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Edward Snowden e a ética da delação

As
recentes revelações
sobre a amplitude e os detalhes do gigantesco programa de vigilância realizado
pela NSA (National Security Agency
a Agência de Segurança Nacional dos EUA) só foram possíveis por causa das
medidas de um só indivíduo, Edwar Snowden, o homem que delatou tudo e que
atualmente está tendo de viver escondido para se proteger da fúria do governo
americano, cujos segredos indecorosos e apavorantes foram tornados públicos por
Snowden.

Não
obstante as seguidas negações de seus funcionários, já está agora evidente que
a NSA comanda uma rede de espionagem especializada em coletar dados, em
quantidades maciças, sobre as comunicações privadas feitas por cidadãos
não-americanos e também algumas comunicações privadas feitas por cidadãos
americanos.  E ela espiona seus alvos sem
nenhum mandado individual e sem nenhum
requisito
que aponte causa provável em relação a qualquer um dos indivíduos
cujas comunicações são coletadas.  Em vez
disso, todo o programa opera sob um amplo sistema de mandados baseados em
procedimentos, no qual uma corte especial e clandestina ouve em segredo as
submissões do governo e então diligentemente
aprova
procedimentos gerais para uma vigilância em massa, sem qualquer
argumento ou resistência em
contrário.  Os mandados
permitem espionagem em massa e armazenamento de dados ao bel-prazer dos
analistas da NSA.  E tais mandados estão
claramente em desacordo com o princípio de se evitar buscas desarrazoadas, as
quais são expressamente proibidas pela Constituição americana em sua quarta
emenda.

Comprovando
o velho provérbio de que nenhuma boa ação passa impune, Snowden está sendo acusado
pelo governo americano de roubo de propriedade governamental e divulgação
não-autorizada de material de defesa e de inteligência.  Ele também está sendo submetido a uma ampla
difamação orquestrada pela mídia pró-governo, pela qual ele tem sido chamado
de “traidor” e de “Chapeuzinho Vermelho travestido”.  Glenn Greenwald, o principal jornalista
responsável pela publicação do material vazado, também virou o centro das
atenções da mídia, e tem sido acusado
de ter cometido um crime ao publicar o material vazado.  Medalhões da mídia pró-governo questionam
se ele também não deveria ser indiciado por ter “ajudado e incitado”
Snowden.  Obviamente, é preferível passar
por isso a ser sufocado por um saco plástico ou receber uma bala no cérebro,
mas tal postura não ajuda em nada a criar um ambiente de abertura e
transparência em relação à conduta do governo.

Para
os defensores do governo americano e de seu maciço e poderoso aparato, Snowden
é um criminoso, alguém que merece ser desprezado e encarcerado (e, para alguns,
assassinado).  Para outros, ele é um
intrépido investigador que teve êxito em revelar as transgressões do governo,
tarefa na qual vários outros haviam fracassado. 
Porém, mesmo para alguns de seus defensores, Snowden é um “herói
infrator”, um homem que “roubou” documentos do governo para expor as atividades
de suas mais corruptas e secretas agências. 
Tais circunstâncias nos obriga a refletir acerca desta seguinte
pressuposição: é legítimo o governo reivindicar a propriedade das informações
secretas que ele colheu?

Implícita
nesta acusação de que os documentos foram “roubados” e que houve uma “revelação
não-autorizada” está a suposição de que os documentos e as informações em
questão são propriedade legítima do governo, e que a divulgação de seu conteúdo
requer a autorização do governo.

Considerações
acerca da lei positiva vigente sobre esta questão podem ser resolvidas
recorrendo aos estatutos do governo americano, e não é nenhuma surpresa que
haja estatutos que contenham onerosas proibições a ações que solapem a
autoridade do governo.  Cláusulas da Lei de Espionagem,
de 1917, estão sendo agora utilizadas contra Snowden para tentar colocá-lo na
cadeia.  Porém, mais interessante do que
a consideração das cláusulas de uma lei criado pelo Congresso americano é
recorrer à ciência da jurisprudência para determinar a seguinte questão
normativa: quando a delação deveria e quando não deveria ser considerada uma
ação criminosa?  Esta é uma questão
jurisprudencial importante, uma vez que é comum as pessoas concordarem com a
visão de que a delação deveria ser uma atividade protegida, mesmo quando ela
“viola a lei” no sentido de violar obrigações contratuais ou legislações de
sigilo.

