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As definições corretas de monopólio e concorrência – e por que a concorrência perfeita é ilógica

Muito
se fala, principalmente nos meios acadêmicos, sobre concorrência e
monopólio. O problema é que as
definições utilizadas para estes termos estão quase sempre erradas.  

E se o conceito utilizado é errado, então as
políticas sugeridas para lidar com ambos também serão erradas.  

Pior ainda: gerarão resultados distintos dos
esperados.

Concorrência

Comecemos
pela concorrência. Seria a concorrência
uma ‘situação’ ou um ‘processo’? 

A
função empreendedorial é, por sua natureza intrínseca, sempre competitiva. O termo ‘competitivo’ vem do latim cumpetitio, que significa uma
concorrência múltipla de reivindicações sobre um determinado bem ao qual um
proprietário deve ser atribuído.

A
concorrência é um processo dinâmico que
envolve rivalidade
. Trata-se de um
processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir
oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o
façam.  

O objetivo de um empreendedor é
descobrir, antes dos demais, oportunidades latentes de lucro que existem no
processo empresarial. Uma vez descoberta
uma oportunidade de lucro, ele terá de atuar em harmonia com outros empreendedores
— pois o mercado é uma rede de trocas altamente complexa e interativa — para
se aproveitar dela.

Por
isso, diz-se que a concorrência é um processo de emulação, um processo em que se busca superar seus rivais, em todos
os âmbitos, criando e se aproveitando de oportunidades de lucros antes deles. 

E
isso deve ser contrastado ao chamado “modelo de concorrência perfeita”. Este é o modelo que a esmagadora maioria dos
manuais de economia aponta como sendo o ideal máximo de concorrência. 

Este modelo enxerga a concorrência como sendo
uma situação. É como se a concorrência fosse analisada como
uma fotografia instantânea. Os
defensores deste modelo são os economistas matemáticos que acreditam na tese de
que uma economia sempre pode estar em ‘equilíbrio’.

Nos
modelos matemáticos de concorrência perfeita, a concorrência é definida como
perfeita quando, ao se fazer esta fotografia instantânea de um determinado
processo de mercado, observa-se nesta foto — que nada mais é do que uma
situação estática, sem nenhum movimento — a existência de múltiplos
ofertantes, todos eles vendendo o mesmo produto, com exatamente as mesas
características e ao mesmo preço.

Esta
situação estática — sem nenhum movimento, sem nenhum processo empreendedorial,
em que há uma multiplicidade de ofertantes que fazem exatamente a mesma coisa,
que ofertam exatamente o mesmo produto e que vendem a exatamente o mesmo preço
— ser classificada de concorrência perfeita representa o ápice do escárnio.

Logo,
é fácil observar que estes dois conceitos de concorrência são praticamente
opostos: de um lado temos a concorrência como um processo dinâmico de
rivalidade, que é o conceito correto
de concorrência; de outro, temos a burla, que supõe uma concorrência jocosamente
chamada de perfeita, que é caracterizada por uma situação em que todos os
empreendedores fazem absolutamente o mesmo — e portanto ninguém compete com
ninguém.

Disso,
surge a inevitável pergunta: como é possível que legiões de economistas
catedráticos, de enorme distinção e com impecáveis credenciais acadêmicas,
tenham feito do modelo de concorrência perfeita — isto é, desta concepção
estática de concorrência — a base de todas as suas teorias? 

É
aqui que podemos constatar, novamente, um dos exemplos mais claros do nefasto efeito
gerado pelo uso da matemática
na ciência econômica
. Dado que a
ciência econômica nada mais é do que a ciência da ação humana, os fenômenos
estudados dependem totalmente da interação voluntária entre bilhões de
indivíduos, algo que por definição não pode ser matematizado.

E,
justamente para se tornar possível a matematização de algo que é impossível de
ser matematizado, a concorrência, que é um processo dinâmico passa a ser
analisada como uma situação, um estado de equilíbrio, que é o único
matematizável. 

E o empenho em se aplicar
uma metodologia errônea oriunda do mundo das ciências naturais — onda há
constantes, não existe tempo e nem criatividade — ao âmbito das ciências
sociais protagonizada por seres humanos pode apenas gerar múltiplos erros,
dentre eles o mais importante é o fato de se endeusar um conceito tão absurdo
quanto o conceito estático de concorrência perfeita.

Monopólio

Assim
como ocorre com a concorrência, há também dois conceitos distintos e opostos
para monopólio. E cada um destes
conceitos de monopólio está de acordo com os respectivos conceitos de
concorrência. 

Ou, falando mais
claramente, ao conceito correto de concorrência está relacionado um conceito
correto de monopólio, e ao conceito errôneo de concorrência está relacionado um
conceito também errôneo de monopólio.

Comecemos
por este último. 

O
conceito errôneo de concorrência é aquele que vê a concorrência como uma situação, um estado de equilíbrio em que
há uma multiplicidade de ofertantes que produzem exatamente o mesmo produto e
vendem exatamente ao mesmo preço — ou seja, não há competição nenhuma entre
eles. 

E
qual o conceito errôneo de monopólio? Se
a característica essencial para se classificar uma situação como sendo de
concorrência perfeita é que haja um grande número de ofertantes naquela
fotografia instantânea, a característica essencial para se caracterizar uma
situação como sendo de monopólio é que nesta fotografia instantânea — ou seja,
neste estado de equilíbrio — exista apenas um
único
vendedor.

Do
mesmo conceito errôneo de concorrência perfeita surge o conceito errôneo de
monopólio, que é visto como uma situação
estática
em que há apenas um vendedor de um produto. Estes “monopolistas”, segundo os economistas
matemáticos, podem impor os preços que desejarem, preços artificialmente altos,
em prejuízo dos consumidores.

Uma
situação intermediária seria a de oligopólio,
na qual há apenas alguns poucos vendedores (oligo
vem do grego e significa poucos).

