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Cambalache – a história do colapso econômico da Argentina

À
exceção daquelas nações que adotaram o socialismo, é difícil encontrar um
exemplo de país cuja economia tenha sido mais espetacularmente destruída pelo
seu governo do que a Argentina.

No
início do século XX, a Argentina era o 10º país mais rico do mundo em termos
per capita.  Reza a lenda que, naquela
época, a expressão “tão rico quanto um argentino” era comum e frequentemente
utilizada por aristocratas britânicos que tentavam casar suas filhas com
argentinos ricos.  Entre 1860 e 1930, o
país enriqueceu acentuadamente em decorrência, entre outras coisas, da
exploração das férteis terras dos pampas. 
Os investimentos estrangeiros eram livres e diversificados, oriundos da
França, da Alemanha, da Bélgica e, majoritariamente, da Grã-Bretanha.  Indústrias e ferrovias foram construídas com
capital estrangeiro.  Os altos salários
atraíram vários imigrantes, principalmente italianos, espanhóis, alemães e
franceses.  Em 1899, após algumas décadas
de instabilidade financeira e bancária, o país retornou ao padrão-ouro e,
durante 14 anos, cresceu a uma taxa anual de 7,7%.

Durante
as três primeiras décadas do século XX, a Argentina
ultrapassou
o Canadá e a Austrália não somente em termos de população, mas também em termos
de renda total e renda per capita.  Nesta
época, a famosa loja de departamentos Harrods, de Londres, abriu uma filial em Buenos Aires, sua única filial em todo o
mundo

A
partir de 1930, no entanto, a coisa começou a degringolar.  Em termos macroeconômicos, a Argentina era,
até então, um dos mais estáveis e sólidos países do mundo.  Mas o advento da Grande Depressão nos EUA,
que afetou seriamente o comércio mundial — e as exportações argentinas –,
alterou este equilíbrio.  Instabilidades
políticas levaram a um golpe militar em 1930. 
De 1930 até os anos 1980, houve uma sequência de governos populistas e
juntas militares que se revezavam no poder. 
Estes sucessivos governos, capitaneados pelas teorias de Raúl Prebisch,
adotaram uma série de políticas protecionistas e de substituição de importações
com o objetivo de alcançar a quimera da ‘autossuficiência’, um devaneio que
ainda hoje excita praticamente todos os desenvolvimentistas (muitos deles estão
em Brasília). 

Oficialmente,
esse experimento protecionista terminou em 1976, quando uma junta militar sob o
comando de Jorge Rafael Videla decidiu abrir um pouco a economia.  Obviamente, acostumadas a décadas de
protecionismo, várias indústrias argentinas sucumbiram perante a concorrência
externa, o que fez com que o governo assumisse suas dívidas.  Em paralelo a este setor industrial
ineficiente, os gastos governamentais em total descontrole (financiados pela
simples impressão de dinheiro) e várias medidas populistas de aumentos
salariais levaram a uma crônica inflação de preços, que chegou a 800% ao ano.

Alguns
anos depois, em 1982, um cavalheiro chamado Leopoldo Galtieri
teve a brilhante ideia de desviar a atenção dos problemas econômicos invadindo
as ilhas Falkland (Las Malvinas para
os argentinos), o que jogou o país em guerra contra os britânicos.  Tal esforço de guerra, além de vidas humanas,
serviu apenas para aumentar o endividamento do governo argentino e,
consequentemente, a inflação monetária para financiar este endividamento.  Humilhada pela derrota, a ditadura militar
terminou em dezembro de 1983, com a eleição de Raúl Alfonsín.  Veja o histórico inflacionário deste último
período militar (a menor inflação anual foi de 82%, em fevereiro de 1981).

1.png

Gráfico 1: Taxa
de inflação de preços anual, 1976-1983

Em
decorrência desta escalada inflacionária, o governo Alfonsín criou, em junho de
1985, uma nova moeda, o austral (a primeira moeda argentina que não tinha o peso em seu nome).  Mas a criação da nova moeda — plano este,
aliás, que serviu de inspiração ao Plano Cruzado — foi feita daquela maneira tipicamente
heterodoxa: o governo simplesmente cortou zeros, congelou preços das tarifas
públicas e da cesta básica, e controlou rigidamente os salários do setor
privado.  No primeiro momento, exatamente
como também ocorreu com o Plano Cruzado, os preços ficaram sob controle e a
popularidade do governo disparou. 

Na
melhor fase do plano, a inflação de preços ficou em “apenas” 50% ao ano.  Porém, e obviamente, o governo em momento
algum abriu mão de continuar imprimindo dinheiro e, assim que os preços
começaram a ser descongelados, tudo voltou a ser como era antes.  Para complicar, como o governo havia
contraído várias dívidas perante o FMI, ele também recorria à impressão de austrais
para comprar dólares. 

O
resultado desta vez não foi apenas uma típica inflação latino-americana, mas
sim uma hiperinflação que chegou a 200% ao mês (julho de 1989) e encerrou o ano
totalizando 5.000%.  Quando os preços dos
serviços de utilidade pública dispararam e os argentinos foram para as ruas saquear
supermercados
(maio e junho de 1989), Alfonsín renunciou.

Eis
o resultado da inflação de preços deste período:

2.png

Gráfico 2: taxa
de inflação de preços anual, 1984-1989


A era Menem

Reformas

Eleito
para assumir o poder dezembro de 1989, a posse de Carlos Menem foi antecipada
para julho por causa da baderna em que estava o país.  Quando Menem assumiu a presidência, os gastos
públicos estavam em 36% do PIB e o déficit orçamentário do governo era de 7,6%
do PIB.

Em
17 de agosto de 1989, foi aprovada a Ley de Reforma
del Estado
, que deu a Menem a autoridade para efetuar várias reformas
econômicas que ajudassem a acabar com a hiperinflação.  As principais reformas foram o
descongelamento seguido da liberdade de preços, a abertura da economia ao
comércio internacional, aos investimentos estrangeiros e ao fluxo de capitais,
a reorganização do sistema tributário, a redução da burocracia e a privatização
de várias estatais — a telefônica Entel, a companhia aérea Aerolíneas
Argentinas, vários trechos rodoviários, vários canais de televisão, algumas
redes ferroviárias, a petrolífera YPF (Yacimientos Petrolíferos Fiscales, cuja
privatização só foi completada em 1999), e a empresa de gás natural Gas del
Estado. 

Como
de praxe, várias privatizações foram feitas às pressas — pois o governo estava
desesperado por recursos –, o que gerou vários esquemas de favorecimento,
irregularidades e corrupção. 

Após
chegar ao insano valor anual de 20.000% em março de 1990, a inflação terminou o
ano em 1.344%

3.png

Gráfico 3: taxa
de inflação de preços anual, 1990

Mas
foi em abril de 1991 — sob o comando do ministro da economia Domingo Cavallo
— que a principal e decisiva medida econômica foi adotada: a reforma monetária
que culminaria na substituição do austral pelo peso.  Mas o peso não seria uma nova moeda qualquer:
ele seria inflexivelmente igual a um dólar, valor este irrevogável e fixado por
lei.  Esse regime monetário argentino
passou a ser chamado de regime de conversibilidade.

O
programa de conversibilidade foi implantado em duas etapas.  Na primeira etapa, em abril de 1991, o Banco
Central argentino passou a funcionar como se fosse um Currency Board

Currency Board













Para o leigo, o termo soa esquisito, mas realmente
não existe tradução definitiva para o português.  Alguns traduzem como
Caixa de Conversão ou Agência de Conversão; outros traduzem como Conselho da
Moeda.

Apesar da ausência de um termo nacional, um Currency
Board é um dos arranjos monetários mais antigos e tradicionais do mundo,
perdendo apenas para o padrão-ouro. Aliás, era comum que o país que adotasse o
padrão-ouro o fizesse por meio de um Currency Board.  O Brasil operou um Currency Board no
início do século XX
, durante um de nossos efêmeros experimentos com o
padrão-ouro.  O padrão-ouro da Argentina, que durou até 1929, também se
deu sob um Currency Board. 

Hong Kong opera um Currency Board desde 1983. 
Vários outros pequenos países utilizam exitosamente um Currency Board, entre
eles Bulgária, Bósnia e Herzegovina, as Ilhas Fakland, Gibraltar e Santa
Helena.  Estônia, Letônia e Lituânia operaram regimes semelhantes a um
Currency Board até muito recentemente, quando resolveram adotar integralmente o
euro.

O princípio de operação de um Currency Board é
bastante simples e, quando obedecido ortodoxamente, muito eficaz.  O
Currency Board é o arranjo que se implementa quando se quer adotar uma genuína
“âncora cambial”, o que faz com que a moeda de um país se torne um
mero substituto de uma moeda estrangeira.  A única função de um Currency
Board é trocar moeda nacional (que ele próprio emite) por moeda estrangeira, e
vice versa, a uma taxa fixa

No caso específico da Argentina, o Banco Central
convertido em Currency Board tinha a função de trocar, sem custo e sem demora,
1 peso por 1 dólar e 1 dólar por 1 peso. Para cada dólar que entrasse no país,
o Currency Board emitiria um peso argentino em troca desse dólar.  A operação
inversa ocorreria no caso de uma saída de dólar (peso argentino seria entregue
ao Currency Board que, em troca, enviaria o dólar para o destinatário
estrangeiro). 

Ao agir assim, a taxa de câmbio está
irremediavelmente fixa.  Se você quisesse vender 1 dólar por um valor
maior do que 1 peso para outra pessoa, esta preferiria simplesmente ir ao
Currency Board e lá trocaria 1 peso por 1 dólar.  Ou seja, tal artifício é
totalmente eficaz em realmente fixar a taxa de câmbio.

Neste sistema, como a moeda nacional está totalmente
atrelada a uma moeda estrangeira, a variação da base monetária nacional se dá
estritamente de acordo com o saldo do balanço de pagamentos (saldo da
quantidade de moeda estrangeira que entra e sai da economia nacional). 

Em sua forma ortodoxa, este sistema não permite a
existência de um Banco Central, pois não deve haver nenhuma política
monetária.  Trata-se de um sistema monetário totalmente passivo, em que a
base monetária do país varia estritamente de acordo com as reservas internacionais.

Sendo assim, dado que a base monetária do país não
pode ser maior do que a quantidade de reservas internacionais (no caso
argentino, o dólar), ela varia de acordo com a quantidade de moeda estrangeira
que entra e sai da economia em decorrência das transações internacionais do
país.  Quando há um superávit nas transações internacionais, a base
monetária doméstica aumenta; quando há um déficit, diminui. 

Em tese, como a quantidade de dólares nas reservas
internacionais é, por definição, igual ou superior à base monetária, é
impossível haver qualquer ataque especulativo, pois seria impossível exaurir as
reservas internacionais (a base monetária teria de ser toda mandada pra fora,
algo por definição impossível).  Essa é a principal atratividade do sistema:
ele dá segurança aos investidores estrangeiros, que deixam de temer uma súbita
desvalorização da moeda nacional, o que causaria enorme prejuízo para eles
quando fossem repatriar seus lucros.

Outra característica do Currency Board que ajuda a
aumentar a confiança do investidor estrangeiro é o fato de que, ao contrário de
um Banco Central convencional, um Currency Board não pode imprimir dinheiro à
vontade; ele só imprime moeda nacional se receber um valor equivalente em moeda
estrangeira.  Logo, um Currency Board não pode comprar ativos nacionais e
nem títulos do governo; ele não faz política monetária.

Sendo assim, o governo não pode se financiar por
meio da inflação monetária.  Isso obriga o governo a evitar déficits e a
manter um orçamento equilibrado (caso contrário, ele terá de aumentar impostos
ou se endividar, o que levaria a um aumento dos juros em toda a economia).

(Veja tudo sobre Currency Boards neste artigo.)

No entanto, ao mesmo tempo em que um Currency Board
é extremamente eficaz quando implantando ortodoxamente, ele cobra severas
punições quando seus pré-requisitos operacionais são desobedecidos.  E foi
isso que a Argentina descobriu.

A reforma monetária

O
primeiro passo da Argentina, portanto, foi fazer o seu Banco Central operar
como se fosse um Currency Board.

No
dia 1º abril de 1991, o Banco Central da Argentina fixou a taxa de câmbio no
valor de 10.000 austrais por dólar (essa era a taxa de câmbio do dia).  A partir daí, comprometeu-se a operar sob os
mesmos princípios de um Currency Board: ele iria emitir austrais estritamente de
acordo com o ingresso de dólares.  Para
cada dólar que entrasse no país e fosse para as reservas internacionais, 10.000
austrais seriam emitidos.  Para cada
dólar que saísse, 10.000 austrais seriam recolhidos.  (Veja o vídeo do anúncio feito por
Cavallo
, a partir do minuto 7:37).

Simultaneamente,
o dólar passou a ser aceito como moeda corrente.  Os argentinos agora tinham liberdade de
transacionar livremente em dólares, e de livremente trocar austrais por
dólares.  Na prática, havia duas moedas
oficiais na Argentina. 

No
dia 1º de janeiro de 1992, o austral foi abolido e em seu lugar entrou o peso
conversível.  Cada 10.000 austrais foram
convertidos em 1 peso, que valia exatamente 1 dólar.

Pronto,
a reforma monetária estava completa.  De
agora em diante, o Banco Central da Argentina se comprometia a trocar peso por
dólar e dólar por peso a uma taxa de 1:1, sem restrições e sem demora.  Se os argentinos quisessem manter mais
dólares do que pesos, eles simplesmente trocariam seus pesos por dólares.  Similarmente, se quisessem portar mais pesos,
eles trocariam seus dólares por pesos.  O
efeito dessa regra era garantir tanto aos residentes quanto aos investidores
estrangeiros que não havia risco nenhum de se utilizar tanto uma moeda quanto outra.  Não haveria risco de uma desvalorização
súbita. 

Os
argentinos podiam manter contas bancárias tanto em peso quanto em dólares, e os
bancos faziam empréstimos tanto em peso quanto em dólares.

As consequências iniciais

Inicialmente,
tanto o Banco Central argentino quanto o governo seguiram à risca a
ortodoxia.  O BC de fato imprimia
dinheiro estritamente de acordo com a variação de reservas internacionais, e o
governo — agora sem poder se utilizar da inflação monetária — reduziu
drasticamente seus déficits.

A
inflação de preços, que havia sido de 1.344% em 1990, caiu para 84%
em 1991
, para 17,5%
em 1992
, para 7,4%
em 1993
, para 3,9%
em 1994
, para 1,6%
em 1995
e, de 1996 até o final de 2001, a média
foi de praticamente 0%
.

