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O processo de seleção que ocorre no mercado – e o que é necessário para vencer

Costuma-se
falar, em um sentido metafórico, das forças automáticas e anônimas que
influenciam o “mecanismo” do mercado.  Ao empregar tais metáforas, as pessoas estão
propensas a desconsiderar o fato de que os únicos fatores que dirigem o mercado
e influenciam a formação de preços são as ações intencionais dos homens. 

Não há nenhum automatismo; existem apenas
homens conscientes e que, deliberadamente, visam a atingir os objetivos que
escolheram.

O
mercado é um corpo social; é o corpo social por excelência.  Todos agem por conta própria; mas as ações de
cada um procuram satisfazer tanto as suas próprias necessidades como também as
necessidades de outras pessoas.  Ao agir,
todos servem seus concidadãos.  Por outro
lado, todos são por eles servidos.  Cada
um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para
que outras pessoas possam atingir seus próprios fins.

Todos
os homens são livres; ninguém tem de se submeter a um déspota.  O indivíduo, por vontade própria, se integra
num sistema de cooperação.  O mercado o
orienta e lhe indica a melhor maneira de promover o seu próprio bem estar, bem
como o das demais pessoas.  O mercado
comanda tudo; por si só coloca em ordem todo o sistema social, dando-lhe
sentido e significado.

O
mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva. O mercado é um
processo, impulsionado pela interação das ações dos vários indivíduos que
cooperam sob o regime da divisão do trabalho.

A
reiteração de atos individuais de troca vai dando origem ao mercado, à medida
que a divisão de trabalho evolui numa sociedade baseada na propriedade
privada.  Tais trocas só podem ser efetuadas se cada uma das partes
atribuir maior valor ao que recebe do que ao que renuncia.

O
mercado é um processo coerente e indivisível.  É um entrelaçamento
indissolúvel de ações e reações, de avanços e recuos.  Entretanto, a insuficiência
de nossa capacidade mental nos obriga a dividi-lo em partes e a analisar
separadamente cada uma delas.  Ao recorrer a tais divisões artificiais,
não devemos esquecer que a aparente existência autônoma dessas partes é um
artifício de nossa mente.  São apenas partes, isto é, não podem ser
concebidas como independentes da estrutura geral do todo.

O
processo de seleção que ocorre no mercado é impulsionado pela combinação de
esforços de todos os participantes da economia de mercado.  Motivado pelo desejo de diminuir tanto quanto
possível o seu próprio desconforto, cada indivíduo procura, por um lado,
colocar-se numa posição que lhe permita contribuir ao máximo para que as demais
pessoas tenham a maior satisfação possível e, por outro lado, tirar o melhor
proveito dos serviços por elas oferecidos.

Em
outras palavras: cada indivíduo tenta vender no mercado mais caro e comprar no
mercado mais barato. A resultante desses esforços é não apenas a estrutura de
preços, mas também a estrutura social, a atribuição de tarefas específicas aos
vários indivíduos.

A
economia de mercado, em princípio, não respeita fronteiras políticas.  Seu
âmbito é mundial.  O mercado torna as pessoas ricas ou pobres, determina
quem dirigirá as grandes indústrias e quem limpará o chão, fixa quantas pessoas
trabalharão nas minas de cobre e quantas no setor de entretenimento.  Nenhuma dessas decisões é definitiva: são
revogáveis a qualquer momento. 

O
processo de seleção, além de não parar nunca, segue inexoravelmente adiante,
ajustando o aparato social de produção às mudanças na oferta e procura.  Revê, incessantemente, suas decisões prévias e
força todo mundo a se submeter a um reexame de seu caso.  Ninguém pode considerar sua posição como
assegurada e não existe nenhum direito que garanta uma posição conquistada no
passado.  Ninguém pode eximir-se da lei
do mercado, da soberania do consumidor.

A
propriedade dos meios de produção não é um privilégio: é uma responsabilidade
social. Os capitalistas e os proprietários de terras são compelidos a utilizar
sua propriedade de maneira a satisfazer, da melhor forma, os consumidores.  Se forem lentos e ineptos no cumprimento de
seus deveres, sofrem prejuízos.  Se não
aprendem a lição e não mudam o seu comportamento, perdem sua fortuna.  Nenhum investimento é seguro para sempre. Quem não utilizar sua propriedade para servir
o consumidor da maneira mais eficiente está condenado ao fracasso.  Não há lugar para as pessoas que querem
usufruir suas fortunas na ociosidade e na imprudência.  O proprietário deve procurar investir seus
recursos de maneira a não diminuir o principal e a renda.

