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Por que o estado cresce e o que podemos fazer quanto a isso

Apesar
de toda a retórica adotada unanimemente por políticos de que “irão trabalhar para um estado mais eficiente” e
reduzir o fardo estatal de sobre nossas carteiras, o leviatã a cada dia vai se
tornando incontrolavelmente mais opressivo e mais dispendioso.  E essa é
uma tendência mundial.

Independentemente
de qual seja o partido no poder, em qualquer país, parece não haver limites
para a tributação, para a gastança, para o endividamento, para a inflação
monetária e para toda a intrusão estatal em nossas vidas.  Nada disso é
algo predestinado, inevitável, como todos os políticos querem nos fazer pensar;
ao contrário, é algo completamente reversível, desde que suas causas sejam
compreendidas.  Somente se entendermos as razões para o crescimento
governamental é que teremos alguma chance de revertê-lo.

1.
Grupos de interesse


duas maneiras de uma pessoa ganhar a vida: voluntariamente por meio do processo
de mercado ou coercivamente por meio do processo político.  Os grupos de
interesse são organizações — empresariais e sindicais — que optam por este
último método, fazendo lobby junto ao governo com o intuito de aprovar leis e
regulamentações que os favoreçam, seja na forma de maiores tarifas de importação
ou na forma de uma carga tributária e de uma burocracia mais complexa, que
dificultem a entrada no mercado de novos concorrentes.

Tais
grupos aglomeram-se em torno do governo como moscas ao redor de uma lata de
lixo.  Estes trombadinhas com ternos Armani
assaltam o Tesouro e manipulam o aparato regulatório governamental em benefício
próprio.  E os políticos, quase sem exceção, se mostram excepcionalmente
contentes em ser parceiros dessa gente, porque assim garantem reeleições, mais
dinheiro e mais poder.

Os
grupos de interesse de maior êxito (1) têm um propósito bem definido e uma
estratégia coerente; (2) têm uma disposição para direcionar muito dinheiro para
seus esforços; (3) dependem fortemente da intervenção governamental, pois uma
ligeira mudança nas regulamentações pode significar a diferença entre o sucesso
e bancarrota total; (4) recebem polpudos e óbvios benefícios do governo, ao
passo que o custo fica escondido e disperso por toda a economia; (5) possuem a
suprema capacidade de revestir suas depredações em um manto de preocupação pelo
bem-estar geral.

2. Assistencialismo eleitoreiro

Quanto
mais os políticos abrem os cofres para beneficiar determinado grupo de pessoas
— seja ele formado por pobres e desempregados, ou por funcionários públicos ou
empresários politicamente bem conectados –, maiores são as suas chances
eleitorais.  O assistencialismo é um
exemplo característico.

Os
gastos assistencialistas só vêm crescendo desde a década de 1980, e tudo em
nome da ajuda aos pobres.  Mas o dinheiro, em grande parte, não vai para
os pobres, que ficam com as migalhas, mas sim para aqueles grupos de interesse
poderosos o suficiente para subornar e fazer lobby a favor da redistribuição.
 O dinheiro real vai é para os “pobristas” — os reais
defensores da pobreza –, para os consultores, para as empreiteiras que
constroem as moradias populares, para os funcionários de hospitais públicos, e
principalmente para os próprios membros da burocracia que coordena todo o
esquema.

Os
pobres são maldosa e intencionalmente transformados em uma subclasse perpétua,
dependente do governo, para que alguns parasitas possam viver confortavelmente
bem à custa de todo o resto da sociedade.  Graças ao estado
assistencialista, praticamente não há mais uma genuína mobilidade social.  Os degraus mais baixos da escada foram
retirados em nome da compaixão.

3.
Permanência nos cargos

Os
liberais clássicos defendiam que todo o aparato do governo fosse demitido de
seus cargos após cada eleição, para impedir que alguns indivíduos se entrincheirassem
perpetuamente na máquina.  Contudo — e
apesar de a democracia ter a idéia da renovação –, a maioria dos funcionários
estatais se torna permanente, assim como os próprios políticos, constantemente
reeleitos.  Os auxiliares dos deputados também se tornaram perenes, sendo
que as contratações não param de subir. Os trabalhadores do setor privado
precisam trabalhar cada vez mais para sustentar toda essa mamata.  Como os
liberais clássicos temiam, criou-se uma classe que melhora de vida à medida que
rouba a todos nós.

