Perambulando despreocupadamente por sua vizinhança, um homem pacato se depara com um curioso e inofensivo alienígena que está visitando nosso planeta para observar melhor o progresso de nossa espécie. Abaixo, uma transcrição do diálogo entre o humano (H) e o alienígena (A).
H: Nossa, um alienígena!
A: Sim, mas não se assuste. Estou aqui apenas para observar. Viajei por todo o espaço para vir aqui à Terra com o objetivo de estudar como a espécie humana está progredindo.
H: Ah, legal! Ei, sendo assim, vou tentar levar você até nosso líder. Quer?
A: Seu o quê?
H: Nosso líder. A pessoa que está no comando.
A: A pessoa que está no comando de quê?
H: Ora, no comando de tudo.
A: Vocês têm uma pessoa que está no comando de tudo?
H: Não, não, essa pessoa está no comando apenas do governo.
A: O que é o governo?
H: Bom, o governo é uma entidade que cria regras para nós obedecermos. Ele nos diz o que podemos e o que não podemos fazer.
A: Então o governo é muito sábio? Ele cria regras sábias e sensatas para vocês seguirem?
H: Bem… digamos que na maioria das vezes sim, mas o problema é que algumas de suas regras são completamente idiotas.
A: E vocês ignoram estas regras que são completamente idiotas?
H: Não, não podemos fazer isso. Temos de obedecer todas as regras, mesmo que elas sejam estúpidas e discordemos delas. O governo pune qualquer um que desobedeça suas regras.
A: Então vocês são escravos do governo?
H: Não, não, não. Não é bem assim. O governo trabalha para nós, o povo. Ele serve a nós. Nós somos os chefes do governo.
A: Ele diz a vocês o que fazerem, ele pune vocês com violência caso desobedeçam, e ainda assim vocês é que são os chefes dele?
H: Sim…
A: Mas existem coisas que o governo faz e que vocês não gostam, certo?
H: Bom, sim… Nem tudo o que o governo faz é popular. Por exemplo, quando ele toma uma quantidade excessiva do nosso dinheiro, ou quando ele usa esse dinheiro para privilegiar determinados grupos de pessoas, ou quando ele prende inocentes, ou quando ele mata inocentes, ou quando é flagrado fazendo corrupção. Não gostamos quando isso acontece.
A: É muita coisa…. O que é corrupção?
H: É quando o governo utiliza nosso dinheiro para fins ilícitos, visando ao seu proveito próprio. Ele pega nosso dinheiro e não dá nada em troca. É praticamente como se fosse um roubo.
A: Hum… Vocês dão dinheiro para o governo?
H: Sim. Bom, na verdade, nós não “damos”. Ele toma da gente. E usa esse dinheiro para financiar absolutamente tudo o que ele faz.
A: Mas você havia dito que vocês são o chefe do governo. Como pode o governo tomar dinheiro de seus chefes?
H: Porque ele nos obriga a dar dinheiro a ele.
A: E se vocês não quiserem dar?
H: Aí ele nos prende.
A: E se você resistir à prisão?
H: Aí ele pode nos matar.
A: Isso está meio confuso para mim. Acho que ainda estou sob o efeito da minha longa viagem… Vocês humanos por acaso já chegaram ao estágio em que, de uma forma geral, consideram que roubar, escravizar e matar sejam atitudes ruins?
H: Ah, sim, todos nós pensamos assim. Não roubar. Não agredir. Não matar.
A: Mas vocês dão dinheiro para o governo e ele não apenas rouba esse dinheiro, como também o utiliza para privilegiar, prender e matar pessoas?
H: Bom, sim, mas o governo também faz coisas boas com nosso dinheiro.
A: E por que vocês não param de pagar pelas coisas de que não gostam e pagam apenas pelas coisas de que gostam?
H: Não, não podemos fazer isso. Você não pode simplesmente decidir que não irá mais pagar impostos, pois as regras dizem que todo mundo tem de pagar impostos.
A: Mas as regras foram feitos pelo governo, não foram?
H: Sim.
A: Então o governo criou uma regra dizendo que todo mundo tem de dar dinheiro para ele? Então todo mundo paga impostos porque se não pagarem o governo irá puni-las utilizando de violência?
