O
segundo milênio terminou com um século abominável. Os três homens mais
frequentemente citados como “Pessoa do Século” — Franklin Roosevelt,
Winston Churchill e Albert
Einstein — foram defensores, aliados e admiradores de um dos homens mais
sanguinários do milênio: Joseph Stalin. É como se os três homens mais
ilustres da Idade Média tivessem sido amigos de Genghis Khan.
Até
mesmo a frase “Pessoa do Século” é uma relíquia do arcaico pensamento
feminista do século XX. O mais influente indivíduo de qualquer século
provavelmente será um homem, porém já no final do século XX era uma quebra de
etiqueta — um código de maneiras ideológico — reconhecer tal fato.
O
século XX foi marcado pela presunçosa crença de sua superioridade sobre todas
as épocas anteriores. Decidiu-se que os tradicionais costumes e padrões
de ética da humanidade deveriam ser alterados — como se isso sequer fosse
possível. Consequentemente, o estado passou a ser o instrumento para a
“construção de uma nova sociedade” por meio da força, da propaganda e
da dependência econômica. Tirania se tornou “libertação”; degeneração
se tornou “progresso”; assistencialismo se tornou “riqueza”;
imoralidade se tornou “governança”.
Os “direitos
civis”, cujo significado é o aumento do poder do estado em ditar normas de
associação entre indivíduos, não produziram nem liberdade nem igualdade racial,
mas apenas mais tirania e ressentimento. Longe de gerar uma sociedade
“sem preconceitos”, o que temos hoje é uma sociedade obcecada com
raças e preferências sexuais, uma sociedade obcecada com “subclasses”,
direitos e privilégios.
O
estado assistencialista, que prometeu tirar as pessoas da pobreza, logrou
apenas habituá-las à pobreza, ao mesmo tempo em que eleva o fardo sobre a
população geral. “Ações afirmativas” mostraram apenas que,
quando você promete justiça para todos, tudo o que consegue é fazer com que
todos se sintam discriminados. Diferenças raciais, sejam elas inerentes
ou culturais, comprovaram-se teimosamente irremovíveis. No entanto, a
ideologia progressista nos ensinou que os resultados dessas diferenças decorrem
apenas do “racismo” e devem ser remediados dando-se ao estado ainda
mais poder para regular as relações voluntárias entre indivíduos e a
propriedade privada.
A
nova missão do estado é cortar todas aquelas raízes do passado que podem fazer
com que seus súditos resistam a ser assimilados a essa Nova Sociedade.
Aqueles que resistem e conseguem manter suas raízes são acusados de reacionários,
racistas, supersticiosos, anti-patriotas e odientos. O estado clama ser
“científico”. Ele age em nome do “oprimido”, “do
povo”, “do proletariado”, “das massas”, “das
minorias”, “das mulheres” e até mesmo dos depravados (que são
meras “vítimas” do código moral tradicional).
Pecados
antigos como fornicação, sodomia e aborto se tornaram novos
“direitos”. Ao mesmo tempo, direitos tradicionais como
propriedade privada e liberdade de associação e de contrato foram severamente
restringidos. Por meio do estado, com seu ilimitado poder de tributação,
algumas pessoas passaram a poder viver à custa da energia produtiva dos
outros. Isso passou a ser chamado de “justiça social”. O
estado se tornou obcecado em preservar o meio ambiente ao mesmo tempo em que segue
destruindo o ambiente cultural, moral e espiritual herdado da cultura ocidental.
Artistas,
intelectuais e filósofos se tornaram entusiastas da Nova Sociedade, hostis à
“burguesia” e à “classe média” — como são desdenhosamente
chamados os remanescentes da sociedade tradicional. Obscenidade e
obscuridade, desarmonia e feiura se tornaram a característica distintiva da
arte. A arte popular, ainda pautada pelo mercado, descobriu que a
obscenidade é mais lucrativa que a obscuridade — mas raramente desafia as premissas
da Nova Sociedade.