No
tempo dos privilégios de casta e das barreiras comerciais, havia rendas que não
dependiam do mercado.  Os príncipes e os
membros da nobreza viviam à custa de escravos e servos humildes que eram
obrigados a trabalhar de graça, a pagar dízimos e tributos.  A propriedade da terra só podia ser adquirida
por conquista ou por generosidade do conquistador.  Só podia ser perdida por abjuração do doador
ou para outro conquistador. Mesmo mais
tarde, quando os nobres e seus vassalos começaram a vender seus excedentes de
produção no mercado, não podiam ser desalojados pela competição de pessoas mais
eficientes.  

A
concorrência só podia existir de forma muito limitada.  A aquisição de grandes extensões rurais era
reservada aos nobres; a de propriedades urbanas, aos burgueses do município, a
de pequenas propriedades agrícolas, aos camponeses.  No campo das artes e ofícios, a competição era
restringida pelas guildas.  Os
consumidores não podiam satisfazer seus desejos de forma mais econômica, uma
vez que o controle de preços proibia os vendedores de oferecer preços menores.
Os compradores ficavam à mercê de seus fornecedores.  Se estes produtores privilegiados se
recusassem a empregar as matérias-primas mais adequadas e os métodos de
produção mais eficientes, os consumidores se viam forçados a suportar as
consequências dessa teimosia e desse conservadorismo.

Aquele
proprietário de terras que vivia em perfeita autossuficiência, dos frutos de
sua própria atividade agrícola, era independente do mercado.  Mas o agricultor moderno que compra
equipamentos, fertilizantes, sementes, mão de obra, assim como outros fatores
de produção, e vende produtos agrícolas, está sujeito às leis do mercado. Sua
renda depende dos consumidores e ele terá de adaptar suas operações aos desejos
dos consumidores.

A
função selecionadora do mercado também funciona em relação ao trabalho.  O trabalhador é atraído por aquele tipo de
trabalho no qual espera ganhar mais.  Da
mesma forma que os fatores materiais de produção, o fator trabalho também é
alocado para aquelas atividades nas quais serve melhor ao consumidor.  Prevalece a tendência de não desperdiçar
qualquer quantidade de trabalho na satisfação de uma demanda menos urgente, se
uma demanda mais urgente não foi ainda satisfeita.  Como todos os outros estratos da sociedade, o
trabalhador também está sujeito à supremacia dos consumidores.  Se desobedecer, será penalizado por uma
redução nos seus ganhos.

A
seleção feita pelo mercado não instaura ordens sociais, castas ou classes, no
sentido marxista do termo. Empreendedores
e promotores não formam uma classe social integrada. Todo indivíduo tem
liberdade para se tornar um promotor, se estiver disposto a depender da sua
própria capacidade de antecipar, melhor do que seus concidadãos, as futuras
condições do mercado, e se a sua disposição de agir por conta própria e sob sua
responsabilidade for aprovada pelos consumidores.  

É
enfrentando espontaneamente as situações, aceitando o desafio ao qual o mercado
submete todo aquele que deseja tornar-se um empresário ou permanecer nesta
posição eminente, que se ascende à condição de empreendedor.  Todos têm a possibilidade de tentar sua sorte.
 Quem quiser iniciar um negócio não
precisa esperar que alguém o convide ou o encoraje.  Deve lançar-se por conta própria e deve saber
como conseguir os meios necessários.

Diz-se
com frequência que, nas condições de um capitalismo “tardio” ou
“maduro”, não é mais possível, a quem não tenha dinheiro, galgar a
escada da riqueza e atingir a posição de empresário.  Ninguém jamais tentou demonstrar esta tese.  Pelo contrário, desde que ela foi enunciada, a
competição dos grupos empresariais e capitalistas mudou consideravelmente.  Uma grande parte dos antigos empresários e
seus herdeiros foram eliminados e outras pessoas, novos empresários, tomaram os
seus lugares

Os
consumidores escolhem os líderes da indústria e do comércio exclusivamente pela
capacidade por estes demonstrada de ajustar a produção às necessidades dos
próprios consumidores. Nenhuma outra característica ou mérito lhes interessa.  Querem um fabricante de sapatos que fabrique
sapatos bons e baratos.  Não pretendem
confiar a direção do negócio de calçados a pessoas amáveis, de boas maneiras,
que tenham dons artísticos, sejam cultas ou possuam quaisquer outros talentos e
virtudes.  Um homem de negócios
bem-sucedido, frequentemente, é desprovido daqueles atributos que contribuem
para o sucesso pessoal em outras esferas da vida.

