Bem, certamente ele começará a resposta mostrando a você que o resultado ou recompensa pela produção de um bem ou serviço exige sempre esforço para ser alcançado e que se você quiser ter mais coisas amanhã terá que sacrificar alguma coisa hoje. Este exemplo simples ajudará você a compreender onde queremos chegar.
Suponha que Robinson Crusoé pescava três peixes por dia mergulhando para pegá-los com as próprias mãos e que sua alimentação consistia exclusivamente do pescado que “produzia”. Ao final do dia, assava-os e os comia. Suponha agora que ele tivesse tomado a decisão de, ao invés de comer os três peixes que pescava diariamente, consumir apenas dois, economizando, portanto, um peixe por dia. Ao cabo de dois dias, teria acumulado dois peixes, o que lhe garantiria consumo para um dia. Admita que ele gastasse esse dia não para pescar, mas para construir uma rede tosca, que lhe permitiria pegar, ao invés dos três a que estava acostumado, uma dúzia de peixes por dia — sem dúvida, um resultado superior ao inicial. Neste exemplo de uma economia autística, a abstinência — ou poupança — seria dada por aqueles dois peixes que deixou de comer durante os dois dias para que pudesse ter uma reserva de peixes que lhe permitisse passar um dia inteiro investindo, ou seja, construindo o bem de capital — a rede.
Neste exemplo, o capital de Crusoé consiste na rede que ele, com sacrifício e esforço, construiu, renunciando ao consumo de um peixe durante dois dias consecutivos para que pudesse ter doze peixes por dia a partir do quarto dia, quando já podia usar a rede. Note que ele poupou no primeiro e no segundo dia e que investiu no terceiro dia. Guarde isso muito bem: para investir, é preciso antes poupar!
De maneira geral, um bem de capital, para os economistas austríacos, é cada uma das etapas intermediárias de cada processo de ação, subjetivamente consideradas dessa forma pelo agente. Mais especificamente, um bem de capital é uma das etapas intermediárias da série em que se constitui todo o processo produtivo desenvolvido pelo agente. Por exemplo, na produção do bem final “pão”, a farinha é um bem intermediário, um bem que já embute um valor adicionado e que ainda não está “pronto” para o consumo final, mas que é utilizado na produção de pães. Neste exemplo, na nomenclatura austríaca, o pão é um bem de primeira ordem ou de consumo final, a farinha um bem de segunda ordem e o trigo (que é utilizado para produzir a farinha) é um bem de terceira ordem. Farinha e trigo são bens de capital.
No artigo A teoria austríaca do capital, publicado neste site em 9 de agosto de 2010 e que é um resumo do quarto capítulo de meu livro Ação, tempo de conhecimento (IMB, São Paulo, 2011), está escrito:
O que separa o agente de seu desejado fim é o tempo, ou seja, a série sucessiva de etapas que integram o seu processo de ação. É intuitivo que, sob o ponto de vista prospectivo e subjetivo do agente, existe uma tendência a que, quanto maior for o período de tempo que se espera para concretizar uma ação — ou seja, quanto maior a complexidade das etapas sucessivas que a constituem –, assim como quanto maior for o grau de incerteza envolvido na consecução da ação até o objetivo pretendido, o resultado ou fim da ação que se pretende alcançar deve possuir um valor maior. Se não fosse assim, não se realizariam ações que demandam mais tempo e embutem maior incerteza, porque se optaria sempre pelo ‘curto’ e o ‘não duvidoso’.
Em outras palavras, os seres humanos, em situações semelhantes, sempre desejam alcançar os seus fins da maneira mais rápida e menos incerta possível e somente mostrarão disposição para adiar a realização de seus propósitos se — subjetivamente — julgarem que o adiamento lhes permitirá alcançar objetivos de maior valor. A isto se denomina de preferência intertemporal. Escrevendo de outra forma: os bens presentes são preferíveis aos bens futuros, ou, ainda: o adiamento de uma recompensa no presente exige uma recompensa maior no futuro.
