O
recente desabamento
em Bangladesh de um edifício que abrigava cinco unidades de confecção de tecido,
o que resultou nas mortes, até o momento, de mais de 1.100 pessoas que lá
estavam empregadas, gerou uma onda internacional de indignação e revolta não
apenas contra o proprietário do edifício, mas também contra as várias multinacionais
de roupas dos EUA e da Europa — muitas delas famosas (como a britânica Primark
e a espanhola Mango) — que revendem as roupas produzidas naquele
edifício. Exige-se que elas assumam a
responsabilidade pelas condições de trabalho nas fábricas que abastecem seus
estoques e que não mais lidem com unidades de confecção que não forneçam
condições seguras e humanas e que não paguem salários dignos.
Tais
exigências se baseiam na crença de que, caso não haja intervenções do governo,
os empreendedores e capitalistas, em sua contínua busca pelo lucro, irão pagar
salários meramente de subsistência para seus empregados, os quais serão
forçados a trabalhar uma quantidade intolerável de horas em condições
sub-humanas.
Mais
ainda: tais demandas se baseiam na crença de que os lucros supostamente
arrancados dos trabalhadores desta maneira vão parar nas mãos dos capitalistas
como se fossem um tipo de ‘caixa dois descartável’. Segundo este raciocínio, uma fatia
substancial deste lucro poderia ser devolvida aos trabalhadores dos quais foi
extraída — ou então utilizada em benefício deles — sem nenhum efeito
negativo, exceto o de privar os capitalistas de seus ganhos imorais.
Pressupõe-se
tacitamente que a razão pela qual as condições precárias observadas em Bangladesh
e no resto do Terceiro Mundo não ocorrem nos países ricos é por causa das
legislações trabalhistas e sociais existentes nestes países. Sendo assim, a conclusão lógica passa a ser a
de que é necessário expandir estas mesmas legislações para os países pobres que
ainda não as possuem.
Absolutamente
todos os aspectos desta crença estão errados e, caso tais legislações de fato
fossem implantadas nestes países, suas consequências seriam altamente
destrutivas, principalmente para todas as massas de trabalhadores que já vivem
próximos da inanição e que correriam o risco de realmente morrerem de fome caso
se aumentasse desnecessariamente os custos de se empregá-los — seja por meio
de um aumento arbitrário de seus salários ou pela exigência de que suas condições
de trabalhado sejam melhoradas, sendo que esta última inevitavelmente viria à
custa de seus salários, algo que eles não podem se dar ao luxo bancar.
Uma
das mais elementares proposições da ciência econômica é que, quanto maior for
preço de um bem ou serviço, menor será a quantidade comprada. Isso se aplica tanto para bens e serviços
quanto para a mão-de-obra. Se os
salários em Bangladesh forem arbitrariamente elevados por um decreto
governamental, menos trabalhadores serão empregados. Neste caso, aqueles trabalhadores que hoje
ganham salários baixos passariam a não ganhar salário nenhum. Morreriam de fome. Se os empregadores em Bangladesh forem
obrigados a fazer aprimoramentos nas condições de trabalho de uma forma que não gere aumento nas receitas — e,
sendo empreendedores visando ao lucro, é de se esperar que eles já tenham feito
todos os aprimoramentos que possibilitem aumentos nas receitas –, então o
custo destes aprimoramentos será o equivalente a um aumento nos salários. Novamente, o resultado será o desemprego.
Neste
cenário, o desemprego poderia ser evitado somente se os salários dos
trabalhadores fossem reduzidos o suficiente para compensar os custos dos
aprimoramentos. Sendo assim, a situação
seria comparável a fazer os trabalhadores utilizarem seus já magros salários para
pagar por melhorias que eles simplesmente não têm condições de bancar.
Estas
não são as consequências que os defensores da imposição de padrões trabalhistas
querem. O que eles querem são maiores
salários e melhores condições de trabalho.
Mas o problema é que eles não se dão conta do que realmente é necessário
para se alcançar estes resultados.
