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O desejo de “redistribuir riqueza” é uma fantasia impraticável

Alguns
temas abordados por Ludwig von Mises ainda em suas primeiras obras, há quase
100 anos, se tornaram ainda mais intelectualmente instigantes hoje do que eram naquela
época, quando ainda estavam começando a ser discutidos.

Um
desses temas é a questão da redistribuição de riqueza.  Mises, adepto do individualismo metodológico, sempre iniciava suas análises olhando para
o indivíduo, e não para amplos agregados econômicos.  Na questão da redistribuição de renda, Mises diferenciou
os indivíduos que têm bens daqueles que não têm.  Em específico, ele faz
uma distinção entre bens de capital e bens de consumo. 

Bens
de capital são os fatores de produção; são os bens que produzem outros bens e que
também auxiliam os seres humanos em suas tarefas e, consequentemente, tornam o
trabalho humano mais produtivo.  Já os
bens de consumo, como o próprio nome diz, são todos os itens para consumo final
— como alimentos, roupas, cadeiras, televisões –destinados a satisfazer as
necessidades humanas.

Bens
de consumo beneficiam amplamente apenas uma
pessoa de cada vez
.  Um indivíduo usufrui os benefícios trazidos por
uma determinada camiseta apenas enquanto ele a está vestindo
Bens de capital — o maquinário que produz as camisetas — geram benefícios
para uma enxurrada de consumidores de uma só vez.

Por
que, então, ainda há essa fixação marxista em relação ao, por exemplo,
gerenciamento estatal de empresas geradoras de energia elétrica, quando se sabe
que seus consumidores têm apenas eletricidade?  Mises observou que um
consumidor não precisa ser o dono das instalações para ter eletricidade.

Tendo
isso em mente, como o sentido convencional de distribuição de riqueza mudaria
se excluíssemos os bens de capital dessa questão?  Por exemplo, nos EUA,
1% população é dona de 38% da riqueza, dados de 2001.  (No Brasil, 1% é
dona de 13.3%
). 
Como ficaria essa distribuição de riqueza se os bens de capital forem
excluídos?  O mais provável atualmente é que 95% da riqueza do 1% mais
rico da população esteja atualmente ligada aos direitos de propriedade sobre
esses bens de capital.  Logo, a distribuição de riqueza entre os consumidores
é muito mais acirrada do que os acadêmicos imaginam.  Todos têm acesso
a água corrente, telefones, comida e televisão.  É isso que interessa para
um padrão de vida.

Mises
nos ajuda a perceber que a ideia de obter igualdade pela redistribuição de riqueza
nada mais é do que fantasia.  Você não pode redistribuir bens de consumo;
como poderiam milhões de mulheres vestir o mesmo casaco de pele, as mesmas
jóias e regalias, ou os mesmos sapatos que estão no armário de Imelda Marcos?  Como
poderiam milhões de homens ficar dentro da banheira de hidromassagem de Hugh Hefner?  Um
pedaço de pão não pode ser repartido infinitamente por várias bocas.

Da
mesma maneira, você não pode fatiar um fogão em pedaços e dividir estas fatias
igualitariamente entre as pessoas — e ainda esperar que o fogão
funcione.  Você tem de respeitar a integridade de todos os bens de capital
para que eles funcionem.  Uma central elétrica teria de ser triturada em
átomos e repartida em pequenos envelopes para se obter uma distribuição
igualitária.

Por
sua natureza, bens de capital também não podem ser redistribuídos entre as pessoas de uma
forma que resulte em igualdade e maior riqueza.  A redistribuição de
riqueza, se levada a sério, significa necessariamente a completa e absoluta
destruição de riqueza
.  Socialismo é niilismo, nada
mais do que a destruição de valores.