A
educação, controlada pelo estado, se tornou um mero instrumento de propaganda
— chamado de “conscientização do cidadão” –, concebido para tornar
as crianças meras unidades obedientes à Nova Sociedade. A ideia da
“evolução” foi adaptada para ensinar às crianças que a Nova Sociedade
era o inevitável destino da história humana. O “intelectual”
das massas (o oposto do erudito tradicional e independente) se tornou um novo
tipo social, dedicado a difundir as fantasias da Nova Sociedade, as quais são
chamadas de “ideais”.
A
natureza intrinsecamente violenta do governo
De
todos os dizeres apócrifos atribuídos aos Pais Fundadores dos EUA, meu favorito
é um atribuído a George Washington: “O governo não é razão. O
governo não é persuasão. O governo é força bruta.” Se ele
nunca disse isso, deveria ter dito.
Qualquer
um que acredite em uma ordem moral deveria ponderar essas quinze
palavras. O governo de fato é força bruta, uma força que reivindica
justificação, e seu exercício ao menos requer alguma séria racionalidade.
Essa
é uma verdade da qual as pessoas se esqueceram totalmente. Frequentemente
travo discussões com um velho amigo meu — que, embora progressista, é um homem
muito decente e modesto demais para impor suas vontades sobre qualquer ser
humano –, que implicitamente assume que o governo tem a autoridade de decretar
legislações de “direitos civis” e restringir a liberdade de
associação e os direitos de propriedade.
Esse
meu amigo não é nenhum bobo. Ele é inteligente e eloquente, e eu sempre
aprendo algo com ele nessas nossas intermináveis discussões. Porém, um
pensamento — uma verdade autoevidente que eu esperava ocorrer a qualquer
pessoa racional — aparentemente nunca passou pela sua cabeça: o governo é
força bruta. Assim como muitas pessoas, ele assume, sem qualquer
reflexão, que se alguma suposta condição social parece ser desejável, então o
governo deveria tentar promovê-la. Ele admite algumas dificuldades
práticas nesse processo, mas, para ele, o governo incorpora todas as aspirações
e desejos que as pessoas sensatas têm em comum e que somente pessoas insensatas
poderiam rejeitar.
É
por isso que estremeço ao ouvir a palavra “idealista”. Ideais
são fantasias, a maioria das quais jamais pode ser estabelecida. Se o governo
tentar materializá-las, poderá fazê-lo apenas aplicando a força e restringindo
a liberdade. E muitas pessoas veem esse empreendimento como algo nobre,
mesmo que ele fracasse; o custo da liberdade raramente entra em seus cálculos.
Na
famosa observação do filósofo inglês Michael Oakeshott,
para algumas pessoas o governo é “um vasto reservatório de poder” que
as inspira a sonhar com os usos que podem ser feitos dele, normalmente a
serviço daquilo que elas consideram ser propósitos benignos, para o bem da
“humanidade”. Entretanto, tais pessoas tipicamente esquivam-se
do elemento ‘poder’, o qual, afinal, não é apenas uma mera propriedade do
governo, mas sim a sua genuína essência. A acepção que elas têm do poder,
assim como a do meu amigo, é bastante mística, como se os reais feitos do
governo não fossem nada mais do que a manifestação de um (na frase dele)
“consenso emergente”. Porém, se os objetivos desejados fossem
uma questão de consenso, então por que eles deveriam ser implementados à força,
por decreto, ou mesmo pela guerra?
Não
são somente os progressistas que pensam assim. Alguns conservadores
também, como quando eles alardeiam que o governo deve fazer cumprir aquilo que
eles chamam de “valores”. Eu geralmente prefiro
“valores” conservadores a “ideais” progressistas, uma vez
que eles estão mais próximos daquilo em que realmente creio: as comprovadas
normas da natureza humana. Uma sociedade com direitos de propriedade, por
exemplo, é normal; nós sabemos que ela pode existir. Uma sociedade na
qual a riqueza é igualmente distribuída pelo estado é meramente uma fantasia;
ela nunca poderá existir, e a tentativa de criá-la vai acarretar violência sem
propósito.
Como
disse o poeta católico francês Charles Peguy no início do século XX:
“Jamais saberemos quantos atos de covardia foram motivados pelo simples
medo de parecer não suficientemente progressista.”