É
muito frequente, hoje em dia, condenar os capitalistas e os empreendedores.  O homem comum tem uma tendência a zombar das
pessoas que são mais prósperas que ele. Pensa que, se essas pessoas são mais
ricas, é simplesmente porque são menos escrupulosas, e que, se ele não fosse
tão respeitador das leis da moralidade e da decência, também seria rico.

Ora,
não há dúvida de que, nas condições criadas pelo intervencionismo, muitas
pessoas enriquecem pelo suborno e pela corrupção. Em alguns países, o
intervencionismo já solapou a supremacia do mercado a tal ponto, que é mais vantajoso
para o homem de negócios recorrer à ajuda de alguém no governo
do que
depender de sua capacidade de melhor satisfazer os desejos dos consumidores. É indiscutivelmente
verdadeiro que, se tais práticas não forem logo abolidas, tornarão impossível o
funcionamento do processo de seleção do mercado.

Mas não é a isso que se referem os críticos mais populares da riqueza alheia.
Tais críticos sustentam que a maneira pela qual se adquire riqueza numa genuína
economia de mercado é condenável de um ponto de vista ético.

Contra
tais argumentos, é necessário enfatizar que, na medida em que o funcionamento do mercado não seja sabotado pela
interferência do governo, pelo protecionismo, por privilégios estatais e por
outros fatores de coerção
, o sucesso nos negócios é a prova de serviços
prestados aos consumidores.

Um
homem pobre não é necessariamente inferior ao próspero empresário; ele pode
destacar-se por suas realizações científicas, literárias ou artísticas, ou por
sua liderança cívica.  Mas, no sistema
social de produção, ele é inferior.  Os funcionários e operários que alardeiam
sua superioridade moral iludem-se a si mesmos e encontram consolo nessa ilusão.
 Não querem admitir que foram postos à
prova por seus concidadãos, os consumidores, e não foram aprovados.

Também
se afirma frequentemente que o fracasso do homem pobre no processo de
competição é causado por sua falta de instrução. Só pode haver igualdade de
oportunidade, costuma-se dizer, quando a educação, em qualquer grau, se torna
acessível a todos. Prevalece hoje a tendência de reduzir as diferenças entre as
pessoas a diferenças de educação, negando-se a existência de diferenças inatas
como a inteligência, a força de vontade e o caráter. Geralmente não se percebe
que a educação nunca pode ser mais do que uma doutrinação de teorias e ideias
já conhecidas.

A educação, qualquer que seja o seu benefício, é transmissão de
doutrinas e valores tradicionais. É, por necessidade, conservadora; produz
imitação e rotina, e não aperfeiçoamento e progresso. Os inovadores e os gênios
criadores não se formam nas escolas. Eles são precisamente aqueles homens que
questionam o que a escola lhes ensinou.

Para
ser bem-sucedido nos negócios, um homem não precisa ter um diploma de
administração de empresas.  Essas escolas treinam os subalternos para trabalhos
rotineiros. Certamente não formam empreendedores.  Não é possível ensinar uma
pessoa a ser empresário.  Um homem se torna empreendedor ao perceber oportunidades
e preencher vazios.  O julgamento penetrante, a capacidade de previsão e a
energia que a função empresarial requer não se aprendem na escola. 

Os homens de
negócio mais bem-sucedidos foram frequentemente ignorantes, se considerarmos os
critérios escolásticos do corpo docente. Mas estavam à altura de sua função
social de ajustar a produção à demanda mais urgente.  Em razão desse mérito, são
escolhidos pelos consumidores para liderar a atividade econômica.

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69 comentários em “O processo de seleção que ocorre no mercado – e o que é necessário para vencer”

  1. O autor do texto não levou em consideração a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1996, sancionada por FHC. Em nenhum momento, lá consta que a escola está a serviço do mercado ou de qualquer coisa que seja. Além de reducionista a visão mercadológica, é também autoritária, pois não leva em consideração outras formas de sucesso além do empresarial.

    Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm

  2. Não haverá filósofo hoje.

    Nosso amigo fora intimidado ad absurdum pelo artigo acima e decidira recuar em prol dos interesses da gama de catedráticos adepta de São Milton Santos, da indústria exportadora e do mercantilismo; exacerbando aos gritos as acusações de interesse polilógico de Mises quanto ao capital internacional em detrimento de inúmeras riquezas nacionais que nosso amigo filósofo garantiu que “devem pertencer à nação” e que por tal motivo, é imprescindível que ocorra a pilhagem de todos os cidadãos para financiar uma companhia estatal governada por uma elite burocrática e que decidirá como ocorrerá tal “legítima distribuição dos benefícios da exploração de recursos ao país”, olvidando-se perdoavelmente da menção de como ocorrerá a distribuição dos prejuízos.