Nas economias modernas, com milhões de agentes econômicos, em que a complexidade dos processos produtivos é muito mais sofisticada do que a do exemplo de Robinson Crusoé que vimos, o capitalista é aquele que poupa, ou seja, consome menos do que cria ou produz, liberando dessa forma recursos para os estágios mais afastados da estrutura de produção, isto é, para a produção de bens de capital.
O economista austríaco Eugene von Böhm-Bawerk, ao enfatizar a importância do tempo no processo econômico e ao definir o capital como sendo os fatores de produção fabricados, desenvolveu a teoria do capital e dos juros. Sua análise sustentava-se na ideia de que os meios de produção indiretos ( que ele chamou de roundabout, como a farinha no exemplo da fabricação de pães) permitem o aumento da produtividade dos agentes, tanto em termos de quantidades maiores de bens produzidos sem equipamentos, como dos bens produzidos apenas com a utilização de bens de capital em seus processos produtivos.
E o tempo de espera associado ao uso de processos indiretos de produção é o núcleo de sua teoria dos juros. Seu argumento era o de que os agentes econômicos valorizam mais os bens presentes do que os bens futuros com características semelhantes, desde que as demais circunstâncias não se alterem.
Em outras palavras, isto significa que as pessoas têm uma tendência a consumir mais no presente do que no futuro. Tal afirmativa, que denominamos de lei da preferência intertemporal, deduz-se imediatamente dos postulados da ação humana e traduz o fato de que, sendo o tempo um fator escasso, o agente econômico procura obter a situação mais satisfatória para ele no mínimo de tempo possível.
Os agentes econômicos dispõem de duas possibilidades quanto ao consumo daquilo que é produzido: consumir no presente ou esperar para consumir no futuro, isto é, poupar. E, como os seres humanos possuem uma tendência para consumir no presente, torna-se necessário, para que eles abram mão dessa inclinação natural e adiem seu consumo, que recebam uma recompensa ou prêmio pela espera. Tal prêmio, denominado de juros originário, é definido como a diferença entre os valores atribuídos a um mesmo bem no presente e no futuro.
O montante de juros originário tende a ser diretamente proporcional à preferência temporal dos agentes econômicos, ou seja, quanto mais estes valorizem o consumo presente em relação ao futuro, maior deverá ser o montante de juros necessário para induzi-los a poupar, isto é, a postergar o consumo e, inversamente, quanto maior a preferência pelo consumo futuro em relação ao presente, menor deverá ser o total de juros que ele requererá para poupar. Se, por exemplo, os agentes econômicos soubessem que o fim do mundo seria no dia seguinte, a taxa de juros tenderia ao infinito; se, por outro lado, fossem informados de que nunca morreriam então a taxa de juros cairia para níveis baixíssimos, próximos de zero.
Assim, quando um credor empresta, por exemplo, R$10.000,00 em troca do recebimento de R$ 10.300,00 dentro de um semestre, os dois não estão trocando a mesma coisa: o credor entrega R$ 10.000,00 ao devedor na forma de um bem presente (dinheiro), enquanto o devedor dá ao credor um bem futuro (uma promissória), que representa uma perspectiva de recebimento de dinheiro no fim dos seis meses. Em virtude da discrepância entre as valorizações de um mesmo bem no presente e no futuro, é que o credor cobra um prêmio (no exemplo, 3% ao semestre) pelo bem atual, que o devedor aceita pagar.
O capital não é nenhuma “quantidade”, é uma estrutura, uma rede bastante complexa e que possui uma dimensão temporal. Por exemplo, voltemos à produção de pães: ela começa quando um agricultor planta as sementes de trigo. Leva, então, tempo para que essas sementes germinem, se transformem em trigo e este seja colhido e enviado para um moinho. Por sua vez, leva também algum tempo para que esse trigo seja transformado em farinha e encaminhado à padaria. Uma vez na padaria, também leva tempo para que essa farinha, juntamente com outros ingredientes, seja transformada em pães. A essas etapas sucessivas na produção dos bens é que chamamos de estrutura de capital ou estrutura de produção.
