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A perseguição do estado aos automóveis

O estado moderno foi criado e construído sob a crença de que traria o progresso
material para o mundo.

E
como as coisas mudaram.  Houve uma época
em que, por mais equivocadas que fossem as políticas adotadas, elas ao menos
tinham a intenção de acelerar o progresso. 
Hoje, ao contrário, o mesmo estado se esforça para reverter o progresso
de todas as maneiras possíveis.  Pior
ainda: ele até mesmo se vangloria das coisas “gloriosas” que está fazendo para
tornar nossas vidas ainda mais miseráveis. 

Ele
inclusive tem a cara-de-pau de se auto-elogiar dizendo que, sozinho, é capaz de
fazer retroceder nossa constante batalha em busca de uma vida melhor.  E, em troca disso, ele espera que sejamos
gratos aos nossos senhores de engenho — e que paguemos por esse privilégio.

Estes
são os pensamentos que cruzaram minha mente ao ler esta reportagem do The New York Times: Europa
atormenta motoristas em prol de paraíso para pedestres
.  (Ou, no Brasil, Automóvel
será vetado no centro de SP no Dia Mundial Sem Carro
).

Sim,
é isso mesmo: políticos não estão tentando facilitar o ato de dirigir um
automóvel; ao contrário, querem torná-lo mais problemático e irritante, e tudo com o
intuito de que as pessoas abandonem seus carros, esqueçam-nos e voltem a andar
a pé, exatamente como era antes da invenção da roda.

Agora,
sinceramente: o fato de que você pode entrar em um dispositivo de aço,
dirigi-lo a altas velocidades e ir aonde quiser é algo que tem de ser
considerado como uma das maiores façanhas da história da humanidade.  Isso representou a libertação da vontade
humana.  Nos últimos 100 anos, sempre que
encontrávamos o progresso, a alegria e a satisfação humana, lá estava o
automóvel.  O automóvel chegou muito
perto de sobrepujar os grandes problemas gerados pela escassez de tempo e de
espaço, além de ter-nos tornado capazes de realizar tarefas essenciais.  Além de nos permitir trabalhar, residir e
fazer compras onde queremos, o automóvel também nos dá a liberdade de viajarmos
para onde quisermos, fazendo com que cheguemos a cada um desses locais em uma
fração do tempo que nossos ancestrais demoravam.

E
o que o estado resolve fazer?  Ele tenta
acabar com tudo isso.  “Governos estão
criando ambientes urbanos abertamente hostis aos automóveis”, diz o Times
“Os métodos variam, mas a missão é clara: tornar o uso do carro algo
caro e impossível o suficiente para fazer com que os motoristas optem por meios
de transporte mais sustentáveis.”

Será
que estes políticos estão ao menos cientes de que estão meramente ressuscitando
o plano de transportes de Mao Tsé-tung?  Quando
Mao chegou ao poder em 1950, ele declarou que a China seria um zixingche de
guo
, o Reino das Bicicletas.  A
bicicleta era um dos três itens que todos os cidadãos obrigatoriamente deveriam
ter (os outros dois: um relógio e uma máquina de costura).  A bicicleta supostamente deveria ser um
grande símbolo da igualdade e da disposição do cidadão em utilizar os próprios
músculos para trabalhar pelo triunfo do socialismo.

E
assim já está acontecendo ao redor do mundo ocidental, por enquanto de maneira
mais proeminente na Europa, onde ruas estão sendo fechadas, estacionamentos
estão sendo demolidos, e a gasolina está sendo tributada ao ponto de torná-la
inacessível para o mais pobres — nada mais elitista.  Em vários locais, os limites de velocidade
estão sendo reduzidos a um valor equivalente ao de uma caminhada, e, em outras
localidades, os carros estão sendo completamente banidos.  A ideia não é a de construir a grande utopia
socialista, mas sim a de “salvar o ambiente” — e que se dane o bem-estar dos
seres humanos que pagam os impostos que permitem a estes governos existir e
prosperar.

É
tudo pela natureza?  Não, essa é apenas
uma das justificativas.  No caso da
Europa, os políticos também estão dizendo que as ruas são muito estreitas para
lidar com um alto tráfego de automóveis, uma vez que a maioria delas foi
construída antes da invenção do automóvel. 
Isso é estranho: as ruas nos EUA também são anteriores ao automóvel, mas
os americanos — como o empreendedor Brigham Young, que construiu Salt Lake
City — tiveram a ideia de fazer suas ruas largas o suficiente para permitir
que carruagens pudessem dar meia-volta. 
Na maioria das vezes, o verdadeiro motivo é que os “planejadores
urbanos” simplesmente não gostam de carros e, consequentemente, como afirma a
reportagem, “em geral concordam que um aumento no uso de carros não é desejável
para as cidades.”

