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O manual de estratégia da Venezuela: o Manifesto Comunista

A
turbulência econômica que fustiga a Venezuela tem recebido crescente
atenção da mídia internacional ao longo dos últimos meses. 

Em
setembro, a contínua
escassez de papel higiênico
 (que ocorreu após a escassez de alimentos
e de apagões no setor elétrico) levou o governo a ocupar
uma fábrica de papel higiênico
, com o uso maciço de força militar, com o
intuito de garantir uma “distribuição justa” dos estoques
disponíveis.  Parece cômico, mas é imensamente trágico.

Ação
semelhante ocorreu em novembro contra uma
rede varejista de eletrônicos
: após o presidente Nicolás Maduro acusar os fabricantes
de manipulação de preços, ele ordenou que o exército ocupasse
as lojas
e confiscasse todos os bens com o intuito
de vendê-los a “um preço justo”.  Ato contínuo, Maduro mandou prender os
comerciantes e ainda enviou o alerta de que “este é apenas o início de
tudo o que farei para proteger o povo venezuelano”. 

Maduro
asseverou que o governo iria, dali em diante, supervisionar todas as redes
varejistas do país para se assegurar de que os preços fossem significativamente
reduzidos.  Também ordenou que todos os
estoques das lojas deveriam ser liquidados. 
Em um discurso televisionado, ele mandou
a mensagem
: “Não deixem que nada permaneça nas prateleiras”.

Também
no início de novembro, imediatamente após ter criado o Ministério
da Suprema Felicidade Social
— em mais uma tentativa de garantir a
“felicidade para todas as pessoas” –, Maduro anunciou que iria adiantar
o natal
para o mês de novembro.  O
intuito era “trazer felicidade para o povo e combater a amargura”.  Ato contínuo, o presidente começou a
distribuir benesses
natalinas
, já pensando nas eleições municipais de dezembro. 

Mas
este populismo não era apenas uma questão de estratégia política.  A taxa
de inflação de preços na Venezuela, como será demonstrado mais abaixo, já
está nos três dígitos.  Em um cenário assim, os salários precisam ser
distribuídos de forma rápida, antes que os preços subam ainda mais; daí a
“antecipação” dos bônus natalinos.  Esse
tipo de política não tem absolutamente nada de novo na história econômica do
mundo: o atual episódio hiperinflacionário da Venezuela está se
desenrolando de uma maneira muito semelhante ao da Alemanha da década de 1920.

A
espiral decadente da economia venezuelana começou de fato quando Hugo Chávez decidiu
impor seu “socialismo moreno” ao país, uma excentricidade que, à
época, chegou a ser relativamente bem recebida por vários setores da grande
mídia.  Durante anos, a Venezuela manteve
um volumoso programa de gastos sociais combinado com controles de preços e
salários e com um mercado de trabalho extremamente rígido, além de manter, como
política externa, uma agressiva estratégia de ajuda internacional voltada
majoritariamente para Cuba.  Todo este insano castelo de cartas conseguiu
se manter solvente por um bom tempo unicamente por causa das receitas do petróleo.

Mas
à medida que os custos deste populismo foram crescendo, o país teve de recorrer
com cada vez mais frequência aos cofres da estatal petrolífera PDVSA e à
impressora do dinheiro do Banco Central da Venezuela.  Isso resultou em um declínio contínuo do
valor do bolívar — um declínio que se acelerou ainda mais após começarem a
surgir notícias sobre o crítico estado de saúde de Hugo Chávez.