Delatores e obrigações de confidencialidade

A
delação envolve a revelação de uma ilegalidade ou de conduta imprópria que está
ocorrendo dentro de uma organização. 
Isso necessariamente envolve a divulgação de informações secretas para
além dos limites permitidos por aqueles que estão tentando mantê-las secretas.  Normalmente, tal ato envolve a publicação e a
revelação para o público geral.  Em
decorrência do fato de que delatores existem dentro da organização que eles
estão delatando, eles quase sempre estão sob alguma exigência contratual ou
estatutária de não revelar a informação que estão revelando.  Se um indivíduo aceita ao pé da letra estas
obrigações, então seria de se imaginar que a delação deve sempre ser
considerada uma infração da lei, e possivelmente também um desvio de ética, ao
menos na medida em que envolve uma quebra de contrato perante a organização em
que o delator está empregado.  De acordo
com esta visão, a delação jamais pode ser legalmente justificada; somente se
houver um imperativo ético para se quebrar a lei é que tal ato pode ser
justificado eticamente.

Contratos
de confidencialidade fazem parte, e legitimamente, do gerenciamento de vários
tipos de organizações, e em muitos casos eles são indispensáveis para um
funcionamento bem-sucedido da organização. 
Isso vale para a maioria das profissões legítimas e, é claro, para todas
as ilegítimas.  Pessoas e organizações
podem perfeitamente incorrer em contratos de confidencialidade deste tipo, e é
fato que esses contratos criam obrigações legais e éticas justificáveis para os
lados envolvidos.  Se uma pessoa concorda
em manter confidencialidade ao lidar com um empregador ou cliente, e concorda
em manter em segredo materiais confidenciais, então isso normalmente seria um
contrato legítimo que iria vincular a pessoa a cumprir sua promessa.  O não cumprimento seria uma quebra de
contrato, e poderia também acarretar a quebra de outras obrigações legais (por
exemplo, deveres fiduciários).

No
entanto, há uma exceção crucial a este tipo comum de arranjo contratual:
contratos de confidencialidade não são legítimos e não deveriam ser
considerados éticos ou legais quando são concebidos
com o intuito de proteger ações secretas e ilícitas
que estão sendo
perpetradas por um dos lados.  No
direito, trata-se de uma objeção a aquilo que algumas vezes é chamado de
“acordos ilícitos”.  Em termos gerais,
contratos não podem ser considerados legítimos se eles envolvem a realização de
uma ação ilícita, ou uma ação que tenha o intuito de aprofundar um propósito
ilícito.  Esta é a base sobre a qual é
possível considerar a delação uma atividade lícita, não obstante o fato de ela
sempre resultar em uma quebra de acordo de confidencialidade.  Sendo assim, um contrato de confidencialidade
que protege uma atividade ilícita não é legítimo.

A
doutrina dos contratos ilícitos possui uma longa e robusta reputação na
jurisprudência e no direito consuetudinário. 
Suas bases filosóficas advêm do fato de que contratos são transferências
condicionais de direitos de propriedade, e isso faz com que só sejam válidos
aqueles contratos cujas ações são consistentes com esses direitos.  O jurista George Strong resume a doutrina
dizendo que “… um contrato ilegal é aquele que não pode ser impingido porque
sua imposição seria nociva aos melhores interesses do povo.”[1]  Contratos ilícitos são normalmente considerados
inválidos pelo direito consuetudinário, embora haja regras detalhadas para
isso, baseadas parcialmente em uma avaliação de qual lado do contrato é o maior
culpado pelos aspectos ilegítimos da questão.

Isso
significa que, ao se analisar atividades de delação que envolvam a publicação
de documentos ou informações relacionados a atividades ilegais, há uma base
filosófica que dá sustento à ideia de que a divulgação não configura uma
transgressão da lei, mesmo que a divulgação viole acordos de confidencialidade
ou outras obrigações legais que normalmente seriam válidas.  Em tais casos, o delator não é apenas um
“nobre infrator”; ele sequer é um infrator.

