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Ensaio sobre a desindustrialização brasileira

1. Análise crítica sobre o
foco da discussão

A
desindustrialização brasileira é o tema do momento. Diversos economistas e
membros do governo têm falado sobre o tema nos jornais e, não incrivelmente,
parece que há uma unanimidade sobre o assunto. Mas não é difícil explicá-la: sempre
que quer explicações fáceis, a mídia adora recorrer aos economistas do mainstream.

Seus
apontamentos sobre as causas da desindustrialização falam, sobretudo, em
câmbio: que é o câmbio que tem causado a desindustrialização brasileira; que o
câmbio brasileiro está sobrevalorizado e isso afeta a “nossa” competitividade
(“nossa” como se o Brasil fosse uma única entidade empresarial); que a culpa é do Custo Brasil por ele representar um fator importante da falta de competitividade; que a
culpa é da elevada taxa de juros.  Alguns
até se dão conta (às vezes sem conseguir entender direito, parece, e sem se
aprofundar muito no assunto) de que é a enxurrada de dólares proporcionada pelo
Federal Reserve (inflação monetária à moda Keynes) o que está causando toda esta
farra na taxa de câmbio.

E
lá vão eles, criticando a inflação monetária americana (e européia também) e assegurando
que isso nos afeta porque aprecia nossa moeda em relação ao dólar e reduz a “nossa”
competitividade. Criticam o que os outros países fazem, mas adoram utilizar a
mesma receita para “nos proteger”. Já foi dada a largada para a corrida ao
protecionismo, sendo que o mais importante foi esquecido: as vantagens comparativas. 

Se
produzimos commodities de uma maneira incrivelmente eficiente, mas produzimos
chips de computador de forma cara e obsoleta, por que forçar a produção
adicional e a qualquer custo de chips, desperdiçando nosso capital e trabalho
escassos?  Façamos fazer valer das
vantagens comparativas, importemos de quem sabe fabricá-los de maneira mais
eficiente, e paguemos mais barato pelos chips.  

Porém,
antes que haja uma crítica de que seremos eternos exportadores de commodities,
é necessário saber que isso não vai durar para sempre.  Não porque um dia a matéria prima vai acabar e
toda aquela ladainha; mas sim porque a ditadura dos consumidores, a livre
atividade empresarial e toda a sinalização de lucros que ocorre num sistema de
preços, poderão nos levar, no futuro, a sermos produtores de chips e outros
bens com competitividade mundial. Por que não?

Outro
ponto que impressiona é a justificação para intervenções no câmbio.  Dizem os burocratas e seus economistas
alinhados que tais intervenções são para a proteção dos “nossos” empregos, explicitando
uma visão estática de que um trabalhador despedido jamais iria conseguir
emprego em outro lugar.  Pura miopia dos
ignorantes e demagogia dos que sabem que, se algumas empresas fecham por conta
da inviabilidade econômica fruto de apreciação cambial, outras irão abrir suas
portas e empregar trabalhadores, obedecendo às vantagens comparativas.  Não devemos nos esquecer de que vivemos em um
mundo de escassez, que o trabalho, o capital e a oferte de bens são escassos, e
que temos que fazer sua melhor alocação possível.  Ou por acaso todo mundo já mora em uma mansão,
com uma mesa farta de comes e bebes, com uma variedade de jatinhos
particulares? Pelo contrário: diariamente, 25.000 pessoas no mundo morrem de
fome. Veja quanto há para se fazer apenas para amenizar a escassez.

Além
disso, se o hedge cambial é
amplamente acessível às empresas por meio do mercado financeiro, qual a
necessidade de o governo intervir no câmbio, recaindo esse custo de intervenção
sobre os pagadores de impostos e sobre aqueles que serão usurpados pela
inflação monetária resultante?  Apenas
uma palavra vem à cabeça uma hora dessas: mercantilismo.

Mas
todo este relato inicial foi apenas para analisar e criticar o foco da
discussão.  Na realidade, está ocorrendo
um fato ainda mais grave na economia brasileira, cujo efeito é oculto aos olhos
de muitos. Vejamos que fato é esse.