Para
um país que havia se acostumado a ter uma inflação de preços média maior do que
250% de 1970 até 1990, e que havia vivenciado valores de até 20.000% em 1990, a
queda de preços foi extremamente rápida.


o governo conseguiu baixar o
gasto público de 35,6% do PIB em 1989 para 27% do PIB em 1995.  Igualmente, o déficit fiscal saiu de 7,6% do
PIB em 1989 para 2,3% em 1990 e, de 1991 até o final de 1994, ficou próximo de
0%.

As
reservas internacionais, por sua vez, que estavam 3,81 bilhões no final de 1989,
foram para 17,93 bilhões ao final de 1994.

O
principal efeito desta política de abolição da inflação e de redução do estado
foi a perceptível queda nos
índices de pobreza
.  Em outubro de
1989, o percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza em Buenos Aires e
adjacências era de 47,3%.  Em maio de
1994, tal valor já havia caído para 16,1%.

A crise do México de dezembro de 1994

As
coisas vinham muito bem para a Argentina desde abril de 1991.  A economia estava crescendo
robustamente
e os preços eram invejavelmente estáveis.


que, em dezembro de 1994, a economia do México — cujo Banco Central adotava um
sistema de câmbio atrelado, no qual a cotação do câmbio era diariamente
manipulada — sofreu um ataque especulativo. 
O governo desvalorizou subitamente o peso mexicano.  Essa súbita desvalorização gerou pânico nos
investidores ao redor de todo o mundo, os quais, temerosos de terem seus
investimentos desvalorizados, começaram a retirar seus capitais dos países
emergentes.  (Esse fenômeno ficou
conhecido como Efeito Tequila, e teve repercussões nos países emergentes, especialmente
no Brasil.)

A
Argentina não ficou imune, e um volume substantivo de capital estrangeiro foi
retirado do país.  Os gráficos abaixo
ilustram perfeitamente este momento. 
Observe a retração sofrida pela base monetária em 1995.  Essa retração ocorre justamente porque pesos
estavam sendo trocados por dólares para ser enviados ao exterior. 

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Gráfico 4:
evolução da base monetária, 04/1991–12/1995

No
entanto, o M1 e o M2 se alteram muito pouco, quase nada.  Isso porque, como os bancos praticam reservas
fracionárias e podem criar moeda do nada, uma retração da base monetária não
significa necessariamente uma redução na quantidade de dinheiro na
economia.  Embora as reservas fracionadas
sejam previstas pelo Currency Board (que não se opõe a elas), tal prática pode
gerar grandes distúrbios, pois quanto maior o volume de moeda sem lastro em
reservas internacionais, maiores as chances de um ataque especulativo para se
tentar desvalorizar o câmbio.

5.png

Gráfico 5:
evolução do M1 (papel-moeda em poder do público mais depósitos em
conta-corrente), 04/1991–12/1995

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Gráfico 6:
evolução do M2 (M1+depósitos a prazo), 04/1991–12/1995

Essa
fuga de capitais gerou um acentuado aumento dos juros no mercado interbancário.

7.png

Gráfico 7: juros
do mercado interbancário, 1993-1995

O
crédito encareceu.  O país entrou em
recessão e o desemprego subiu.  A
recessão diminuiu as receitas tributárias do governo; o aumento do desemprego
aumentou os gastos sociais do governo.  A
consequência inevitável desta redução na receita e deste aumento nos gastos foi
que o governo voltou a apresentar déficits orçamentários.  E estes nunca mais voltariam a ser zero — o
que significa que sua dívida não mais pararia de subir.

Anos 1996-1999: calmaria no início, pânico
no fim

A
economia permaneceu em recessão durante todo o ano de 1995, mas voltou a se
recuperar em 1996.  O problema é que o
desequilíbrio continuou vindo do estado.

Em
janeiro de 1991, quando Cavallo assumiu o Ministério da Economia, a dívida
pública era de US$61,4 bilhões.  Em
dezembro de 1995, ela já estava em US$87 bilhões.  E em agosto de 1996, quando ele foi
substituído por Roque Fernández, a dívida já estava em US$90,5 bilhões.  E terminaria aquele ano em US$97
bilhões
.

O
problema do endividamento é que, quanto maior a dívida, maior o volume gasto
com juros.  E quanto mais se gasta com
juros, maior é o déficit fiscal.  E
quanto maior o déficit fiscal, maior é a emissão de títulos da dívida para
cobrir o déficit, o que aumenta o endividamento e reinicia o ciclo vicioso.

Não
obstante essa explosão do endividamento do governo, a economia seguia estável e
com inflação zero.  Após o susto de 1995,
as reservas internacionais já haviam voltado a subir.

No
segundo semestre de 1997, ocorreu a crise asiática, um tsunami que gerou fuga de
capitais ao redor do mundo e súbitas desvalorizações no baht tailandês, no novo
dólar taiwanês, na rúpia indonésia, no ringgit malaio, no won sul-coreano, no
peso filipino e no dólar cingapuriano.  O dólar de Hong Kong, que opera
sob um Currency Board, conseguiu manter sua taxa de câmbio intacta.  A Argentina, nesta crise específica, sofreu
pouco.

Em
agosto de 1998, a situação começou a ficar ruim.  A Rússia entrou em crise financeira e o
governo russo anunciou uma forte desvalorização do rublo seguida de uma
moratória.  Adicionalmente, a retomada
dos confrontos na Chechênia e o início de uma nova guerra entre os separatistas
e o governo russo pioraram ainda mais o humor dos investidores estrangeiros,
que ainda estavam abalados pela crise asiática. 
Houve uma nova rodada de fuga de capitais.  Na Argentina, por causa desta fuga, os juros
do mercado interbancário sobem
e o crédito se torna mais restringido. 
Como consequência, o país entra em recessão em setembro de 1998 e o
desemprego aumenta.

A
situação se agrava em 1999.  Com a forte
depreciação do real e de várias outras moedas, as importações de produtos
argentinos por estes países caem.  Não
bastasse a queda nas exportações argentinas, os preços dos produtos primários também
caem fortemente no mercado mundial.  Como
consequência, o setor exportador argentino encolhe. 

(No entanto, ao contrário do que é dito, as
importações de produtos estrangeiros pelos argentinos também
diminuem
, por causa da recessão.  Não
foi um aumento nas importações, portanto, o que atrapalhou as empresas
argentinas).

Para
piorar, os gastos do governo continuam subindo e as receitas, por causa da
recessão, se tornam menores que as de 1998. 
A dívida pública vai adquirindo uma proporção de insustentabilidade, já
em US$118
bilhões
, o que dava 50% do PIB (era de 29,5% em 1993).  Os juros, por causa do endividamento do
governo, continuam em ascensão, assim como o risco-país. 

Havia
um temor de que o governo desvalorizasse a moeda para estimular as exportações
e, com isso, melhorar a situação do setor exportador e, de quebra, melhorar as
próprias receitas do governo.  Para
conter essas especulações, Menem anunciou que tinha a intenção de dolarizar
forçosamente toda a economia.  A
dolarização seria uma maneira de aprofundar o regime de conversibilidade, e
eliminaria totalmente as incertezas acerca do regime de câmbio fixo.  Houvesse uma dolarização, os ataques
especulativos contra o peso seriam eliminados.

No
entanto, não houve a dolarização.

Como
1999 era um ano de eleições presidenciais, todos os candidatos (Menem, Fernando
De la Rúa e
Eduardo Duhalde) se puseram a defender o atual regime cambial, jurando que não
tocariam nele, justamente para evitar ataques especulativos.

Em
dezembro de 1999, Fernando De la
Rúa assume a presidência. 
Após 10 anos no poder, Menem foi derrubado por causa da economia em
recessão desde setembro 1998 e do desemprego em ascensão.

Com De la Rúa, a tragédia

Anatomia de um caos

No
dia 1º de janeiro de 2000, o governo De la Rúa, por meio do novo Ministro da Economia, José
Luis Machinea, anuncia um pacote fiscal de aumento de impostos.  Inicialmente, os impostos incidiriam sobre
ganhos de capital. 

Em
março de 2000, no entanto, o estouro da bolha tecnológica nos EUA (das empresas
pontocom) gera nova fuga de capitais, e os juros do mercado interbancário
voltam a subir.  Isso agrava a recessão,
reduz as receitas previstas pelo governo e aumentam o déficit fiscal, dando
sequência àquele antigo círculo vicioso: o aumento dos juros aumentava os
gastos do governo com o serviço de sua dívida. 
Quanto maior era esse gasto, maior se tornava o déficit fiscal, o que
levava a um aumento do endividamento e a um novo aumento dos gastos com juros.

No
final, o aumento previsto nas receitas não se concretiza, e elas terminam o ano
de 2000 em um valor praticamente idêntico
ao de dois anos atrás.

Tudo
isso aumenta ainda mais as incertezas sobre a capacidade do país de continuar
honrando suas dívidas (boa parte dela nas mãos de credores internacionais) e
sobre sua intenção de continuar no regime de paridade cambial. 

Para piorar, em outubro de 2000, o
vice-presidente Carlos Álvarez renuncia ao cargo dizendo não se conformar com o
volume de corrupção que estava acontecendo dentro do governo.  Isso desencadeia uma crise institucional,
abalando em definitivo a pouca confiança que ainda restava no regime.  Ainda em outubro, os próprios argentinos
começaram a retirar seu dinheiro dos bancos, muitos deles mandando dólares para
fora do país.  Naquele mês, 789 milhões
de pesos/dólares foram retirados dos bancos. 
Em novembro, mais de 1 bilhão.  Os
juros do interbancário disparam.  A
confiança havia ruído em definitivo.

8.png

Gráfico 8: juros
do mercado interbancário, 1998-2000

Para
conter essa fuga, o FMI anuncia um pacote de empréstimos de US$40 bilhões para
a Argentina repor suas reservas internacionais. 
Em troca do pacote, o Fundo pedia corte de gastos e aumento de impostos.

Essa
injeção de dólares conseguiu conter a fuga de depósitos, mas somente até março
de 2001.  Logo no início daquele mês, no
dia 2, o Ministro da Economia José Luis Machinea renuncia ao cargo. 

No
dia 4, Ricardo López Murphy, economista formado pela Universidade de Chicago, é
nomeado e imediatamente anuncia
seu programa de ajuste fiscal
, o qual seria o melhor de todos: não haveria
aumento de impostos, mas sim um profundo corte de gastos de 2 bilhões de pesos,
inclusive para as áreas de saúde e educação. 
Haveria também várias privatizações, inclusive da Casa da Moeda.

Obviamente,
o anúncio de medidas tão “drásticas” gerou forte reação popular.  Vários membros do governo, contrários à
nomeação de López Murphy, renunciam em protesto às suas medidas.  Sem apoio, López Murphy renuncia ao cargo no
dia 19 de março, apenas 15 dias após ter sido nomeado.

Toda
essa baderna faz com que a fuga de depósitos bancários recomece, e agora com
renovada intensidade: apenas em março, mais 5,5 bilhões de pesos/dólares são
sacados dos bancos argentinos, até então a maior saída mensal de dinheiro do
sistema bancário da história do país.

Em simultâneo a tudo isso, o governo determina, contrariamente a como seria um Currency Board tradicional, que o Banco Central poderia comprar títulos do governo e poderia fazer injeções de dinheiro no mercado interbancário. Isso vai totalmente contra o funcionamento de um Currency Board, que não apenas não cria dinheiro para intervir no mercado interbancário, como também só pode ter como ativos títulos denominados na moeda-âncora, e nunca na moeda nacional.

Consequentemente, aumentam as especulações de que o regime de conversibilidade será abandonado e que o peso irá se desvalorizar subitamente. Ato contínuo, a fuga de capital só aumenta.

Desesperado,
Fernando De la Rúa
oferece o cargo de Ministro da Economia a um velho conhecido dos argentinos: no
dia 20 de março, Domingo Cavallo, que agora era considerado o único com alguma autoridade
moral para reconduzir o país à tranquilidade econômica, assume o cargo que
havia abandonado em agosto de 1996.

Sua
primeira medida, anunciada em 21 de março: aumentar as tarifas de importação e
impor uma alíquota sobre transações financeira. 

Mas
foi no dia 17 de abril de 2001 que o regime de conversibilidade, o qual o
próprio Cavallo havia ajudado a implantar, sofreu um duro golpe que abalou
fortemente a sua credibilidade.  Cavallo
enviou um projeto de lei ao Congresso para alterar a âncora do peso.  Em vez de apenas em dólar, a âncora agora
seria em relação a uma cesta formada por dólar e euro, na proporção de 50% para
cada.  Neste arranjo, o peso flutuaria
dentro de uma banda definida pelo valor do dólar e do euro.  Se o euro estivesse valendo menos que o dólar
(como estava na época), o peso se desvalorizaria até ficar em paridade com o
euro.  Se o euro passasse a valer mais
que o dólar, o peso voltaria a ficar em paridade com o dólar.  A intenção deste arranjo era o de sempre:
estimular as exportações.  (Tal lei viria
a ser promulgada em junho).

Ainda
em abril, o presidente do Banco Central, Pedro Pou, formado em Chicago, que
havia defendido a total dolarização da economia e que estava no cargo desde
agosto de 1996, é substituído por Roque Maccarone, um sujeito tido como mais
“flexível”.

Em
junho, o regime de conversibilidade é definitivamente abolido.  No dia 15, Cavallo anuncia que, a partir
dali, o governo adotará um regime de câmbio preferencial para as exportações —
o que na prática significava que agora o câmbio teria duas taxas
paralelas.  No dia 25 de junho, é
aprovada a lei que altera a âncora cambial para a cesta de dólar e euro.

Ambas
essas medidas eram totalmente contrárias ao funcionamento de um regime de
conversibilidade e à ortodoxia de um Currency Board.  As medidas de Cavallo deixaram óbvio que o
governo estava totalmente propenso a alterar o regime de conversibilidade, algo
que poderia ocorrer a qualquer momento. 
Vale lembrar que, em 1999, quando também havia incerteza, o governo
Menem havia tomado a decisão contrária: não apenas reafirmou a manutenção do
regime de conversibilidade, como ainda “ameaçou” aprofundá-lo com a
dolarização.  Aquela certeza transmitida
fez com que não houvesse fuga de capitais e nem ataques especulativos.