A
morte de Chávez, no dia 5 de março de 2013, gerou um abalo sísmico em toda a
economia venezuelana.  De maneira nada
surpreendente, desde que seu sucessor Maduro assumiu o controle do país, o
castelo de cartas venezuelano começou a desmoronar.  A taxa de câmbio do bolívar no mercado
paralelo ilustra bem essa história.  Desde a morte de Chávez, o bolívar já
perdeu 64,5% de seu valor em relação ao dólar no mercado paralelo, como mostra
o gráfico abaixo.

globe-jan2014-1.jpg

Gráfico
1: taxa de câmbio bolívar/dólar no mercado paralelo (linha azul) versus taxa de
câmbio oficial declarada pelo governo (linha vermelha)

Essa
súbita desvalorização do bolívar, por sua vez, gerou uma alta inflação de preços
na Venezuela.  Para economias altamente
estatizadas, a desvalorização de uma moeda no mercado paralelo é o mensurador
que melhor estima o real valor dessa moeda. 
Com este mensurador, é possível inferir que a inflação de preços
“reprimida” na Venezuela está atualmente nos três dígitos, alcançando
o estonteante valor anual de 297%, como mostra o gráfico abaixo.

globe-jan2014-2.jpg

Gráfico
2: inflação de preços oficial (linha vermelha) versus inflação de preços
implícita (linha azul) acumuladas em 12 meses.

Esta taxa de 297% é cinco vezes maior do que
a taxa oficial de inflação de preços, de 54%, que é divulgada pelo governo
venezuelano e repetida pela imprensa internacional.

Com efeito, leio no Financial Times
este valor de “54%” e me pergunto: “Como eles acreditam nisso”?  Mas a resposta é cristalina: os censores
venezuelanos são muito eficazes.  Talvez
não tanto quanto os censores chineses, mas ainda assim eficazes.  Os jornalistas lotados em Caracas com os
quais converso frequentemente me dizem que as agências de notícias já fazem
voluntariamente todo o trabalho de auto-censura em prol do governo, pois querem
evitar que seus jornalistas em Caracas sejam expulsos do país.

O
governo reagiu exatamente como todos os governos populistas reagem aos aumentos
de preços causados por suas próprias políticas: impondo controle de preços cada
vez mais rígidos.  O problema é que, ao menos na Venezuela, tais políticas
não são novidade nenhuma.  Há anos o
governo controla os preços de vários bens. 
Por exemplo, o preço do galão da gasolina prêmio está congelado em
US$0,058, o que faz com que um galão de gasolina seja mais barato que um galão
de água potável em Caracas.

Embora
esta política de congelamentos aparentemente mantenha sob controle os preços no mercado oficial, ela inevitavelmente
— como Ludwig von Mises
já explicou há várias décadas
— leva ao desabastecimento e gera
prateleiras vazias.  De fato, como mostra
o gráfico abaixo, do próprio Banco Central da Venezuela, aproximadamente 22,4%
de todos os bens existentes no mercado simplesmente não mais estão disponíveis
nas lojas e nos supermercados da Venezuela. 
Esse índice parece um remix
daquela clássica música de Paul McCartney: “Back in the USSR“.

globe-jan2014-3.jpg

Gráfico 3: Índice
de escassez de bens nas lojas e supermercados

Além
da escassez, controles de preços podem levar a consequências políticas não
imaginadas.  Uma vez que os controles de preços são implementados, é muito
difícil revogá-los sem que isso gere inquietação popular — veja os distúrbios
que ocorreram em 1989
 na Venezuela, quando o presidente Carlos Perez
tentou abolir o congelamento de preços.

Recentemente,
em uma reação estouvada às aflições econômicas do país, Maduro exigiu — e
conseguiu — que o Congresso lhe concedesse poderes
emergenciais e ditatoriais
 sobre toda a economia.  Sua primeira
medida foi estipular um limite
nos lucros das empresas
.  Essa, no
entanto, é apenas uma tática para gerar distração, pois a própria inflação de
preços corrói os lucros e dilui a taxa de retorno dos investimentos. 

Maduro
também lançou um feroz ataque à indústria automotiva, assinando um decreto para
regular
a produção e os preços de automóveis
“da porta da fábrica até os pontos de
revenda”.  Como consequência, o governo
começou a controlar os preços dos carros e a ameaçar de prisão todos aqueles
que ousarem vender automóveis aos seus preços de mercado.  Será interessante ver quem Maduro irá culpar
quando esta medida resultar em escassez de novos carros.