H: Bom, sim, mas a maioria das pessoas não liga de pagar impostos; a maioria se sente obrigada a pagar impostos e a se submeter às leis do governo, pois é para o bem da sociedade. A sociedade precisa de governo, e isso significa que todos nós temos de pagar impostos.
A: Ok, então deixe-me ver se entendi corretamente. O governo cria as regras e vocês se sentem obrigados a seguir estas regras, mesmo aquelas de que vocês não gostam. O governo também diz a vocês o que vocês devem fazer, e ameaça punir vocês caso não façam o que ele ordenou. E ele também usa parte do dinheiro que tomou de vocês — utilizando de ameaça de violência — para pagar por coisas de que vocês não gostam e as quais na realidade pensam ser imorais, como roubo, assassinatos e privilégios.
H: Bom, sim, mas nós podemos pedir a ele que nos dê apenas ordens sensatas, e que pare de tomar nosso dinheiro para utilizá-lo em coisas ruins. Nós temos a permissão para pedir ao governo para que ele nos dê apenas as ordens que queremos que ele nos dê.
A: Só de curiosidade, vocês não têm medo desta coisa, não? Pelo que visualizo, o governo é um monstro enorme capaz de esmagar você pelo simples fato de você tê-lo desobedecido. É isso?
H: Não, o governo não é um monstro.
A: Ok, então o que é o governo? Você poderia me descrevê-lo em mais detalhes?
H: Na verdade, o governo não é bem o tipo de coisa que você pode descrever em detalhes.
A: Bom, então talvez você possa me levar até ele. Onde fica o governo?
H: Você se refere ao prédio?
A: O governo é um prédio?
H: Não, mas os políticos que controlam o governo ficam dentro de prédios. É nesses prédios que eles trabalham.
A: Então o governo é um grupo destes políticos?
H: É… de certa forma.
A: Ok, mas de qual espécie são estes políticos?
H: Bom, eles são… humanos.
A: Iguais a você?!
H: Sim…
A: Então políticos são humanos e eles são o governo. Você é humano, mas você não é o governo.
H: Certo.
A: Então são os políticos que estão por trás de tudo. São eles que dão ordens a vocês, são eles que obrigam vocês a fazerem coisas contra suas vontades, e são eles que tomam seu dinheiro usando de ameaças de violência. No entanto, muito embora vocês todos sejam humanos, vocês não podem dar ordens a eles e tomar o dinheiro deles?
H: Não. Eles nos mandariam para a cadeia se fizéssemos isso. Mas olha só, você está tendo uma ideia errada. Políticos não podem simplesmente sair fazendo tudo o que eles quiserem. Tipo, um político não pode simplesmente me abordar na rua e me obrigar a dar dinheiro para ele. Eles não podem fazer isso. Políticos só podem fazer esse tipo de coisa se estiverem no seu trabalho, se estiverem trabalhando para o governo.
A: Ah, então políticos não são o governo. Eles apenas trabalham para o governo.
H: Correto.
A: Ok, então o governo não é nenhum monstro enorme. E também não é um prédio. E tampouco são os políticos. O governo é algo mais. E ele emprega políticos que são apenas humanos normais, mas que têm o poder de dar ordens gerais e de tomar o dinheiro de todo mundo. Como um humano comum se torna um político?
H: Bom, esta é a coisa mais sensacional a respeito de nosso governo. Temos uma democracia, e isso significa que são as pessoas que de fato detêm o poder, pois somos nós que decidimos quem entre nós poderá ser um político. Somos nós que votamos. E se um político começar a fazer coisas de que não gostamos, podemos simplesmente substituí-lo por outra pessoa na próxima eleição.
A: Então aqueles que são escolhidos para serem políticos somente podem dar ordens e tomar o dinheiro das outras pessoas durante um pequeno período de tempo. Após esse período, eles voltam a ser humanos normais?
H: Exatamente.
A: Isso me parece uma posição muito poderosa para se conceder a alguém. Mas se vocês podem escolher os humanos que serão os políticos, suponho então que os políticos sejam sempre os mais sábios, mais honestos, mais afetuosos e mais respeitados humanos entre vocês.
H: Bem, não, na verdade não. Eu diria que os políticos não são exatamente conhecidos por serem honestos, sábios e afetuosos. E eles certamente não estão dentre os mais respeitáveis de nós humanos. Pensando bem, quase todos os políticos são safados e mentirosos; meros desonestos ávidos por poder.