E
o necessário para se alcançar estes resultados é permitir que as empresas em
Bangladesh e ao redor de todo o mundo pobre tenham liberdade para operar, para
ser tão lucrativas quanto possível. (Já
deveria estar mais do que óbvio que a perda total de um edifício que abrigava
fábricas e máquinas não foi algo
lucrativo, e que embora possa ser legítimo denunciar o proprietário do edifício
por negligência e imprudência criminal, é simplesmente absurdo denunciá-lo por
“estar em busca do lucro”, pois o que ele realmente conseguiu, e não poderia ter
conseguido outra coisa por meio desta conduta, foi um prejuízo total.)
Os
altos lucros que podem ser auferidos em um país de Terceiro Mundo — caso não
sejam tributados ou obstaculizados por um excesso de barreiras — serão
poupados e investidos majoritariamente naquele mesmo país de Terceiro
Mundo. Como a experiência de Taiwan, da
Coréia do Sul e até da própria China comprova, uma geração deste processo já é
o suficiente para resultar em uma vasta acumulação de meios de produção no país
— isto é, de numerosas novas fábricas, com equipamentos e maquinários cada vez
melhores e mais produtivos. Isso, por
sua vez, resulta em uma intensa procura por mão-de-obra, o que leva a um
aumento dos salários. E à medida que os
salários sobem, os trabalhadores podem se dar ao luxo de aceitar aumentos
salariais cada vez menores em troca
de melhores condições de trabalho, as quais serão implantadas justamente à
custa deste aumento salarial.
A
liberdade econômica, e não a interferência estatal, é a estrada que leva à
riqueza das nações.
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Leia
também: O livre mercado e a
segurança no trabalho
acúmulo de capital é a solução
o estado soh depreda capital
Concordo com a teoria econômica do texto, e repudio qualquer tipo de legislação trabalhista, já que elas só causariam prejuízos aos trabalhadores. Mas terei que discordar de dois pontos.
O primeiro é quanto à fiscalização das condições estruturais do edifício. Em uma cidade privada, essa fiscalização não só aconteceria como também seria rígida, pois um desabamento como esse causaria um grande transtorno e prejuízo para os arredores. Logo, se o estado tomou para si a tarefa de administrar a cidade, é sim obrigação dele impor regras rígidas para a construção e conservação dos edifícios, muito embora, como todos sabem, essa fiscalização tende a ser ineficiente e corrupta.
O segundo ponto, que é mais polêmico, é que embora seja imoral impor restrições aos contratos privados e voluntários entre trabalhadores e empregadores, isso não exime as grandes grifes e seus consumidores (ao menos os que agora estão conscientes da situação) de um julgamento moral.
Perante os parâmetros mínimos de moralidade que imagino serem comuns a maioria das pessoas, é sim imoral submeter seres humanos à condições de trabalho que poem em risco suas vidas. É óbvio que não era de interesse do empresário que esse prédio desabasse, mas ele assumiu esse risco para elevar o sua lucratividade, e isso, na minha opinião é moralmente condenável.
Bom texto.
Eu estava lendo um resumo do Capital do Karl Marx e achei estranha a ideia de que o capitalista extrai a mais-valia do trabalhador. Não sei o quão fiel é o texto que li ao livro original, mas parece que Marx ilustra o processo por meio de um exemplo da produção de algodão. O autor defende que, idealmente, os custos (depreciação, salário) deveriam ser iguais às receitas. Todavia, o empregado trabalha horas adicionais para garantir o lucro do capitalista. Na sua acepção ideal, o capitalista não levaria nada, pois ele não incluiu trabalho humano próprio durante a produção (? – não sei se entendi bem essa parte).
Essa tal de mais-valia não poderia ser vista como um aluguel? Afinal, para o trabalhador produzir o algodão ele precisa usar equipamentos que não possui.
O mesmo não vale para esses trabalhadores de Bangladesh? O capital nesse país é muito escasso, portanto o acesso às instalações para produzir roupas também há de ser caro. Por essa ótica, não é surpreendente que a “mais-valia” seja alta.