Essa
escolha entre preço “justo” e encarceramento é agora a norma para os
empreendedores da Venezuela.  O episódio
mais ultrajante continua sendo aquele ocorrido no início de novembro — e
relatado no início do artigo –, quando as forças de segurança do governo
ocuparam lojas de eletrônicos e começaram a distribuir televisões e outros
eletroeletrônicos a um preço “justo” (leia-se “preços mínimos”).  Herbert Garcia, chefe do Alto Comissariado para
a Defesa Popular da Economia, disse
bem claramente
: “Temos de garantir que todas as pessoas tenham uma TV de
plasma e uma geladeira de última geração”.

image.jpgComo
era de se esperar, as massas se aglomeraram ao redor das lojas para garantir
sua fatia da pilhagem.  O único problema
é que o governo não foi capaz de fazer com que sua rede estatal de energia
elétrica fornecesse eletricidade o suficiente para alimentar os produtos
eletroeletrônicos espoliados, e os constantes
e volumosos apagões
não estão deixando os espoliadores usufruírem os
produtos de seus saques.

Na
maioria dos países, isso seria chamado de roubo estatal.  Porém, no reino marxista de Maduro, essa
redistribuição passou a ser apenas uma rotina normal.

Não
obstante as frequentes referências à “revolução bolivariana” de Hugo Chávez, a
verdade é que manual estratégico utilizado por Maduro nada mais é do que uma
requentada dos 10 pontos da plataforma de Marx e Engels, delineada no Manifesto Comunista.  O Manifesto
é um roteiro cristalino que esquematiza as etapas a serem seguidas pelos
defensores do comunismo.  Tão logo se
entende os dez pontos do Manifesto,
torna-se claro que as ideias de Maduro (bem como a de outros políticos ao redor
do mundo) não têm nada de original.

1. Expropriação da propriedade fundiária e emprego das
rendas fundiárias para despesas do Estado.

2. Imposto fortemente progressivo.

3. Abolição do direito de herança.

4. Confisco da propriedade de todos os emigrantes e rebeldes.

5. Centralização do crédito nas mãos do Estado, através de um banco nacional
com capital de Estado e monopólio exclusivo.

6. Centralização, nas mãos do Estado, de todos os meios de transporte.

7. Multiplicação das fábricas e dos instrumentos de produção pertencentes ao
Estado; arroteamento das terras incultas e melhoramento das terras cultivadas,
tudo de acordo com um plano geral.

8. Trabalho obrigatório para todos, organização de exércitos industriais, em
especial para a agricultura.

9. Unificação do trabalho agrícola e industrial, atuação com vista à eliminação
gradual da diferença entre cidade e campo.

10. Educação pública e gratuita de todas as crianças. Eliminação do trabalho
das crianças nas fábricas na sua forma hodierna. Unificação da educação com a
produção material etc.

Os
resultados destas políticas baseadas no Manifesto são claras.  O Banco Mundial classificou a Venezuela na
funesta 181ª posição, entre 189 países, no ranking “Doing Business” (que mensura a
facilidade de se empreender) de 2014. 
Isso coloca a Venezuela bem atrás
de países destroçados por guerras, como Síria, Iraque e Afeganistão.

Embora
Maduro goste de pensar em si próprio como um Robin Hood moderno, ele está mais
para Edward John Smith, capitão do Titanic. 
Dito isso, a miséria econômica criada pela adesão ao Manifesto Comunista
pode demorar um longo tempo para afundar um navio (pense na URSS).

Se
você duvida, apenas pense no apoio popular que vem continuamente sendo dado ao
governo Maduro.  Na primeira semana de
dezembro, houve eleições para 337 prefeituras no país, e o partido socialista
de Maduro (PSUV) aniquilou a oposição. 
Maduro emergiu vitorioso das eleições declarando
que “sua econômica ofensiva” contra as empresas privadas continuaria e que
“Vamos sair atirando em todo mundo, então se cuidem”.

