Voltar

Nem esquerda, nem direita

“Que
esquisito, você não é nem de esquerda nem de direita!”.  Essa observação, feita logo após um discurso
que proferi, mostrou uma rara perspicácia. 
Foi rara porque era extremamente raro ouvir alguém chegando a essa
conclusão por conta própria.  E foi
perspicaz porque foi acurada.

A
maioria das pessoas sempre parece estar à procura de termos simplistas e
simplificadores, de generalizações cômodas e convenientes, pois ajudam em seus
discursos e definições.  Estes termos
servem para substituir definições longas e tediosamente complexas.  No entanto, é essencial ter cuidado ao
escolher estes termos, pois é comum que tais simplificações gerem truques
semânticos e produzam um desserviço para aqueles que as utilizam.  Receio ser esse o caso dos termos “esquerda”
e “direita” quando utilizados por libertários que, como espero demonstrar, não
estão nem à esquerda e nem à direita no que concerne ao espectro ideológico
aceitável de nossa era.

“Esquerda”
e “direita” descrevem, cada uma, posições autoritárias.  A liberdade não possui relação horizontal com
o autoritarismo.  A relação do
libertarianismo com o autoritarismo é vertical; está muito acima dessa podridão
de homens escravizando indivíduos.  Mas
vamos começar do início.

Houve
uma época em que “esquerda” e “direita” eram denominações apropriadas e nada
imprecisas para diferenças ideológicas. 
Os primeiros esquerdistas foram um grupo de recém-eleitos representantes
para a Assembléia Nacional Constituinte da França, no início da Revolução
Francesa, em 1789.  Eles foram rotulados
“esquerdistas” simplesmente porque, por acaso, estavam sentados do lado
esquerdo da câmara legislativa francesa.

“Os legisladores que estavam assentados do lato direito
eram chamados de Partido da Direita, ou Direitistas.  Os Direitistas ou ‘reacionários’ defendiam um
governo nacional altamente centralizado, leis especiais e privilégios para
sindicatos e vários outros grupos e classes, monopólios estatais sobre os
setores estratégicos e básicos para a vida, e uma continuação dos controles
governamentais sobre preços, produção e distribuição.” — Dean Russell, The First Leftist [Irvington-on-Hudson,
N.Y.: Foundation for Economic Education, 1951], p. 3.

Os
esquerdistas da época eram, para todos os propósitos práticos, ideologicamente
similares àqueles que hoje podem ser chamados de “libertários”.  Já os direitistas representavam o oposto
ideológico: estatistas, intervencionistas — em suma, autoritários.  “Esquerda” e “direita” na França, durante o período
1789-90, eram termos que apresentavam, ao mesmo tempo, uma conveniência semântica
e um alto grau de acurácia.

Mas
aí vieram os autoritários Jacobinos, e o termo “esquerdista” foi rapidamente
expropriado por eles, passando a ter um significado oposto.  “Esquerdista” passou a ser sinônimo de
igualitarista, sendo depois associado às vertentes do socialismo marxista:
comunismo, socialismo, fabianismo.  O que
ocorreu, então, com o termo “direitista”? 
Onde ele caberia agora, após essa reviravolta semântica do termo
“esquerdista”?  Os camaradas de Moscou se
encarregaram dessa tarefa, e em proveito próprio: qualquer coisa que não fosse
comunista ou socialista foi decretada e propagandeada como “fascista”.  Logo, qualquer ideologia que não coubesse
integralmente dentro do rótulo comunista (esquerda) passou a ser popularmente
denominada de fascista (direita).

Eis
a definição de fascismo segundo o dicionário Webster: “Qualquer programa
visando à criação de um regime nacional centralizado e autocrático, com políticas
severamente nacionalistas e que exerça um intenso programa de arregimentação da
indústria, do comércio e das finanças, com rígida censura e enérgica supressão
da oposição”.

Qual
é, na prática, a diferença entre comunismo e fascismo?  Ambos são formas claras de estatismo e
autoritarismo.  A única diferença entre o
comunismo de Stalin e o fascismo de Mussolini é um insignificante detalhe na
estrutura organizacional.  Mas um é
“esquerda” e o outro é “direita”!  Sendo
assim, onde tudo isso deixa o libertário em um mundo em que os termos foram
definidos por Moscou?  O libertário é, na
realidade, o oposto do comunista.  No
entanto, se o libertário empregar os termos “esquerda” e “direita”, ele estará
caindo na armadilha semântica de se tornar um “direitista” (fascista) pelo
simples fato de não ser um “esquerdista” (comunista).  Isso seria um suicídio semântico para os
libertários, um invento artificioso que excluiria automaticamente sua
existência.  Ao passo que comunistas e
socialistas continuarão utilizando essa definição, há vários motivos para os
libertários evitá-la.