Esse
princípio de que não se pode exigir o cumprimento de acordos ilícitos é
violentamente atacado por estatistas que acreditam que o governo pode sim estipular
que informações sobre quaisquer aspectos de suas atividades sejam
“confidenciais”.  Para eles, este simples
ato de declaração já vale para sobrepujar o direito de divulgar as atividades
ilícitas do governo.  De acordo com esta
visão, não importa a natureza da transgressão ou o despotismo de qualquer
agência do governo: seus funcionários podem simplesmente decidir que
determinadas informações são “confidenciais”, e por meio disso obrigar todos os
seus funcionários a manter suas transgressões junto ao público em segredo.  Essa visão do poder
governamental foi resumida em um recente
artigo
do professor de direito Geoffrey Stone, que disse que Snowden “…
certamente é um criminoso que merece sérias punições.”  Stone argumenta que “[o] governo não pode impor
termos e condições a todos os seus contratos de emprego.  Por exemplo, constitucionalmente, o governo
não pode exigir que seus funcionários concordem em jamais criticar o presidente
ou nunca fazer um aborto ou nunca invocar seus direitos de acordo com a Quarta
Emenda.  Porém, é algo bem aceito que o
governo pode requerer que seus funcionários concordem com algumas condições, e
uma delas é a de não divulgar informações confidenciais.”

A
ênfase dada por Stone a informações “confidenciais” pode a princípio parecer
limitar o poder do governo à proteção de apenas uma pequena categoria de
restrições legítimas.  Porém, esta é uma
suposta exceção que engole a regra. 
Afinal, são os agentes do governo
que determinam quais informações são “confidenciais” e quais não são.  Logo, dizer que o governo pode legitimamente exigir
que seus funcionários não divulguem informações “confidenciais” significa
literalmente dizer que ele pode exigir que seus funcionários não revelem
qualquer informação que o governo considere que não pode ser revelada.  Sob esta visão, o governo possui toda a arbitrariedade
para impedir a divulgação de qualquer informação que ele não queira que se
torne de conhecimento público, independentemente da natureza desta informação.

Um
dos principais problemas com este tratamento especial dado a informações
“confidenciais” é que ele exclui dos ditames da lei algumas das mais
importantes áreas do governo.  O status
de informação “confidencial” é normalmente atribuído a documentos relativos a
questões militares e serviços de inteligência. 
No entanto, estas são duas das mais perigosas e importantes áreas do
estado.  Aceitar que o status de
“confidencial” determine o que pode e o que não pode ser divulgado significa
excluir de qualquer investigação algumas das mais importantes ações do
governo.  Não é necessário ter profundos
conhecimentos de história para entender que tal noção seria extremamente útil
para os vários regimes despóticos que assassinaram e escravizaram seus cidadãos
utilizando fundamentos “lícitos” para seus próprios atos legislativos.  À luz dessas considerações, nenhum status
especial pode ser atribuído a um documento com a justificativa de que a própria
entidade que está sob escrutínio alega ter privilégios especiais.

Snowden e o escândalo da NSA

No
caso específico do escândalo da NSA, Edward Snowden se infiltrou na NSA da
mesma maneira que um policial disfarçado se infiltra em uma quadrilha.  Snowden se candidatou a uma posição na
empresa de consultoria Booz Allen Hamilton, que faz extensos trabalhos técnicos
para a NSA.  Ele obteve os documentos que
foram tornados públicos por meio de seu trabalho como mão-de-obra terceirizada
pela NSA, e foi nesta situação que ele foi capaz de obter acesso a documentos
secretos do governo que, de outra forma, estariam totalmente fora de seu
alcance.  Com efeito, Snowden confirmou
que se candidatou a um emprego no Booz Allen Hamilton com a intenção de coletar evidências sobre os programas de
espionagem da NSA.  Assim como faria
qualquer bom investigador sob disfarce, Snowden se infiltrou em seu alvo fazendo
declarações de confidencialidade que ele sabia serem falsas.[2]  E, assim como ocorre com qualquer
investigador sob disfarce, isso não lhe fez perder o direito de divulgar
detalhes das ações criminosas que ele descobriu.