Foi
Jeffrey Tucker quem melhor resumiu a situação:

Não é a classe política quem comanda as coisas.  Como
já escrevi inúmeras vezes, políticos vêm e vão.  A classe política é
apenas o verniz do estado; é apenas a sua face pública.  Ela não é o
estado propriamente dito.  Quem de fato comanda o estado, quem estipula as
leis e as impinge, é a permanente estrutura burocrática que comanda o estado,
estrutura esta formada por pessoas imunes a eleições.  São estes, os
burocratas e os reguladores, que compõem o verdadeiro aparato controlador do
governo.

4.
Burocracia

A
burocracia é necessariamente ineficiente porque não opera dentro do sistema de
lucros e prejuízos do mercado.  Sem a pressão para economizar recursos,
até mesmo os burocratas bem intencionados acabam gastando em demasia.  E,
é óbvio, a maioria dos burocratas não é bem intencionada.  A sua única
motivação é aumentar o próprio poder, a própria renda e os próprios benefícios,
os quais eles adquirem ao aumentar o número de burocratas sob seu comando no
organograma estatal e ao gastarem cada centavo que lhes é alocado.

Se
os burocratas de uma agência estatal gastarem menos do que lhes foi alocado,
sua fatia no orçamento do ano seguinte pode ser cortada.  Sendo assim,
eles gastam seus recursos freneticamente até o fim do ano fiscal.  E, como
consequência, essa agência — com a ajuda dos grupos de interesse afiliados a
essa agência, com quem o dinheiro é gasto — vai correndo ao Congresso e ao Executivo
pedir mais dinheiro.  E estes, eleitos com a ajuda financeira desses
grupos de interesses, autorizam um aumento orçamentário para esse
importantíssimo serviço público que, coitado, estava sofrendo de insuficiência
de fundos.

E
aqui cabe um parêntese: sempre me regozijei com essa idéia de “servidor
público”.  Pode observar: “servidor público”, curiosamente,
é aquele sujeito que só anda de carro chique, trabalha em ambiente com ar
condicionado e sequer tem qualquer contato com o “povo”, embora seja
o “povo” quem forçosamente lhe sustenta.  Quando algo é classificado como “serviço
público”, esteja certo de que estão enfiando a mão no seu bolso para
benefício próprio.  Serviço público genuíno só pode ser encontrado na
iniciativa privada.  O verdadeiro servidor público é aquele sujeito que
mantém sua loja de conveniências aberta 24 horas para que você possa fazer um
lanche às 3 da manhã.  É aquele sujeito que abre sua padaria às 5 da manhã
para que você possa comer algo ainda quente antes de ir trabalhar.  É a
rede de fast food a quem você recorre quando seu estômago está
vazio e as opções se esgotaram.  Isso é serviço público.

5.
Crises

O
governo sempre cresce mais rapidamente durante crises, as quais são criadas por
ele próprio.  Uma crise é a desculpa
perfeita para dar ao governo mais poder e dinheiro para “resolver” o
problema, ao mesmo tempo em que o partido da situação paralisa a oposição.
 

“Jamais
deixe uma crise passar em branco” é o lema de qualquer governo.  É durante crises — sejam elas meras
recessões ou grandes colapsos financeiros — que o governo adquire o apoio
necessário para se apropriar de uma fatia ainda maior da economia, aumentando
seus gastos, incrementando seu poder regulatório, repassando mais dinheiro para
seus grupos de interesse favoritos, escolhendo empresas vencedoras (aquelas a
quem ele vai ajudar com subsídios e protecionismo) e jogando a conta sobre as
perdedoras (aquelas sem conexões políticas).

O
professor Robert Higgs, em seu grande livro Crisis and
Leviathan
, mostra que o público sempre perde ao final de uma crise, pois é
ele quem fica sobrecarregado com um governo ainda maior depois que a emergência
acaba.

6.
A mídia

Sempre
nos dizem que a grande mídia é oposição ao governo, qualquer que seja ele — um
mito muito útil para ambos.  Na realidade, governo e mídia são aliados em
todos os assuntos fundamentais.  Tomando-se o exemplo para apenas uma
área, a mídia sempre estimula a expansão estatal ao papaguear as declarações
econômicas do governo: seja a última enganação declarada pelo Banco Central, ou
algumas alegações presidenciais sobre cortar gastos, toda a mídia nada mais é
do que uma câmara de ressonância.