Meu
amigo odeia violência. Mas ele é incapaz de perceber — e não há nada que
eu diga que o faça perceber — que, quando ele clama por algo do governo, ele
está na verdade clamando pela força, que nada mais é que a violência ou a
ameaça de violência. Seus ideais dependem de um mal e da obediência
baseada no temor degradante desse mal. Idealismo? Eu chamaria isso
de escravidão.
“Eu
tenho um sonho”, proclamou Martin Luther King Jr., cujo “sonho”
foi inspirado em sua leitura de Marx e de outros profetas progressistas.
Assim como inúmeros visionários, King ficou alheio à advertência de Oakeshott:
“A combinação entre poder e sonho gera tirania.”
Essa
frase pode servir de epitáfio para o nosso atual século, em que a liberdade
deixou de ser um direito nato e passou a significar “qualquer coisa que você
porventura ainda tenha permissão para fazer”.
A
humanidade ainda vai levar tempo para se recuperar dos tempos atuais.
Muito bom o texto. Realmente essa Era em que vivemos vai ficar para história. Um momento único de escravidão generalizada. Sociedade completamente corrompida moralmente, mas principalmente eticamente. Passamos a viver literalmente numa Matrix, onde os limites da nossa realidade são impostos por um comando central. Gostaria muito de viver o bastante para conseguir vislumbrar pessoalmente uma sociedade livre das mazelas atuais. Infelizmente, esse cenário parece distante.
Ué, vocês como libertários, tem problemas em relação alguém ficar com alguém do mesmo sexo, mesmo ela não fazendo nada de mal para ninguém?
King no seu discurso “eu tenho um sonho”, sonhou com uma sociedade em que não houvesse preconceitos, qual o problema nisso?
Pensando por esse lado, os Aliados não deveriam ter feito nada com os ideais nazistas enraizados na sociedade alemã pós-guerra, deveriam simplesmente deixar eles com aquele pensamento, certo?
Não há idealismo onde a razão é negada.
Quem tem ideais sinceros esta sempre aberto para reflexões e para os fatos incontestáveis. Afirmar idealismo é apenas uma farsa para camuflar as piores intenções. Imagine-se idealistas românticos que em nome do repúdio à ganância, à riqueza e à “exploração” trucidam milhões de inocentes indefesos e na sequência se premiam com vida de nababos tirânicos. Tornando-se ricaços em delicioso desfrute de privilégios a si concedidos ao custo da humilhação, da EXPLORAÇÃO através da ESCRAVIDÃO de populações inteiras, para usufruirem de todo o luxo e pompa sem a necessidade de dar em troca uma contrapartida. …Não há idealismo nestes pulhas! …apenas a mania do Poder, a ambição doentia pelo Poder.
Bandidos, facinoras, também são grandes defensores dos direitos humanos.
Bandidos presos e seus familiares são grandes “idealistas” ao defenderem os próprios direitos humanos (aos quais por justiça não teem direito), mas não defendem direitos humanos alheios.
Familiares, amigos e cumplices de bandidos, de facinoras, exibem grande pujança moral ao exigirem justiça para punir policiais que maltram bandidos, denunciam seu desejo de justiça com grande empáfia. Contudo, apenas querem um juridiscismo (não justiça) em beneficio da própria vingança contra os algozes de seus parceiros facinoras. Não exercitam tal clamor moral, pretensamente ético, com seus facinoras parceiros. Isso demonstra que tal clamor “idealista” é apenas uma estratégia de auto preservação, sem qualquer compromisso com qualquer ideal que não o proprio beneficio acima de todas as coisas.
É nauseqante ver facinoras e seus parentes e amigos clamando por direitos humanos em próprio beneficio após ali estarem por terem praticados as piores violações aos direitos humanos de INOCENTES que nenhum mal fizeram a quem, quer que seja.
…Esses bandidos são mesmo uns idealistas???
Francamente, é ridículo alguém, mesmo que vagamente, admitir que existam facinoras idealistas românticos. Não existem, são apenas covardes que camuflam-se preventivamente contra possiveis reações em caso de estarem inferiorizados. Tal “idealismo” jamais foi sincero, pois que sempre APENAS UMA ESTRATÉGIA DE COVARDES.