    Em meio ao desespero, também fizera questão de acusar que Mises representa os interesses da classe média nazista em detrimento da “classe trabalhadora explorada” que perdera seus empregos devido à competição predatória advinda da globalização, ignorando cegamente os dados empíricos que o contradizem(www.youtube.com/watch?v=LryfamQhFZw) e defendendo a anti-ética preposição de que os homens devem ser forçados à interação a outros apenas por haverem nascido em meio às mesmas linhas imaginárias, recusando-se a explicar o motivo de não considerar tal obrigação uma “violência”.

    Sempre cidadão do mundo, unido à causa social da França e seu exército de funcionários públicos, o filósofo ainda culpara a competição globalizada pelo desemprego entre jovens na Europa e pelo aumento da data de aposentadoria, fazendo-se de esquecido quanto à absurda crise previdenciária que a afugenta e o encarecimento artificial da mão-de-obra devido à legislação trabalhista e fiscal francesa, negativando a utilidade marginal de trabalhadores inexperiente. No ápice de sua ira, chegara a anunciar solução aos problemas mundiais, profetizando um retorno às tribos e julgando-as como o auge da felicidade humana e da riqueza; responsabilizando a ausência de competição e a expectativa de vida de 30 anos por seu estado de paz.

    Em breves delírios, também culpara a competição pela diminuição da qualidade de trabalho devido ao “aumento da mais-valia”, fazendo-se de esquecido do que estava a dizer anteriormente e levando-nos à confusa conclusão de que antes de haver disputa pela oferta de melhores serviços por menores preços aos consumidores, os empreendedores odiavam dinheiro.

    Após finalizar tal epifania esclarecedora do intelectualismo brasileiro, o filósofo respirou profundamente, ergueu-se dolorosamente de seu assento em um escritório de repartição pública e agarrou um livro vermelho sempre inócuo em sua estante, pondo-se à reflexão como o árabe se coloca a orar por Alá. Dissera, então, palavras inaudíveis das quais apenas pude compreender “Obsolescência”, “Exploração”, “Mais-Valia”, “Alienação”, “Estado”, “Socialismo” e “Neoliberalismo”; revitalizou-se, pôs o livro de volta à mesa e direcionou-se à zona do café, onde costumava passar horas por dia a questionar a forma com que o grande capital pervertia e tornava ineficiente o funcionalismo público juntamente a seus amigos juristas.

    Tenhamos esperança pela recuperação de nosso filósofo predileto – saíra o diagnóstico: É um tumor neural maligno chamado “Esquerdismo crônico-messiânico”. Endêmico desde Getúlio Vargas.

    Oremos por nosso amigo.

  3. Andre Cavalcante

    Só mais um comentário sobre o pseudo-reducionismo da visão mercadológica:

    A base para uma educação tradicional é o conhecimento tradicional.
    A base para uma educação empreendedora é a inovação e a criatividade, em geral, conhecimento que ainda não se criou.

    Logo, quem é mais reducionista neste quesito?

    Por outro lado, há inúmeras formas que as pessoas sejam reconhecidas pelos seus méritos, fora a questão puramente mercadológica. Einstein foi reconhecido mundialmente como gênio. Gandhi como o estadista da paz. Apesar de não serem efetivamente pobres, ambos não estavam nem aí para se tornarem “os melhores”. Apenas eles o eram!

    Quem vive com a preocupação de “permitir que A, B ou C da sociedade” tenha as “mesmas condições” que “C, D ou E” para que aqueles apareçam, em detrimento de C, D ou E, não entende nada de mérito, a não ser o sentimento contrário que lhe nasce: a inveja!

  4. ESSES ARGUMENTOS ENFADONHOS DOS ESQUERDISTAS BRASILEIROS SÃO PARA DAR MUITA RISADA, EU LEIO O ARTIGO E DEPOIS LEIO OS COMENTÁRIOS, É MESMO PARA FICAR DANDO GARGALHADA

  5. Prezados leitores do Mises Institute,

    Só algumas considerações e dúvidas:

    1º) O mercado sem dúvida alguma é uma forma de organização social eficiente, todavia muitos resultados de suas atividades podem gerar inúmeras externalidades negativas que podem impactar a vida de muitas pessoas e o ambiente de forma desastrosa. Não seria o caso de haver limites e regras ao poder das empresas e estruturas do mercado a fim de maximizar as externalidades positivas e diluir as negativas?

