Em
nosso atual arranjo monetário pós-Bretton Woods, dominado por políticas
monetárias inflacionistas conduzidas coordenadamente pelos principais bancos
centrais mundiais, muitas pessoas normalmente simpáticas a todos os argumentos
contrários à existência de bancos centrais ainda assim acreditam que a
eliminação destas instituições centralizadoras é algo impraticável, um sonho
utópico.
Para
um exemplo prático e real de um sistema cuja política monetária é aquela
escolhida pelo mercado, sem o comando de um banco central, não é preciso olhar
para o passado; o exemplo existe atualmente na América Central, na República do
Panamá, um país que, desde sua independência em 1903, não possui um banco central,
e que, não obstante (ou por causa disso), usufrui um ambiente macroeconômico
estável e bastante exitoso.
A
ausência de um banco central no Panamá faz com que a oferta monetária do país
seja completamente determinada pelo mercado.
Neste caso, o mercado do Panamá escolheu o
dólar americano como sua moeda de fato.
Para comprar ou obter dólares, o país tem de produzir ou exportar bens e
serviços; o governo não tem como criar dinheiro do nada. Desta forma, o sistema é um tanto similar ao
velho padrão-ouro. Desde 1984, a
inflação média anual tem sido de 1%.
A
inflação de preços panamenha normalmente é de 1 a 3 pontos percentuais menor
que a inflação americana; ela é causada majoritariamente pelo efeito gerado
pelo Federal Reserve (o Banco Central americano) sobre os preços mundiais. Este sistema conduzido pelo mercado criou um
ambiente macroeconômico extremamente estável.
O Panamá é o único país da América Latina que nunca vivenciou um colapso
financeiro ou uma crise monetária desde sua independência.
Inflação de preços ao consumidor no Panamá (Fonte: FMI)
Assim
como a maioria dos países das Américas, a moeda do Panamá no século XIX era
baseada no ouro e na prata, com uma variedade de moedas metálicas de prata e
cédulas de papel lastreadas em ouro em circulação. O Peso
Prata (do México) era a moeda que havia sido escolhida. No entanto, por causa da ferrovia ístmica
— a primeira ferrovia a ligar o Atlântico ao Pacífico –, que fora construída
por uma empresa americana em 1855, o dólar americano também circulava
parcialmente no país.
O
Panamá originalmente se tornou independente da Espanha em 1821, mas foi
integrado à Grande Colômbia. Sendo um país pequeno, ele não conseguiu se
separar da Colômbia, como haviam conseguido a Venezuela e o Equador. Em 1886, o governo colombiano publicou vários
decretos forçando a aceitação de cédulas de papel produzidas pelo governo
central. A economia do Panamá, que era
aberta e baseada no transporte e no comércio, claramente não tinha como se
beneficiar deste arranjo imposto. Um
editorial do principal jornal do país, datado de 1886, declarou o seguinte:
Não há nenhum país no globo, certamente nenhum centro
comercial, em que a introdução de uma moeda de papel irredimível e sem lastro
traria consequências mais desastrosas que no Panamá. Tudo o que nós consumimos é importado. Não temos nenhum produto para ser exportado,
de modo que a única coisa que podemos mandar para fora em troca de nossas
importações é dinheiro.
Em
1903, o país se tornou independente, apoiado pelos EUA por causa do interesse
americano na construção de um Canal atravessando o Panamá. Os cidadãos do novo país, ainda receoso do
experimento de 1886 com as cédulas de papel colombianas, decidiram incluir o
artigo 114 na Constituição de 1904 dizendo que,
Nenhum dinheiro de papel será imposto como a moeda oficial
da República. Portanto, qualquer
indivíduo pode rejeitar qualquer cédula que ele porventura considere indigna de
confiança.
Com
este artigo, qualquer moeda em circulação seria gerenciada pelo mercado e não
seria de curso forçado. No entanto,
ainda em 1904, o governo do Panamá assinou um acordo monetário permitindo que o
dólar americano se tornasse moeda corrente e fosse de curso forçado. De início, os panamenhos não aceitaram o
dólar; eles não confiavam na moeda americana, preferindo continuar utilizando o
Peso Prata. A Lei de Gresham, no
entanto, se encarregou de tirar as moedas de prata de circulação.[1][2]
Em
1971, o governo aprovou uma lei abrindo e liberalizando o sistema
bancário. Não haveria nenhuma agência
governamental supervisionando o setor, e nenhum imposto poderia ser cobrado
sobre juros ou transações originadas no sistema financeiro. O número de bancos pulou de 23 em 1970 para
125 em 1983, a maioria deles formada por bancos estrangeiros. Esta lei bancária estimulou empréstimos
internacionais e, em decorrência de o Panamá ter um sistema tributário restrito
apenas ao seu território, os lucros obtidos com transações ou empréstimos
feitos no exterior são isentos.