E assim, a solução mais lógica seria facilitar a concorrência, respeitar a propriedade privada e permitir maior entrada de capital externo para suprir a falta desse.
Parece piada esse artigo. Não, não sou marxista, mas a dignidade da pessoa humana é fator preponderante para que a especie humana não se auto extingue. Se tem de aumentar os salários dos pobre coitados que vivem em situação dês humana, os empresários de Bangladesh bem como de todos os outros países repassem a conta para nós ocidentais que podemos pagar por um Terno mais bacana.
A culpa de tudo isso é de nós ocidentais que só fechamos negocio se a mão de obra for absurdamente barata. Se por acaso o azarado desse empresário que perdeu seu prédio tivesse dito que não trabalharia nas condições das grifes internacionais, as grifes investiriam em um local menos desenvolvido que aceitasse as condições.
Acredito no liberalismo econômico, mas a discussão aqui já não é mais de direita/esquerda. Aqui discutimos moral, ética, bem, mal.
O que parece piada é o seu comentário, que além de não apresentar um pingo de argumentação lógica e racional, se resume a emitir afetações de comiseração e de pseudo-compaixão, como se emoções fossem um substituto para a razão e a lógica. Economia não funciona assim, meu caro, sinto lhe informar.
Acho que não se pode confundir a legítima pressão dos consumidores com uma possível pressão legal.
Não há dúvida que se o governo de Bangladesh impusesse todas as “garantias” trabalhistas, sanitárias, ergonômicas etc dos europeus, as empresas levariam sua produção para outro lugar e o desemprego explodiria lá.
Entretanto, os consumidores podem não gostar de saber que pessoas morrem (ou se machucam) fazendo seus produtos preferidos. Assim, podem decidir boicotar a empresa. A empresa, então, irá avaliar o custo x benefício de atender às demandas por melhorias nas condições de trabalho. Caso ela conclua que, sob as novas regras, o custo x produtividade do local não será bom, irá mudar sua produção de local.
Ironicamente,isso poderia acabar sendo pior para as pessoas que os consumidores conscientes pretendem ajudar.
Concordo com o Leandro a respeito do palestrante americano Nick Hanauer. Assisti ao vídeo. O que me chamou a atenção é o velho recurso à revolução copernicana ocorrida na astronomia, que substituiu o paradigma dos epiciclos ptolomaicos. É um Nassim Haramein da economia. Tomara que a Espanha o contrate como acessor econômico. Vai que a arrancada da recuperação econômica espanhola, um exemplo para toda a Europa, seja o “consumo” dos livros da E.A. nas fogueiras em praça pública promovida pela Troika sob as bençãos do salvador pós-mainstream Mr. Hanauer?
Abraços.
A Primark é a oitava maravilha do mundo capitalista!
Roupas praticamente de graça por todo o Reino Unido.
Os salários dos trabalhadores devem aumentar a qualquer custo!
Lá fora, em países desenvolvidos onde se consome estas marcas, acredito que o mercado possa penalizá-las sim, todavia, num país como o nosso, onde a vida já não está valendo muita coisa e nos habituamos a ouvir todos os dias, notícias de pessoas assassinadas como quem assiste um novo comercial das Casas Bahia e os valores estão subvertidos pelo marxismo cultura e o costume à violência, necessitaríamos de meio século, pelo menos, pra eliminar essa indiferença e o jeitinho brasileiro, com leis que realmente funcionem e inibam o desrespeito à vida, à liberdade individual e à propriedade privada.
Acredito que o artigo tratou essencialmente do aspecto econômico da questão. Sem muitos juízos de valor, como deve ser a Economia.
Mas vamos lá:
1) Todos concordamos que é terrível saber que há pessoas trabalhando nessas condições insalubres e extremamente perigosas.
2) Concordamos também que o ocorrido no Bangladesh não é um exemplo de “insegurança difícil de perceber”, como o autor deu a entender no texto. É bem diferente de comparar com sistemas de freios eletrônicos.