Não
obstante as obrigações contratuais que o trabalho de Snowden lhe impunha, já
está claro que as informações vazadas por Snowden revelaram um maciço caso de
ilegalidade e conduta imprópria de uma agência do governo dos EUA, em uma escala
que levanta temores legítimos de que está havendo uma tentativa despótica de
controle.  O sistema de vigilância
detalhado nos vazamentos é de uma magnitude sem precedentes na história,
ofuscando completamente as operações de vigilância realizadas pelos mais
totalitários governos do passado.[3]

De
acordo com recentes
alegações
de um outro delator, o ex-analista de inteligência da NSA Russ
Tice, a agência utilizou sua rede de espionagem para obter informações sobre
políticos e juízes do alto escalão, o que pode vir a afetar suas próprias
operações futuras.  Isso incluía a
espionagem de membros do Congresso americano, especialmente integrantes do
comitê das forças armadas, de funcionários do Departamento de Estado, de membros
do serviço executivo da Casa Branca, e até mesmo do próprio presidente dos EUA
(que supostamente foi espionado quando ainda era senador).  Também incluía advogados, escritórios de
advocacia e juízes, inclusive juízes da Suprema Corte e dois juízes da FISA [Tribunal de Vigilância de Inteligência
Estrangeira dos EUA
] — estes últimos sendo as próprias pessoas que estão
encarregadas de supervisionar judicialmente o sistema de vigilância da
NSA.  Outros supostos alvos incluíam
oficiais militares de alta patente, grupos civis anti-guerra, bancos, grandes
empresas e organizações não-governamentais.

Tudo
isso revela explicitamente que há uma agência do governo dos EUA que opera fora
do domínio da lei e do estado de direito, conduzindo um programa secreto de
espionagem em massa que está muito além de seus poderes legais e
constitucionais.  Tais programas são
justificados tendo por base uma “lei
secreta”
que não pode ser disponibilizada ao público para escrutínio e nem
comunicada a organismos de controle do Congresso.

Para
aqueles que acreditam na não-agressão e na fidelidade aos padrões do direito
natural, a sugestão de que ações do governo são legitimadas pela “supervisão democrática”
não é aceitável.  Porém, mesmo se
fossemos aceitar essa justificativa democrática para o poder coercivo do governo
— segundo a qual o governo estaria sob a supervisão dos supostos
“representantes” do povo –, não há nenhuma teoria viável sobre a democracia
que possa justificar o funcionamento de um programa secreto de espionagem deste
tipo.  Qualquer que seja o padrão
racional adotado, os programas de espionagem da NSA envolvem atos de conduta
imprópria e de transgressões da lei que devem merecidamente ser revelados ao
público em geral.

Em
decorrência de tudo isso, não é correto considerar que as regras de confidencialidade
se aplicam a este caso, e nem muito menos que elas sejam ética ou legalmente
vinculantes.  Quaisquer restrições
contratuais ou legislativas que normalmente vigorariam no contrato de emprego
de Snowden não podem ser consideradas legítimas se elas exigem que ele mantenha
silêncio sobre suas descobertas a respeito das transgressões e da conduta
imprópria do governo.



[1] Strong, G.A. (1960) The
enforceability of illegal contracts. Hastings Law Journal 12,
p. 347.

[2] Snowden
trabalhou como um profissional técnico que lidava com os sistemas da NSA e é
provável que ele tenha assinado algum contrato com aquela organização, assim
como com a Booz Allen Hamilton.  Não há
dúvidas de que estes contratos requeriam que ele não vazasse informações sobre
os programas da NSA.  É possível que a
NSA também tenha confiado em proibições estatutárias.  Em todo caso, ambos partiram do pressuposto
de que deveria haver confidencialidade na relação.

[3] Desde os
vazamentos, surgiram várias comparações entre os programas de vigilância da NSA
e as operações da Stasi na Alemanha comunista. 
Mas a verdade é que a Stasi nem em sonhos possuía os recursos e as
capacidades da NSA.

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54 comentários em “Edward Snowden e a ética da delação”

  1. Snowden está certíssimo em revelar essas maracutais.

    O problema que vejo nisso tudo, é que serve de desculpa para os governos “regularem” a internet.
    Aqui no Brasil já se fala de “marco civil da internet” e outros blas…

    Temos que pensar que as partes interessadas (transmissor/receptor) devem se preocupar com a segurança da informação (hoje já conseguimos por meio de criptografia, conexões seguras/túneis-tor).