Cavallo, com esse seu ataque arbitrário aos alicerces de regime de
conversibilidade, acabou com a pequena confiança que o governo ainda
usufruía.  A consequência desta
intervenção de Cavallo foi restringir ainda mais o mercado de crédito.  As taxas de juros para empréstimos feitos em
peso disparam, pois os bancos sabiam que a qualquer momento a moeda poderia ser
desvalorizada.  Como consequência, tanto
o governo federal quanto os governos das províncias deixam de conseguir novos
financiamentos junto aos bancos, pois estes já pressentiam que seriam
caloteados. 

Em
julho, três agências de classificação de risco reduzem acentuadamente a
classificação da Argentina.  O prêmio de
risco se torna 13 pontos percentuais acima dos juros pagos pelos títulos americanos.  Os juros no mercado interbancário se
aproximam de 50%.  O governo federal não
mais consegue vender títulos de sua dívida no mercado internacional.

9.png

Gráfico 9: juros
do mercado interbancário, 01/1999 — 07/2001

Sem
acesso ao mercado de crédito, Cavallo anuncia um plano de déficit zero, o qual não
apenas inclui um aumento da alíquota sobre transações financeiras, como ainda
estipula que, dali em diante, a arrecadação de cada mês será majoritariamente
utilizada para os juros da dívida. 
Apenas o que sobrar será utilizado para cobrir os gastos do
governo.  Salários e pensões do setor
público são reduzidos em 13%. 
Funcionários públicos do alto escalão, que recebiam os maiores salários,
passam a ser pagos apenas em notas promissórias.  As greves pipocam pelo país e a fuga de
depósitos bancários não pára.

Em
outubro, há eleições para o Congresso.  O
partido de De la Rúa
perde vários assentos e se torna minoria. 

Em
novembro, o governo apresenta um plano para fazer um swap — leia-se, adiar o pagamento e renegociar os termos — da
dívida do governo, que já estava em US$132 bilhões de dólares.  Temendo agora não apenas a desvalorização
iminente, mas também o colapso do sistema bancário (se o governo desse o calote
na dívida, os bancos detentores de seus títulos quebrariam), os argentinos
fazem uma nova corrida bancária e batem um segundo recorde de saques bancários:
quase 3 bilhões de dólares são retirados dos bancos, especialmente na última
semana de novembro.  Como consequência
dessa nova rodada de saques, a liquidez do sistema financeiro — que opera com
reservas fracionadas — desaparece completamente, o que faz com que os juros do
mercado interbancário disparem a níveis sem precedentes (em um determinado dia,
as taxas do interbancário chegaram a 689%).  O governo, então, decide impor um limite ao
valor máximo dos juros do interbancário.

10.png

Gráfico 10: juros
do mercado interbancário, 1996-2001

O colapso de dezembro de 2001

No
dia 1º de dezembro, um sábado, Cavallo anuncia restrições a saques bancários e
transferências para o exterior.  No dia
3, segunda-feira, o corralito entra em vigor.  Todas as contas bancárias são congeladas por 12 meses, permitindo o saque de apenas 250 pesos por
semana.  A retirada de dólares é totalmente proibida.  Operações utilizando cheques e cartões de
crédito e de débito podem ser feitas normalmente (pois elas não retiram
dinheiro do sistema bancário, apenas transferem de um banco para o outro), mas
a ausência de dinheiro físico nas ruas gera sérios e graves distúrbios.

136_1Argentina_Crisis07.jpgNo
dia 5 de dezembro, o FMI anuncia que não mais irá emprestar dinheiro para a
Argentina.  O risco país dispara.  Uma greve geral ocorre no dia 13 de dezembro.

Furiosos
em decorrência do confisco bancário, que privou a população de seu próprio
dinheiro, e com fome, os argentinos saem às ruas.  Entre os dias 16 e 18 de dezembro, ativistas
e manifestantes desempregados exigem que os supermercados distribuam
comida.  Perante a negativa, no dia 18 de
dezembro vários supermercados e lojas de conveniência são saqueados em Buenos Aires e
Rosário. 

No
dia 19, nova onda de saques em toda a grande Buenos Aires.  Além de supermercados, bancos e empresas
estrangeiras, normalmente americanas e europeias, são o alvo predileto.  Várias ruas de Buenos Aires são palco de incêndios.

Acuado,
De la Rúa decreta
estado de sítio em rede nacional (veja o vídeo) e avisa que
a Polícia Federal, a Força de Segurança (Gendarmería
Nacional Argentina
) e a Prefectura
Naval Argentina
serão acionadas para conter a baderna.  Alheios às ameaças, os argentinos, logo após
a transmissão do anúncio, marcham rumo à Casa Rosada para protestar batendo
panelas.  Este cacerolazo ocorre simultaneamente em várias regiões do país,
mostrando que a população desafiava abertamente o estado de sítio imposto pelo
governo.  Na madrugada do dia 20 de
dezembro, após uma manifestação frente à sua residência ser duramente
reprimida, o ministro Domingo Cavallo renuncia ao cargo.

20_dic_2001.jpg
na manhã do dia 20, os manifestantes se concentram na famosa Plaza de Mayo, não
obstante a vigência do estado de sítio. 
A Polícia Federal tenta violentamente controlar os protestos.  Algum tempo depois, outros grupos de
manifestantes chegam e a situação sai totalmente do controle.  O mesmo cenário se repete em vários pontos do
país.  Apenas na Plaza de Mayo, cinco
pessoas morrem.

No
final daquele dia, De la Rúa
decide renunciar.  Como a Plaza de Mayo
fica diretamente em frente à Casa Rosada, e os confrontos continuavam intensos,
De la Rúa não
pode sair da Casa Rosada de carro.  Tem
de fugir de helicóptero.  A imprensa do
mundo inteiro registra a humilhante
cena

No
final do dia, 34 pessoas haviam morrido em todo o país em decorrência dos
confrontos.  O presidente interino do
Senado, Ramón Puerta, assume a presidência interina do país até que o Congresso
possa nomear um novo presidente.

Abaixo, uma boa compilação das cenas (Aviso: algumas são fortes)

O trágico ano de 2002

No
dia 23 de dezembro de 2001, Adolfo Rodriguez Saá, governador da província de San Luis, é
nomeado presidente.  Seu mandato seria
transitório e deveria durar apenas 3 meses. 

Sua
primeira medida é anunciar a moratória total da dívida externa.  Tal anúncio é feito sob uma chuva de aplausos
no Congresso.  Não obstante, ele decepciona
vários grupos de interesse ao anunciar que a âncora cambial seria mantida.  Embora houvesse anunciado que o dinheiro
confiscado dos correntistas seria integralmente liberado, tal promessa não se
concretiza.

Com
apenas uma semana de governo, novos distúrbios e novos panelaços voltam a
acontecer nas ruas de Buenos Aires. 
Alguns manifestantes conseguem entrar no Congresso e ateiam fogo em
algumas mobílias.  Sem apoio partidário e
cercado de protestos, Saá renuncia no dia 30 de dezembro, tendo permanecido apenas
uma semana no cargo.

No
dia 2 de janeiro, assume a presidência Eduardo Duhalde, que havia disputado e
perdido as eleições presidenciais de 1999. 
Assim como Saá, em sua fala inaugural Duhalde garante
que o corralito seria revogado e que
todo o dinheiro seria integralmente devolvido à população.  “…
van a ser respetadas las monedas en que fueron pactados originalmente los
depósitos (…) el que depositó dólares recibirá dólares…el que depositó
pesos recibirá pesos.”

No
entanto, não apenas o corralito não é
revogado, como ainda é intensificado.

No
dia 6 de janeiro, o regime de conversibilidade é oficialmente revogado.  As operações de conversão monetária de 1 peso
para 1 dólar são abolidas.  É delegado ao
Executivo o poder de estipular a taxa de câmbio do peso em relação ao dólar e
de regulamentar novos regimes cambiais.

Com
a abolição da âncora cambial, o valor do dólar dispara.  No mercado negro, dólares estão sendo
precificados acima de 3 pesos.  Mas o
governo opta por estabelecer, arbitrariamente, uma nova taxa de câmbio: 1,40
peso por dólar. 

Ao
mesmo tempo, o governo emite outro decreto dizendo que todas as dívidas
privadas, de pessoas físicas e jurídicas, estão de agora em diante ‘pesificadas’,
só que à taxa de 1:1.  Inclusive dívidas
em dólares junto ao sistema bancário. 
Para salvar os bancos da bancarrota, uma consequência inevitável desta
manipulação cambial, o governo assume parte dessa dívida.  Credores e poupadores são dizimados.

1322664968_1.jpgPara
aumentar o ultraje, ocorre em fevereiro a pesificação de todos os depósitos em dólar. 
Quem ainda possuía dólares depositados nos bancos vê
seus dólares serem integralmente confiscados pelo governo, que converte todos
os valores em peso à taxa oficial de 1,40 pesos por dólar.  Isso é chamado de corralón

Esta
‘pesificação assimétrica’, na qual as dívidas com o sistema bancário foram
pesificadas na razão de 1:1 ao passo que os depósitos em moeda estrangeira
foram convertidos na razão de 1,40 pesos por dólar, algo que beneficiava os
bancos, foi uma medida que o próprio governo reconheceu como sendo um bônus
dado aos bancos para compensar o calote gerado pela manipulação cambial acima
descrita. 

Em
março, o governo também pesifica toda a dívida pública nacional, provincial e
municipal, à taxa de 1,40 peso por dólar. 
Em seguida, ele deixa o câmbio flutuar de maneira um pouco mais livre.  Como consequência, o peso afunda.  Em junho, a cotação do dólar chega a quase 4 pesos.

11.png

Gráfico 11:
evolução do valor do dólar em relação ao peso

Consequentemente,
a inflação de preços, após quase uma década de estabilidade, vai a 40%. 

12.png

Gráfico 12: taxa
de inflação anual de preços, 2001-2002

A
tragédia agora estava completa.  Os
pobres estavam literalmente sem dinheiro. 
A classe média não apenas estava com seu dinheiro preso nos bancos, como
também este havia sido forçosamente desvalorizado.  Quem tinha depósitos em dólares — e, em
2001, a maioria dos depósitos bancários era
em dólar
(47 bilhões de dólares contra 18 bilhões de pesos) — viu sua
poupança ser convertida em peso à taxa de 1,40 peso por dólar, sendo que o câmbio havia ido
para quase 4 pesos.  Não bastasse a falta
de dinheiro, a desvalorização cambial fez com que tudo encarecesse, gerando a
inflação de 40%.  Todos os importados se
tornaram virtualmente inacessíveis. 
Pouco dinheiro e moeda sem nenhum poder de compra.

Inúmeras
empresas faliram.  A qualidade de vida da
população despencou.  Há relatos de que,
na elegante Calle Florida, famílias
de classe média, cuja poupança de toda uma vida havia sido confiscada pelo
governo, abordavam turistas suplicando por dinheiro.  O desespero era grande porque até mesmo a
compra de itens básicos, como leite, estava difícil.

Vários milhares de destituídos e
desempregados se transformaram em cartoneros,
catadores de papel.  Estatísticas afirmam
que entre 30 e 40 mil pessoas passaram a revirar as ruas de Buenos Aires à
procura do material.

Ainda
mais impressionante foi a evolução — ou, mais apropriadamente, a involução —
da porcentagem
de pessoas abaixo da linha de pobreza na grande Buenos Aires
.  Uma cifra que chegou a ser de 16,1% em maio
de 1994 saltou para 54,3% em outubro de 2002, um valor ainda maior do que o do
ano de 1989 (47,3%), quando o país vivia sob hiperinflação.  Em nível nacional, a pobreza chegou a 57,5%
da população, a indigência a 27,5% e o desemprego a 21,5%, todos níveis
recordes para o país.

Conclusão













Todo o desenrolar dos fatos deixa bem claro de quem
é a culpa.  Qual entidade confisca o dinheiro das pessoas, aniquila toda a
sua poupança e até mesmo estipula quantias máximas a serem utilizadas? 
Qual entidade gera incertezas ao se mostrar incapaz de controlar seus gastos e
de se adequar dentro de seu orçamento?

Enquanto o governo foi capaz de manter um orçamento
equilibrado e de seguir ortodoxamente as regras do Currency Board, a qualidade
de vida da população aumentou substantivamente.

A partir do momento em que o governo não mais
conseguiu manter seu orçamento equilibrado (a partir de 1995) e passou a
aumentar sua dívida de forma contínua, gerando incertezas quanto à capacidade
de financiamento e aumentando a propensão a um calote, a confiança no sistema
começou a desaparecer.  Não obstante, tudo poderia ter sido revertido caso
o governo houvesse feito a dolarização da economia em 1999.  Neste
cenário, seria por definição impossível uma desvalorização e uma fuga de
capitais. 

Porém, não apenas não houve a dolarização, como
ainda as poucas características de Currency Board que havia no Banco Central
argentino foram sendo gradualmente eliminadas. 
Ao determinar que o Banco Central poderia comprar títulos do governo e
poderia fazer injeções de dinheiro no mercado interbancário — o que ia totalmente
contra ao funcionamento de um Currency Board –, o governo argentino enviou um
claro sinal aos investidores estrangeiros: “Não somos sérios e vamos
desvalorizar a nossa moeda a qualquer momento”.

Quando o ministro Cavallo deixou explícita sua
intenção de alterar o regime cambial, o que na prática representou a abolição
do regime de conversibilidade original, a confiança no sistema foi completamente
aniquilada.  O colapso era questão de tempo.

corralito implantado pelo governo
com o intuito de conter a sangria da fuga de capitais e o iminente colapso do
sistema bancário foi o tiro de misericórdia. (O corralito só
viria a ser abolido em dezembro de 2002, mas ainda manteria várias restrições
sobre transações financeiras e aquisição de dólares).

No entanto, vale enfatizar o fato de que, não
obstante o governo tenha destruído seu orçamento, elevado seus gastos,
incorrido em vultosos déficits, se endividado e, no final, tenha adulterado os
fundamentos básicos do Currency Board, tal sistema deu à Argentina, um país que
há muito desconhecia o que era inflação baixa, um período de sete anos
(1995-2001) de inflação praticamente nula, um atestado de sua qualidade.

Veja o gráfico da evolução anual da inflação de
preços.  O gráfico começa em abril de 1992, um ano após a introdução do
Currency Board.  Note que a âncora cambial é abolida em janeiro de 2002.

