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O que realmente é o mercado

As
características da economia de mercado

A
economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na
propriedade privada dos meios de produção.  Todos agem por conta própria; mas as ações de
cada um procuram satisfazer tanto as suas próprias necessidades como também as
necessidades de outras pessoas.  Ao agir,
todos servem seus concidadãos.  Por outro
lado, todos são por eles servidos.  Cada
um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para
que outras pessoas possam atingir seus próprios fins.

Este
sistema é guiado pelo mercado.  O mercado
orienta as atividades dos indivíduos por caminhos que possibilitam melhor servir
as necessidades de seus semelhantes.  Não
há, no funcionamento do mercado, nem compulsão nem coerção.  O estado, o aparato social de coerção e
compulsão, não interfere nas atividades dos cidadãos, as quais são dirigidas
pelo mercado.  O estado utiliza o seu
poder exclusivamente com o propósito de evitar que as pessoas empreendam ações
lesivas à preservação e ao funcionamento da economia de mercado.  Protege a vida, a saúde e a propriedade do
indivíduo contra a agressão violenta ou fraudulenta por parte de malfeitores
internos e de inimigos externos.  Assim,
o estado se limita a criar e a preservar o ambiente onde a economia de mercado
pode funcionar em segurança.

slogan marxista
“produção anárquica” retrata corretamente essa estrutura social como
um sistema econômico que não é dirigido por um ditador, um czar da produção que
pode atribuir a cada um uma tarefa e obrigá-lo a obedecer a esse comando.  Todos os homens são livres; ninguém tem de se
submeter a um déspota.  O indivíduo, por
vontade própria, se integra num sistema de cooperação.  O mercado o orienta e lhe indica a melhor
maneira de promover o seu próprio bem estar, bem como o das demais pessoas.  O mercado comanda tudo; por si só coloca em
ordem todo o sistema social, dando-lhe sentido e significado.

O
mercado não é um local, uma coisa, uma entidade coletiva.  O mercado é um processo, impulsionado pela
interação das ações dos vários indivíduos que cooperam sob o regime da divisão
do trabalho.  As forças que determinam a —
sempre variável — situação do mercado são os julgamentos de valor dos
indivíduos e suas ações baseadas nesses julgamentos de valor.  A situação do mercado em um determinado momento
é a estrutura de preços, isto é, o conjunto de relações de troca estabelecido
pela interação daqueles que estão desejosos de vender com aqueles que estão
desejosos de comprar.  Não há nada, em
relação ao mercado, que não seja humano, que seja místico.  O processo de mercado resulta exclusivamente
das ações humanas.  Todo fenômeno de
mercado pode ser rastreado até as escolhas específicas feitas pelos membros da
sociedade de mercado.

O
processo de mercado é o ajustamento das ações individuais dos vários membros da
sociedade aos requisitos da cooperação mútua.  Os preços de mercado informam aos produtores o
que produzir como produzir e em que quantidade.  O mercado é o ponto focal para onde convergem
e de onde se irradiam as atividades dos indivíduos.

A
economia de mercado deve ser estritamente diferenciada do segundo sistema
imaginável — embora não realizável — de cooperação social sob um regime de
divisão de trabalho: o sistema de propriedade governamental ou social dos meios
de produção. Esse segundo sistema é comumente chamado de socialismo, comunismo,
economia planificada ou capitalismo de estado.  A economia de mercado e a economia socialista
(ou o capitalismo de estado) são mutuamente excludentes.  Não há mistura possível ou imaginável dos dois
sistemas; não há algo que se possa chamar de economia mista, um sistema que
seria parcialmente socialista.  A
produção ou é dirigida pelo mercado, ou o é por decretos de um czar da
produção, ou de um comitê de czares da produção.

Nada
que seja, de alguma forma, relacionado com o funcionamento do mercado pode, no
sentido praxeológico ou econômico do termo, ser chamado de socialismo. A
noção de socialismo, tal como é concebida e definida por todos os socialistas,
implica a ausência de um mercado para os fatores de produção e a ausência de
preços para esses fatores.  A
“socialização” de instalações industriais, comerciais e agrícolas —
isto é, a transferência de sua propriedade de privada para pública — é um
método de conduzir pouco a pouco ao socialismo. 