    2º) Suponham que exista uma sociedade em que predomina o livre mercado e esse mercado seja maduro o suficiente para atender a praticamente todos os anseios da população, com o mínimo de governo e interferência governamental. Em determinado momento podem surgir empresas que por sua constante capacidade de inovação e aferição de lucros se tornam gigantescas, abocanhando parcelas de poder e influência nessa sociedade, impondo a sua vontade aos compradores e vendedores. Nesse caso, como deter a formação de conglomerados, oligopólios e monopólios que destroem o livre mercado sem um marco regulatório e sem a coerção?

    3º) Talvez, a dúvida mais importante meus caros libertários seja essa:

    Como impedir que grupos de indivíduos dentro de uma sociedade livre, ou até mesmo um indivíduo, utilizem sua influência e poder advindo de sua estrutura empresarial para influenciar e modificar os paradigmas e ideologias existentes em uma sociedade, de forma a manter-se no poder e desenvolver um embrião do que seria um aparato estatal?
    Como impedir que esses grupos se transvistam de defensores da ordem e do livre mercado e ao invés de fazerem isso impunham a sua vontade mesquinha e egoísta de usurpar a liberdade das pessoas?

  6. mauricio barbosa

    Caboclo deixa de ser comodista e vasculhe a área de pesquisa e livros do site e encontrarás a respostas que anseias,agora se aparecer algum comentarista de boa vontade para lhe servir desfrute do banquete de argumentos lógicos e sensatos da equipe IMB.

  7. Mais um pra lista de Melhores Artigos do Ano! Salvou meu dia!

    Pessoal, essa discussão sobre medir o sucesso pela quantidade de lucros é perda de tempo. Releiam o final do texto:

    “Um homem pobre não é necessariamente inferior ao próspero empresário; ele pode destacar-se por suas realizações científicas, literárias ou artísticas, ou por sua liderança cívica. Mas, no sistema social de produção, ele é inferior. O gênio criador pode ter razões para desdenhar o sucesso comercial; pode ser até que tivesse êxito nos negócios, se não tivesse preferido outras coisas. Mas os funcionários e operários que alardeiam sua superioridade moral iludem-se a si mesmos e encontram consolo nessa ilusão. Não querem admitir que fossem postos à prova por seus concidadãos, os consumidores, e não foram aprovados.”

    Ou seja, um homem com menos posses é inferior ao rico, a princípio, apenas em um quesito: no sistema social de produção, na sua capacidade de atender às necessidades urgentes do consumidor.

    Caso contrário, teríamos que julgar nossos “Pais Fundadores” Mises, Rothbard, Bohm-Bawerk e todos os outros como inferiores. Nenhum deles era rico.

    Existem muitas áreas da vida onde pode-se ter sucesso. O valor que cada uma tem pra nós é individual. Alguns preferem ser bons cientistas, com o prazer de descobrir novas leis da natureza. Outros preferem ser bons em ajudar quem está em dificuldade. Mais alguns preferem criar músicas, jogar futebol. São gostos pessoais.

    Então que fique claro: ao falar de sucesso, lembre-se de especificar qual “área” de sucesso.

  8. Agindo um pouco como advogado do diabo:
    http://www.cnn.com/2013/05/14/world/americas/belize-mayan-pyramid-destroyed/index.html

    É curioso como as pessoas interessadas em manter as pirâmides não conseguem valorizá-las mais do que alguém que só enxerga nelas um monte de pedras.

    The mound sits on private land, and archaeologists said they would ask police to take action against both the landowner and contractor, according to reports.

    “It is against the law; it is against the nature act to willfully destroy an ancient monument,” Awe told News5. “Any willful destruction of an ancient site or monument has penalties of 10 years’ imprisonment or $10,000 for this kind of destruction.”

  9. No mercado também ocorre isso:

    “Cem milhões de litros de leite podem ter sido misturados com água não tratada e um produto químico cancerígeno para aumentar o lucro de seis empresas de transporte. É o que descobriu uma investigação do Ministério Público no Rio Grande do Sul. O leite adulterado era vendido também no Paraná e em São Paulo. Oito dos nove suspeitos estão presos.