O
governo, sendo a instituição dominante em nossa sociedade, utiliza a mídia como
o fiel da balança que vai determinar quais são os limites aceitáveis para o
debate, fora dos quais qualquer indivíduo será rotulado de extremista.  E o governo faz isso por meio dos interesses
especiais que controlam grande parte da publicidade veiculada na mídia.
  Por exemplo, nada seria melhor para o país, e pior para a
burocracia, do que a abolição do imposto de renda físico e jurídico, bem como a
abolição do Banco Central.  Mas tais idéias são logo rotuladas de
extremistas e indignas de consideração, graças ao conluio entre governo, mídia
e grupos de interesse.

7.
Intervencionismo

A
economia de livre mercado é uma intrincada e cuidadosamente equilibrada rede de
preços e trocas. Quando o governo intervém nesse conjunto com a desculpa de
corrigir algum suposto problema, ele perturba esse equilíbrio, causando ainda
mais problemas, o que consequentemente gera uma desculpa para novas e ainda
maiores intervenções.  Ludwig von Mises rotulou
este fenômeno de “a
lógica do intervencionismo
“, e é exatamente por isso que uma economia
mista é inerentemente instável.  Um sistema intervencionista estará sempre
se movendo em direção a mais intervencionismo — socialismo/fascismo.

8.
Idéias

Uma
última razão por que o estado cresce ilimitadamente é a ausência de
entendimento sobre o que é o livre mercado.  As escolas e as universidades
são dominadas por esquerdistas e intervencionistas de todos os tipos. Todos os livros-textos seguem pregando que o
intervencionismo é necessário.  E assim todo o público permanece ignorante
dos males causados pelo estado.

Essas
são apenas algumas das razões por que o estado continua crescendo. E como
podemos nos opor a isso?

Primeiro,
devemos expor todos os crimes do governo, rasgando o manto de mentiras sob o
qual se escondem as reais intenções dos grupos de interesse.  Da próxima vez que você ouvir alguém clamando
por mais gastos assistencialistas, mostre como o assistencialismo destrói os pobres ao
mesmo tempo em que enriquece os verdadeiros recebedores do assistencialismo —
os grupos de interesse — à nossa custa e com o auxílio da coerção estatal.
 A verdadeira caridade só pode ser privada e voluntária, como bem sabe
qualquer um que já lidou com o trabalho de igrejas e já comparou esse serviço
com aquele realizado por assistentes sociais governamentais.

Segundo,
devemos trabalhar em prol de mudanças radicais — como abolir programas e
burocracias ao invés de simplesmente melhorá-los ou torná-los mais eficientes
(embora de início possamos aceitar isso).  Se o nosso lado começar
condescendente, se já entrarmos no debate concedendo de antemão várias
vantagens ao adversário, teremos ainda menos chance de obter melhoras marginais
e estaremos tacitamente concordando com todo o sistema e sua base imoral de
roubo e fraude.

Terceiro,
devemos não só nos recusar a acreditar nas propagandas pró-governo, como também
devemos solapá-las, refutá-las e arruiná-las ao máximo perante terceiros,
apoiando fontes alternativas de notícias e informações.

Quarto,
devemos nos esforçar para colocar professores e alunos pró-livre mercado e
pró-liberdade nas instituições de estudo superior, e tentar mobilizar as
pessoas por meio de apelos de justiça e de eficiência econômica.  Não há
nada mais eficiente para incitar a ação do que atinar para o fato de que você
está sendo roubado.

Para
nós libertários, que compartilhamos da mesma crença de Lord Acton, a maior
virtude política é a liberdade. A nossa visão é a de que a sociedade
voluntária, em termos práticos e morais, é a melhor forma de sociedade
possível, ao passo que o estado não passa de uma gangue de ladrões em larga
escala. O estado pode fazer as mesmas coisas que, se feitas por indivíduos,
seriam corretamente consideradas ilegais e criminosas. Só ele é capaz de
fazê-las de forma a aparentar que é pelo bem comum e pelo interesse nacional —
você sabe, todas aquelas expressões que as escolas públicas e a mídia nos
ensinaram.