A: Aqueles que vocês escolhem?
H: É. Eles estão sempre fazendo coisas de que não gostamos. Eles usam o dinheiro do contribuinte para se enriquecerem a si próprios e seus amigos, e eles nunca cumprem as promessas que fizeram aos eleitores. Eles frequentemente são flagrados roubando, mentindo e aceitando propinas, e eles quase sempre fazem tudo aquilo que os grandes empresários, que são os grandes doadores de suas campanhas, querem. Sim, eles estão sempre fazendo coisas erradas. Elas são totalmente corruptos. São um bando de vigaristas mentirosos.
A: Mas você disse que a maioria dos humanos sabe que roubar e agredir são coisas erradas. E você também disse que vocês, o povo, têm o poder porque podem mudar quem está no comando. Então por que vocês não simplesmente tiram os mentirosos e ladrões e os substituem por pessoas comuns?
H: Bom, a verdade é que nós não escolhemos os vigaristas mentirosos para votar neles. Eles simplesmente se revelam assim quando chegam ao governo. Mas nós temos de ter um governo porque alguns humanos são maldosos e podem matar ou roubar ou escravizar outros humanos. A civilização simplesmente não poderia viver sem governo.
A: Tá, então deixe-me novamente ver se entendi. Dado que vocês estão preocupados com um pequeno número de humanos malvados que estão dispostos a matar, escravizar e roubar, vocês pensam ser necessário para a sua sobrevivência ter um sistema no qual alguns dos humanos entre vocês, por um pequeno período de tempo, passam a se chamar de governo, adquirem o poder de dar ordens a todos os outros humanos como se estes fossem escravos, e passam a roubar e a usar de violência porque, se eles não fizerem isso, outras pessoas poderiam fazer? E vocês tentam eleger pessoas boas e honestas para serem políticos, mas o que realmente acontece é que as pessoas que vocês elegem se revelam corruptas, maldosas, vigaristas e mentirosas. Este é o seu sistema?
H: É… é bem assim que funciona o nosso governo.
Ótimo, simples e direto. Belo texto para explicar, de alguma forma, a onda de manifestações que ocorrem hoje no Brasil. Ao que parece, alguns humanos estão demonstrando seu descontentamento com o governo. Pena que os menos intencionados mancham e dificultam a intenção daqueles que, de alguma maneira, tentam explicar aos demais o que o governo faz, de fato, é se aproveitar da ingenuidade e ignorância da maioria…
Quem sabe em Marte os fatos que norteiam a organização social funcionem de forma mais adequada…
Que texto brilhante. É cômico e 100% verdadeiro ao mesmo tempo. Muito bom.
O Brasil prestes a cair nas patas do PSTU, PSOL, etc, e vocês ficam se preocupando com isso?
Perfeito!
Uma coisa que não vejo muitos comentando é a quantidade de dinheiro que será gasto em 2013 para refinanciar e pagar juros da dívida pública.
610 Bilhões para refinanciar e por volta de 150bi para juros.
pessoas sai na rua por causa de coisa pequena enquanto o sistema financeiro continua um câncer sustentado pelo governo.
g1.globo.com/politica/noticia/2013/04/orcamento-da-uniao-para-2013-e-publicado-no-diario-oficial.html
esses dias vi um video no youtube justamente com esse dialogo (alguem fez uma pequena animacao) nao estou encontrando agora, se alguem souber do video e puder repassar fico agradecido, quero repassar a alguns conhecidos.
quanto as manifestacoes ocorrendo, seria legal mais comentarios aqui. vejo que existiu um grupo inicial com engajacao politica reinvindicando passe livre, etc. Mas grande parte das pessoas que podem ate ter se iniciado com esse alvoroço inicial, agora protesta e nao sabe o q quer (convenhamos, querer acabar com corrupcao, saude educacao de qualidade e baixos impostos é mais q uma utopia, é querer magica para resolver problemas reais). É ignorancia simplesmente por nao saber outra solucao q possa existir!
por conta disso (revolta sem causa definida) parece um bom campo para distribuir ideias como as presentes aqui.
Essa situação ilustra e explica exatamente o por que de necessitarmos de um governo! Imagine que esse alienígena não viesse em paz, quem nos defenderia??!!
Os seres humanos de hoje acreditam na democracia da mesma forma que acreditávamos, no passado, no escravismo; não podíamos viver sem ele.