Isto,
em conjunto com a presença de numerosos bancos estrangeiros, gerou uma total
integração internacional do sistema. Ao contrário
de outros países da América Latina, o Panamá não possui controle de
capitais. Sendo assim, quando o capital
internacional porventura decide inundar o sistema bancário panamenho, os bancos
emprestam este excesso de capital aos mercados estrangeiros, evitando assim os
corriqueiros desequilíbrios e a alta inflação que outros países vivenciam
quando também recebem volumosos influxos de capital.
A
política fiscal tem pouco espaço para manobras, dado que o Tesouro não pode
contar com um Banco Central para monetizar seus déficits. Sendo assim, a política fiscal não influencia
a oferta monetária; se o governo tentar aumentar a quantidade de dinheiro na
economia durante uma recessão vendendo títulos no mercado internacional e
trazendo o dinheiro arrecadado para a economia panamenha, os bancos irão
contrabalançar esta medida pegando este dinheiro adicional e o enviando para o
estrangeiro na forma de empréstimos (que, como dito, não são tributáveis). Logo, não haverá alterações significativas na
oferta monetária.
Adicionalmente
— e ao contrário do que ocorre nas economias cujos sistemas bancários são
controlados por bancos centrais –, os bancos do Panamá não têm como combinar
uma expansão coordenada da oferta monetária via reservas fracionárias, pois,
como mencionado acima, o número de bancos é enorme, e a concorrência entre eles
é forte. Ademais, por não existir um
banco central, não há como socorrer aqueles bancos que expandirem
excessivamente o crédito sem terem uma quantidade minimamente segura de dinheiro
guardado em seus cofres. Pânicos e
corridas bancárias, muito comuns no sistema bancário americano durante todo o
século XIX, nunca ocorreram no Panamá. As
eventuais quebras bancárias que já ocorreram não se espalharam para outros
bancos. Vários bancos que passaram por
problemas foram comprados — antes que ocorresse qualquer corrida bancária —
por bancos maiores, atraídos pelos lucros possibilitados por esta obtenção de
ativos a preços reduzidos.
Como
não há seguros federais para depósitos bancários e nem um emprestador de última
instância para socorrer os bancos, todo o sistema bancário tem de atuar de
maneira bastante responsável. Qualquer
empréstimo ruim que resulte em calote será pago pelos acionistas do banco;
ninguém irá socorrer os bancos que fizerem trapalhadas e entrarem em apuros.
No
entanto, este sistema não é imune a ciclos econômicos — afinal, o sistema
bancário ainda tem liberdade para expandir o crédito artificialmente via
reservas fracionárias, o que gera períodos de euforia econômica que resultam em
um acúmulo de investimentos insustentáveis.
Porém, o período de correção dos ciclos econômicos é muito mais
eficiente no sistema panamenho. Após o
período de euforia gerado pela expansão artificial do crédito, o que gera um acúmulo
de investimentos insustentáveis, os próprios bancos dão início ao processo de
inevitável liquidação dos empréstimos ruins.
Como não há um banco central para intervir e prolongar a expansão
artificial do crédito, a recessão começa sem nenhuma obstrução criada por políticas
monetárias contracíclicas. Os bancos
simplesmente são forçados pelas próprias leis de mercado a criar a contração
creditícia necessária para pôr fim à euforia e, com isso, corrigir os
desequilíbrios gerados na estrutura de produção da economia — caso não o
fizessem, sua própria solvência estaria em risco.
As recessões no Panamá geralmente resultam em inflação
de preços praticamente nula, o que alivia o fardo dos consumidores e facilita o
processo de recuperação ao reduzir os custos de produção.
O
único fato que atrapalha os processos de correção é a lei do salário mínimo,
que não permite a flexibilização para baixo dos salários, o que faz com que as
recessões sejam mais longas do que o necessário. Não obstante, as recessões ocorrem sem
absolutamente nenhuma das terríveis consequências que os economistas
keynesianos afirmam que haverá caso não seja adotada uma política monetária
expansionista para amenizar a recessão.