Porém,
tendo por base a perspectiva da teoria
dinâmica
dos processos de cooperação social protagonizada por
empreendedores, este conceito de monopólio e de oligopólio é completamente sem
sentido. 

Se a definição correta de
concorrência é a de um processo dinâmico de rivalidade na qual os
empreendedores competem entre si para descobrir, antes dos demais,
oportunidades de lucro para se aproveitar delas antes que outros empreendedores
o façam, então o conceito correto de monopólio tem de levar em conta se é possível
ou não que outros empreendedores possam
ter legal acesso
a este processo dinâmico de rivalidade.

E
a conclusão lógica é que só existe um monopólio genuíno quando o estado sistematicamente
impede, por meio da força ou da ameaça de violência, a liberdade de acesso a um
determinado mercado ou o livre exercício do empreendedorismo em algum setor da
economia.

Logo,
o relevante não é se há apenas um ou alguns poucos ofertantes; o relevante é se
é legalmente possível ter acesso — se há liberdade de entrada ou não — a um
determinado setor da economia. 

O
relevante é analisar se, em decorrência de alguma coerção sistemática do
governo — seja por meio de agências reguladoras, de burocracias volumosas ou
de decretos –, há algum impedimento ao exercício da livre iniciativa em
qualquer setor da economia.

Notem
que este conceito de monopólio e oligopólio é radicalmente distinto daquele que
é tido pela academia como a definição correta.

Monopólio x concorrência

Ainda
utilizando a metáfora da fotografia, imagine uma sucessão de fotogramas que constituem
o celulóide de um filme. Imagine que
este filme represente o processo dinâmico da concorrência. 

Sendo assim, se escolhermos arbitrariamente
um fotograma e constatarmos que há apenas um vendedor neste fotograma escolhido,
um economista matemático imediatamente gritará “Monopólio! Exploração dos
consumidores! O governo tem de intervir e perseguir!”  

Já um economista seguidor da Escola Austríaca, que
entende a perspectiva dinâmica do mercado como sendo um processo marcado pelo empreendedorismo,
dirá que é irrelevante que em um ou em vários fotogramas apareçam apenas um
único vendedor. Pois o que tem de ser
levado em consideração não é um fotograma avulso, mas sim todo o processo
dinâmico contido neste filme, bem como se, ao longo deste filme, há liberdade
de entrada nos mercados, isto é, se há um livre exercício do empreendedorismo.

Se
ao longo do processo dinâmico houver liberdade de entrada nos mercados, então
existe concorrência no sentido dinâmico. É irrelevante se, em determinados momentos, existe no mercado apenas um
ofertante de bens e serviços. 

Mais
ainda: se em um determinado momento existe apenas um ofertante, mas há
liberdade de entrada neste mercado, então, o fato de existir apenas um
ofertante, longe de ser uma comprovação de que há monopólio e exploração dos
consumidores, indica apenas que tal ofertante está satisfazendo os desejos e
necessidades de seus consumidores de forma bastante eficaz.

Falando
de outra maneira: se o processo dinâmico é livre e os empreendedores participam
dele emulando-se e concorrendo entre si, então, se em um determinado momento existir
somente um empreendedor, isso significa que ele preponderou justamente por ter
se mostrado mais apto que seus concorrentes a atender as necessidades dos
consumidores.

Logo,
a existência de uma única empresa em um determinado setor econômico cuja
entrada seja livre para os concorrentes não é prejudicial para os consumidores;
significa apenas que esta empresa está ofertando um bom serviço para os
consumidores. Havendo uma ausência de
barreiras legais para se entrar no mercado, há concorrência.  Se o mercado é servido por uma única empresa,
isso não configura monopólio. A
concorrência existe a partir do momento em que o estado não proíbe legalmente
outras empresas de entrar no mercado. 

Em
um âmbito de plena liberdade empreendedorial, existir apenas um ofertante
significa que este soube como atender aos desejos dos consumidores de forma
mais eficaz e satisfatória do que todos os outros. No livre mercado, não há direitos adquiridos. 

E
exatamente por não haver direitos adquiridos, um empreendedor jamais pode se
acomodar no livre mercado. O fato de ele
haver triunfado hoje não significa que ele continuará triunfando amanhã. Se ele deixa de estar alerta e se torna menos
perspicaz que seus concorrentes, ou se ele deixa de satisfazer as necessidades
de seus consumidores de maneira satisfatória e a preços baixos, surgirá em
pouco tempo um exército de concorrentes — reais e potenciais — que colocará
em perigo sua situação de predomínio. Estes concorrentes tentarão lucrar em cima deste seu desleixo.

A
IBM, por exemplo, chegou a deter 70% do mercado de computadores. Converteu-se em uma empresa mastodôntica e
arrogante. Quando lhe apresentaram um
projeto sobre computadores portáteis, de uso pessoal, ela desprezou, dizendo
que era besteira. Como resultado desta
desconsideração para com as genuínas demandas dos consumidores, esta empresa
outrora tão rica e poderosa quase foi à bancarrota.

(Há vários outros exemplos práticos de empresas outrora gigantes e tidas como inalcançáveis, mas que rapidamente foram ao ocaso. Confira aqui.)

Portanto,
é irrelevante — de uma perspectiva dinâmica — que em uma fotografia apareça
apenas um único ofertante.  O próprio
processo dinâmico faz com que, ao amanhecer de cada dia, este ofertante tenha
de se reinventar diariamente.  Caso não o
faça, surgirão concorrentes que se apropriarão de uma fatia de seu mercado.