  2. Engenheiro Anti-Cartorios

    Dentro do ponto de vista libertário o raciocínio parece tecnicamente correto, porém gostaria de saber o seguinte: se a divulgação de tais fatos pelo Snowden tiver como conseqüência direta, por exemplo, alertar uma organização terrorista de que seus passos estão sendo monitorados, e baseado nisto, tal grupo realinha sua estratégia e consegue praticar com sucesso um atentado onde morrem, digamos, 3.000 pessoas inocentes? O sangue destes inocentes pesa sobre a cabeça do “herói”? Não poderia o Snowden, usando de mais inteligência, fazer o governo saber que tem todas as informações e ameaçar divulgar tudo ao público caso tais atividades ilícitas não sejam imediatamente suspensas? Quantos milhões de US$ recebeu o “herói” da imprensa para revelar o furo jornalístico? O fim justifica os meios? O Snowden sozinho tem condição cognitiva e/ ou moral de avaliar de modo amplo as conseqüências políticas dos e históricas seus atos?

    Fique bem claro que me considero um defensor das liberdades individuais e não apóio as barbaridades cometidas pelo governo ao invadir a privacidade dos cidadãos e executar suas operações sigilosas ilegais, sob pretexto de proteger a “seguança nacional” ou qualquer outra falácia. Estou apenas abrindo esses questionamentos, pois caso a “moda” se alastre, poderemos ter uma avalanche de conseqüências imprevisíveis – inclusive uma eventual hiper-reação dos governos e a implantação de sistemas de monitoração mais abrangentes e invasivos do que os que originaram o problema.

    Além do problema moral e ético, pois ao validar este tipo de comportamento estamos abrindo a porteira para a filosifia do “ladrão que rouba ladrão” e “justiça pelas próprias mãos”, que em geral conduzem à barbárie apesar de quaisquer boas intenções iniciais.

    Peço aos colegas mais esclarecidos uma análise TECNICAMENTE E MORALMENTE EMBASADA (não “opinativa”, pra isso já tenho a minha própria opinião, que no entanto pode ser modificada através de um argumento consistente).

  3. Engenheiro Anti-Cartorios

    [ERRATA]

    “…as conseqüências políticas dos e históricas… => “…as conseqüências políticas e históricas dos…”

    “seguança nacional” => “seguRança nacional”

    “filosifia” => “filosOfia” (que coisa horrível!!)

    Sorry…

  4. Engenheiro Anti-Cartorios

    Citando Magno Alves 12/07/2013 15:32:59

    Todas as organizações terroristas sabem que são continuamente monitoradas. Tanto é que sua rede de comunicações é complexa. Você não acha que líderes terroristas ficam trocando emails, enviando torpedos ou deixando mensagem no Facebook, né? De modo que para eles não foi surpresa nenhuma. Tampouco irá mudar alguma coisa em suas operações.

    Prezado Magno, por favor não subestime a inteligência deste seu interlocutor. Estou ciente de que, em princiípio, toda organização desse tipo sabe que está sendo monitorada. O que estou questionando é se a revelação ostensiva e detalhada dos procedimentos, canais e ferramentas de monitoração não estaria ajudando o inimigo a consumar seus objetivos assassinos – afinal de contas, se considero o estado moralmente um inimigo da liberdade, também considero inimigos aqueles que derramam o sangue de inocentes como uma suposta maneira de expressar sua divergência política ou ideológica. Isto é totalmente inaceitável dentro da filosofia do PNA.

    Ou seja, para fazer um bem, o “herói” faz como efeito colateral um grande mal. Haveria meios mais inteligentes para fazer isso?

    Diga-se de passagem, os terroristas utilizam, sim, o FB, e-mail, torpedos e outras ferramentas não muito “inteligentes” para comunicar-se entre si e divulgar suas intenções criminosas; isto foi relatado em diversos casos – tanto em ocasiões em que o plano foi descoberto como em outros casos em que os assassinos conseguiram concretizar suas intenções nefastas.

  5. Típico Filósofo

    Hoje Snowden respira aliviado em uma verdadeira democracia: A Venezuela.

    País cuja liberdade de imprensa revolucionária rendeu honras por inúmeros jornalistas argentinos ao grande cidadão que o liderava até meses atrás. Homem que colocou o escritor reacionário Vargas Llosa em seu legítimo lugar e recebeu o prêmio da liberdade de expressão argentino.