É
um passo na direção do socialismo, mas não é em si mesmo o socialismo. (Marx e
os marxistas ortodoxos negaram claramente a possibilidade dessa aproximação
gradual para o socialismo. Segundo suas doutrinas, a evolução do capitalismo
atingirá inevitavelmente um estágio no qual, de um só golpe, ele se
transformaria em socialismo).

As
empresas públicas operadas pelo governo, bem como a economia da Rússia
Soviética, pelo simples fato de comprarem e venderem em mercados, estão
conectadas ao sistema capitalista.  Dão
testemunho dessa conexão ao utilizarem a moeda em seus cálculos.  Assim, fazem uso dos métodos intelectuais do
sistema capitalista que fanaticamente condenam.

Isto
porque o cálculo econômico é a base intelectual da economia de mercado.  Os objetivos perseguidos pela ação em qualquer
sistema baseado na divisão do trabalho não podem ser alcançados sem o cálculo
econômico.  A economia de mercado calcula
em termos de preços em
moeda.  Ser capaz de
efetuar tal cálculo foi determinante na sua evolução e condiciona seu
funcionamento nos dias de hoje.  A
economia de mercado é uma realidade porque é capaz de calcular.

Capitalismo

Todas
as civilizações, até os dias de hoje, foram baseadas na propriedade privada dos
meios de produção.  No passado,
civilização e propriedade privada sempre andaram juntas.

Aqueles
que sustentam que a economia é uma ciência experimental, e apesar disso
recomendam o controle estatal dos meios de produção, se contradizem
lamentavelmente. Se pudéssemos extrair algum ensinamento da experiência
histórica, este seria o de que a propriedade privada está inextricavelmente
ligada à civilização. Não há nenhuma experiência que mostre que o socialismo
poderia proporcionar um padrão de vida tão elevado quanto o que é proporcionado
pelo capitalismo.

O
sistema de economia de mercado nunca chegou a ser tentado de forma completa e
pura.  Mas, na civilização ocidental,
desde a Idade Média, de um modo geral, prevaleceu uma tendência no sentido de
abolir as instituições que obstruíam o funcionamento da economia de mercado.  O constante progresso dessa tendência permitiu
o crescimento populacional e a elevação do padrão de vida das massas a um nível
sem precedente e até então inimaginável. O cidadão médio desfruta hoje de
comodidades que fariam inveja a Cresus, Crasso, aos Médici e a Luís XIV.

Os
problemas suscitados pela crítica socialista e intervencionista à economia de
mercado são puramente de ordem econômica e só podem ser tratados por uma
análise profunda da ação humana e de todos os sistemas imagináveis de
cooperação social. O problema psicológico, em decorrência do qual as pessoas
desprezam e menoscabam o capitalismo e chamam de “capitalista” tudo o
que lhes desagrada, e de “socialista” tudo o que lhes agrada, é um
problema que diz respeito à história e deve ser deixado a cargo dos
historiadores.  

Os
defensores do totalitarismo consideram o “capitalismo” um mal
tenebroso, uma doença terrível que se abateu sobre a humanidade. Aos olhos de
Marx, o capitalismo era um estágio inevitável da evolução do gênero humano,
mas, ainda assim, o pior dos males; felizmente a salvação estava iminente e
livraria o homem definitivamente deste desastre. Na opinião de outras pessoas,
teria sido possível evitar o capitalismo se ao menos os homens fossem mais
virtuosos ou mais habilidosos na escolha de políticas econômicas.