3) Como ali a insegurança era VISÍVEL e notória (nós ocidentais só soubemos depois do acidente, mas as instalações eram velhas e comprometidas), isso nos leva à seguinte questão: o que levou o empregador a abrir um negócio justamente ali, onde ele arriscaria vidas (dos funcionários) e o seu precioso capital? Ele era um sádico ou um sovina que prefere correr o risco a pagar mais?
Bom…se isso fosse numa sociedade de livre-mercado, conforme explicado em zilhões de artigos daqui do IMB, as condições seriam melhores. E muito provavelmente, existiram empresas certificadoras, ou seguradoras. Uma seguradora não iria querer segurar um prédio comprometido, e uma grife internacional não iria se arriscar a comprar produtos sem o selo de qualidade da seguradora. Essa é uma hipótese.
Mas voltemos ao nosso mundo. Acredito que desejamos chegar a um arranjo racional que poderia ter evitado essa tragédia, ou ao menos diminuir suas chances, sem violar liberdades individuais. Então creio que a discussão será frutífera se nos concentrarmos em procurar a resposta à pergunta do ítem 3 acima. Por quê o empreendedor se instalou ali, naquela área perigosa?
Minha resposta pessoal: no fundo as grifes, que são seus clientes, não se importavam com isso. Logo não havia pressão para o cara procurar locais melhores. Além disso, provavelmente ele era ignorante e deve ter julgado que o risco à vida não era tão grande assim.
Outra questão importante é a moralidade da ação preventiva nesses casos. Para uma ação ser legítima, precisamos saber sem margem de dúvidas que a atitude do indivíduo vai agredir alguém em específico, violando sua liberdade individual. O cara comprou/alugou um prédio ruim, e ofertou as vagas de emprego. Ninguém foi obrigado a aceitar, e provavelmente quem trabalha sob maior risco, tudo o mais contante, recebe um valor maior. Então tanto o empreendedor quanto os empregados concordaram em correr esse risco, acreditando que se beneficiavam mutuamente.
Deve-se avaliar se alguém foi ENGANADO. Se o dono mentiu aos candidatos dizendo que o prédio era seguro, se ele foi inspecionado. Deve-se avaliar se ele mentiu às grifes também, dizendo que não havia risco.
A punição é justificável apenas se houve mentira deliberada. Se ele enganou seus clientes ou empregados. Agora se todos estavam cientes das condições e aceitaram voluntariamente os riscos envolvidos, não há uma ação punitiva moral a ser tomada contra a pessoa do empresário.
Ou seja, tratariamos o caso como uma fatalidade, da mesma forma que ocorre com acidentes aéreos, deslizamentos em minas e coisas do tipo. Daqui pra frente o público consumidor vai se tocar, as grifes vão pressionar e invariavelmente os empresários do setor terão que se adequar à nova demanda dos seus clientes. Quem não conseguir oferecer melhores condições de trabalho, dessa forma, vai perder mercado até ser eliminado.
Na minha humilde opinião, não havia ação preventiva moral a ser tomada. Qualquer ação desse tipo violaria os direitos individuais do empresário, dos empregados e das grifes.
É isso.
Desculpe fugir do assunto do artigo, mas é que estou em duvida. Pretendia comprar os livros Educaçao: Livre e Obrigatoria e Além da Democracia, mas percebi que os livros se encontram disponiveis na seçao Biblioteca em PDF e para imprimir. Estou em duvida se compro na loja virtual por R$35.00 ou se simplesmente imprimo os dois livros, porque eu estranhei que Educaçao: Livre e Obrigatoria possui na Biblioteca apenas 3 capitulos o que me levou a supor que seja apenas um resumo e que o livro da Loja Virtual seja a versao completa, é isso ou ambos (da biblioteca e da loja virtual) são iguais ?? Se for, qual a vantagem deu comprar o livro ao inves de baixa-lo ou imprimi-lo ??
Sem delongas:
Sendo eu engenheiro civil e empresário no ramo imobiliário, recuso validar, construir e empreender caso o objeto em pauta (imóvel em si) não apresente seguras condições para uso em longo prazo.
