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Quando foi que você e eu assinamos o tal ‘contrato social’?

“Se vocês libertários não gostam da existência de um
governo detentor do monopólio da coerção, da segurança e da justiça, não gostam
de impostos, não gostam de regulamentações, e não gostam do status quo, então por que simplesmente
não fazem as malas e vão embora? 

Vocês
implicitamente concordaram com as regras vigentes. Se não gostam delas, então deem o fora!”

Este
é o argumento comum oferecido por estatistas sempre que um libertário se põe a
falar sobre a imoralidade da coerção estatal, de seus impostos, de suas
regulamentações, de seu confisco de renda e de propriedade, e de seu monopólio
sobre a justiça, a segurança e a moeda.

Embora
tal argumento seja extremamente fraco, vale a pena nos concentrarmos mais
detidamente nele, pois ele mostra de maneira bastante acurada o quão profundo o
estatismo está enraizado na mentalidade das pessoas.

Primeiro ponto: o mais básico

A
primeira e mais fácil resposta a este “desafio” estatista é: Por que sou eu
quem deve dar o fora? Não estou roubando ninguém, não estou agredindo ninguém. Por que o fardo
moral recai sobre mim quando, na verdade, é você quem está me apontando uma
arma?  

Eu sou apenas uma pessoa pacífica
pedindo para não ser espoliada, ao passo que você está me apontando uma arma com
o intuito de me expropriar e utilizar a minha propriedade e a minha renda para
financiar aqueles programas governamentais que você acha o máximo.

Não
creio ser nada controverso dizer que, em termos morais, é o estatista quem tem
a obrigação de comprovar ter o direito intrínseco de coagir e ameaçar os
outros. Enquanto isso não for feito, o ameaçado
não tem nenhuma obrigação de comprovar seu direito de ser deixado em paz, sem
ser molestado. O ônus cabe ao agressor e
não ao agredido.

Esse
é o ponto mais básico. Enquanto o
estatista não responder de onde vem seu direito natural de espoliar terceiros
para proveito próprio ou para o proveito de outrem, a “negociação” está emperrada
e ele não tem nenhum direito de seguir adiante com sua espoliação. Toda a pendenga poderia terminar aqui.

Segundo ponto: nunca houve “aceitação tácita”

Porém,
em prol do debate, vamos mais adiante.  

Falemos agora sobre o argumento de que o seu consentimento está
explicitado no simples fato de você permanecer no país. 

“Se você está aqui e continua morando aqui,
então você está automaticamente consentindo com as regras vigentes!”, bradam os
estatistas.

Este
é outro raciocínio sem nenhuma sustentação e sem nenhuma lógica. 

Suponha que você se muda para uma nova
vizinhança e, do nada, seu vizinho começa a despejar o lixo dele na porta da
sua casa. Pela lógica estatista, se você
não concorda com este comportamento dele, então é você quem tem de se mudar
dali. Se você não se mudar, então você
está automaticamente consentindo em ter sua propriedade violada desta forma.

Faz
sentido? Pois é isso que os estatistas
estão defendendo, embora não utilizem este cenário.

Confrontados
com esta situação, os estatistas recorrem então à regra da “aceitação implícita
e tácita”. Mais especificamente, eles
dizem que, ao se mudar para esta vizinhança, você estaria implícita e
tacitamente aceitando o comportamento dos seus vizinhos, não podendo, portanto,
reclamar das regras deles. 

O
problema deste raciocínio é que ele ignora o status moral e legal de quem faz
as leis.  

Por exemplo, suponha que eu
convide você para vir à minha casa. Quando você chega, eu abro a porta e lhe digo: para ficar aqui em casa,
você tem de usar este nariz de palhaço. Isto certamente vai lhe parecer bastante estranho, mas ainda assim eu
posso dizer: “Ei, é a minha casa e estas são minhas regras. Se quiser entrar, tem de ser assim”.  

Neste caso, sendo eu o proprietário, você não pode simplesmente dizer: “Olha, eu
vou entrar na sua casa, sim, e não vou usar o nariz de palhaço.” Se fizer isso, você estará invadindo a
minha propriedade e desrespeitando as leis vigentes dentro dela, as quais foram
estipuladas antes da sua entrada.  Isso,
portanto, é algo que você não tem o
direito de fazer.

