Embora quase todos os
países democráticos sofram com governos inchados, excesso de regulamentação, altos
impostos e uma enorme dívida pública, poucas pessoas conseguem vislumbrar a relação causal
entre estes problemas e o próprio sistema democrático. Para a maioria, a solução
para estes problemas é mais democracia, e não menos.
Muitos ainda
acreditam que democracia corresponde a prosperidade, igualdade, justiça, união
e liberdade. Mas não há nenhuma evidência de nada disso. A democracia se
apóia em três princípios fundamentais: você tem o direito de votar, você tem o
direito de concorrer a um cargo público, e a maioria decide. E só. Em
nenhum lugar está escrito, por exemplo, que a democracia garante o direito à
liberdade de expressão, um direito que muitas pessoas associam à democracia. Nem há qualquer explicação lógica que mostre
por que a democracia tende a gerar prosperidade.
As pessoas
simplesmente aceitam como verdade absoluta o senso comum que diz que a
democracia gera todas estas benesses. A verdade, no
entanto, é exatamente oposta a este senso comum. Os próprios princípios da democracia dão
origem a processos que conduzem a sociedade para o oposto da liberdade e da
prosperidade.
Os processos mais
importantes são os seguintes.
1) Comportamento imediatista
Como Hans-Hermann
Hoppe explicou em seu livro Democracia, o deus que falhou — a democracia inevitavelmente gera uma preferência temporal alta
— isto é, leva a um comportamento imediatista, míope, visando apenas ao curto
prazo — tanto entre os governantes como entre os cidadãos. Dado que os políticos democraticamente eleitos
ficarão apenas temporariamente no cargo, e eles não são os proprietários dos
recursos à sua disposição, eles serão acometidos de um irrefreável incentivo
para gastar dinheiro público em projetos que os tornem populares, desconsiderando
as consequências futuras de tal ato. Os
problemas que eles criam ao longo do caminho, como o forte aumento da dívida
pública, serão deixados para que seus sucessores resolvam. Uma sociedade democrática é como um carro
alugado — ou pior: um carro que é não propriedade de ninguém e utilizado por
todos. Ela rapidamente se destrói.
2) Conflito social e parasitismo
Democracia é um
sistema em que as pessoas votam naqueles políticos que elas creem que irão
favorecê-las com benesses e privilégios, de modo que a conta seja entregue a
outras pessoas. A democracia, portanto,
inerentemente faz com que haja um imediato conflito grupal: funcionários públicos contra trabalhadores do setor privado, empregadores contra empregados, agricultores
contra moradores urbanos, idosos contra jovens, imigrantes contra nativos etc. Isso gera um comportamento parasitário e tensões
sociais.
Este é o resultado do
princípio democrático que preconiza que todas as decisões importantes devem
estar sujeitas à vontade da maioria, isto é, devem ser decididas pelo estado,
o que transforma todos os indivíduos em meras engrenagens de um sistema político
coletivista. Em uma sociedade livre,
baseada em direitos individuais, indivíduos com diferentes visões e objetivos não
se tornam potenciais inimigos mútuos. Eles
podem colaborar entre si, comercializar uns com os outros, ou simplesmente se
isolar e não se intrometer na vida de ninguém — mas eles certamente não terão
meios coercivos com os quais obrigar outros cidadãos a satisfazer seus próprios
fins.
A democracia cria uma
discórdia que não existiria em uma sociedade livre. Indivíduos não se importam se o sujeito que
lhes vende uma xícara de café em uma padaria é judeu, católico, protestante,
muçulmano, ateu, branco, preto, solteiro, casado, gay, hétero, velho, jovem,
nativo, imigrante, alcoólatra, abstêmio ou qualquer outra coisa. Nada disso importa no curso de sua
interatividade diária com as pessoas.
Por meio do comércio e da cooperação, cada pessoa ajuda as outras a alcançar
suas aspirações. Se alguém diferente de
você se muda para a sua vizinhança, você fará o seu melhor para lidar bem com
ele. Seja na igreja, no shopping, na
academia ou até mesmo casualmente nas ruas, nós sempre nos esforçamos para
encontrar maneiras de sermos civis e prestativos.
Agora, coloque estas
mesmas pessoas na arena política e elas imediatamente se tornam inimigas. Por quê?
A política não é cooperativa, como o mercado; ela é exploradora. O sistema é configurado para ameaçar a
identidade e as opções dos outros. Todo
mundo deve batalhar para impor as suas preferências. Consequentemente, coalizões se formam, bem
como alianças espúrias e momentâneas, que constantemente se alteram. Este é o mundo imoral em que o estado — por
meio da máquina eleitoral — nos joga.
Nele, torcemos para que o nosso cara vença e desejamos a morte política
do oponente.
O jogo democrático
confunde as pessoas em relação ao real inimigo.
O estado é a instituição que gera e vive à custa destas divisões. No entanto, as pessoas são distraídas deste
fato por causa do endeusamento do sistema. Os
negros culpam os brancos, os homens culpam as mulheres, os héteros culpam os
gays, os pobres culpam os ricos e assim vai, em um infinito número de
combinações possíveis.
O resultado final é a
destruição dos cidadãos, e uma vida próspera para a elite política.
3) Intromissão
Embora muitas pessoas
associem democracia a liberdade, o fato é que nenhuma liberdade está segura em
uma democracia. Se a maioria (ou, muitas
vezes, alguns pequenos grupos influentes) quiser, ela poderá intervir em
qualquer tipo de ação, transação ou relacionamento voluntários — e é isso que
ela faz. Ela proíbe as pessoas de beber
álcool em determinadas circunstâncias, de queimar bandeiras, de se manifestar
contra as guerras, de assistir a determinados filmes, de “discriminar”
e assim por diante. Os governos democráticos
continuamente intervêm em transações voluntárias entre vendedores e
compradores, empregadores e empregados, professores e alunos, médicos e
pacientes, inquilinos e proprietários, prestadores de serviços e clientes etc. Eles também se intrometem nas escolhas
pessoais: a sua escolha de fumar, de usar drogas, de se envolver em profissões específicas
(para as quais você não possui uma “licença”), de
“discriminar” (isto é, de escolher com quem você quer se associar), de
criar produtos específicos (para os quais existe uma ‘patente’, isto é, um
monopólio do governo) etc. Não há limites
para esta intromissão. A pouca liberdade
que ainda temos nas sociedades ocidentais não se deve à democracia, mas sim à
nossa tradição de amor à liberdade.