Lamentavelmente,
mesmo com uma inflação de preços em três dígitos, Maduro ainda pode perdurar
muito tempo no poder.  Afinal, Slobodan
Milosevic também adotou o Manifesto
na Iugoslávia, e isso resultou na maior hiperinflação da
história
— a qual chegou a 313.000.000% em janeiro de 1994.  E Milosevic permaneceu no poder até o ano
2000.  Depois, houve o Zimbábue de Robert
Mugabe.  Ele está no poder há 33 anos,
mesmo com sua adesão ao esquema do Manifesto
tendo gerado a segunda maior hiperinflação do mundo — a qual chegou a 98% ao dia, em novembro de 2008.

Portanto,
não tenha grandes expectativas quanto a uma possível insurreição na Venezuela
por causa de uma alta inflação de preços ou de uma grande angústia
econômica.  A menos que o barril do
petróleo caia para US$50, o Titanic chamado Venezuela ainda pode permanecer
flutuando por mais tempo do que se possa imaginar — antes de ele
inevitavelmente naufragar.

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56 comentários em “O manual de estratégia da Venezuela: o Manifesto Comunista”

  1. @Andre 20/12/2013 14:43:26

    Não sei… Eu sou tão cético quanto o autor do artigo. De fato a URSS e a Iugoslávia do Milosevic demoraram a cair e o Mugabe continua no poder.

    Acho que a cegueira voluntária do povo anestesiado pelo populismo sempre pode ir mais longe.

  2. Marx contra a logica perversa do capitalismo

    “Ministério da Suprema Felicidade Social”.
    Esta é a razão pela qual a chama do socialismo ainda s mantém viva em todos os corações de boa vontade. Que orgulho!
    Maduro é um exemplo a todos os socialistas deste mundo, de como se deve domar o cão selvagem do capitalismo e adestrá-lo em pro do bem estar de uma nação mais justa.

  3. As vezes eu fico pensando como a situação na Venezuela consegue refletir com exatidão o cotidiano brasileiro.

    Novos impostos (ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/nordeste/noticia/2013/12/12/ceara-aprova-imposto-por-obras-de-melhoria-na-capital-459921.php), aumento dos já existentes (noticias.br.msn.com/brasil/haddad-reafirma-que-aumento-do-iptu-garante-mais-recursos-para-educa%c3%a7%c3%a3o-e-sa%c3%bade), gastos com shows (www1.folha.uol.com.br/poder/1138114-ceara-paga-r-3-mi-por-show-de-tenor-em-evento.shtml), etc.

    Tenho plena certeza que em alguns dias/meses dirão que a quebra da economia é culpa do “capitalismo selvagem autodestrutivo”, como sempre fizeram.

  4. A conclusão a que chega o autor – de que um regime assim pode demorar a cair – é extremamente desalentadora. Digo isso porque a situação venezuelana parece o Brasil daqui uns 10-15 anos, caso as coisas continuem no rumo que estão.

    Exatamente como o Olavo disse no seu podcast aqui no IMB, “depois que eles se instalam no poder, é quase impossível eles saírem de lá. O máximo que eles farão é dar pequenas concessões ao mercado, para manterem seu dinheiro”. Vide China e agora Cuba.

    A China é o caso mais emblemático. Mesmo com todas as melhorias que a adoção de mais liberdade econômica trouxe, as pessoas continuam sem liberdade em suas vidas. A censura e a prisão política vigoram a todo vapor. Talvez o diagnóstico de Mises, de que “liberdade econômica sempre vem acompanhada de liberdade individual (que eu chamo de liberdade política)” não devesse ser entendido literalmente.

    É uma pena que os regimes socialistas sobreviventes estão aí graças à ajuda de algum país mais “capitalista” ou graças à adoção do “corporativismo”. É o caso em que o próprio capitalismo acaba sustentando uma bestialidade moral que é qualquer governo socialista.

    Mencionaram a possibilidade de um levante do povo. Mas meu amigo, revoluções ou levantes não acontecem assim, por pura insatisfação. Sem uma força política dando sustentação, o máximo que uma revolta conseguirá é o recrudescimento do regime após a neutralização dos rebeldes. Até os socialistas sabem (e sabem muito bem) disso: primeiro a criação de um ambiente político, social e cultural favorável. Depois o controle do país.