Os indivíduos, em suas escalas valorativas, tendem a atribuir maior valor aos bens presentes do que aos bens futuros, mas a avaliação subjetiva, naturalmente, varia muito entre os indivíduos, bem como para o mesmo indivíduo ao longo de sua vida. Isto conduz a possibilidades múltiplas de trocas, em que ambas as partes possam se beneficiar. Pessoas com baixa preferência intertemporal estão dispostas a renunciar a bens presentes em troca de bens futuros com valores não muito maiores, entregando assim os seus bens presentes a outros que tenham uma preferência intertemporal mais alta e, portanto, valorizem mais fortemente o presente em relação ao futuro. Isto acaba por determinar o preço de mercado dos bens presentes relativamente aos bens futuros. Para a Escola Austríaca, portanto, a taxa de juros nada mais é do que o preço de mercado dos bens presentes em relação aos bens futuros.
Assim, a taxa de juros é o preço determinado em mercado no qual os ofertantes ou vendedores de bens presentes são, precisamente, os poupadores — todos aqueles relativamente mais dispostos a renunciar ao consumo imediato em troca da expectativa de obter um maior valor de bens no futuro. Já os compradores o de bens presentes preferem consumir bens e serviços imediatos porque sua propensão à abstinência é menor.
Portanto, o mercado de bens presentes e bens futuros, no qual se determina a taxa de juros, é formado por toda a estrutura de produção da economia, em que os poupadores ou capitalistas renunciam ao consumo imediato e oferecem bens presentes aos proprietários dos fatores originais de produção (trabalho e recursos naturais) e aos proprietários dos bens de capital, em troca de assegurar a posse de um valor — que espera vir a ser maior — de bens de consumo no futuro. Se eliminarmos os efeitos positivos (ou negativos) dos ganhos (ou perdas) da atividade empresarial, a diferença de valor tende a coincidir com a taxa de juros.
Quanto maior a poupança, ou seja, quanto mais dispostos a renunciar ao consumo imediato forem os agentes, menor será a taxa de juro, maior disponibilidade de bens presentes para aumentar a duração e a complexidade dos estágios do processo produtivo. E quanto menor for a poupança, vale dizer, quanto menos dispostos forem os agentes econômicos a renunciar ao consumo imediato de bens presentes, mais alta será a taxa de juros de mercado. Portanto, uma taxa de juros de mercado alta indica que a poupança é escassa em termos relativos, e isso é um sinal de que os empreendedores não devem alargar os estágios de produção, o que provocaria descoordenações. A taxa de juros indica então à atividade empresarial quais os novos estágios produtivos ou projetos de investimento que devem empreender e quais devem evitar, para manter coordenados os comportamentos de poupadores, consumidores e investidores, evitando que os diversos estágios produtivos sejam mais curtos ou mais longos do que devem ser.
Capital e bem de capital são conceitos distintos, sob o ponto de vista econômico. O capital é o valor, calculado a preços de mercado, dos bens de capital, sendo a taxa de juros o fator de desconto. O conceito de capital da Escola Austríaca é, portanto, abstrato, uma ferramenta de cálculo econômico, isto é, uma estimativa subjetiva sobre os valores esperados dos bens de capital no futuro.
O capital, portanto, é o meio indispensável para a elevação do nível de bem-estar dos indivíduos, e é resultado do investimento que, por sua vez, é fruto da poupança prévia e não de cédulas emitidas pelo Banco Central. O bem-estar aumenta a partir do esforço da poupança, na medida em que esta se converte em investimento; ele não aumenta — pelo contrário, diminui — pela simples vontade, manifestada pelo governo, de que ele poderá aumentar mediante a fixação de taxas de juros artificialmente baixas e/ou da emissão de moeda sem lastro.
Sugestões de leitura:
Iorio, Ubiratan J., Ação, tempo e conhecimento: a Escola Austríaca de Economia, IMB, São Paulo, 2011, caps. 4, 6, 7, 8 e 9.