Um
enorme problema que surgirá caso o libertário opte por utilizar a terminologia
esquerda-direita é a grande tentação que tal postura cria para se aplicar a doutrina do
meio-termo
.  Durante aproximadamente
vinte séculos, o homem ocidental aceitou a teoria aristotélica de que a posição
sensata é aquela entre quaisquer dois extremos, que hoje é conhecida
politicamente como a posição moderada, conciliatória, a terceira-via, ou
simplesmente o centro.  Se os libertários
utilizarem os termos “esquerda” e “direita”, eles estarão se anunciando como
sendo de extrema direita pela simples virtude de estarem extremamente distantes
em suas crenças do comunismo.  Mas
“direita” é um termo que passou a ser exitosamente identificado com o
fascismo.  Portanto, cada vez mais
pessoas são levadas a crer que a posição sensata seria em algum lugar entre o
comunismo e o fascismo, uma vez que ambos significam autoritarismo.


que a doutrina do meio-termo não pode ser aplicada indiscriminadamente.  Por exemplo, ela é sensata o bastante quando
se está decidindo entre, de um lado, o jejum total e, do outro, a gulodice.  Mas ela é evidentemente insensata quando se
quer decidir entre não roubar nada ou roubar $1.000.  O meio-termo recomendaria roubar $500.  Logo, o meio-termo não é mais sensato ou
racional quando aplicado para comunismo e fascismo (dois rótulos para o mesmo autoritarismo)
do que quando aplicado para dois tipos de roubo.  O libertário não pode querer nada com
“esquerda” ou “direita” simplesmente porque ele desdenha qualquer forma de
autoritarismo — o uso do aparato estatal para tolher e controlar a
criatividade e o empreendedorismo do indivíduo. 

Para
ele, comunismo, fascismo, nazismo, fabianismo, assistencialismo — todos formas de igualitarismo — cabem na descrição definitiva que Platão, talvez cinicamente,
nos forneceu séculos antes de qualquer um desses sistemas coercivos terem se
desenvolvido:

O maior de todos os
princípios é o de que ninguém, homem ou mulher, deve prescindir de um líder.
Nem deverá a mente de um indivíduo habituar-se a deixá-lo fazer qualquer coisa nem
por iniciativa própria, nem por zelo, nem mesmo por prazer. Tanto na guerra
quanto na paz, a seu líder ele deve direcionar seus olhos e segui-lo fielmente.
 E mesmo nos assuntos mais ínfimos ele
deve se sujeitar a alguma liderança. Por exemplo, ele deve se levantar, se mover,
se lavar ou se alimentar . . . somente se tiver recebido ordens para tal . . .
Em suma, ele deverá ensinar sua alma, por meio do hábito e da prática reiterada,
a nunca sonhar agir de forma independente. 
Com efeito, deve ensiná-la a se tornar totalmente incapaz disso.

Pairando sobre a degradação

Os
libertários rejeitam esse princípio e, ao fazê-lo, não se colocam nem à direita
e nem à esquerda dos autoritários.  Eles,
assim como os espíritos humanos que libertariam, ascendem — estão acima —
sobre esta degradação. Sua posição no espectro ideológico, se fossemos usar analogias
direcionais, seria acima — como um vapor que se separa do esterco e sobe a uma
atmosfera saudável.  Se a idéia de
extremismo for aplicada a um libertário, que seja baseada em quão extrema é a
sua oposição às crenças e tentações autoritárias.

Estabeleça
este conceito de emersão, de libertação — o qual é o próprio significado do
libertarianismo –, e o significado da doutrina do meio-termo passará a ser
inaplicável, pois não é possível haver uma posição de meio caminho entre o zero
e o infinito.  E é absurdo sugerir que possa
haver.

Qual
termo simples os libertários deveriam aplicar para se distinguirem das
variedades de “esquerdistas” e “direitistas”?  Não consegui inventar nenhum, mas até que eu
consiga, contento-me em dizer que “sou libertário”, e estou disposto a explicar
a definição do termo a qualquer pessoa que procure significados em vez de
rótulos.

Leia também:

O que realmente é o fascismo?


Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

144 comentários em “Nem esquerda, nem direita”

  1. Típico Filósofo Contemporâneo

    Não há problema desde que o tal líder tenha uma essência metafísica de um filósofo; (Platão)
    Também não há problema quando ele está agindo com teses “científicas”;
    (Positivismo/Socialismo científico/Etc)
    Também não há problema se o líder for um super computador.
    (Project Venus)

    Enfim, jamais haverá problemas se nós sacrificarmos os direitos individuais em prol daquilo que chamamos de bem comum. O indivíduo? É moldável, com certeza! Ela é só um alienado, incapaz de pensar e agir por contra própria; manipulado pela indústria cultural!