    Por isso que não vemos quase nenhum caso de levante que conseguiu derrubar um regime socialista. Berlim Oriental não foi um levante. URSS desmontou sozinha, desde a sua cúpula política. O Leste Europeu foi na esteira do enfrequecimento soviético. Cuba e Coréia do Norte dependem de vizinhos.

    O socialismo, diferente das antigas monarquias tirânicas, usurpa não apenas o poder político, mas sobretudo a consciência (a mente) dos indivíuos. Chega um ponto que você acredita nas premissas socialistas e passa a negar a realidade (a escassez, o terrorismo estatal, etc).

    Talvez por tudo isso um certo ramo dos liberais (e especialmente dos conservadores) dê prioridade máxima ao combate contra o socialismo. Uma vez no poder, dificilmente sairá de lá.

  5. O mais engraçado são os defensores fanáticos do Chavismo acreditando na conversa fiada de que esta havendo uma guerra econômica incentivada pelos capitalistas. Não percebem que quem coloca o exercito nas lojas é o pateta do Maduro. Isso é de fato “fazer guerra”. Não percebem também que quem controla os preços por la não e o mercado.
    Outro kaô sem vergonha desse povo é falar que a mídia esta inventando estes fatos. Como a mídia atual não se encaixa muito na ideologia marxista, eles ficam afetados. Sempre interpretaram a mídia e a propaganda de mercado como algo que deva fazer proselitismo ideológico. Estes chorões marxistas são esquizofrênicos, pois eles veem na propaganda tudo o que ela não é, menos o simples fato de que propaganda de mercado só tem a função de vender um produto através da persuasão. Sinceramente, quem se sente manipulado pela mídia esta precisando voltar para o jardim de infância. Prefiro uma mídia carola global do que uma tv estatal coerciva e corrupta, genuinamente manipuladora. Daqui a pouco vão pedir “bolsa-manipulação”, para quem se sentir afetado com a manipulação midiática. É de fuder viu.

  6. Infelizmente(para o povo venezuelano) a esquerda destruiu a Venezuela PARA SEMPRE e com a ajuda do próprio e idiota povo. Que sirva de lição para os tolos que acreditam na prostituta vermelha. Morram, cretinos!

  7. Assim como a versão em inglês do site…penso que já está na hora da equipe do mises desenvolver uma versão em español para facilitar aos nossos vizinhos a descoberta da economia austríaca. O acesso à informação é uma ferramenta bem eficaz!
    Bom final de ano à todos…abraço à toda a equipe…agradeço por todos os artigos que acompanhei ao longo deste ano e por todo o conhecimento adquirido! Obrigado ao Leandro pela sua análise econômica à lá fin de an au brésilien!

  8. Quando li Ministério da Suprema Felicidade Social, imediatamente lembrei daquela música de Chico Buarque que ele diz que se fosse rei obrigaria as pessoas a serem felizes. Não é à toa que o infeliz é socialista.

  9. Eu percebo que muitas pessoas simplemente não conseguem entender como controle de preços gera escassez. Acho que falta algo mais didático, explicando mais em detalhes como funciona e como é uma estupidez culpar comerciantes e produtores.
    Sei que parece bobo dizer isso aqui num site cheio de economistas, mas acho que deveríamos achar uma resposta clara e convincente ao digitar “como o controle de preços gera escassez” no Google. Seria muito bom digitar isso e o primeiro link ser um texto do Mises, atrairia mais alguns leigos em busca de respostas.
    Espero que seja útil minha humilde sugestão.
    Abraços.

  10. Como um governo populista destruiu um país

    CÓRDOBA, ARGENTINA – “Eu me armei. Tenho muitas armas – escopetas, espingardas, pistolas e revólveres”, afirmou o comerciante de Córdoba Rubén López, de 50 anos, ao Estado, em meio aos escombros completamente queimados da loja que por 22 anos garantiu seu sustento, na Avenida Tenente-General Donato Álvarez, em Arguellos, no norte da capital cordobesa.