Este artigo me lembrou outro que li. Na época do Collor, tinhamos direita e esquerda.
O que se percebe hoje é que não tem UM, parlamentar que é de direita. Pois se tivesse, estariam agora mesmo pedindo Impeachment e casação de todos os envolvidos. Só que o governo comprou todos (Vulgo facismo. onde o governo levou todos para cama).
Pelo que se vê, não temos mais a direita.
Só uma coisa salva o Brasil. Como Joaquim Barbosa uma vez falou, somente o caos vai dar um novo rumo para o Brasil.
Mas o problema é que sem direita, só temos 2 chances para mudar tudo: O próprio PT, ou as Forças Armadas.
O primeiro sei que não vai entregar o osso. Temos que fazer suplica as forças armadas, aos policiais em geral. Para que nos ajudem.
Por que vocês não fazem um artigo sobre o Ato Médico?
Melhor do que ficar chovendo no molhado.
O Brasil está sendo varrido por uma onda de manifestações populares, que são destaque na imprensa nacional e internacional e vcs do IMB o que fazem? Apenas pegam um artigo estrangeiro e o adaptam para criticar o prefeito de São Paulo que sugeriu aumento de impostos para atender a reivindicação dos manifestantes no que tange a tarifa do ônibus. Vcs tão dormindo ou o que? Estão demonstrando uma falta de visão que chega a causar assombro. Acordem!!! Não tentem vender abacaxi quando o público deseja laranja. As pessoas querem ler sobre os protestos. Escrevam artigos analisando os e tudo o que está ligado direta ou indiretamente a eles.
Aline, praticamente só o que o IMB faz é analisar o que está acontecendo e porquê. Só que, por utilizar a lógica e conhecimentos econômicos, é possível fazer isto antes que de fato aconteça, só analisando os sinais.
Aliás, Hayek explicou em 1943 os protestos de hoje:
http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=31
Mises explicou em 1920:
http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=66
E. Richter explicou em 1893:
mises.org/document/4994/Pictures-of-the-Socialistic-Future
E muitos e muitos outros ao longo do século 20 também o fizeram:
http://www.mises.org.br/Subject.aspx?id=11
Falta de visão? Acho que não.
Gostaria que o pessoal daqui lesse esse artigo do Luciano Ayan.
lucianoayan.com/2013/06/20/a-solucao-libertaria/
Há um tempo caí de paraquedas neste site. Procurando por determinados assuntos, terminei lendo uns artigos. Um novo mundo de argumentos e racionalidade me foi aberto, inesperadamente. Sobre política e economia. Autores, que eu nunca, jamais, havia ouvido falar, escrevendo textos de alta qualidade, com pensamentos sólidos, num site do qual notícia nenhuma eu tinha visto antes.
Nunca havia me dado conta da simplicidade que seria raciocinar com argumentos liberais. Durante toda a minha carreira escolar e universitária só ouvi argumentos a favor do mundo socialista. Apesar de, na maioria das vezes, achar que havia algo errado, ou faltando, ou que não se encaixava, ou simplesmente não conseguir seguir uma linha de raciocínio completamente desconexa, etc., não encontrava um sustentáculo de ideias capazes de contra-argumentar o que eu escutava e lia, de forma lógica.
E isto tudo, pensava eu, é desse jeito? E a queda do muro de Berlim? E o sucesso da América? Falha histórica? Meus contra-argumentos eram puramente históricos e empíricos.
Até que a Internet me apresentou, como quem não quer nada, o site do IMB.
Não vou dizer que concordo com tudo o que leio neste site, contudo, senti que os argumentos se encaixaram com os meus pensamentos feito um quebra-cabeça que acabava de ser completado.
O texto acima, eu já tinha lido, assim como li boa parte dos textos deste site.
Não cheguei a me tornar um ancap, como os autores e comentaristas. Mas, hoje, sei que quanto mais liberal uma sociedade, melhor.
Não diria que se trata de um site de “direita”, visto que o termo ficou consagrado para o nazismo e fascismo, o exato oposto de tudo o que é defendido por aqui. Aliás, direita e esquerda são faces, cara e coroa, de uma mesma moeda. As duas filosofias são estatistas ao extremo.
Os termos corretos, pragmaticamente, são liberalismo e estatismo. Mais ou menos intervenção estatal. Mais ou menos liberdade econômica. Mais ou menos liberdade.