2. A efetiva
desindustrialização brasileira

Nos
últimos anos, foram relatadas pelas entidades governamentais uma taxa de
crescimento do PIB próxima a 5% ao ano, da qual é válido suspeitar. Afinal, o
estado brasileiro arrecada em tributação 38% do PIB, apresenta um déficit
nominal de 1,5% a 2% do PIB, e investe menos de 2% do PIB[1].  Além disso, o governo, por meio do Banco
Central do Brasil, tem aumentado o meio circulante M1 próximo aos 16% ao ano
desde 1994, num claro mecanismo de indução econômica insustentável.  A taxa básica de juros da economia sempre
manifestou esse sintoma inflacionário, estando entre as taxas reais mais altas
do mundo.

Mas
o que significa essa síntese de dados? 
Em verdade temos um claro sacrifício do investimento privado em função
de consumo do governo.  E conforme meus
dois artigos anteriores publicados pelo IMB
(que apresentam a síntese das idéias apresentadas pelo Prof. Huerta de Soto em
seu livro “Dinheiro, crédito bancário e ciclos econômicos”), sabemos que o
crescimento sustentável se dá pelo aumento do grau de intensidade do capital da
economia — isto é, quando a estrutura produtiva se torna mais intensiva em capital
–, pois isso é o que proporciona uma maior produtividade de forma sustentável;
e que a expansão creditícia artificial não sustentada pela poupança causa os
ciclos econômicos, o consumo de capital e a concentração forçada da renda,
traduzindo-se em uma estrutura produtiva menos intensiva em capital e menor
produtividade.

Vejamos,
então, a série histórica[2] de contas agregada
nacionais dos últimos 15 anos[3], ou seja, desde a
implementação do plano real até a atualidade, que podemos considerar como uma
era contemporânea da economia brasileira.

Tabela 1
Participação percentual do consumo intermediário e do Produto Interno Bruto em
relação à produção total (produção total = 100)

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Consumo intermediário

46,7

45,9

45,7

45,9

47,0

49,0

49,5

49,9

50,9

51,5

51,3

50,6

50,6

51,4

49,0

Produto Interno Bruto

61,1

61,5

61,4

61,2

60,9

58,9

58,8

58,2

56,8

56,6

56,7

57,5

57,5

57,1

59,1

Uma
análise primária dos dados nos mostra claramente que, ao longo dos últimos 15
anos, a economia brasileira apresenta uma tendência de aumento relativo de
consumo intermediário (consumo de bens e serviços para produzir outros bens e
serviços) e uma tendência de redução relativa do produto interno bruto em
relação à produção total.  Isto
significa, em síntese, uma queda de produtividade, uma efetiva
desindustrialização, pois estamos consumindo mais recursos para produzir uma
quantidade relativa menor de produto.

Isto
não quer dizer que não haja investimentos em capital, mas sim que o nível de
investimentos é insuficiente sequer para repor o capital desgastado no processo
produtivo da economia.  Ou, em termos
técnicos, um investimento líquido negativo, ou ainda a diminuição da capacidade
produtiva.

Quando
expandimos a análise incorporando a drenagem de recursos do setor privado pelo
governo, percebemos o quanto efetivamente sobra de recursos na economia.
Vejamos os dados:

Tabela
2
— Participação percentual das contas que resultarão no produto privado remanescente em relação à produção
total (produção total = 100)

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Consumo intermediário

46,7

45,9

45,7

45,9

47,0

49,0

49,5

49,9

50,9

51,5

51,3

50,6

50,6

51,4

49,0

Produto Privado Bruto

53,3

54,1

54,3

54,1

53,0

51,0

50,5

50,1

49,1

48,5

48,7

49,4

49,4

48,6

51,0

Recursos drenados do setor
privado

21,4

20,9

21,0

22,5

24,4

20,3

21,5

24,4

20,3

20,0

21,0

21,6

21,4

21,0

21,8

Produto Privado Remanescente

31,9

33,2

33,2

31,6

28,6

30,7

29,0

25,7

28,9

28,5

27,7

27,8

28,0

27,6

29,2

Aqui
cabe um pequeno esclarecimento.  Como
explicado neste artigo,

Quando
o governo gasta, ele está consumindo bens que, de outra forma, seriam
utilizados pela população ou mesmo por empreendedores para fins mais úteis e
mais produtivos.  Por isso, todo o gasto
do governo gera um exaurimento de recursos. 
Bens que foram poupados para serem consumidos no futuro acabam sendo
apropriados pelo governo, que os utilizará sempre de forma mais irracional que
o mercado, que sempre se preocupa com o sistema de lucros e prejuízos.  Portanto, os gastos do governo exaurem a
poupança (por ”poupança”, entenda-se ”bens que não foram consumidos no
presente para serem utilizados em atividades futuras”).