Agora,
imaginemos o cenário contrário. Suponha
que eu vá à sua casa e lhe diga: “Você tem de usar um nariz de palhaço”. Além do espanto total, sua outra provável
reação será a de perguntar quando foi que você disse que concordava em ser
obrigado a utilizar um nariz de palhaço dentro da sua casa.  

Ao que irei responder: “Ora, você se mudou
para perto de mim. E eu uso nariz de
palhaço na minha casa. Portanto, o
simples fato de você estar morando perto de mim significa que você, de uma
maneira um tanto mística e tácita, consente em também utilizar nariz de palhaço
dentro da sua casa, mesmo que você não goste da ideia.”

Os
estatistas simplesmente pegam este cenário que é evidentemente absurdo em nível
local e o expandem para um nível nacional: se você está aqui, então você deu
seu consentimento tácito a tudo o que se passa nele.

Mas
é realmente assim que as coisas devem funcionar? Como seria a sua vida se todos lhe
atribuíssem “consentimentos implícitos e tácitos”? Como seria o mundo? Alguém aceitaria este sistema?

Portanto,
quando os estatistas dizem que “ao estar aqui, você automaticamente consentiu
com as regras”, eles estão fugindo da questão principal. Eles já estão pressupondo a nossa aceitação
daquilo que ainda tem de ser provado. 

No
exemplo do nariz de palhaço, há uma distinção clara entre o sujeito que diz que
você tem de usar o nariz na propriedade dele e o sujeito que diz que você tem
de usar o nariz na sua própria casa

O
primeiro sujeito tem o direito de lhe impor o uso do nariz (e, se você não
aceitar, tem a liberdade de sair da casa dele);
já o segundo não tem este direito. Tudo
depende de quem está legitimamente
exercendo sua jurisdição
. Na
propriedade dele, ele é soberano. Na sua
propriedade, ele não é.

A
mesma regra tem de ser aplicada ao estado.  

As pessoas que fazem as leis de um país são as genuínas donas do
país? O país é propriedade delas? Desde quando? Elas adquiriram esta suposta propriedade do país de maneira justa? Houve o consentimento de 100% da população
(qualquer porcentagem abaixo desta indica que há indivíduos sendo
espoliados)? 

Estas são perguntas morais
que não podem ser ignoradas, mas que são totalmente desconsideradas pelos
estatistas.

O terceiro ponto: pagamos pela infraestrutura estatal

E
há, por último, o argumento de que nós libertários estamos constantemente utilizando
algumas infraestruturas estatais, como estradas, ruas, aeroportos, correios.  

Sendo assim, o simples fato de utilizarmos
estes bens e serviços significa que estamos consentindo com a existência do
estado e com a espoliação de nossa renda para a consecução destes serviços.

Outro
problema de raciocínio.  

Em primeiro
lugar, o fato de eu inevitavelmente utilizar sistemas monopolísticos, dos quais
eu simplesmente não tenho como escapar, de modo algum indica consentimento. Dizer que utilizar as ruas de uma cidade
indica consentimento com o estado é o mesmo que dizer que um prisioneiro que
come a comida fornecida pela penitenciária está consentindo em estar preso. 

Em
segundo lugar, sempre é bom lembrar que libertários, como todos os outros
cidadãos, também pagam impostos. Sendo
assim, é nosso dinheiro que foi utilizado para a construção destas
infraestruturas estatais. Logo, não há
absolutamente nada de contraditório em utilizá-las. Aliás, você tem todo o
direito de fazer uso delas, mesmo desprezando-as profundamente.

Para finalizar: eu não consinto

No fim, todo este argumento de ‘consentimento implícito’ e ‘consentimento
tácito’ não passa de uma patética cortina de fumaça criada para se desviar a
atenção daquilo que realmente importa: as
minhas palavras
.  

E as minhas reais palavras (aquilo que
realmente penso, e não aquilo que estatistas querem imputar a mim) não são de
consentimento, mas sim de discordância
e dissenso

Que
isso fique bem claro. As minhas
verdadeiras palavras são: Eu não dou meu
consentimento

E estas minhas
palavras claramente explicitadas e proferidas não podem ser sobrepujadas por um
místico ‘consentimento implícito’ que magicamente passa a existir em
decorrência do simples fato de eu estar em um determinado local.