Não há idealismo em quem defende atrocidades e imbecilidades facilmente verificaveis através de reflexões um tanto simples até. Facinoras que FINGEM uma burrice desumana estão apenas pondo em pratica uma estratégia para camuflares suas verdadeiras intenções perversas. Podem até tentar enganarem-se a si próprios, mas sinceramente nem isso conseguem. Não há como ser idealista defendendo um EMBUSTE PERVERSO, INJUSTO e COVARDE. Não há idealismo em quem ATACA INOCENTES INDEFESOS!
Abs.
Esse artigo é a resposta perfeita para aquela pergunta: ‘pode um conservador ser libertário?’
Olá, cá estou mais uma vez.
Então, analisando os recentes artigos, e, principalmente, várias criticas perante a situação estatal e sua legislação, ainda me carece uma dúvida: existe um projeto do IMB, ou pode existir, para a criação de um partido para buscar ênfase no mercado?
Pois, veja bem, o fato de propor seus resultados e sua defesa veemente que propicia preponderância sobre demais linhas de pensamento acadêmico e pragmático, não pode ser o cerne da questão para melhora desse ou de outros países?
Tal elucidação vem devido, recentemente, ter um diálogo com um liberal sobre o surgimento de dois partidos extremistas que se dizem de Direita: ARENA e Libertários. Ainda que com possibilidades remotas, estão tentando.
Portanto, nesse aspecto, minha pergunta aos membros ou moderadores se evidencia: pensaram em uma possibilidade de partido? Já existe? Tentaram e não deu certo? Ou é algo que não atrai o projeto de vocês?
De qualquer forma, agradeço mais uma vez e parabenizo pelo site. Em breve assino o periódico.
Abraço.
Colocar o ARENA na mesma categoria do Libertários é duro viu…
Sobre o IMB e política, retirei o seguinte do “sobre nós” do site:
(…)O IMB acredita que nossa visão de uma sociedade livre deve ser alcançada pelo respeito à propriedade privada, às trocas voluntárias entre indivíduos, e à ordem natural dos mercados, sem interferência governamental. (…)
É, em certo aspecto, devido a Direita ter suas próprias divisões no meu ponto de vista. Claro, para quem considera tais modelações. Pois tal definição, em certo ponto, são os próprios partidos que se definem assim. Agora se isso pode ser relevante…
Além do mais, quando me referi ao IMB seria de verificar o motivo, como partido, em buscar esses anseios de propriedade inviolável, trocas voluntárias, ordem natural dos mercados sem interferência governamental.
Pois, pense comigo, como algum liberal, dentro da sua linha de raciocínio, pode conseguir algo esperando pela vontade de outros? É assim, "só querer"?
Ainda assim, tais dúvidas foram somente a título de curiosidade. Mais partidos, sempre pode ser melhor…
Sim, eles acreditam que vão fazer as pessoas mudarem de ideia (natureza ?), por persuasão.
Não todos são loucos, mas esses já se tornam “direita” (seja lá o que isso quer dizer) bem no momento em que desistem dessa utopia.
E isso é porque o mundo está completamente de ponta cabeça.
A esquerda deveria ser formada pelos liberais e a direita pelos conservadores. E alguns no meio termo.
O que temos agora são bandidos na esquerda, hipócritas na direita, e uns gato pingado conservadores e liberais de fato. Isso quando é um país decente.
E eu acredito que além do estado, a caridade (de fato) são formas de impostos obrigatórios para a manutenção das liberdades. Queiramos ou não.
Não seriam os libertários idealistas?
O “racismo” deve ser remediado dando-se ao estado ainda mais poder para regular as relações voluntárias entre indivíduos e a propriedade privada”
Querem regular também o matrimônio entre os cidadãos, impor cotas para empregos e ensino. Imposição racial, criaram a “Raça Brasileira” superior as demais. Mas a lei já existe e ninguém é denunciado.
Nas Empresas, verificamos que em sua maioria os funcionários são Afrodescendentes ou Nordestinos, Paulista e Branco sempre foram excluidos e minoria.
A migração no Brsil retalha a Imigração com colônia de Migrantes de outros estados dentro de São Paulo, um clima de confronto, provocações e violências.