Portanto,
aquelas pessoas que dizem que a abolição do banco central é algo utópico e impraticável
devem apenas olhar para o ambiente macroeconômico do Panamá — o qual tem sido
auspicioso há mais de 100 anos — para constatar que, de fato, a abolição não
apenas é algo possível, como na realidade é algo extremamente benéfico. Claramente, a ausência de uma moeda de papel
controlada pelo governo nacional, a inexistência de um banco central, e uma
inflação de preços desprezível estão funcionando muito bem neste pequeno
país. Quem pode argumentar que estas
mesmas políticas não funcionariam em economias maiores?
[1] Carlos E. Ramirez, Monetary
History of Panama,
p. 5.
[2] A lei de Gresham —
em homenagem ao financista e comerciante inglês Thomas Gresham — diz que, a
uma dada paridade cambial, o dinheiro ruim expulsa o dinheiro bom de
circulação. Ou seja: em um sistema monetário em que há mais de uma moeda em
circulação, a moeda de valor inerente mais baixo (uma moeda artificialmente
valorizada) será a preferida para ser usada como moeda corrente, ao passo que a
moeda de valor inerente mais alto (aquela que está artificialmente
desvalorizada) será estocada para ser usada apenas em eventualidades ou
contingências.

Se o dinheiro deles é o dolar americano como é que eles não tem inflação quando o Tio Sam resolve imprimir papel feito louco? Será pq o dinheiro que o Obama está imprimindo agora ainda n chegou nas mãos das pessoas?
Dúvida…\r
Como o Panamá usa a moeda americana ele não deveria estar sujeito à mesma inflação daquele país? Seus cidadãos não estariam pagando indiretamente pela farra do governo americano?
Muito interessante.
http://www.indexmundi.com/panama/inflation_rate_(consumer_prices).html
Nesse link podemos confirmar que a taxa de inflação panamenha ficou sempre próxima a 1% realmente. Porém, a partir de 2005 ela subiu bastante: 2,86%(2005), 2,46%(2006), 4,162%(2007), 8,759%(2008), 2,41%(2009) e 3,49%(2010). Pelo fato de eles comercializarem com Dolares, é fácil entender o porque dessa inflação toda.
Mas ai podemos concluir outra coisa: Supondo que a taxa de inflação panamenha seja realmente sempre menor que a taxa de inflação americana, então os índices americanos estão realmente muito maquiados.
Um bom artigo que deve ser lido pelos Bancos,Fiesp,CNI,Fiergs,FGV,Unicamp,Usp, etc.
Não tem banco central mas tem uma moeda forçada, não seria melhor se além de não ter banco central não tivesse nenhuma imposição quanto a natureza da moeda?
Obrigado
Talvez a taxa de inflação no Panamá seja menor do que a americana porque eles tenham um aumento de produtividade mais expressivo. (o aumento na quantidade de bens e serviços no Panamá é superior ao aumento nos EUA, logo os preços sobem menos)
Mas é triste ver que um país sem banco central acaba na prática usando uma moeda tão ruim. Pô, não precisariam nem criar uma moeda decente, mas ao menos escolher uma fiat menos inflacionária, tipo o iene ou o franco suíço…
Esperemos que esse recente aumento na inflação panamenha descrito por José Roberto os motive a procurar outras moedas. Mas uma tradição de um século não morre fácil…
Paulo Sérgio, custo de vida não varia na mesma magnitude em todas as regiões (ceteris paribus),dai o porquê da inflação panamenha está mais baixa do que no próprio EUA. Ok!Um abraço.
obs:Este comentário sobre custo de vida e de mauricio barbosa.
Pergunta ao autor.
Como existiria sem se apoiar em uma moeda forte estrangeira?
parabens pelo texto
É necessário liquidar de vez com esta ideia ridícula de que “o estado é o motor do desenvolvimento” ou de que “o maior desafio dos políticos é a erradicação da pobreza”.
São ideias equivocadas assim que justificam a existência destas aberrações como bancos centrais e bancos públicos.
O Panama tem inflacao, claro, mas muito menor que a Americana.