4) Coletivismo e passividade
Nos tempos pré-democráticos,
a tendência era a de os governados não confiarem nos governantes, e cada novo
imposto criado era visto como uma violação à liberdade. Porém, atualmente, as decisões democráticas
são vistas como fundamentalmente legítimas, pois, de acordo com o senso comum, tais
decisões foram supostamente tomadas pelas próprias pessoas.
Durante as eras monárquicas,
poucos nutriam a esperança de chegar ao poder; consequentemente, a maioria
suspeitava de todos aqueles que estavam no poder. Já a democracia, por outro lado, permite, ao menos
na teoria, que todos possam chegar ao poder. Isto faz com que as pessoas acreditem que elas
devam se submeter à regra da maioria. Elas podem não concordar com leis e
regulamentos específicos, mas elas sentem que devem cumpri-los. Mas, naturalmente, elas tentarão eleger um
partido específico que crie leis que as beneficiem e que faça com que o
dinheiro distribuído pela máquina estatal flua na direção delas. Foi assim os gastos estatais cresceram, na
maioria dos países democráticos, de cerca de 10% do PIB antes da Primeira
Guerra Mundial para os quase 50% atuais. É também por isso que temos tantas leis atualmente,
de modo que podemos dizer com total segurança que há uma lei específica para absolutamente
tudo que existe.
Gasto público, % PIB
[veja
o gráfico para o Brasil no final do artigo]
5) Corrupção e abuso
Embora a governança da
maioria seja suficientemente ruim por si só, a realidade de uma democracia é
muito mais sórdida. Dado que o governo
eleito tem poder virtualmente ilimitado e controla praticamente todos os
recursos da sociedade, todos os tipos de grupos de interesses e lobistas irão trabalhar
nos bastidores para influenciar o governo a criar e modificar leis para seu
proveito próprio. Um exemplo óbvio são
os bancos e os interesses financeiros que, em conjunto com o governo, criaram
um sistema de papel-moeda o qual eles controlam e manipulam para seu próprio benefício.
Mas há também vários outros
interesses poderosos que utilizam o sistema para proveito próprio e em
detrimento do resto do povo: sindicatos, ONGs, empresas farmacêuticas,
produtores rurais, empresas telefônicas, aéreas, de comunicação etc. Os cidadãos comuns não podem fazer quase nada à
respeito. Eles geralmente não têm os
meios ou o tempo para descobrir e entender o que está
acontecendo. Tudo o que podem fazer é
votar de vez em quando, mas eles não têm como responsabilizar seus governantes por suas
ações.
Portanto, as nossas mazelas
econômicas e sociais não decorrem do manjado fato que “os políticos errados
estão no poder”. É o próprio sistema
democrático quem causa os problemas. O
que realmente deve ser feito é mudar o sistema para que ele se torne menos democrático, e não mais. E a forma mais importante e eficaz de fazer
isso é retirando poderes do governo e descentralizando ao máximo todos os processos
de tomada de decisão.
Gastos das três esferas
do estado brasileiro em porcentagem do PIB.
Note a disparada a partir de 1985, justamente quando a democracia se
consolidou (Fontes: IBGE
e Heritage
Foundation).


Gostei do artigo. Veio justamente um dia depois das eleições na França…
A tabela com a progressão dos gastos governamentais é deprimente. Ao menos serve como argumento contra qualquer perdido que venha com aquele papo furado de que estamos cada vez mais “neoliberais”.
Pergunta: no gráfico final com os gastos do governo brasileiro, estão inclusos os gastos financiados com inflação, ou trata-se apenas da carga tributária?
Bom dia!
Enviei este post a um amigo e ele me respondeu:
“Caro Amauri, em qualquer documento constitucional democratico existe a garantia a liberdade de expressao.”
abraços
A minha grande frustração com relação a democracia é que na maioria das vezes ela impede de se fazer o bem e permite se fazer o mal; vender o futuro para se comprar o presente.\r
O Brasil tem agravante dos programas clientelistas que não impedem os parasitas de votar se o beneficiário do bolsa familia fosse impedido de votar ele essa teta secaria.
Grato Luis Almeida pela atenção.
Hans-Hermann Hoppe dizem que defendia a total eliminação do Estado. É correto? abs
Muito bom o artigo.
já estou acompanhando o site à algum tempo, mas sempre me vem uma duvida,
como ficariam instituições como a policia, as escolas publicas e a área da saúde em uma economia livre?
como poderiam ser evitados abusos na iniciativa privada como cartéis, abusos de preços e monopólios??
Uma vez que o mercado não é regulamentado (ou é pouco) na economia livre. o Estado não tem poder, ou tem pouco poder para inibir esses abusos.
Excelente artigo!
Os gráficos mostram a soma da carga tributária com o deficit nominal?
Tá. A culpa é da democracia e não do que estão fazendo com ela, inclusive e principalmente os partidos de esquerda, que estão à frente do Governo Federal.
Se fosse realidade, se a culpa fosse da democracia, qual seria a outra opção?
Boa tarde. Como o assunto do artigo é a democracia, vcs teriam alguma informação de como era a economia brasileira na época do império? Pelo que eu li até hoje, a economia era muito mais livre naquela época do que é hoje, mesmo possuindo seus problemas. O Visconde de Mauá, por exemplo, chegou a ser mais rico do que o imperador.
Baita artigo! Muito bom
Obrigado
Ainda correta a frase “a Democracia é o pior dos regimes, com exceção de todos os demais”. Me parece que é de Churchill, tanto faz. É realmente um sistema ruim, que leva a ineficiência, mas qual regime se mostrou melhor até hoje? Qual seria a melhor opção?