Resta
óbvio que tudo isso não passa de um estratagema ridículo criado por pessoas que
simplesmente querem ter poder absoluto, mandar na vida dos outros e escolher
vencedores e perdedores.  

Uma vez
perpetrado o esbulho, elas tentam embasá-lo e justificá-lo recorrendo a truques
comportamentais, dizendo que determinadas atitudes minhas significam que eu
realmente estou pedindo para ser governado, que eu implicitamente estou
suplicando para ser controlado e mandado.

Não,
eu não pedi implicitamente por nada disso. E eu explicitamente digo que
“Não, eu não consinto em ser espoliado e controlado”.

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157 comentários em “Quando foi que você e eu assinamos o tal ‘contrato social’?”

  1. Otimo texto…como sempre bem abalisado e coeso…\r
    \r
    Porem fiquei em dúvida sobre o seguinte paragrafo : \r
    \r
    “A mesma regra tem de ser aplicada ao estado. As pessoas que fazem as leis de um país são as genuínas donas do país? O país é propriedade delas? Desde quando? Elas adquiriram esta suposta propriedade do país de maneira justa? Houve o consentimento de 100% da população (qualquer porcentagem abaixo desta indica que há indivíduos sendo espoliados)? Estas são perguntas morais que não podem ser ignoradas, mas que são totalmente desconsideradas pelos estatistas.”\r
    \r
    Essas pessoas que fazem as leis…elas indiretamente não tem o consentimento de 100% da população, por consequencia de serem eleitos por intermedio do voto popular ? E por causa dessa eleição eles não tem o dever de representar toda a população ? \r
    \r
    Grato !\r
    \r

  2. Christiano, qual criador de leis já foi eleito com os votos de 100% da população? Absolutamente todos os individuos votando no sujeito? Desconheço qualquer exemplo assim na história do mundo. E é exatamente desta condição que o texto fala.

  3. “Essas pessoas que fazem as leis…elas indiretamente não tem o consentimento de 100% da população, por consequencia de serem eleitos por intermedio do voto popular ?”

    Não. Apresento um exemplo simples: suponha que um deputado crie uma lei que determine que você deve morrer. E daí se voce não concorda? Se ela for aprovada, conta com o seu prórpio consentimento, logo você deve morrer sem reclamar ok?

    Há uma confusão patente aí sobre democracia, ditadura da maioria e direitos individuais. Democracia alguma pode violar o direito da vida, propriedade ou liberdade. Senão será apenas uma ditadura da maioria.

  4. Nasci anarquista, logo, o estado, com toda a sua força coerciva, veio me catalogar, me municipalizar, me estatizar, me etceteralizar. Não me perguntou se eu queria ou não ser registrado, não me deu outra opção e nem outro lugar livre (uma zona franca anarquista) para morar ou viver, ou, até mesmo, desenvolver minhas aptidões ou ideologia. E através de suas leis compulsórias, me obrigou a comprar seus produtos e serviços de quinta categoria a um preço exorbitante, já super inflacionado pela sua própria incompetência. Não posso reclamar, porque o PROCON esta contido nele (o Estado), não posso processá-lo, pois, a ele a justiça pertence. Não posso fugir, já que, o mundo está cercado por Estados. Santo Rothbard, venha me socorrer! Anon, SSXXI

  5. O próprio texto já dá um exemplo que pode ser adaptado a essa questão do voto dar consentimento. Dizer que votar dá consentimento é como dizer que o prisioneiro que escolhe qual prato de comida quer comer (ou quem será o cozinheiro) está com isso consentindo em ser preso.

    O Molineaux uma vez deu outro exemplo: “É como se duas crianças maiores roubassem o brinquedo de uma menor, mas deixassem o menor escolher quem iria ficar com o brinquedo roubado.”