Eu estive morando la alguns meses, acho que posso enumerar alguns motivos para isso:
1. Embora voce use o dolar americano na hora de fazer compras, voce pode facilmente investir em outras moedas sem custo algum nos Bancos, caso voce sinta que o dolar esta depreciando. E eh muito facil, voce simplesmente diz que quer abrir uma conta em Euros, Dolares Canadenses, Libras, Yens…
2. Eh muito facil no Panama investir em ouro, e ate comprar o metal nao eh tao dificil quanto em outros paises.
3. Como o Panama eh um pais muito livre (em 5 dias voce pode abrir uma empresa la), essas injecoes de capital se aproveitam mais rapidamente. Uma das coisas que na minha opiniao deve aumentar muito a inflacao, eh a dificuldade em paises como Brasil em abrir novos negocios. Entao, ha uma demora entre a injecao de capital, levando a aumento do consumo, e o aumento da oferta.
Bom, e finalmente, o Panamenho eh uma pessoa que odeia inflacao. Voce ve isso nos taxis. Uma vez, eu tive que quase brigar com um taxista para me levar, porque ele disse que preferia nao levar o cliente, do que dizer que ia ter que cobrar mais (do que os US$ 2 que os taxistas normalmente cobram!) devido ao transito, etc. Ele disse que os panamenhos nao aceitam aumentar a tarifa, e me mostrou. Ele parou mais adiante para buscar outra mulher que ia pro mesmo lugar que eu. Quando ela perguntou quanto ele cobraria, ele disse US$5. A mulher bateu no vidro, xingou o taxista, falou que ele era um abusador. Haha.
Muito interessante o pais.
Tem mulher bonita em qualquer lugar Mario. Muitas estadunidenses inclusive se você prefere as loiras.
Na República de Montenegro tem-se uma situação parecida com a do Panamá na ausência de banco central. Quando houve a dissolução da Iuguslávia, adotou-se o Marco até 1999, e depois o Euro. De início, Montenegro era um pais em conjunto com a Sérvia (Sérvia-Montenegro). Por fim se separaram. Mas não sei se o mercado bancário é tão livre quanto o panamenho, ou se o sistema tributário é tão liberal com lucros bancários. Seria legal um artigo sobre isto, caso alguém encontre algo para traduzir, ou saiba comentar sobre. è bom termos exemplos concretos para comparar.
“Ademais, por não existir um banco central, não há como socorrer aqueles bancos que expandirem excessivamente o crédito sem terem uma quantidade minimamente segura de dinheiro guardado em seus cofres. Pânicos e corridas bancárias, muito comuns no sistema bancário americano durante todo o século XIX, nunca ocorreram no Panamá.”
Leandro, ou outra pessoa habilitada pode explicar a ilação que o autor faz aqui sobre os EUA no século XIX, dando a entender que pânicos e corridas bancárias aconteciam lá porque não havia forte concorrência bancária? Não custa lembrar que o FED foi criado somente no início do século XX. Então por que essa ilação?
Existe planos do IMB de proferir palestras em Florianópolis-SC?
Nós catarinenses ficaríamos muito agradecidos!
Interessante! Apesar da questão monetária, o índice de liberdade econômica é mediano (entre Paraguai e Costa Rica) e é o 89º PIB (entre Etiópica e Jordânia)\r
\r
Liberdade Econômica: http://www.globalpropertyguide.com/Latin-America/Panama/economic-freedom\r
Já fui ver preço de passagens da Copa Airlines hehehe!
Faltou dizer que o Panamá é um país pobre!
No entanto, este sistema não é imune a ciclos econômicos — afinal, o sistema bancário ainda tem liberdade para expandir o crédito artificialmente via reservas fracionárias, o que gera períodos de euforia econômica que resultam em um acúmulo de investimentos insustentáveis.
O sistema bancário panamenho demonstra que um sistema bancário livre não é capaz de banir a criação de moeda escritural e a expansão artificial do crédito, o grande sonho da EA que ela aponta como causa dos ciclos econômicos. Portanto é uma utopia que o livre mercado acabaria com a poupança forçada. Para isso só um rigido controle estatal, cuja chance de ocorrer é remotissima por razões óbvias. A EA precisa entender que existe o mercado ideal e o mercado possível. Entre um e outro existe um abismo intransponível, cuja a intervenção governamental acertada é capaz de diminuir um pouco. Aliás na vida tudo é assim. O ideal só existe enquanto concepção.