O problema maior da democracia, na minha opiniao, eh a decisao de como os outros gastam o seu dinheiro.
Se voce olha a opiniao geral em Blogs Automotivos sobre as novas regulacoes CAFE, todo mundo eh a favor de regulacoes que diminuem o consumo de combustivel dos carros. Eh um conceito “bonito”, mas isso acontece porque eles nao pensam em como o preco dos carros vai aumentar como resultado. Alem do mais, se voce quer um carro mais eficiente, simplesmente va a concesionaria e compre-o! Nao precisa de uma Lei.
Eu sempre uso este exemplo quando estou discutindo: se em sua cidade, fizessem um plebicito para passar uma lei de melhoria da aparencia de lojas em geral, voce votaria a favor ou em contra? Muitas pessoas, devido ao conceito “bonito”, votariam a favor. Porem, se voce faz a mesma pergunta de outra forme, voce percebe a hipocrisia; voce prefere pagar 100 reais numa loja bonita, ou 50 reais numa loja feia, pelo mesmo produto? A maioria dira que prefere gastar menos, numa loja feia.
Obviamente, o exemplo eh exagerado, mas a observacao eh que eh muito facil fazer decisoes com o dinheiro alheio. A democracia eh assim; voce decide pelos outros. Se vc for decidir com o seu proprio dinheiro, no entanto, a decisao sera diferente. As pessoas deveriam ter casas proprias? Deveriam ir pra faculdade? Sao todos conceitos “bonitos”, que vao muito bem na democracia, mas em muitos casos nao vale a pena o custo, para uma pessoa especifica.
Abracos!
Há algum tempo entendi a farsa que é essa tal de democracia. Muito bom ler um artigo explicando essa lorota toda. Impressionante como somos alienados com “belas idéias” desde pequenos. Alguns seguem alienados pela vida toda.
Entendo que basta propor a diminuição do estado. Um estado menor, contido em sua ação por restrições financeiras e de violar a liberdade individual, já não teria como atender as demandas democráticas.
Ainda assim, este estado (um estado mínimo) deveria ser uma democracia, não?
O problema não é a democracia. O problema é o poder. O poder é maligno e não importa como ele foi obtido, se democraticamente ou pelo derramamento de sangue.
Ao atacar a democracia você pode estar atraindo a simpatia de grupos que não querem a democracia NEM a Liberdade Individual. Um tiro no pé, acho.
Aviso aos comunistas,socialistas e democratas de plantão, até na Bíblia as Escrituras Sagradas para todos nós Cristãos e Judeus, as instituições políticas são condenáveis basta ler o capitulo 8 do livro primeiro de SAMUEL,leiam e reflitam,estarei aguardando resposta.Ok!Um abraço a todos, libertários ou não.
Acho que um dos motivos da deificação da democracia é o mito de que as alternativas a ela são somente ditaduras e tiranias. Descontruir isso não vai ser fácil, mas é um passo muito importante pra disseminar as idéias de liberdade!
Continuem com o excelente trabalho.
Farley e Amaurih, a solução é uma “sociedade de leis privadas”. Em uma sociedade de leis privadas (isto é, leis válidas para o que é privado), cada indivíduo e cada instituição estão sujeitos ao mesmo e único arranjo de leis. Nenhuma lei pública concedendo privilégios a pessoas ou cargos específicos existiria nessa sociedade.
Haveria apenas a propriedade privada e as leis aplicáveis para o que é privado, sendo que as leis são igualmente aplicáveis para absolutamente todos os indivíduos. Ninguém poderia legalmente adquirir propriedade por meios que não fossem a produção, as trocas voluntárias ou a apropriação original de recursos naturais que ainda não possuíssem donos legítimos. Ninguém possuiria o privilégio de tributar e expropriar. Ademais, ninguém poderia proibir outra pessoa de utilizar sua propriedade para entrar em qualquer setor da economia que ela desejasse para poder concorrer no mercado contra quem ela quisesse.
Por que esta tara em ter políticos e burocratas mandando em suas vidas? Ainda usam chupeta?
Acho que um problema essencial é que votamos em alguém que terá poder de decisão nos mais variados assuntos.
Dessa forma, o nosso candidato ideal seria aquele que com o qual concordamos em todos os assuntos, o que é impossível e acabamos escolhendo quem não representa inteiramente nossa vontade.
Se pudessemos escolher, por exemplo, 1 deputado que possa votar apenas em assuntos economicos, outro apenas em assuntos relativos a direitos civis, etc, poderíamos ter uma representatividade mais fiel a realidade. No entanto, políticos simplesmente mentem.
Será que este tipo de representatividade mudaria alguma coisa ?
Pessoal o capitulo 8 do livro primeiro de SAMUEL que está na Bíblia é um capítulo fascinante, nele o profeta Samuel expõe aos hebreus(judeus)ás advertências de DEUS.
Nesta passagem DEUS os adverte da escravidão,do serviço militar obrigatório,da tributação do rei,enfim tudo aquilo que nós libertários condenamos,leiam e tirem suas próprias conclusões,não se trata de fanatismo ou religiosidade,mas simplesmente de um texto maravilhoso,leiam com a mente aberta,sem medo pois como diz o ditado só se pode falar que uma laranja é doce experimentando-a.
Só uma dúvida: em comparação com os países da Europa (exceto a Suíça q hj ñ gasta mto em comparação com os outros países europeus, mas no século XIX, o governo suíço era o mais perdulário mundo, pelo menos em 1870, segundo estas estatísticas) e os EUA, o Japão ñ apresentou mto aumento nos gastos públicos, o Estado japonês gastou no máximo 40% do seu PIB nas últimas décadas (eqto em países como a Suécia, os gastos públicos superam 50% do PIB, e ñ têm problemas de endividamento público). Então pq o Japão é o SEGUNDO PAÍS MAIS ENDIVIDADO DO MUNDO, com uma divida pública SUPERIOR ao DOBRO DO SEU PIB?