[…]

Foi
pensando nisso que os economistas da Escola Austríaca, capitaneados por Murray
Rothbard, criaram uma maneira mais acurada de se medir o real valor da riqueza
de uma economia.  A esse resultado eles deram o nome de PPR: Produto Privado Remanescente.

A
maneira de se calcular o PPR é simples: dado que os gastos do governo equivalem
na verdade a depredações econômicas, eles devem ser subtraídos do cálculo do
PIB.  Ou seja: do valor anual do PIB divulgado, subtrai-se os gastos governamentais
duas vezes.  A primeira, apenas para tirar essa variável da equação,
obtendo-se assim o Produto Privado Bruto — PPB; a segunda, para levar
em conta todos os recursos que o estado tungou do setor privado, obtendo-se
assim o Produto Privado Remanescente, que representa a real
criação de riqueza de uma economia.

Portanto,
o produto privado bruto nada mais é do que o produto interno bruto menos os gastos
governamentais contidos nele.  Do produto
privado bruto, deduzimos novamente estes recursos drenados pelo governo — que
perfizeram uma carga de 20% a 22% da produção nestes últimos 15 anos analisados
— para compor o produto privado
remanescente
, a efetiva parcela da produção (aqui no Brasil, menos de 1/3
da produção total) que sustentará uma parte do consumo das famílias e
praticamente todo o crescimento econômico. 
É esta parcela que está sendo utilizada para a reposição do capital
consumido na produção, bem como para a formação da poupança necessária para se investir
em capital e para a expansão da capacidade produtiva e a modernização (aqui
considero que o governo investe uma ínfima parte de todo o recurso drenado do
setor privado).

E
quando se acrescenta o consumo das famílias, as coisas ficam piores:

Tabela
3
— Participação percentual do consumo das famílias e da poupança privada em
relação à produção total (produção total = 100)

 

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

Consumo das famílias

38,1

39,8

39,8

39,4

39,4

37,9

37,3

35,9

35,2

33,8

34,2

34,7

34,4

33,7

36,1

Poupança Privada

-6,3

-6,6

-6,6

-7,7

-10,8

-7,2

-8,3

-10,2

-6,3

-5,3

-6,5

-6,9

-6,5

-6,1

-6,9

O
consumo das famílias ultrapassa o produto privado remanescente, evidenciando a poupança
negativa.  Em outras palavras, o setor
privado está consumindo capital para atender à demanda das famílias. Os
empresários assim o fazem porque não há viabilidade econômica para a reposição
de capital ou para investimentos para aumentar de capacidade de produção.  O custo de investir em reposição ou aumento de
capacidade supera a expectativa de retorno.

3. Conclusões

O
câmbio não é a causa da desindustrialização brasileira, já que, como foi
mencionado anteriormente, câmbio apreciado fecha algumas portas, mas abre outras.
O câmbio depreciado causa o mesmo efeito, só que as reclamações virão de outros
setores da economia.  Além disso, na
medida em que a taxa de câmbio aprecia, as importações se tornam mais baratas,
aumentando a demanda por moeda estrangeira para o pagamento dos compromissos,
exercendo um “efeito rebote” sobre a taxa de câmbio (a qual volta a se
depreciar).  O revés também é verdadeiro.

Cantillon já explicou este fenômeno
lá em remotos 1735, mas os burocratas sempre o ignoraram, preferindo a teoria
mercantilista e todos os privilégios governamentais concedidos às empresas com
boas conexões políticas à custa dos pagadores de impostos e dos usurpados pela
inflação. Além disso, as operações de hedge
cambial no mercado financeiro moderno possibilitam tranquilamente a efetiva
proteção às empresas, tornando desnecessária qualquer intervenção cambial por
parte do governo.