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Leia
também: Monopólio bom e monopólio
ruim – como são gerados e como são mantidos
 

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102 comentários em “As definições corretas de monopólio e concorrência – e por que a concorrência perfeita é ilógica”

  1. Bom dia.

    Vou usar um exemplo prático: a Votorantim em determinado momento, dominava o mercado de cimento e sempre que que surgia um novo concorrente, ela simplesmente comprava essa outra empresa, claro que nos momentos em que esse concorrente existia, ela não podia impor um preço, mas tão logo ela comprasse o concorrente, aumentava o preço.

    Sou contra intervenção estatal, mas admito que nesse caso, parece-me algo ruim para o consumidor, é claro que parte do dinheiro da Votorantim vinha das licitações do governo, mas ainda assim é possível uma empresa dominar um mercado sem ajuda do governo e se manter assim. Comprando a concorrência.

    Tem algum argumento que não pensei?

    Obrigado.

  2. Economistas do CADE

    …Mas se ao estado não caber decidir que empresas devem operar em um setor, quem vai nos empregar?

    É um mundo frio e escuro fora das repartições públicas.

  3. Andre Cavalcante

    “No livre mercado, não há direitos adquiridos.”

    De fato, procuro sempre verificar que, se há “direitos adquiridos por uma empresa” em geral eles vem do governo e não do mercado.

    Entretanto, vejo um tipo de mercado em que há uma espécie de direito adquirido no mercado: sistemas operacionais. Em certa ocasião (na época do saudoso WinXP) a microsoft chegou a ter noventa e tantos por cento do mercado de PCs. Dispositivos móveis e outros embarcados eram um naco minúsculo no mercado de dispositivos com processamento. Então, quem dominava o mercado de PCs dominava o mercado de dispositivos com processamento. MacOS tinha um naco do mercado de PCs e o Linux era muito bom nas universidades e só. Ocorre que, em um mercado desse tipo ele tem um efeito tipo rede: quando mais se usa, mais se depende dele e mais as pessoas são levadas a procurar àquele produto. Resultado: uma cópia em box do WinXP custava mais que o próprio PC. O único concorrente para o Windows era o Windows Pirata! E nem poderia ser diferente devido ao efeito do tipo rede.

    Claro, sei que os governos, ao redor do mundo, facilitaram a vida da MS seja com suas patentes, seja comprando diretamente, o que, por si só, distorce o mercado. Ainda hoje me lembro de licitações que pediam um editor de texto que abrisse o formato .doc – Ora, somente a MS vendia tal editor e este somente executava em seu próprio SO, logo a formação de sua “rede” foi de alguma sorte facilitada pelos governos. Entretanto, há de convir que essa rede foi principalmente criada e mantida no mercado.

    Hoje a coisa se inverteu, os mercados de embarcados e outros dispositivos móveis são dominantes e a participação do mercado de PCs cai ano a ano na conta, o Linux amadureceu e versões para móveis dele (leia-se Android) e do MacOS estão disponíveis em dezenas de sabores e já há uma concorrência de fato entre os SOs para este tipo de dispositivos, entretanto, por causa do efeito da rede, os PCs (ainda que não tenham o peso que tinham antes) ainda mantém em torno de 90% (depende de como você olha o caso) de máquinas que rodam o Windows em vários de seus sabores.

    O “direito adquirido” no caso é técnico – se os programas somente rodam no windows eu estou “preso” à ele. Quando aparece um concorrente, a empresa dominante altera qualquer coisa no “core” (o que sempre acontece nas atualizações – necessárias) e o concorrente morre sem ao menos “entrar de fato” no mercado. Da mesma forma que não é trivial se criar um coquetel para a AIDS – lembrar que o governo teve que quebrar a patente dos fabricantes americanos para poder copiar as fórmulas (escritas na carta patente) e produzir o coquetel aqui no Brasil – também não é trivial fazer 10 milhões de linhas de código e deixar um sistema concorrente e compatível, independente de qualquer eventual patente.

    Está faltando alguma coisa nessa minha análise?

    A dúvida: em caso de mercados com esse efeito de rede (sei que SO não é o único caso), como se dá a concorrência – pelo conceito dinâmico?

  4. Parabéns a todos: autor, IMB e comentaristas. Mais um artigo excelente.

    Hoje, entretanto, focarei outro detalhe: a escolha da imagem. Simplesmente genial.

    Deve ser assim que as pessoas (monopolistas? oligopolistas? who cares!) cujo sucesso deriva do talento/trabalho/sorte/competência (e não da roubalheira/demagogia/populismo/corrupção) devem sentir-se (seja o Neymar, o Cristiano Ronaldo, o Justin Bieber, o Bill Gates, o especulador da bolsa, o ganhador da mega-sena, o André Esteves, o Jorge Paulo Lemann, o Hank Rearden etc.) quando são atacadas por todos os lados em função do que conquistaram.

    Mais uma vez, parabéns a todos e desculpe caso tenha citado alguém ou algum fator erroneamente.

  5. “A concorrência é um processo dinâmico que envolve rivalidade. Trata-se de um processo dinâmico em que empreendedores rivalizam entre si para descobrir oportunidades de lucro e se aproveitar delas antes que outros empreendedores o façam.”

    Acho que esta definição é um dos maiores impedimentos que o livre mercado tem para se difundir na sociedade. É muito dificil para as pessoas aceitarem que a rivalidade seria a melhor forma de se obter eficiencia na administração dos recursos.

    Alguem poderia explicar melhor como o livre mercado conseguiria “Auto-Controlar” esta rivalidade para não ser “Destrutiva” no que se diz respeito a propriedade e a ética?

    Obrigado!!!

  6. Tenho uma dúvida a respeito de monopólios.

    No ideal livre mercado, sem intervenções estatais, afirmam-se por todos os lados que as empresas tem que quebrar mesmo, e que várias novas empresas vão entrando no mercado para concorrer. Mas daí eu pergunto, imagina o tempo que deve ser para fazer uma fábrica de automóveis, de qualidade ainda. Deixa que seja totalmente livre mercado, fazendo com que empresas quebrem e novas entrem, não seria um mercado só de empresas pequenas dado que elas não conseguiriam crescer tanto e então a tecnologia seria pequena? Não teríamos aviões, carros..