Todas
essas lucubrações têm um traço comum.  Consideram
o capitalismo como um fenômeno ocidental que poderia ser eliminado sem alterar
condições que são essenciais ao pensamento e à ação do homem civilizado.  Como elas não se preocupam com o problema do
cálculo econômico, não chegam a perceber as consequências que seriam produzidas
pela abolição desse cálculo.  Não chegam
a se dar conta de que o homem socialista, para cujo planejamento a aritmética
não terá nenhuma utilidade, seria, na sua mentalidade e no seu modo de pensar,
inteiramente diferente dos nossos contemporâneos.  Ao lidar com o socialismo, não devemos
subestimar essa transformação mental, mesmo se estivéssemos dispostos a
suportar silenciosamente as desastrosas consequências que adviriam para o bem
estar material da humanidade.

A
economia de mercado é um modo de agir, fruto da ação do homem sob a divisão do
trabalho. Todavia, isto não significa que seja algo acidental ou artificial,
algo que possa ser substituído por outro modo de agir qualquer. A economia de
mercado é o produto de um longo processo evolucionário. É o resultado dos esforços
do homem para ajustar sua ação, da melhor maneira possível, às condições dadas
de um meio ambiente que ele não pode modificar.  É, por assim dizer, a estratégia cuja
aplicação permitiu ao homem progredir triunfalmente do estado selvagem à
civilização.

Muitos
autores raciocinam da seguinte forma: o capitalismo foi o sistema econômico que
possibilitou as realizações maravilhosas dos últimos duzentos anos; portanto,
está liquidado porque o que foi benéfico no passado não pode continuar sendo
benéfico nos nosso tempo nem no futuro.  Tal
raciocínio está em contradição flagrante com os princípios do conhecimento
experimental.  Não é necessário, a essa
altura, retornar novamente à questão de saber se a ciência da ação humana pode
ou não adotar os métodos experimentais das ciências naturais.  Mesmo se fosse possível responder
afirmativamente a esta questão, seria absurdo questionar como esses
experimentalistas o fazem ao inverso. A ciência experimental
argumenta que, se foi válido no passado, será válido também
no futuro. Não tem cabimento afirmar o contrário: se foi
válido no passado, não o será no futuro.

A
economia não é, evidentemente, um ramo da história ou de qualquer outra ciência
histórica.  É a teoria de toda ação
humana, a ciência geral das imutáveis categorias da ação e do seu funcionamento
em quaisquer condições imagináveis sob as quais o homem age.  Por assim ser, constitui a ferramenta mental
indispensável para lidar com os problemas históricos e etnográficos.  Um historiador ou um etnógrafo que, no seu
trabalho, não aproveita da melhor maneira possível todos os ensinamentos da
economia, está trabalhando mal.  Na
realidade, ele não aborda o objeto de sua pesquisa sem estar influenciado por
aquilo que despreza como teoria.  Está,
em cada instante de sua coleta de fatos pretensamente puros, quando os ordena e
deles extrai conclusões, guiado por remanescentes confusos e deturpados de
doutrinas econômicas perfunctórias, construídas desleixadamente ao longo dos
séculos que precederam a elaboração de uma ciência econômica; ciência econômica
esta que refutou de forma definitiva aquelas doutrinas superficiais.

Não
são os economistas, e sim os seus críticos, que carecem de “senso
histórico” e ignoram o fator evolução.  Os economistas sempre tiveram consciência do
fato de que a economia de mercado é o produto de um longo processo histórico
que começou quando a raça humana emergiu dos grupos de outros primatas.  Os defensores do que erroneamente é chamado de
“historicismo” pretendem desfazer os efeitos das mudanças
evolucionárias.  A seu ver, tudo aquilo
cuja existência não possa ser rastreada até um passado remoto, ou não possa ter
sua origem identificada nos costumes de alguma tribo primitiva da Polinésia, é
artificial, ou mesmo decadente.  Consideram
como prova de inutilidade e podridão de uma instituição o fato de ela ser
desconhecida para os selvagens.  Marx e
Engels, e os professores alemães da Escola Historicista, exultaram quando
tomaram conhecimento de que a propriedade privada é “apenas” um
fenômeno histórico. Para eles, esta era a prova de que os seus planos
socialistas eram realizáveis.