O
problema com os “planejadores urbanos” é que eles não pensam nas pessoas como
sendo indivíduos com interesses próprios e que agem de acordo com seus próprios
planos, resultando disso uma ordem espontânea que torna as cidades
grandiosas.  Ao contrário, eles querem
planejar tudo — como se possuíssem um olhar de águia sobre toda a cidade e
realmente fossem oniscientes –, e obrigar todas as pessoas a obedecer aos seus
caprichos, mesmo que estes sejam deprimentes. 
Na pior das hipóteses, estes planejadores estão secretamente
horrorizados pela visão de milhões de pessoas vivendo bem e cuidando de suas
próprias vidas, e, assim como Mao, clamam desesperadamente por aquilo que
acreditam ser um sistema mais ordeiro.

Armados
com o poder do estado contemporâneo — que está destruindo a prosperidade e o
avanço civilizacional porque, na realidade, é somente isso que o estado sabe
fazer bem –, os planejadores urbanos estão realmente conseguindo seus
objetivos.  Mas a que custo?  Reverter um século de progresso é uma boa
maneira de melhorar nossas vidas?  Os
planejadores juram que sim, pois não apenas eles têm outras ideias sobre como
nossas vidas deveriam ser, como também querem nos obrigar a aceitar suas
imposições.  Eles querem que as cidades
sejam mais parecidas com um viveiro de formigas do que com um local onde as
pessoas escolhem, sonham e realizam.  A
existência estática de operários e camponeses sob o comunismo parece ser um
arranjo muito mais parecido com o mundo com que sonham.

A
questão é que o automóvel nunca realmente foi bem visto pelos governos.  O automóvel é produto do mercado, e é
utilizado por pessoas que querem alcançar objetivos individuais.  Em meu livro It’s a Jetsons
World
, mencionei que, se o governo não fosse o proprietário das ruas e
se ele não regulasse de maneira tão pesada as inovações nos meios de
transporte, já poderíamos estar usufruindo carros voadores a esta altura.  É claro que esta minha afirmação não pode ser
comprovada e nem refutada, mas é assim mesmo em um mundo no qual não há como se
verificar alegações a respeito do que poderia existir na ausência de controles
estatais e de medidas punitivas sobre a inovação e a produção.

Pense
no quão pequeno está sendo o progresso mesmo naquelas localidades em que o
automóvel é tolerado.  Recentemente, um
novo modelo do Honda Accord passou por mim e eu pensei que fosse um Lexus.  Logo depois, um Lexus passou por mim e eu
jurava que fosse um Accord 1995.  E então
pensei: os carros estão realmente se aperfeiçoando ou será que estamos apenas
girando em torno de estilos e designs?  É
isso o que fazem empresas de setores nos quais os consumidores querem apenas
inovação no estilo, mas não na estrutura (roupas masculinas, por exemplo).  Mas isso não é verdade para o setor de
transportes.  Sim, há novos apetrechos de
segurança e alguns penduricalhos a mais nos carros.  Mas por que os “carros-conceito” das
principais fabricantes nunca chegam às ruas? 
Quais inovações estamos perdendo?

Foi
após pesquisar tudo isso que resolvi escrever um artigo específico sobre o
assunto.  [Ver Por que os carros de hoje
são todos iguais
].  O fato é que há um
vasto aparato de planejamento central controlando a produção de carros.  Há imposições de emissão e de consumo, há regulações
sobre absolutamente tudo, do pneu ao ar-condicionado, há leis federais sobre
segurança e tamanho do motor, e há vários outros milhares de quesitos.  Não há um único elemento do carro que não
esteja sujeito a alguma regulamentação específica, inclusive o formato exato
das luzes de alerta no painel.  Qual
espaço realmente restou para inovações?

Tudo
ocorre exatamente como Bastiat havia alertado que ocorreria em uma economia mista.  Jamais saberemos ao certo quais inovações não
puderem existir e jamais farão parte de nosso mundo por causa das regulações
que paralisam os inovadores.  Jamais
saberemos ao certo quais tipos de bênçãos materiais poderiam estar amplamente
disponíveis não fosse a espoliação diária de capital e criatividade que ocorre
sob os auspícios do leviatã.