Os
comunistas nunca obtiveram êxito em distribuir riqueza igualitariamente. 
Isso é inerente à natureza da riqueza.  Como a riqueza não pode ser
subdivida entre as massas (somente a propriedade
da riqueza
pode), eles confiscam a riqueza alheia para benefício da própria
camarilha.  Todo o resto fica à míngua, morrendo de fome.  É assim
que a integridade da riqueza faz impor a realidade quando confiscada.  Os
socialistas não brigam para ser donos do ar; eles brigam para tomar o
controle desta estação de rádio, daquela impressora, deste automóvel,
ou daquele pedaço de carne estragada.  A redistribuição de
riqueza é criminalidade pura e ela exige um grau ainda maior de criminalidade
após o confisco, como lobos brigando por uma carcaça ou rufiões eliminando seus
cúmplices.

E,
ainda assim, centenas de milhões de pessoas continuam acreditando que a
redistribuição de riqueza irá gerar ganhos pessoais.  Quando um político
difunde por seu rebanho a ideia de “espalhar a riqueza para todos”, o que os
eleitores imaginam?  No mundo perfeito, eles entenderiam que a
riqueza deixaria de existir, mesmo que ela fosse confiscada e meticulosamente
redistribuída — e caso realmente entendessem assim, o político será
devidamente ridicularizado ainda em seus discursos.  A diferença entre um
político populista ser venerado e ser chutado para fora do palanque em que
discursa está no eleitorado ser educado por essa pequena fatia de racionalidade
misesiana.

Mises
abordou a distinção entre bens de capital e bens de consumo no debate sobre
redistribuição; essa percepção é extremamente valiosa no atual mundo em que
vivemos.  O debate sobre o cálculo econômico no mundo
socialista 
já acabou, mas a noção de que a riqueza pode ser redistribuída
e ainda continuar existindo
 não é amplamente reconhecida como uma
contradição.  Espalhar coercivamente a riqueza para todos gera apenas a
sua destruição.

Redistribuição
de riqueza é uma expressão contraditória.  Esse fato reduz em cinzas o
ímpeto do estado assistencialista.  O estado de bem-estar social é um
rematado destruidor de riqueza.

O
capitalismo resulta em ampla propriedade dos meios de produção porque a
propriedade privada é a sua característica distintiva.  Somente em uma
economia capitalista, em que os direitos de propriedade podem ser subdivididos
em ações e livremente comercializados, pode uma ampla propriedade sobre os bens
de capital manter inalterado seu caráter de riqueza.  Nesse arranjo, as
pessoas voluntariamente vendem sua propriedade; os novos proprietários adquirem os
direitos de propriedade sobre os bens de capital.  Há um genuíno
mecanismo capitalista permitindo que isso aconteça
.  Quase todo mundo
pode comprar ações dos meios de produção sob o capitalismo.  Ninguém tem
de morrer.  Nenhum sangue é derramado.

Onde
no socialismo pode você, ó nobre camponês, reivindicar sua fatia das escolas
públicas, dos Correios ou das prisões?  Não existe um mecanismo similar
que permita a você ser dono da siderúrgica, da montadora, da mina, dos bancos e
dos parques que foram todos estatizados — e não sobra muito da mina ou da
siderúrgica após elas terem sido estatizadas.

Acabe
com os direitos de propriedade privada e toda a riqueza desaparece. 
Voltamos à era da pilhagem de todos sobre todos e da privação mutuamente garantida. 
É isso que os governos e todos os que odeiam o mercado realmente querem. 
Um slogan honesto para um sistema de saúde pública universal seria “uma
nação, a mesma seringa”.

Os
redistributivistas não acreditam na fantasia de que redistribuir riqueza traz
igualdade de resultados.  Eles apenas querem que você acredite
nisso.

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74 comentários em “O desejo de “redistribuir riqueza” é uma fantasia impraticável”

  1. Este é o tipo de artigo do mises que eu compartilho no meu facebook e com certeza vai ter um cara que está entre meus amigos que vai criticar fortemente sem nem ao menos se dar ao trabalho de ler. Parabéns por mais artigo espetacular!

  2. Leandro, pegando o gancho dos bens de produção. Hoje a maior parte da economia dos países desenvolvidos é no setor terceário, de serviços. Nos EUA mesmo, as empresas de internet estão ajudando a manter a economia minimamente aquecida e gerando muitos empregos. Neste caso, os bens de produção (computadores, basicamente) são muito pouco relevantes na geração de riqueza.