Vão citar Bíblia como referência? Vou citar gibi da Turma da Mônica, já que mitologia tá liberada.
O texo do HH Pope é perfeito, nada a acrescentar. Difícil é conseguir criticar democracia sem ser linchado pelas pessoas. Ah, dá até preguiça.
A diferença entre uma democracia e uma tirania é se o estado está contra ou a favor de você.
Esperei uma conclusão para mostrar as alternativas, pelo visto vai ficar pra próxima…
Quanto à questão do voto obrigatório, gostaria de dar uma contribuição: caso alguém não esteja disposto a sair de sua cama quentinha e escolher entre um candidato do PT ou um do PSDB (que belíssimas alternativas, não?), ele poderá fazer a melhor escolha de todas, que é ficar em sua cama quentinha e depois pagar uma multa irrisória de alguns reais (sinto dizer, mas a multa deverá ser paga numa agência do Banco do Brasil). Ainda assim, levando-se em conta que a regularização poderá ser feita até poucas semanas antes da eleição seguinte, é um ótimo negócio. Quero deixar claro que considero o voto obrigatório uma das maiores imbecilidades jamais perpetradas pelo estado brasileiro, e uma das várias razões pela quais sinto vergonha de ser brasileiro. Entretanto, vejo que a maioria das pessoas imagina que, não votando, sofrerá punições severas, o que (ainda) não é o caso.
a questão é que a democracia atual é ineficaz como forma de governo, até entendo que alguns leitores defendam que a melhor maneira de se decidir algo é pela vontade da maioria.
Mas de que adianta se a maioria não sabe o que faz ou o que quer?
(a regra de Paretto é aplicável à população também)
Tenhamos como exemplo a nossas eleições
estas foram as opiniões de algumas pessoas conhecidas minhas.
– vou votar na fulana porque ela é mulher
– Vou votar no fulano porque ele é contra burgues
– vou votar em fulano porque meu pai votou nele
– vou votar em fulano porque ele ta em primeiro
– vou votar em fulano porque ele é bonito
além da mídia que controla que será eleito por meio das “pesquisas” (vide reeleição do Bush)
que tipo de razão é essa para se definir um voto?
É a prova de que a nossa democracia é falha
além do que, de nada adianta votar em alguém para este alguém montar em cima da maquina publica se as engrenagens continuam as mesmas..
Existe algum projeto libertário para a substituição ou pelo menos diminuição do ESTADO?
Pergunto isso pois fiz a leitura de muitos dos textos aqui, incluindo os comentários, muita coisa boa, muita proposta bacana, mas não consigo ver uma forma de transição entre o proposto e a realidade hoje (nosso sistema social-democrático), se houver algum texto sobre isso agradeço, até para poder debater sobre isso com outras pessoas adeptas ao pensamento democrático, tendo como base esse projeto de transição.
Obrigado.
‘ A democracia, portanto, inerentemente faz com que haja um imediato conflito grupal: os agricultores contra os moradores urbanos, os idosos contra os jovens, os imigrantes contra os residentes, empregadores contra empregados etc. Isso gera um comportamento parasitário e tensões sociais. ‘
Achei essa parte meio poliana, não que a democracia seja grandes coisas, mas será que a culpa é SÓ dela?
Por exemplo, alguém ta acompanhando como a mídia americana ta tratando esse caso Traivon Martin? É ridículo
http://www.youtube.com/watch?v=cgB5UlKktiM&feature=g-u-u
http://www.lewrockwell.com/blog/lewrw/archives/110600.html
No mínimo a midia gringa é tão podre quanto o governo
Um dos prejuízos da democracia é a degradação gradual do meio ambiente.
Esses dias estava vendo uns estudos sobre o massivo aumento do consumo de carne em todo mundo, financiando por políticas governamentais, e os prejuízos ambientais que isso traria para o mundo.
Num livre-mercado, esses prejuízos seriam calculados e o preço da carne, por exemplo, seria calculado de modo a evitar uma escassez no futuro pelo abuso atual.
Mas numa sociedade democrática, os governos estimulam mais e mais, visando a popularidade. Os produtores produzem cada vez mais, sem se importar ou planejar o futuro, visando aproveitar os benefícios governamentais, que escolhem produtos para ter preço baixo, ignorando a escassez, somente para ter popularidade.
Alguém pode me explicar a real diferença entre democracia e República?
Não li o texto, ok, erro meu, mas fiquei num instante curioso pra ver qual era a solução. Então leio: “E a forma mais importante e eficaz de fazer isso é retirando poderes do governo e descentralizando ao máximo todos os processos de tomada de decisão”.
Concordo com isso. Mas acho que há talvez um erro em dizer que a solução seja diminuir a democracia. Na verdade, o que precisa ser diminuído é a burocracia, e acredito que esse processo sugerido no texto aumentaria os poderes dos indivíduos e construiria, sim, uma democracia digna de receber esse nome.
.
Quanta idiotice…
.
Se estivéssemos sem o manto do estado, seríamos feudos, vivendo sob o regime da escravidão, com o único direito de obedecer
.
Hayek propôs um sistema que ele chamou de DEMARQUIA, basicamente uma democracia, mas limitada pela LEI, sendo que para um lei ser considerada como tal ela deveria ter diversos atributos, entre os quais ser geral (aplicada igualmente a todos), prospectiva (válida somente de sua promulgação em diante), etc.
Na época da constituinte de 1989, Henri Maksoud escreveu uma constituição demarquista para o Brasil e a publicou na revista Visão. Ele tinha um programa de entrevistas na TV e convidou diversas pessoas para comentar sua propostas (lembro de ter assistido a conversa com Yves Gandra e com Roberto Freire).
A proposta de Masoud acatava a proposta de Hayek de um poder Legislativo apartidário e eleito entre coetâneos na faixa de 60 a 65 anos. Isso tornava a proposta um tanto quanto bizarra para os padrões que estamos acostumados.