    A grosso modo, o fato de poder escolher quem ocupará o cargo de relações públicas do teu mestre não faz com que você seja menos escravo. 😉

    (Isso sem entrar no mérito que você não escolhe nada… votar ou não votar não faz a menor diferença)

  6. mauricio barbosa

    Thomas woods é brilhante quando fala de assuntos econômicos,já em assuntos religiosos fica devendo pois apesar de não ter lido o livro em que ele elogia a igreja católica,tenho algumas criticas a fazer,pois a(igreja católica)vive de pedir ajuda estatal basta ver as reformas e restaurações de seus templos.
    Leandro qual a sua opinião a respeito disso,aliás a maioria das igrejas seja católica ou protestante gosta de receber uma benesse estatal.
    OBS:Não sou ateu,sou membro da igreja Batista.

  7. Monopólio eh uma bela região do sul da Itália. E muito difícil conflitar valores de épocas diferentes. Incomodar o seu Machiavel e apelar para esfera superior. As funções do Estado não devem ser contestada, mas sua incapacidade de dar resposta coerente aos seue cidadãos sim: veja os 2 processos do mensalao no STF!

  8. Itamar Gines Pereira

    Ótimo texto!\r
    Perfeito fabio! E só lembrando que se essa lei “de que você deve morrer” for vetada pelo Presidente da República, o congresso pode derrubá-la pela maioria de seus membros e reenviá-la ao Presidente para que este a promulgue. Alguém consente isso!\r
    Abraços!\r
    Ou

  9. Ivan Eugenio da Cunha

    Um ótimo artigo. Alias, mais um assalto à liberdade: acabaram de regulamentar a profissão de físico (www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRABALHO-E-PREVIDENCIA/423684-CAMARA-APROVA-REGULAMENTACAO-DA-PROFISSAO-DE-FISICO.html). Como sou formando em física (e sabendo a abrangência de onde um físico pode trabalhar e como profissionais de outras áreas também podem fazer o “trabalho de físico”) percebo o quanto essa regulamentação é absurda e prejudica até (alias, principalmente) os próprios físicos.

  10. Christiano Traba

    Boa noite…

    Não pude acompanhar todos os comentario e ou explicações para minha dúvida durante o dia mas acabei de ler todas…

    Agradeço a troca de ideia e informação, além dos debates que enriquece mais e mais os textos aqui publicados…

    Com os comentários vindo de todos conseguir entende melhor essa relação do qual criei minha dúvida…

    Grato !

    Grande Abraço a todos…e parabenizar alem dos idealizadores e os autores dos textos, as pessoas que participam comentando, analisando e debatendo, pois é por intermedio desse “extra” que muitas pessoas concluem sua ideia e seu entendimento quanto ao texto..

  11. É o argumento mais infantil que conheço, falava-mos isso na sexta-série do ensino fundamental.

    “Se você não gosta do Brasil por que não vai embora?”

    Quando alguem diz isso me lembro sempre do ensino fundamental. E o nível intelectual de quem diz isso é o mesmo de que um aluno de sexta-série.

  12. “quanto ao Thomas woods, só não vejo porque envolver religião para provar uma tese”

    Viajou hein campeão? Até eu que sou ateu não entendi necas dessa sua conclusão. Onde é que o Woods faz isso no artigo? Aliás em seus artigos em geral nunca vi o Woods utilizando religião para provar teses. De onde vc tirou Isso? Parece coisa de evangélico preconceituoso.

  13. O pior de tudo é que sequer existe para onde “fugir”. Em todo lugar o sistema é o mesmo. Talvez só reste alguma ilha deserta no meio do Pacífico…

  14. velha questão do contrato social… mas se a escola Austríaca tem esse pensamento, deve concordar na não cooperação com o liberalismo, como proceder?

  15. um dos melhores artigos que já li! Tb Gosto muito dos textos do lew rockwell, gary north, george reisman, Peter schiff e frank shostak. Além dos artigos estilo “vermelho e preto” do Leandro.

  16. Gustavo Miquelin Fernandes

    Penso que o Rosseau fez um grande esforço para fazer a legitimação da força.

    E até um período a tese foi bem aceita. O problema se dá quando da análise da democracia aplicada a este tipo de legitimaçao. Hoje a democracia tem sido entendida nao so como a “tirania das maiorias vencedoras”, mas qualitativamente também, com analisede fundo das ideias opostas. Sendo assim, se pequena parte fazer argumentaçao contestatoria dessa força estatal, municiada com um discurso racional, nao se pode falar que a ideia de Estado é totalmente democrática, nem, portanto, legítima.