No
que tange a estes últimos 15 anos, estamos num claro movimento de despoupança,
ou seja, de consumo de capital.  Não é
por acaso que os setores de consumo (etapas finais da estrutura produtiva e
mais intensivos em mão-de-obra) apresentam melhores viabilidades econômicas em
virtude das medidas de estímulo decorrentes da expansão artificial do crédito,
e contribuem para o aquecimento do mercado de trabalho — o outro contribuinte
é a inflação de preços que faz reduzir o salário real de uma maneira geral — fazendo
parecer que estamos em uma bonança econômica.

Em
termos de variação de PIB, apresentamos crescimento econômico, produzimos mais
em termos absolutos em relação ao ano anterior.  Mas a que custo?  Ao custo do consumo de capital, ao custo da
desindustrialização.  E quando a economia
se der conta, a capacidade de produção já terá sofrido enorme perda,
dificultando a sua retomada de crescimento sustentável.

É
preciso, então, que haja viabilidade econômica na reposição de capital e um
aumento da capacidade produtiva, o que irá reverter o quadro de despoupança,
propiciando uma estrutura produtiva mais intensiva em capital.  Sabemos que os empresários
estão sempre alertas para oportunidades e reduções de custo, mas a alta carga
tributária, custo sobre folha de pagamento e burocracia, entre outros itens do “Custo
Brasil”, são custos que não podem ser diretamente controlados por eles.  Reduzir os gastos do governo (e,
consequentemente, os impostos) proporcionaria um aumento no produto privado
remanescente, uma tendência à reversão do quadro de despoupança e, por
conseguinte, a reversão do processo de desindustrialização.

Deixem
o câmbio em paz.



[1]
Economista Eduardo Gianetti, em entrevista ao jornal brasileiro “O Estado de
São Paulo” em 18/09/2008.

[2] No que diz respeito aos
dados, sua fonte são as tabelas de recursos e usos (TRU) e contas econômicas
integradas (CEI) fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Os valores originais são em moeda corrente, mas a análise
aqui apresentada se dá em termos percentuais em relação à produção total para
evidenciar a efetiva importância de cada conta.

[3] Os dados apresentados
vão de 1995 até o ano de 2009 devido ao IBGE não apresentar a consolidação dos
dados de 2010 e 2011.

 

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47 comentários em “Ensaio sobre a desindustrialização brasileira”

  1. ‘porque a ditadura dos consumidores, a livre atividade empresarial e toda a sinalização de lucros que ocorre num sistema de preços, poderão nos levar, no futuro, a sermos produtores de chips e outros bens com competitividade mundial. Por que não?’

    Porque o brasil não tem engenheiros pra isso, pq a educação aqui é porca e pq a maioria do povo brasileiro n é capaz de encarar uma matemática básica e ainda prefere ser funcionário público do que trabalhar na iniciativa privada.

  2. Aprendi muito com a leitura deste artigo. Seria bom se pudesse ser lido por boa parte dos nossos políticos e jornalistas (geralmente ignorantes, em alto grau, em economia) ou, pelo menos, dos parlamentares federais. Mas, em geral, preocupam-lhes a próxima eleição e não o futuro do país.Parabéns professor DOMINGOS BRANDA pelo execelente texto.

  3. Professor Branda, os economistas mainstrean tem noção destes dados e estudos e por que são tão omissos em suas propostas e sugestões na imprensa e artigos acadêmicos?
    Ideologia ou venalidade?

  4. Ele fala que a causa da desindustrialização é o consumo de capital devido ao consumo excessivo. Os EUA passaram por desindustrialização e são muito consumistas, eles consumiram muito capital?