  7. Há um artigo em que é feito a comparação de diversas escolas.
    Ex.: Concepção de Salário.
    Ai, é visto como os marxistas veem o trabalho; como os austriacos; como os keynesianos…
    alguém saberia me dizer qual é o artigo???

  8. Sou economista e mestre em estatística e, antes de tudo, gostaria de apresentar-me como um grande defensor e divulgador dos ideais liberais. É justamente por essa razão que aprecio tanto uma discussão desta natureza, em que esses fundamentos são submetidos às mais duras provas, isto é, submetidos a argumentos apartidários e que realmente questionam a teoria de forma idônea e enriquecedora.

    Mesmo no mundo em que vivemos, tão distante de uma situação verdadeiramente próxima à livre concorrência, estou convencido de que temos "monopolistas" (ou mesmo "oligopólios") que obtiveram êxito simplesmente por oferecerem algo que nenhum outro concorrente seria capaz de oferecer e não por gozarem de algum tipo de vantagem desleal.Talvez os melhores exemplos desse sucesso sejam justamente os já mencionados por vocês e o autor, bens e serviços superintensivos em tecnologia como os gadgets da Apple, os sistemas operacionais da Microsoft e os serviços de internet do Google, enfim, bens que destacadamente se opõem ao conceito de commodity por apresentarem menos similaridades com outros bens da mesma categoria oferecidos pela concorrência.

    Saíamos um pouco dessa "zona de conforto" do argumento contra mecanismos antitruste e vejamos, pois, um exemplo hipotético do mercado de commodity.

    Sabidamente hoje a produção de soja se concentra nas mãos de grandes latifundiários no Brasil (evidentemente isso não se constitui num problema per se, na medida que o alto grau de produtividade atualmente obtido é um grande indicativo de que talvez seja essa a melhor forma de organização para a produção de soja e, consequentemente, a que mais beneficia a sociedade como um todo).

    Contudo imaginemos uma situação de um produtor brasileiro de soja de médio porte que descobre uma maneira de dobrar a produtividade do solo. Imaginemos que tal produtividade é suficiente para que o produtor possa, ao mesmo tempo, oferecer um preço mais baixo ao consumidor e obter uma margem maior que a concorrência.

    Pergunto-lhes o que seria mais provável num ambiente de livre concorrência perfeita sem mecanismos antitruste: ele expandir os seus domínios e fazer frente aos grandes produtores (trazendo melhores preços e talvez melhor qualidade para os consumidores) ou ele receber uma proposta irrecusável pela sua inovação, que até entrará em vigor pelos grandes latifundiários por baixar os custos da produção, mas que não estenderá esse benefício ao preço que chega para o consumidor?

    Com isso não gostaria de defender os mecanismos antitruste, não gosto da ideia de confiar a ninguém esse poder, mas gostaria de ouvir de vocês como podemos escapar dessa armadilha teórica?

    Além disso gostaria de fazer uma crítica a esse artigo e, novamente, obter de vocês uma opinião: não gostei da atitude do autor ao demonizar o uso da matemática. A matemática é um instrumento facilitador da criação e exposição de teorias. Ela é como uma arma que pode ser usada para matar ou salvar vidas. A arma não mata ninguém, quem assassina é o seu manipulador. Pareceu-me um argumento vazio e usualmente defendido nas universidades por aqueles contrários ao discurso liberal.

    Cuidado!