Iorio, Ubiratan J., A teoria austríaca do capital
Iorio, Ubiratan J., Moeda, capital e tempo na teoria macroeconômica
Garrison, Roger, Os triângulos hayekianos e a estrutura do capital
Ebeling, Richard., A teoria austríaca do capital e dos juros
Schlichter, Detlev, Alguns efeitos inesperados da redução dos juros
Sugestões para reflexão e debate:
1. Destaque a importância do fator tempo na teoria do capital.
2. O que vem antes, a poupança ou o investimento?
3. O que vêm a ser bens de capital e capital?
4. O que é estrutura de produção ou de capital?
5. O que são a preferência temporal e a taxa de juros?
1. O fator tempo é um dos fatores de maior importância na teoria do capital, pois todo capital leva tempo para se formar e não é homogêneo, sendo assim é um resultado de diferentes fatores juntos que levam tempo para maturar e se tornar ideais no meios de produção da construção do capital.
2. A poupança pois somente com real abstinência do capital no tempo presente que pode-se haver investimentos para o futuro.
3. Bens de Capital são as etapas na construção de produtos e o capital é o resultado da abstenção passada responsável pelo investimento presente.
4. É a cadeia produtiva de bens de capital responsável pela criação de todos os produtos.
5. A preferência temporal é a diferença entre o agente econômico se abster de consumir agora para consumir a mais no futuro. Essa preferência está intrinsecamente ligada ao valor da taxa de juros, pois essa é o preço do dinheiro, e quando o agente econômico decide não gastar hoje para ter mais no futuro aumenta a quantidade de oferta de capital para aqueles agentes que preferem obter esse capital no presente. Isso faz com que a taxa de juros cai, pois há uma maior oferta.
1. O tempo é necessário na produção de bens de capital e na definição das taxas de juros
2 poupança
3 bens de capital são os objetos úteis gerados pela poupança e investimento, capital é o valor desses objetos
4 São as fases de cada tipo de trabalho diferente necessário pra produzir aquele bem
5 É a preferência entre consumir logo e deixar pra consumir no futuro.Quem prefere consumir logo, se emprestar seus bens deve cobrar um juro alto, pra compensar a não satisfação da sua preferência; quem prefere poupar pode cobrar juros baixos
Pergunta de iniciante: é possível afirmar com relativa segurança que, na realidade bancária atual do Brasil (e de boa parte do mundo), os rendimentos reais da poupança são menores do que seriam em um arranjo não cartelizado? A expansão monetária diminui os rendimentos reais da poupança? O governo me impede de enriquecer poupando uma parte do meu salário e tendo ganhos reais sobre essa poupança?
Muito esclarecedor todo o artigo, interessante é ver a simplicidade em que a economia Austriaca consegue explicar conceitos ante complicado de entender por intermedio de outras escolas de economia.\r
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Uma Dúvida !\r
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Quanto ao juros…Pela EAC, não levam em conta o risco do capital no tempo ? haja vista que eu não usando meu capital hoje e poupando para usar “amanha”, eu tenho diversos riscos, risco de oportunidade, risco de crédito etc… \r
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Talvez meu questionamento seja ridiculo, mas é uma duvida que me surgiu…\r
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Grato !\r
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Caro Christiano,
Obrigado por sua pergunta. Respondendo a ela rapidamente: as diversas modalidades de risco afetam a preferência intertemporal dos indivíduos. Portanto, quando aumenta o risco, as pessoas vão tender a poupar menos e a consumir mais no presente. Isso equivaleria a um aumento na taxa de juros.
Um cordial abraço.
Boa tarde, meio fora do tópico mas vai la.
em discussão com um colega meu, ele me apresentou o seguinte vídeo (www.youtube.com/watch?v=pDPsWANkS-g) , seguido do argumento da obsolescência programada.
O que vocês do instituto tem a dizer sobre isso.
Agradeço desde já.
Existe algum fórum onde eu possa conversar com pessoas que acompanham esse site?
Então estamos bem de poupança, pois os juros por aqui não param de cair! (brincadeira)
Mais uma prova de como o governo não entende nada de economia e ainda pune os poupadores, pois o interesse é que todos consumam no presente para aumentar essa farsa chamada PIB e parecer que os políticos são eficientes.