15.png

Gráfico 13: taxa
de inflação anual, 04/1992–12/2002

Por
fim, este gráfico da evolução do PIB em dólares desde 1970 é bastante
significativo.  Ele mostra o que a
estabilidade de preços em conjunto com uma moeda forte podem fazer a uma
economia.  Mostra também o que acontece
quando o governo resolve destruir este sistema.

16.png
 

Gráfico 14: PIB
nominal em dólares, 1970-2009

Ao
final de 2009, o PIB em dólares era praticamente o mesmo de 1998, o que
significa que a economia levou 11 anos para voltar ao mesmo nível de onde
estava durante a crise da Rússia.

E toda essa lambança feita pelo governo argentino levaria à ascensão do kirchnerismo, o qual intensificaria a bancarrota do país (ver aqui, aqui e aqui)

O
tamanho do estrago que um governo é capaz de fazer em uma economia é algo que
jamais deve ser subestimado.

Artigo originalmente publicado em 1º de abril de 2013.

________________________________________________

Leia também, agora sobre os anos Kirchner:

Populismo, keynesianismo e a Argentina no buraco

Assim termina o populismo

O governo argentino manipulou o PIB e a inflação

A Argentina é inviável

A Argentina continua inviável. Qual realmente é o problema com o país?

O governo argentino manipulou o PIB e a inflação – e Cristina se dolarizou quando isso era proibido

As lições da Argentina: gradualismo e medo de reformas são fatais para uma economia

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400 comentários em “Cambalache – a história do colapso econômico da Argentina”

  1. Dalton C. Rocha

    Os argentinos nunca esquecem e, nunca aprendem. Explicando:
    1- Os argentinos nunca esquecem de colocarem em vigor medidas estatizantes, protecionistas, demagógicas e desastrosas.
    2- Os argentinos nunca aprendem que medidas estatizantes, protecionistas, demagógicas e desastrosas não devem serem colocadas em lei.

  2. Este poderia ser o segundo lema do IMB: O tamanho do estrago que um governo é capaz de fazer em uma economia é algo que jamais deve ser subestimado.

  3. Lamentava eu:
    “O brasileiro acredita no estado provedor.”
    Ao que meu amigo espanhol retrucou:
    “O brasileiro acredita no estado provedor, o argentino tem certeza disso.”

  4. Charles Hertz da Silva

    o que era pra ser o país mais rico da américa latina e um dos mais ricos do mundo, acabou se tornando mais um país desgraçado pelo próprio governo…

    e tem gente que é contra o anarco-capitalismo que iria agir pelo livre mercado e não por decreto estatal na economia…

  5. Hercules Padovani

    No BRASIL,a inflação real, paralela aos indices oficiais, está indexada ao salario minimo, que de 2003 a 2013 aumentou +- 210%, i.e., de R$200 para R$620. So para exemplificar, a coca-cola 2l na padaria era $1,90 e foi para R$6,40, e foi assim tb com centenas de produtos de auto consumo da nova classe media: arroz,feijao, gasolina, oleo, cigarro, cerveja, onibus, marmitex, cabelereiro, diarista, pao e outros. Desta forma, a inflacao real nos 10 anos de PT é 21% ao ano ou 1,75% ao mes. A bomba vai estourar quando o desemprego aumentar, a partir de 2016. Seria bom o ROQUE fazer uma analise mais profunda sobre este tema. Grato, abracos.

  6. ‘Salários e pensões do setor público são reduzidos em 13%. Funcionários públicos do alto escalão, que recebiam os maiores salários, passam a ser pagos apenas em notas promissórias. ‘

    Vai ser engraçado quando chegar a vez do brasil de fazer isso! A geração concurso público acha que está segura hahaha

  7. Que síntese fantastica Leandro!!! Imagino a trabalheira que um artigo desse deve ter te dado!! Completo e muito bem respaldado com dados e boa teoria austríaca. Esse é o tipo de artigo que eu considero uma bela forma de nos fazermos entender na academia.

    Com tantas evidências empíricas associadas a constatações teóricas fica dificil o mainstream não ficar com uma pulga atrás da orelha sobre suas teorias econômicas.

    Parabéns pelo esforço Leandro!! Esse artigo – pode ter certeza – circulará nos debates sobre desenvolvimento do Programa de Pós-graduação de Economia e Desenvolvimento aqui da UFSM no intuito de aprofundar a pesquisa sobre o tema e tentar alertar a academia sobre os malefícios do governo como instituição estabilizadora da economia(tarefa árdua essa eu confesso hehe).

    Saudações liberais

  8. “A culpa do colapso econômico da Argentina é das política neoliberais de Menem. O Menem privatizou toda a economia argentina, e olhem o que aconteceu. Depois veio o Kirchner com suas políticas estatizantes e salvou a Argentina da quebradeira. E na primeira década do século XX, a Argentina cresceu 8% ao ano, foi um dos países que mais cresceu na América Latina”.

    Agora, eu pergunto a vocês: quantas vezes vocês ouviram essa história? Cansei de ler isso. Aliás, ouví tantas vezes estas falácias (da mídia, do governo, dos esquerdistas) que cheguei a acreditar por um bom tempo nesta mentira. É a velha máxima de Goebells: “Uma mentira tantas vezes repetidas se torna verdade”. Então, vamos acabar com este mito. Divulguem este texto. Vamos acabar com as mentiras esquerdistas.

  9. Ops, errei ao digitar: é Goebbels.

    Só acrescento mas uma coisa. Na Argentina, o Perón é idolatrado, é a versao argentina do Getúlio Vargas. Todos o idolatram como o “pai dos pobres”. Se esquecem que a Argentina já esteve entre os sete países mais ricos do mundo no início do século XX. Até alguns anos atrás, a Argentina tinha o maior IDH da América Latina. Agora, olhem como está a Argentina hj. O que será que provoucou a estagnação econômica e o empobrecimento da Argentina? Será que isso não está ligado às políticas estatizantes do Perón e agora dos Kirchner?

  10. Leandro,

    Já que não apenas o governo, mas também os bancos tem a capacidade de criar dinheiro e como esta é a principal causa da inflação de preços, podemos dizer que o governo é o principal agente inflacionário, mas que ele não tem total controle do processo, correto?

    obrigado!

  11. Não há como duvidar de que a culpa, como sempre, é da ganância dos empresários! Não fossem os banqueiros mandando no país, a Argentina continuaria seu rumo de prosperidade! O que faltou na argentina foi um maior controle estatal sobre os bancos e maior regulamentação. O Banco Central precisa ser fortalecido, pois só assim o sistema financeiro se tornará sólido.

  12. Perdón, muchachos, pero el liberalismo es ignorancia.

    El tipo elige ayudar a las ONG y “caridad” que se ocupan de los más necesitados. No señor, para? ayudar a los más necesitados la única herramienta viable es el Estado y ustedes le quieren quitar ese rol con sus onanismos liberales del siglo XIX. El capitalismo solo destruyó las economias de los países de 3º mundo.

    Liberalismo es anti-industria y pro-britanico. Ignoram el deseo de los países de primero mundo por nuestra patagonia. Sin proteccíon del gobierno, toda nuestra industria va a ser eliminada por la globalización predatória.

    Sin embargo, el estado lo hace debido a que posee dentro de un territorio el monopolia de la violencia física legítima y el robo legitimo (impuestos) como medio de dominacion benefícica al pueblo. El gobierno tiene todo lo derecho sobre su território, así como uno que tiene una hospedaria lo hace, por eso, los impuestos son más que legítimos. El major problema en la Argentina actual es las minorias oprimidas y los liberalismos no pueden hacer nada por ellas.

    Vos eligisteis vender Argentina y Brazil a los gobiernos tiranicos de United Kingdom y los USA. Vos eligisteis ser como la capitalista España, una tragédia, que ha hecho el capitalismo por ella?

    Yo eligo ser libre y tener my pueblo feliz y satisfecho. Viva la Argentina socialista. Un viva al trabajador argentino! Viva Perón!

  13. @Rodrigo (e Leandro),

    O sistema de reservas fracionárias é perverso, mas discordo que não possa funcionar sem um emprestador de última instância (um Banco Central) que imprima dinheiro. Acoplado a um Currency Board e desregulamentado (ou seja, operando no livre mercado), o sistema bancário sofreria com os saques, e os bancos mais endividados quebrariam, levando a bancarrota seus clientes que acreditaram nos “investimentos” de tal banco.

    A questão é que o governo sempre se sente compelido a ajudar bancos moribundos. Se o governo não tivesse esse papel, o estrago é limitado e a economia se reorganiza com os bancos praticando reservas fracionárias menos lesivas.

    O problema é que a massa de clientes que perderam o dinheiro com o banco são eleitores que não votam no governo que “deixou” que isso acontecesse. O resultado é o que sabemos. Se, no entanto, no momento da crise que levou ao Currency Board o governo tivesse “restartado” a política bancária e deixado bem claro que deixaria bancos quebrarem caso não fossem conservadores, esses bancos teriam sido mais cuidadosos.

    O quanto isso é factível na democracia é uma questão em aberto (banqueiros sempre estão entre os principais financiadores de campanha, além dos governos recorrerem aos mesmos para financiar a máquina pública), mas eu acho (assim como quem pratica o achismo, adepto da achologia) que situações como o presidente fugindo de helicóptero da população seriam evitadas.

    Leandro, se não pelos motivos atrelados à democracia, por que um sistema de reservas fracionárias associado a um Currency Board e uma política bancária rígida de deixar quebrar não poderia funcionar?

  14. Faltou apenas um detalhamento de como ocorreu o descontrole do gasto público a partir da crise da Rússia. Acho importante esse detalhamento para colocar um zoom no governo e mostrar quais as coisas cotidianas em que o governo se intromete de modo a endividar e destruir a economia.
    O artigo está impecável, um link ou um apêndice para o detalhamento dos gastos públicos seria um bom complemento.
    Alguém,por favor, traduza para o espanhol e mande para Argentina.

    Parabéns Leandro.

  15. “a economia do México — cujo Banco Central adotava um sistema cambial heterodoxo, no qual a cotação do câmbio era diariamente manipulada — sofreu um ataque especulativo”.

    Como funciona um sistema cambial heterodoxo? É o que os Bancos Centrais fazem hoje na América e na Europa?

  16. Só uma dúvida Leandro. Em 2008, foi publicado aqui no Instituto Mises um texto do Lew Rockwell em que ele explica a crise argentina, em que ele diz:

    “Muitos outros estavam ansiosos para jogar a culpa da crise argentina no currency board (conselho da moeda), um sistema que elimina a capacidade do banco central criar dinheiro além de suas reservas internacionais. O problema é que a Argentina nunca teve um verdadeiro currency board, apesar de toda a propaganda. Em 1991, o governo meramente fixou uma moeda sobrevalorizada, o peso, ao dólar. Entrementes, de 1991 a 1994, o banco central explodiu a oferta de peso, fazendo com que a média anual de crescimento fosse de 60 por cento (em um momento chegando a 140 por cento!). Logo em seguida, ele pisou no freio com força.”

    A minha pergunta é: a Argentina adotou ou não um verdadeiro Currency Board?

  17. Leandro, sua capacidade de prender a atenção do leitor, mesmo ao abordar assuntos técnicos, é impressionante. Isso sem falar, é óbvio, na profundidade da abordagem – sinto que só com esse artigo acabei de aprender mais do que com vários livros que comprei quando comecei a me interessar por economia.

    Dito isso, sinto ter que lhe contar essa triste verdade, mas ao redigir artigos tão aprofundados e ao mesmo tempo didáticos você nada mais está fazendo do que contribuir para o colapso do setor produtivo da economia brasileira. Eu, por exemplo, deveria estar trabalhando agora, mas acabei de “perder” uma boa meia hora útil lendo e relendo seu texto, para não deixar escapar nenhum detalhe – e pretendo gastar mais algum tempo agora lendo os outros artigos do site a respeito da Argentina. Isso mesmo: o IMB é tão viciante que está me deixando com espírito de funça.

  18. Uma obra prima de artigo, Leandro. Superior até mesmo às suas melhores análises periódicas da economia brasileira. Enviá-lo-ia a Joseph Salerno(O austríaco mais dedicado à experiência argentina, aparentemente) para que o mesmo o utilizasse em suas lições aos governos de terceiro mundo.

    Como supramencionado pelo fidalgo Erick acima de mim, o artigo agarra brutalmente a atenção do leitor e, mesmo que esse perca o raciocínio em algumas passagens, o texto não deixa de fazer claro seu ponto principal em cada parágrafo: O quão destrutiva é a intervenção estatal e o quão restauradora pode ser sua ausência.

    Apesar disso, o artigo funciona como um livro de terror. Arranca-nos o fôlego em momentos de tensão, desperta sentimentos depressivos pelo rápido declínio que os seguem e nutre nossas esperanças de uma Argentina mais saudável em breves momentos de alívio; rapidamente, interrompendo-os com inesperados imprevistos e soluções desastrosas. A elaboração da narrativa é, em potencial, um retrato prosopopeico da própria experiência do povo argentino, concedendo ao leitor a angústia da época.

    Um de seus melhores – senão o melhor texto, Leandro. Está de parabéns. Porém, infelizmente, tal terrível história ainda tarda a ter fim. A recente experiência de congelamento de preços na Argentina e ataques autoritários de seus governantes herdeiros da linha peronista sinalizam para um século XXI de mais problemas que soluções.

    Paz.

  19. Parafraseando o insigne Lair Ribeiro, o sucesso não vem por acaso! Portanto, sem critérios bem definidos a chance de insucesso aumenta. A matéria, ricamente elaborada, deixou patente as consequências do imediatismo intrínseco na maioria dos países latinos, via de regra, populações buscam gestores populistas para aliviar seus anseios, e tais gestores são muito similares as “cargas rápidas” dadas em baterias automotivas, funcionam bem apenas no curtíssimo prazo.

  20. Os economistas são considerados “os profetas do passado”,ou seja,que sabem ler o que já aconteceu. Pode-se fazer uma previsão sôbre o que aconteceria com um ataque ao dólar ou euro? O déficit americano é trilionário, o euro encontra problemas na Europa. A China está fortemente se protegendo com ouro. Como ficaria um Currency Board com tôdas as moedas instáveis? Tem algum Nostradamus habilitado na Economia que possa prever isso?

  21. Minha familia perdeu a poupança no confisco da Ze’lia. Vejo que pode acontecer de novo no brasil, e com o apoio da imprensa. Hora de tomar medidas de segurança.