    É claro que sabemos melhor o que fazer com a vida dele do que ele mesmo! Enquanto a populaça escuta Luan Santana, nós escutamos alguma banda de rock alternativo de pouco sucesso que culpa todo o povo por não gostar de seus produtos. É claro que o povo é que deve gostar do que os artistas fazem e não o artista que deve produzir algo que o povo goste ou ao menos que uma parcela da população aprecie.

    Essa gentinha é toda igual. Basta as classes superiores começarem a colocar implantes e que todas as mulheres do proletariado querem também. É claro que implantes nunca foram o sonho feminino e que grande parte das mulheres não é satisfeita com o próprio corpo, elas apenas os querem porque a burguesia faz!

    Vocês são inocentes por querer dar liberdade à essa gentinha. Eles são todos iguais, seres irracionais que precisam de um filósofo(Aquele dotado das grandes virtudes, como a capacidade de enxergar o bem comum) para guiá-los ao bem comum.

    O dia em que nós, os filósofos, formos capazes de livrar o povo daquilo que eles apreciam(Que pensam que apreciam, porque são todos manipulados pela mídia burguesa!) e convencê-los a servirem ao bem comum(Que, é claro, apenas os filósofos podem ver), será o mais salto da humanidade.

  2. O jornalista Guga Chacra uma vez comentou que se o Gary Jhonson participasse dos debates, o Romney ia parecer um esquerdista nas questões econômicas e Obama um direitista nas questões sociais. Acho que é uma ótima definição do posicionamento dos libertários no espectro político.

  3. Alguém tem aquele vídeo “O Menor QUIZ político do Mundo/World’s Smallest Political Quiz”? É um video bem-humorado sobre libertarianismo, que perguntava se as pessoas eram a favor de se conseguir as coisas por meio da ameaça.. Tinha uma parte que tinha até um bebê rindo, enfim, era bem interessante, mas não tô mais conseguindo encontrar. :/

    Alguém teria?

  4. Nem esquerda, nem direita? E quem vai barrar o projeto marxista? A esquerda está moldando o Brasil há décadas, atribuindo várias bizarrices aqui mesmo. É preciso combater isso, só é possível combater o projeto esquerdista aumentando o número de conservadores e libertários no Congresso. Por eequanto, apenas o Bolsonaro (e alguns outros) denunciam o porjeto esquerdista e o politicamente correto. É preciso ter mais conservadores (e libertários também) para barrar a agenda esquerdista.

  5. Discuti exatamente isso ontem. Um amigo meu me definiu como direitista, na hora disse que eu não era nem de esquerda nem da direita que eu era libertário.
    Como muito bem dito no artigo, ambos as posições são autoritárias em seu extremo e isso definitivamente não é algo que um libertário aceitaria. E como muito bem dito novamente não poderia me colocar no meio termo, porque o meio termo não funciona em muitos casos.

    Achei até engraçado este artigo logo depois de uma discussão dessas. Mais interessante ainda como segui exatamente a mesma linha de raciocínio do artigo, claro que não usando dos fatos históricos que são interessantíssimos.

  6. Penso que ser libertário é ser de direita. Esse negócio de identificar direita com fascismo foi obra dos comunistas da época do Stalin. Tanto o fascismo quanto as várias formas de socialismo são de esquerda. O comunismo e o socialismo são a esquerda internacionalista e o fascismo e o nazismo são a esquerda nacionalista. Todos são regimes totalitários que odeiam as liberdades individuais e o livre mercado. Já a verdadeira direita se divide em conservadora e libertária. O ponto comum entre as duas vertentes é a forte defesa da economia de livre mercado. As diferenças estão no campo cultural e moral. Acho uma grande besteira libertários ficar brigando com conservadores. Nossos verdadeiros inimigos são os comunistas, socialistas e fascistas. É esse pessoal que tem de ser combatido de todas as formas.

  7. Historicamente, antes do avanço da agenda socialista/comunista, os libertários eram a esquerda. Os libertários passaram a ser denominados direita pq se posicionaram contra os vermelhos, juntamente com coletivistas de direita… Mas historicamente os libertários foram muito mais tempo de esquerda…. não sou eu que estou dizendo, mas o Rothbard… em “esquerda e direita – perspectivas para a liberdade”.

