sempre a moeda fiat cai no caso A ou B descritos acima. Isso
não é acidental.
Abraços.
Muito, mas muito obrigado pode compartilhar este livro.
Minha primeira constatação ao ler um pouco do livro:
Possível problema: Liquidez
Diante da possibilidade desta “moeda” ameaçar outras empresas de meios de pagamentos e inclusive governos, poderia haver uma ação conjunta por parte dos possíveis prejudicados em tirar a liquidez do BC, ou seja, efetuar uma grande e constante compra dos BC mantendo-os fora de circulação, não seria esse o maior risco aos usuários? (digo USUÁRIOS e não especuladores).
O que o Bitcoin esconde, é que a insegurança das carteiras (wallets) são premeditadas para facilitar o roubo da parte dos mais experientes. Se fosse realmente o que diz ser, haveria segurança da mesma forma que há nos sites bancários. São tão inteligentes para tanta coisa relacionada ao Bitcoin mas incentivam a invasão das wallets? me poupem! tem coisa muito errada aí.
Meu Deus….qdo penso que entendo um pouco de qquer coisa, vejo que não sei é nada..
Mto. confuso BC…
Teria que ter uma explicação quase infantil para pessoas mais leigas.
No pouco que (acho ter entendido)penso ter ousado a entender,ficará bem fácil a lavagem do dinheiro, e tb o acesso do BC nos presídios será intenso..estou errada?
Para sanar todas as dúvidas:
Bitcoin – Perguntas e Respostas com Fernando Ulrich
Fernando Ulrich estará respondendo a perguntas sobre Bitcoin, Economia e sobre seu novo livro Bitcoin – A Moeda na Era Digital
As respostas serão respondidas ao vivo a partir das 20h de domingo. As perguntas, no entanto, já podem ser postadas no sábado à noite quando o link será aberto ao público.
Mais detalhes:
http://www.mises.org.br/Event.aspx?id=75
Peço de antemão que perdoem meu linguajar ácido, mas… PUTA QUE PARIU ERA SÓ O QUE FALTAVA!
Tem Bitcoins? Você precisa declará-los no imposto de renda
Vocês viram que agora dá pra emprestar dinheiro em bitcoin? É o fim dos bancos?
blogs.estadao.com.br/link/brasileiro-cria-no-vale-do-silicio-sistema-de-emprestimo-de-bitcoins.
Pessoal, o que me dizem sobre ter que declarar bitcoins pra receita.
O governo foderal quer por a mão em tudo.
Será que tem alguma maneira de escapar do leão?
Cartão de crédito internacional em corretoras estrangeiras?
Trecho da entrevista de Elizabeth Ploshay, membro do conselho diretor da Bitcoin Foundation, ao jornal Zero Hora, sexta-feira, 9 de maio de 2014, jornalista Erik Farina:
– Pergunta: Alguns países falam em limitar o uso de bitcoins ou criar regulação, com a preocupação de evitar lavagem de dinheiro ou transações ilegais.
– Resposta: Na verdade, é mais difícil fazer operações ilegais com bitcoins porque todas as transferências são gravadas, e se sabe quem fez transferência e do quê, é menos anônimo do que em dinheiro. Mas acredito que uma regulação das operações seja positiva para dar mais clareza ao uso de bitcoins.
Gostaria de saber se existe ou existirá uma versão em Inglês.
Só para dar uma atualizada:
O “valor” do bitcoin, em termos de reais está por volta de R$1460,00 já há algumas semanas (com picos de R$1.500,00 e vales que R$1.420,00). Mostra uma resiliência e tanto, porque estes últimos meses foram, sem dúvida, de muitos percalços e artimanhas governamentais contra o bitcoin.
O primeiro percalço foi a associação do bitcoin com a lavagem de dinheiro e venda de entorpecentes, o que foi propalado pela imprensa com a prisão do chefão e o fechamento do Silk Road (detalhe, ele foi pego através dos serviços de internet que são normalmente monitorados pelo estado, como o google+, e não por causa das bitcoins).
Depois veio a queda do MtGox. O maior site de troca de bitcoins por moeda fiduciária fechou as portas e mostrou que realizava um operação fraudulenta a seus clientes. Bem como o IMB mostra, em um ambiente de livre mercado, os fraudulentos podem até ganhar muito dinheiro, mas não duram muito. Uma hora vem a conta! Exatamente o que aconteceu com o MtGox. Muita gente perdeu dinheiro e, por isso mesmo, as instituições, como um todo, estão se fortalecendo e as empresas estão mais preocupadas com segurança e em mostrar uma imagem de integridade e confiança. Exatamente como previsto na teoria.
A outra pancada veio da China que proibiu os bancos de lá de operarem contas em yuans de operadores de bitcoins (já que não dá pra proibir que os chineses possuam carteiras em bitcoins – que seria algo basicamente irrastreável, dá para evitar a troca de yans por bitcoins e vice-versa).
Por fim os norte-americanos definiram que o bitcoin é uma mercadoria e, portanto, será tributado como mercadoria.
Depois de tudo isso, houve uma queda acentuada, seguida de uma leve recuperação e agora há uma espécie de linha de sustentação no patamar de R$1.460,00. Só a existência dessa linha de sustentação já dá um outro ânimo a investidores e especuladores em todo mundo.
Só para deixar registrado aqui nos comentários…
Agora a Dell aceita Bitcoin:
en.community.dell.com/dell-blogs/direct2dell/b/direct2dell/archive/2014/07/18/we-re-now-accepting-bitcoin-on-dell-com.aspx
Dell.com/bitcoin
‘ninguém compra pizza com uma coisa que sobe de dois pra dois mil dólares em um ano’
até agora não ví um argumento pra isso
My apologies for not knowing your lovely language.
I have another article about bitcoin as transportation of money here:
smilingdavesblog.wordpress.com/2014/12/30/bitcoin-as-a-transporter-of-money/
It is a supplement to the article already quoted here, this one:
smilingdavesblog.wordpress.com/2014/02/17/bitcoin-as-postage-stamp/
General info about bitcoin here:
smilingdavesblog.wordpress.com/2012/08/03/bitcoin-all-in-one-place/
Pra quem quer entender rapidamente o que é o bitcoin:
Bitcoin afunda cada vez mais, de $1200 pra $170, os otários que acreditaram nisso perdem cada vez mais dinheiro e Peter Schiff was right…again…
De lá mesmo:
Bitcoin has died 39 times
E contando… 😀
Olá,
Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o BitGold. https://www.bitgold.com/
Abraços,
Criador do Silk Road sentenciado com prisão perpétua
"Silk Road's birth and presence asserted that its…creator was better than the laws of this country. This is deeply troubling, terribly misguided, and very dangerous."
http://www.wired.com/2015/05/silk-road-creator-ross-ulbricht-sentenced-life-prison/
“Nova moeda virtual abala otimismo sobre fim do sigilo bancário“, por Ronaldo Lemos.