  17. Mas esta argumentação é tão escorregadia que pode minar até propriedade privada(pilar do liberalismo econômico) que depende do estado como fiador. Pois esta tb é um contrato social que não é assinado por todos. Só que a proposta de Anarquismo que sobrou depois desta argumentação é como o Faroeste: deixe o sem lei, que própria lei da sobrevivência vai ordena-lo. Mas a proposta mais correta seria melhorar ainda mais a democracia para que o poder seja cada vez mais minimizado/repartido,pois a vida em sociedade nos impõe limites obviamente,mas tb nos dá benefícios.

  18. eu vou só ressaltar uma coisa que eu não concordei com o texto

    eu acho que a pessoa não tem que se mudar quando não concorda com alguma coisa e sim tentar mudar ela,imagine a situação,eu moro em um lugar e acontece lá uma coisa que eu não concordo,ai eu pego e me mudo para outro local que acontece a mesma coisa,imagine que essa situação aconteça n vezes e todas essas vezes,eu me mude chegará um momento em que acabara os lugares aonde eu possa morar sem ter algo que me incomode,ai a única coisa que eu vou poder fazer é tentar mudar o que está de errado,por isso que eu digo os incomodados que tentem mudar as coisas que os incomoda

  19. Como assim quando foi que você e eu assinamos o tal ‘contrato social’? Quando vocês nasceram, oras! Ao nascer numa sociedade com leis e estado vocês concordam com ela. Se não, então que tivessem nascido em outro lugar. Simples assim. O que não dá é pra vocês quererem mudar as regras no meio do jogo, só porque vocês não leram as letras miúdas do contrato. Parem com esse mimimi e continuem pagando suas cotas (leia-se impostos) em dia. Por causa da baixa arrecadação nem vai ter champagne na festa de final de ano no órgão em que estou comissionado.

  20. Creio que seja assim, mas me lembrei de uma frase excelente: “Democracia é quando mando em você, ditadura é quando você manda em mim”. Acredito que é o que temos hoje em dia uma ditadura, mascarada na pele de cordeiro da democracia.

  21. Com certeza o certo é não ter que ir embora, mas vamos ser realistas, o brasil é um esgoto, não vai ter jeito nunca.Enquanto gente iludida fica tentando mudar alguma coisa pela ‘cultura’ os estatistas avançam e ficam rindo na sua cara.
    A solução é ir embora, secessão, seasteading…brasil mesmo é um caso perdido.

  22. Porque um estado mínimo é justificável pela praxeologia:

    Com a praxeologia, constatamos que o progresso da civilização é construído através da poupança e acumulação de bens de capital, ou seja, devido a uma tendência de queda na preferência temporal. Através deste processo uma maior quantidade de bens presente é obtida por todos os envolvidos naquele mercado, e assim, por consequência, cairá a preferência temporal de todos os indivíduos levando a um continuo desenvolvimento da civilização. Já que com maior quantidade de bens, os indivíduos passaram a não só viver melhor, como também a poupar mais e a então planejar mais o seu próprio futuro.

    Com o estado crescente, segundo a teoria, este processo não só é atrasado como, possivelmente revertido. Isso porque o estado confisca parte dos bens presente, o que eleva a preferência temporal. Além disso, o próprio mudará os valores dos indivíduos, conforme cresce ele punirá mais aqueles que produzem a gratificará mais aqueles que não produzem ocorrendo uma inversão de valores. E também, ele tornará o futuro ainda mais incerto (Isso é agravado numa democracia), já que as leis e o confisco passaram a mudar constantemente, e com um futuro mais incerto as pessoas tenderão a valorizar mais o presente, ocorrendo assim um aumento na preferência temporal.

    Apesar de tudo, um estado mínimo pode provocar de inicio uma queda na preferência temporal (uma maior valorização do futuro). Isso se imaginamos que sem o estado as propriedade dos indivíduos tornam-se mais incertas, e portanto, a preferência dos indivíduos tornam-se altas.