O
gênio criador está em contradição com os seus contemporâneos. Enquanto pioneiro
das coisas novas e das quais nunca se ouviu falar, ele está em conflito com a
aceitação cega de critérios e valores tradicionais.  A seu ver, a rotina de um cidadão normal, do
homem médio e comum, não passa de uma estupidez.  Para ele, “burguês” é sinônimo de
imbecilidade.  Os artistas frustrados que se satisfazem em imitar os
maneirismos do gênio, a fim de esquecer e de dissimular sua própria impotência,
adotam essa terminologia.  Esses boêmios
chamam tudo o que lhes desagrada de “burguês”.  Desde que Marx tornou o termo
“capitalista” equivalente a “burguês”, estas palavras são
empregadas como sinônimas. Nos vocabulários de todas as línguas as
palavras “capitalistas” e “burgueses” significam hoje tudo o que
há de vergonhoso, degradante e infame.  Por outro lado, chamam tudo aquilo
de que gostam ou que prezam de “socialista”.  O esquema de raciocínio é o seguinte: um
homem, arbitrariamente, chama de “capitalista” tudo o que lhe
desagrada e depois deduz dessa designação que aquilo que lhe desagrada é mau.

Esta
confusão semântica vai ainda mais longe.  Sismondi, os apologistas românticos da Idade
Média, todos os autores socialistas, a Escola Historicista prussiana e os
Institucionalistas americanos ensinaram que o capitalismo é um sistema injusto
de exploração que sacrifica os interesses vitais da maioria da população em
benefício exclusivo de um pequeno grupo de aproveitadores.  Nenhum homem decente pode defender esse
sistema “insensato”.  Os
economistas que sustentam que o capitalismo é benéfico não apenas a um pequeno
grupo, mas a todas as pessoas, são “sicofantas da burguesia”.  Ou são obtusos demais para perceber a
realidade, ou então são apologistas vendidos aos interesses egoístas da classe
dos exploradores.

O
capitalismo, no entender desses inimigos da liberdade e da economia de mercado,
significa a política econômica defendida pelas grandes empresas e pelos
milionários. Diante do fato de que alguns — certamente não todos — capitalistas
e empresários ricos, nos dias de hoje, são favoráveis a medidas que restringem
o livre comércio e a livre concorrência, e que resultam em monopólio, os críticos dizem: o
capitalismo contemporâneo defende o protecionismo, os cartéis e a abolição da
competição.  E ainda acrescentam que, em um
certo período do passado, o capitalismo inglês era favorável ao comércio livre,
tanto no mercado interno como nas relações internacionais.  Isto ocorria porque, naquela época, os
interesses de classe da burguesia inglesa eram mais bem atendidos por essa
política.  Entretanto, as condições
mudaram e, hoje, o capitalismo, isto é, a doutrina defendida pelos
exploradores, é favorável a outra política.

Essa
tese deforma grosseiramente tanto a teoria econômica como os fatos históricos. Houve
e sempre haverá pessoas cujos interesses próprios exigem proteção para
situações já estabelecidas, e que esperam obter vantagens de medidas que
restringem a concorrência.  Empresários
envelhecidos e cansados, bem como os herdeiros decadentes de pessoas que foram
bem sucedidas no passado, não gostam de empreendedores
novos e ágeis que ameaçam a sua riqueza e posição social
eminente.  Seu desejo de tornar rígidas
as condições econômicas e de impedir o progresso pode ou não ser realizado,
dependendo do clima da opinião pública.

A
estrutura ideológica do século XIX, influenciada pelo prestígio dos
ensinamentos dos economistas liberais, tornava inúteis esses desejos.  Quando os melhoramentos tecnológicos da era do
liberalismo revolucionaram os métodos tradicionais de produção, transporte e
comércio, aqueles cujos interesses estabelecidos foram atingidos não pediram
proteção porque teria sido inútil.  Mas,
hoje, impedir um homem eficiente de competir com um menos eficiente
é considerada uma tarefa legítima do governo.  A opinião pública simpatiza com as solicitações
de grupos poderosos para impedir o progresso. 
Não é de estranhar que, em tal ambiente, empresários menos eficientes
busquem proteção contra concorrentes mais eficientes.