Em Bangladesh, a cooperação entre a negligência do construtor ao compromisso moral de prover condições à vida, e a ganância ignorante do investidor (que deixou seu capital inscrustar-se em tal via, assumindo os riscos do iminente desabamento), foram, sem dúvida, a causa.
O dono deve arcar com as consequências financeiras e criminais, pois, queira ou não, levou à morte de mais de mil pessoas. Os humanos que morreram pagaram com o maior capital que possuímos: a vida.
Mas partindo do princípio em que o EMPREGADO aceita as cláusulas contratuais, vide salário e situação do local onde irá trabalhar, ele abre mão de qualquer possível direito perante situações como esta. Fácil assinar o contrato onde diz que o EMPREGADOR vai garantir as condições de trabalho, mas o EMPREGADO possui o dever de constá-las, por si próprio. Aceitá-las ou não, portanto, depende de sua opção.
Debater isto, entretanto, não evita a catástrofe que uma péssima educação moral causa em todos os âmbitos da vida.
Sempre nos encontramos com situações onde poderíamos alimentar nosso ego capitalista, e simultaneamente socaríamos nossa integridade. E como todos sabem, a verdade prevalece.
A excelência moral leva tempo, e são poucos os que a atingem.
Abraços.
Bom dia a todos. Fico entusiasmado com tão boa discussão. Creio que parte do que acontece em Bangladesh e no mundo do mercado livre esteja no desejo pelo consumo intelectual por algumas pessoas e pelo consumo material por outras. Imagino uma análise aprofundada entre estes dois públicos de consumidores. Como resultado, ou melhor, já que não o fiz, coloco como um dos objetivos: a necessidade de encontrarmos um público de consumidores que tivesse as melhores características de cada um dos dois grupos estudados. Vou exemplificar com o mercado das empregadas domésticas. Se eu disser que as Leis atuais não interferiram negativamente na relação entre minha família e a nossa secretária não estaria sendo irônico e nem desmentindo vários artigos que publicitaram o contrário. Atentem para os seguintes fatos. Eu e minha esposa procuramos no mercado, ou através de indicação de outros trabalhadores que passaram pela nossa residência, ou através de vizinhos e amigos, uma pessoa em quem pudéssemos confiar a nossa casa, a nossa família, os nossos bens, a nossa segurança etc. Após, duas tentativas frustradas e uma tentativa bem sucedida, encontrei uma quarta, que está trabalhando conosco até hoje. Todas tiveram as mesmas condições de local de trabalho e de salário tudo dentro da Lei vigente da época, inicialmente. Mas a atual após sete anos de carteira assinada, ganha três vezes mais que inicialmente, ganha hora extra, bônus e gratificações que não estavam na Lei. Todas nunca trabalhavam em feriado ou fim de semana, mas quando necessário e solicitado, apenas as terceira e a quarta secretárias ficavam e ganhavam por isso. Em nenhum momento foi pensado em demiti-las nos dias que não podia acordar tal trabalho extra. A secretária atual com seu pouco conhecimento técnico educacional, mas de grande saber na arte de cuidar de si própria, de sua família e de terceiros fomentou com suas atitudes o crédito de confiança que lhe foi depositado, isso gerou uma relação trabalhista onde o investimento em qualificação era uma meta acordada entre nós e inicialmente financiada por nossa família, o esforço a mais, feito por ela sem a nossa exigência, era sempre compensado sem mesmo ter sido por ela cobrado, financeiramente. Vejam que não houve interferência da Lei atual para que se criasse uma parceria, mas foi graças a essa Lei que nos sentimos mais seguros. Ou seja, enquanto para uns a Lei coibirá abusos para outros a mesma Lei facilitará a relação. Até este ponto já relacionei cinco tipos de consumidores, as minhas quatro secretárias e a nossa família. E cinco tipos de empreendedores, as minhas quatro secretárias e a nossa família. Estranho inicialmente, mas bem fundamentado será. Cada um dos consumidores e empreendedores envolvidos tem diferente formação pessoal e educacional. O único fator comum a todos era o local de trabalho e as condições trabalhistas legais vigentes, então por que a atual secretária continua conosco? Porque ela, assim como, a nossa família encontrou o equilíbrio no universo do consumo intelectual e material. Hoje ela e nossa família, mantida as devidas proporções, alçamos em três vezes mais as riquezas iniciais. Se ela quiser morar em um bairro como o da minha família terá o dinheiro necessário e nosso apoio para investir em seu consumo intelectual, mas terá que diminuir o seu consumo material e começar a trabalhar ou estudar nos fins de semana. E se eu quisesse ter mais riquezas abriria uma empresa de secretárias domésticas em contrapartida diminuiria o meu tempo de dedicação às áreas do conhecimento que mais amo, a ética, a saúde pública e a política. Espaço conquistado com muito trabalho e estudos inclusive nos finais de semana. Toda a discussão do texto engloba a compaixão e compromisso mútuo entre os seres humanos, sua capacidade de criar condições cada vez melhor para as pessoas formarem uma consciência ética e optarem entre o consumo intelectual e material buscando sempre um equilíbrio, que é dinâmico em sua essência.