Enfim, a Demarquia de Hayek é uma proposta concebida exatamente para tentar retirar os aspectos ruins da democracia.
Nunca mais vi debates sobre isso…
Às vezes parece que os Libertários sugerem que, enquanto não se realiza sua utopia, uma autocracia é superior, na sua hierarquia de valores, em relação à democracia atual. Curioso que vivi 7 anos em meio militar, e ainda mantive contato com os que prosseguiram, e muitos destes argumentos são utilizados pelos entusiastas da nossa nada saudosa ditadura civil-militar…
Se as pessoas entendessem esses fatos, certamente a democracia não seria o ‘Deus’ que é.
Parabéns pelo post!!! muito bom !
Esse artigo não faz o menor sentido, pois vivemos em uma plutocracia. Isso é bastante óbvio. O estado não é nada mais que um fantoche das grandes corporações e banqueiros, logo, não há democracia. Isso acontece porque o sistema político implantado não é uma democracia pura, mas sim uma democracia indireta, representativa, que está naturalmente suscetível a tornar-se uma plutocracia. Esse é o ponto crítico da “democracia” atual. Mesmo uma tecnocracia estaria sujeita a isso. Mas não uma democracia pura e direta, que na verdade seria um sistema político de acordo com os conceitos fundamentais originais da democracia, que não têm nada a ver com este apresentado no texto. O autor desviou-se completamente do verdadeiro significado do termo e de sua origem, fez uma verdadeira confusão, e é por isso que associa a mesma mesma com todos os problemas descritos.
Essa “ditadura da maioria” que ele descreve não faz o menor sentido quando consideramos o debate, que é essencial na teoria democrática. Cada cidadão seria um agente político, e um grupo nunca seria prejudicado por ser uma minoria, pois, teoricamente, vence a ideia de quem tiver o melhor argumento, que tiver a estrutura mais racional. Uma vez que o debate está aberto, muitos pontos de vista passam a refinar as possibilidades, e por isso a tendência seria de se chegar na melhor resposta de acordo com o conhecimento disponível naquele contexto histórico e cultural. (obs.: Só para reforçar, isso que acabei de dizer é o que o conceito propõe, e nada tem a ver com como as coisas são hoje)
Essa ideia de que o aumento da democracia é um erro é completamente equivocada. Basta consultar o índice de democracia e verá que os países com os melhores resultados são aqueles que possuem, atualmente, os melhores indicadores de bem estar humano e social (que no final das contas, é o que realmente importa).
Enfim, para mim este texto não passa de política. (obs.: Não estou defendendo que o sistema adotado atualmente é correto, muito pelo contrário)
Olá, Shaolin.
Talvez eu não tenha exposto adequadamente essas diferenças. Aponte com maior exatidão os possíveis erros para que eu possa verificar. Só dizer que está errado não é argumento válido.
Não há uma democracia que eu realmente defenda. Até onde vai meu conhecimento, qualquer tipo de democracia apresenta problemas consideráveis (não há sistema isento de erros, por isso considero aqueles que são substanciais). No entanto, a verdade é singular, e a discussão do texto distorce bastante esta, mas apresenta alguns argumentos que fazem sentido, o que auxilia a ocultar tal distorção. Também, o que eu gosto ou não nada tem a ver com a discussão. Inferir qualquer coisa nesse sentido apenas demonstra desonestidade científica e despreparo por parte do indivíduo para defender sua proposição. Então, ataques pessoais, o que eu defendo ou o que gosto, não entram aqui.
Com relação à Venezuela… Não há nada de democrático. Essa “democracia”, como eu disse antes, é apenas uma distorção que os estados fazem nos conceitos de democracia. 51% imperar sobre 49% é qualquer coisa, menos democracia. Se não há debate, não há democracia. Democracia nada tem a ver com a maioria apoderar-se dos recursos da minoria, ou vice-versa. O problema é que o estado autodenomina-se democrático sem o ser, o que é muito conveniente quando se lida com uma população ignorante. Observe que no índice de democracia de 2011 a Venezuela encontra-se na 97ª posição, sendo considerada um regime híbrido, muito longe de ser uma democracia plena. Como pode dizer que ela é democrática demais…? Muito inconsistente essa afirmação. Consegue perceber que há uma confusão nas definições de democracia?
Coincidentemente, os países que possuem os maiores índices de democracia são justamente aqueles com os melhores indicadores de bem estar humano e social. Curioso, não? Não vou dizer que a democracia nesses países é perfeita. Ou que os parâmetros utilizados para definir estes índices são os mais adequados. Muito menos que a democracia deve ser nosso objetivo de vida (como eu já disse, existem muitas falhas nesse sistema). Mas dizer que estados que sequer seguem algumas das premissas fundamentais da democracia são democráticos é uma grande mentira.
Se formos ver a democracia no ponto técnico vamos chegar:
Não conseguimos perceber verdadeiramente a obsessão que a civilização moderna tem com a democracia, o que podemos saber de certo, é que, ouvimos falar sistematicamente; "uma democracia mais aberta" "mais democracia", mas se nós dissesemos que ela não é nada daquilo que você pensa, você estaria ainda a apoia-la?
Se você acreditou na definição da democracia no Wikipedia e no curso de economia para lhe fazer passar o tempo, então chegou a-altura de recapitular-mos exatamente o que era a democracia na antiga Grécia. É claro que parece tudo muito giro quando ouvimos falar de um sistema politico temos o interesse em participar e podemos mudar de acordo com o conhecimento, ou com o mecanismo do sistema ideologico pela qual você votou estar mal e querer outro.
As pessoas participam num sistema ideologico de acordo com as espectativas do individuo, ou pelo pensamento do individuo, mas nenhum deles cientificamente demonstra estar mais correcto do que outro, aliás todos eles foram feitos por ego e filosofias do ideal.
Não existe um lado simpático para cada sistema que conhecemos actualmente, todos eles apenas tem uma ideologia moderada aos outros de acordo com os seus ideais, e mais ou menos alienação por mais poder e riqueza.