    Os saques na via – uma das mais prejudicadas da cidade – começaram pouco depois das 23 horas do dia 3, de acordo com o relato de vários comerciantes da região que tiveram suas mercadorias roubadas durante a onda de ataques que atingiu quase 2 mil estabelecimentos comerciais de 17 das 24 províncias argentinas, além de centenas de residências, e deixou ao menos 16 mortos em todo o país.

    Em meio à tensão da semana passada, durante a qual os grupos de saqueadores ameaçaram reeditar as cenas de terror do começo do mês, a loja de materiais de construção e ferramentas elétricas de López continuava a cheirar queimado. Ela foi incendiada pelos assaltantes depois de toda a mercadoria ter sido roubada.

    Como muitos lojistas da região, o argentino tirou suas armas de casa para se proteger de seus próprios vizinhos, que se aproveitaram da ausência das autoridades – causada por uma greve de policiais por melhores salários – para levar o que podiam durante as quase 24 horas em que durou o quebra-quebra.

    López relatou que, antes de invadirem sua loja, viu os saques “em todos os estabelecimentos” próximos ao seu, perto da esquina com a Rua Piedra Labrada, por cerca de três horas. O comerciante, que mora a 100 metros da sua loja, disse que testemunhou os saqueadores carregando o que podiam, como podiam, das lojas da região, até que foi avisado pela central de alarmes antirroubo que monitorava a seu estabelecimento que o local também tinha sido invadido.

    “Optei por proteger minha casa, minha mulher e meus filhos (dois meninos, de 14 e 12 anos, e duas meninas, de 9 e 6). Eles sabem quem eu sou. Se eu chegasse à loja armado, matariam a minha família. Como não havia polícia, eu me contive. Via passar clientes e vizinhos com as minhas mercadorias. Conheço todos. Estávamos 100% desprotegidos.”

    O comerciante disse que, meia hora depois, um amigo foi à casa dele avisar que sua loja estava em chamas. “Deixei parte das minhas armas com a minha mulher e vim para cá com algumas pistolas. O fogo já havia tomado conta de quase todo o estabelecimento. Quis apagar o incêndio, mas tinham roubado os oito extintores que havia. Sufoquei-me com a fumaça e tive de sair. Daí chamei os bombeiros”, disse. Segundo López, porém, quando o socorro chegou, os agentes, voluntários civis que atuam nos municípios vizinhos, foram apedrejados, e deixaram o local. Somente quando os bombeiros da capital, “que têm poder de polícia”, chegaram, o combate às chamas começou. “Minha loja ardeu por três dias. Tinha muito material inflamável. Vieram 16 carros de bombeiros.”

    “Agora as pessoas comuns estão preparadas”, disse, contando que “todos” os donos de pequenos estabelecimentos na região se armaram. “Não permitiremos que isso ocorra de novo”, disse. Segundo o comerciante, os vizinhos saqueadores “agora abaixam a cabeça” quando o encontram na rua. “Continuo armado. Carrego sempre uma pistola.”
    López afirmou que não demitiu seus cinco funcionários, que na quarta-feira o ajudavam a limpar os destroços, ao lado de seus dois filhos e cinco amigos. Parte da loja desabou.

    “Vou ressurgir”, garantiu, estimando que levará seis meses para reformar seu estabelecimento. “Minha mulher ainda está sob cuidados médicos, com crise de pânico, mas vamos seguir adiante.”

    A comerciante Jésica Radlec, de 27 anos, dona de uma pequena loja de guloseimas, na mesma avenida, disse que, após os saques, passou a manter uma espingarda calibre 22 “e outras armas” em seu estabelecimento, que teve os vidros quebrados, mas não chegou a ser invadido – pois ela e o marido foram avisados, por volta da 1 hora do dia 4, que a avenida estava tomada pela turba – e ambos tiveram tempo de proteger o local ao lado de parentes que se prontificaram a ajudá-los.