  8. Pela luz da história, todos aqueles que defenderam o individualismo sempre foi a “esquerda”. E isso inclui até Edmund Burke, o “pai do conservadorismo moderno”, já que ele era um whig, um liberal clássico. Por isso, se houvesse uma rotulação para o liberalismo dentro da época pré-Revolução Gloriosa, o partido Whig seria a esquerda e o Tory a direita.

    Já na época pré-Revolução Francesa os individualistas eram os opositores dos Contra-revolucionários franceses, logo, esquerda. O único ponto que o autor do artigo não comentou foi que dentro do espectro francês da época, a esquerda era composta não apenas por liberais clássicos mas também por jacobinos.

    O problema mesmo veio quando chegaram os marxistas de Moscou e colocaram todos aqueles que não compartilhavam de suas crenças como “direitista”. Mas isso é falso porque o liberalismo clássico nunca foi a favor do status quo, tampouco de regimes a favor dos governos, como o estatismo, intervencionismo. Liberalismo é e sempre foi a oposição dos grandes burocratas, coerção, privilégios e tudo mais. Quer dizer, toda essa bagunça reinante é claramente inconsistente pra dizer que “isso é direita” ou “esquerda”. Na verdade estas expressão quase nada diz e deve sempre ser descartada. Até porque tais rótulos variam de país pra país. Por isso, em minha opinião, libertário deve ser visto como o que é, libertário. Assim fica longe de generalizações, sem tender a cair em erros.

  9. LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA

    “Sua posição no espectro ideológico, se fossemos usar analogias direcionais, seria acima — como um vapor que se separa do esterco e sobe a uma atmosfera saudável” Infeliz analogia. Analogias devem ser usadas com cuidado. Se o autor quis ser prosaico ou espirituoso, se saiu mal nesta frase, porque o vapor que se separa do esterco nada mais é que flatulência, gás metano, em suma… um pum. Com isso, está dizendo que a posição do libertário no espectro ideológico equivale a um pum.

  10. O texto tem o mérito de chamar a atenção em relação a escapar de uma definição moldada pelos esquerdistas (só existem eles, os bonzinhos, e os reacionários de direita, ou seja, todo o resto) No entanto, escorrega feio a tentar colocar o libertarianismo “acima” de tudo. Isso me parece extremamente arrogante. Considere superior ou não, o fato é que os libertários, assim como os conservadores, centristas ou o que quer que não seja considerado esquerdista estão sendo engolidos pelos planos de poder de socialistas, comunistas, fabianos e etc… É fato que o mundo caminha cada vez mais para o intervencionismo, não apenas na economia, mas também em qualquer aspecto da vida das pessoas.

    A tal “direita” não necessariamente precisa ser um xingamento de esquerdistas. Se o é a culpa é dos grupos que poderiam assumir esse espectro político e revesti-lo de um significado relevante. Somente agora alguns estão fazendo isso.

    Fascismo é uma ideologia esquerdista. Isso é óbvio, daí suas semelhanças com o comunismo. São irmãs. Não tem nada a ver ao que se concebe por direita, a não ser que você se venda ao discurso da esquerda, o que é um tiro no pé.

    Enfim, quando alguém me diz que sua ideologia é “superior” e todos os outras ideias são completamente radicais e imprestáveis isso sim me soa a radicalismo… daquele tipo que os esquerdistas adoram

  11. “Quer dizer, então, que, se eu estiver na casa alheia, sou obrigado a aceitar ofensas pessoais? É isso que o liberalismo defende?”

    Caso tenha o mínimo de dignidade, você nem entra mais nesta casa. Pq vai entrar numa casa onde não será bem recebido? Vc gosta de ser mal tratado? É masoquista? O libertarianismo defende o direito de você não entrar mais naquela casa e caso ele vá à sua casa, o direito de ofendê-lo e até expulsá-lo de sua casa também.

    Quanto ao Fórum do Búfalo, como eu disse outro dia, eles seguem a doutrina de um homem chamado Nessahan Alita. Para compreender a filosofia deles, é preciso ler Nessahan Alita.

    Sobre a prostituição, até o que eu lí, eles não defendem a prostituição, eles são contra a criminalização da prostituição. Eles apenas dizem que a prostituição é uma das profissões mais antigas do mundo, e que é apenas um meio para aqueles homens que não possuem muita habilidade social para aliviarem suas tenções hormonais. Só isso.

  12. Péssimo artigo! A análise dele foi horrível da situação na França e confundiu tudo! Os de direita na França eram conservadores, pois o pensamento corrente na época era de total centralização de poder! O povo pensava dessa forma e não adiantaria tentar mudar isso da noite para o dia, como tentou-se na revolução francesa e o resultado foi um massacre geral.

    Direitista não tem nada a ver com fascista, que erro crasso!