Na verdade, podemos testemunhar várias mudanças comportamentais de cada sistema ideologico politico, mas estas mudanças não ocorrem exatamente ao sistema pela qual as pessoas e os politicos advogam e portanto, este comportamento amistoso acaba degradando de acordo com a filosofia do sistema, e por isso estamos a repetir de novo a verdadeira democracia, e não o que verdadeiramente parece no mundo. Nem todos eles são assim tão brutos hoje em dia como eram à 100 anos atrás, alguns moderaram-se , mas o intuito por poder esteve sempre activo, e na verdade, incentou as pessoas a quererem mais poder e influência tentando brilhar na história, mas com totais falhanços e na exposição de inexperiencia para o fazer e falta de compreensão, para outros lideres.
A democracia é uma forma de escravidão. Os gregos em Atenas foram os primeiros a fazer o tão chamado "democracia". Em seguida, eles escravizaram os outros gregos, e os fez pagar tributo a Atenas (Liga Dalian). Eles mataram Sócrates durante o processo de colocar questões (interrogações e perguntas).
Eventualmente, os espartanos venceram Atenas com a ajuda dos persas.
Os espartanos debatiam a destruição dos monumentos da Acrópole… onde planejavam fazer isso.. mas, uma pessoa … Eu acho que era um rei espartano chamado Leônidas rejeitou o plano de destruição e o Parthenon e outros monumentos foram poupados. Esses monumentos foram construídos sobre a homenagem das outras cidades-gregas do estado, escravizadas por Atenas.
E sim, eles “votaram” em um tribunal para matar Sócrates pelas suas perguntas “perguntar”.
No mundo moderno, a democracia é uma palavra da moda emmaioria, sem nenhum significado real. Democracia é um contrato de escravidão aos caprichos de uma maioria de pessoas que querem impor seus ideiais, ao impor esses ideiais, não quer dizer que haja conhecimento profissional, e muita desta democracia, gera conflito entre ideiais de um congresso, republica, ou qualquer outro estado em vários partidos em vários ideiais, sem reconhecimento cientifico.
Todas as pessoas de hoje estão convencidas sobre as suas romanticas noções da democracia e liberdade, é verdade de que elas não vêem a realidade como ela era, e é.
São tão cegos para ver a distopia directamente ao seu redor? Aparentemente sim.
Todas as pessoas todavia viveram em democracia, até mesmo em ditaduras, onde alguém tenta fazer em tempo de eleições frente ao tirano, isso é sempre a liberdade democrática de votação, mas não significa justiça e/ou igualidade, ou qualquer outra substância social, é de acordo com a cabeça de alguém.
Não, não apoio nenhum estilo politico, nenhum deles serve, e existe sim alternativas a qualquer situação politica cujo eles nem conseguem nem sabem resolver a maioria das crónicas sociais.
Não, não tem nada a ver. Horrível: as ideias foram distorcidas.
Quando se fala em “regime democrático”, não se está referindo apenas ao sistema de eleição de cidadãos para o comando do Estado. Isto é o “sistema eleitoral”.
Regime democrático é o nome que se dá ao regime adotado por um Estado que adota o sistema comum aos chamados “Estados Democráticos de Direito”, e, sim, isto inclui o sistema de liberdades públicas (também chamados de “direitos civis” ou “liberdades individuais”). A liberdade de expressão é um direito civil (no nosso caso, constitucional), por exemplo.
Atualmente, “Democracia” é a palavra que resume os princípios básicos adotados e reconhecidos por todos os Estados que adotam o sistema constitucional de liberdades.
Quem garante estes direitos é o sistema de justiça (Poder Judiciário).
Lógico, o sistema precisa ser aperfeiçoado, inclusive com os ensinamentos da Escola Austríaca.
Há um modo fundamental pelo qual o sistema pode ser aperfeiçoado: a isto se dá o nome de constitucionalismo (técnica constitucional). As Constituições nacionais podem incluir cláusulas para que os direitos não sejam sobrepujados.
Não se trata apenas de garantir as cláusulas do sistema eleitoral – apesar de este sistema ser indispensável numa democracia. O sistema eleitoral é indispensável, pois garante que haja um sistema “republicano”: República é o sistema que garante a constante mudança dos governantes, para impedir a instalação de um sistema totalitário, ditatorial (ou oligárquico). Não por acaso, as oligarquias, atualmente, enfrentam constante perda de poder em nosso país. A tendência é que o poder fique desconcentrado.
Trata-se também de garantir as liberdades individuais. No programa de vocês, para que o Estado funcionasse mais eficazmente, bastaria que pregassem a modificação das cláusulas constitucionais, para isto ou aquilo. Por exemplo, limite constitucional para carga tributária, limite para gastos públicos, modificação do sistema bancário, etc.
O responsável por comportamento imediatista, corrupção e abuso, conflito social e parasitismo, intervenção estatal nas liberdades individuais, inflação, aumento inconsistente de gastos públicos, etc., não é o sistema republicano eleitoral de escolha de governantes, é a permissividade coletivista das cláusulas constitucionais. Atualmente as cláusulas constitucionais garantem mais os direitos coletivos do que os individuais – cabe aos liberais dizer que este sistema está errado, indicar os motivos e propor as mudanças (até porque a maior parte da sociedade, dos indivíduos, jamais pensou sobre esse tema e está sendo doutrinada a pensar o contrário do que vocês pensam).
Fazer isto num sistema democrático não é impossível. O primeiro embate começa no campo das ideias. Se os liberais não têm a intenção de vencer o debate contra os intervencionistas, fiquem certos de uma coisa: sem vencer pequenas batalhas, jamais vencerão a guerra.
Abandonar o sistema que pode dar a vitória aos liberais (e este sistema é o democrático) não seria muito inteligente.
Quanta mais liberdade econômica (sem o dedo do Estado) mais liberdade pessoal se tem.