Em
uma definição resumida, para nós libertários o estado não está acima das leis
morais.  O que é errado para um indivíduo
em sua vida privada também é errado para o estado em toda a sua esfera.  É errado roubar, mas o estado faz isso e chama
de ‘inflação’ ou de ‘tributação’; é errado escravizar, mas o estado faz isso e
chama de ‘serviço militar obrigatório’; é errado matar, mas o estado faz isso e
chama de ‘erro policial’ ou de ‘serviço de saúde inadequado’ — ou, em caso de
homicídio em massa, de ‘guerra’.

O
roubo, a escravidão e o homicídio são coisas imorais, sejam eles privados ou
públicos.  Difundir as idéias da liberdade, do livre mercado e de uma
moeda forte, e denunciar, agitar e trabalhar contra os criminosos, é a nossa
única chance de ter êxito. Os obstáculos são, obviamente, imensos. Mas
temos um mundo a ganhar.

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35 comentários em “Por que o estado cresce e o que podemos fazer quanto a isso”

  1. Olá pessoal,

    gostei do texto, ou melhor, das premissas maior e média. A conclusão não foi adequada, suponho. Para ser mais preciso, a partir deste ponto: ” e como podemos nos opor a isso?”
    A partir daí, penso que houve um salto de lógica, prejudicando as boas premissas do texto.
    Isso porque todo esse agir sugerido para atacar o Estado ou os grupos de interesses etc( o que foi desenvolvido ao longo do texto) está contido no próprio Estado( que por sua vez, absorve os grupos de interesse). Portanto, seria dizer: subconjunto, tente acabar com o conjunto do qual faz parte.Ou sair deste conjunto, criando um outro conjunto que queiram ou não, terá seu povo, suas regras, seu idioma etc. Um novo “estado” ( ou forma de organização social).
    Notem que a definição de Estado contempla, povo, território, idioma, cidadania, enfim, coisas do gênero. E Estado, não passa de uma ficção. O Estado não existe sem SER HUMANO. Portanto, o problema maior não seria, a meu juízo, necessariamente o “Estado”. Talvez, a forma de operar um máquina organizacional qualquer, com os seus diversos grupos de interesses.
    Lado outro, os prejudicados não são, necessariamente, os pobres, mas, as pessoas alienadas ou desinformadas, e portanto, incapazes de se articularem politicamente( no melhor sentido da expressão política).

    Em suma, as ideias são boas, mas as alternativas para solucionar os problemas são ruins, a partir daquele ponto citado.

    Saudações

  2. “Os liberais clássicos defendiam que todo o aparato do governo fosse demitido de seus cargos após cada eleição”
    Não sabia disso…
    Mas devo lembrar que Hoppe já apresentou fortes argumentos para o fato de que um monarquia,
    onde tem um rei permanente, tende à ter melhores resultador, pois o rei tem maior
    tendência de querer que o país funcione bem no longo prazo.
    Mas é claro que os funças são uma categoria especial, pois eles não se sentem “donos” da coisa,
    já que eles não colhem lucros diretos caso sejam eficientes. Logo, no fundo, eles sabem que são
    apenas parasitas. E acho que qualquer parasita inteligente não quer matar a sua vítima, mas
    ao mesmo tempo quer sugar o máximo que puder. Sluuuuurrrp! Aaaahhh…

    “Uma última razão por que o estado cresce ilimitadamente é a ausência de entendimento sobre o que é o livre mercado. As escolas e as universidades são dominadas por esquerdistas e intervencionistas de todos os tipos. Todos os livros-textos seguem pregando que o intervencionismo é necessário. E assim todo o público permanece ignorante dos males causados pelo estado.”
    Isso mostra que, infelizmente, a esmagadora maioria das pessoas simplesmente acredita naquela informação que ela
    ouve mais vezes, e vinda de um maior número de pessoas. Ao invés de aplicarem o senso crítica à tudo que ouvem.
    Se fizessem isso nenhum argumento esquerdista teria chance alguma de convencer tanta gente só pela repetição
    nauseante e apelo à emoção.

    Claro que esse quadro só tende à piorar no Brasil graças ao método de ensino socioconstrutivista propagado por Paulo Freire,
    que emburrece à todos. Tornando assim virtualmente impossível a aplicação do senso crítico à propaganda estatizante.
    Portanto ainda vamos chegar no fundo do poço, e então cavar bem fundo, para só um dia no futuro,
    quando chegarmos na rochas, ou na lava, alguém resolver olhar pra cima e ver a luz.