Governos
sempre foram inimigos do progresso, mesmo quando alegam querer o
progresso.  Nos últimos anos, estamos
ouvindo declarações cada vez mais francas desta gente (proibição de sacola
plástica é apenas o começo).  Eles querem
o retrocesso, e querem isso com volúpia. 
Caso vençam, o único terreno que ainda vivenciará um progresso real será
aquele criado no universo digital, o qual os planejadores são muito lentos (e
muito idiotas) para regular e, com isso, incapazes de nos levar de volta à
Idade da Pedra que eles consideram ser o ideal.

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27 comentários em “A perseguição do estado aos automóveis”

  1. faz bastante tempo que afirmei que ainda se teria que aceitar que apenas funcionários bem graduados do governos e se3us agregados teriam o direito (positivo: determinado pelo governo) de andar de carro. TAL QUAL ACONTECE COM AS ARMAS.

    O proprietário de veiculos veem sendo massacrado moralmente.
    Paulatinamente se vem acusando proprietários particulares de veiculos de serem um mal. Porém, a industria automobilistica produz mega impostos e mega corrupção dado o seu tamanho.

    mas é bom lembrar oq ocorreu com o cigarro. Apesar de fornecer uma arrecadação gigantesca era uma industria atacada/chantageada por corruptos e cada vez mais se adicionou imposto ao cigarro até que esta enfraqueceu e então tem sido combatida canalhosamente. Contudo, os Castros são produtores de fumo e charutos e importam mesmo do brasil o fumo. Talvez o fumo (cigarros, charutos) venham um dia ser qse um monopólio cubano. Aliás industrias de fumo tem feito muitos negócios com Cuba e seus acionistas lá vão fazer viagens e prosear com os ditadores.

    Os veiculos vão pelo mesmo caminho, a industria automobuilistica tem sido sugada por corruptos e quando derem por si, será tarde.

    Será lindo um pais onde apenas a hieraarquia estatal e seus agregados póderão andar de automoveis, tal como ocorre com as armas.
    Na URSS e seus agregados HAVIAM SHOPPINGS E LOJAS ESPECIFICAS PARA A ALTA GHIERARQUIA PARTIDADRIA. A IDEIA DE CONDOMINIOS PRIVATIVOS ONDE A POPULAÇÃO NÃO PODIA VER SEUS DONOS DESFRUTANDO DOS LUXOS CAPITALISTAS QUE CONDENAVAM, FOI UMA IDÉIA DA HIERARQUIA urss QUE ESPALHOU POR PAISES AFRICANOS MISERÁVEIS OS “OASIS DE PROPSPERIDADE” (RESORTS) ESPECIFICOS PARA A ALTA HIOERARFUIA ESTATAL E AGREGADOS (incluso tecnicos e prestadores de serviço estrangeiros, grandes empresas e que tais).

    Nestes oasis de prosperidade para apaniguados existem shoppings com boites, restauirantes, lojas de toda sorte de artigos finos e etc.. Executivos de empreiteiras se encantam com tal canalhice a custa da miséria da população. São esas ilhas da fantasia que encanta oligarcas e salafrarios de rolex no mundo todo.

    Curiosamente a midia NUNCA FALA DESTAS ILHAS CAPITALISTAS EM MEIO A PAISES MISERÁVEIS NA AFRICA. “ILHAS” RESTRITAS A AUTORIDADES (seus familiares) e PRESTADORES DE SERVIÇOS E ASSOCIADOS ESTRANGEIROS. É inojante as loas por estes executivos proferidas aos sistemas totalitários africanos, sobretudo por tecnicos que lá passam alguns anos sem JAMAIS TEREM CONTATO COM A POPULAÇÃO MISERÁVEL QUE OS SUSTENTA LUXUOSAMENTE.

    Não duvido que em algumas decadas, falando-se contra o CONSUMISMO desvairado da sociedade, ainda aconteceça de vasos sanitários, sapatos e tenis, eletrodomesticos e etc. ainda venham ser privilégio exclusivo de uma NOVA NOBREZA SOCIALISTA E IGUALITÁRISTA …dos outros.

    Não duvido q oq acontece com as armas venha a acontecer com tudo mais, ante a impossibilidade de produção em massa dados condiçõe políticas de achaque da população.

    Para netos e bisnetos o mundo que se apresenta, SE NÃO MUDAR, será talvez ainda pior do que a idade das trevas, pior que o velho FEUDALISMO E SUA SOCIEDADE HIERARQUIZADA.

    Ou muda ou créu!!!