Muito bom este texto. Denuncia o politicamente dos dias de hoje.
Uma coisa que tem que ser deixado bem claro é que se dependesse do livre mercado, a discriminação racista no Sul dos Estados Unidos teria pelo menos uns 10 anos antes da aprovação da Civil Rights Act 1964. Provavelmente teria acabado durante este boicote. O estado, com suas leis de controle de preço, que manteve o racismo:
Rosa Parks nasceu em 4 de fevereiro de 1913, em Tuskgee, Alabama. Ela era costureira e trabalhava como secretária para a seção local da NAACP e estava grávida quando foi ao ponto de ônibus. Logo após a sua prisão, em 1 de dezembro de 1955, Rosa havia completado um curso de “Relações Raciais” na Highlander Folk School no Tennessee, no qual a desobediência civil não violenta foi discutida como tática.
Na quinta-feira, 1 de dezembro de 1955, Rosa Parks estava sentada na fileira mais à frente destinada às pessoas negras. Quando um homem branco entrou no veículo, o motorista James F. Blake, disse a todos na fileira na qual ela estava que se movessem para trás para criar uma nova fileira para os brancos. Ao mesmo tempo em que todos os outros negros na fila cumpriram o determinado, Rosa recusou-se e foi presa por desobedecer à ordem do motorista, pois embora a legislação municipal não determinasse explicitamente a segregação, dava poderes discricionários ao motorista para determinar os lugares dentro do veículo.
Boicote
Na noite da prisão de Rosa Parks, Jo Ann Robinson, líder do “Women’s Political Council”, imprimiu e fez circular um panfleto em meio à comunidade negra de Montgomery, no qual dizia:
“Outra mulher foi presa e jogada na cadeia porque se recusou a levantar-se de seu lugar no ônibus para que um branco se sentasse. É a segunda vez desde o caso de Claudette Colvin que uma mulher negra foi presa pela mesma razão. Isto não deve continuar. Os negros também têm direitos e se os negros não andarem de ônibus, eles não poderão operar. Três quartos dos usuários são negros e ainda que sejamos presos ou tenhamos de ficar de pé com bancos vazios. Se nada fizermos para parar com essas prisões, elas continuarão. Da próxima vez poderá ser você, ou sua filha, ou sua mãe. O caso dessa mulher será julgado na segunda-feira. Nós estamos, desta forma, pedindo a cada negro para não entrar nos ônibus na segunda em protesto pela prisão e pelo julgamento. Não andem nos ônibus para trabalhar, para ir à cidade, para ir à escola ou para qualquer coisa na segunda-feira. Vocês podem se dar ao luxo de não ir à escola por um dia se não tiverem outros meios de ir que não por ônibus. Você também pode deixar de ir à cidade por um dia. Se você trabalha, pegue um táxi ou caminhe. Mas por favor, crianças e adultos, não andem de ônibus na segunda. Não andem em nenhum ônibus na segunda.”
Na manhã seguinte, em uma reunião liderada pelo chefe da MIA, King, um boicote ao transporte público da cidade foi proposto para exigir uma linha divisória nas seções segregadas dos ônibus. Uma linha assim significaria que, se a parte destinada aos brancos fosse toda ocupada, os brancos teriam de ficar de pé e os negros não seriam forçados a ceder seus lugares aos brancos.
Esta exigência foi um compromisso entre os líderes do boicote, que acreditavam que a cidade de Montgomery estaria mais propensa a aceitar tal medida em vez de uma proposta demandando a integração total nos ônibus. A esse respeito, a liderança da MIA seguiu o padrão de boicotes anteriores no Sul dos EUA durante a década de 1950. Um exemplo foi o boicote vitorioso alguns anos antes nas estações de serviço no Mississípi, que se recusavam a providenciar toaletes aos negros. O MIA exigiu a presença de uma linha divisória fixa, suplementada por uma outra exigência: a de que todos os passageiros de ônibus fossem tratados com urbanidade pelos motoristas. A proposta foi aprovada e o boicote foi marcado para começar na segunda-feira seguinte. Para dar publicidade ao boicote, ele foi noticiado em todas as igrejas negras de Montgomery no domingo.