  22. Pesquisador paranóico

    Leandro levando-se em conta projetos secretos dos governos(Teoria da conspiração)eu posso desconfiar e supor que o fed juntamente com a cia podem estar fabricando essa crise global com o intuito de quebrar a europa visando fortalecer o dólar enquanto moeda de reserva internacional,o que você brilhantemente acha dessa hipótese.
    Ou seja enfraquecendo o euro, e fazendo os ajustes necessários na economia interna o dólar volta a ganhar credibilidade internacinal enquanto moeda de reserva e o euro moribundo e fracassado deixa de ser o concorrente de peso que vinha sendo,aguardo ansiosamente a resposta e a análise de um mestre qual você é.

  23. Estava PENSANDO nos motivos que levariam um país a se tornar RICO… e acredito que as nações que atenderem a maior parte (senão todas) estas condições provavelmente conseguirá este ”status” (o que será bom para sua população):

    1) Ter riquezas naturais em abundancia (grandes áreas agricultáveis, petróleo, minérios, água doce em abundancia, etc).

    2) Ter um ”capital” industrial e infra-estrutura (estradas, portos) BEM desenvolvido… ou seja , quem é ”industrializado” tem tudo para ”continuar” rico (muitas nações colonizadoras ”aproveitaram” essa fase para se tornar ricas em ”capital”.

    3) Ter um ”capital” ”cultural”… explico: uma nação que tenha indivíduos ”estudados” tem maior chance de ter mão de obra qualificada… essa mão de obra é mais eficiente e produtiva… alem dessa riqueza ”intelectual” , a ”memória” de ”como fazer” tambem é importante: é uma das razões que possibilitou a Alemanha arrasada no pós-guerra retomar sua industrialização e em ”poucos ” anos se reerguer.

    4) Ter ”saída” para o mar em seu território: isso facilita o escoamento da produção, além de possibilitar o surgimento de uma industria pesqueira marítima.

    5) Ter um ambiente ”institucional” favorável, com regras conhecidas por todos, poucas mudanças nas mesmas, respeito a propriedade privada, e legislação que favoreça o ambiente de negócios, alem de corrupção, inflação e dívida pública sob controle.

    Essencialmente, acredito que essas são as principais ”causas” de prosperidade de uma nação, se alguem se lembrar de mais algo, fique a vontade para acrescentar.

    ps- Japão, principalmente no ”motivo 1” e Suiça no ”motivo 4” são exemplos de países que conseguiram o status de ”países ricos” mesmo não tendo certas ”condições” naturais, condições naturais estas que o Brasil tem e NÃO APROVEITA.

  24. Leandro

    Primeiramente, devo dizer que este artigo está excelente. Acredito que até hoje nunca li nada que chegasse perto desta análise da crise econômica argentina (na verdade, creio que isso se aplique a qualquer artigo seu no IMB: as melhores aulas de economia que alguém poderia ter). Parabéns mesmo!

    Mas fiquei com uma dúvida. Em determinados momentos, o artigo diz que houve recessão em alguns anos na Argentina. No entanto, no último gráfico do artigo, que analisa o crescimento do PIB ao longo dos últimos 20 anos, não consegui encontrar esses períodos de recessão. A impressão que tive é que o crescimento foi contínuo durante todo o período. Eu entendi errado o gráfico? Ou isso se deve aos problemas intrínsecos ao conceito de PIB (que foram apontados em outros artigos aqui do site)?

  25. Bom artigo, prova sumária do dano causado pelo capitalismo ao projeto nacional argentino.
    Menem, influenciado pela síndrome neoliberal obsessiva de seu tempo, fora convencido a um projeto de venda das riquezas nacionais, indo totalmente contra ao que era defendido pelos intelectuais argentinos: Uma nacionalização absoluta de todo o setor privado e a criação de uma economia subsistente, independente e forte.

    Os problemas inflacionários da era pré-Menem, gerados graças aos interesses corporativos de empresários britânicos e americanos que almejavam depreciar ao máximo a moeda argentina para explorar seu governo através da dívida, deveriam ter sido solucionados através do puro abandono do uso da moeda e da adoção de uma economia baseada em recursos puramente.
    Menem é culpado pelas vendas das riquezas da nação Argentina, pelos maus tratos aos pobres(A redução da pobreza foi uma jogada estatística arquitetada pelo FMI para propagandear o sistema neoliberal argentino) e pela eventual crise de fome do governo De La Rúa.

    A Argentina é a prova do quão maléfica é a ausência da intervenção do governo no setor bancário. Ao adotar o neoliberalismo da Currency Board, o estado argentino simplesmente entregou sua economia à destruição. Não houve quem pudesse salvar as reservas fracionárias, os depósitos argentinos e nem o pobre e trabalhador povo de lá.

    Culpar os gastos estatais pela situação terrível no fim do Século XX é absurdo, mesmo que seja real. Desejar um mundo sem o gasto social do governo é uma brutalidade.
    O meio intelectual é o último reduto racional argentino, que luta contra o legado reacionário de Menem e guarda os pobres da América Latina.
    veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/vasto-mundo/%E2%80%9Cintelectuais%E2%80%9D-argentinos-queriam-calar-vargas-llosa-agora-premiam-o-tirano-chavez-por-%E2%80%9Cdefender%E2%80%9D-uma-liberdade-que-ele-vive-ameacando/

    “Aos argentinos fora oferecido o paraíso: Distante do dinheiro e da ganância capitalista. Ainda sim, lutaram por seu direito de viver no inferno.” – Horácio Gonzales.

  26. Prezado Leandro:

    Não consegui entender um pequeno ponto da sua explanação: como compatibilizar as virtudes do CURRENCY BOARD, instituido na Argentina, e as crises havidas em 1994 no México, 1997 na Ásia e 1998 na Rússia, referidas no artigo, e que acarretaram fuga de capitais. Entendi, acho que enganadamente, que a fuga de capitais “torpedeou” a atuação benéfica do CURRENCY BOARD e como a eclosão das crises independia de atuação da Argentina, poderia eu concluir a inevitabilidade do que sucedeu na Argentina, apesar do CURRENCY?

    Grato.

  27. Para os comunas mais supersticiosos (afinal, é-se latino ou cético, jamais os dois), lembrem-se: jamais escrevam o nome de M*nem, pois dá azar!!! Sim, é costume argentino isso. E lendo esse artigo fiquei ainda mais abismado com essa excentricidade.

    Falando sério agora, vale também verificar como a Argentina conseguiu a façanha de entrar com um PIB per capita SEIS VEZES maior que o do Brasil em 1980 e sair da década em 1989 com um PIB per capita menor! Tem de ser muito mágico. Sem dúvida, o país pacífico (em paz) ocidental mais decadente da história.

    en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_past_and_future_GDP_%28nominal%29_per_capita

  28. Pensador de esquerda

    Falando em governo e anarcocapitalismo, o Rodrigo Constantino de vocês deixou de ser anarco?

    “Tampouco estou afirmando que todos os anarco-capitalistas são iguais. Claro que não! A defesa de tal ideologia é legítima, e eu mesmo flertei com ela no passado, e ainda tenho alguma simpatia pelos seus ideais – apesar de compreender que se trata de um sonho com viés um tanto utópico.”

    rodrigoconstantino.blogspot.com.br/2010/08/brincadeira-de-crianca-ou-partido-de.html/

  29. Tiago Guimarães

    Parabéns pelo artigo, massa!
    Percebi pelos gráficos que houve uma recuperação da economia na década passada. A que se deve isso tendo em vista que não parece ter havido uma mudança de direção no sentido liberal?
    Abraços!

  30. “Vamos acabar com as mentiras esquerdistas.”

    Peguei esse comentário de algum amigo do tópico.

    Séria ótimo um grupo de pessoas começarem a gravar uns videos no youtube, com português claro, acessivel, cheio de gráficos explicativos de desenhos (para o povão mesmo) e irem desmontando uma por uma as mentiras esquerdistas. Seria interessante uma das apresentadoras ser uma panicat bem gostosa hahaha pra chamar a atenção mesmo!

    Imagina o efeito disso no longo prazo, se partirmos do princípio que esses videos ficarão on line ad eternum?

    Imagina esse impacto na mente de crianças e adolescentes?

    Quem mais aqui estudou revolução industrial com fotos de capitalistas com o formato de porcos devorando grandes porções de comidas e etc?

    Crowd funding? Quem sabe… Eu participaria…

  31. Leandro,

    Como sempre, artigo brilhante e fascinante, parabens!

    Uma duvida – o Panama opera tambem sob um sistema de currency board? Pelo que sei, o pais nao possui um banco central, e o balboa esta ancorada ao dolar, que tambem circula como moeda oficial.

    Grande abraco!

  32. Uma data crítica da crise argentina foi quando se alterou o lastro do currency board originalmente desenhado pela lei de convertibilidade. Até então o currency board deveria ter como ativos apenas títulos emitidos pelo tesouro americano. A partir de então, permitiu-se uma proporção (não me lembro exatamente, mas acho que 20%) de títulos emitidos pelo próprio tesouro argentino (e denominados em dólares). Não estou seguro de quando foi essa alteração, mas creio que no final de 1999 ou início de 2000.

    Ora, como o lastro da base monetária em austrais foi deturpado, o currency board já não mais poderia funcionar como um genuíno currency board, que exige lastro independente em um ativo de altíssima qualidade. Fazia sentido ao detentor de austrais que os transformasse em dólares, já que agora um austral não tinha mais uma identidade de valor teórica similar a um dólar. O currency board foi condenado ao fracasso por conta desta medida.

  33. Leandro, em um site traduzido do inglês para o português, um comentarista cita uma cifra astronômica de 1 quatrilhão e 400 bilhões de dólares em derivativos circulando pelo planeta (impagável), e também a impossibilidade das bôlsas de valôres tradicionais manterem-se seguras por muito tempo. As bôlsas são atrativas por prometerem,além de segurança,lucros aos acionistas. Se real, essas cifras de derivativos também não inflam artificialmente as ações tradicionais (em virtude de migração,em um dado momento, à procura de “solidez”)? Não obstante os mecanismos que tentam encontrar um preço de equilíbrio para o valor “real” de uma ação, o “excesso” de lucro é um fator inflacionário bomba-relógio,(a menos que êsse excesso seja investido em bens de raíz como imóveis,provocando bôlhas e futuros desequilibrios ou desarranjos também nesse segmento).O “excesso” roda o mundo à procura de taxas de juros atraentes,sempre acumulando mais “excessos”,e sempre reaplicando-os.Existe alguma possibilidade de um ataque em massa de “inflar/realizar lucros” acionários em grandes proporções? Existe algum estudo no site a respeito do quantum de derivativos existe rodando pelo planêta? Se falei bobagem a respeito,corrija. Gostaria de saber sua opinião. Grato.

  34. Caro Leandro,

    O artigo está mto bom, inclusive com detalhes históricos impressionantes. No entanto, não foi citado que os gastos do governo saíram do controle pq o governo federal não tinha controle sobre os gastos das províncias, os quais aumentaram descontroladamente. Houvesse uma centralização do orçamento, o aumento geral de gastos do governo poderia ter sido melhor administrado. O Brasil não tem esse problema. Os Eua tb não têm controle sobre gastos dos estados e municípios. Por outro lado, a descentralização é positiva, pois estimula a concorrência entre entes subnacionais; entrentanto, os gastos costumam sair do controle. Deveriam estados e municípios serem proibidos de emitir títulos de dívida?

  35. Estudante de economia

    Caro Leandro,

    A pergunta não tem ligação com o artigo, mas ficaria muito grato se você me respondesse:

    Como um banco central faz para baixar a taxa de juros real a um ponto negativo? Eu quero entender como ele faz isso em termos técnicos, usando o mecanismo de compra de títulos para emitir moeda e baixar a taxa.

  36. Muito bom texto. Ultimamente tenho tido curiosidade sobre a história econômica do Paraguai. Um amigo americano liberal (no sentido deles: esquerda) citou o Paraguai como exemplo de pais com baixa carga tributária e subdesenvolvido. Na hora não consegui argumentar com ele, pois de fato a carga tributária do Paraguai é apenas 10% do PIB. No entanto, este ano, fui a Foz do Iguaçu e constatei que a taxa de câmbio do Guarani (moeda paraguaia) é de mais 2.000 para cada real brasileiro. Será isso uma pista? Por lá, o governo apela mais pra inflação do que os impostos propriamente dito? Qual seria a causa do Paraguai ser um pais subdesenvolvido, já que em matéria de importação e exportação e carga tributária, o país parece muito liberal? Boa tarde a todos!

  37. A primeira coisa que o BC argentino deveria fazer agora é botar a taxa de juros acima da expectativa de inflação. Algo como 35% a.a. É o remédio necessario.

    Num mundo onde os dollares voam, a Argentina teve que ser muito irresponsável para não conseguir atrair dollares.

  38. Caro Leandro,

    Grato por explicação. Então a dívida representava coisa de 20% do total. No entanto, seria interessante ver a evolução. Se ela evolui rapidamente pode ter influído mais (por exemplo, de 5% para 20% do total). Fiz um trabalho sobre a crise Argentina em 2004, e citavam mto á época o descontrole dos gastos das províncias como fator principal da crise.

    Estiveram discutindo anteriormente sobre os fatores conducentes ao desenvolvimento. Há um mês elaborei uma tabela examinando os 20 países com mais liberdade econômica (16 deles estão entre os 30 mais desenvolvidos; outros 3 entre os mais desenvolvidos de seu subcontinentes. Apenas Bahrein ficou de fora. Segue análise e tabela.

    Elaborei essa tabela comparando liberdade econômica e IDH, e os resultados mostraram alta correlação entre as duas. Somente 4 dos 20 países mais livres não estão entre os 30 mais desenvolvidos. Entretanto, três dentre esses quatro estão entre os mais desenvolvidos em sua região/continente.

    Veja abaixo a alta correlação entre liberdade econômica e índice de desenvolvimento humano. Pronto, não há mais o que discutir, para desenvolver um país, basta liberdade econômica, de preferência, acompanhada de liberdade civil. Há alguns outliers (pontos fora da curva), como Chile, Maurícios, Letônia e Bahrain, mas os três primeiros estão entre os mais desenvolvidos (maior IDH) nos seus respectivos subcontinentes/continentes/região (AL/África/ex-URSS). No caso da Noruega e Islândia, que são pouco livres, mas desenvolvidos,há a questão do petróleo e pescado (pouca liberdade, mas com muitos recursos naturais per capita).

    Na última coluna, coloquei o ranking em liberdade econômica e em IDH, para que possamos ver o GAP de posição entre os dois.