    Sabe dizer se existe algum texto libertário com este enfoque?

  3. Eu sempre entendi distribuição de riqueza como sendo a criação de mecanismos, políticas públicas, sei lá, que gerassem igualdade de oportunidades para se conquistar riquezas através da geração de mais riquezas. Nunca pensei em dividir camisa, saldo de conta bancária. Entendi tudo errado?

  4. Prezados

    Eu tenho uma dúvida e gostaria de referências bibliográficas para esclarecê-la.

    O pessoal (menos instruído – assim como eu) que bate no livre mercado levanta duas questões:

    1) Os problemas relativos ao trabalho de operários na época da revolução industrial (este ponto eu acho que já está devidamente explicado, não somente pelo Mises Brasil, mas por diversas outras fontes de informação).

    2) As crises econômicas ocorridas nos séculos 19 a 21.
    Acho que as crises do século XX e XXI já estão devidamente explicadas pela Escola Austríaca.
    Sobram as crises do séc. XIX. Há pessoas que dizem que problemas relativos à estabilização dos preços ajudaram a provocar tais situações. Daí existirem vários economistas defensores do estabilização (como Fisher) no começo do séc XX, além de aberrações como sindicalismo e socialismo.

    Alguém poderia me dar referências bibliográficas sobre as crises econômicas do séc XIX para que eu tente visualizar a teoria austríaca em ação? Normalmente, o que eu acho é só coisa de keynesiano/marxista.

    Crises (corrijam-me se eu estiver errado) ocorrem devido ao alto volume de investimentos que se revelam ruins ao longo do tempo (acredito que uma ou outra possa ter ocorrido simplesmente pelo fato (raríssimo) de boa parte das pessoas errarem em seus investimentos sem ter ocorrido prévia expansão creditícia. São ajustes sofridos por grandes sistemas com interações complexas).
    Desta forma, peço, por favor, para que me ajudem a compreender os fatos históricos motivadores do rol de crises do séc. XIX.

  5. Devemos esquecer a Democracia que apenas nos dá o direito de votar. E depois nosso unico possibilidade é a comtemplação do que está acontecendo. Propriedade é função social pela constituição. Liberdade de expressão; existe censura do judiciário e os meios de comunicação que filtram noticia não favoraveis ao governo. Segurança o estado não dá. Educação as escolas públicas não oferece educação mínima. Ha trocentos anos o estado nos pune com impostos estorsivos e imflação que corroe os nossos salarios e reservas. A saúde e racionalizada até 5 anos para ter uma consulta de otorrino. Passar em consulta com gastro: a informação que recebemosj sem previsão.Governo finge que dá remedios em postos para hipertensão e diabetes pura mentira faltam so que o povo não reclama. Pai que tem um camionete e que levar uma criança na pronto socorro a noite não pode pois não tem lugar para a mãe e a cadeirinha protetora, a multa é alta. Atualmente não somos donos nem do nosso corpo o governo nos permite tomar alguna medicamentos outros não. Há regulamentação até para a comida que comemos. Se atrasar os meus impostos perdemos o nosso bem já que a entidade estado vulgo Deus não pode ficar sem o imposto que ficamos devendo. O produto do meu trabalho deve ser revertido em prol de minha pessôa, e não para outros entes. Além disso os desperdicios deste estado democrata nunca me consulta sobre nada. Criaram os crimes sem vitimas que são punidos. Será que atualmente o estado é meçu dono. Sempre acreditei na distribuição de riqueza via mercado, pela persistencia, inteligencia, descoberta de nichos onde há demanda descoberta.O capitalismo é o melhor sistema cujos principais coadjuvantes são o mercado livre e totalmente desimpedido, a propriedade sagrada, e a liberdade, ou viver sem coerção de qualquer maneira. Com algumas imperfeições considero-me Libertario e gostaria que o mises tivesse um espaço em jornais e revista para divulgação de nossas ideias com o patrocinio dos leitores do Mises. Depois de escrever estas linhas fico surpreso e ver as pessoas em ver pessoas que defenden o governo, já que ele não nos dá nem segurança, nem saude, nem educação nem qalqer outra coisa e nos explora até a alma. E a justiça apoia até impostos extorsivos, como o IPTU de são paulo com indices absusdos. Pela amor de Deus votem no Lula, Dilma e no PT,queremos eterniza-los no poder.Viva os altos impostos. Não confunda preso politico com politico preso. Temos milhares de presos hipertensos diabeticos, que são cuidados dentro do regime fechado semiaberto, pois as penitenciarias tem medico para todos os presos. Assim penso que não existe contradição em que pessoas doentes possam cumprir a pena com assistencia medica penitenciaria de qualidade que o governo oferece sem previlegios a qualquer outro reu preso. A lei deveria ser igual para todos ricos pobres e qualquer outro. Genuino aceite a assistencia medica de qualidade do estado, não volte para o Sirio Libanes como fez o lula que acha que SUS e para os pobres. Mais uma vez não deixem de conhecer o conteudo do Mises.