  2. Jeffrey, na minha opinião, seus argumentos são grosseiros, sem fundamento. A industria automobilística é um dos nichos de maior impacto na geração de riqueza mundial de forma direta e indireta.É literalmente o motor da economia, movimentando diversas outras indústrias e suas cadeias produtivas.Cito como exemplos: a petrolífera (combustíveis), siderúrgica (matéria-prima),serviços (manutenção) e construção civil(vias e acessos).Desse fato , segue algumas ponderações: Primeiro, toda essa cadeia é também fonte de receita dos governos, através dos impostos. Uma luta por redução desta cadeia produtiva e seus impactos no PIB mundial causariam também uma redução das finanças governamentais.Partindo de um pressuposto socialista, essa redução de produtividade aumentaria a capacidade ociosa das populações, gerando maiores dependência sociais , o que seria outro tiro no pé dos governos.Segundo, a conjuntura da vida moderna demanda por transporte, e a redução do uso de veículos sem uma reposição dessa capacidade de locomoção fatalmente desencadearia inflação.Até mesmo em países subdesenvolvidos, onde a população não entende os movimentos da economia, a inflação pode desgastar a imagem de um governo perante seu povo.E o governo brasileiro já sentiu isso na pele no passado. Do meu ponto de vista, acho válido o estímulo à redução do uso de veículos particulares em grandes cidades com o objetivo de melhorar o fluxo de pessoas e cargas, reduzindo os congestionamentos e a poluição nestes locais. Com a contínua aglomeração e verticalização que ocorre nos grandes centros urbanos, a tendência natural é o número de carros deteriore cada vez mais as condições de movimentação, prejudicando a qualidade de vida de todos.Visto que os governos supostamente agem com consciência dessa necessidade de redução, em contrapartida é necessário que demonstrem consciência da necessidade de maior capilaridade e condições dos transportes públicos ou alternativos.Acho que esse sim é um bom debate a ser proposto.
    Esse é uma das poucas situações em que a intervenção do governo é realmente necessária, e benéfica se bem executada.
    Devo concordar no que diz respeito ao excesso de regulamentação sobre a indústria, que limita a inovação e experimentação.
    Concluindo, a sustentabilidade é , não apenas para a proteção do meio ambiente, um fator indispensável para o futuro , não associável a linhas de pensamento liberais ou intervencionistas.

  3. Vítor, o artigo cita fatos, e não opiniões. Leia com mais atenção e com menos emotividade. E, se possível, aponte o trecho específico que contenha as tasi “argumentações grosseiras e sem fundamentos”.

  4. Artigo formidável.
    Agora há pouco li o artigo Engenharia da complacência, sobre a perseguição estatal aos fumantes, no livro O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota, de Olavo de Carvalho.
    Essas perseguições são engenharia social pura.

  5. Boa noite.

    E o prefeito de SP que quer limitar o n° de vagas na garagens?

    www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/08/1328462-novo-plano-diretor-vai-limitar-vagas-de-garagem-em-predios.shtml

    Obrigado.

  6. Estes novos movimentos sociais não enganam.

    Almejam acabar com o capitalismo através da invocação não da luta de classes, mas da luta de condições; conflitando um “bem estar social” genérico contra o bem legitimado por direito natural dos indivíduos. Diferentemente do estratagema marxista, a perversão da moralidade burguesa torna-se arma nas mãos dos novos movimentos sociais: Induzem as crianças ricas desde a mais tenra idade a sentirem culpa por sua riqueza devido ao dano causado à Terra(Uma abstração produto de uma retórica neo-malthusiana e de engodo defensivo sobre a participação do estado no processo).

    Estes novos revolucionários são eficientes, porém sua meta é garantida de ser desviada. A eliminação da consciência de classe através do método ecogramsciano não formará uma sociedade de fantoches seguidores da cor verde, porém abrirá as portas desses militantes à vanguarda socialista sob a categoria leninista e fortalecerá os movimentos sociais tradicionais. Formar-se-ão as melancias.

    No fim, os ambientalistas serão, de maneira irônica, traídos pelos verdadeiros revolucionários. A crise do capitalismo sob o prisma ambientalista está no fato esse produzir riqueza, entretanto, sob a perspectiva marxista, está no fato desse produzir pouco e demais das necessidades fúteis da burguesia. Os eco-conscientes, no fim, fracassarão miseravelmente perante a verdadeira glória revolucionária e aqueles que não se aliarem às fileiras proletárias perecerão no holocausto revolucionário(Já estará tarde para alterar suas afiliações).

    O ambientalismo nada mais é que gordura para fortalecer o organismo revolucionário. Encontrar-se-ão eliminados para gerar energia aos proletários assim que finalmente a era da violência chegar e o novo mundo surgir.