  13. Oziel diz que o artigo está errado porque “Os de direita na França eram conservadores, pois o pensamento corrente na época era de total centralização de poder!”

    Já o artigo diz que “Os legisladores que estavam assentados do lato direito eram chamados de Partido da Direita, ou Direitistas.  Os Direitistas ou ‘reacionários’ defendiam um governo nacional altamente centralizado, leis especiais e privilégios para sindicatos e vários outros grupos e classes, monopólios estatais sobre os setores estratégicos e básicos para a vida, e uma continuação dos controles governamentais sobre preços, produção e distribuição. […] os direitistas [eram] estatistas, intervencionistas — em suma, autoritários.

    Ou seja: o artigo diz exatamente tudo aquilo que o senhor Oziel disse que ele teria de dizer.

    Eu tenho muita pena do sujeito cujo ofício é escrever para brasileiros. Ele está lidando com o impossível: tentar fazer com que pessoas que não possuem a mais básica capacidade de interpretação literária consigam captar o real sentido de palavras amontoadas em frases. Trabalho ingrato e extenuante.

  14. Os direitistas eram reformistas, ao contrário dos esquerdistas, que eram revolucionários. O artigo fala como se a seqüência dos atos dos esquerdistas fosse algo totalmente contrário ao que eles pretendiam inicialmente. Como se eles tivessem sido corretos a princípio, e depois se pervertido. Na verdade, apenas rasgaram as fantasias, que mal cobriam sua real natureza.\r
    \r
    Quanto aos direitistas, tivesse, eles vencido, o país teria rumado para um regime de monarquia parlamentarista, que é o adotado por países vários países atualmente, geralmente mais bem sucedidos que a média. Conclusão: Os direitistas estavam certos desde o início, ou pelo menos estavam mais certos que os esquerdistas.

  15. Boa tarde Leandro! “A única diferença entre o comunismo de Stalin e o fascismo de Mussolini é um insignificante detalhe na estrutura organizacional.”
    O que seria isto?
    abs

  16. “Só que a doutrina do meio-termo não pode ser aplicada indiscriminadamente.”

    Até mesmo nisso a doutrina do meio termo é perfeita..

    De gênio para genial.

    Att

  17. Ó Zeus, porque será somente eu que vejo com tamanha transparência que reduzir o mundo entre esquerda e direita é ignorar o fato de que os homens são esquizos. São loucos e mudam conforme o vento.

    Muitas pessoas que se auto declaram esquerdistas são, em suas ações diárias, sujeitos que se enquadrariam naquilo que elas mesmas tipologiam como “direita”. Ou seja, não há quem consiga ser o tempo todo de “esquerda” e nem os que são “direita” o tempo todo. O vívido não é pensável ele é vívido e não tem tempo de se encaixar em esqueminhas simplórios.

  18. A melhor solução para definição de posicionamento político é o Diagrama de Nolan. Pesquisem sobre isso e façam o teste pela internet. São 5 as posições políticas: Centro, Esquerda, Direita, Estatista e Libertária. O teste possui 10 questões, 5 sobre questões civis e 5 sobre questões econômicas. Os percentuais referentes irão classificá-los de acordo.

  19. Emerson Luis, um Psicologo

    Os esquerdistas são “progressistas” porque querem gerar o progresso e a igualdade na sociedade através da engenharia social, do assistencialismo, do planejamento central, querem mudanças imediatas e totais. São necessariamente intervencionistas.

    Os direitistas são “conservadores” porque querem preservar valores e práticas consagradas pelo tempo, querem mudanças graduais e parciais porque discordam que seja possível criar um “novo ser humano” através da engenharia social. NÃO são necessariamente intervencionistas.

    A diferença entre um direitista moderado e um extremista é de espécie; a diferença entre um esquerdista moderado e um extremista é de grau – ambos querem intervir na liberdade dos outros.

    O liberalismo produz progresso sem intervencionismo.

    É possível ser liberal e conservador, desde que primeiro se seja liberal.

    * * *

  20. Muito fraco este articulista. Começa errando no momento em que associa fascismo ao “direitismo”. É mais um ponta-de-lança revolucionário.

  21. Triste isso… Escravidão voluntária pelo hábito e a prática reiterada que nos são impostas, depois nos dão nomes como cidadão, contribuinte, porque escravo pega mal.

  22. É bom que haja um artigo desse gênero. O liberalismo econômico está sendo absorvida pela “direita”, porém não há nada em comum com o conservador. O libertário olha pra frente, enquanto aquele se prende ao passado.

    Pessoalmente, utilizo a definição original, pela sua clareza, apesar dela ser polêmica. A direita é a manutenção do status quo, e a esquerda promove a liberdade do indivíduo. Ou seja, me considero de esquerda.