  9. Caro André,

    Já vi vc participar de debates e gostei mto das suas colocações. No entanto, no caso da soja, vejo gde equívoco dos colegas em suas colocações. Sou originalmente de Goiás, 4º maior produtor de soja do país. Praticamente todos os meus parentes são agropecuaristas. Conheço mto bem a realidade. Se falarmos em lucro econômico, somente talvez os 1% produtores mais eficientes conseguem obter algum. Qdo falamos em lucro econômico, referimo-nos àquele em que nos custos de produção já são embutidos todos os custos explícitos e implícitos. Assim, se o produtor possui várias máquinas agrícolas, a terra etc, a remuneração que ele receberia caso prestasse serviços com as máquinas que usa a terceiros, o arrendo que obteria se cedesse sua terra para terceiros nela produzir, tudo isso faz parte dos custos (são os chamados custos de oportunidade). Pois bem, conheço mtos produtores. Vou relatar o que me disse um que possui 5 mil ha (vale uns R$ 80 milhões essa propriedade), planta uns 3 mil ha em soja, milho, sorgo etc. Ele me disse que o sonho dele era chegar no fnal da colheita e sobrar R$ 20 mil líquidos para ele. Depois de pagar todas as contas. Como o conheço bem, sei que é verdade, pois anda de Uno, está pendurado em agiotas. Veja só, ele possui capital próprio imobilizado de perto de R$ 100 milhões, depois de arriscar, trabalhar domingos, feriados, se tudo der certo, deve empatar, e nem estou falando em lucro econômico, mas apenas contábil (receitas menos custos explícitos). Qto ele teria de lucro se investisse em hotelaria com seus quase R$ 100 milhões de patrimônio, por exemplo, ou ainda se aplicasse no tesouro direto? É verdade que ele aumentou seu patrimônio inicial por ter comprado a fazenda quando ainda não era uma fronteira agrícola, e agora que já é fronteira consolidada vale muito. No entanto, o fato é que a atividade não é lucrativa. A produtividade média que se consegue é coisa de 50 sacas/ha (ao valor de R$ 55,00/saca, equivale à receita de R$ 2.750,00/ha). Os custos giram em torno de R$ 2.500,00/ha. Bem, se tudo der certo (crédito for liberado na hora, chover qdo a planta estiver em crescimento, não chover na colheita), ele meio que empata. Não estou falando no custo de oportunidade do capital imobilizado em terra (se considerarmos juros reais de 3 %aa, sobre 80 milhões, seriam R$ 2,4 milhões de juros não ganhos, na alternativa segura de mais baixo custo de oportunidade, que é emprestar para o governo brasileiro). Se há uma área em que não tenham de se preocupar com monopólios é a produção de soja (há milhões de produtores no mundo produzindo um produto quase homogêneo e em concorrência acirrada, pois há pouca barreira à importação do produto). Sobre os subsídios (ainda que eles totalizem apenas 6% PIB agropecuário no Brasil, contra 18% na UE e uns 70% na Coreia e Japão), creio seria melhor sem eles para os produtores. Maiores subsídios significam mais produção, mais oferta, menores preços. O fato de haver crédito a juros de 3% a.a para comprar máquinas faz com nossas máquinas agrícolas custem quase 3 vezes mais do que nos EUA, duas vezes mais do que na Argentina. Dito isso, se é tão lucrativo, vcs gostariam de ser produtores rurais, que, além viver em isolamento, sem férias, vistos como vilões (como citado sobre supostos desmatamentos criminosos)? Vale lembrar que o Brasil tem 61% do território de matas nativas (que diferentemente das russas, americanas – 18%- são passíveis de serem agricultáveis), os produtores têm de manter intacto no mínimo de 20 a 80% de sua propriedade, tendo de pagar para cercar, vigiar as reservas florestais. Na Inglaterra, por exemplo, que tem perto 0% do território de nativas, o governo propôs que se reflorestasse 7% do território, sendo os produtores remunerados pelos serviços ambientais, e os produtores se recusaram. Como a sociedade brasileira é altmaente urbanizada, noto um desconhecimento tremendo do setor rural, e fico profundamente indignado com o desrespeito a quem produz neste país. Como Roberto Campos disse, o melhor meio de se combater a pobreza é valorizando quem gera riqueza. Creio que, sob essas condições, a produção existe mais por inércia e comodismo dos produtores (observando a economia rural, tenho certeza de que há um componente comportamental, cultural forte como determinante de investimentos), que certamente lucrariam mais em qualquer outra atividade, e ainda seriam mais bem vistos pela sociedade. Creio a única forma de produtores lucrarem (em termos de lucro econômico ou puro) seria via cooperativismo, em que não são dominados pelas tradings e outras indústrias fornecedoras de máquinas e insumos diversos. Não sei como o cooperativismo poderia avançar no país, já que, com o governo no meio, só pioraria. Um excelente tema a ser investigado sob a ótica da escola austríaca de economia. Desculpa aos colegas que tanto prezo se fui mto duro nas colocações.

  10. Joeber B. S. de Souza

    Caro Antônio, não posso ficar sensibilizado com o seu caso se julgar pelas regras atuais que o governo encara o agricultor. A visão da sociedade “urbana” que nada tem a ver com possuir capacidade de consumo inteligente, você já relatou. O problema que vejo é a valoração do conhecimento tecnológico agregado ao produto final em detrimento ao produto in natura. Sabendo disso para compensar esta distorção os países que você citou através de suas Leis compensam o produtor com incentivos para manterem os custos baixos da produção, e desta forma, garantir a mola mestra do produtor, o lucro. Vemos neste exemplo o Estado garantindo a comida na mesa do cidadão mantendo o lucro do produtor. No Brasil o governo taxa as máquinas e insumos com altos impostos, o que impede a fomentação de novos empreendedores, tiram os lucros dos produtores, que só conseguem se manter se escravos da terra, assim o forem, e garante a cesta básica para a população carente como moeda de troca para os votos de campanha. Vejam a consciência ética dos nossos governantes. No primeiro mundo o lucro fica com o produtor e os meios de produção, não há necessidade de cesta básica e o Governo é apenas um facilitador. No Brasil o produtor é miserável, o povo é miserento, os meios de produção tornam-se vilões e o governo gasta o lucro para se manter no poder. Acho que este fórum de discussão um meio de associarmos nossas ideias e buscarmos uma solução para este país.
    Abraços solidários.

  11. Andre Cavalcante

    “Antes da MS dominar o mercado a IBM tinha um ótimo sistema operacional (que era muito mais promissor que o Windows)”

    Era o OS2. Não sei sua idade, mas eu vivi esta época. Lembro inclusive de atores globais vindo à TV em horário nobre dizendo o quanto o OS2 era muito bom e coisa tal.

    O problema era o seguinte: o PC era um projeto “aberto”, isto é, qualquer um podia montar um PC, mas o SO dele era o DOS da Microsoft. Alguns outros criaram SOs similares ao DOS e teriam concorrido com MS tranquilamente. Quando do lançamento da arquitetura de 32bits, a IBM precisava de um SO, e então fez o OS2 (também chamado de Warp – pegou o termo do sucesso de Star Trek na época que bombava nos cinemas). Era um SO bem acabado, com interface gráfica e usava o mouse (copiou o conceito do Apple2e, porque apesar de falarem muito a 1a lei da informática é: em informática nada se cria, nada se perde, tudo se copia 🙂 ). Mas ele tinha um problema crucial além do que cê falou da API: ele não emulava adequadamente o modo MS-DOS. Então quem tinha aplicações em MS-DOS, e não queria se desfazer delas, não podia usar o OS2. Logo, logo, a IBM providenciou um modo de compatibilidade, mas aí a MS, que comeu pelas beiradas, já havia apresentado o seu Win95 com um plus que não tem tamanho: a MS fez parcerias com empresas de PC mundo afora e o seu sistema passou a ser vendido juntamente com o próprio hardware: você comprava o PC e “ganhava” o windows. A MS ganhava um naco do valor do PC, mas era suficiente para sustentar o seu modelo de negócios. Não acho o Bill Gates um sujeito genial em informática, eu o acho genial em gestão! Um detalhe: a MS fechou os olhos pra pirataria. Mais uma vez, o objetivo era criar a dependência dos binários. E conseguiu. Claro, o governo ajudou, teve o problema da IP e direito autoral que evitou a entrada, artificialmente, de novos players, mas creio que o modelo de negócios da MS é que foi o responsável pelo seu sucesso, e no momento certo, porque o que crescia era a venda de PCs.