    Eles hão de reconhecer, em tal momento, que diferente da natureza; Marx é eterno.

  7. Bom, eu não com a parte:
    “A ideia não é a de construir a grande utopia socialista, mas sim a de “salvar o ambiente” — e que se dane o bem-estar dos seres humanos que pagam os impostos que permitem a estes governos existir e prosperar.”
    e com a outra que diz:
    “Armados com o poder do estado contemporâneo — que está destruindo a prosperidade e o avanço civilizacional porque, na realidade, é somente isso que o estado sabe fazer bem”.

    Porque o governo cede altos subsídios para os automóveis, tem a redução do ipi e facilidades para o financiamento, ou seja, o governo quer que você consuma. E é aí que está o problema, as ruas não foram planejadas para tantos carros que são comprados após tantos incetivos

  8. Não sou a favor do banimento do automóvel, mas de seu uso consciente. Isso implica nunca usa-lo para ir e voltar do trabalho ou da faculdade. Pode usar para ir no mercado, emergências, passeios de fim de semana, etc. Ou seja, não há problema em comprar um carro, desde que ele seja usado com ponderação.

  9. Mas onde há perseguição estatal ao uso dos automóveis? Pelo contrário, o governo incentiva o uso e a propriedade do automóvel, ao gastar dinheiro público para favorecer os financiamentos dos automóveis; ao promover renúncias fiscais de IPI; ao isentar a CIDE Combustível da gasolina; ao aumentar o preço do óleo diesel dos ônibus quatro vezes mais do que o da gasolina; ao cobrar dos usuários todos os impostos sobre os serviços de transportes, além de transferir todo o ônus financeiro das políticas sociais aos usuários, aumentando as tarifas em quase 50%; e construindo mais de 90% das vias e viadutos para serem utilizados pelos automóveis. Essa política, que explodiu no governo de Juscelino Kubitschek, destruiu a mobilidade baseada em bondes e trens. Havia uma rede ferroviária boa e redes de bondes que atendiam as cidades… eles foram sendo tirados porque atrapalhava a velocidade do carro, cortava os pneus. No "novo Brasil", o uso do automóvel foi assumido como política de Estado e se apropriou do sistema viário.

    Hoje, não há a democracia de um bem público chamado "rua". A grande questão que discutimos hoje é de quem é a rua. No MTD [Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos] temos defendido que as ruas são das pessoas, não dos veículos. Apesar do grande volume de pedestres que existe, as calçadas estão em mau estado de conservação. É uma via de circulação, um modal de transporte, mas nunca foi considerada assim.

    Andamos todos os dias em calçadas estreitas, quase sempre esburacadas, e às vezes inexistentes enquanto os carros ocupam extensos espaços da "via pública" para estacionarem e circularem. O que dizer dos ciclistas, heróis anônimos que diariamente arriscam suas vidas para chegarem ao trabalho? E as crianças que pedalam até a escola? A rua, espaço de vida, tornou-se espaço do medo, da morte, onde carros transitam em alta velocidade entre bairros repletos de crianças, idosos e pessoas com deficiência.

    A disputa é pela apropriação da via pública. A democracia em uma cidade se mede pela largura de suas calçadas, pelos espaços reservados ao transporte público e à bicicleta. Com base nisso a gente sabe se uma cidade é democrática ou não. Se os pedestres são responsáveis por 30% dos deslocamentos, eles têm de ocupar 30% da via.

    Mesmo uma pessoa que não tem carro o defende. O Lula acirrou mais isso. Ele e o governo do estado de São Paulo colocaram R$ 14 bilhões para financiar o acesso dos setores de baixa renda ao automóvel. As pessoas querem a propriedade do carro. Assim, o poder público abre mão de recursos do transporte coletivo para financiar o automóvel, sem que a indústria automobilística contribua na construção de outra mobilidade. Hoje, mais de 70% da pesquisa tecnológica é para a indústria automobilística. Temos de construir um movimento muito forte para mudar isso.

    Felizmente, o ano de 2012 iniciou com duas grandes notícias: Finalmente, a sociedade percebeu que não há como abrigar nas ruas tantos carros e entra em vigência a Lei da Mobilidade Urbana (Lei 12.587/2012) que cria UM NOVO PARADIGMA: a prioridade no uso e nos investimentos públicos feito nas ruas é dos pedestres, bicicletas e transporte público.