Seria
correto descrever este estado de coisas da seguinte forma: hoje, muitos ou
alguns setores empresariais não são mais liberais; não defendem uma autêntica
economia de mercado, mas, ao contrário, solicitam ao governo medidas
intervencionistas. Mas é inteiramente errado dizer que o significado do
conceito de capitalismo mudou e que o atual capitalismo ou “capitalismo
tardio” — como é chamado pelos marxistas — seja caracterizado por
políticas restritivas que visem a proteger interesses constituídos de
assalariados, agricultores, lojistas, artesãos e também, às vezes, de
capitalistas e empresários.  O conceito
de capitalismo, como conceito econômico, é imutável; se tem algum significado,
significa economia de mercado.

Se
aquiescermos em usar uma terminologia diferente, ficaremos privados das
ferramentas semânticas próprias para lidar adequadamente com os problemas da
história contemporânea e das políticas econômicas.  Essa nomenclatura defeituosa só se torna
compreensível quando percebemos que os pseudoeconomistas e os políticos que a utilizam
querem evitar que as pessoas saibam o que é realmente a economia de mercado.  Querem que as pessoas acreditem que todas as
medidas repulsivas de intervenção estatal são provocadas pelo
“capitalismo”.

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50 comentários em “O que realmente é o mercado”

  1. Mises brilhante mesmo com o passar dos anos mostrando que o ser humano não evolui igual a tecnologia ou seja a barbárie existe mesmo nos dias de hoje devido a esse monopólio da coerção e da violência chamado estado que é sempre capturado por homens maus e ladrões de plantão.

  2. Boa tarde Joel Pinheiro!
    Grato pela resposta, e que indago:
    Uma estatal que saiba como funciona o mercado e nao use de seu poder para se manter e ou se impor, poderia ser produtiva e lucrativa?
    abs

  3. Seria muito bom se hoje os críticos do capitalismo dissessem “o capitalismo contemporâneo defende o protecionismo, os cartéis e a abolição da competição” e lutassem contra isso!

  4. O mercado hoje é como um buraco negro de alcance global. Sua força gravitacional não deixa escapar nada. Tudo suga, tudo assimila. Sendo assim, ele, o mercado, é o grande ator atual. Os demais entes foram reduzidos a mera condição serviente. Em troca da servidão, a promessa da felicidade a partir do consumo desenfreado. Mas a dominação não se dá pela força, senão pela produção de toda subjetividade e das idéias. A razão critica foi aniquilada,e junto a possibilidade de oposição. Só restou a razão instrumental, necessária a medições, classificações e ao cálculo. A racionaldiade instrumental foi poupada por ser útil ao mercado, que depende dela para fazer funcionar a ciência, esta também meramente instrumental, uma vez que sem a razão critica, só resta o formalismo da adequação dos meios aos fins, só sobra a função de instrumento. Quanto aos fins, na falta da possibiidade da critica, eles não podem ser discutidos. Eles são dados, dados pelo mercado. Por fim o homem, acritico, sob o jugo de todo o aparato mercadológico, vive em meio a impossibildiade de qualquer autonomia e liberdade, embora acredite ser livre. Mas ele é livre apenas para escolher entre as marcas e produtos dispostos nas gôndolas dos supermercados e vitrines dos shoppings, isso, claro, se não for um miserável excluido do acesso ao consumo.

  5. Patrick de Lima Lopes

    Moral da história:
    O mercado é as pessoas.
    É a concessão de serviços desejados por outros indivíduos para que seja gerado o ganho mútuo.

  6. Logo no início do texto Mises afirma que o estado teria como responsabilidade garantir o bom funcionamento da economia de mercado, impedindo que indivíduos com má fé trouxessem distúrbios ao mercado.

    Bom, minha dúvida é a seguinte: qual a definição de estado que Mises estava pensando quando afirmou isso?

    Abraços!