    O resto o efeito de rede consagrou. Lembre que o MacOS sempre teve hardware próprio e uma legião de fãs muito mais parecida com um culto religioso do que com uma escolha técnica. E, nesta época, o Linux ensaiava, apenas, no mundo dos gráficos e não tinha nenhuma grande empresa a lhe dar suporte, o que só aconteceu justamente com a IBM muitos anos depois.

    O meu primeiro comentário foi a respeito já do “monopólio” estabelecido, já na época do XP (que foi o fim da era dos windows “servidores” e de “casa” separados, ou seja, fim da série que iniciou com o Win95 e o a junção de sua interface (o internet explorer) na série NT. Acho que o dito monopólio se sustentou justamente porque sai muito caro hoje você se livrar da MS (admitindo-se que se queira isso, o que é, obviamente, uma presunção descabida).

    E é tanto isso que a MS pisou a bola pelo menos duas vezes: uma com o Millenium e a outra com o Vista e mesmo assim não perdeu a majestade.

    Em outras palavras: o efeito de rede cria um mecanismo artificial para uma empresa se sustentar no mercado, quase da mesma forma que o governo impede a entrada de outras empresas). Mas o mercado tem suas defesas e, em se tratando de tecnologia então… O mundo mudou e os PCs já não mais dominam o mercado tecnológico e hoje a MS corre atrás de outros mercados. Só espero que apareça um outro Bill Gates para perceber um novo modelo de negócios de sucesso neste nosso novo mundo.

    Abraços

  12. Joeber B. S. de Souza

    Pessoal foi muito boa algumas discussões durante os comentários. Sugiro a cada um que sempre busque fontes diversas de informação e reflitam, na tentativa de melhorar a sua própria consciência ética, pois nunca conseguirá transformar alguém.
    Não servir de tropeço já é um grande avanço.
    Vejo nas escritas a vontade de mudança, mas mesmo que todos tivessem as mesmas convicções o mundo seria melhor? Se a maioria tivesse os mesmos ideais o mundo seria mais interessante? Mas o indivíduo que acredita em sua transformação pode mudar mundo.
    Abraços a todos.

  13. Getulio Malveira

    É um artigo muito bom. Só discordo de um ponto do texto: quando Soto afirma que a definição dos neoclássicos do termo “monopólio” está errada. Ao contrário, é exatamente isso que o termo significa, um vendedor único. É claro que todas, ou quase todas, as proposições neoclássicas nos quais o termo ocorre são falsas (Soto mostra isso muito bem), mas isso não por causa da definição e sim porque contrariam a realidade ou são conclusões de raciocínios falaciosos. Dois exemplos:

    1) A proposição “um monopólio pode praticar preços artificialmente altos” é falsa, simplesmente porque nenhum bem tem um preço natural. Sabemos todos que o preço depende de quanto os consumidores estão dispostos a pagar;

    2) Quanto as proposições que se referem ao “domínio de mercado”, elas provém de raciocínios evidentemente falaciosos, já que um mercado com dois vendedores não possui mais monopólios do que um mercado com vinte ou vinte mil.

    Posso estar equivocado na minha abordagem, mas para evitar uma oscilação no sentido do termo ou mesmo ir contra sua etimologia, eu argumentaria com base na teoria dos processos de mercado que existem sim monopólios privados, que eles existem no momento em que um determinado mercado é criado por um produto novo e durante o curtíssimo período no qual novos produtores ainda não entraram nele.

    Outro ponto é quando Soto afirma que só há “monopólio genuíno” quando o estado intervém. O melhor seria dizer que só o estado tem capacidade para monopolizar um mercado de forma duradoura, como ocorreu com a produção de petróleo no Brasil até 1997. Vejam que no caso o que o ocorreu foi que o estado confiscou toda as reservas virtuais de petróleo e proibiu sua exploração por outros além dele próprio. Ainda assim, esse é um caso raríssimo. Nem o mercado de moeda, de leis, de justiça ou de segurança contam atualmente com monopólios estatais, embora o estado os domine e seja hostil a entrada de novos fornecedores.

    O que eu queria dizer é que os austríacos não precisam dar outra definição de monopólio, basta usar a definição convencional de modo correto e todas as falhas da teoria neoclássica ficam expostas. E na minha opinião de tão raros que são os monopólios, no sentido estrito do termo, é absolutamente ridículo o espaço que a teoria dos monopólios tem em economia. Para alguém que me perguntasse sobre isso, eu diria simplesmente: “isso non ecziste!”

  14. Me pergunto se ao real significado de Monopólio está atrelado o interesse em aumentar os preços e explorar ao máximo os consumidores.
    O monopólio não seria caracterizado pela existência de apenas um vendedor? Independente de isso ser bom ou ruim. Vejo que ele concebe o monopolista apenas como agente coercivo, aquele que usa de diretos adquiridos para explorar solitariamente determinado segmento econômico. Mas ao meu ver, aquele que explora solitariamente algum setor ou nicho de mercado porém não detém qualquer proteção contra novos entrantes, também é monopolista, mas ao contrário do outro, não há nada de negativo na sua existência, seria o bom monopolista.

  15. bate-se muito na tecla de monopólio como o governo impedindo a entrada de concorrentes, mas não podemos esquecer que ele não é o único que faz isso.. existem gângsteres para todo lado impondo cartéis e monopólios à força, ainda que em âmbito local

  16. Emerson Luis, um Psicologo

    Em psicologia, medicina e outras áreas semelhantes, usa-se a palavra “homeostase” para se referir a um equilíbrio ótimo no meio interno de um organismo. Por exemplo, ter uma quantidade de água na medida certa.