    Uma nação que não espia seus cidadãos e não se importa com o sonho da riqueza longínqua, que almeja o melhor agora. Não teme a inflação, o endividamento ou a escassez; impõe controle de preços para domesticar a burguesia assim que possível e maximiza os gastos estatais em investimentos estratégicos como acordos quase gratuitos de petróleo à Cuba.

    A direita planeja um golpe secessionista anarco neoliberal no Brasil para “salvá-lo” de tal destino venezuelano democrático. Lutarei para que sejamos a próxima república bolivariana latina.

    Enquanto houver burguesia, não haverá liberdade.

  6. O esquema de espionagem do governo Obama é seríssimo. Os republicanos sempre foram criticados por defenderem espionagem por motivos de segurança nacional. No entanto, o governo Obama espiona por motivos políticos, comerciais e ideológicos. Isso é muito pior, tanto do ponto de vista quantitativo quanto do qualitativo.

  7. “não há nenhuma teoria viável sobre a democracia que possa justificar o funcionamento de um programa secreto de espionagem deste tipo. “

    ——————————————-
    vigilância impediu dezenas de ataques terroristas, diz diretor da NSA
    noticias.terra.com.br/mundo/estados-unidos/eua-vigilancia-impediu-dezenas-de-ataques-terroristas-diz-diretor-da-nsa,b69e8a875e93f310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

  8. Thiago S. Carvalho

    Sinceramente não vejo nem uma surpresa sobre o monitoramento dos EUA sobre o mundo, as grandes empresas de serviço possuem sede lá, ora será que todo mundo era tão ignorante assim em achar que ao criar um perfil ou acessar algo virtual a pessoa não se dava conta que essa informação tem que ir para algum lugar, não sei o pq do espanto??? isso tá parecendo uma jogada de nação contra nação sinceramente…

  9. Leonardo Faccioni

    Será mesmo que devemos ser tão céleres ao tomar o inimigo do nosso inimigo por amigo? O Estado americano – e em especial seu atual governo – podem ter sido arranhados, mas não é segredo que a administração Obama não possui qualquer interesse em preservar a boa imagem e a credibilidade daquela nação no cenário internacional (para uma introdução, v. o documentário “2016: Obama’s America”, por Dinesh D’Souza). A sua agenda não é a agenda da “nação americana”, e o que é mau para um pode ser muito positivo para o outro.

    Preocupa sobretudo que esses vazamentos afetem, de forma quase exclusiva, países cujas sociedades sejam mormente abertas e democráticas. Revelações envolvendo potências autocráticas (nomeadamente Rússia e China), além de raras, ocupam os noticiários en passant, na mais escancarada espiral do silêncio. Quando se observa que tipos como Snowden e Assange encontram abrigo justamente sob as asas das referidas autocracias ou de seus títeres cucarachas, sob os quais os direitos individuais são pisoteados de forma realmente ostensiva, tal e qual ocorria durante a guerra fria, as razões para desacreditar especificamente as ações americanas na cena global nos impelem a seguir Sherlock e questionar: a quem interessam?

    Não teríamos aí senhoras de vida airada fofocando sobre o decote da vizinha?

    Não me entendam mal. Não guardo qualquer simpatia pela forma atual da política americana, muito menos por sua administração hodierna, mas não deixo de reconhecer que, na geopolítica contemporânea, a vasta maioria dos atores representa males exponencialmente piores que a democracia constitucional, por mais desvirtuada que se encontre.

  10. Prezados,
    Percebi alguns comentarios questionando a utilidade da atitude do Snowden, no sentido de que todo mundo ja imaginva um certo grau de vigilancia da internet pelas autoridades, e outros questionando mesmo eventuais consequencias negativas como uma diminuicao da famigerada “seguranca nacional”. Acho que ha uma falha em perceber o que parece ser o unico objetivo racional que ele teria ao divulgar essas informacoes que e de instaurar um amplo debate na imprensa e na sociedade sobre os limites da atuacao estatal em relacao aos cidadaos. Me parece inconteste que ele foi extremamente bem-sucedido! E ainda fez com que os politicos tivessem que admitir publicamente o pouco valor que atribuem a privacidade dos seus suditos face aos imperativos da luta contra o terrorismo.
    E logico que e muito triste ver um cara desses eventualmente indo para Venezuela, Bolivia, Nicaragua ou qualquer outro inferno latino-americano, mas antes disso dizer algo de negativo sobre ele (numa luta pela liberdade nao faria sentido ir buscar uma prisao nos EUA), acho que ajuda a escancarar a farsa dessas pseudodemocracias ocidentais ao se demonstrar que, em determinados aspectos, elas sao mais totalitarias que os sovieticos-bolivarianos.