  6. Eu sou de pensamento de que, se você “redistribui” a riqueza, quer dizer que o dinheiro deixa de ser concentrado em um indivíduo ou um seleto grupo de indivíduos para tornar-se pequenos montantes de um grande grupo de indivíduos, logo, ela perde o seu valor e deixa de ser riqueza.

  7. Excepcional texto. Só tenho a acrescentar o seguinte: bastaria o governo fazer sua parte com competência, os políticos pararem de surrupiar o erário e um pouco mais de solidariedade em geral, que acabaríamos com a miséria, a fome e as “desigualdades”

  8. Ótimo texto,

    Fiquei com uma dúvida neste trecho aqui:

    “Por exemplo, nos EUA, 1% população é dona de 38% da riqueza, dados de 2001. (No Brasil, 1% é dona de 13.3%”

    Assim parece que os EUA tem uma desigualdade maior que a do Brasil, mas as pesquisas a esse respeito normalmente afirmam o contrário. No Índice de Gini, por exemplo o Brasil tem mais desigualdade, como isso é possível?

    pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_igualdade_de_riqueza

  9. [OFF] Algum artigo sobre o Marco Civil da Internet está para chegar? Essa lei está para ser aprovada e é uma grave ameaça a liberdade de expressão e mais um ferramenta de regulação do governo.

  10. Desculpe a ignorância,
    mas tenho lido alguns artigos e vejo um pouco de imprudência ( e até mesmo voracidade) as críticas referentes ao aspecto do cenário econômico atual.
    É clara a defesa do liberalismo, em seu sentido literal,(também sou simpatizante da causa) mas o nexo de causalidade entre meios e fins peca um pouco, uma vez que, não abrange aspectos relevantes, como a coexistência do poder. Vejo apenas a busca incessante pelo livre comércio.
    Além disso nem tudo o que marx defendeu pode ser desprezado ( não defendo o socialismo ou qualquer forma de coletivismo), principalmente a questão exploratória entre empregador e empregado e o fator histórico.
    Já a questão do Estado, analise é reduzida ao momento , ou seja, criticam a ação do Estado em função da administração deste no cenário brasileiro, generalizando todo o complexo de ideias normativas que possibilitou sua criação, como renegáveis.

    Essa é minha opinião espero que entendam e critiquem de forma civilizada apontando argumentos concretos e concisos.

    Obrigado e parabéns pelo site

  11. “O estado de bem-estar social é um rematado destruidor de riqueza”. Será? Existem inúmeros estudos que evidenciam que o liberalismo está aumentando a inequidade no mundo e que beira ao antiético tal o absurdo do acúmulo destas riquezas. Da mesma forma, essa engrenagem do acúmulo age contra o próprio o capitalismo. Várias situações na história mostram que o funcionamento do mercado na ausência de qualquer intervenção é insustentável, Keynes que o diga. Esta liberdade pregada pela teoria econômica liberal valoriza o individualismo, o egoísmo e a avareza e parece ser tão utópica quanto o socialismo. Acho interessante este repúdio à questão do bem-estar social quando os países com maior índice de desenvolvimento humano do mundo, os escandinávios, fazem justamente o oposto do que estás preconizando. A Europa, com base numa economia mais liberal, está de olho no modelo de desenvolvimento econômico da Dinamarca, Suécia e Noruega. Parece que as teorias liberais, paravra interessante, são modelos utópicos e que precisam ser revistos, pois se achares que o mundo, regido pelo livre mercado, é um mundo justo, eu devo viver em outro planeta.