No exemplo citado por mim as condições iniciais de instalação para nossas secretárias e nossa família eram sofríveis, mas agora são muito boas, dando condições à secretária de dormir em nossa residência, se assim, for o seu desejo.
Para concluir, concordaria com o autor caso a fábrica de Bangladesh tivesse no seu planejamento inicial as melhorias das condições de trabalho através dos lucros reinvestidos na própria empresa, mesmo que para isso mais esforços de seus trabalhadores fossem necessários e acordados, creio que não haveria até este ponto nenhuma interferência Legal naquela cidade.
O problema que levanto em nosso Brasil, dito em desenvolvimento, onde verificamos diferentes graus de excelência na gestão pública e privada é: onde estará a compaixão entre as pessoas, o compromisso com o que é público, a capacidade de criação de melhores condições pelo setor público e privado e a consciência ética dos consumidores e empreendedores?
A logica suplanta qualquer tentativa socialista de imperio do estado sobre os meios de produção… é se meterem e causarem desastres economicos e sociais… a historia ja nos contou…
Aprecio muito os artigos do Instituto.
Porem as vezes regulacoes devem existir. Assim como quando um pai ensina o seu filho.
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No final do artigo lemos: "A liberdade econômica, e não a interferência estatal, é a estrada que leva à riqueza das nações".
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Em 2008 aconteceu um grave acidente numa refinaria de acucar nos Estados Unidos.
en.wikipedia.org/wiki/2008_Georgia_sugar_refinery_explosion
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Em 1988 aconteceu um grave acidente no mar do Norte, na plataforma Piper Alpha.
home.versatel.nl/the_sims/rig/pipera.htm
en.wikipedia.org/wiki/Piper_Alpha
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Como o Sr. Reismann explicaria estes acidentes, ocorridos em paises do primeiro mundo?
Porque no primeiro caso houve intervencao da OSHA e no segundo do HSE.
http://www.oilandgasuk.co.uk/cmsfiles/modules/publications/pdfs/HS048.pdf
No caso da Piper Alpha, most people agree that Piper Alpha was a turning point for the offshore industry and ushered in big changes in safety management, regulation and training.
Ou seja, a partir destes acidentes, medidas foram tomadas, e hoje podemos ver que estes ambientes de trabalho sao mais seguros.
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Atenciosamente,
“Se os salários em Bangladesh forem arbitrariamente elevados por um decreto governamental, menos trabalhadores serão empregados. Neste caso, aqueles trabalhadores que hoje ganham salários baixos passariam a não ganhar salário nenhum.”
A não ser que a fábrica mude toda sua estrutura para um país ainda menos desenvolvido, automatize sua linha de montagem ou planeje diminuir sua produção, demissões em massa não devem ocorrer. Aliás, se houvesse tal decreto em todos países em que os salários da categoria ainda são miseráveis, a empresa não teria escolha senão pagar mais aos trabalhadores, já que a base é maior em todo lugar. Logo, não vejo um aumento decretado como ruim, do ponto de vista do trabalhador. Creio que o salário base deva ser determinado pela categoria, que deve se unir para conseguir o que almeja, e não por decreto governamental, mas se tais trabalhadores elegeram tal governo e este os está representando, então a ideia é a mesma.