    P.S.: E um erro confundir Snowden e Assange, sao situacoes completamente distintas.

  11. Espero que o Snowden, não sofra com a perseguição que OSHO sofreu por parte dos EUA.
    Na época nenhum pais incluindo a Rússia o acolheu. Alguns permitiram que seu jato abastecesse, com a condição de partir imediatamente. Outros sequer permitiram descer para abastecer e outros criminosamente em fanática obediência aos EUA, obrigaram os pilotos dele voar, excedendo a quantidade de horas permitidas.
    No livro: Osho o homem mais perigosos desde Jesus Cristo a autora americana, Sue Appleton ,fala com detalhes da sórdida perseguição sem precedentes efetuada pelos EUA, a este homem, pelo mundo com o objetivo de tirar dele armas mortíferas como a língua e o poder de falar verdades, não lhe restando outro lugar para ir a não ser voltar para a India, seu lar. Mesmo na India a perseguição não cessou muito menos a seus seguidores.
    "Osho é o homem mais perigoso desde Jesus Cristo." Assim o escritor e jornalista Tom Robbins definiu um dos gurus mais controversos do século 20, o indiano Osho Rajneesh. Morreu provavelmente envenenado por talio, enquanto esteve preso nos EUA em 1990 aos 59 anos. "Ele disse coisas que ninguém mais teve coragem. Teve todos os tipos de ideias que, por terem ressonância de verdade, assustavam os monstros do controle especificamente os EUA".
    Espero que Snowdem consiga escapar das garras dos EUA.

  12. Interessante notar que o Snowden fez contribuições voluntárias em dinheiro a campanha de Ron Paul, presumo então que seja um libertário.

  13. Parabens ao Mises Institute pela traducao do artigo, as liberdades individuais devem ser defendidas independentemente do Pais que as viola. O que esta acontecendo agora, em termos de volume e violacao indiscriminada da privacidade de milhoes e milhoes de pessoas nao tem precedentes.

    Abs!

  14. Artigo interessante, vale a pena ver que toda essa intromissão pode levar até mesmo a um novo nicho pra quem quer assegurar mais privacidade na internet, pelo menos em relação aos e-mails:

    http://www.tecmundo.com.br/mega/41891-mega-planeja-servico-de-mensagens-e-emails-criptografados-contra-nsa.htm

    Como já descrito mais acima, quem preza muito pela privacidade já tem opções hoje em dia de troca de informações ‘fora do radar’. Basta como exemplo o tor, que fornece tal anonimidade que a anos ocorre comercio de produtos ilegais perante muitas leis através dele, e os mesmos fornecedores do sistema permanecem no ar, apesar de todos terem conhecimento da existência dos mesmos. Então ou a anonimidade realmente vem funcionando a eles ou se deixam continuar operando o que não acredito.

  15. Esse é daqueles casos que ficam naquela área cinza entre o certo e o errado.

    Se por um lado ele fez uma coisa boa, por outro o cara vai e pede asilo em paraísos da liberdade como Rússia, Venezuela e Bolívia???

    Me causa estranheza alguns libertários considerarem sujeitos como esse Snowden e Julian Assange como heróis da liberdade.

  16. Puxa vida, o artigo me lembrou a figura de Robin Hood.

    Um outro título (tropicalizado) para este artigo poderia ser “Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”?

    A resposta me deveria ser clara, ou seja, não. Aqui sempre é pregado o uso de força/intimidação apenas visando à defesa.

    Mas aí começam as considerações… eu poderia (ou “teria o direito”) me utilizar de força para a defesa de minha propriedade, para assaltar um banco estatal, sendo que fui roubado originalmente de minha propriedade via impostos (ou um ex-escravo deveria ter seu tempo de escravidão devolvido, da forma que o mesmo achar conveniente…verossímil)?