Este modo de pensar é totalmente desvencilhado do que é repassado aos estudantes de todo este país. Atualmente, o que é menos estatista, é “neoliberal” e a cada ano que se passa neoliberal significa mais intervenção estatal. Alguns partidos de extrema esquerda taxam de neoliberal o PT – uma verdadeira “contradictio in terminis”.
Aqui, nunca tivemos cultura liberal no Brasil (podem-me corrigir se minha cultura histórica estiver falhando), consequentemente, não poderíamos, jamais, pensar desta forma “naturalmente” – mas, o brasileiro só precisaria estudar e ver o mundo ao seu redor. Contudo, contudo, unindo a falta de cultura liberal, com a intensificação da propaganda socialista nas últimas décadas, só poderia resultar nisto que vemos atualmente: protestos que não protestam por coisa alguma; estudantes que não sabem exatamente o que querem; manifestações caóticas, violentas, sem nenhum programa, que só pedem ajuda exatamente a quem os explora.
É algo patético que tantas pessoas saiam às ruas protestando para “nem sei mais lá o quê”, cada um que vá com uma bandeira, com uma causa confusa. Eles sabem que algo está errado, só não sabem o quê, pois tiveram uma educação tão patética, tão tola, que não sabem diferenciar o que está diante do nariz de cada um. São praticamente um bando de inimputáveis vagando pelas ruas, praticamente zumbis. Não sabem sequer pedir a queda de governantes ruins, pois o lado direito do cérebro deles diz que está “tudo lindo” e o lado esquerdo diz que vai tudo uma grande nojeira.
Sentem nojo, mas não sabem sequer direcionar para onde, nem para quê. Soluções? É capaz de instalarem uma ditadura comunista com o aval de todos, sem sequer terem ideia do que estão fazendo ao certo.
Isto tudo pois falta nada mais nada menos que educação. Só leram panfletos comunistas a vida toda. Ilário, se não fosse triste. Cômico. Seria eu, lá, nos protestos, desmiolado e feito massa de manobra, caso não fosse eu radical com os meus pensamentos a ponto de não aceitar argumentos estapafúrdios ou puramente sentimentais. Isto, cômico, se não fosse trágico.
O gigante acordou, porém, atordoado (dormiu demais!).
Complementando: Parabéns a toda a equipe IMB pelo ótimo site! Uma luz no fim do túnel!
Mas, mesmo dizendo que o povo é tolo, foi “lindo” como todos dizem, ver que os movimentos organizados de esquerda não participaram da maior manifestação brasileira desde o impeachment de Collor. Há, ainda, uma luz no fim do túnel para este país, nem que ela seja fosca.
Se considerarmos que o Estado é o que representa o centro do sistema, os socialistas e comunistas, que defendem a manutenção do Estado, são a verdadeira direita, e nós, libertários, que somos contra a manutenção do Estado e a favor da liberdade, é que somos a verdadeira esquerda. O problema é que os centros acadêmicos e as universidades públicas conseguiram deturpar esse conceito aqui no Brasil, principalmente pelo fato histórico de os EUA terem, infelizmente, apoiado as diversas ditaduras militares nas décadas de 60 a 80 que ocorreram nos países latino-americanos. Essa lógica inversa destruiu todo o pensamento liberal aqui no Brasil. Foi até bom o PT ter assumido o poder central com o Lula, porque é a partir daí que o libertarianismo ressurgiu com mais consciência e foco. Acredito que, daqui a algum tempo, o Brasil estará mais apto a essa filosofia, agora com a visão correta e coerente.
@Internauta,
Acho que você não viu o pronunciamento da presidentA ontem a noite. Não há luz no fim do túnel. Há uma escuridão mais escura que o breu, isso sim.
Os manifestantes pediram e conseguiram. Graças a esses desmiolados teremos um estado ainda maior. O pronunciamento da presidentA foi bem claro: vamos fazer tudo o que estão pedindo. Ou seja, vamos bancar a conta. O governo vai bancar a conta. Isso significa que os desmiolados vão pagar a conta. Junto com o resto de nós.
Não sei quanto aos demais, mas estou de malas prontas. Ficar no Brasil e ter a sua vida micro-gerenciada vai ser o resultado dessa baderna…
O gigante acordou. Você vai querer ficar no caminho de um gigante? Eu que não vou ficar para ser atropelado e removido do sapato como bosta em que se pisa… O último, que apague a luz.