No sábado, 3 de dezembro, era evidente que a comunidade negra apoiaria o boicote e poucos negros andaram de ônibus naquele dia. Na noite daquele dia houve uma grande reunião para determinar a possibilidade de continuidade do protesto, o que motivou uma resposta entusiástica do público presente. O boicote mostrou-se bastante efetivo, a ponto de o sistema municipal de transporte ficar seriamente comprometido financeiramente. Martin Luther King mais tarde escrever: “[um] milagre aconteceu”. Em vez de andar de ônibus, os participantes do boicote organizaram um sistema de carona solidária, com donos de carros oferecendo seus veículos e/ou a si próprios para levar as pessoas a vários destinos. Quando a cidade pressionou as empresas de seguros locais a não mais fornecerem apólices para os carros presentes nos mutirões de carona solidária, os líderes do boicote recorreram ao Lloyd’s of London.
Os taxistas negros cobravam US$0,10 pela viagem, tarifa idêntica à do ônibus, em apoio ao boicote. Quando os administradores da cidade souberam do fato, em 8 de dezembro, determinaram que qualquer taxista que cobrasse menos de US$0,45 fosse multado. Além de se valerem de carros particulares, algumas pessoas utilizaram bicicletas, caminharam, ou mesmo montarias em mulas ou viagens em carroças. Algumas pessoas também pediram carona. Durante os horários de pico, as calçadas frequentemente ficavam lotadas. Como os ônibus andavam com poucos passageiros, quando não andavam vazios, os responsáveis pelo transporte pediram à municipalidade a interrupção do serviço para as comunidades negras. Em todo o país, as igrejas dos negros levantavam dinheiro para apoiar o boicote e enviaram sapatos novos ou com pouco uso para repor os calçados dos cidadãos negros de Montgomery, muitos dos quais preferiam o pedestrianismo a se submeter às leis de Jim Crow.
Em resposta ao boicote, os brancos opositores hipertrofiaram o White Citizens’ Council (Conselho dos Homens Brancos): a quantidade de membros dobrou ao longo do boicote. Os conselhos às vezes se valeram da violência – as casas de Martin Luther King Jr. e Ralph Abernathy foram atingidas por coquetéis Molotov, assim como também o foram quatro igrejas batistas. Participantes do boicote foram agredidos com frequência.
Sob a validade de um regulamento de 1921, 156 manifestantes foram presos por “frustrar” o serviço dos ônibus, inclusive King. Foi-lhe oferecida a escolha entre uma multa de US$500,00 ou passar 386 dias na cadeia. Ele acabou passando duas semanas na prisão. A medida foi frustrada pela atenção nacional direcionada ao protesto. King comentou a sua prisão, dizendo: “Estou orgulhoso de meu crime. O crime de juntar meu povo em um protesto não violento contra a injustiça”.
Aquilo que no artigo é afirmado como ação do Estado não é um mero acaso. Trata-se de uma estratégia muito bem planejada de semear a CIZÂNIA dentre a população. Assim, com todos se odiando todos sonham em ter o Estado a seu lado para atacar seus “inimigos”.
Essa é uma velha estratégia: INVENTAR INIMIGOS PARA ALICIAR AMIGOS.
No fim, com a população dividida em diversas “raças”, “classes”, categorias profissionais, crenças ideológicas, sexos e ETC.., O RESULTADO É QUE NO FIM TODOS ESTÃO CONTRA TODOS EM UM OU MAIS DOS GRUPAMENTOS ESTABELECIDOS PELA PROPAGANDA.
Só assim o ESTADO SE MANTÉM. É semeado o ódio, o racor, o ressentimento, a cobiça, a inveja e etc., para através disto trazer para seu lado os descontentes com seus “inimigos”.
Por outro lado há também O ADESTRAMENTO tal qual como se faz nas forças arm,adas, ONDE A OBEDIÊNCIA cega e A ANUENCIA COM A AUTORIDADE SUPERIOR SUPERA A DIGNIDDADE É FUNDAMENTAL.