  12. Emerson Luis, um Psicologo

    Quase todo mundo fala de “redistribuição de riqueza”.

    Quase ninguém pensa em “criação de riqueza”.

    Faz sentido: na primeira opção quem trabalha são os outros.

    * * *

  13. Em primeiro lugar, devo admitir que foi uma resposta respeitosa e digna de manter um diálogo de forma coerente.

    Discorto de algumas coisas. Primeiro, a expansão monetária é uma resposta à crise econômica resultante de patologias que podem ocorrer no livre mercado, vide a crise de 2008. Desta forma, foi inevitável recorrer ao “grande vilão” chamado Estado para se livrar da iminente queda no abismo. O bom filho a casa torna…

    Segundo, as questões colocadas sobre os países escandinávios, como velocidade de abertura de um negócio, por exemplo, estão muito mais relacionadas com capacidade administrativa do que liberalismo propriamente dito. Esquecestes de dizer que a Dinamarca tem impostos altíssimos sobre mercadorias (VAT) e que me parecem ir de encontro a ideologia liberal. Você está correto quando diz que um empregado pode ser despedido sem qualquer custas na Dinamarca (“Flexicurity”), mas se esqueceu de mencionar que, ao estar desempregado, recebe um generoso seguro desemprego. É novamente o Estado intervindo.

    Como pode ver, os impostos não criam riqueza, mas PODEM tornar um país muito melhor de se viver para a média da população, inclusive para você (a não ser que sejas um milionário). Falo com certo conhecimento de causa, não sou economista, mas vivo na escandinávia. A questão é a boa administração, não o liberalismo em si. Me perdoe, mas o ícone do liberalismo, os EUA, de longe não tem a qualidade de vida que se tem aqui. A população carente dos EUA, que não é pouca, sofre. Se isto lhe convém como sociedade, a mim não. É uma questão de administração de riqueza ou sua acumulação. Achar que uma sociedade pode ser apenas regida pelo mercado e pelo privado, é uma ilusão, uma utopia.

    Sem dúvida que se a economia não fosse dinâmica na Escandinávia, não duraria dois dias. Porém, me parece contraditório, como pensamento liberal, justificar o bem- estar social como destruidor de riqueza se é justamente o contrário que ocorre na escandinávia. Em suma, estamos falando de países que utilizam o melhor do capitalismo e do socialismo. Nem tanto ao céu nem tanto a terra.

  14. O site prega liberdade, propriedade e Paz, mas quando alguém argumenta algo diferente da filosofia liberal está fazendo “proselitismo socialista” ou panfletagem, além de receber muitas ironias. Acho que é muito fácil discutir aos pares, em torno dos mesmos pensamentos, pois a um sinal de desvio arranca-se na agressividade. Qualquer um que argumente algo um pouco diferente é taxado de socialista por aqui? Um pouco infantil, mas tudo bem.

    Essa comparação do estudo dos negros com os Suecos, na mesma moeda, vai sacar para cima de outro. Gentileza vai estudar estatística para entender que trabalhar com a média ajustada entre duas realidades com clara heteroscedasticidade é um perigo. Também existe uma bela crônica comparando o GPD de países escandinavos similares aos mais pobres Estados americanos. Estas comparações no âmbito da econometria são interessantes na mesma medida que se pode trabalhar com dados e chegar a conclusões arbitrárias quando não houver um bom ajuste de distribuição dos dados das variáveis avaliadas. Por favor, artigo “peer review” da próxima.