    Esses dados acabariam com debates sobre desenvolvimento, em que citam, com frequência, educação, pesquisa e desenvolvimento etc como motores do desenvolvimento. O relevante é que haja liberdade, e tudo mais acontece. Veja que os EUA no século XIX foram o maior exemplo de sociedade livre da história e também o maior exemplo de prosperidade da história da humanidade. Não havia educação pública, mas 97% da população era constituída de alfabetos funcionais! Para mim, não há mais dúvida sobre o que é importante para um país desenvolver-se. Veja que a Suécia, apesar de ter uma carga tributária acima de 50% do PIB, é o 18º mais livre. Ou seja, o Estado é grande, mas a parte que é privada tem muita liberdade econômica. O mesmo para a Dinamarca.

    Na terceira coluna está a combinão entre ranking de liberdade e de IDH.

    Por fim, notem que o Brasil é o 100º mais livre e o 85º de maior IDH.

    Ranking de Liberdade Ec. Ranking IDH Liberdade – IDH

    1 Hong Kong 89.31 Norway 0.943 1 – 13

    2 Singapore 88.02 Australia 0.929 2 – 26

    3 Australia 82.63 Netherlands 0.910 3 – 2

    4 New Zealand 81.44 United States 0.910 4 – 5

    5 Switzerland 81.05 New Zealand 0.908 5 – 11

    6 Canada 79.46 Canada 0.908 6 – 6

    7 Chile 79.07 Ireland 0.908 7 – 44

    8 Mauritius 76.98 Liechtenstein 0.905 8 – 78

    9 Denmark 76.19 Germany 0.905 9 – 16

    10 United States 76.010 Sweden 0.904 10 – 4

    11 Ireland 75.711 Switzerland 0.903 11 – 7

    12 Bahrain 75.512 Japan 0.901 12 – 42

    13 Estonia 75.313 Hong Kong 0.898 13 – 34

    14 United Kingdom 74.814 Iceland 0.898 14 – 28

    15 Luxembourg 74.215 South Korea 0.897 15 – 25

    16 Finland 74.016 Denmark 0.895 16 -22

    17 The Netherlands 73.517 Israel 0.888 17 – 3

    18 Sweden 72.918 Belgium 0.886 18 – 10

    19 Germany 72.819 Austria 0.885 19 – 9

    20 Taiwan 72.720 France 0.884 20 – 24

    100 Brazil 0.718 100 – 85

    Sources: UNDP, November 2011 and Heritage Foundation, 2013 Index of Economic Freedom

  39. Jose Roberto Baschiera Junior

    A Argentina, em tese, continuaria bem se tivesse mantido o sistema da que funcionou até 1995 somado a uma espécie de “lei de responsabilidade fiscal” para todos os níveis de governo?

  40. Edmilson Fernandes

    Leandro, conheçi o site esta semana e estou maravilhado com a qualidade dos artigos, todos bem escritos e esclarecedores. Gostaria de ter um esclarecimento:

    Analisando a equação que relaciona estoque de divida no ano corrente, estoque de divida no ano anterior, pagamento de juros e gastos correntes e arrecadação,o que um governo pode fazer:

    -Para que a divida não cresça, isto é, para que o estoque de divida deste ano seja igual ao estoque de divida do ano anterior;

    -Para reduzir o estoque de dívida deste ano;

    -Para eliminar o estoque de divida deste ano, isto é, para pagar toda a dívida

    desde ja agradesço!

    abraço!

  41. Excelente artigo Leandro, muito bom!

    Este artigo foi parar a um blog português, para “mostrar” qual poderia ser o resultado duma saída do Euro.

    E a duvida que eu tenho é porque na zona Euro existe inflação numa altura em que deveria existir deflação, é só pelos arranjos do BCE é por outras coisas? Ou nesta altura é normal a inflação e eu é que estou a pensar mal?

    Sim para muitas pessoas a deflação é um bicho papão, mas com os acontecimentos actuais (Portugal), não deveria ser isso a acontecer?

    Cumprimentos e continuem com o excelente trabalho 🙂

  42. Leandro,

    você poderia mandar aquele link do BC que mostra a evolução dos agregados monetários que eu já vi vc postando algumas vezes? Procurei lá e não tive sucesso.
    Tem algum também sobre a dívida bruta?

    Valeu!

  43. Leandro, você respondeu em um comentário neste artigo dizendo que há uma prolongada deflação monetária na Irlanda. Por que exatamente isso é ruim?

  44. Leandro Rousselet

    Uma dúvida sobre o sistema de currency board: de acordo com o texto, num currency board o banco central é passivo na condução da política monetária e apenas troca a moeda nacional por dólares a uma taxa de câmbio fixa. Bom, o que acontece se as reservas internacionais mantidas pelo currency board estão na forma de títulos de um país estrangeiro (suponha Estados Unidos) os juros dos títulos em posse do currency boad disparam (suponha de 1 para 10%) e o valor das reservas se exaura? Nesse caso para manter o valor da base monetária o mesmo do valor das reservas internacionais o currency board teria ou que enxugar a base monetária (como ele poderia fazer isso?) ou desvalorizar o câmbio e destruir a reputação da moeda. Ou existe outra alternativa?
    .
    Obrigado desde já.

  45. Leandro, algumas perguntas:

    1) Quem fiscalizaria e faria auditoria do Currency Board?

    2) o governo brasileiro poderia, por exemplo, acabar com o BC e instituir um CB na proporção de 1:1, em relação ao dólar? Quais seriam as consequências prováveis?

    3) a instituição do CB certamente faria o país entrar em recessão hj? Afinal, o governo não teria como manter seus gastos…

    4) Pelo q entendi, uma solução provável para o Brasil seria, além do CB, o sistema bancário com 100% de reservas, o governo cortando gastos e diminuindo impostos, certo? De qualquer forma, haverá recessão no começo, algo totalmente impopular…

  46. Leandro Roque o governo norte-americano se endivida a baixa taxa de juros e prazo alongado comparativamente com o governo brasileiro que se endivida a uma alta taxa de juros e prazo encurtado,porque esta realidade nossa é assim tão dispare da realidade norte-americana. Por acaso é preconceito dos investidores internacionais e usura dos investidores nacionais ou incompetência de nossos governantes que não sabem negociar termos mais justos ou é uma mistura de tudo isto?

  47. Leandro,

    Lendo o razoavelmente interessante livro “Por que as nações fracassam”, deparei-me novamente (antes tinha sido na escola) com a seguinte explicação para os problemas argentinos:

    “Com a paridade, as importações cresceram muito e as exportações diminuíram, gerando grande endividamento externo, o que gerou a crise”.

    Evidentemente, seu artigo explica tudo com uma profundidade mil vezes maior, abordando inclusive esse ponto citado pelos autores do livro, mas fiquei com uma dúvida: num currency board com reservas fracionárias, as empresas podem se endividar fortemente para importar, destruindo as reservas e forçando o endividamente externo, o que eleva os gastos com juros da dívida.

    Teria sido isso que fez os gastos públicos e o endividamento argentino dispararem?

    Um currency board com reservas fracionárias pode funcionar?

    Abs.

  48. O que mais me surpreende na diferença histórica entre o congresso americano e o argentino/brasileiro é a preocupação do primeiro pelo equilíbrio orçamentário, enquanto nos segundos essa preocupação é totalmente ausente no passado e no presente. Para mim isso explica muito porque Brasil e Argentina sempre tiveram e terão moedas a longo prazo depreciadas frente ao dolar. Corrijam-me se eu estiver errado. Conservadores fiscais, como outros tipos de conservadores, são figuras inexistentes na política brasileira.

  49. Mohamed Attcka Todomundo

    leandro, no texto vc diz “O corralito implantado pelo governo com o intuito de conter a sangria ilustrada nos dois gráficos acima foi apenas mais um exemplo prático da teoria de que um sistema bancário de reservas fracionárias sem um emprestador de última instância é uma impossibilidade. ” –

    mas nos comentários, em algum lugar, lembro d vc ter dito q um Corrency Board, se ortodoxo, funciona s/ poder de fazer politica monetaria. sua politica é passiva e + nada.

    eh um calcanhar de aquiles isso da politica passiva? ou eh só o fato isolado das reservas fracionarias? ker dizer: se a politica só ñ for passiva quanto as reservas fracionarias (proibi-las), e for passiva em todo +, tudo bem?

  50. Fantástico artigo. Um dos melhores, mais elucidativos, técnico e bem-escritos textos que eu já tive o prazer de ler. Parabéns ao articulista, que revelou grande conhecimento sobre o assunto, fazendo-o parecer simples e de fácil compreensão. Assinei. Não vejo a hora de ler novos artigos. Grande abraço e um feliz 2014.

  51. Caramba! O pessoal lá vem se esforçando bravamente, hein?

    Argentina passa o Brasil e ocupa posto de maior carga tributária da AL

    O Brasil perdeu o incômodo título de maior carga tributária da América Latina – mas continua com números ruins, na segunda posição. Os maiores pagadores de impostos da região agora são os argentinos. A fatia de impostos na economia argentina fechou o ano em 37,3% do PIB (produção de bens e serviços). No Brasil, o indicador ficou em 36,3% do PIB.

    […]

    Em 2012, a carga tributária do país vizinho cresceu 2,6 pontos. Além de sofrer com uma das maiores inflações da América Latina, a Argentina também tem registrado forte aumento dos impostos e a carga tributária mais que dobrou nos últimos anos. Em 1990, o indicador estava em 16,1% do PIB e, desde então, subiu expressivos 21,2 pontos porcentuais, segundo a OCDE.

  52. Vendo esse artigo, concluo que o governo perdeu a oportunidade de fazer as reformas durante o período de popularidade. Houvesse proposto o corte de gastos públicos enquanto o povo estava festejando a diminuição da pobreza e da inflação, certamente teria conseguido. Foi deixar para tentar tomar essa atitude na crise e acabou não tendo força política para prosseguir.

    É uma lição importante: o fator político é fundamental. Não se pode adiar certas medidas. Não dá para esperar o momento de crise para peitar certos interesses, porque aí o governo não terá força.

    Também concluo que o neoliberalismo, enquanto uma mera receita de bolo descrita no Consenso de Washington, não chega aos pés do liberalismo clássico. Para mim é mais do que claro que faltou uma escola de pensamento econômico profunda e bem embasada para guiar os rumos da economia e política. Seguindo apenas fórmulas prontas e despidas de qualquer justificação científica e moral, a Argentina nunca se tornou um país de fato liberal, e sim um país intervencionista que tinha que tomar um “remédio amargo” contra a inflação. O povo continuou sendo estatista, e na hora apropriada impediu que as medidas corretas fossem adotadas. Não era um processo de conquista de liberdade econômica, e sim um incômodo que alguém tinham dito que ajudaria a economia a melhorar.

    Que fique a lição: o “front” mais importante é o cultural. Não adianta transplantar fórmulas prontas, se não fazemos com que a própria população repense seus valores.

    O pensamento estatista triunfou porque embora fizesse um mal até maior do que o neoliberalismo-gambiarra, já tinha conquistado a mente da população. Instintivamente, todos consideravam que a intervenção estatal era o certo a se fazer. Enquanto essa situação perdurar, não há política econômica liberal que sobreviva as crises, pois sempre será considerada um corpo estranho.

  53. Gostaria de esclarecer uma dúvida: por que uma crise no México ou na Rússia causa fuga de capitais da Argentina?

    Outra questão: diante do decrescimento da oferta monetária na argentina decorrente da fuga de capitais, qual seria então a medida mais sensata a ser tomada pelo governo? Permitir a recessão?

    Por último: porque a dolarização da economia (se bem entendi, adotar o dólar como moeda oficial) seria mais benéfica do que o que foi feito?

  54. Hahaha, realmente, vocês estão preparados para TUDO neste site. Maravilha!

    Não sei se cabe aqui, mas uma coisa que acho que deixa a desejar no IMB é a função de busca.

    Sou da área de TI, e, ao que me parece, o mecanismo de busca de vocês usa uma estratégia meio arcaica, baseada apenas no conteúdo do artigo e quiçá na categoria.

    O problema disso é que se eu quiser um artigo que fale sobre ‘PIB’, por exemplo, encontrarei CENTENAS de artigos, pois essa é uma palavra muito comum em economia. Se eu estiver procurando por um artigo específico, como aquele que aponta porque o PIB não é uma boa medida para apontar o progresso de um país, terei que percorrer aquela lista infindável de artigos e isso muitas vezes desestimula a maioria das pessoas.

    O resultado disso é que você, Leandro, e os demais membros da equipe são obrigados a responder perguntas que seriam respondidas com a mera leitura de outro artigo, o que gera um certo desperdício de tempo e energia. Afinal, apesar de vocês serem os autores/tradutores dos artigos aqui presentes e terem uma ideia do que já foi tratado, é humanamente impossível se lembrar de tudo, o que leva vocês mesmos a gastar tempo em buscas.

    Creio que o instituto tenha contratado profissionais da área para o desenvolvimento do site. Fica aí uma sugestão para evolução em uma eventual mudança.

    Em termos de custo benefício, creio que utilizar a busca personalizada do Google traria maiores ganhos, já que é gratuita e o esforço necessário é mínimo. O próprio Google gasta milhões para aprimorar seu mecanismo de busca. Ele é muito bom em fazer correlação de termos e trazer os melhores resultados sempre primeiro (me diga qual foi a última vez que você precisou ir até a segunda página do Google para encontrar o que procurava).

    Creio que assim o vasto conhecimento aqui existente ficaria mais acessível para pessoas como eu.

  55. Ótima reportagem no Jornal Nacional sobre a lamentável situação argentina. A inflação monetária está tão grande, a quantidade de dinheiro circulando aumentou tanto, que o maior investimento dos empresários do país está sendo a compra de máquinas de contar dinheiro.

    Deve ser isso que os desenvolvimentistas querem dizer com “estímulo monetário”.

    globotv.globo.com/rede-globo/jornal-nacional/t/edicoes/v/alta-inflacao-na-argentina-obriga-comerciantes-a-investir-em-maquinas-de-contar-dinheiro/3362077/

  56. Olá Leandro!

    Qual seria o cenário mais provável se essa crise fiscal do governo no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000 tivesse ocorrido em um ambiente formalmente dolarizado? haveria chances de ter fuga de depósitos bancários da Argentina?