Hehehe! Meu Deus… comparar Panamá com outras economias é muito querer pesar a mão. Confesso que não sei qual é a régua dos libertários para medir o desenvolvimento de uma nação, tampouco o que seria a verdadeira economia para eles, mas de uma coisa eu tenho certeza: uma parte da sociedade para eles que se exploda de uma vez!. Ai como tá coçando a mão do dirigente daquele país pra ter mais din din e tentar fazer políticas públicas eficientes para que essa parte da sociedade panamenha não vá pro espaço… aff.
Aviso aos críticos estes exemplos citados pela equipe do IMB tipo Somália,Panamá são exemplos imperfeitos daquilo que Mises e outros defendem com maestria.Portanto peguem leve pois o próprio Mises não prega mundo perfeito, mas sim o mundo ideal, o mundo de liberdade e prosperidade possível, sim possível pois somos capazes de nos governar-mos,não precisamos da tutela de ninguém.
PIB Brasil 1970: $ 42,3276 bilhões\r
PIB Panamá 1970: $ 1,0163 bilhão\r
razão Brasil / Panamá: 41,65\r
\r
\r
PIB Brasil 2010: $ 2,0878 trilhões\r
PIB Panamá 2010: $ 26,6888 bilhões\r
razão Brasil / Panmá: 78,23\r
\r
\r
Razão de mudança: 1,88 a favor do Brasil\r
\r
Diferença anual média no crescimento do PIB: 1,59% de crescimento mais rápido do PIB brasileiro em relação ao PIB Panamenho\r
\r
Se levarmos em conta a diferença de 0,38 % ao ano de crescimento demográfico superior do Panamá\r
podemos até mesmo dizer\r
\r
que o PIB per capita brasileiro avançou a taxas médias 2% ao ano superiores ao Panamá\r
\r
Além disso, o brasil cresce mais rápido e de modo mais estável\r
\r
Nesses 40 anos comparados, o pior resultado de crescimento foi de -13,38% no Panamá de 1988 contra -4,39% no Brasil de 1981. o melhor resultado de crescimento foi de 13,98% do Brasil de 1973 contra 12,11% do Panamá de 2007\r
\r
\r
O que acham das moedas paralelas que circulam no Brasil?
Desculpem a ignorância, sou um neófito na EA e advogado sem formação em economia.
vilamulher.terra.com.br/bancos-comunitarios-e-moedas-paralelas-5-1-38-158.html
http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/1718_MOEDAS+PARALELAS
Política monetária não é tudo! Apesar não ter banco central, o Paraná não é nenhum paraíso de liberdade comercial. Estão abaixo (menos liberais) de México, Peru, Colombia…
A falta de capacidade de financiar gastos públicos via política monetária os torna mais imunes à inflação e ciclos econômicos. Foi isso que o artigo tentou mostrar.
É preciso relativizar o exemplo.
Pelo que percebo, a teoria austríaca parte de certos pontos e analisa variações de algumas variáveis (preferencialmente apenas uma) enquanto as outras estão constantes.
O Panamá mostra que se pode ter um país e uma economia que não tenha Banco Central (a despeito dos que falam que é o Banco Central que salva a economia e a moeda). E só!
A Guatemala mostra que é possível ter um sistema de telefonia decente e livre (a despeito dos que falam que o estado tem que regular tudo). E só!
A Somália mostra que é possível algum desenvolvimento humano, mesmo diante da “anarquia” (no mal sentido do termo) e da guerra civil (a despeito dos que falam que as pessoas não tem capacidade de se autogovernar). E só!
O real oeste americano no séc. XIX mostra que uma população armada é bem diferente do oeste pintado por Holywood (a despeito dos que querem banir as armas da população). E só!
Hong Kong mostra que menos impostos e mais liberdade para as empresas aumenta a renda geral (a despeito dos que dizem que o governo engendra o desenvolvimento). E só!
A Dinamarca mostra que é possível se viver com um sindicalismo forte mas não atrelado ao governo e que, por exemplo, salário mínimo é uma falácia (a despeito dos que pregam que sem a imposição estatal os trabalhadores iriam morrer de fome na mão de capitalistas malvados). E só!
Se juntar tudo, temos o ideal. Mas a realidade é mais difícil que o ideal, então:
O Panamá tem inflação baixa, mas o país vive basicamente da movimentação do canal e precisa melhorar em outras frentes.
A Guatemala tem um bom serviço de telefonia, mas um péssimo de saúde, por exemplo.
A Somália… bem é a Somália, alguém daqui gostaria de ir tomar uns tiros por lá?