    “Decidimos vir diretamente. Tinha muito movimento. Já haviam entrado numa loja de roupas e em outra de peças de motos. Viemos com paus e pedaços de ferro. Não sei onde conseguimos armas, mas tínhamos. O dono de uma loja atirava para o alto. Em apenas uma hora já havia umas 700 pessoas aqui. Muitos estavam de moto. Depois (os saqueadores) vieram com caminhonetes. Entraram em uma loja de brinquedos, levaram tudo e puseram fogo. Fui com meu marido tentar apagar. Invadiram a Ribeiro (loja de eletrodomésticos que tem unidades espalhadas por quase toda a Argentina). Vi um rapaz com uma geladeira nas costas – não sei como ele aguentou, devia ser a adrenalina”, resumiu Jésica.

    A comerciante afirmou ter visto um saqueador levando a máquina de fazer café de uma padaria e pessoas saindo com sacos cheios de remédios de uma farmácia.
    “Eles (os criminosos) estavam bastante lúcidos. Pareciam formigas, indo de um lugar ao outro, derrubando tudo como se fosse pedras de dominó. Os seguranças do supermercado (Cordiez) disparavam balas de borracha. Pusemos nossos carros em cima da calçada para nos proteger. Todos aqui ficaram literalmente entrincheirados. Isso virou uma terra de ninguém.”

    “Agora, a maioria dos comerciantes está ficando nas lojas a noite toda. Quase todos passaram a fechar na hora da sesta. Muitos (dos saqueadores) me cumprimentaram no dia seguinte. Diziam 'que absurdo o que aconteceu'.”

    O comerciante Gustavo, de 43 anos, que preferiu não dar o sobrenome e pediu à reportagem que não dissesse que tipo de mercadorias vende, para não ser identificado, afirmou que, ao ser avisado dos saques, por volta das 23h30, correu para seu estabelecimento empunhando sua pistola 9 milímetros e chegou ao local atirando.

    “Disparei mais de 15 vezes contra os filhos da p… Apontei para a cara de um deles, mas minha arma travou. Tinha umas 40 pessoas aqui. Remontei a pistola e comecei a atirar para cima. Só assim eles saíram daqui. Já tinham levado a metade das minhas mercadorias”, disse, afirmando que agora passou a manter “várias armas” atrás do balcão.

  11. E se alguém dissesse que:

    *A população em maioria sempre foi ignorante e violenta e sempre cava o próprio buraco e isso faz com que a consequência seja a impossibilidade de uma adoção de um sistema de livre mercado voluntariamente por parte da população em geral. Então o único sistema que realmente funciona é quando um governo é contra a população burra impondo a elas um livre-mercado com estado mínimo possível. *

    Eu sei que alguns vão dizer que se há estado não há livre mercado, porém desconsidere esse defeito de lógica e pense apenas em termos práticos. Eu sei que o IMB é anarco capitalista, como que vocês anarco-capitalistas respondem a essa pergunta? Existe algum lugar no mundo em que o livre mercado é amplamente defendido pela população?

  12. Emerson Luis, um Psicologo

    Pelo que sei, 50% do crédito bancário no Brasil está nos bancos estatais.

    Estamos bem avançados no 5º ponto do Marxismo.

    * * *

  13. @Disco 21/12/2013 21:13:49

    Como o colega “.com” escreveu: o Livre Mercado não precisa ser imposto. É o que surge naturalmente quando ninguém impõe nada a um povo pacífico:

    (1) um povo pacífico vai preferir trocas voluntárias à espoliação
    (2) um povo pacífico vai preferir o auto-governo individual (ou comunitário) ao governo central e impessoal
    (3) um povo pacífico vai preferir a solução de conflitos pela compensação e não pela vingança
    (4) um povo pacífico vai preferir a auto-defesa à formação de exércitos permanentes
    (4a) quando muito, um povo pacífico vai formar um exército de defesa temporário se a ameaça for grande;
    (4b) e que ameaça tão grande assim pode surgir se todos sempre podem negociar com um povo pacífico?