  7. TEXTO DO AUTOR: A economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção. Todos agem por conta própria; mas as ações de cada um procuram satisfazer tanto as suas próprias necessidades como também as necessidades de outras pessoas. Ao agir, todos servem seus concidadãos. Por outro lado, todos são por eles servidos. Cada um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para que outras pessoas possam atingir seus próprios fins.

    MEUS COMENTÁRIOS:

    Olá pessoal,
    Antes de expor meu comentário gostaria de levantar as seguintes premissas:

    1)Nós, seres humanos, vivemos neste planeta.

    2)Nós, seres humanos racionais que habitamos este planeta, chegamos até aqui num constante processo de "altos e baixos" no que diz respeito à nossa evolução econômica e social.

    3)Somos seres gregários, mas diferentemente dos demais, geramos conflito.

    4)Não parece haver como negar a ocorrência de atos e fatos passados (hominais e naturais) ainda que não concordemos com eles. Hodiernamente contudo, quanto aos atos e fatos anteriores ao nosso nascimento, apenas somos capazes de interpretá-los. O resultado destas interpretações, necessariamente, sofre impacto de aspectos cumulativos e atuais e, por isso mesmo, distintos daqueles que ocorreram no momento(contexto) passado.

    5)Nenhum humano racional deseja o pior,(em sentido universal) embora se saiba da existência de inúmeros "piores" ao longo de nossa história econômica e social. Ex.: vulcões, terremotos, conflitos entre , cidadãos ou concidadãos, guerras, terrorismo, bombas atômicas etc.

    6)Todos os seres humanos nascem, consomem e morrem.

    Baseando-se nisso tenho a dizer-lhes o seguinte:

    Quanto ao conceito da economia de mercado estamos concordando que ela veio se evoluindo ao longo da história.

    Todavia, discorda-se que o agir humano esteja, necessariamente, servindo concidadãos. Nem tão pouco cidadãos de outro lugar do planeta. O agir só pode servir a você próprio. Já a consequência do ato, esta sim, pode alcançar o "servir ao outro".

    Lado outro, a economia de mercado não passa de um "instrumento"- in casu econômico – para se alcançar um resultado racional, previamente planejado e almejado. Senão vejamos.

    Para simplificar o pensamento trago aqui o diagrama ” fluxo de renda numa economia” que em linhas gerais apresenta o modelo microeconômico. Infelizmente, não se consegue inserí-lo aqui, razão pela qual, peço-lhes para o resgatarem de seus respectivos estudos econômicos. ( de um lado as famílias vendendo fatores e comprando bens e serviços e de outro as “empresas” comprando fatores e vendendo bens e serviços). Ambas remuneradas de acordo com a transação realizada.

    O objetivo de trazer este diagrama foi o de apenas ilustrar as perguntas que se seguem. Estejam à vontade para apresentarem outro diagrama, se necessário.

    1ª pergunta:

    Se a economia de mercado é o sistema social baseado na divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção, por que e como, só algumas famílias( a minoria – FATO) detêm os fatores de produção, "Capital e Terra" (clássicos) e outras famílias( a maioria – FATO) só detêm apenas o trabalho?

    Ou ainda: qual seria o diagrama anterior a este?

    Especificamente, tratando agora do "nosso" território apelidado de Brasil, queiram por gentileza explicarem ( interpretarem ) o momento passado que ilustra o INÍCIO do fomento via recursos ( fatores de produção) para a negociação junto ao "instrumento" ( economia de mercado).

    2ª pergunta:

    Porque a remuneração do Trabalho é , notoriamente, inferior ao dos outros fatores, quer seja esta nominal ou real?

    Se o "instrumento" economia de mercado serve como sistema social, porque naturalmente e racionalmente não se remunera todos os fatores com o mesmo valor?

    Ou ainda, porque não se elimina os ineficientes, ineficazes – para qualquer família como o Trabalho? ( minha tese em outro comentário seria a de se acabar com este fator)

    Notas finais:

    Estes meus argumentos iniciais não são exaustivos, daí as perguntas formuladas para que possamos prosseguir no debate.