A educação que leve o cidadão a pensar, refletir sobre a sua condição… e que proporcione a liberdade para buscar seus ideais, é fundamental para uma sociedade mais justa.
A massa é educada para seguir o sistema, obedecer sem questionar e acreditar que é livre.
Quanto às ideias do texto, elas rendem bons debates, pois existem pontos positivos e negativos… Jamais será possível implantar um sistema como o proposto, pois precisaria de uma massa alinhada com este ideal, o que necessitária de educação de altíssima qualidade, oposta ao sistema educacional implantado atualmente.
É preciso se pensar em um sistema social que agregue os pontos positivos de várias vertentes, pois, acredito, o comunismo não resolve tudo, o capitalismo atual (que precisa dos governos) também não e o liberalismo também não. No entanto, todos tem seus pontos positivos.
“O comunismo não resolve tudo, o capitalismo atual (que precisa dos governos) também não e o liberalismo também não. No entanto, todos tem seus pontos positivos.” Hein? Como é que é? Caro João Batista, fiquei muito curioso para saber quais são os pontos positivos do comunismo. Você poderia enumerá-los?
O artigo é interessante e concordo de modo geral.
Não devemos confundir “democracia” com “república”. Uma república pode ser ditatorial e uma monarquia, democrática. Esse erro é muito comum e talvez o artigo o cometa.
O artigo se aplica à democracias sem a filosofia liberal, democracias de viés esquerdista, coletivista, social-democracias. Quem tendem a se tornar cada vez mais demagógicas e ditaduras veladas ou explícitas. Já uma democracia liberal é o sistema menos pior que o ser humano pode desenvolver.
Na concepção que aprendi, “democracia” é o sistema social caracterizado por três princípios: (1) isonomia [dignidade humana incondicional de cada pessoa, ninguém sendo considerado sub-humano];(2) liberdade responsável [direitos x deveres] e (3) divisão e limitação de poderes acompanhadas de vigilância mútua. Ou seja, a lei está acima de todos e é igual para todos.
Em uma família, as crianças não escolhem quem serão os seus pais e estes não fazem tudo o que elas desejam. Em uma empresa, os funcionários não costumam decidir quem será o seu supervisor e este não faz tudo o que eles querem. mas se a dignidade das pessoas é respeitada, elas usufruem liberdade responsável e o poder da autoridade é limitado pela lei, pode-se dizer que esta família ou empresa é democrática.
* * *
Olá
o tema nos leva a um bom debate.
Mas, senti falta de uma proposta que nos leve a um sistema melhor , isto é, que seja eficaz e que garanta a prosperidade, em matéria de ORIGEM E USO DO PODER. Explico-me.
O autor diz o seguinte:
(…)”Para a maioria, a solução para estes problemas é mais democracia, e não menos.”(…)
Nesta passagem, senti a falta de uma proposta clara e objetiva na qual todos nós podemos perceber, concordar e pactuar com um sistema melhor que seja eficaz e que garanta a prosperidade em matéria de ORIGEM E DO USO DO PODER. Ainda que para fins de assegurar a liberdade, a propriedade, a segurança interna e externa, ou seja, mesmo nos limitando aos direitos naturais de liberdade. Portanto, cabe a pergunta: qual seria então os sistema DE PODER que seja aceito por todos? Que garantia pode ser dada no curto, no médio e no longo prazos vez que, como seres humanos, demandantes, com necessidades ilimitadas, temos interesses de curto, de médio e de longo prazos?
Logo em seguida o autor escreve:
” A democracia se apóia em três princípios fundamentais: você tem o direito de votar, você tem o direito de concorrer a um cargo público, e a maioria decide. E só. Em nenhum lugar está escrito, por exemplo, que a democracia garante o direito à liberdade de expressão, um direito que muitas pessoas associam à democracia. Nem há qualquer explicação lógica que mostre por que a democracia tende a gerar prosperidade.”
Evidentemente, com a devida venia, a proposição é FALSA. Nada garante a conduta do SER, mas é possível estabelecer previamente, o dever ser, sob pena de sanção. Ainda que só para garantir da propriedade, a liberdade lato sensu – nela incluída a de expressão. Mesmo em ciências naturais, duras, a teoria ( ou o paradigma) , razoável, aceitável, ou irrefutável, momentaneamente, é da relatividade. Lembremo-nos de Popper, Lakatos e Kuhn.
É possível concluir que alguma tese garante alguma coisa, ou alguma conduta, enquanto durar a garantia, ou enquanto esta for “aceita” por todos. Também é possível concluir que nada é garantido por que tudo depende de determinados paradigmas. E se nada pode ser garantido, nenhum sistema ( de origem e uso do poder) pode garantir qualquer pacto.
Mas, como estamos no campo social é válido citar alguns trechos de textos históricos importantes e auto explicativos.
Em 1789 – França
Artigo 11º- A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais
preciosos direitos do Homem; todo o cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir
livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na Lei
Em 1948 ONU
Artigo XIX
Todo ser humano tem direito à liberdade de
opinião e expressão; este direito inclui a liberdade
de, sem interferência, ter opiniões e de
procurar, receber e transmitir informações e
idéias por quaisquer meios e independentemente
de fronteiras
Além destes, há vários outros momentos históricos que nos remetem a registros em direção da busca e da defesa da importante liberdade de expressão.
Portanto, ainda que como “metas” há sim um viés razoável e garantidor de relativa PAZ entre os povos. Lembrando que a PAZ e a felicidade ( esta já perseguida lá na independência das treze colônias) parece ser o objetivo maior a ser alcançado por qualquer sistema.
O autor ainda parece confundir institutos de extrema importância neste debate. Ora, uma coisa é a democracia em si. Aquela que nasce desde os primórdios. Talvez em Aristóteles no livro III “a política”. Direta e relativamente possível na época, mas para cidadãos e não para todos. Outra coisa é tratar do sistema de representação. E neste ponto, realmente há uma falsa noção de representação. Tudo nos leva a crer que a representação em si, esta sim, é uma tese furada.