    O galpão onde o leite era adulterado fica em Ibirubá, interior do Rio Grande do Sul. No local, caminhões-tanque sem qualquer refrigeração armazenam água e ureia que, segundo a investigação, são misturados com o leite. A ureia é um fertilizante muito usado no campo e contém formol, substância cancerígena condenada pela Organização Mundial da Saúde.

    O engenheiro químico Jerônimo Luiz Menezes Friedrch explica porque os suspeitos precisavam adicionar ureia no leite: "O formol, que está dentro da ureia, é usado para maquiar a adição de água, que era colocada dentro do leite. Eles queriam ganhar no volume. Só que o formol é um produto cancerígeno e cumulativo no organismo, então eles estavam usando a ureia, desconhecendo que dentro havia o formol".

    No final de fevereiro, o Ministério da Saúde identificou a presença do formol. Os promotores começaram a investigar e descobriram que os suspeitos compraram mais de 98 toneladas de ureia, o suficiente para adulterar os 100 milhões de litros de leite que os envolvidos vendem no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo em um ano.

    "Nós apuramos que alguns empresários do setor de transporte de leite cru, que realizam o transporte do produtor para os postos de resfriamento, estavam lucrando com a adição de 10% de água ao volume trabalhado. Como essa adição de água faz uma diminuição do poder nutricional do leite, estavam adicionando ureia", relata o promotor Mauro Rockenbach.

    O leite era comprado do produtor por intermediadores, que antes de vender para a indústria adulteravam o produto nos chamados postos de resfriamento. Para o promotor, os fraudadores sabiam do risco à saúde da população. "Eles agiam até com um certo deboche. Houve um diálogo captado em determinada ocasião em que um dos empresários fraudadores pedia ao seu motorista que antes de fazer a mistura e levar o leite adulterado, deixasse o leite bom, cru, para ser usado pela sua família. Usando a expressão: 'deixa para minha guachaiada'", conta.

    Pela manhã, os promotores cumpriram 13 mandados de busca e nove de prisão em quatro cidades gaúchas. Eles estiveram no depósito visitado pela equipe do Jornal Hoje e descobriram que nem a água adicionada ao leite era tratada e vinha deste poço artesiano.”

    g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2013/05/leite-e-adulterado-com-produto-cancerigeno-no-rio-grande-do-sul.html

    É. Casos como este mostram que o mercado definitivamente não se auto-regula. Se não fosse as investigações do Ministério Público Estatal, muitas pessoas beberiam este leite, e muitas tragédias teriam acontecido. Afinal, não tem como você saber se tal leite é adulterado ou não, a não ser que você seja um engenheiro químico. Hoje em dia, não podemos confiar nem nas grandes marcas como a Unilever, que estava vendendo leite com soda cáustica.

  10. Olá Pessoal,

    Tive conhecimento há pouco tempo sobre o IMB, tenho lido com bastante frequência tentado afastar minhar ignorancia sobre economia e liver etc.etc..

    Gostaria de saber se existe algum grupo de estudos?

  11. “Quem quiser iniciar um negócio não precisa esperar que alguém o convide ou o encoraje. Deve lançar-se por conta própria e deve saber como conseguir os meios necessários”.

    Como uma pessoa miserável pode conseguir os meios necessários para se tornar um empresário de sucesso agindo honestamente? A afirmação do autor parece demasiadamente otimista.

  12. Os estatólatras deveriam procurar conhecer a história da colonização da serra gaúcha bem como do surgimento de empreendimentos como Randon, Eberle, Tramontina e por aí vai.

  13. Hoje em dia esse medo do mercado pode ser demonstrado pelo fato de a maioria das pessoas terem como sonho passar em um concurso público e trabalhar para o governo. Não há nenhuma ambição em nenhuma dessas pessoas, e o pior, tudo isso por causa de um dos nossos piores inimigos, o medo.

    Faço direito e já tenho decidido que vou advogar, e todos que me perguntam falam “porque não vai fazer concurso público” ou “concurso público é muito melhor você ganha bem e fica tranquilo”. Por primeiro eu me sentiria um hipócrita caso fizesse aquilo que eu tanto critico, segundo que não tenho medo do mercado pois sei da minha capacidade técnica e de relacionamento social.

    Aliás só pretendo ser funcionário público em uma única hipótese, que seria no caso de Ministro do STF, e não pelo salário mas sim pelo que eu poderia fazer para manter o respeito pela Constituição Federal. Um sonho para alguns impossível, mas quem vai saber?