Parabéns pelo trabalho magnífico, professor Lório!
Ubiratan Lorio !\r
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Obrigado pela resposta, ontem eu estava reelendo uns artigos e tambem o seu livro “Ação, Tempo e Conhecimento” e conseguir assimilar melhor essa ideia de Juros… E meu leigo conhecimento vejo que essa explicação do juros pela Escola Austrica faz muito mais sentido do que em outras escolas. \r
O juros visto dessa forma se encaixa como luva em diversos questionamentos que antes eu tinha…\r
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Grato !\r
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Otima Semana a Todos !
Questionamento do Anônimo:
Boa tarde, meio fora do tópico mas vai la.
em discussão com um colega meu, ele me apresentou o seguinte vídeo (www.youtube.com/watch?v=pDPsWANkS-g) , seguido do argumento da obsolescência programada.
O que vocês do instituto tem a dizer sobre isso.
Agradeço desde já.
Um comentário:
Engraçado que essa ideia de obsolescência programada se fortaleceu em épocas de Bancos Centrais com políticas monetárias expansionistas nos EUA.
Não sei se pode haver uma relação, mas após ler um artigo no site sobre os efeitos perniciosos das políticas monetárias, inclusive sobre o lado psicológico do indivíduo acredito estar no caminho certo para a resposta.
Faço a mesma pergunta de Bright. Existe algum fórum de discussão do site?
Ola, eu irei cursar economia ano que vem aqui no Rio de Janeiro. No entanto, entendo que a economia austríaca infelizmente não é muito popular no meio acadêmico brasileiro.
Porém, a teoria econômica defendida nos cursos possui princípios muito diferentes da austríaca? Eu jogaria tudo que eu aprendi no lixo?
Vocês algo a comentar sobre o curso do Ibmec, UFF, FGV e da Uerj? Qual apresenta as teorias mais modernas?
Outra dúvida é em relação ao curso ministrado pelo IM de economia austríaca. Ainda será realizado ano que vem? Em que período do curso de economia é mais interessante para que eu faça o curso de economia austríaca, afim de entender todos os fundamentos que serão colocados?
Abraços!
Prezados,
pode existir “juros negativos”, isto é, eu tomo um empréstimo de 4,5% ao ano, mas considerando a inflação de 5,5% significa que “ganhei” 1%??
Vejam um post de uma grande construtora mostrando a existência desta situação.
Gostaria da apreciação de vocês.
blogrubensmenin.com.br/juros-negativos-no-credito-imobiliario
obrigado.
João Silva
Triste é ver aulas sensacionais aqui no site e na faculdade eu ter que ficar estudando aquelas malditas curvas IS-LM, OA-DA e coisas do tipo.
Sinto como se meu tempo fosse completamente mal utilizado
Caros colegas,
Achei excelente o artigo, consegui entender muitos assuntos de forma clara.
Só tive um questionamento, em um sociedade poupadora os empresários dispõem de mais recursos para alargar o seu processo de produção, mas se o consumo for baixo qual seria a motivação do mesmo para expandir os seus meios? Se tornar mais eficiente, baixar os custos, otimizar a utilização de seus recursos e agregar mais bens intermediários para produzir um bem final mais complexo? Seria isso?
O capital não é nenhuma “quantidade”, é uma estrutura, uma rede bastante complexa e que possui uma dimensão TEMPORAL.O economista austríaco Eugene von Böhm-Bawerk, ao enfatizar a importância do tempo no processo econômico e ao definir o capital como sendo os fatores de produção fabricados, desenvolveu a teoria do capital e dos juros.Repensando o processo,penso que o fator TEMPO, não vale apenas para “AGREGAR CIFRAS”,mas para ganhar tempo e tempo para “ociar”. Falamos aqui de economia, e economia serve para agregar mais e mais…Leandro escreveu “É absolutamente impossível ficar sem consumir. Já comeu algo hoje? Já utilizou eletricidade? Locomoveu-se por meio de veículos com motor de combustão interna? Essas ações aparentemente simples possuem por trás de si uma cadeia produtiva extremamente complexa. E cada processo de produção é também, por definição, um processo de consumo. Capital é consumido durante a produção e deve ser reposto.” Hoje é praticamente impossível de viver sem estes “fatores básicos”, mas penso que podem ser bem reduzidos, ex: por quê comer em excesso? (porcarias industrializadas e saturadas em gorduras),por quê demorar no banho uma hora se pode ser tomado em 5 minutos? por quê ir à esquina de automóvel? Todos estes gastos do dia a dia podem ser economizados!