No exército a idéia é habituar um recruta ou o hierarquicamente inferior à submissão absoluta (afinal, ele terá que dar a própria vida pppor uma ordem):
ISSO SE CONSEGUE HABITUANDO O INDIVIDUO A ACEITAR CADA VEZ MAIORES HUMILHAÇÕES POR PARTE DE SEUS SUPERIORES. É um CONDICIONAMENTO ou ADESTRAMENTO MILITAR. É assim mesmo que chamam: adestramento militar. É de fato um adestramento.
Repare-se que na história o que se vê é o grupo que se põe no Poder sempre IMPÕE CONTRARIEDADES CADA VEZ MAIORES AOS INDIVÍDUOS A ELES SUBMETIDOS.
Assim, quanto mais é contrariado e não reage, mais os indivíduos vão se havituando a submissão, à obediência. Não é por acaso que, por exemplo as religiões impunham contrariedades aos fiéis: a proibição ao sexo como prazer, o vestuário, proibição ao alcool, à musica, até o sorriso chegou a ser proibido e nesta sequencia funesta impunha-se o culto com ostentação de subserviência como ficar de joelhos, ficar com o trazeirom para cima, gritar louvores, curvar-se ante as autoridades em demonstração de inferioridade e ETC..
Trata-se de CONDICIONAMENTO DE POPULAÇÕES que cada vez vão aceitando contrariedades paulatinamente maiores.
Lembro de uma estratégia de Ernesto Geisel muito comentada por meu pai:
Ele queria aumentar o preço da gasolina, mas um aumento de $1,00 seria inaceitável e resultaria em grande revolta. Assim, ele propôs um “emprestimo compulsório” sobre a gasolina de $2,00 e houve gritaria. Então magnânimamente ele aumentou somente $1,00 e todos ficaram felizes.
Essa é a estratégia do “BODE NA SALA”. Geisel tb impôs um “emprestimo compulsório” para que brasileiros pudessem viajar para o exterior, era um bom dinheiro (em dolares) …e como era “só um emprestimo” a população aceitou, sobretudo pq a grande maioria não era tocada por tal lei e os poucos que poderiam viajar não tiveram apoio.
NÃO HÁ COINCIDÊNCIA NESTAS CANALHICES E PAULATINAS IMPOSIÇÕES QUE VÃO MINANDO GRADATIVAMENTE O SENDO DE DIGNIDADE DOS INDIVIDUOS.
Trata-se de uma estratégia para adestramento, para habituar a população a aceitar CADA VEZ MAIORES CONTRARIEDADES QUE VIOLAM A DIGNIDADE HUMANA.
Vejam a proibição ao fumo. AOS POUCOS ELA FOI SE AMPLIANDO, até que atualmente é proibido fumar até sob marquizes, sendo q a propaganda tb foi proibida. (eu nao fumo)
O teor de alcool para se dirigir, idem. Eles vão impondo restrições indignificantes paulatinamente e os animais vão aceitando as contrariedades a sua dignidade cada veaz maiores.
Ora, multar e prender alguém que esta dirigindo perfeitamente, que bebeu uma latinha de cerveja ou comeu um bobom de licor sob o argumento de que PODERÁ CAUSAR UM ACIDENTE, é absurdo. é O PRÉ CRIME.
contudo, FACINORAS QUE TEM POR PROFISSÃO ASSALTAR E MATAR INOCENTES INDEFESOS, após dois anos presos, e há casos com um ano, ganham liberdade4 para visitarem familiares em datas comemorativas …E ELES JAMAIS VOLTAM PARA A CADEIA E NESTES PERIODOS ELES COMETEM CRIMES E MATAM INOCENTES.
Aí, neste caso a lei não se importa com precauções e LIBERA FACÍNORAS CUJA A ATIVIDADE ESCOLHIDA É A PRATICA DE CRIMES CONTRA O PATRIMONIO E A VIDA ALHEIA.
…São reduições absurdas de pena, regalias, e SAIDAS PEM DATAS COMEMORATIVAS.
Nas estatisticas esses que recebem estas regalias VOLTAM A COMETER OS MESMOS CRIMES DE MATAR, SEQUESTRAR E ROUBAR …mas a lei dos legisladores tão preocupados com bombons de licor e latinhas de cerveja, NÃO SE IMPORTAM COM OS FACÍNORAS QUE ELES LIBERTAM PARA COMETEREM ASSASSINATOS, ESTUPROS, SEQUESTROS, ROUBOS e furtos.