  14. Caros debatedores, bom dia.

    Vejamos um fragmento de texto, de Bernard de Mandeville, em “An essay on charity school (1723)”, autor este, muito citado por ninguém menos que F.A. von Hayek.

    Vejamos.

    (…) estou informado por pessoas dignas de fé que alguns destes servos chegaram a tal ponto de insolência de se reunir em associação e fizeram leis que estabelecem por eles, não prestar serviço por uma quantia inferior á estabelecida por eles(…)

    Não haveria aqui um inversão? Ora, se alguém se une , em busca do ganho de escala, pode estabelecer preço que bem desejar. E os compradores, in casu, do trabalho, é que teriam a liberdade de não os contratarem. Desta forma, não haveria razão alguma para tamanha indignação. O que teria levado ao senhor da fábula das abelhas a chegar a tal conclusão?

    Vejamos agora o Sir Sieyes, certamente o mais célebre da revolução francesa:

    (…) os desgraçados que fazem os trabalhos pesados, produtores dos gozos alheios, que recebem apenas para a subsistência de seus corpos sofridos e necessitados de tudo, esta multidão imensa de instrumentos bípedes sem liberdade, sem moral, sem faculdade intelectual, dotados apenas de mãos que recebem pouco e de uma mente gravada por mil preocupações que os fazem apenas sofrer, são estes que vocês chamam de homens? Alguém já viu pelo menos um desses que fosse capaz de entrar na sociedade? E. J. Sieyes ; Ecrits plitiques Paris 1985 p 236.”

    Vejamos uma passagem interessante , tratando-se da “grande sociedade” ou sociedade aberta, citada por ninguém menos que Hayek, mas, baseando-se em nada menos que Popper:
    “Mesmo se o estado protege os seus cidadãos do risco de serem tiranizados pela violência física – como acontece por princípio, sob o sistema do capitalismo desenfreado – ele pode frustrar as nossas finalidades se não consegue nos proteger do abuso do poder econômico. (…) De fato, aqueles que dispõem de um excedente de mercadorias podem impor a quem tem penúria uma servidão ” livremente” aceita, sem a violência.” K.R. Popper The open society and its enemies 1943.

    Vejamos por último o que disse Mises em The anti-capitalistic mentality 1987:

    ” A posição social de cada um depende da própria ação, de modo que para um eventual fracasso o indivíduo não tem mais espaço para desculpas e só pode culpar a sim mesmo.

    E ainda na tese da “teodiceia da felicidade” Weber:
    Os dominantes , os possuidores , os vencedores, os são, em síntese, o homem feliz, raramente se contenta pelo simples fato de possuir a própria felicidade. Ele necessita também ter o direito a tal felicidade. Quer ser convencido a merecê-la e sobretudo, de merecê-la frente aos outros. E quer, portanto, ser também autorizado a crer que os de menos sorte receberam equitativamente apenas aquilo que lhes cabe. A felicidade quer ser legítima. M. Weber Die wirtschaftesethik der weltreligionenen.

    E Ludwig von mises trata da “luta pela sobrevivência” na qual , sem embargo, desenvolve uma teodiceia da felicidade: a luta pela sobrevivência premia os homens superiores. Nas condições do capitalismo os mais dotados e os mais capazes não podem obter nenhuma vantagem de sua superioridade, mas colocam os seus melhores dotes ao serviço dos desejos da maioria, constituída pelos menos dotados. No âmbito do mercado o poder econômico corresponde aos consumidores”.
    Todavia, para Hayek o mérito não é objetivamente mensurável e que seria arbitrário e despótico pretender retribuí-lo com base na opinião subjetiva que se tenha dos méritos próprios e alheios.
    Lembrando ainda que Hegel já afirmara que toda a visão da história e da sociedade na qual estiver ausente a seriedade, a dor, a paciência e o trabalho da negatividade cai na edificação e inclusive, na insipidez”
    Fontes: Von Mises, On equality na inequality 1961
    Hegel: Phenomenologie des geistes , in Werke in swanzig banden vol. 3 p.24

    Se o processo de seleção que ocorre no mercado é o que é necessário para vencer, este não me parece o suficiente. Ou seria suficiente? Neste caso, gentileza elaborarem a prova da suficiência.

    Desde já agradeço-lhes pelos esclarecimentos
    Saudações

  15. Emerson Luis, um Psicologo

    Ótimo texto! Muitos confundem “meritocracia” com “triunfalismo”, a crença de que a única diferença entre duas pessoas é a atitude, quando na realidade muitos fatores além do poder da pessoa influenciam os resultados que ela obtém na vida. Já nascemos com uma bagagem genética única e em um determinado contexto.