Vou espalhar o vídeo do diálogo do ET e humano a todos!!
Caro Internauta, comigo aconteceu algo semelhante, pena que não foi por esse site… Contudo, para mim também havia algo que não se encaixava. Li as obras de Marx e cheguei a seguinte conclusão com base em todo nosso processo histórico de que não houve um verdadeiro comunismo à la Marx, chegamos no máximo ao socialismo (2º fase para se chegar ao comunismo) com a União Soviética e não deu certo. Cuba também não passou do socialismo, pois ainda vive em uma ditadura. Em suma, o capitalismo está ai, e não vejo perspectiva nenhuma desse tipo de sistema desaparecer, pelo contrário, sempre me convenço que ele está cada dia mais forte. Isso é ruim, ou é bom? Não importa, pois digo-lhe que é inevitável (aqui uma ressalva, pois o autor não é fatalista, pois acredito que não nos organizamos como as formigas, por meio do instinto, mas por um acordo que pode ser desfeito a qualquer momento, afinal não vivemos pelo instinto). É inevitável a permanência desse sistema econômico pois são milhões de tentáculos que garantem a sua sobrevivência, dia após dia, ele está em nossas relações sociais, amorosas, profissionais, no nosso modo de encarar o mundo (veja as conversas cotidianas, falam de manifestações contra “n” coisas e 5 minutos depois comentam da novela, do futebol, riem como se estivesse tudo bem… depois voltam pra casa, tomam todinho, dormem e no dia seguinte é tudo a mesmo coisa – veja há nisso tudo uma certa banalização, que nos remete a aceitar tudo tacitamente, mesmo sendo livres para escolher – não sendo fatalista, mas um cético realista que acredita em mudanças).
Chego a pensar que essas manifestação podem ser uma das vertentes desse sistema (pois não vi ninguém da classe trabalhadora neles). Penso como você, acredito que as discriminações em relação à doutrina do liberalismo partem de conceitos equivocados e muitas vezes até discriminatórios.
Eu defendo o liberalismo econômico e não sou um porco capitalista! Não detenho os meios de produção mas alguém terá de detê-lo pois a produção de bens e serviços é inevitável (porco capitalista ou estado corrupto?). Não ganho mais-valia, mas acho justo que quem detenha os meios de produção lucre com eles, afinal a propriedade destes é do dono e do mesmo modo que você usa suas coisas quando e como quer e empresta/aluga/vende ao preço que estipula, ele também possui esse direito. Não tenho propriedades, mas respeito as dos demais, porque se vier a ter exigirei o mesmo direito. Os que pregam a doutrina socialista não querem enxergar isso, deslumbram em sonhos com um Estado garantidor do bem estar social, onde todos vão ter tudo que quiserem, todos andarão de mãos juntas e plantaram árvores nas esquinas… porém ao cair da cama se lembram de que para se garantir tudo o que é bom é necessário produzir e alguém vai ter que por a mão na massa, fiô. E esse alguém vai querer ter mais coisas do que aqueles que não produzem (pois duvido se todos trabalharão numa sociedade socialista, se nem na capitalista é assim!). Enfim fica o meu agradecimento e meu contentamento em saber que há pessoas que pensam como eu, o que significa que, em última análise eu não sou fatalista. Ainda me resta esperança que o liberalismo e o objetivismo filosófico saiam do implícito e tornem-se explícito, pois ele já está ai, o problema é que nem todos enxergam.
O Gigante acordou? A pergunta é para que? Se for pra ficar andando igual um bêbado, que volte a dormir!
@anônimo,
Concordo com você (obviamente). O Livre Mercado é o único caminho que contempla a natureza humana como ela é e sua mudança gradual para algo melhor (caso ocorra).
No entanto, fiquei preocupado:
Li as obras de Marx e cheguei a seguinte conclusão com base em todo nosso processo histórico de que não houve um verdadeiro comunismo à la Marx, chegamos no máximo ao socialismo (2º fase para se chegar ao comunismo) com a União Soviética e não deu certo.