    Porém, visto que o organismo está em constante metabolismo, alguns autores preferem o termo “homeodinâmica” para enfatizar que esse equilíbrio tem oscilações e mudanças.

    Isso é paralelo ao que este artigo disse sobre economia.

    * * *

  17. Muito interessante o artigo. De fato, o modelo de concorrência perfeita (Chicago) está ultrapassado. Não obstante, ainda serve de referência para eventual comparação entre um mercado real e como seria aquele mercado em condições de concorrência perfeita. É um parâmetro. Mas o parâmetro mais aceito atualmente é aquele que toma um mercado real e tenta vislumbrar como ele seria nos moldes de uma concorrência eficiente e tangível (workable competition). Entretanto, tais modelos encaram a concorrência sob um enfoque estático, desconsiderando que ela é um processo dinâmico, como bem lembra o autor, em que a inovação, tanto dos fatores de produção, como dos produtos, é uma característica importantíssima do processo (Schumpeter – destruição criativa). Hayek via a concorrência como um processo dinâmico de descobrimento (artigo "Competition as a Discovery Procedure), e isso confirma ainda mais a obsolescência da teoria pura de Chicago. O mais difícil, atualmente, é definir as funções da concorrência. Há várias teses, desde garantia da liberdade econômica, o aumento do welfare (dividido, ainda, entre total welfare e consumer welfare), que é uma análise da eficiência estática, a eficiência dinâmica (inovação), distribuição de renda, etc. Há funções meramente econômicas e funções extraeconômicas, mas estas tendem a ser deixadas de lado, restando o foco sobre as funções econômicas (eficiência estática e dinâmica). Não se pode servir a dois senhores ao mesmo tempo, e muitos dos critérios quase sempre são conflitantes.

    Com relação ao monopólio, dificilmente achamos um mercado em que haja, ao mesmo tempo, um agente monopolista e condições razoáveis de entrada, no mercado, de novos players. As barreiras à entrada acontecem tanto com a chancela estatal (lobbies, subsídios, campeões nacionais) quanto por dificuldades econômicas (investimento) e tecnológicas. Avaliar a dificuldade de acesso a mercados monopolizados é tarefa assaz complexa. Até mesmo se discute a possibilidade de entrada de novos players em situações de monopólios naturais, como é o caso de networks compartilhadas (telefonia e alguns serviços até pouco tempo prestados apenas pelo Estado). Há quem afirme que algumas situações de monopólio não devem ser combatidas "per se", pois apresentariam ganhos de escala muito positivos. Entretanto, sabemos que o monopolista, na ausência de concorrência, tende a aumentar seus preços, e quando alguém tenta entrar no mercado, pratica preços predatórios com o intuito de quebrar o concorrente.

    De qualquer forma, a análise da concorrência e de eventuais monopólios deve se pautar pela análise econômica, preferencialmente com a aplicação da "rule of reason", ao invés de proibições e permissões "per se". Fico feliz com a publicação deste artigo, pois o Brasil carece de atenção na defesa da concorrência. Saudações liberais!

  18. Prezados,

    Creio haver equívocos na interpretação da teoria da concorrência perfeita. Primeiramente, os custos empresariais considerados no cálculo do lucro econômico (não do contábil)nesta teoria inclui os custos explícitos e implícitos (de oportunidade). Assim, Custo Total = pessoal + aluguéis + juros sobre capital imobilizado + remuneração do empreendedor (gerência e risco tomado)+ insumos diversos. Se o lucro econômico é zero, o capital próprio imobilizado, a gerência e risco tomado já foram devidamente remunerados. É claro que um mercado em concorrência perfeita mto dificilmente existe no mundo real, só serve de parâmetro. Exige produto homogêneo, trocas livres, número muito grande de firmas etc. Um mercado que replica bem essas condições é o agrícola. Peguem a soja, é um produto bem homogêneo, praticamente sem barreiras comerciais, milhões de firmas produtoras no mundo etc. A maneira de ter lucro econômico nesse caso é somente inovando em processos, de forma a se ter um custo de produção mais baixo. No entanto, isso não pode durar por muito tempo, pois logo se é copiado por outros. Em concorrência perfeita, não é que a empresa escolhe vender a um preço, ela simplesmente não tem opção, pois é tomadora de preços, e não feitora. Suponha que vc seja um pecuarista, tenha bois para vender, se vc liga para o Friboi, ele dirá o preço que paga, vc como produtor atomizado simplesmente pode dizer se vende ou não, o preço é dado. Isso pq o mercado possui milhões de produtores com um produto bem homogêneo. Vc pode oferecer para outro frigorífico (o que é impossível em mtas regiões, já que o Friboi comprou os pequenos, com subsídios do BNDES, e domina o mercado), mas o preço não vai diferir mto. Se for mto maior, é pq provavelmente o frigorífico vai dar calote. Outra coisa, em concorrência perfeita, o preço é igual ao custo marginal = custo médio = receita marginal.

  19. Tenho uma dúvida em relação ao “monopólio voluntário”.

    Um exemplo que creio ser cabível nessa situação é a TetraPak na produção de embalagens longa-vida, que detém mais de 90% do mercado.

    Supondo que, um belo dia, a TetraPak consiga 100% do mercado.

    P: O que a impediria de subir deliberadamente os preços das suas embalagens?
    R: Se ela o fizer, um outro concorrente irá surgir e acabar com seu monopólio.

    P: OK, mas e se ela comprar esse concorrente, para continuar tendo o monopólio?
    R: Algum outro surgirá.