    Essa definição é muito polêmica, pois incorre que todos os regimes totalitários seriam de direita, tais quais o governo norte-coreano.

    O termo esquerda foi corrompido e absorvido por conservadores como socialistas.

  23. Bom artigo. Comentei em um artigo recente sobre “rótulos políticos” também que a rotulação é coletivista, enquanto nós, individualistas. É de fato, um contra-senso. Porém, em algumas situações os rótulos são eficazes.

    Talvez, o ideal seria atribuir termos mais objetivos, como “coletivista” ao invés de “ser de esquerda”.

  24. Estou quase parando de acompanhar o Mises. Textos que agregam pouco e pessoas que ofendem a todos nos comentários… Poderíamos contribuir muito mais se nos uníssemos ao invés de separarmos. Falar que são mais inteligentes o tempo todo vai ficar estranho se não tiver ninguém pra ler isso não é. Acredito que é isso que vai acontecer se os libertários não mudarem o discurso. O problema todo é que a esquerda está ganhando força ano após ano e mesmo que o libertário diga: Não faço parte disso, não vai adiantar, pois o PARTIDO é quem manda. Humildade pessoal. Vamos conquistar e não dividir. Essa estratégia não é nossa.

    OBS: Concordo que há o momento certo de falar algumas verdades ao outro, mas isso precisa estar dentro de um contexto que faça sentido, senão é ofensa gratuita e sem resultado prático.

  25. PUTS! Pior artigo do Mises. Os termos de esquerda e direita são ineficientes atualmente. Dava pra explicar muita coisa e depois remover o libertarianismo desse meio.

    Ele coloca progressismo, liberalismo e conservadorismo no mesmo barco de uma só vez. O que não é verdade. Nem vou gastar meu tempo explicando.

    Pior é ver gente achando que o artigo foi perfeito e está defendendo.

    RAPAZ…

  26. É triste ver o movimento libertário desunido, mas vou ter que falar uma verdade aqui. Muitos entraram nessa -não por acreditarem estritamente na liberdade-, mas por acharem que o movimento era de direita, ou porque era anti-comunista.

    Não é assim que as coisas funciona. E se fosse demonstrado que o libertarismo e o liberalismo econômico fossem muito mais uma tendência de esquerda? Então você abandonaria o pensamento libertário?

    Tem que defender independentemente dessas definições.

  27. Libertarianismo é direita. Sim, é só um rótulo, mas dentro desse sistema de rotulagem, o libertário é um ser de direita.

    A explicação é simples:

    Esquerda = emoção
    Direita = razão

    Ou seja, existe apenas um eixo de classificação, com todas as gradações possíveis de um extremo a outro, passando por um centro. Não há nada que seja humano pairando acima desse eixo.

    Falo de tendências individuais, não de partidos políticos e seus programas, que segundo a definição acima, podem ser direitistas em alguns pontos e esquerdistas em outros.

  28. José Ricardo das Chagas Monteiro

    Saudações, interessante a sugestão, não tenho dificuldades em entender, o libertário deve escolher a distância vertical de ambos,como um vapor, senão ficando acima, ou seja, fora das decisões e posicionamentos emburrecidos , pairando com a leveza dos quintessenciados da alta cultura para enxergar.

  29. O que voce pode dizer sobre o que disse o Prof. Ricardo Bergamini:
    Quem diria que a marolinha da crise mundial de 2008 iria provocar a volta na América do Sul do uso dos chavões tradicionais da esquerda: "Fora FMI" – "Fora Banqueiros" – "Auditoria da Dívida Externa", etc.

    O Brasil caminha, a passos largos, para ser a Argentina de hoje, visto que nossas reservas em moedas estrangeiras não estão sendo geradas pelo comércio internacional (deficitário em US$ 188,1 bilhões de 2011 até 2013), mas sim pela conta de capital (superavitária em US$ 259,0 bilhões de 2011 até 2013).

    O primeiro sinal de nossa dificuldade em manter essa posição da conta de capital foi o aumento dos juros básicos de 7% ao ano para os atuais 11% ano. Apesar desse aumento de juros havendo fuga de capital será inevitável o pedido de socorro ao FMI. Acreditem se quiserem!!!!

  30. Acho q está classificação dificulta a comparação do libertarianismo com outras correntes, pp/ com liberais e conservadores, assim dificultando a defesa de alguns objetivos de curto prazo em comum.

    Direita e esquerda, no artigo e na concepção esquerdista, são a mesma coisa, por isso sem sentido – é MUITO mais fácil derrubar tal classificação. É respeitar demais a classificação esquerdista e medo de ser chamado de direita.