  57. Leandro acabei de ver uma notícia e lembrei imediatamente de você:

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/02/1406202-crise-argentina-pode-se-agravar-com-hiperinflacao-diz-domingo-cavallo.shtml

    O trecho mais lamentável de todos:

    “Cavallo, que comandou a Fazenda durante dois períodos, de 1991 a 1995, e em 2001, quando renunciou ao cargo um dia antes de o presidente Fernando De La Rúa fazer o mesmo, foi o responsável por atrelar o peso ao dólar em 1992, durante o governo de Carlos Menem. Essa conversibilidade é vista por muitos analistas como um dos maiores erros da política econômica argentina e como a responsável pelos problemas atuais do país.”

    Como explicar essa mania doente de culpar o currency board pelas presepadas do governo? Parece que nem Freud consegue explicar…

  58. Leandro,
    apesar dos excelente pontos positivos mostrado pelo o Currency board, como controle da inflação

    O mesmo não se mostrou ineficaz em alguns pontos.

    – O governo perde o controle sobre as reservas fracionárias, permitindo um colapso do sistema bancário

    – E maior vulnerabilidade da economia em relação a eventos externos, como você mesmo citou no artigo, em cada ataque especulativo a economia argentina entrava em uma breve recessão

  59. Olá! Pelo que entendi da detalhada matéria foi que a crise argentina, iniciada em 1998, deveu-se primordialmente à conjunturas internacionais que geraram fuga de capitais do país, dentro desse sistema de CB. Assim, o início da quebra do sistema financeiro argentino não foi culpa direta do governo, ainda que a perpetuação dessa crise tenha vindo de uma ingerência posterior. Quais teriam sido, então, as medidas necessárias para que a Argentina se recuperasse dos golpes ao seu sistema financeiro-econômico, advindos de acontecimentos externos, a partir de 99?

  60. Leandro e leitores do IMB…

    Após despropositamente folhear meu velho livro de Macroeconomia (de Oliver Blanchard, quinta edição, pg. 412, no box "O conselho monetário da Argentina") – já que estou de férias da faculdade e como gosto de macro – encontrei algo que eu não tinha lido quando eu fiz a disciplina, mas que agora me saltou aos olhos:

    "A partir de 1999, contudo, o crescimento tornou-se negativo e a Argentina entrou em uma longa e profunda recessão. A recessão foi consequência do conselho monetário? Sim e não:
    – Durante a segunda metade da década de 1990, o dólar apreciou continuamente em relação às outras principais moedas do mundo. Como estava atrelado ao dólar, o peso também apreciou. No final da década de 1990, o peso estava nitidamente sobrevalorizado, levando a uma diminuição da demanda por bens da Argentina, uma queda no produto e um aumento do deficit comercial;
    – O conselho monetário tornou muito mais difícil combater a recessão. Taxas de juros menores e uma depreciação do peso teriam ajudado a economia a se recuperar; mas, sob o conselho monetário, essa não era uma opção."

    […]

    "Isso significa que o conselho monetário foi uma má ideia? Os economistas ainda discordam:
    – Alguns argumentam que a ideia foi boa, mas não foi longe o suficiente. A Argentina deveria simplesmente ter dolarizado, isto é, adotado o dólar como moeda e eliminado completamente o peso. Ao eliminar a moeda nacional, essa solução teria eliminado o risco de uma desvalorização. A lição, eles argumentam, é a de que mesmo um conselho monetário não proporciona um atrelamento suficientemente rígido para a taxa de câmbio. Somente a dolarização o faz.
    – Outros (na verdade, muitos) argumentam que o conselho monetário pode ter sido uma boa ideia no início, mas não poderia ser mantido por tanto tempo. Uma vez controlada a inflação, a Argentina deveria ter mudado de um conselho monetário para um regime de taxa de câmbio flexível. O problema é que a Argentina manteve a paridade fixa com o dólar por tempo demais, até o ponto em que o peso estava sobrevalorizado e uma crise cambial era inevitável."

  61. Leandro, qual seria o cenário esperado para a Argentina caso Ricardo López Murphy tivesse obtido apoio para se manter à frente do Ministério da Economia e aplicar o seu plano anunciado (pelo menos até 2003, ano das eleições)?

  62. Existe algum artigo sobre como a estabilidade econômica do Chile foi obtida? Como ele saiu da hiperinflação, sem trocar a moeda, nem atrelar sua moeda ao dólar?

  63. Olá Leandro, parabéns pelo ótimo trabalho no artigo!

    Descobri o site há alguns meses e venho acompanhando os ótimos textos quase que diariamente.

    Após ler seu artigo fiquei com uma dúvida, talvez tenha sido falta de atenção, mas não entendi o motivo do governo argentino não ter dolarizado a economia. Poderia esclarecer?

    Desde já agradeço!

  64. O artigo é espetacular, sobretudo sob os pontos históricos e econômicos. Teria uma pergunta. A impressão é que hoje no Brasil corremos o risco de uma hiperinflação em um futuro não muito distante. Na opinião do autor, hoje, qual seria o melhor indexador de referência para o valor do Real? Seria o Ouro, o Dólar? Em outras palavras, a que atrelar o valor do Real a fim de conhecer seu verdadeiro poder de compra e para também estudar as possibilidades sobre o futuro do Real. Isto porque devido a tanta intervenção tresloucada sobre a moeda brasileira, fica difícil saber quanto vale um real, de fato. Recuso-me a aceitar os índices de inflação publicados pelo governo. São facilmente manipuláveis.

  65. Leandro todos os países do leste europeu que usaram o currency board após o colapso soviético usaram o marco alemão como moeda âncora,ou algum usou o dólar?

  66. Leandro analisando todo o histórico econômico de Brasil e Argentina,qual deles teve a economia mais atormentada pelas insanidades do governo?

  67. Leandro, excelente artigo!

    Uma duvida: qual seria o passo a passo que o brasil teria que seguir para implementar o CB hoje? E quais os riscos envolvidos?

    Alem disso, algum pais do porte do brasil ja adotou CB com sucesso? O tamanho do país pode influenciar no sucesso do projeto? E o tamanho da economia a ser usada de ancora?

    Abraços
    Andre

  68. Desde o fascismo de Perón, socialistas moderados governam a Argentina. Vez ou outra, a lógica é quebrada por socialistas radicais, a exemplo do casalsinho amigo de Pablo Escobar. Eventualmente, a coisa desanda e alguém sério é eleito. Esse, passa a gerenciar a crise deixada pela esquerda ao invés de virar a mesa desde o primeiro dia. Resultado: viram a mesa dele.

  69. Muito boa a explicação, mostra claramente como um governo pode acabar com todo o trabalho de uma vida de uma pessoa. Espero realmente que não só a Argentina mude esse pensamento como também toda a AL.

  70. Leia os comentários do vídeo do Saqueo. Todos culpando o “neoliberalismo” de Fernando de la Rua, sendo que ele fez parte justamente do rompimento fiscal do governo. Eu sinto pelo povo argentino mas minha raiva me manda dizer que há gente que não merece ser salva. Os estatistas fazem o que querem por lá, o país se arruína e eles aparecem do nada quando um vento de esperança bate, dizendo que tudo que fizeram foi um sonho ruim ou culpa da oposição.

    A Argentina é um buraco negro de inteligência humana. Todo comentário crítico tem nível de propaganda eleitoral. Não serve nem como exemplo porque animal político não aprende. Lá, só não se despedaça a estupidez. Todo o senso comum morre antes de entrar na cabeça do povo.

    Há um artigo aqui no IMB que fala que a história mais importante é escrita no coração das pessoas. Será que o coração dos intelectuais apodrece?

  71. Rodrigo Pereira Herrmann

    Interessantíssimo seria uma análise da situação econômica da Rússia feita pelo Leandro Roque. Isso é muito pertinente pra se entender os acontecimento atuais e futuros no mundo, sobretudo os conflitos no oriente médio.

  72. Percebi um fenômeno interessante ao analisar um dos links do artigo.

    O indicador “Money market rate, pesos” sempre foi diferente do “Money market rate, dollars”. E o indicador “Lending rate, pesos” sempre foi diferente do “Lending rate, dollars”.

    Portanto, os juros do interbancário e do mercado de crédito eram sensivelmente diferentes para as duas moedas, mesmo sendo ambas invariavelmente iguais. Seria este um erro de mercado?

    Outro detalhe importante que percebi, foi que os argentinos, na época do Currency Board, podiam pedir empréstimos em bancos americanos para enviarem os dólares para a Argentina. Mas, obviamente, só fariam isso se os juros cobrados pelos bancos americanos fossem menores que os cobrados pelos bancos argentinos.

  73. Leandro,

    O ponto de inflexão da queda Argentina foi em 1995, com o governo intervindo no CB e somando-se à crise Mexicana?
    Não entendi esse ponto 100%, o que a Argentina deveria ter feito (ou não feito) para ter sobrevivido?

    Parabéns pelo artigo, sua escrita é muito viciante e boa de se ler. Já pensou em escrever um livro? Ou vários?

    Abraço galera!

  74. As fotos já dizem o que significa inflação.

    Inflação resulta em caos social. Inflação gera greves e paralizações. Inflação gera processos judiciais entre empresas e sindicatos. Inflação gera mais inflação com os acordos coletivos. Inflação prejudica investimentos de longo prazo, porque os juros não dificultam acesso ao crédito. Inflação destrói a caderneta de poupança.

    No dia primeiro de janeiro nós damos o primeiro salto inflacionário com reajuste do salário mínimo.

    Está mais do que na hora de fazer o currency board ou inundar o mercado com dólares das reservas internacionais. Queimar as reservas seria ruim, mas é melhor do que inflação e juros altos.

    A esquerda gosta mesmo é de caos social, gosta de sindicato enchendo o saco na porta de fábrica, gosta de greve de transporte que não permite que as pessoas trabalhem, gosta de black block na rua contra aumento de tarifa de ônibus, etc.

    Enfim, a única forma de expandir o crédito sem gerar inflação é com dolarização. O povo tem direito de escolher de quem quer comprar e para quem quer vender.

  75. Esse Macri parece que fará um bom governo. Começou propondo a saída da Venezuela do Mercosul, que nada mais é um blefe para que o Mercosul expulse a argentina. E o Paraguai está aí para provar que ser expulso do Mercosul é a melhor medida econômica que qualquer país pode adotar. O cara é o Kasparov da política.

  76. “No segundo semestre de 1997, ocorreu a crise asiática, um tsunami que gerou fuga de capitais ao redor do mundo e súbitas desvalorizações no baht tailandês, no novo dólar taiwanês, na rúpia indonésia, no ringgit malaio, no won sul-coreano, no peso filipino e no dólar cingapuriano. O dólar de Hong Kong, que opera sob um Currency Board, conseguiu manter sua taxa de câmbio intacta. A Argentina, nesta crise específica, sofreu pouco.“

    Leandro, nesse outro artigo vc http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2059 nao diz q o dolar de singapura tbm operava no currency board baseado principalmente no dolar? como pode esse sedesvalorizar entao na crise de 1997?

  77. Cambalacho Brasileiro

    No caso do Brasil, eu não sei como alguém pode acreditar em ajuste fiscal com alta de juros e desvalorização do real.

    A dívida pública já está em 2,65 trilhões. A Petrobrás deve 100 bilhões de dólares. A inflação já está nos 10%. Ou seja, eles estão fazendo tudo ao contrário.

    A melhor saída emergencial seria vender as reservas internacionais e reduzir o máximo possível a dívida pública. A venda das reservas poderia reduzir 1 trilhão da dívida do tesouro. Isso é uma coisa óbvia. Ninguém faz poupança tendo 2,64 trilhões de em dívidas. Qualquer diretor de finanças seria demitido imediatamente se fizesse poupança e ao mesmo tempo pagasse alto nos juros de outras dívidas.

    Essa injeção de dólares no Brasil iria reduzir a inflação e também reduzir os juros. Quando o dólar estiver barato novamente, eles podem refazer as reservas.

    O governo pagou uma merreca nesses dólares das reservas. Eles compraram as reservas pagando menos de 2 reais por dólar e teriam um lucro enorme com a venda. Até um estagiário de economia já teria lucrado com a venda das reservas.

    Os economistas do governo devem estar bebendo cachaça ou são bandidos.

    Eu não estou defendendo nada muito diferente do que foi a estabilização da moeda.

    Esse país está um cambalacho danado. Até na educação roubaram mais de 4 bilhões em licitações eletrônicas fraudulentas do ministério da educação.

  78. leandro,

    outro dia li um artigo falando sobre a crise grega, o artigo defendia a saida da grecia da zona do outro, adotando uma nova moeda mais desvalorizada, aumentando assim suas exportacoes e arrecadando dinheiro para pagar as contas.

    O artigo chega a comentar tbm sobre o caso da Islândia, que segundo o artigo, apos os problemas de 2008 tirou vantagem da desvalorizacao da krona islandesa. Alem da islandia o artigo fala sobre o canada ter melhorado suas contas apos a desvalorizacao de sua moeda nos anos 90.

    O que vc acha disso?

  79. Senhores, peço-lhes ajuda:
    ontem postei uma foto do Macri no meu facebook, com uma das obras de Mises. Um esquerdopata palhação veio comentar: “Mises é comédia!kkkkk”. Posso simplesmente mandar tomar naquele orifício anal, ou vocês me indicam alguma outra resposta para dar com mais classe e deixar o bobão falando sozinho?

  80. O Currency board não iria provocar um súbito aumento de importações,aumento da inflação devido ao aumento massivo do consumo, levando à recessão ? Não seria a mesma coisa que sobrevalorizar artificialmente uma moeda ? Imagina o BC fixando o Real/Dólar em 1:1 . O efeito não é o mesmo que no Currency Board ?
    Não consigo entender a diferença , em termos de efeito.São mecanismos diferentes , eu sei disso , mas levaria a efeitos parecidos.Ou não ?

    Eu não sei se foi aqui ou em alguma outra fonte, mas eu já li que não é qualquer País que consegue vincular a moeda nacional ao Dólar ou ao Euro sem entrar em colapso, pois o Dólar/Euro são moedas fortes e que seria loucura total vincular uma moeda fraca ( Real, Peso) com uma moeda forte.Inclusive eu tenho quase certeza ter lido um artigo (aqui mesmo) dizendo que âncora cambial é a pior cagada que um País pode fazer.
    Porém, agora vocês afirmam que essa vinculação é positiva e trouxe benefícios reais.

    Estou fazendo alguma confusão ?