    Esse é um dos motivos de porque o termo “sucesso” é relativo e temos que tomar cuidado com as comparações, em geral é melhor cada um analisar os seus próprios potenciais e limites e comparar-se consigo mesmo.

    Mas acreditar que os resultados dependem apenas de fatores externos seria o erro oposto. Em condições semelhantes (talentos, origem socioeconômica, etc.), o indivíduo com atitudes mais positivas tende a produzir melhor resultados.

    * * *

  16. Valdemar Katayama Kjaer

    O livro do jornalista Paul Tough, “uma questão de caráter “, aborda o sucesso como uma questão mais das características individuais, que devem ser trabalhadas primeiro e de forma mais importante na família e não na escola. Vale a leitura.

  17. O SPC e o Serasa são duas instituições que mostram a possibilidade de um mercado realmente livre.

    Essas duas instituições pioraram, quando ações judiciais começaram a interferir nelas.

    Essas instituições são agências de risco, onde quem comete crimes ou faz calores, pode ser automaticamente inserido na black list.

    Uma grande empresa que faz manipulações ou adulterações, pode ser inserida em uma lista de empresas não confiáveis. Até agências de risco ambiental podem inserir empresas na black list.

    Os serviços de risco podem ser contratados por qualquer um. Esse é o melhor exemplo de que um mercado sem estado, não significa que não haverá controle.

    O mercado regulamentado pelo governo fracassou !

  18. Chapado de Cannabis

    A pobreza foi reduzida pela liberdade.

    Um pedaço de terra de 50×50 metros, pode ser habitado por mais de 200 pessoas. Os prédios resolveram a falta de terrenos e escassez de terra.

    A economia de mercado sempre irá oferecer, uma alternativa criativa para os pobremas de escassez.

    A Microsoft tinha o “monopólio” de sistemas operacionais. Em menos de 15 anos, a Apple já conquistou uma parcela do mercado. Os tablets e smartphones diminuem o uso de computadores, mudando mais uma parcela do mercado para o Google. É impressionante como ainda tem gente que acredita em monopólio em livre mercado.

    Até no mercado de energia, tem gente concorrendo com as estatais. Qualquer pessoa pode gerar energia dentro da sua própria casa e injetar o excesso na rede elétrica compartilhada. Isso ainda não avançou, por conta do poder aquisitivo e livre concorrência no setor de energia. Quando o governo pega o nosso dinheiro na conta de energia, nós ficamos sem dinheiro para gerar a nossa própria energia.

    O governo agride as pessoas quando cobra impostos ou faz proibições. A população foi doutrinada a tal ponto, que até casamentos precisam ser homologados pelo governo e por Deus. As pessoas costumam casa primeiro no civil e depois no religioso. Parece que o casamento do governo é mais importante que o casamento na igreja, porque é feito primeiro na maioria das vezes.

  19. Tudo começou com a Rússia e China, alimentando o comunismo em Cuba e na América Latina.

    Depois vieram os idiotas úteis investindo na China.

    Em pouco tempo, os chineses terão o maior poder militar do mundo nas mãos dos comunistas.

    A China deve ser boicotada com urgência !

  20. Quem ler o texto acima, num programa eleitoral, não ganhará nem para vereador, no Brasil. Tornar um país pobre, num país rico é raridade, mas a Coréia do Sul conseguiu tal feito, graças aos governos de dois generais desde 1961 a 1988. Peço a você, que veja a palestra que começa aos seis minutos e vários segundos do site https://www.youtube.com/watch?v=axuxt2Dwe0A

  21. OFF TOPIC

    Alguém poderia me esclarecer o significado de “devisennot”?

    O termo é empregado pelo Mises em seu Teoria da Moeda e do Crédito (em inglês). O próprio Mises esclarece o termo, dizendo que o mesmo é “shortage of foreign currency.” Dado que se fosse traduzido ao pé da letra isso significaria “escassez de moeda internacional”, eu poderia traduzir devissennot por “reservas internacionais” na atual terminologia econômica?

  22. Os candidatos nem sempre serão os melhores pelo grau de instrução escolar, muitos adquirem o conhecimento ao longo da vida e são tão bons quanto os que possuem mestrados e doutorados. As seleções de RH de grandes empresas como as automobilísticas, podemos sitar Hyundai, VW, Honda, já estão melhorando muito neste quesito, avaliando o que os candidatos tem a oferecer antes mesmo de mostrar seu grau de instrução apenas no papel.

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