    Se comunismo está de um lado e fascismo está do outro acho bem difícil os liberais clássicos e os conservadores se definirem num meio termo entre eles. E se são praticamente a mesma coisa como pode haver espaço entre eles?
    Provavelmente vão se colocar acima disso também. Com esta classificação só resta concordar q não existe mais direita e esquerda e confundir mais o debate.

    DIREITA: Igualdade, mais Estado (até o totalitarismo), coletivismo, "responsabilidade social”
    X
    ESQUERDA: Liberdade, menos Estado (até sua ausência), individualismo, responsabilidade individual

  31. Perdoem a minha ignorância, mas se entendi direito o artigo, a direita referida aí seria na verdade a extrema direita – nacionalismo, fascismo e nazismo – sendo uma posição estatista.
    A esquerda seria a extrema esquerda – o marxismo e o comunismo – sendo uma posição também estatista.

    Nesse caso quem estivesse no centro ou próximo a ele(centro-esquerda, centro e centro-direita) seria conservador, liberal, keyenesiano, progressista e desenvolvimentista – Sendo todos favoráveis a democracia. Só que a centro-esquerda une a natureza igualitarista e assistencialista do socialismo a democracia. O centro seria o keyenesianismo que defende a estatização, o controle dos mercados e o assistencialismo embora rejeite o igualitarismo. A centro-direita seriam os conservadores e os liberais, que são pro-mercado, com a diferença de que conservardores(nem todos) defendem o estado além do que os liberais consideram como estado-mínimo, por exemplo, apoiando o assistencialismo. Os liberais se enquadrariam na centro-direita por ser a posição em que se defende o estado-mínimo com ou sem alguns assistencialismos e regulamentações a democracia.

    Os Libertários(os anarcocapitalistas em específico?) não participam da linha horizontal descrita acima, pois a linha horizonral se destina ao estado e suas intervenções em maior e menor grau. Sendo que os libertários estariam na verdade no topo de uma linha vertical que de cima para baixo representa o máximo de estado(autoritarismo) e de baixo pra cima a ausência de estado(anarquismo), sendo o meio da linha o equilíbrio(em que por exemplo, os estados democráticos se encontram), enquanto que abaixo se encontram os regimes antidemocráticos e monarquias absolutas, ou pelo menos o ideal de regimes de extrema esquerda como o comunista e o nazista.

    Os libertários anti-capitalistas ainda estariam na linha superior onde não há estado, mas por serem anticapitalistas e portanto, anti-liberdade de fato, estariam tão próximos da base da linha vertical quanto os comunistas, por conta do alto níel de coerção que uma sociedade anticapitalista produz.

    Eu sinceramente não acho que o espectro ideológico deveria ser exatamente assim, mas foi a conclusão mais imparcial que pude chegar. Para aqueles que não enteram tudo que falei, fiz um diagrama, que vocês podem ver aqui:

    postimg.org/image/mkiajmo8d/

  32. Concordo com o Nigro. O texto está correto, no entanto essa abordagem paga tributo demais para a pré-definição estabelecida pela própria esquerda. Na prática, a esquerda luta pela igualdade (instituída pelo governo) e a direita pela liberdade (em relação ao governo). Claro, para evitar o truque da associação por exclusão, tão usado pela retórica de esquerda (não é de esquerda, então é fascista!), acho útil investir em uma nova terminologia.

    Estatista X libertário (ou anti-estatista)
    Coletivista X individualista

    Também não entendo esse medo todo de estar do mesmo lado da trincheira que os conservadores, mesmo porque um conservador pode ser libertário (como é o meu caso) e um libertário pode ser conservador. Aliás, os conservadores ocidentais são esmagadoramente anti-estatistas. O conservadorismo nas tradições e costumes, que podem até ser muito pouco libertários, fica no âmbito pessoal, e não político.

  33. Muita gente se encomodou com o ‘acima’, nao posso falar em nome dos libertarios so de mim mesmo, e eu concordo q nao seja nenhum dos dois, podem me definir abaixo se isso me torna menos presunçoso. Só não me vejo em nenhum ponto desta linha esquerda-direita.

    Os que falam que a direita é anti estado, pode ate ser mas nesse caso nao vejo direita com presidentes eleitos via democracia em praticamente lugar nenhum do mundo. Talvez a direita ‘de verdade’ nunca assumiu, mas os que se declaram de direita que assumem tambem em nada me agradam por isso me coloco fora da linha esquerda-direita, e me digo abaixo pra nao ofender ninguem

  34. Marcio Carneiro

    A ESQUERDA E A DIREITA, O CENTRO E O "LADO DE FORA DA LINHA"
    9 DE MARÇO DE 2015
    A questão é que a "esquerda" também não existe.