    Mas se admitimos apenas um estado mínimo, que sirva apenas para garantir os direitos de propriedade, podemos concorda que ele forneça mais certeza ao futuro dos indivíduos, desta forma permitindo que os indivíduos planejem mais o futuro, e assim, por consequência, crie uma tendência a uma queda na preferência temporal (conforme explicado no primeiro parágrafo).

  23. Tarcisio Cardoso

    O direito de “espoliar” esta na constituição:

    “O princípio da igualdade pressupõe que as pessoas colocadas em situações diferentes sejam tratadas de forma desigual: "Dar tratamento isonômico às partes significa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades". (NERY JUNIOR, 1999, p. 42). “

    (anajus.jusbrasil.com.br/noticias/2803750/principio-constitucional-da-igualdade)

    Todos tem o direito de lutar para mudar a constituição, todavia todos tem o dever de seguir a constituição.

  24. Ir embora para onde? O planeta inteiro está estatizado!

    O mundo moderno não é tão diferente assim do feudalismo medieval.

    * * *

  25. Incrível, Woods se diz católico e escreve livros parcialmente apologéticos, mas muito mais com teor histórico.

    Mas ele é libertário ? O que os libertários pregam, o FIM (F-I-M), e provavelmente o fim da democracia -sim o fim da democracia, e como viveremos sem sem políticos e sem bases sólidas cristãs, numa era que está; e está mesmo sendo pós-cristã, que isso afetará todos nós, religiosos ou seculares. E porque isso nos afetaria ?. Com o fim da democracia e a cultura ocidental -que o cristianismo vem junto- substituiríamos talvez o direito e a lei greco-romana, por um sharia ? (jurisprudência islâmica ?). De intolerância a usuários de drogas, homossexuais, cristão, judeus, lésbicas, travestis, liberdade de expressão, liberdade de credo enfim a pluralismo religioso.

    Já que os libertários odeiam tanto a cultura ocidental a moralidade judaico-cristã e seus valores. Substituiríamos isso tudo pelo que ?

  26. TEXTO BOM, MAS NA MINHA OPINIÃO MUITO FALHO.

    EM PRIMEIRO JUGAR, DEVO ESCLARECER QUE ME ENQUADRO COMO TIPO DE PESSOA LIBERTÁRIA, COMO MENCIONA O TEXTO E CONCORDO QUE O ESTADO NÃO DEVERIA SER IMPERIOSO COMO É.

    MAS O FATO DE EU SER ESSE TIPO DE PESSOA NÃO QUER DIZER QUE O RESTO DAS PESSOAS TENHAM QUE SER ASSIM TAMBÉM, ALIAS, É JUSTAMENTE ESSA “OBRIGATORIEDADE” DE TER DE ACEITAR O ESTADO O QUE MAIS ME INCOMODA, PORTANTO, NÃO POSSO PENSAR EM OBRIGAR NINGUÉM A ESTAR DESCONTENTE COMO EU.

    DIANTE DESTE DIAPASÃO, FAÇO O SEGUINTE RACIOCÍNIO, SEMPRE RESSALVANDO QUE SOU CONTRA O MODELO ATUAL DA NOSSA SOCIEDADE. EM TERMOS GERAIS É O SEGUINTE:

    A HUMANIDADE CHEGOU A UM MODELO QUE DENOMINOU-SE DEMOCRACIA,
    ESTE MODELO LEGITIMA QUEM TEM A MAIORIA DOS VOTOS “DEMOCRATICAMENTE” OBTIDOS – RESSALVANDO O MODELO DE LEGENDA PARTIDÁRIA ADOTADO NO PAÍS POIS TAMBÉM FOI “DEMOCRATICAMENTE” INSTITUÍDO – LOGO, DENTRO DESTE MODELO NÃO É NECESSÁRIA O CONSENTIMENTO DE 100% DAS PESSOAS, ALIÁS, UNANIMIDADE, COMO DIZ O DITADO, É BURRA, E AO MEU VER IMPOSSÍVEL DE SE ALCANÇAR.