    O ano de 2013 inicia consolidando conquistas da luta histórica da Mobilidade Sustentável, como as leis e o decreto sobre acessibilidade universal, os investimentos de mobilidade da Copa e dos PACs da Mobilidade Grandes e Médias Cidades, que implantarão sistemas estruturais de transportes públicos como metrôs, ferrovias urbanas, corredores exclusivos de ônibus segregados e monitorados (BRTs), corredores fiscalizados eletronicamente para não serem invadidos (BRS), bondes modernos (VLTs) e monotrilhos; além do PAC da pavimentação de calçadas, ciclovias e vias para ônibus como sistemas complementares, alcançando o valor de 97 bilhões. Somam-se a estes os investimentos dos Governos Estaduais – 45 bilhões de SP e 10 bilhões do RJ. Além disso, o Governo Federal aprovou uma PEC que desonera tributação sobre PIS, PASEP e COFINS, para conter os reajustes das passagens.

    Foi a luta pelo barateamento das tarifas, tendo como horizonte a Tarifa Zero, em termos políticos, que fez explodir as manifestações de rua em junho. Foi ela que levou o Governo Federal a ouvir os movimentos sociais (Passe Livre e os Movimentos Populares no FNRU), lançar o Pacto Nacional da Mobilidade Urbana e mais 50 bilhões para novos projetos para Mobilidade urbana, onde reivindicamos que parte dessa verba seja aplicada na qualificação dos sistemas de transportes convencionais e na capacitação de órgãos gestores. Além disso, acelera a tramitação do REITUP, que desonera os demais tributos e a PEC 90, que reconhece o Transporte Público como Direito Social.

    Mas a luta para emplacar a Lei da Mobilidade e mudar a cultura viária continua. Nesta conjuntura que o Fórum Nacional da Reforma Urbana (FNRU), o Movimento Nacional pelo Direito ao Transporte Público de Qualidade para Todos (MDT), o Instituto RUAVIVA e o Institute for Transportation e Development Policy (ITDP) trazem esse manifesto na 13ª Jornada Brasileira "na cidade, sem meu carro",, propondo à população um dia de reflexão e consciência sobre a MOBILIDADE QUE TEMOS E A MOBILIDADE QUE QUEREMOS COM A RUA SENDO DAS PESSOAS E NÃO DOS CARROS. Para isso, defendem a mobilização da sociedade para implementar a Lei da Mobilidade – nosso ESTATUTO DA MOBILIDADE SUSTENTÁVEL e para isso propõem:

    1. Aplicação da LEI DA MOBILIDADE de forma a garantir que os investimento em vias públicas, incluindo os viadutos, sejam prioritariamente destinados aos pedestres, ônibus e bicicletas e que esses sejam os eixos principais dos Planos de Mobilidade;

    2. Agora é leia utilização de faixa ou faixas de vias, hoje dos automóveis, para corredores exclusivos de ônibus segregados e monitorados (BRTs), corredores fiscalizados eletronicamente para não serem invadidos (BRS), bondes modernos (VLTs) e monotrilhos;

    3. A integração dos sistemas estruturais de transporte como metrôs, ferrovias urbanas, bondes modernos, barcos e ônibus (BRT e BRS). Todos devem ter acessibilidade para pessoas com deficiência e integração com as bicicletas (publicas e privadas), calçadas acessíveis e bilhetagem eletrônica temporal ("bilhete único"), onde o usuário utiliza o transporte público por 1 ou 2 horas, garantindo cidadania e redução de custos;

    4. A criação de calçadas públicas acessíveis a pessoas portadoras de deficiência (implantadas e fiscalizadas pelo poder público), onde houver grande fluxo de pedestres. Nas demais calçadas, implantar normas para que se garanta a circulação com acessibilidade universal, bem como para o plantio de árvores. Isso também está nas LEIS DE ACESSIBILIDADE para pessoas com deficiência;

    5. Nos bairros, as prefeituras devem estreitar as vias e alargarem as calçadas para os pedestres, implantarem ciclofaixas, calçadas compartilhadas, ciclovias para as bicicletas e campanhas educativas. Em muitos lugares, a calçada deve atravessar a rua para que os carros saibam que essa rua é das pessoas;

    6. A fiscalização da faixa de pedestre, com multa, para que seja respeitada, como acontece em Brasília, onde os motoristas se tornaram cidadãos e respeitam a cidadania dos pedestres, fazendo valer o CODIGO BRASILEIRO DE TRÂNSITO;

    7. Que se cumpra a LEI DE MOBILIDADE, implantando nos municípios políticas de estacionamento de automóveis com regulação pública, localizados junto aos corredores estruturais de transportes públicos e com taxas progressivamente mais altas conforme se aproximem aos centros urbanos. E que com esses recursos compunham um fundo público para aplicar em obras de transportes, calçadas e ciclovias;