    Acho que o Brasil, e talvez a maior parte do mundo, vai descambar pro socialismo (oficialmente, pois na prática já é) como a Venezuela, e só vai começar à se livrar muito tempo depois, quando grande parte dos idiotas tiverem morrido nos gulags do século 21.
    Aguardemos os próximos 50 anos.

    Ah, espero estar errado nas minhas hipóteses, e que a divulgação das idéias libertárias façam efeito LOGO!

  3. Ultimamente tenho me convencido de que não existe método rápido e certeiro de convencer as pessoas da solidez da posição libertária, muito menos de convertê-las. Para usar uma analogia militar, é uma guerra convencional, de posições, com infantaria e trincheiras, e não uma troca de ogivas nucleares.

    Por mais elegante e consistente que possa parecer para alguém que passou anos se aculturando, o libertarianismo é, para a maioria das pessoas, só outra teoria política que não vai lhes trazer retorno algum. Pior, porque ser libertário em um mundo estatista traz custos sociais significativos.

    Temos que assumir o risco e agüentar o tranco, tentando enfiar as idéias libertárias nas mentes das pessoas por entre as rachaduras da ideologia estatista. É um trabalho que requer “chutzpah”, oportunismo, e principalmente paciência, mas não existe almoço grátis nem no campo das idéias…

    Eu achava que o Lew era muito insistente na parte da propagação das idéias, mas agora dei uma reviravolta completa e acho que ele não é insistente o suficiente! Os estatistas não conquistaram a opinião pública magicamente, sem esforço. É verdade que eles têm vantagens no “debate” do quem promete mais – principalmente por ignorarem convenientemente a realidade. Mas foi um longo caminho para eles, mesmo sendo ladeira abaixo. O nosso trabalho não vai ser mais fácil, muito pelo contrário, mas temos do nosso lado a honesta verdade, mesmo que ela não seja lá um paraíso na Terra.

  4. Com relação ao Assistencialismo eleitoreiro, acredito que com o fim do voto obrigatório boa parte do eleitorado que se beneficia do assistencialismo, como por exemplo o Bolsa família, não irá comparecer as urnas. Estará votando o eleitor mais consciente e que não tenha se vendido com assistencialismo.

  5. “Quarto, devemos nos esforçar para colocar professores e alunos pró-livre mercado e pró-liberdade nas instituições de estudo superior, e tentar mobilizar as pessoas por meio de apelos de justiça e de eficiência econômica. Não há nada mais eficiente para incitar a ação do que atinar para o fato de que você está sendo roubado.”

    Faz tempo que o Prof. Iorio defende isso por aqui. Precisava ler algo vindo dos gringos. Também penso que o problema é de consciência. Tá melhorando. Quando comecei a ler os artigos do IMB tínhamos 10 comentários no máximo e depois de alguns dias. Hoje em horas temos essa cifra. Não raro artigos chegam a casa dos 50 comentários. Mas a questão das universidades é grave. Se não substituirmos a “elite intelectual” lá dentro é muito difícil termos alguma abertura fora da Internet.

  6. Sou iniciante nos estudos da Escola Austríaca e realmente me fascina como ela explica com simplicidade coisas (como a inflação por exemplo) que parecem alienígenas e dificílimas de entender sob os pontos de vista de outras escolas econômicas. Navalha de Occam sempre ajuda.

    No entanto, há um contra-argumento que ainda não consigo vencer, talvez por eu ainda estar “verde”. A Escola Austríaca afirma que o Estado é incapaz de gerar riqueza, apenas subtraindo-a ou roubando-a da parcela produtiva (ou seja, iniciativa privada) da população. Mas recentemente fui confrontado nessa visão e sinceramente não sei como responder.

    Imaginemos que o Estado precise fazer um recenseamento e, por licitação, contrate um engenheiro de software para escrever um programa que facilite a adição, armazenamento e busca posterior dos dados da população. Esse engenheiro não estaria produzindo riqueza (o programa), no caso? Ainda que com dinheiro público, “roubado” da população, o Estado não produziu um bem contratando esse profissional? Ou isso não seria válido, porque o bem produzido não representou os anseios de um livre mercado?

    Obrigado.

  7. Eu alteraria o trecho:

    “Há duas maneiras de uma pessoa ganhar a vida: voluntariamente por meio do processo de mercado ou coercivamente por meio do processo político.”

    Para:

    “Há duas maneiras de uma pessoa ganhar a vida LEGALMENTE: voluntariamente por meio do processo de mercado ou coercivamente por meio do processo político.”