O oeste americano podia não ser tão violento como nos filmes, mas ainda assim era violento: os americanos que foram para lá, no séc. XIX, somente se impuseram expulsando os nativos (proprietários originais) das terras, muitas vezes com morte, fogo e balas.
A Dinamarca tem salários altos (a despeito de não ter salário mínimo) mas tem uma das mais altas cargas tributárias da Europa.
Hong Kong é mais livre, mas atualmente faz parte do estado comunista chinês, no qual a corrupção estatal já é lendária.
E por aí vai…
Então é preciso relativizar o exemplo, no sentido de somente ver nele a ponta do iceberg e, não o exemplo cabal (completo) da teoria austríaca.
Abraços
Acho que poucos compreenderam o propósito do artigo. Não se quis dizer, aqui, que a ausência de Banco Central resolverá todos os problemas e será, sozinha, responsável pelo desenvolvimento de um país. Ainda existe uma série de coisas, no Panamá, que restringem o bom funcionamento dos mercados. Alguns desses, podem ser lidos aqui http://www.heritage.org/index/country/panama#limited-government.
É claro que a inexistência de um BC confere grandes vantagens a um determinado país, mas a liberdade econômica possui um significado mais amplo. O que se quis demonstrar, com o artigo, é de que a inexistência de um Banco Central não leva a um caos econômico, pois o próprio mercado é capaz de dar conta da oferta de moeda.
Alguém poderia me explicar melhor o que o Eduardo Maal quis dizer nesse cometário dele que segue abaixo? Náo entendi! Obrigado!
3. Como o Panama eh um pais muito livre (em 5 dias voce pode abrir uma empresa la), essas injecoes de capital se aproveitam mais rapidamente. Uma das coisas que na minha opiniao deve aumentar muito a inflacao, eh a dificuldade em paises como Brasil em abrir novos negocios. Entao, ha uma demora entre a injecao de capital, levando a aumento do consumo, e o aumento da oferta.
O banco central é extremamente lucrativo para a classe que o controla. Gerando ciclos
econômicos ( inflação e deflação).Essa classe conhece os ensinamentos da escola Austríaca mas nunca vão defendê-los,"Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importa quem faz suas leis" Rothschild. Trabalhar para colocar bens e serviços em um mercado livre e arriscado! Não, obrigado ! eu tenho um banco central.
Excelente artigo, mostrando que a teoria, funciona perfeitamente na realidade, mesmo não sendo perfeitamente implantada
Obvio que como já disseram, não podemos achar que só esse fator vai fazer uma economia prosperar ou não.
A Balboa, moeda do Panamá, não tem paridade fixa com o dolar?
Para além disso, o Panamá não funciona como um protetorado dos EUA devido ao BIT (Tratado Bilateral de investimento) de 1982?
Ow seja é um país ARTIFICIAL e financiado pelos EUA.
críticos de plantão arranjem argumentos melhores,parem com essa mania de dizer que os estados unidos manipulam o mundo a bel-prazer,acordem! Os políticos norte-americanos são farinha do mesmo saco que nem os nossos políticos,salvo as excessões é claro, pois não podemos ser levianos com os políticos bem intencionados apesar de serem rainhas da Inglaterra em todos os países, portanto são eles com suas idéias ultrapassadas que devem ser repreendidos e não o povo norte-americano.Ok!um abraço.
Rafael França você falou tudo, nós temos que proclamar o que é certo ao invés de fazer comparações sem nexo, a maioria das comparações são arbitrárias e sem critério,um exemplo Bangladesh é um dos países mais pobres do mundo e a impressão que dá é que o país só tem miséria,casebres,favelas no entanto a capital Dhaca tem uma rede hoteleira de luxo que não fica devendo a nenhuma grande cidade do mundo e por ai vai.
Marcelo B Ferreira ao comparar o pib do Brasil com o do Panamá, você foi infeliz nas conclusão,esses números não representam nada.
Caros amigos,
Repasso comentários de um membro da diretoria de um banco sediado no Panamá:
Chico,
Há sim um seguro para depósitos de até $20mil, o atual governo passou também a emitir moeda de 1 Balboa, além daquelas de centavos e diz que também emitirá a de $5, gerando uma discussão sobre sua validade, uma vez que não tem “lastro” justamente pelo fato de não existir Banco Central.
A inflação tem estado sob pressão (acima de 3,5%) e o nivel de gastos do governo nos últimos anos tem sido significativo, o que preocupa.