    Os LIBERAIS vêem o Mundo a partir de um ponto de observação diferente. Não estamos mais submetidos ao mundo Clássico, Newtoniano.

    Vivemos sob a incerteza na física e na sociologia, na política e na cultura.

    Não temos uma ideologia linear, em que você está à direita ou à esquerda de um observador, que está, presume-se, CERTO; estamos em um referencial relativístico e quântico: não HÁ, há a probabilidade de haver.

    Somos LIBERAIS porque temos uma visão de mundo baseada em um eco-sistema de ideias para a liberdade do indivíduo, não porque temos um fábio ou um marx – pequenos para o Universo que se nos apresenta sob o novo paradigma – e não nos pautamos pelas mesmices pobres dos que vivem numa linha … veja aqui o que é ser de direita ou de esquerda.

    Leia a matéria completa em https://alnbr.wordpress.com/2015/03/09/a-esquerda-e-a-direita-o-centro-e-o-lado-de-fora-da-linha/.

  35. …a grosso modo seria assim….esquerda com armas em punhos….direita com tantas armas quanto a esquerda…..libertarianismo sem armas, sem autoritarismo, sem violência e sim com inteligência…….

  36. Com todo o respeito, o exemplo abaixo está completamente equivocado:

    “Só que a doutrina do meio-termo não pode ser aplicada indiscriminadamente. Por exemplo, ela é sensata o bastante quando se está decidindo entre, de um lado, o jejum total e, do outro, a gulodice. Mas ela é evidentemente insensata quando se quer decidir entre não roubar nada ou roubar $1.000. O meio-termo recomendaria roubar $500.”

    Aristóteles, por meio da doutrina do meio termo, ou ética a Nicômaco, afirma que a virtude está no meio dos extremos/opostos e não, obviamente, no meio de qualquer medida sem fundamento.

    No exemplo dado, o oposto de roubar 1000 reais não é roubar nada, mas doar 1000 reais. Roubar 1000 reais de alguém é retirar dessa pessoa 1000 reais, é diminuir 1000 reais no patrimônio da pessoa. Logo, o oposto disso não é deixar de roubar, mas doar a pessoa 100 reais, ou seja, acrescentar ao patrimônio da pessoa mais 1000 reais.

    Assim, o meio termo seria roubar nada e não roubar 500. Que é o mais sensato e reafirma o defendido por Aristóteles.

  37. Esquerdismo é doença e nossa pátria está vastamente contaminada por esta epidemia mentirosa, falsa, que mata e escraviza o seu próprio povo e destrói tudo que há de mais sagrado pelo simples fato de dar poder a meia dúzia de criminosos!

  38. esquerda, direita, uma sopa de letrinhas, né.. que tal falar em INCLUSIVO e EXCLUDENTE? A esquerda é inclusiva, direita é excludente.. simples assim.. pergunte se a pessoa tem opinião inclusiva ou excludente sobre qualquer assunto e vc saberá se ela é esquerda ou direita, cristã de verdade ou cego em tiroteio.. por exemplo, em relação à questão da homossexualidade, vc vai ter as pessoas inclusivas, meu caso, eu sou hetero, casado há 20 anos, mas vejo o outro, com outra orientação sexual diferente da minha como meu irmão, não tem problema algum, e tem os excludentes, que odeiam o diferente.. e assim vale prá todos os demais assuntos.. é só vc pensar “isso que estou fazendo, que estou falando, inclui ou exclui” e saberá a cor da bandeira.. o resto é fumaça.. sobre Jesus, tem uma visão aqui: templodaconsciencia.com.br/jesus-acima-das-religioes/

  39. Temos que tirar essas ideias de achar que o esquerdista é errado ou o direitista é errado.

    Cada um segue o que acha melhor, essas ideias separatistas só atrasam a nação e fortalece os maus políticos.

    Independente de seguimento ideológico, acredito que todos querem o desenvolvimento do país e isso tem que ser mais forte do que essas picuinhas que nos divide.

  40. O fato de alguém ter asco ao lulopetismo não significa que ele seja de direita. O fato de alguém ser liberal na economia não significa que ele seja de direita. O fato de alguém ser anticomunista não significa que ele seja de direita. O fato de alguém ser patriota não significa que ele seja de direita. O fato de alguém ser antiabortista não significa que ele seja de direita. O fato de alguém ser armamentista não significa que ele seja de direita… Foram mais de 30 anos sob intenso bombardeio esquerdofrênico cultural hegemônico, talvez serão necessários, no mínimo, mais 5 décadas para a reversão desse atual quadro de miséria intelectual.

Rolar para cima