    Att

  81. Os detratores do CB geralmente citam a Argentina para mostrar que o sistema é ruim. Além do mais, acham que o sistema é atrasado. Nesse artigo esquerdista, o autor diz que o consenso de Washington sugeriu a países atrasados a usar um CB. Isso é verdade? Se for, eles ao menos ofereceram uma ótima sugestão. Além do mais, esse artigo mostra o ambiente desumano que é o meio universitário acadêmico do Brasil. Aí só prevalece a ideologia. O artigo citado fala inúmeras bobagens, uma delas é que o corte de gastos do governo que o CB submeteria geraria desemprego. Outra prevalente na américa latina é de que prejudicaria as exportações e geraria desemprego. Entre os que o rejeitam, como o Gustavo Franco utiliza o argumento nacionalista imbecil, de que seria abrir mão da soberania monetária.
    Mas não seria mais fácil simplesmente adotar o uso do dólar e outras moedas estrangeiras ao invés de usar um CB? Além de não ter que acabar com o banco central e ter que mudar várias políticas monetárias, seria mais simples do que adotar um CB. Visto que o CB exige austeridade fiscal, algo que os latino americanos têm horror (o caso argentino ilustra isso bem), ele seria impraticável no Brasil, país de pessoas que têm a mentalidade sobre a economia mais atrasada do mundo.
    Por que os políticos têm horror a liberação de moedas estrangeiras? Caso isso ocorresse, haveria um abandono do real, inviabilizando o governo se se financiar via inflação e dívida pública? Por que os investidores poderiam abrir mão dos títulos do Brasil. Ou é por simples motivos ufanistas? Já que os latinos americanos cultivam tudo o que tem de pior e atrasado ao nacionalismo.
    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142002000100006

  82. Leandro, existiria algum link que mostre a evolução do balancete do BACEN argentino na época do câmbio fixo para ver como evoluíram os montantes de reservas cambiais e base monetária?

  83. g1.globo.com/jornal-da-globo/videos/t/edicoes/v/argentina-e-o-caso-unico-de-um-pais-muito-rico-que-se-tornou-pobre/3532577/

    Eu estava falando com meu amigo sobre a Argentina e o Brasil na semana que passou. Junto com Venezuela e Uruguai, foram os países mais escolhidos pelos europeus que vieram imigrar para a América do Sul.

    E por conta disso foram países extremamente ricos no passado, mas por causa do populismo e estatismo simplesmente estagnaram no tempo.

  84. BITCOIN acabaria com toda esta desgraça, e um dia vai por fim ao monopólio estatal e ebancário sobre o patrimônio individual, nao se precisa de uma moeda do estado, o estado nao pode e nao deve ter o poder so re moeda nenhuma. As pessoas acostumaram-se a "doar" seu patrimonio conquistadon omnsuor, ao banco e ao estado. É ridículo. Governo e banco sao as piores entidades a tomar conta de seu dinheiro, de seu patrimonio. Bitcoin é isso, criptografia, moeda nao inflacionaria, sem intermediario, de transaçao anonima e imediata independent de distancia, isso é o que uma moeda deve ser.

  85. Uma dúvida sobre o efeito tequilla na Argentina :”O crédito encareceu. O país entrou em recessão e o desemprego subiu”. Então não foi culpa do governo mas do ambiente internacional que precipitou toda essa queda da economia argentina.

    Afinal, como a recessão e o desemprego seriam contidos estando nesse currency board deles?

  86. O artigo só se preocupa com a política monetária. Para ser completo deveria mostrar as políticas estatizantes por completo.

    A moeda degringola toda a economia, mas uma economia toda regulamentada (como a argentina e brasileira) é condenada à eterna mediocridade.

  87. Que texto !! Mas só uma dúvida, Duhalde não tinha congelado a poupança de quem recebia até 5 mil pesos tbm? A cada ano uma pessoa não podia pegar de uma maneira parcelada os recursos de sua poupança? Li isso em dos artigos de vcs sobre a Argentina.

  88. Pois é, amigos. E no dia de hoje o presidente do BCB anuncia que vai buscar aprovar uma lei para permitir que brasileiros tenham contas em doláres aqui no país g1.globo.com/economia/noticia/2019/05/29/banco-central-estuda-medida-que-pode-permitir-conta-em-dolares-para-brasileiros.ghtml. Será que tal medida renderá bons frutos em terras tupiniquins? Bom só o tempo dizer-nos-á (ou um novo artigo do Leandro sobre rs). Estaria a terra brasilis caminhando para um novo cambalache?…

  89. Olá Leandro! Parabéns pela sua análise sobre essa crise argentina que parece ser interminável, foi muito esclarecedor. Aliás, tivemos uma sorte grande da nossa crise econômica não ter chegado aos níveis estratosféricos da Argentina. Gostaria de saber qual é a sua opinião sobre as discussões dos governos argentino e brasileiro de criarem uma moeda única entre os dois países? Na hora eu pensei: O Brasil está maluco!! Eu sei que isso não vai se concretizar na prática, não é nada viável, mas queria uma análise mais técnica sobre esse assunto.

  90. Lembro bem desse período de 2002. Havia até um programa de TV desse de perguntas e respostas a la Silvio Santos onde o vencedor ganha um emprego.

  91. Belíssimo artigo. Um questionamento surge. Qual seria a medida q deveria ter sido tomada quando iniciou a perda de liquidez fazendo com q os juros interbancarios subissem? Pelo artigo esse foi um dos primeiros motivos da reviravolta economica interna na Argentina e tal fato foi puxado pela fuga de capitais devido as crises mundiais sequenciais.

  92. A Argentina era como uma Arábia Saudita da época. Dependia das exportações do setor primário. Mas o que começou a aconteceu no mundo? Explosão na produção de alimentos (sem falar da crise) e os hermanos viram a sua fonte de receita indo para o brejo. O que deveria ser feito? Diversificar as atividade econômicas, principalmente no setor industrial e na educação (ambos se complementam)

    Qual é o futuro da Arábia Saudita ou dos Emirados ou do Quatar?

  93. “A partir do momento em que o governo não mais conseguiu manter seu orçamento equilibrado (a partir de 1995) e passou a aumentar sua dívida de forma contínua, gerando incertezas quanto à capacidade de financiamento e aumentando a propensão a um calote, a confiança no sistema começou a desaparecer. Não obstante, tudo poderia ter sido revertido caso o governo houvesse feito a dolarização da economia em 1999. Neste cenário, seria por definição impossível uma desvalorização e uma fuga de capitais.”

    Acredito de que a Argentina não precisaria dolarizar a economia, se o governo tivesse continuado a sua austeridade após 1995. Alguns países hoje ainda possuem bancos centrais atuando com câmbio fixo, como Qatar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

    O problema é que a Argentina, assim como vários países da América Latina, possui instabilidade política e institucional. O Equador hoje não está no buraco por causa de sua dolarização. Espero que o próximo presidente eleito lá mantenha isso à risca.

  94. Esquerda inteligente

    brasil.elpais.com/economia/2021-03-01/a-crise-perpetua-da-argentina.html

    Sem acesso aos mercados de crédito, Martín Guzmán precisou recorrer à pura fabricação de dinheiro. O Banco Central emitiu durante 2020 mais de 1,2 trilhão de pesos ?747 milhões de reais? (trouxeram máquinas de impressão do Brasil e da Espanha porque as duas fábricas argentinas de moeda já trabalhavam 24 horas por dia), com o risco de que a inflação se agravasse.

  95. E o Brasil está seguindo caminho parecido com o dos hermanos. Nossa moeda, que antes comprava um dólar, hoje vale alguns centavos da moeda americana, quase 6 reais para comprar um dólar. Paulo Guedes dá pulos de alegria com o dólar nas alturas.

  96. Como é que funciona um Currency Board? É câmbio fixo? Não seria isso uma espécie de “controle de preços”? Tem como ter livre mercado com Currency Board?

  97. Como a China hoje? Olha a economia como esta muito melhor que o resto, mesmo tendo uma onda intervencionista maior agora.

    Gostaria de saber, a midia tradicional não tem nada sobre isso

  98. Jairdeladomelhorqptras

    O Argentino Xavier Miley deu também uma explicação bastante filosófica para a destruição da Argentina: “Los surdos (esquerdistas) no tienem enfermidad na cabeça, son enfermos de la alma”. (A transcrição em espanhol deve conter erros. Perdão aos conhecedores do idioma).

  99. Como foi que o Brasil aguentou os anos 80-90 sem se tornar esse desastre da Argentina?

    Pelo que eu lembro a inflação no Brasil era comparável a argentina, mas não a ponto de jogar metade da população na pobreza extrema. Alguém me elucida?

  100. A Argentina acabou na década depois da Segunda Guerra Mundial com Perón… o país mais interessante da América do Sul convertido em um arranjo estatal ainda pior que o Brasil atualmente.

    Fato é que aqui no Sul dificilmente veremos um número expressivo dos “hermanos”, dado que ainda não podem cruzar suas fronteiras de carro e sobrou apenas o avião e imagino até a putaria (desculpem-me pela expressão) para comprovar vacinação e aqui pisar. Rio de Janeiro e quem sabe, Florianópolis, serão prestigiados, assim digamos…

  101. Hoje de manhã em frente a bolsa de valores de SP, colocaram uma escultural de uma vaca magra simbolizando a fome.

    Bem deveriam colocar em frente da casa do maléfico Paulo Guedes o destruidor da moeda brasileira Real!

  102. Para quem estiver com curiosidade, o Banco Central de Reserva del Perú soltou um relatório rico nesse início de dezembro. Tem até preço de commodities (incluindo o ouro).

    Na parte da taxa de câmbio nominal entre países latino-americanos, chama a atenção o comportamento do peso mexicano, que está muito bom para um governo de esquerda. Muito melhor do que o daqui. Vamos ver como ficará o Banxico no ano que vem.

    A brusca queda no M1 peruano em outubro de 2021 é que chama a atenção, ao mesmo tempo em que a base monetária subiu. Qual foi a mágica? As reservas internacionais ainda estão em bons níveis.

  103. “Campos Neto terá de explicar em carta a Guedes estouro da meta de inflação”

    Não sei vocês, mas estou muito curioso em saber como será feita essa nota pelo Roberto Campos Neto. Claro que o Guedes também teve participação na carestia. O Campos, apesar de seus defeitos, pelo menos não ficava falando que dólar caro era bom. O interessante é que no COPOM, eles dizem que a situação fiscal brasileira propicia prêmios mais altos (ou seja, juros), ao passo que o Paulo Guedes está prometendo um déficit primário de 1 % do PIB.

  104. Hoje o Fed anunciou um tapering mais forte, além de três aumentos de juros para 2022. Dólar deu alguma fortalecida.

    Qual gráfico deve se olhar para ver essas compras de títulos feitas pelo Fed?

  105. Leandro, você disse que o Gustavo Franco usou bastante o gogó para defender moeda forte. Teria essas falas dele? Seja de notícias, entrevistas ou afins?

    Em apanhado histórico recente no Brasil, essas foram coisas que encontrei:

    – 2006: Em entrevista, ainda na presidência do BCB, Henrique Meirelles disse que a moeda nacional é bem público e que a sua missão é resguardar o poder de compra do real.

    – 2016: Meirelles disse que um câmbio estável é melhor do que quando está volátil.

    Do Gustavo, achei esse artigo de época (pouco tempo depois de o real virar flutuante), respondendo aos defensores da desvalorização cambial.

    Encontrei também essa entrevista de Afonso Beviláqua, de julho de 2006. Chama a atenção a rigidez monetária dele, algo que quase nunca se viu no Brasil. Naquela sua palestra de 2014, você disse que ele era o “terror dos heterodoxos” e queria um IPCA de 2 %. Cheguei a procurar sobre, mas não achei nada a respeito dessa pretensão dele. Seria ele uma versão brasileira do Paul Volcker?

  106. Prezados,

    Excelente artigo. Contudo, ler isso DEPOIS da notícia da “PEC do Calote” me deixou com uma sensação sinistra para o Brasil, no curto prazo…

  107. Levando-se em conta que o governo argentino não conseguiu mais equilibrar o orçamento depois de 1995, o que seria de fato necessário para eles fazerem isso, de maneira forçada, fora por dolarização? O governo peruano conseguiu. Até o governo boliviano conseguiu alguma austeridade, sob o Morales.

    No Equador, dolarizado, como não há muito o que fazer, então o governo fica sujeito ao FMI. Aliás, nem deveria ficar dependendo de esmolas do FMI e sim tomar as decisões fiscais por conta própria, como ocorreu na Estônia (fizeram uma reforma tributária meio ruinzinha, porque eles reduziram de um lado mas aumentaram impostos de outro). Além da Estônia, ao que me consta, ex-repúblicas soviéticas como Cazaquistão estão se saindo muito bem. Não sei qual foi o milagre, mas o Cazaquistão hoje está entre as 38 economias mais livres do mundo. Enquanto isso, o Brasil se esforça para passar Angola…

  108. Falando em Argentina…

    “El Gobierno fue a buscar inversiones a Medio Oriente pero volvió con las manos vacías”

    O pessoal do Oriente Médio não é louco de emprestar dinheiro para caloteiro. Eles exigiram que o governo entrasse no Tratado de Protección de Inversiones para dar maior certeza jurídica sobre investimentos, mas como o governo quer receber dinheiro sem sacrifícios, então os árabes não aceitaram investir.

    “Argentina ratifica novo acordo de US$ 45 bilhões com FMI”

    O governo de Carlos Menem foi ótimo na parte econômica, mas ele deveria ter pensado em dolarizar direto a economia argentina (e fechar o banco central), porque pelo menos assim o governo não poderia incorrer em farras fiscais. Basta ver o que o governo grego teve que fazer nos últimos anos, em ter demitido dezenas de milhares de funcionários públicos, cortar benefícios e afins.

  109. Será que a argentina vai conseguir dolarizar a economia sem possuir dólares em reservas para converter toda a base monetária? Esse é o maior problema que eu vejo no plano do Millei

  110. Dolarizar nao depende das reservas. As reservas fucam no bc. Ja numa dolarizacao, permitiria se que a população usasee os dolarnas transações.
    Uma vez permitindo, é so o povo comprar dolares.
    Agora se estiverdes falandodecatrelar o peso ao dolar, depende mais do mancebo cortar gastos publicos, alias mesmo que se ele nao dolarizasse, pra salvara argentina, tem tamvem que cortar gastos publicos pra interromper a maquina de impressao de pesos.
    Toda patacoada argentina é emcima dessa impressão monetaria, que paga a perdularice do super estado centroburocratico argentino.
    Então o austuin powers tem que acabar com a parasitisse estatal e urgente. Senao ele vai perder o mojo dele rapidinho logo depois das eleições.

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