    A ideia central não é de atacar o sistema capitalista. Muito menos a de apoiar o comunismo ou o socialismo.

    Todavia, não se nega em tese e a priori a possibilidade da existência dos dois sistemas.

    Saudações

  8. Mercado é uma instituição de trapaça e exploração, sempre, sempre alguém tentando tirar proveito de outro, sempre se trata de duas pessoas negociando para tentar extrair da outra mais do que vai dar. O lucro é o resultado dessa trapaça; se quem “vende” ou “compra” for honesto e sincero, não há lucro.

  9. E aquela história que contam que, se liberar o mercado, a vida seria fragilizada pelo lucro? Por exemplo, o incentivo à guerra para se vender muitas armas.

  10. Exato caro Ataulfo Alves.
    Quando os primeiros europeus chegaram ao litoral da África Oriental encontraram sociedades com mercados desenvolvidos. De início houve trocas comerciais pacíficas. Entretanto, outros povos contatados recusaram-se a trocar ouro, prata e pedras preciosas em forma de joias por quinquilharias europeias como pentes, espelhos, penicos,cintos de castidade, perucas, etc.

    Resultado, início de conflitos promovidos pelos estados europeus após relatórios do orgulho ferido de seus vaidosos “heróis” exploradores a caminho das índias.
    A partir daí começou a desgraça da escravidão de nossos irmãos negros pela “civilização” branca europeia. Sim, o estado europeu sabia o que era melhor para os negros, e para o resto do mundo.

    O Japão também teve seu primeiro contato com,digamos assim,o estado europeu por volta dessa mesma época. A diferença, no meu entender,era que os japoneses também sabiam fazer guerra, ainda mais com temíveis guerreiros portadores de espadas de aço, os Samurais.

    Para maiores detalhes a respeito do entendimento da história africana e dos conflitos gerados pelos estados europeus dominadores, e que infelizmente é herança em forma dos atuais estados africanos, deixo referencia:

    África Oriental
    Coleção Nações do Mundo.
    Em particular pagina 50.

  11. @Cristiano,

    Detesto desfazer os sonhos de companheiros libertários. Publicar esse artigo em qualquer jornal não vai causar revolução. Não vai sequer ser lido por uma grande parcela da população… ou mesmo uma pequena parcela da população. Um artigo como esse publicado em qualquer jornal é como pérolas aos porcos. Vai simplesmente desaparecer ao lado das notícias do seu time favorito.

  12. Pessoal, hoje saiu esta notícia na mídia: Nokia vende negócio de celular para Microsoft por US$7,2 bi (fonte: exame.abril.com.br/negocios/aquisicoes-fusoes/noticias/nokia-vende-negocio-de-celular-para-microsoft-por-us-7-2-bi). Achei interessante postar aqui, pois é a prova cabal de que o mercado – e somente ele – faz a inovação acontecer. A Nokia tinha uma posição muito confortável 10 anos atrás. Mas foi superada pelo Google e pela Apple. E teve que ser vendida.

  13. COM CERTEZA o mercado não é isso:

    Anatel apresenta o Sistema de Negociação de Ofertas de Atacado

    http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalNoticias.do?acao=carregaNoticia&codigo=30678

    A Anatel apresenta em Brasília, nesta terça-feira, 17, às 16h, o Sistema de Negociação de Ofertas de Atacado (SNOA), plataforma de intermediação da negociação de produtos de atacado ofertados pelos grupos detentores de Poder de Mercado Significativo (PMS).

  14. João Batista Ferreira

    Em um mercado com estrutura de monopsônio, onde são poucos compradores e muitos vendedores. Mesmo tendo um produto diferenciado, com qualidade elevada, se comparado aos produtos dos concorrentes.

    Qual a saída para conseguir que a receita consiga cobrir os preços de custo e sobre uma renda extra?

    – Seria formar parcerias com todos os vendedores?

    – Tornar seu produto único através da diferenciação?

    Ou continuar na mão dos compradores que tem poder de mercado e ainda interfere no mercado futuros para beneficiar e interferir nos preços dos produtos.

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