    8. A utilização dos estacionamentos na via pública para aumentos de calçadas, ciclovias, faixas exclusivas de ônibus e áreas verdes;

    9. O direito à qualidade do ar nas cidades, utilizando em todo o país, com apoio de recursos federais e estaduais, os motores Euro 5 e o Diesel com S10 ppm (partículas por milhão de enxofre) que eliminam a fumaça preta dos ônibus e lutar para que os ônibus sejam movidos a biocombustível, gás, álcool e outros combustíveis limpos;

    10. O enfrentamento da tragédia dos mortos e feridos no trânsito, pressionando os Governos a se engajarem na Década da Redução de Mortes no trânsito da ONU, assumindo o compromisso público de que o dinheiro recolhido das multas de trânsito não seja contingenciado ou desviado para pagar salários e construir vias para os automóveis, mas aplicados na fiscalização, educação de trânsito, reforma de calçadas, ciclovias e faixas exclusivas de ônibus, e que, todo ano, o Poder Público preste contas publicamente da aplicação desse dinheiro;

    11. E que os investimentos em sistemas estruturais de transportes públicos na Copa, PACs da Mobilidade e dos governos estaduais entrem em operação com controle social, integrados, acessíveis, com calçadas, ciclovias e estacionamentos geridos pelo governo e acompanhados do barateamento das tarifas em todo território nacional. Para finalmente transformar a "rua dos carros" em "rua das pessoas".

    Extraído de:
    http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20945

    e de:
    mdt-mdt.blogspot.com.br/2013/09/conquistar-rua-para-os-pedestres.html#.Uj-Xk9cc2bg

    Postei isso só para acrescentar mais informações, como essa Lei de Mobilidade Urbana e que os movimentos e ONGs esquerdistas continuam fazendo lobby por mais leis estatais.

  10. Prezados. Eu discordo do lobby esquerdista de querer proibir as pessoas de usar carros. Mas seria errado criar páginas, distribuir panfletos e jornais, criar escolas, etc. tentando conscientizar de que a bicicleta também é um meio de transporte, mas um meio de transporte não motorizado e que devem sim, respeitar a vida e a integridade do quem usa meio de transporte diferente (como bicileta) numa rodovia? É convincente o discurso de que vivemos numa “ditadura dos automóveis”. Tente andar de bicicleta numa rua onde é alto o trânsito de veículos, é suicídio.

    Eu não estou falando para proibir o uso do automóveis como querem os esquerdistas do MTD, eu tô falando em ter a liberdade de andar em qualquer rua, rodovia, avenida, etc. com o meio de transporte que eu quiser (seja carro ou bicicleta ou o que for) sem perigo. Pois a bicicleta também é um meio de transporte, mas ninguém respeita isso. Se eu andar de bicicleta numa rodovia e for atropelado, boa parcela da população vai dizer que a culpa foi minha por andar de bicicleta num espaço de automóveis. Muitos vão passar a mão por cima da cabeça do motorista.

    Como eu disse, eu não quero proibir o automóvel, mas vocês concordam que somos proibidos de andar de bicicleta…

  11. Vou fazer um comentário que também não pode ser comprovado ou refutado. Eu acredito que se a gestão dos espaços comuns nessas cidades fosse privada e distribuída, o resultado apontaria na mesma direção: maior uso de transporte coletivo, menor uso de carros. Seria provavelmente mais eficaz, e sem usar dos mesmos métodos autoritários (limite no número de vagas de estacionamento é coisa de estado, por ex.), mas o resultado no final seria provavelmente nessa direção.

    É fato que essas cidades europeias são “apertadas”. Construir infraestrutura para todo mundo poder andar de carro seria muito mais caro do que construir uma infraestrutura decente de transporte coletivo. É muito mais econômico botar alguns veículos carregando múltiplas pessoas, do que um monte de veículos carregando um ou dois. Pra ter um monte de veículos, tudo teria que ser subterrâneo… é muito caro.
    Com uma gestão não monopolista do transporte público, ele seria muito melhor (mais freqüente, mais rápido, mais barato…). Não haveria muita razão para se usar carro (carro é caro!).

    Enfim… eu morei um tempo na região parisiana e em Lyon, e não sentia muita falta de ter carro. E o transporte coletivo ainda poderia melhorar muito nesses locais, já que são monopólios que com uma certa frequência apresentam problemas (atrasos, greves, “lotações” etc). Se fosse ainda melhor, menos ainda que eu iria querer andar de carro nessas cidades.