Acho que a característica fundamental que possibilita a convivência do país com a inexistência de um banco central é a abertura do país ao exterior, a moeda é dólar mas você pode realizar transações em qualquer moeda, como também pode importar todo e qualquer produto do exterior.
Realmente os bancos são os únicos “reguladores” do mercado, sob uma supervisão responsável da Superintendência de Bancos.
Abraços.
o panamá não tem banco central
o panamá teve bom desempenho economico
logo, o panama teve bom desempenho economico pq naum tem banco central
lógica brilhante hein?!
nenhum controle de nada, nenhuma outra variavel…..
a australia tem banco central
a australia tem excelente desempenho economico
logo, a australia teve bom desempenho pq tem banco central?
como q fica, meus caros austriacos misenianos?
todos que concordam com a existencia de um banco cntral são keynesianos?
se for assim, eu sou keynesiano, Lucas, Prescott, Kydland, Sargent, Barro, Friedman (ele era de um banco central e não dos rumos do que o fed tomou)…..infinitos economistas que definitivamente não se caracterizam como keynesianos concordam com a existencia de um banco central…..
o problema meu caro analfabeto em economia não-austriaca, e é aqui que se dividem keynesianos de não keynesianos, é o tipo de configuração de um banco central….
se tivesse prestado atenção no pouco de bom que a UFMG tem, vc teria aprendido que economistas monetaristas e novo-clássicos jamais concordariam com um banco central discricionario do tipo proposto pelos picaretas da UNICAMP….
antes de argumentar com tanta veemencia que o banco central é a fonte de todo mal do universo, veja que muitos países ricos de hj tem funcionado com um banco central durante muito tempo. Australia, Alemanha, Holanda, Belgica, Suiça são exemplos de países que tem bancos centrais serios e tiveram excelente desempenho economico
o panana não tem banco central, teve bom desempenho, mas não é rico e desenvolvido como nenhum dos países citados anteriormente. E ai, como fica?
vcs austriacos do tipo mises são engraçados. vivem criticando o uso de dados e exemplos como forma de evidenciar determinadas teorias pq os dados refletem o resultado da ação humana e não a ação humana em si e todo aquele bla bla bla que todos nos conhecemos….mas quando veem um dado que corrobora suas teorias, não pensam duas vezes antes de escrever “Não há um banco central no panamá”.
um pouco mais de consistencia faria muito bem à escola austriaca….que, só pra constar, eu tenho certo apreço….. as evidencias mostram que um banco central serio não é impedimento ao crescimento……..
não me venha argumentar que eu não sei como seria a economia no caso da inexistencia do banco central, pois vc também não sabe e não pode dizer que as economias seriam muito mais ricas do que hj são se não tivessem um banco central….
Acho que vou me mudar para o Panamá, como disse o único político brasileiro sincero e inteligente: “Pior que tá não fica!”
É curioso como os “austríacos” – tão afeitos à análise objetiva ou formal dos fenômenos subjetivos relativos às escolhas individuais com efeitos coletivos – tendam a ignorar de modo incrivelmente solene os aspectos sociais e políticos. Suas modelagens sistematicamente evitam quantificações, como que se limitando a noções de proporção, de maior ou menor etc, o que considero aceitável, mas também ignoram na prática os fatores políticos que diretamente inviabilizam suas prescrições e tornam irrelevantes suas análises.
Em tempo: tenho grande simpatia pela tal escola. Até comprei (no último Forum da Liberdade) e usei a camiseta do instituto Mises Brasil (ainda semana passada). Mais: calquei-me muito em Mises e um pouco em Hayek num trabalho de conclusão de uma especialização em Especialização Direito E Economia. No entanto esbarro sempre no alerta que conheço pela origem talvez não muito nobre (não o vejo muito citado) de Barry Eichengreen em “A globalização do capital” (o autor aceita a análise histórica e “monetária”, mas atribui a análise política – acho que equivocadamente – a Polanyi): após 1870 o liberalismo colapsou pela ampliação da participação política das classes baixas ou populares, o que tornou inviável aos bancos centrais focar estritamente na moeda, os governos incorporando (por meio dos bancos centrais) o crescimento e pleno emprego como política indispensável para a sustentação (eleição, reeleição) política.
Não precisa muitos cálculos para “predizer” o que teria maior risco de ocorrer com uma efetiva adesão do Brasil à estratégia atribuída ao Panamá. Primeiro, Itamar Franco não permitiria e Fernando Henrique não se teria eleito. Segundo… por que discutir o “segundo”?