Dá para sentir que você fica chateado por nunca termos tido um “comunismo à la Marx” (questionável, acho que tivemos e não deu certo, como qualquer coisa semelhante não daria). Se esse é o caso, caro anônimo, observe que o Marxismo precisa de seres com uma moralidade inabalável para funcionar. Simplesmente nunca ocorreu uma sociedade assim (e se ocorreu, não se manteve por tempo suficiente para que fosse representativa). O Marxismo é instável em sua concepção e nunca terá a sua premissa de “seres humanos ideias” atendida.
O Livre Mercado, por outro lado, trabalha com o que tem. Os seres humanos podem ser bons ou maus ou qualquer graduação intermediária; podem ter a moralidade que for, ou não ter alguma: ele continua funcionando. E continuaria funcionando se chegássemos ao ponto de termos “seres humanos ideiais”. Essa é a diferença; O Livre Mercado funciona hoje e não em um mundo de fantasia de algum barbudo que nunca trabalhou na vida.
Concluindo, caro anônimo: também já bebi da fonte Marxista e também já tive esse sentimento de “o Marxismo nunca teve uma oportunidade real de funcionar”. Mas pense bem… o Marxismo, com sua premissa de “seres humanos ideias”, simplesmente nunca vai ter essa oportunidade. Quanto a mim, prefiro me agarrar ao que funciona no mundo adulto e deixar as fantasias para as crianças.
Ali Baba,
Obrigado pelo seu comentário, foi de grande valia para mim. Não me sinto chateado por não termos chegado ao ponto do comunismo (na completa ausência da ditadura do proletariado da fase socialista). É que me falta maturidade intelectual suficiente para atingir a conclusão que você chegou. Ainda estou nas amarras de um ensino de cunho predominantemente socialista, mas acredito que me aprofundando mais nos estudos chegarei nesta conclusão: De que as premissas marxistas nunca terão oportunidade de surgir. E, pelo menos atualmente, eu concordo exatamente nesse ponto mencionado por você, na questão da moralidade inabalável como requisito essencial desse tipo de doutrina. E, como bem lembrado, em plena sociedade que tem como objetivo o lucro, o fato é que temos seres humanos eticamente falhos, que, sob uma venda tampando a visão, creem que os outros têm o dever de lhes “dar a comida da boca” e, se possível, já mastigada, sob o manto de um Estado promíscuo, acolhedor e paternalista, obviamente às custas dos que têm mais.
Uzbe, obrigado pela a indicação dos materiais, lerei todos assim que tiver tempo. Mas já adianto que a perspectiva é a mesma do parágrafo anterior, falta de moralidade humana resultou nesse mostro denominado URSS, “após 72 anos de existência de sua ditadura (1917-1989), onde o povo não viu nem relance de prosperidade e a alta burocracia (Nomenklatura) vivia em palácios”. Quanto às manifestações, continuo com meu raciocínio, o capitalismo tendencia para uma existência contínua (não me chateio nesse ponto, o que me entristece é que o único modo de prosperarmos é com a livre iniciativa, um mercado concorrencial livre e isso está longe de acontecer com o atual governo, nem mesmo o povo se dá conta disso). Hoje mesmo vi a notícia de que pais levaram seus filhos para Brasília com escopo de promover a desenvoltura cívica nesses futuros cidadãos, será esse o caminho? Levá-los ao parque, ensinar a desenhar cartazes, todos riem, se divertem, acham engraçadinho seus filhos melecados de guache, e voltam pra casa. E ainda são aplaudidos no Fantástico! Fantástica é a contribuição para a alienação moral para que tudo permaneça como está. Ao invés de proporcionarem esse tipo de diálogo que travamos por intermédio desse site para essas crianças, demonstrando através de exemplos banais as diferenças entre marxismo, libertarismo, livre mercado, capitalismo, socialismo. Sem demonizar nenhum dos conceitos, deixando a criança tirar suas próprias conclusões. Não, preferem vendá-los cada vez mais acreditando que democracia se faz com cartazes e dizeres bonitinhos que por vezes até rimam, mas não são umas gracinhas? Talvez até contrataram profissionais para fazerem um álbum de fotos para essas crianças… Meu Deus! Onde chegaremos?
De qualquer forma, agradeço as contribuições, seguirei meus estudos já ciente da conclusão inevitável que chegarei, Ali Baba e Uzbe.