  12. Na cidade onde moro sempre aparece no jornal do bairro ou da cidade, alguém com aqueles ideias maravilhosas, do tipo “carona solidária”, “dia do gestor sem carro”, utilize o transporte público, proteja o meio ambiente, vá de bicicleta, vá a pé para o trabalho.
    São todas ideias socialistas de coletivo, tem até um vereador que chama o seu mandato de “mandato coletivo”.
    Todos esses políticos, gestores, administradores públicos não conseguem ver as pessoas com desejos, não conseguem ver indivíduos, somente um amontoado de pessoas como verdadeiros insetos, formigas, abelhas.
    Pessoas sem desejos, sem vontades, eles se tornam deuses para mandar na nossa vida, na vida de cada pessoa.
    E para completar na Europa estão criando os jantares brancos, pessoas vão a esses lugares vestidas de brancos e levam a sua comida, daqui a pouco começaram a dividir a comida, daqui a pouco alguém terá a ideia de fazer a comida no local, com filas, pratos e tudo mais.
    Deus tenha misericórida

  13. O mundo que essas pessoas sonham já existe, na Coréia do Norte apenas os funcionários do governo possuem carro, basta olhar o exército desse país os soldados são todos magros de face magras, enquanto o seu grande líder é gordinho de face gorda, conclusão os soldados esses pobres coitados não comem proteínas(carnes, leites, derivados). Veja o soldado americano, o soldado japonês, até soldados de países africanos são melhores alimentados do que eles.
    No filme Elysium já existe um descrição desse futuro.

  14. O que representa a indústria automobilística para o Brasil ?
    Muitos impostos para o Brasil.
    Lucros fabulosos para as montadoras.
    Produtos caros e defasados tecnologicamente para o Brasil.

    Durante alguns anos ( 32 ) trabalhei para uma automobilística.
    Dentro das minhas obrigações , tinha que ir à matriz ” vender” projetos para o Brasil.
    Resumindo a ópera , tínhamos que dar trato a criatividade para manter uma taxa de retorno de 15% a.a.. Usávamos mão de obra no lugar de robôs , tínhamos um máximo de seis cores , prejudicando o consumidor.
    Mas um projeto semelhante , nos países de origem , dificilmente conseguiriam um retorno de 2% a.a. Era flagrante a intenção de arrancar o máximo de lucro em projetos no Brasil.
    O governo não desenha produtos , não constrói fabricas e nem arrisca um único centavo , mas garante pelo menos 40% de imposto muitas vezes em cascata ( tributando duas vezes um produto que já teve o custo aumentado sobre impostos prévios ).
    Quando você compra um automóvel novo , quase metade vai para o governo e vale a pergunta : Para aonde vai este dinheiro ? Não sei , mas posso dizer para aonde NÃO vai . Não facilita a vida do novo proprietário do automóvel , que passa a competir por espaço para circular. E ainda é demonizado pelo governo dizendo que dificulta o transito dos transportes coletivos.
    A indústria automobilística brasileira é feita de mitos e cortinas de fumaças , muitas das quais difíceis de desvendar pois poucas pessoas tem acesso a TODA informação.

  15. Emerson Luis, um Psicologo

    O que os burocratas querem é que os outros deixem de usar carros (as pessoas da classe média e baixa), mas eles mesmos continuarem a utilizá-los. Vale lembrar do governador do RJ utilizando um helicóptero estatal para passear com a família, inclusive com o cachorrinho.

    * * *

  16. trabalhei na cmtc 1959/1971.
    isso que o hadade quer fazer é um crime, ressucitar empresa de ônibus por conta do município, era a pior coisa que ele poderia fazer.
    mais um cabide par apaniguados, retrógrados e sindicalistas mantidos por nós.
    o nosso sindicato era o de carris urbanos, envolvia os bondes.
    todos os anos era pelo menos um mês de greve e quebra quebra, nós contra a cavalaria.
    ainda bem que acabou.
    ele quer dirigir nosso dinheiro para os parceiros “empresários” como tato, e essas cooperativas muito suspeitas de transporte.
    continue batendo, por favor.

  17. Aos kamaradas planejadores urbanos insanos:

    O ser humano não é formiga e as cidades tão pouco formigueiros para que seja tão certinhos, os seres humanos como indivíduos que são não podem ser controlados, adestrados, condicionados, escravizados quando isso acontece é o fim da humanidade porque o escravo condicionado não tem iniciativa não resolve problema por conta própria e quando acontece um evento cataclísmico a sociedade planejada vai pelo ralo.

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