Portanto, em função desta aparente mistura de definições de institutos, há várias premissas FALSAS em seu texto. Sua conclusão já seria falsa por ai. Mas, ao final leva o tema para a corrupção – cometendo sérios equívocos – bem como, desviando-se do tema. Passa longe da coesão e da coerência necessária ao importante debate.
A propósito, gostaria de registrar que já li outros textos excelentes neste sítio. Em muitos casos eu concordo com as opiniões emitidas pelos diversos autores. Em outros casos não. Mas, mesmo discordando, de tão bem estruturados os textos, não fica fácil encontrar argumentos para contra argumentar.
É preciso dizer que a democracia, tirante aquela remota e direta que só existe no pensamento, nasce mais ou menos em três momentos importantes, a saber:
Revolução inglesa- com influência de LOCKE, na Bill of right em 1689.
Na Revolução Americana na declaração de independência das treze colônias em 1776
E na Revolução Francesa 1789, aqui por razões particulares da França, mais influenciada pelo jusnaturalista Rousseau.
Mudando o que precisa ser mudado é possível concluir que a ideia democrática básica é livrar-se do ABSOLUTISMO monarca. E isso vem ao encontro dos anseios dos Burgos.
Mudando, de novo, o que precisa ser mudado, é óbvio perceber que a ideia básica se prende à livre iniciativa, a redução do “tamanho” do poder concentrado ali, e , portanto, do PODER CONCENTRADO não mãos de um monarca absoluto que “governa” via ESTADO.
Portanto, a democracia se associa à liberdade contra o absolutismo.
Enfim, para encurtar bastante, o texto acima está repleto de equívocos.
Mas, é possível concordar que a representação política não representa nada além dos próprios interesses daqueles que “estão no poder”. ( Bobbio)
Saudações
Correção do texto:
Há um trecho no texto que diz: “homens culpam mulheres”. Isso não é verdade. Quisera que fosse. Na verdade, a maioria dos homens está alienada. Não percebe que, verdadeiramente falando, as mulheres sempre foram o grupo mais protegido em todas as eras, enquanto os homens sempre foram o sexo descartável. O “mulheres e crianças, primeiro” sempre foi o lema do mundo.
Mulheres possuem trilhões de privilégios (ilegítimos, diga-se), e feministas exigem mais e mais todos os dias. E para obterem sucesso, são elas que culpam os homens por tudo, e, infelizes dos homens que não conseguirem notar isso e não tentarem frear essa loucura.
E é por isso que é mais fácil achar uma agulha num palheiro do que encontrarmos uma mulher liberal/libertária. Elas são o grupo mais favorecido do Estado, portanto, elas “são” o próprio Estado. Feministas e ginocentristas é que decidem quais as leis que vão privilegiar as mulheres, quais os crimes que merecem punição, quem será encarcerado, quem merece proteção estatal, e por aí vai.
Vários erros aí. Democracia evoluiu muito, não é apenas voto como foi colocado aí. É preciso muita coisa para hoje um país ser considerado democrático. Liberdade de expressão, por exemplo, é fundamental, assim como eleições transparentes e sistema eleitoral contraditório.
Além disso, é sabido, por sociólogos, que uma democracia nunca é plena quando o povo não a deseja. E esse desejo só vem atráves de evolução cultural e investimento (financeiro e familiar) em educação.
Democracia, então, deixou de ser um conceito absoluto e se tornou algo quantitativo.
Discutir sobre o conceito absoluto não é lá muito útil, não?
Platão falou na República sobre isso, mais de 2 mil anos atrás. Ele elegeu a aristocracia como o sistema de governo ideal, apontando os defeitos da democracia e qualidades da aristocracia, como pura base argumentativa parcial. Para fazer uma análise científica dos conceitos mesmo, é preciso saber se abster de opiniões prévias e analisar os dados com mais pureza.
O raciocínio de Platão (Sócrates) não difere muito do raciocínio Hitleriano: se não é possível cuidar de todos, escolhemos um grupo que explore os demais, e ao menos esse grupo não será miserável.
Concordo que há muito o que se concertar no conceito de democracia, e ele deve ser evoluído a cada ano. Concordo que o estado dominador com altos gastos e conceito socialista é insustentável, mas devemos evoluir a partir daí. Simplesmente apoiar derrubar tudo e começar do zero, usando toda a sociedade como uma experimentação, não é a atitude das mais inteligentes. A evolução social é uma escada, agora que já subimos tanto defender voltar ao chão para achar outro caminho ao topo não se calca em dados concretos, só em opiniões parciais. Isso pouco interessa a qualquer um.
O Fundamento principal talvez seja “as pessoas simplesmente aceitam como verdade absoluta”. Isso é extremamente perigoso tanto quanto fazer uma crítica a democracia ora, depois de tão desejada e condicionada tornou-se no cerne de cada um uma convicção, crença, fé e, para desfazer isso? Venho observando, sempre vi com desconfiança, como a historinha do lobo em pele de ovelha. Digo a nível de Brasil, não combina com a nossa cultura, nossas necessidades e, sim conduz a sociedade ao oposto da liberdade e da prosperidade, mas o tema é longo, apenas concordo com o texto. Fiquemos atentos!
ola é primeira vez que visito o set e eu estava observando como as coisas anda no nosso pais e perguntei se a democracia é boa de fato ou ruim embora na minha perspectiva não tem sido positivo sou leigo no assunto mas gosto de pesquisa para melhora meus argumento e minha visão sobre o assunto gostei da matéria vou estuda mais…
antes gostaria que alguém me indica se livros ou sat de outro autores seja eles de diferente opinião sobre o tema ficarei muito grato .
abraços ao responsável que fez a matéria nota dez viu aprendi muito
O Brasil é um lugar completamente bizarro.
No início do século, enquanto os países de primeiro mundo já eram prósperos e tinham entre 10 e 20% de carga tributária, o Brasil era de terceiro mundo e tinha a mesma carga tributária.
Nunca um país com governo de mentalidade assim irá ser alguma coisa boa.