  5. A produção total é a soma simples de tudo o que é produzido, sem a dedução dos bens que se consomem intermediariamente, na produção de novos bens. Por ex., bem simplificado, vamos supor a fabricação de pão. Temos no processo a plantação e colheita do trigo (atividade 1), a transformação do trigo em farinha (atividade 2), a produção do pão (atividade 3).
    O plantador de trigo vende sua produção ao moinho por $ 20. O moinho vende a farinha ao padeiro por $ 50. O padeiros vende seus pãezinhos aos seus clientes por $ 100. A prdução total da economia é de (20 + 50 + 100) = $ 170.
    Entretanto, o que efetivamente se produziu (valor indicado no PIB) foram os $ 100 do pão. Isso porque os $ 20 do trigo estão incluídos nos $ 50 da farinha; o valor da farinha é a soma dos $ 20 do trigo mais $ 30 (valor agregado pelo moinho). Da mesma forma, os $ 100 do pão são a soma dos $ 50 da farinha (já embutidos aí os $ 20 do trigo) mais $ 50 (valor agregado pela ativida de do padeiro). Podemos definir o PIB, então, como a soma dos valores agregados por cada atividade. Em outras palavras:
    Atividade_______Produção Total_______Valor agregado
    Plantação_______ 20 _________________ 20
    Moinho__________ 50 _________________ 30
    Pão_____________ 100 ________________ 50
    TOTAL___________ 170 ______________ 100

    Excelente artigo, por sinal. Abraços!

  6. Acredito que, caso o Brasil adotasse medidas de livre mercado, como redução do tamanho do Estado, redução da carga tributária, desregulamentação e eliminação de barreiras alfandegárias, o resultado imediato seria recessão. Não por culpa do livre mercado, mas porque as empresas tornaram-se dependentes dos incentivos governamentais, e não conseguiriam competir de imediato com os concorrentes extrangeiros mais eficientes. Também teríamos uma pressão absurda vinda de sindicatos, das empresas que hoje lucram com as conexões com o governo, da imprensa, e da própria população que é absurdamente vulnerável à propaganda lançada pelos que perderam o poder neste processo, e que acreditariam que a recessão foi causada pelo livre mercado, e não pelos verdadeiros culpados, que posariam de santos. A pressão sobre o governante seria absurda. Acho pouco provável que este conseguisse se manter durante o período em que a economia começasse a se encaminhar para um patamar de crescimento sustentável, com as poupanças destruídas voltando a ser formadas, os investimentos insustentáveis sendo abadonados e substituídos por outros mais rentáveis, e principalmente com o Brasil retomar a corrida estando várias voltas retardatário em relação a outros países. Não conheço absolutamente ninguém que tenha coragem de colocar o Brasil novamente nos trilhos, sob o custo de sua carreira política.

  7. Prezados leitores,\r
    \r
    Agradeço os comentários e peço desculpas pela demora nas respostas, pois estava ausente.\r
    Creio que o Daniel Klug já respondeu ao Rhyan e o Leandro ao Júlio. As demais respostas e comentários, farei a partir de agora\r
    \r
    Um abraço.

  8. O que dizer:

    Para Hillary Clinton, carga tributária contribui para progresso do Brasil

    economia.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2010/05/12/para-hillary-clinton-carga-tributaria-contribui-para-progresso-do-brasil.jhtm

  9. Em relação ao Hedge, como mencionado no texto, dizendo que está a disposição da indústria, contra as variações do câmbio, é de se salientar que para fazer o hedge como proteção do capital investido gera um custo que é refletido na produção, hedge sem custo já é especulação, pois para sobrepor os custos do hedge o Trader tem que utilizar um capital maior daquele que era preciso para proteger sua posição expondo o ao risco.
    Não concordo em deixa o câmbio em paz, mas também não concordo com os mecanismos utilizados pelo governo como interferência onde não surte efeito, cambio valorizado com os países asiáticos produzindo á preço baixo pode levar a mais protecionismo, os produtos asiáticos são os grandes causadores da desindustrialização, o fator cambial está inserido neste contexto, no meu ponto de vista tem um peso significante nas variantes que compõe as causas, que entre elas é evidente a falta de investimento em pesquisas, a política Monetária entreguista com gasto do governo mal gerido sendo desviado para corrupção, o custo para manter as reservas internacionais para lastrear a divida interna são de longe os maiores fatores do fenômeno da desindustrialização no Brasil mas a injeção de capital na economia internacional para socorrer as economias dos grandes mercados com viés de resseção, já afetando a china, faz do câmbio um peso maior nesta composição.