    O que levaria a um sub-questionamento – ok menos nobre rs -…e o custo oportunidade disso tudo? Por exemplo, se retomasse minha propriedade via roubo de um roubo, poderia roubar tbm juros ou perdas para inflação?

    Poderiam me ajudar a solucionar esse meu looping lógico?

  17. Eu acompanho o Tio Rei na veja, e é muito engraçado o esforço que ele tem que fazer pra justificar a afirmação impulsiva dele de que o Snowden é um traidorzinho querendo aparecer.
    Foi uma decepção, eu até gostava dele como demolidor de petralhas
    Não sei se é escrotidão dele ou apenas burrice, mas agora foi divulgado que o Obama espionava também a ONU, e agora, o que o Tio Rei comentou sobre isso? Nem um piu.

  18. Snowden acusando o governo americano de roubar informações das pessoas…
    Só falta agora acusarem o estado americano de roubar dinheiro das pessoas!
    Que absurdo!!!

  19. Luis Carlos Balreira

    11.05.2019

    BRASIL/VENEZUELA: ESTUPIDEZ E CRETINICE DOS GOVERNANTES CRISTÃOS SALVARAM TODOS OS REGIMES COMUNISTAS E AGORA ESTÃO SALVANDO O BRUTAL REGIME DE MADURO. Enquanto as nações cristãs se matavam entre si nas duas grandes guerras mundiais, comunismo foi se desenvolvendo, fortalecendo e dominando o mundo. Não existem governantes mais estúpidos na face da Terra do que os governantes cristãos. Enquanto os cientistas ateus do ocidente cristão salvam o mundo criando conhecimento, tecnologias e, consequentemente, profissões e empregos, os políticos cristãos estúpidos tentam destruí-lo ou entregá-lo aos comunistas. O Ocidente livre e liberal levantou a China comprando suas porcarias em forma de produtos durante várias décadas. A ex-União Soviética desmoronou por si mesma, não deu tempo dos políticos ocidentais estúpidos salvá-la por que a economia comunista é tão estúpida e irracional que não consegue parar em pé por mais de algumas décadas, mesmo que tenha todas as riquezas naturais do mundo, como, por exemplo, a Venezuela, maior reserva petrolífera do mundo. A economia liberal, por sua vez, é tão formidável e milagrosa que, com a morte de Mao, Deng Xiaoping conseguiu salvar a China do desastre com um liberalismo de apenas 50%. Os regimes comunistas somente triunfam com o apoio do povo. Depois que essas massas ignorantes e analfabetas se dão conta que entraram numa fria eles correm desesperadamente para matar a fome nos países liberais livres que estão sempre de portas abertas para recebê-los aos milhões. Foi assim que os países liberais salvaram o regime de Fidel Castro. Observem se a China de Mao permitia um entra-e-sai como se fosse a casa-da-mãe-joana. Vejam se o canalha genocida do Kim Jong-un permite um entra-e-sai como se fosse um puteiro de quinta categoria, como está acontecendo na fronteira da Venezuela com o Brasil. O disparate é tão grande que é Maduro quem decide quem decide a hora de fechar ou de abri a fronteira. É inacreditável, é o fim do Brasil! Não existe paspalhos maiores do que esses que compõem o novo governo das Diretas-Já. Essa estratégia triunfante para manter o Maduro no poder por parte dos Estados Unidos, Colômbia, Peru e Brasil é asquerosa, repugnante, causaria asco e vômito em Alexandre da Macedônia. Em vez de criar um cerco para não deixar nada e ninguém entrar ou sair eles decidem facilitar a vida do crápula e de seus asseclas recebendo milhões de ex-apoiadores de Chaves e Maduro. Centenas de brasileiros já morreram com as pestes trazidos pelos comunistas, principalmente o Sarampo. Eu só não sei por que os parentes das vítimas não entraram na "Justiça" brasileira exigindo indenizações contra esse Governo de canalhas. Afinal de contas, o que esses generais e governantes brasileiros cristãos da hora aprenderam nas academias militares e nas páginas da História, respectivamente? É muita burrice, muita estupidez, muita canalhice! LUÍS CARLOS BALREIRA. PRESIDENTE MUNDIAL DA LEGIÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA.

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