    O AUTOR DO TEXTO APENAS DESCORDA DO MODELO “DEMOCRÁTICO” E REPRESENTATIVO DE GOVERNO, O QUE EU TAMBÉM DESCORDO, MAS SE RESUME A ATACAR OS QUE DEFENDEM TAL MODELO

    NÃO HÁ COMO SE VIVER SEM UM MODELO SOCIETÁRIO, ALIÁS, ISSO SE CHAMA ANARQUIA.

    MINHA CONCLUSÃO É QUE NÃO DEVEMOS ATACAR QUEM PENSA CONTRÁRIO A NÓS, NO CASO OS ESTATISTAS, MAS SIM NOS UNIR A QUEM PENSA PARECIDO NO INTUITO DE ENCONTRARMOS UM MODELO DE SOCIEDADE MENOS INVASIVO E IMPERATIVO E CONVENCERMOS A MAIORIA DE QUE HÁ UM CAMINHO MELHOR A SEGUIR.

    OS ESTATISTAS SÃO MUITOS E MUITO UNIDOS, POR ISSO O SISTEMA DELES PREVALECE

  27. O contrato-social é só uma figura de linguagem para representar a escolha do homem primitivo pelo modelo hierarquizado, e não a anarquia. Foi o meio encontrado pelo ser humano primitivo e as civilizações do passado para se defender dos invasores, da violência.

  28. Justificando o estado com uma pergunta…”Que tomada de decisão que envolva duas pessoas não demanda uma estrutura hierárquica entre elas ou de um acordo mútuo?”

  29. Se tem um arranjo que já está com os dias totalmente contados, esse arranjo é a democracia.

    Pode observar: ninguém mais aceita resultado de eleição. E isso é em todos os países do mundo.

    No Brasil, metade não aceitou o resultado de 2014. E a outra metade não aceita o resultado de 2018.

    Nos EUA, metade não aceitou o resultado de 2016. E a outra metade não vai aceitar o resultado de 2020, independentemente de qual seja.

    No Reino Unido, votaram pelo Brexit duas vezes (a segunda vez, com a eleição de Johnson) e nada. Parece que a coisa foi abolida. A tal “soberania popular” foi pro saco.

    Na Itália, nenhum resultado eleitoral dura mais de três meses. Um político é eleito, mas não consegue formar governo.

    Na Bélgica, nem mais há eleição.

    Em Portugal, um partido de direita ganhou a eleição e, três meses depois, o Partido Socialista, que ficou em terceiro lugar, fez uma manobra no parlamento e simplesmente assumiu o governo. E está lá até hoje. Algo muito similar ocorreu na Espanha.

    Mesmo na França, um país cuja população adora estado, nenhum governo consegue legitimidade.

    Na Argentina, o mesmo fenômeno. Peru e Bolívia também. Aliás, no Peru, o presidente eleito em 2017 foi destruído, e assumiu o vice. O vice foi impichado semana passada por um congresso dominado pela oposição. O presidente do Congresso, que era da oposição, virou governo. Como ele é de esquerda, ninguém disse que foi golpe.

    O único país que ainda aceita resultado de eleição é o Japão. Mas isso é muito mais uma questão cultural, dado que o japonês é um povo orgulhosamente submisso.

    Minha humilde sugestão é começarmos, desde já, a discutir uma alternativa à democracia. É fato líquido e certo que a democracia vai acabar. A questão é o que irá substituí-la quando ela cair. É bom começarmos os debates para que, quando a democracia cair, um modelo substituto já esteja pronto. Se não estiver, você sabem o que virá.

  30. Estado máximo, cidadão mínimo

    O que virá já foi revelado: governo tecnocrático e os países mundo afora apenas acatando suas diretrizes. Pior que, ao contrário do que a elite de Davos pensa, isso vai gerar mais discórdia ainda pelo visto (assisti um vídeo de Klaus Schwab no YouTube e quase todos os comentários mostravam desaprovação ao que ele prega).

  31. Sinto falta dos artigos mais filosóficos do Mises.

    Não digo isso como uma reclamação, apenas uma observação mesmo. Há tempos atrás tinham artigos que falavam mais sobre estoicismo (ainda que de forma indireta), e da irrelevância da política, da busca pela liberdade que vem de dentro, esse tipo de coisa.