EIS AÍ O ESTADO!!!!
O Poder é uma ambição.
Como alguém mede o seu Poder sobre outros?
Impondo a estes outros contrariedades! …George Orwell sabia disso e não é tão dificil perceber. Vide todos aqueles que se fazem autoridades sobre massas ou rebanhos humanos, tendem a ESTABELECER CONTRARIEDADES ARBITRÁRIAS. qUEREM SABER ATÉ ONDE CONSEGUEM SUBMETER SEU RE3BANHO. Daí proibições imbecis apenas para contrariar os submissos.
A história do Poder é uma história de PROIBIÇÕES ao BEM VIVER. Lógico, se indivíduos aceitam submeterem-se indignamente às proibições arbitrárias de líderes ideológicos (Estado sustenta-se numa ideologia: os fins justificam os meios. Ideologias partem de preconizados fins e teorias partes de principios axiomáticos), isso indica que as lideranças possuem dominio sobre estes individuos e atraves destes podem mesmo submeter os rebeldes.
NUMA ILHA EM QUE EXISTA MILHARES DE CÃES E CENTENAS DE HOMENS, ira governar, execer o poder, AQUELES QUE SE DEDICVAREM A ADESTRAR A CACHORRADA.
Aqueles que se dedicarem a trabalhar e produzir serão ESCRAVIZADOS por aqueles que adestraram os cães.
Olá Jonas, você está confundindo as coisas.
O texto critica o uso da força física (poder) para impingir seus ideais a terceiros. Critica-se também a blindagem à razão feita por ideais utopicos.
Poderia-se dizer que libertários têm um “ideal” apenas neste sentido: Aquilo a que se aspira. Ponto. No caso é a não-coerção; logicamente tal ideal não representa uma violação da liberdade de outros, como os ideais coercitivos. Pelo contrário.
Para evitar confusões que os discrepantes sentidos que a palavra “ideal” pode trazer, prefiro dizer que libertários têm o princípio da não-coerção.
___________________________________________________________________________________
Se alguém ainda deseja pertencer em determinado arranjo pacífico, é claro que é livre para isso. Mais: Uma tentativa de retirá-lo de um arranjo voluntário seria uma coerção.
Mas perceba: O problema de você dizer que quer permanecer neste arranjo é o simples fato de este obriga a adesão. Na verdade, seria correto você dizer que é livre permanecer em um versão voluntária do arranjo atual.
___________________________________________________________________________________
Parece-me que o sentido da palavra “ideal” no texto foi: Que só existe na imaginação; fantástico, quimérico: mundo utópico.
Na verdade foi em grande parte uma confusão semântica – creia-me, muitas confusões são causadas por isso.
Não sei se respondi suas dúvidas corretamente, Jonas. Se não, favor pergunte.
Um abraço.
Fui no link de A. Einstein na MR, e fiquei, claro, alem de surpreso pela segunda mente mais brilhante de todos os tempos ser pro-socialista (a primeira foi Newton, muito mais inteligente , articulado, e sabio em muito mais campos do conhecimento que Eisntein), tb me surpreendeu a quantidade de lixo propagado naquele site, e em como TODOS ELES são facilmente desmentidos por uma penca de artigos aqui do site.
Parabens pela qualidade das ideias aqui expostas, e fica meu pesar em saber que tem tanta boabagem sendo propagada pelo mundo, que não resistem a 5 minutos de Escola Austriaca, mas infelizmente “vendem” seu peixe muito melhor sob as propagandas de objetivos intangiveis como ” justica social” e “igualdade”.
O fato de Einstein ter sido um gênio em física não o tornou um ser dotado de conhecimento sobre-humano e infalível sobre todos os assuntos. Na época dele o socialismo podia parecer viável para um leigo em Economia e ser a opção mais humanitária. Mesmo hoje, com tanta informação disponível, muitos leigos são iludidos.
* * *
logo de cara, o artigo já foi ”machista”:
”O mais influente indivíduo de qualquer século provavelmente será um homem”
tirando este trecho, o artigo é excelente!