1:O que separa o agente de seu desejado fim é o tempo, ou seja, a série sucessiva de etapas que integram o seu processo de ação. É intuitivo que, sob o ponto de vista prospectivo e subjetivo do agente, existe uma tendência a que, quanto maior for o período de tempo que se espera para concretizar uma ação — ou seja, quanto maior a complexidade das etapas sucessivas que a constituem —, assim como quanto maior for o grau de incerteza envolvido na consecução da ação até o objetivo pretendido, o resultado ou fim da ação que se pretende alcançar deve possuir um valor maior. Se não fosse assim, não se realizariam ações que demandam mais tempo e embutem maior incerteza, porque se optaria sempre pelo ‘curto’ e o ‘não duvidoso’.
2:O capital, portanto, é o meio indispensável para a elevação do nível de bem-estar dos indivíduos, e é resultado do investimento que, por sua vez, é fruto da poupança prévia e não de cédulas emitidas pelo Banco Central. O bem-estar aumenta a partir do esforço da poupança, na medida em que esta se converte em investimento; ele não aumenta — pelo contrário, diminui — pela simples vontade, manifestada pelo governo, de que ele poderá aumentar mediante a fixação de taxas de juros artificialmente baixas e/ou da emissão de moeda sem lastro.
3:Capital e bem de capital são conceitos distintos, sob o ponto de vista econômico. O capital é o valor, calculado a preços de mercado, dos bens de capital, sendo a taxa de juros o fator de desconto. O conceito de capital da Escola Austríaca é, portanto, abstrato, uma ferramenta de cálculo econômico, isto é, uma estimativa subjetiva sobre os valores esperados dos bens de capital no futuro.
4:O capital não é nenhuma “quantidade”, é uma estrutura, uma rede bastante complexa e que possui uma dimensão temporal. Por exemplo, voltemos à produção de pães: ela começa quando um agricultor planta as sementes de trigo. Leva, então, tempo para que essas sementes germinem, se transformem em trigo e este seja colhido e enviado para um moinho. Por sua vez, leva também algum tempo para que esse trigo seja transformado em farinha e encaminhado à padaria. Uma vez na padaria, também leva tempo para que essa farinha, juntamente com outros ingredientes, seja transformada em pães. A essas etapas sucessivas na produção dos bens é que chamamos de estrutura de capital ou estrutura de produção.
5:Assim, a taxa de juros é o preço determinado em mercado no qual os ofertantes ou vendedores de bens presentes são, precisamente, os poupadores — todos aqueles relativamente mais dispostos a renunciar ao consumo imediato em troca da expectativa de obter um maior valor de bens no futuro. Já os compradores o de bens presentes preferem consumir bens e serviços imediatos porque sua propensão à abstinência é menor.
Portanto, o mercado de bens presentes e bens futuros, no qual se determina a taxa de juros, é formado por toda a estrutura de produção da economia, em que os poupadores ou capitalistas renunciam ao consumo imediato e oferecem bens presentes aos proprietários dos fatores originais de produção (trabalho e recursos naturais) e aos proprietários dos bens de capital, em troca de assegurar a posse de um valor — que espera vir a ser maior — de bens de consumo no futuro. Se eliminarmos os efeitos positivos (ou negativos) dos ganhos (ou perdas) da atividade empresarial, a diferença de valor tende a coincidir com a taxa de juros.
Olá , gostaria muito que meu paper fosse sobre economia na área da saúde,principalmente a sáude pública; o tema será economia neste segmento…
Vejo que quando se fala em economia pouco se fala sobre serviços.
\algeum tem alguma idéia genial sobre o assunto???