  32. Viver sem “estado” é melhor que viver sem estado nenhum. Vejam o caso de diversas ditas desgovernada nações africanas, onde diversos grupos guerrilheiros se degladiam em uma guerra eterna. Lá o cidadão que deseja empreender em algo produtivo não possui segurança nenhuma, pois de uma hora para outra seu estabelecimento ou mesmo uma simples lavoura será invadido levando seu trabalho de anos. Está aí a explicação da eterna pobreza da África, a falta de estado, o anarquismo da luta pelo poder entre diversos grupos guerrilheiros. Deus afaste do Brasil essa horrível opção.

  33. Ao meu ver a democracia se tornou um problema gigante para a elite estatal (burocratas, empresas ”amigas”, políticos, carreiristas). Eles já não conseguem mais domar o gado pois parte não aceita o resultado do outro lado.

    Antes do advento da internet era uma coisa, dava para manipular, mentir, fazer o povo aceitar uma eleição facilmente. Hoje, com o nível absurdo de informação, está se tornando impossível.

    Pensem, os EUA nunca tiveram um golpe de estado ou uma ditadura, nunca nem impeachment tiveram, mesmo assim, hoje, o povo americano não mais aceita o resultado de uma eleição. Cada lado está ingovernável.

    Isso está acontecendo em todos os países. Para a elite estatal só há uma saída. Fim da democracia, substituição por uma tecnocracia ou retorno ao socialismo puro mesmo. Chega de deixar nas mãos do povo essas decisões que para eles, deve ser tomada por especialistas.

    Sim, os ditos ”especialistas” da rede globo tem mais autoridade sobre sua vida que você, meu caro amigo. Assim, parece ser o futuro. Sobre o fluxo gigantesco de informação, não precisa mudar muito. Basta calar os líderes, os principais canais influenciadores. Na mente deles, isso deve ser o suficiente para domar o gado.

    Um sistema chinês de controle parece ser a saída para os poucos países democráticos que existem. AS decisões do estado nas mãos de poucos, restrição de liberdade de expressão, economia controlada totalmente pelo estado. S

    Se vcs pensarem bem, já vivemos nesse modelo.

    Poucas decisões são tomadas em prol do povo, sempre visando interesses escusos de políticos e agregados. Temos pouca liberdade de expressão, até nos EUA canais libertários e conservadores estão sendo excluídos e os donos processados. Empresas sempre tem gigantesca intervenção. Qualquer fiscal da prefeitura manda mais na sua empresa que você mesmo. A não ser que vc tenha dinheiro para advogados ou seja amigo de um político.

  34. A democracia é um sistema que garante que se possa de tempos em tempos alternar quem está no poder, dando a todos a possibilidade de chegar lá. Bem simples assim. Por isso ela deve ser mantida e preservada sob qualquer meio. A pior democracia, é melhor que a maior ditadura. Isto posto, temos que numa sociedade, para que não se viva numa luta eterna, na lei do mais forte (isso seria um estado primitivo), com todos podendo ter o direito de viver, o estado surge enquanto organização, aonde cada um que vive sob um determinado território, passam a fazer parte de um conjunto populacional, cede um pouco de sua liberdade para um ente fictício (estado), cujo controle está sob estas mesmas pessoas, que o regem através de um sistema, no caso da maioria dos lugares, democrático, de modo que este estado, use esse poder que lhe foi conferido pela cessão de parte de nossa liberdades, para que todos possamos conviver harmoniosamente, com nossa vida, saúde, propriedades e demais coisas que compõem nossa vidas preservadas e sem ter que estar em luta ou guerra com o vizinho a cada vez.

  35. A questão não é se, mas quando o estado nação vai ser dissolvido. Isso não é uma questão gradual ou revolucionária, é fatalística graças a distribuição da informação. Os negócios se tornarão cada vez mais pulverizados, privados e anônimos que os monopolistas da força não conseguirão roubar o suficiente para sustentar seus mercenários.

  36. A solução é simples: Não querem viver em sociedade, façam como o Robinson Crusoé. Querem as benesses da civilização? Se adequem a normas de convívio e lembrem que sociedades são formadas por indivíduos, sim, mas visam algo maior que somente o indivíduo.

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