Sobre a legislação em relação à estrutura do prédio:
Creio que deva haver sim uma intervenção por parte de algum órgão neste quesito. Se o prédio está irregular, não deve operar. Não é como se aqueles trabalhadores estivessem lá porque queriam. Pode até ser que eles conheciam o risco, mas foram forçados a ignorá-lo por ser o único lugar onde conseguiram emprego. Outro exemplo: Sou de Santa Maria, onde recentemente houve um incêndio em uma boate. Creio que a maioria dos jovens que estavam lá não sabiam do risco a que estavam se submetendo – risco este que não seria claro sem uma fiscalização minuciosa.
Abaixo, reproduzo um artigo publicado hoje (03.06.2013) no jornal Zero Hora, cujo título é “Quando a vida não vale nada”. A autora, Andréa Nocchi, é — como não poderia deixar de ser — juíza do Trabalho. Trata-se de um ótimo exemplo para ilustrar aquilo a que Reisman se refere — a mentalidade anticapitalista (contra a lógica econômica, contra o lucro, contra a acumulação de capital) e pró-Estado (a favor de legislações trabalhistas e a favor da crescente ampliação dos poderes estatais) é ainda mais perigosa do que o desabamento do edifício da fábrica.
Na linda música “Deixando o Pago”, o cantor e compositor Vitor Ramil escreve “que o mundo é pequeno e que a vida não vale nada”. A morte de mais de 1.100 trabalhadores no desabamento de um prédio em Bangladesh, no final de abril, e o número oficial de 2012 de 2.717 brasileiros que perdem a vida em acidentes de trabalho demonstram, sim, que o mundo é pequeno e que a vida não vale nada.
Pequeno porque a distância entre o Brasil e Bangladesh é imensa, mas a realidade que envolve as precárias condições de trabalho de milhares de pessoas e a desconsideração com a vida humana nos aproximam; pequeno, porque, quando trabalhadores, na sua maioria mulheres, perderam suas vidas naquele desabamento e em outros incêndios que antecederam a tragédia, estavam confeccionando roupas para as grandes marcas da indústria têxtil mundial, que o brasileiro consome ou sonha consumir. Algumas delas, pressionadas pela repercussão deste e de outros acontecimentos, firmaram acordo para fiscalizar e financiar medidas de segurança e contra incêndio nas fábricas de Bangladesh.
A tragédia traduzida em morte anunciada tem, pelo menos, três facetas de perversidade. Uma, o trabalho escravo e a total falta de apreço com condições mínimas de dignidade. Outra, a fragmentação dos modos de produção que as terceirizações e toda a divisão da cadeia produtiva disseminam, de modo a desprezar quem e de que forma se produz para valorizar, apenas, a capacidade de produção; e, ainda, uma terceira, vinculada com a morte por acidente de trabalho.
Qualquer enfoque faz as fronteiras entre o Brasil e Bangladesh desaparecerem neste mundo pequeno. E a vida, que não vale nada lá, também nada vale aqui.
Silenciosamente, cerca de sete trabalhadores perdem a vida por dia no Brasil. É mais que o dobro das mortes da tragédia do Paquistão, todo o ano, ano após ano. De tão grave o flagelo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) pensa em uma campanha mundial para a prevenção de acidentes, o governo brasileiro começa a divulgar ações neste sentido, e o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem um programa especialmente desenvolvido para conscientização e redução das mortes e doenças profissionais.
Mas, enquanto a prioridade for produzir de modo globalizado e massificado, com baixíssimo custo e altíssimos lucros, a vida não valerá nada, e o mundo continuará a ser pequeno, na comunhão das tragédias.
“A liberdade econômica, e não a interferência estatal, é a estrada que leva à riqueza das nações.”