  10. Meu caros,

    Esse tema é interessantíssimo. Tanto que penso fazer minha monografia com esse tema. Penso que estudantes de economia – graduação, mestrado e doutorado – que comungam com as ideias da EA deveriam parar de reproduzir os conteudos do Mainstream econômico ou da heterodoxia tranviada e produzir o que acreditam e defendem.
    Sei que é tarefa difícil. Dificílima. Poís a academia tem um fator ideológico extremanente falacioso e agressivo, rejeitando o debate sem nem ao menos tentar entender outro ponto de vista.

    Eu mesmo estou num dilema, pois queria fazer uma monografia como revisão de literatura sobre algum tema da EA, mas não tenho orientador a altura e tenho certeza da dificuldade de aceitação da tese.

  11. Vinci

    Realmente fazer monografias com viés austríaco exige muita dedicação. Eu e mais dos colegas da UFSM (incluindo o autor desse artigo) fomos por esse caminho e posso lhe assegurar que ele é tortuoso mas ao mesmo tempo gratificante.

    Na UFSM também não tinhamos nenhum professor que possuia ao menos um conhecimento digno sobre os preceitos da EA, isso não significou uma orientação ruim pois especificamente os dois orientadores eram pos si só muito bons em teoria econômica e bem versados em metodologia.

    Logo, o que eu quero lhe dizer é que não desista. Faça a monografia com marco teórico austríaco (se assim desejar) que você verá que vale a pena. Além da autonomia sobre um trabalho que no fim das contas é seu, você ajuda de alguma forma a espalhar os fundamentos da EA (o que ao meu ver é sempre importante).

    Quanto a banca, nós também tinhamos esse medo. Mas se você amarrar bem as pontas e se a sua banca tiver o mínimo de bom senso eles terão que dar o devido valor ao seu trabalho monográfico. Foi o que aconteceu no caso da Mariana Piaia Abreu que obteve uma nota dez (algo bem raro na UFSM para monografias tipicamente teóricas. A monografia está disponivel na seção trabalhos acadêmicos aqui do IMB (recomendo a leitura). E no meu caso a banca foi bastante tranquila sem grandes problemas. O principal ponto de conflito em meu trabalho foi estrutural e não teórico, logo, o viés austríaco no fim das contas não nos atrapalhou, pelo contrário!!!

    Enfim, fazer monografica austríaca é isso Vinci, exige essencialmente muito esforço pessoal, afinal, você faz a monografia praticamente sozinho. Mas quem disse que a vida dos austríacos nesse país é fácil???

    Abraços

  12. Caro Felife,

    Suas palavras foram motivadoras! Gostaria de ter acesso – em PDF – a essas monografias a que você se referiu, para ter uma ideia dos caminhos trilhados por vocês. Gostaria também de ter o seu email, para solicitar auxílios e tirar dúvidas (se possível).

    Se mais alguem puder me ajudar nas recomendações, agradeço.

    Valeu!

  13. Otávio Machado

    Dos 41 comentários, na minha opinião, só se aproveita algo do Leandro e do Daniel King.
    Sou leigo, mas sou um pequeno empresário e vejo todas estas discussões ocorrendo entre os que NÃO sentem na pele a realidade brasileira. Concordo com a análise do Câmbio, que estenderia às importações sem nenhum receio.
    Tecnicamente, é possível fazer uso EFICAZ desta estupidamente imensa massa de produtos importados, refazendo-os, inclusive visando EXPORTAÇÃO.
    Recriando CICLOS, após agregar VALOR, com diferenciais que temos condições de CRIAR.

    MAS isto exigiria um esforço REAL de inovação – saindo deste FAZ-DE-CONTAS de governantes e empresários. Isto só é possível – e infelizmente nada vai acontecer de fato – SE os governantes reduzissem os impostos dando prioridade para incentivar profissionais de inovação – e não apenas em tecnologias – mas em todos os processos, comerciais inclusive.

    E dessem apoio efetivo buscando otimizar as inchadas repartições públicas, que primam pela ineficîência acima de tudo, nas estruturas de Pessoal, inadequadamente treinados – quando são – nunca cobrados, equipamentos inadequados, manutenção idem – quando existe, infraestruturas incorretas, processos lennnnntos quando não lenientes, vazamento de informações críticas de forma irresponsável (ninguém, é o nome de quem é responsabilizado por algo) ausência de lógica, inexistência de bom senso, ignorância de métodos que começariam tendo configurações compatíveis – substituindo a BURROCRACIA visceral em todas as categorias e poderes: falta de fluxos e previsibilidade no judiciário, legislativo e executivo em todas as instâncias, federal, estaduais, municipais, autarquias e empresas mixtas.