Uma forma mais suave de dolarizar a economia seria manter a paridade do real com o dólar, sujeita, claro, a pressões e apostas tanto monetárias quanto políticas. Isso a rigor não é uma hipótese, é também uma fase do plano Real, inclusive conforme análise do artigo. O fantasma explícito não é a dívida externa, é a balança de pagamentos. Os agentes efetivos escondidos sob tal fantasma são o enorme custo do estado brasileiro (comparado à sua economia) e o ainda maior poder de fogo dos especuladores (ou tomadores de risco, hehe…) globais (muitos locais…).
Então, supondo que as análises “austríacas” estejam certas, suas predições são absurdas e a questão é: qual a efetiva pertinência de suas análises? Elas são elegantes precisamente porque ignoram o cipoal “político” e a pirotecnia “matemática”. Mas consideram adequadamente o que a política e a modelagem econômico-matemática oferecem?
O velho truque de tentar desmoralizar e depois dizer que tem apreço. Oh wait… eu já vi algo parecido a isso antes em algum lugar… ah, claro, no exército! Tudo pra se posicionar como superior, pela doutrinação e a obediência, ahn?
Aqui não!
Toda a precaução dos bancos do Panamá gira em torno do dinheiro físico? Pois quando há transferência entre os bancos do Panamá ou transferências internacionais, deve haver dinheiro físico lastreado essas operações para evitar prejuízos aos acionistas? Exemplo: existe o banco A e o banco B no Panamá, num dia houve uma transferência de 100 dólares do banco A para o B ( e nenhuma transferência do B para o A), então o banco A precisa ter esses 100 dólares em dinheiro físico para remetê-lo ao banco B e assim efetivar a transferência? Nesse mesmo exemplo, se houvesse banco central, seria necessária apenas a transferência de dígitos eletrônicos da conta da reserva em excesso do banco A para o B? Mas como não há, o dinheiro físico precisa ser remetido? A grande diferença é essa?
Dando uma rápida olhada nas informações sobre o Panamá, é possível ver que o país não está essas mil maravilhas que você diz:
interwp.cepal.org/cepalstat/WEB_cepalstat/Perfil_nacional_economico.asp?Pais=PNM&idioma=e
A inflação, por exemplo, de 2008 a 2012, teve uma média de 5,27% ao ano. O Brasil, no mesmo período, teve uma inflação média anual de 5,5%.
O desemprego atualmente está baixo, mas a pouco tempo atrás apresentava números bem altos.
O setor externo só apresenta déficits atrás de déficits, e a dívida do governo central como porcentagem do PIB então, nem se fala.
O crescimento do PIB em média vem apresentado bons desempenhos realmente, mas isso não é algo tão surpreendente em economias fragilizadas que estão se desenvolvendo, basta ver o desempenho do PIB argentino na década do pós crise.
Ou seja, esse me pareceu um artigo bem tendencioso, mostrando apenas um lado da moeda, inclusive com uma foto do país que faz aparentar ser um local de primeiro mundo na América Latina/Central.
Leandro (ou qualquer um que puder ajudar), normalmente se fala que a dolarização de uma economia acaba incentivando uma maior disciplina fiscal, visto que o país não pode mais usar política monetária para imprimir dinheiro a fim de financiar sua dívida. Mesmo assim, o Panamá teve problemas fiscais durante quase todo período em que foi dolarizado, tendo sido socorrido pelo FMI por diversas vezes, só tendo melhorado sua situação a partir da década de 90, passando de uma dívida de quase 120% do PIB para perto de 40% atualmente. Minhas dúvidas são as seguintes:
1- Por qual razão o FMI ficava bancando a farra de gastos panamenha por tantas vezes? Influência dos EUA? Por causa do canal?
2- O que aconteceu para incentivar essa mudança a partir dos anos 90 para um panorama de maior responsabilidade fiscal?
3- Li um paper (Edwards; Dollarization: Myths and Realities) onde o autor fala que o Panamá sofreu com crises bancárias em 88-89 devido à “fraqueza da posição financeira dos bancos privados e públicos”, tendo 15 deles encerrado suas operações. Essa crise foi por conta sistema bancário e monetário em si, ou foi por conta das sanções dos EUA que ocorreram na mesma época? De fato houve crise bancária lá ou alguma outra coisa ocorreu?
Muito obrigado pela ajuda!
Abraços!!