    Porque na verdade há o meio coercitivo sem ser pelo processo politico; ou então haveria três maneiras e não duas:

    “Há TRÊS maneiras de uma pessoa ganhar a vida: voluntariamente por meio do processo de mercado ou coercivamente por meio do processo político ou coercitivamente através do crime”.

    Afinal, crime é aquilo que o Estado determina como tal, como ilegal.
    …Há que se ter sempre em mente que o fato de algo ser legal, legalmente permitido, não significa que seja legitimo.

    Eu diria que legal esta para moral como legitimo esta para ético.

    Abs.

  8. Perfeitíssimo:

    “Sempre nos dizem que a grande mídia é oposição ao governo, qualquer que seja ele — um mito muito útil para ambos. Na realidade, governo e mídia são aliados em todos os assuntos fundamentais. Tomando-se o exemplo para apenas uma área, a mídia sempre estimula a expansão estatal ao papaguear as declarações econômicas do governo: seja a última enganação declarada pelo Banco Central, ou algumas alegações presidenciais sobre cortar gastos, TODA A MÍDIA NADA MAIS É DQ QUE UMA CAMARA DE RESSONANCIA” …acresço: dos interesses do aparato estatal.

    Campanhas, propagandas-jornalisticas, programação afinada ideológicamente, destaques convenientes no noticiario e etc.. Perceba-se inclusive o fato dos governos/Estado sempre concederem privilégios oficiais e oficiosos aos midiáticos. Aliás Nietzsche já naquela época tinha verbalisado o fato de artistas estarem sempre amancebados com os poderosos do momento e com o Poder em si.

    Um dos melhores artigos já aqui publicados. Sem sombra de dúvida esta entre os 3 melhores (minha opinião).

    O artigo toca em pontos raramente aventados, se aventados, e o faz com maestria.

    Brilhante no úrtimu!!!!

  9. Dos autores deste site, gostaria de umas ideias: quando algum conhecido meu diz, numa roda de discussão, alguma besteira econômica do tipo “A URSS era boa, mas não deu certo por pequenos problemas internos” ou “Aquilo não era socialismo verdadeiro” ou ainda que “gastos públicos estimulam a economia”, como vocês argumentariam? Será que eu devo discorrer mais sobre a teoria que explica o meu lado, ou partir direto pros casos reais? Apontar consequências práticas, ou esclarecer os princípios morais? Ser mais sarcástico, ou explanar com gentileza e paciência?

  10. Eu fico realmente impressionado como que as pessoas em geral que se querem muito espertas, pois a toda hora se escuta alguém xingando alguém de trouxa, otário, mané e por aí vai, não se aperceberem da roubada, do golpe, da vigarice que é esse "negócio" de governo, estado e quitais. Ora, se alguém precisa contratar alguém para executar um trabalho que não pode ser feito pelo próprio é claro que a busca será pelo melhor profissional ao menor custo e com regras claras de contrato para que ninguém saia lesado e chegue a cabo em paz, com possibilidades futuras de novas contratações. Durante a execução do trabalho qualquer contratante, que não seja mané, vai exercer uma fiscalização rigorosa sobre o contratado para que tudo saia de acordo com o que foi combinado. Pois bem, com os chamados governantes essa relação se altera e se transfigura numa coisa totalmente bizarra e sem sentido, senão vejamos: a) o contratante não tem a menor ideia do que o contratado vai fazer; b) o contratado é quem determina o próprio salário e forma de pagamento, subcontratando quantos auxiliares quiser e mandando a conta para o contratante; c) o contratante não tem meios de fiscalizar a obra seus custo e materiais empregados a não ser por meio de auditores ou fiscais desconhecidos e cujo custo lhe é remetido à revelia; d) o contratado vira patrão do contratante e passa a mandar no contratante exigindo que lhe obedeça, dê-lhe mais dinheiro, se comporte como ele manda e…cale a boca. Daí que sempre penso que os chamados eleitores do mundo merecem camisa de força ou então vivem, desde sempre, cheirados, fumados ou coisa que o valha.

  11. Emerson Luis, um Psicologo

    Muito bom o texto.

    No século 19 o sistema escravista parecia impossível de ser abolido, foram décadas de luta em palavras e ações legais até finalmente acontecer. A propagação do liberalismo é uma batalha por corações e mentes, pessoa por pessoa.

    * * *

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