    Não tenho ideologia boba meu caro. Já vivi na Suíça, em dois Estados Americanos e atualmente moro na Dinamarca (ah! Não trabalho irregular, trabalho técnico. Tenho conhecimento de causa que viver na Dinamarca é de longe melhor que nos Estados Unidos. Sua visão de economia, através dos diversos links passados, é extremamente exata, mas existem outros componentes fora da esfera das ciências exatas que devem ser levados em consideração. Mesmo com a economia “estagnada” na Escandinávia e com toda a sua argumentação de riqueza, venha fazer o teste “in loco” para e tirar sua própria conclusão de onde é melhor se viver. Sua linha de argumento e filosofia é baseada apenas em quantificação material de riqueza. Pois é, tenho outra ideologia, a boba no seu ponto de vista.
    Ademais, acho que não viram o último parágrafo.

    Tenham uma bela noite.

  15. Boa noite,

    Sou ponderado e achei sua resposta, da mesma forma, ponderada e coerente (sem ironia aqui). É uma simples questão de ponto de vista e argumentações que vão de encontro a muitos pensamentos aqui preconizados. Isto não me exime de contrapô-los. Certamente vou me inteirar dos métodos austríacos e, quem sabe, voltamos a discutir. A idéia de não tratar a economia de maneira exacerbadamente exata a muito me agrada. Apenas temo um viés para a radicalização de pensamentos que possa vir a ocorrer, pois tudo na vida, incluíndo a macroeconomia, exige equilibrio. Este, por sua vez, TALVEZ possa não ser viável a longo prazo sem algum tipo de regulamentação/intervenção sem que isso signifique coersão. Just a point of view.

  16. Então resumindo… não se pode redistribuir bens de consumo, portanto toda redistribuição é inevitavelmente de bens de capital, e ao ser redistribuído, este bem de capital se torna bem de consumo. Aí está a perda real? A transformação de bens de capital em bens de consumo? Mais uma coisa, e se esse capital redistribuído e transformado em bens de consumo se torne novamente bens de capital? Impossível?
    Obrigado desde já.
    Abraços

  17. Sim, quanto a importância da propriedade privada na economia não me resta dúvida. A minha dúvida é realmente quanto a relação bens de capital > bens de consumo.
    Gostaria de entender essa transformação maléfica de bens de capital em bens de consumo, se entendi bem. Ao receber o valor extraído de outrem e consumir em qualquer estabelecimento, este recurso não voltaria a se transformar em bem de capital?
    Digamos que numa determinada comunidade as pessoas concordem voluntariamente em ceder 20% da sua “riqueza” para os outros habitantes da mesma comunidade, digamos que estes vejam isso como um bem para si próprios e o façam felizes e contentes, acreditando que a sociedade crescerá com isso. Esta redistribuição de riqueza é igualmente danosa ao mercado e a sociedade?
    Obrigado novamente.

  18. Bem, o artigo é interessante, mas fico confuso sempre que surge uma discussão sobre um tema que coloca frente a frente uma ideologia socialista contra uma capitalista.
    Ao meu ver, acho que devemos criticar ideias socialistas com o mesmo respeito intelectual que criticamos ideias capitalistas. Ambas as vertentes são complexas e jamais devemos analisá-las com um olhar superficial, como o que me remete ao ler este artigo.
    Redistribuição de riqueza, até onde eu entendo, não diz respeito diretamente a um bem físico, a um produto, mas sim no valor agregado a este e ao esforço necessário para produzi-lo.
    Por exemplo, para que tenhamos uma vida digna e desfrutemos de boa saúde e felicidade, nós seres humanos necessitamos de algumas coisas básicas como saúde, comida, vestuários, entretenimento, etc. Não necessitamos de um iate e nem de uma ferrari para tanto.
    Quando falamos em redistribuição de riqueza acredito que estamos falando de um modelo onde estes itens básicos sejam acessíveis para um número maior de pessoas e não menor. Os meios para se executar esta ideia são diversos, seja por taxação de impostos ou políticas assistencialistas.
    Deixo claro que não estou defendendo este ideal. Sou libertário, não sou comunista, mas acho injusto dissertar sobre o tema de maneira superficial de modo a transparecer que uma visão socialista pareça obviamente ridícula quando esta é bem mais complexa.
    Se quisermos provar a ineficiência da ideia de redistribuição de riqueza e mostrar que o capitalismo fornece ferramentas melhores para se alcançar um melhor bem estar social basta que seja publicado aqui um artigo sobre o sistema de investimentos privados e como isto afeta a vida das pessoas, explicando que nenhum bilionário deixa seu dinheiro debaixo do colchão e que este dinheiro é investido no mercado, gerando milhões de empregos no mundo inteiro e assim possibilitando a melhoria da vida das pessoas.