    A tônica é – a pior – O PROCESSO de Franz KAfka.

    Assumir e CUMPRIR COMPROMISSOS claros que possam ser acompanhados TRANSPARENTEMENTE – que nós cidadão possamos cobrar econômicamente pelo não-cumprimeito, pela mentira, usual, redundante.

    JUROS cobrados pelos bancos protegidos, um capitalismo covarde porque SEM riscos – gerando uma falsa impressão de estabilidade (sempre socorridos, nunca fecham apenas são repassados e absorvidos os prejuízos pagos por nós, contribuintes) por serem a ESPINHA DORSAL da cobrança dos IMPOSTOS de nós, os contribuintes – que pagamos poe toda esta gastança – onde os juros escorchantes alimentam a farra dos pagamentos ditos como devidos e muitas vezes já pagos…

    Melhor parar por aqui.

    Otávio Machado

  14. A ironia dos comentários aqui feitos, poucos se salvam e percebemos como a educação está realmente porca, e muita pobreza, ignorância de idéias. E observei como são acomodados na filosofia de Keynes e Marx.

    Eles tentam defender o lixo do socialismo. Vão estudar, parem de frequentar cursos preparatórios para concursos públicos, pois 80% de qualquer curso voltado para o concurso público, joguem no lixo pois esse tipo de conhecimento só serve para concurso público.

    Para entender o artigo basta você ser 100% racional e naturalista, assim você irá interpretar.

    São poucos comentários que tem consistência, baseado em filosofia de mercado ou seja: Hayek, Mises, Marcelo Mazzilli.

    Uma dica não leia com a técnica de leitura dinâmica, leiam devagar e entendam assim não vão fazer comentários “vazios”

  15. Boa tarde!
    Li o comentario abaixo do Alexandre Schwartsman:
    Entre 2007 e 2011 a parcela dos produtos primários na pauta de exportações brasileiras deu um salto de 16 pontos percentuais (de 32% para 48% do total). Tal ganho se deu à custa da participação das manufaturas, que caiu os mesmos 16 pontos percentuais (de 52% para 36% do total). Esta evolução levou aos gritos de desespero acerca da "desindustrialização" do país e nossa inexorável reversão à categoria de "meros" produtores de matérias-primas, augúrio da decadência irreversível da economia nacional.

    Ou não. Como de hábito, a aversão de grande parte (senão a totalidade) dos nossos keynesianos de quermesse aos dados os faz perder de vista um desenvolvimento óbvio, mas que explica muito do que ocorreu nos últimos anos.

    Refiro-me, é claro, à elevação extraordinária dos preços de produtos primários, cujo efeito sobre as exportações destes produtos não pode ser ignorada, como tem sido, sob pena de perda significativa de entendimento do processo. Entre 2007 e 2011 os preços de produtos primários praticamente dobraram, enquanto os preços de manufaturas aumentaram muito menos, apenas 35%. Este desenvolvimento não foi exclusivo do Brasil, já que globalmente os preços de matérias-primas (exceto energia) cresceram 39% contra 14% no que diz respeito às manufaturas, segundo as estimativas do CPB.

    Contra este pano de fundo, não é necessário grande salto de imaginação para concluir que, mesmo se as quantidades exportadas não se alterassem, a participação dos primários deveria crescer consideravelmente. Com um pouco mais de esforço é possível construir uma metodologia que decomponha a evolução da parcela de manufaturados no total exportado entre os efeitos derivados de quantidades e os efeitos oriundos dos preços (assim como da interação entre ambos, que, de qualquer forma, é pouco relevante), essencialmente medindo seu desempenho com relação a preços e quantidades médios.

  16. “Reduzir os gastos do governo (e, consequentemente, os impostos) proporcionaria um aumento no produto privado remanescente, uma tendência à reversão do quadro de despoupança e, por conseguinte, a reversão do processo de desindustrialização.”

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