Muito bom, Anonimo. Acrecento ainda, que no caso das manifestações, não vejo lógica no discurso “R$ 3,20 é um assalto” pois qualquer pessoa trabalhadora sabe que esse dinheiro sai do patrão, as passagens são pagas ao trabalhador por quantidade e não por valor, portanto tanto faz se custarem 3 reais ou 20 reais (não sairam do bolso do trabalhador). Pelo menos é assim na minha. E por que os donos dessas empresas de ônibus não se manifestaram? Será que já sabem que o governo dará um jeito, por isso nada temem?
Aliás, que maneira estranha de se resolver o problema, que é bem mais profundo. Suspende os 0,20 centavos, retira dos investimentos municipais (põe na conta do povo!), quem pediu para o Prefeito fazer isso? No entanto, continua a licitar para somente uma empresa por linha, o que afasta a livre concorrência, afastando consequentemente as melhorias que ocorrerão decorrentes da lógica de um mercado aberto.
Não, permanece a velha idéia do Estado obrigar as empresas à oferecerem um trasporte público de qualidade. Quem é empresário sabe: o governo bate o pé sabendo que só tem uma empresa que poderá transportar naquela linha. Ou seja, se não der subsídios para ele (empresário) não tem transporte e acabou! Não há discussão, só tem ele (empresário) pra fazer o serviço. Diferente se houver outras empresas concorrentes com esse empresário, neste caso este empresário sentirá obrigado em oferecer qualidade pois do contrário perderá clientes (passageiros) para as outras empresas. Livre mercado, este é o caminho!
Comecei faz pouco tempo a estudar Mises, sua escola e seus dicipulos graças ao maravilhoso encontro com esse site. Venho saindo aos poucos da cegueira estadista mas algo que não consigo conceber ainda e gostaria de pedir auxilio aos mais experientes e aprofundados no assunto é: Em um país como o Brasil aonde os meios de produção e as terras estão na posse de poucos, se instalado um livre mercado o que garantiria que a concorrência iria se desenvolver e não formar um oligopólio que impedisse a entrada de novas empresas com um capital menor, visto que os detentores desses meios e de terras são hoje ligados ao governo? Sobre essa ótica seria possivel admitir reformas e divisões dos meios de produção e das terras, desses homens que “roubaram” antes? Muito Obrigado pela atenção.
É fantasia esse negócio de dizer que o Estado é o culpado de tudo o que existe de ruim no mundo e que devemos aniquilá-lo,
Quer dizer então que os Estados Nacionais europeus do Oeste são inferiores às tribos pagãs européias do leste do Século XII? E a África? O Sudeste Asiático? Essas 3 regiões não tiveram Estado por um longo tempo e não produziram nada de relevante para a humanidade.
O Estado é igual ao fogo. Pode ser útil (como muitas vezes foi) ou pode causar danos. Os Estados modernos foram subvertidos…
Aliás, por falar dos países da Europa do leste na Era Medieval, o Principado de Kiev (que ficava na atual Ucrânia), antes de ser um Principado era uma sociedade sem estado, sem leis. Vejamos essa experiência anarquista:
“En el año 6367 (859): Los varegos de ultramar recibieron tributo de los chudos, eslavos, merias, veses, kríviches,…
En el año 6370 (862): Provocaron que los varegos volvieran del otro lado del mar, rechazaron pagarles tributo y acordaron gobernarse a sí mismos. Pero no hubo ley entre ellos, y cada tribu se levantó contra cada tribu. La discordia se cebó así entre ellos, y empezaron a guerrear entre sí. Se dijeron: «Elijamos a un príncipe que mande sobre nosotros y que juzgue de acuerdo a la costumbre». Así acudieron más allá de los mares a los varegos, a los rus. Estos varegos eran llamados rus, como otros eran llamados los suecos, normandos, anglos y godos. Los chudos, eslavos, kríviches y los ves dijeron entonces a los rus: «Nuestra tierra es grande y rica, pero no hay orden en ella. Que vengan a reinar príncipes sobre nosotros». Tres hermanos, con su parentela, se ofrecieron voluntarios. Tomaron consigo a todos los rus y vinieron.”
Fonte: Crônica de Nestor
es.wikipedia.org/wiki/Rus_de_Kiev#Or.C3.ADgenes_de_la_Rus_de_Kiev
Ou seja, bagunça, um desordem. O povo queria um Príncipe para pôr ordem…
Sobre o governo, diria o Sr. Spock, “Isto é ilógico.”