  19. A questão não é redistribuir riquezas,mas…Em criar as condições para que mais riquezas sejam criadas e o livre-comércio é fundamental nesse processo de ampliação de riquezas pois o mesmo propicia acesso há bens e tecnologias avançadas de outros países e com a economia gerada(Poupança)serão reproduzidas por mais e mais investimentos,enfim é o circulo virtuoso da riqueza em ação.
    O estado monopolístico extrai o equivalente a 36% de nossas rendas anualmente e se esses serviços fossem privatizados e prestados por empresas concorrentes esse custo poderia cair para menos de 10% de nossas rendas,portanto queda de preços destes serviços acompanhado de livre-comércio seria um aumento brutal de riquezas sem precisar retirar,confiscar e coagir ninguém isso é tão lógico,críticos estudem bastante a escola austríaca e a filosofia libertária e MAVs petistas vão para casa do cara###,seus nojentos asquerosos puxa-sacos e outros adjetivos…

  20. Boa tarde!

    Pedindo uma ajuda a galera do site: qual a opinião de vocês sobre Hannah Arendt, Isaiah Berlin, Raymond Aron.

    Recomendam a leitura da obra deles?

    Já ouvi algumas vezes os seus nomes sendo levantados em discussões sobre o liberalismo, mas confesso não conhecer suas obras.

    Obrigado!

  21. Dissidente Brasileiro

    Off-topic: gostaria de saber a opinião de vocês sobre este tema:

    #BLOCK NA BUROCRACIA

    Por favor, leiam e comentem: quero ver como anda a perspicácia dos leitores do IMB para detectar e encontrar neste texto artimanhas disfarçadas de “evolução tecnológica” que, a longo prazo, somente trarão maior controle estatal e ruína para nossas vidas.

  22. Abaixo o que ocorre na prática:

    PAÍS COM “CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZAS” (também conhecido como Capitalismo)
    -Indivíduo A: 104 estalecas (rico)
    -Indivíduo B: 55 estalecas (classe média alta)
    -Indivíduo C: 30 estalecas (classe média)
    -Indivíduo D: 10 estalecas (pobre)
    -Indivíduo E: 1 estaleca (miserável)
    TOTAL DE RIQUEZA DO PAÍS: 200 ESTALECAS

    PAÍS COM REDISTRIBUIÇÃO DE RIQUEZAS: (também conhecido como Socialismo)
    -Indivíduo A: 1 estaleca (classe “única”)
    -Indivíduo B: 1 estaleca (classe “única”)
    -Indivíduo C: 1 estaleca (classe “única”)
    -Indivíduo D: 8,5 estalecas (político)
    -Indivíduo E: 8,5 estalecas (familiar do político ou apadrinhado)
    TOTAL DE RIQUEZA DO PAÍS: 20 ESTALECAS

  23. Certa vez ouvi um discurso do Lula em que o mesmo afirma que colocar dinheiro na mão do pobre (bolsa família etc…) faz com que a economia se movimente, pois o pobre com 50 reais vai na feira comprar alimento e outras coisas básicas, ao contrário do rico que não atribui o mesmo valor a quantias tão baixas. Gostaria de saber se os senhores têm algum artigo que trate dos prós e dos contras especificamente dessas medidas que o governo Lula implantou.

  24. O conceito de redistribuição de riqueza deve ser analisado nas microrelações e não nas macrorrelações um exemplo é uma pessoa tem 5 fones de ouvido para celular e outra não consegue ter acesso a nenhum por dificuldades financeiras se ela recebesse seus direitos ela teria acesso a 2 ou 3 e compartilharia da experiencia cultural que a sociedade a apresenta como inclusão digital ou qualquer outra forma, discordo do artigo não no sentido de repudiar mas de pensar que mises pode ter dito algo diferente com o que escreveu.

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