    P: E se ela seguir comprando todos os concorrentes que apareçam? Ou utilizando práticas como o dumping — baixando excessivamente os preços temporariamente até falir seu concorrente — e em seguida voltar a subir os preços de forma exorbitante?
    R: (????)

    P: E no meio tempo, enquanto o concorrente se instala e começa a operar? O que acontece com os consumidores? Terá esse concorrente a capacidade de suprir de forma significativa a demanda?
    R: (????)

  20. Olá,
    É possível afirmar que a teoria da concorrência perfeita está engendrada na teoria do preço (valor-trabalho)??
    Poderia dispor dessa forma as influências das teorias:
    Teoria valor-trabalho -> eficiência estática -> concorrência perfeita -> teoria da competição monopolística

    Teoria da utilidade marginal -> eficiência dinâmica -> emulação -> teoria da competição empreendedora.

    Alguém poderia me indicar uma leitura sobre o surgimento desse conceito de concorrência perfeita?

    obrigado

  21. No brasil a diferença de preços entre um lugar e outro é ridícula, postos de combustível por exemplo fazem diferenças de centavos entre um e outro,supermercados e por aí vai , aqui é monopólio escancarado, protegido por um governo socialista maldito

  22. Tenho uma dúvida sobre a situação atual do mercado de petróleo e derivados desse país. Por que não tem mais ninguém com intenções de comprar o parque de refino da Petrobras? Até agora ela só vendeu uma de suas refinarias para uma empresa da Arábia Saudita, a Mubadala.

    Se nosso mercado está aberto a novos concorrentes, se a Petrobras não é mais monopólio e tem empresas estrangeiras extraindo óleo em algumas regiões do Pré Sal, por que essas empresas não aproveitam nosso mercado de 200 milhões de consumidores para construir refinarias modernas e eficientes para beneficiar o petróleo do Pré-Sal e vender aqui um produto melhor e mais barato que o da Petrobras?

    Seria excesso de regulamentação do setor pela ANP? Burocracia excessiva para favorecer a Petrobras?

  23. A USP fabrica ventiladores pulmonares de baixo custo, eai como rebatem isso? Vejam só:

    g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/04/06/300-respiradores-da-usp-sao-usados-em-hospitais-de-9-estados-do-pais-um-ano-apos-criacao-do-equipamento-de-baixo-custo.ghtml

    ”Em março de 2020, um grupo de aproximadamente 40 especialistas, entre engenheiros biomédicos, mecânicos, mecatrônicos, eletrônicos e de produção se articulou pelo desenvolvimento do respirador, batizado de “Inspire”.

    A proposta dos acadêmicos era a criação de um ventilador pulmonar de baixo custo, com tecnologia e componentes nacionais, que pudesse ser utilizado em emergências.

    Os pesquisadores também tiveram o suporte das faculdades de medicina, medicina veterinária, odontologia e saúde pública, para os testes e desenvolvimento, da faculdade de direito, para o registro do equipamento. Cerca de 800 doadores também contribuíram com cerca de R$ 7 milhões para o desenvolvimento do projeto.

    O resultado foi um equipamento que pode ser produzido em até duas horas e 15 vezes mais barato dos que os aparelhos disponíveis no mercado – de R$ 5 a R$ 10 mil.

    A Poli-USP é responsável pelo projeto, mas não pela fabricação. Em maio, a universidade fechou um acordo para a produção pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo.”

  24. Pergunta off-topic :Olá pessoal gostaria de sanar uma dúvida sobre um comentário que achei no yt a respeito de inflação. O sujeito defende que a impressão de dinheiro não gera inflação. Segue o comentário do amigo:

    “Cria inflação se o setor produtivo estiver no limite, caso ele esteja com parte da sua capacidade ociosa, não gera efeito inflacionário.

    Vocês anarcocapitalistas não conseguem ter uma visão da economia de longo prazo, não tem neurônios suficientes para entender que a inflação em países periféricos não está atrelada a questão monetária, mas de transferência de valor.

    O problema da inflação no Brasil, por exemplo, não pode ser resolvido apenas com aumento na taxa de juros, mas com capacidade de reter valor na economia, o que não acontece do dia para a noite.

    O problema da inflação em países de industrialização tardia é estrutural e envolve a questão da divisão internacional do trabalho que é desfavorável para os países da periferia, não de uma simples questão monetária de curto prazo.

    Pensamento raso de economia que vocês tem, hein!!.. kkk”

    Essas afirmações são corretas ou é pura baboseira? fico no aguardo de uma resposta, Obrigado pela atenção.

  25. Estado máximo, cidadão mínimo.

    “Cria inflação se o setor produtivo estiver no limite, caso ele esteja com parte da sua capacidade ociosa, não gera efeito inflacionário.”

    Gostaria que alguém viesse aqui e publicasse links com matérias sérias sobre o quão ociosa está a indústria nacional. Até então, só repetem como papagaios essa afirmação para justificar suas teses.

    “O problema da inflação no Brasil, por exemplo, não pode ser resolvido apenas com aumento na taxa de juros, mas com capacidade de reter valor na economia, o que não acontece do dia para a noite. ”

    Pego a deixa do que o Hugo respondeu. Só pode ser ironia. Pegue Venezuela e Argentina como exemplos. Países cujos governantes possuem a mais acurada e bem intencionada visão de longo prazo já vista na história. Venezuelanos e Argentinos foram dormir em uma noite e no outro dia se viram vivendo em um paraíso, veja só você.

  26. Thiago Rodrigo Maia dos Santos

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2021/12/01/guedes-petrobras-nao-satisfaz-ninguem-e-a-bomba-fica-no-colo-do-governo.htm

    Não sei se o Ciro Guedes está mentindo ou contando uma piada….

  27. Sou leigo no assunto , mas pretendo fazer uma pergunta que para muitos frequentadores do site mises Brasil parece ser de fácil compreensão. A pergunta é: Por que a concorrência faz os preços dos protudos diminuir?

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