  14. O psiquiatra Lyle Rossiter nos comprova que o esquerdismo é uma doença mental:

    lucianoayan.com/2013/02/26/o-psiquiatra-lyle-rossiter-nos-comprova-que-o-esquerdismo-e-uma-doenca-mental/

  15. @Tiago Moraes 22/12/2013 15:21:09

    Pois é… o mais interessante é que ele chama os esquerdistas de “liberais”. Na palavras do próprio psiquiatra (grifo meu):

    "A social scientist who understands human nature will not dismiss the vital roles of free choice, voluntary cooperation and moral integrity – as liberals do," he says. "A political leader who understands human nature will not ignore individual differences in talent, drive, personal appeal and work ethic, and then try to impose economic and social equality on the population – as liberals do. And a legislator who understands human nature will not create an environment of rules which over-regulates and over-taxes the nation's citizens, corrupts their character and reduces them to wards of the state – as liberals do."

    Fico pensando com que tradição liberal um esquerdista pode ser identificado. Ele está claramente descrevendo o que jocosamente chamamos de esquerdopatia, e chamando isso de liberalismo.

    Só em um mundo de distorções cognitivas em que o termo “liberal” tenha sido sequestrado pela “máquina de fazer verdade” esquerdista isso faz algum sentido. Temos de intensificar a popularização do termo libertário…

  16. A única saída para a Venezuela é o aeroporto internacional mais próximo. Infelizmente, não vejo perspectivas de melhora. Que os venezuelanos não enganados por esse regime saiam logo, antes que sejam impedidos, tal como acontece em Cuba. É inevitável que isso também aconteça.

  17. Vocês são gananciosos e de pouca inteligência. NÃO conseguem entender que o Marxismo é muito mais que dinheiro.
    Ninguém pode parar a Revolução Cultural que liberta todos os povos dos valores burgueses.
    Inflação ou a falta de papel higiênico em nada atrapalha a revolução! Até ajuda a despertar o povo contra os burgueses.
    Viva Fidel!

  18. Jacob Sverdlov essa revolução gramsciana é inócua e emprobrecedora das massas,use argumentos convincentes,apelos emocionais não colam mais…

  19. So a lamentar pelo povo da Venezuela!!

    Com os recursos de que o pais dispoe deveria estar em uma situacao muito melhor!!!

    O que podemos esperar pro Brasil, ja que temos um governo que se alinha com Caracas, Buenos Aires, Havana e Bogota?

    O fato de um governo ter ajeitado a contas do pais antes deles e os 6 primeiros anos do governo vermelho terem coincidido com o auge comprador da China acabou sendo um problema pro pais??

    Desanimo de pensar que estamos perdendo o passo da historia, com este pessoal adotando ideas ultrapassadas e se beneficiando disso! O pais fica a ver navios!

  20. Cara equipe do imb e/ou leitores,gostaria de saber a respeito da igualdade de oportunidade no capitalismo democrático,e também numa sociedade libertária.A fim de respeitar o princípio da meritocracia,não seria o ideal a igualdade de oportunidade que providenciaria a vitória justa do mais capaz?Porque,desenhado sob a persepectiva que tive até hoje(aulas de ensino médio numa escola dominada pela esquerda),o capitalismo democrático apresenta maiores chances de sucesso aos já nascidos ricos,capazes de pagar por uma educação melhor,bem como isso se repetiria numa sociedade anarcocapitalista.Agradeço desde já.

  21. Prezado Leandro,
    No link achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/2013/12/30/bolsa-brasileira-tem-a-2a-maior-queda-entre-80-paises-em-2013-veja-ranking/ há o ranking com a variação das Bolsas de Valores em 2013. A brasileira tem a 2ª maior queda entre 80 países. Fiquei surpreso com o desempenho da bolsa de valores da Venezuela: 502,09%.
    Por qual razão a bolsa de valores da Venezuela variou tanto positivamente?

    Agradece,

    Ricardson

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